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RELIGIÕES

quarta-feira, agosto 26th, 2020

 

RELIGIÕES

**RELIGIÃO: EM BUSCA DO SENTIDO por leandro Karnal**

**RELIGIÕES**

01 – EM BUSCA DE SENTIDO por Leandro Carnal

 

02 – O JUDAÍSMO por Leandro Karnal

 

03 – CRISTIANISMO por Leandro Karnal

 

 

 

 

 

 

 

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Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

GRUPO DE REFLEXÃO BÍBLICA SÃO JERÔNIMO

quarta-feira, agosto 19th, 2020

GRUPO DE REFLEXÃO BÍBLICA SÃO JERÔNIMO

 

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 Assista ao “GRUPO DE REFLEXÃO BIBLICA SÃO JERÔNIMO” no YouTube

CURSO SOBRE O LIVRO DO DEUTERONÔMIO

Neste ano de 2020, a Igreja no Brasil comemora o Mês da Bíblia fundamentando-se no livro do Deuteronômio, com o lema “Abre tua mão para o teu irmão” (Dt 15,11). É um livro rico em reflexões morais e éticas, com leis para regular as relações com Deus e com o próximo. Por isso, em setembro, nós do Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo ofereceremos, com exclusividade, pelo nosso canal do YouTube, um mini curso sobre o Deuteronômio, apresentando uma introdução geral ao livro, aos principais temas teológicos e à sua importância na literatura bíblica.

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Aula 01 – Introdução ao livro do Deuteronômio Prof. Dr. Fabrizio Zandonadi Catenassi (PUCPR) - Veja no YouTube

 

 

Aula 02 – Temas teológicos do  livro do Deuteronômio:  Profa. Dra. Ir. Elizangela Chaves Dias (Pontifícia Universidade Urbaniana e SIMI) e Prof. Dr. Pe. Jean Richard Lopes (PUC Minas) - Veja no YouTube

 

 

AULA 03 – DEUTERONÔMIO: CONSTITUIÇÃO PARA ISRAEL – por Prof. Dr. Pe. Jaldemir Vitório - Veja no YouTube

 

AULA 04 – DEUTERONÔMIO E ANTIGO TESTAMENTO por Prof. Dr. Pe. Cássio Murilo Dias da Silva (PUCRS) - Veja no YouTube

 

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TEOLOGIA DA RETRIBUIÇÃO: O que ela de fato significa? Como compreender essa lei muitas vezes controversa? Por Prof. Dr. Pe. Carlos André da Cruz Leandro (UCSal)

Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo.
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OS IRMÃOS DE JESUS: QUEM SÃO? – Prof. Dr. Pe. Leonardo Agostini Fernandes (PUC Rio)

Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo
Reflexão bíblica – Memória de Santo Inácio de Loyola (31/07/2020)
Prof. Dr. Pe. Leonardo Agostini Fernandes (PUC Rio)
Mt 13,54-58
54 Dirigindo-se para a sua terra, Jesus ensinava na sinagoga, de modo que ficavam admirados. E diziam: ‘De onde lhe vem essa sabedoria e esses milagres?
55 Não é ele o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas?
56 E suas irmãs não moram conosco? Então, de onde lhe vem tudo isso?’
57 E ficaram escandalizados por causa dele. Jesus, porém, disse: ‘Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!’
58 E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé.
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O Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo é uma iniciativa de professores de Bíblia, cuja proposta é oferecer um nutrimento bíblico-espiritual, uma palavra de conforto e esperança a partir do texto sagrado. Inscreva-se em nossas redes sociais e não perca nenhuma reflexão!!
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A IRA DE DEUS NO AT – COMO ENTENDER? – Prof. Dr. Pe. Jean Richard Lopes (PUC Minas)

 

Is 10,5-7.13-16

5Ai de Assur, vara de minha cólera, bastão em minhas mãos, instrumento de minha indignação! 6Eu o envio contra uma nação ímpia e ordeno-lhe, contra um povo que me excita à ira, que o submeta à pilhagem e ao saque, que o calque aos pés como lama nas ruas. 7Mas ele assim não pensava, seu propósito não era esse; pelo contrário, sua intenção era esmagar e exterminar não poucas nações. 13Pois diz o rei da Assíria: ‘Realizei isso pela força da minha mão e com minha sagacidade, pois tenho experiência; aboli as fronteiras dos povos, saqueei seus tesouros, e derrubei de golpe os ocupantes de altos postos; 14minha mão empalmou como um ninho a riqueza dos povos; e como se apanha uma ninhada de ovos, assim ajuntei eu os povos da terra, e não houve quem batesse asa ou abrisse o bico e desse um pio’. 15Mas acaso gloria-se o machado, em detrimento do lenhador que com ele corta? Ou se exalta a serra contra o serrador que a maneja? Como se a vara movesse quem a levanta e um bastão erguesse aquele que não é madeira. 16Por isso, enviará o Dominador, Senhor dos exércitos, contra aqueles fortes guerreiros o raquitismo; e abalará sua glória com convulsões que queimam como fogo.

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Lc 6,27-38 – A NATA DO EVANGELHO – Pe Francisco Cornelio

Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo
Reflexão bíblica – Quinta-feira da 23ª Semana do Tempo Comum (10/09/2020)
Prof. Me. Pe. Francisco Cornélio Freire Rodrigues (FCRN)

Lc 6,27-38
27 A vós que me escutais, eu digo: Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam,
28 bendizei os que vos amaldiçoam, e rezai por aqueles que vos caluniam.
29 Se alguém te der uma bofetada numa face, oferece também a outra. Se alguém te tomar o manto, deixa-o levar também a túnica.
30 Dá a quem te pedir e, se alguém tirar o que é teu, não peças que o devolva.
31 O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles.
32 Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Até os pecadores amam aqueles que os amam.
33 E se fazeis o bem somente aos que vos fazem o bem, que recompensa tereis? Até os pecadores fazem assim.
34 E se emprestais somente àqueles de quem esperais receber, que recompensa tereis? Até os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia.
35 Ao contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca. Então, a vossa recompensa será grande, e sereis filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e os maus.
36 Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso.
37 Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.
38 Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos.’
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1Cor 12,31-13,13 – O AMOR: EROS, FILIA E ÁGAPE  – Frei Jacir

Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo
Reflexão bíblica – Memória de São Cornélio e São Cipriano (16/09/2020)
Prof. Dr. Frei Jacir de Freitas Faria (ISTA)

1Cor 12,31-13,13
31 Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior.
13,1 Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.
2 Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada.
3 Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.
4 A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece;
5 não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor;
6 não se alegra com a iniqüidade, mas se regozija com a verdade.
7 Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.
8 A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá.
9 Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita.
10 Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.
11 Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança.
12 Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido.
13 Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.
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Ecl 3,1-11 – TUDO TEM SEU TEMPO – Frei Jacir

Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo
Reflexão bíblica – Sexta-feira da 25ª Semana do Tempo Comum (25/09/2020)
Prof. Dr. Frei Jacir de Freitas Faria (ISTA)

Ecl 3,1-11
1 Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo que acontece debaixo do céu.
2 Tempo de nascer e tempo de morrer; Tempo de plantar e tempo de colher a planta.
3 Tempo de matar e tempo de salvar; tempo de destruir e tempo de construir.
4 Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar.
5 Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar; tempo de abraçar e tempo de se separar.
6 Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de esbanjar.
7 Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar.
8 Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.
9 Que proveito tira o trabalhador de seu esforço?
10 Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem.
11 As coisas que ele fez são todas boas no tempo oportuno. Além disso, ele dispôs que fossem permanentes; no entanto o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza.
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*Tocando em Frente*
Renato Teixeira

Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque eu já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza
De que muito pouco eu sei
Ou nada sei

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
E no outro vai embora
Cada um de nós compõe
A sua própria história
E cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
*Ouça a canção*

 

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CONHEÇA O LIVRO DE JÓ E SUA LIÇÃO-Pe Johan Konings

 

Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo
Reflexão bíblica – Segunda-feira da 26ª Semana do Tempo Comum (28/09/2020)
Prof. Dr. Pe. Johan Konings (FAJE)

Jó 1,6-22
6 Um dia, foram os filhos de Deus apresentar-se ao Senhor; entre eles também Satanás.
7 O Senhor, então, disse a Satanás: ‘Donde vens?’ – ‘Venho de dar umas voltas pela terra’, respondeu ele.
8 O Senhor disse-lhe: ‘Reparaste no meu servo Jó? Na terra não há outro igual: é um homem íntegro e correto, teme a Deus e afasta-se do mal’.
9 Satanás respondeu ao Senhor: ‘Mas será por nada que Jó teme a Deus?
10 Porventura o não levantaste um muro de proteção ao redor dele, de sua casa e de todos os seus bens? Tu abençoaste tudo o que ele fez, e seus rebanhos cobrem toda a região.
11 Mas, estende a mão e toca em todos os seus bens; e eu garanto que ele te lançará maldições no rosto!’
12 Então o Senhor disse a Satanás: ‘Pois bem, de tudo o que ele possui, podes dispor, mas não estendas a mão contra ele’. E Satanás saiu da presença do Senhor.
13 Ora, num dia em que os filhos e filhas de Jó comiam e bebiam vinho na casa do irmão mais velho,
14 um mensageiro veio dizer a Jó: ‘Estavam os bois lavrando e as mulas pastando a seu lado,
15 quando, de repente, apareceram os sabeus e roubaram tudo, passando os criados ao fio da espada. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia’.
16 Estava ainda falando, quando chegou outro e disse: ‘Caiu do céu o fogo de Deus e matou ovelhas e pastores, reduzindo-os a cinza. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia’.
17 Este ainda falava, quando chegou outro e disse: ‘Os caldeus, divididos em três bandos, lançaram-se sobre os camelos e levaram-nos consigo, depois de passarem os criados ao fio da espada. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia’.
18 Este ainda falava, quando chegou outro e disse: ‘Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho,
19 quando um furacão se levantou das bandas do deserto e se lançou contra os quatro cantos da casa, que desabou sobre os jovens e os matou. Só eu consegui escapar para trazer-te a notícia’.
20 Então, Jó levantou-se, rasgou o manto, rapou a cabeça, caiu por terra e, prostrado, disse:
21 ‘Nu eu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou; como foi do agrado do Senhor, assim foi feito. Bendito seja o nome do Senhor!’
22 Apesar de tudo isso, Jó não cometeu pecado nem se revoltou contra Deus.
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Festa de Santa Maria Madalena – Prof. Dr. Frei Jacir de Freitas Faria

 

Reflexão bíblica – Festa de Santa Maria Madalena (22/07/2020)
Prof. Dr. Frei Jacir de Freitas Faria (ISTA)

Jo 20,1-2.11-18
1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
2 Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
11 Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo.
12 Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13 Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”.
14 Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus.
15 Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”.
16 Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabunni” (que quer dizer: Mestre).
17 Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”.
18 Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.
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MARIA MADALENA – Pe Frizzo

 

Grupo de Reflexão Bíblica São Jerônimo
Reflexão bíblica – Sexta-feira da 24ª Semana do Tempo Comum (18/09/2020)
Prof. Dr. Pe. Antônio Carlos Frizzo (ITESP)

Lc 8,1-3
1 Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele;
2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios;
3 Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.
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Veja mais informações sobre *Maria Madalena* em

http://xacute1.com/?p=7742

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LISTA DE LIVES

LIVES ANUNCIADOS

FÉ E POLÍTICA

** CUIDADO COM A VIDA NA CASA COMUM com LEONARDO BOFF

 

 

 

☆☆ ECLESIOLOGIA DO PAPA FRANCISCO

A Comissão Regional de CEBs – Regional NE2 da inicio essa semana a um ciclo de formações virtuais, refletindo sobre a Eclesiologia do Papa Francisco. Começaremos a reflexão com Dom Gabriel Marchesi – Bispo da Diocese de Floreste e Referencial das CEBs.

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☆☆ LIVE – CAPITALISMO DE DESASTRE: A ECOLOGIA E A SOCIEDADE – ASSISTA COM LEONARDO Boff

 

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☆☆ BISPOS E DEFESA DA DEMOCRACIA.

 

☆☆ A IGREJA, DE DOM HÉLDER CÂMARA A DOM PEDRO CASALDALIGA

DIÁLOGO DE FÉ E VIDA NA CAMINHADA DA IGREJA, CONTANDO COM A PARTICIPAÇÃO DE DOM GABRIEL MARCHESI, BISPO DIOCESANO DE FLORESTA – PE E, COM O IRMÃO MARCELO BARROS, MONGE, TEÓLOGO E ESCRITOR, REFLETINDO SOBRE A IGREJA DE DOM HÉLDER CÂMARA A DOM PEDRO CASALDÁLIGA.

 

 

https://youtu.be/T9lURSJ_mFU

 

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PROJETO BRASIL POPULAR

01. A IMPORTÂNCIA DO PROJETO NACIONAL com Margarida Salomão e João Pedro Stédile

*A importância do Projeto Nacional*_

O curso *”A crise brasileira e as saídas populares”* inicia hoje, 25 de agosto, às 19h com aula inaugural de Margarida Salomão e João Pedro Stédile.

Serão 9 encontros virtuais ao vivo pelo youtube, as terças-feiras às 19hs, até o dia 20 de outubro.

Acesse os materiais de apoio para os encontros

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Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

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ARQUEOLOGIA BÍBLICA

segunda-feira, julho 27th, 2020

 

O QUE É ARQUEOLOGIA?

arqueologia é uma disciplina que se ocupa da investigação dos indícios, ou vestígios, de civilizações e culturas passadas. O termo é composto pelos radicais gregos Arkhé, que significa tanto “início/começo” quanto “ordem/organização”, e Logia, que significa, por sua vez, “estudo/ciência”.

As investigações arqueológicas têm por objetivo principal fornecer subsídios materiais, com datação temporal precisa, para a reconstrução do passado humano. Por isso essa ciência é tão importante para outras disciplinas, como a história e a antropologia.

VEJA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ARQUEOLOGIA NA WIKIPÉDIA

 

O QUE É ARQUEOLOGIA BÍBLICA? – WIKIPÉDIA

arqueologia bíblica é um ramo da arqueologia especializado em estudos dos restos materiais relacionados direta ou indiretamente com os relatos bíblicos e com a história das religiões judaico-cristãs. A região mais estudada pela arqueologia bíblica, na perspectiva ocidental, é a denominada Terra Santa,[1] localizada no Médio Oriente.

Os principais elementos desta ciência arqueológica são, em sua maioria, referências teológicas e religiosas, sendo considerada uma ciência em toda a sua dimensão metodológica. Assim como se dá com os registros históricos de outras civilizações, os manuscritos descobertos devem ser comparados com outras sociedades contemporâneas da EuropaMesopotâmia e África.

As técnicas científicas empregadas são as mesmas da arqueologia em geral, com escavações[2] e datação radiométrica,[3] entre outras. Em contraste, a arqueologia do antigo Médio Oriente é mais ampla e generalizada, tratando simplesmente do Antigo Oriente sem tentar estabelecer uma relação específica entre as descobertas e a Bíblia.

ARQUEOLOGIA BIBLICA – VERBO FILMES

Este material traz importantes informações sobre o mundo da arqueologia bíblica, a partir de imagens e pesquisas recentes feitas nos principais sítios (Tel) de Israel e Jordânia. Este valioso material serve de referência para professores e alunos de teologia e arqueologia e para todos aqueles que anseiam por uma visualização dos locais onde aconteceram importantes fatos do mundo bíblico.

1. HAZOR

 

2. HERODIUM

 

3. JERICÓ

 

4. LAQUIS

 

5. MAR MORTO

 

6. MASSADA

 

7. MEGUIDO

 

8. QUMRÃ

 

9. TEL ARAD

 

10. BER SHE VA

 

11. BET SHEAN

 

12. GUEZER

 

13. BELÉM

 

14. CAFARNAUM

 

15. GERASA

 

16. JERUSALÉM

 

17. NAZARÉ

 

18. PETRA

 

19. JERUSALÉM – parte 2

 

20. ARAD

 

21. GUEZER – parte 2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

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Castillo, José Maria

domingo, julho 19th, 2020

 Pe CASTILLO – REFLEXÕES LITÚRGICAS

26º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Mt 21, 1-27 – O Importante é Fazer não Falar

Depois da entrada de Jesus em Jerusalém e a violenta expulsão dos comerciantes do Templo (Mt 21,1-27), a grande «parodia do poder», o evangelho de Mateus coloca três parábolas tremendas, todas elas dirigidas contra os dirigentes religiosos (não contra o povo de Israel):

a) a parábola dos dois filhos (Mt 21,28-32);

b) a dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-46);

c) a do banquete do Reino (Mt 22,1-14).

Com essas parábolas, Jesus provoca mais tensão na situação de enfrentamento com os responsáveis pela religião. E chega ao ponto de lhes dizer que eles são:

1) os que não fazem aquilo que Deus quer;

2) os que se apoderaram do poder e assassinam aqueles que lhes estorvam;

3) os que não entrarão no banquete de Deus.

Compreende-se que, ali mesmo, quiseram matar Jesus (Mt 21,46a). E não o fizeram porque o povo estava da parte de Jesus e os homens do Templo tinham medo das pessoas (Mt 21,46b. Cf. Mc 11,18.32; 12,12; Mt 14,5; 21,26.46; Lc 20,19; 22,2). Aqueles homens tão religiosos, além de traidores, eram covardes.

A parábola é imediatamente compreendida: A ética de Jesus não é a ética dos propósitos e das palavras, mas a ética dos fatos.

Para Jesus o que «se diz» não conta; o que conta é o que «se faz». Sobretudo, quando o que se diz é exatamente o contrário do que se faz. Isso é o que aconteceu com os dois irmãos [da parábola deste domingo]. E é o que ocorre, tantas vezes, com a elite religiosa:

* em suas pregações falam contra o apego ao dinheiro, aqueles que se parecem com qualquer coisa, menos a um pobre;

* falam contra o orgulho aqueles que ocupam sedes de poder e honra;

* são severos censores do sexo aqueles que ocultam e protegem a delinquentes sexuais.

Jesus acentua a sua denúncia ao afirmar que os grupos mais depreciados pela elite religiosa (publicanos e prostitutas) estão à frente dessa elite no caminho para o Reino. É de se notar que o verbo [grego] «proágousin» (Mt 21,31b) está no tempo presente, isto é, «agora» os publicanos e as prostitutas «vão à vossa frente» no caminho para o Reino.

A juízo de Jesus, os mais recuados [atrasados] no caminho para Deus são, precisamente, os que acham estar à frente dos outros e aqueles que se veem a si mesmos como o exemplo a seguir.

Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 346-347.

 

24º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 18,21-35
José María Castillo
Teólogo espanhol
DEUS SERÁ CONOSCO COMO SOMOS PARA OS OUTROS
Jesus disse: «tratai os outros como quereis que eles vos tratem» (Lc 6,31). O critério de Jesus, então, é que cada um seja tratado por Deus do mesmo modo que essa pessoa trata os demais em sua vida cotidiana. Quer dizer, o comportamento de cada um com os outros é a medida do comportamento que Deus tem com cada ser humano.
Portanto, o respeito, a tolerância, a estima a capacidade de perdoar que cada ser humano tem com as pessoas com as quais convive, esse será o respeito, a tolerância, a estima e o perdão que receberá de Deus.
A tolerância e o perdão do «Senhor» ou «Rei» com seu «servo»/«escravo» alcança uma dimensão incrível, segundo a parábola. A dez mil talentos [cerca de 300 toneladas de ouro!] chegava a soma que Roma, com Pompeu, obteve da recém conquistada Judeia por volta do ano 60 a.C. (segundo o historiador Flávio Josefo). Herodes Antipas obteve duzentos talentos da Galileia e Pereia. Arquelau, seiscentos talentos da venda da Idumeia, Judeia e Samaria (segundo o historiador Flávio Josefo).
Assim sendo, a figura que propõe a parábola evoca a ação de Roma e reflete noções proverbiais sobre a riqueza dos reis. Por isso, é assombrosa a generosidade do «senhor/rei».  Como é assombrosa a ruindade e miséria do servo que, por pouco, chega a desejar matar a um desgraçado que lhe devia uma quantia miserável.
Tudo nesta parábola é exagerado, quase incrível. Como exagerada e surpreendente é a ruindade e a miséria de espírito que estamos vendo e vivendo na duríssima situação de crise atual. Jamais se viu tanta cobiça nos ricos e tanta incapacidade para perdoar «o dinheiro que me devem». A cobiça pelo dinheiro é a causa do que estamos sofrendo.
E, enquanto a Igreja não começar a tomar decisões exemplares, que seja capazes de comover o mundo, esta situação não muda. Especialmente nos países do sul da Europa, que são precisamente os países mais católicos. O mais urgente não é que se modifiquem as decisões econômicas, mas que se convertam os corações ambiciosos e a cobiça insaciável dos ricos, daqueles que manejam o poder político, daqueles que controlam o capital financeiro.
A chave não está na «economia», mas na «ética».
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús. Comentario al evangelio diário – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 330-331.

 

22º Domingo do Tempo Comum – Homilia

Evangelho: Mateus 16,21-27
José María Castillo
Teólogo espanhol
JESUS, UM MESSIAS INESPERADO
A partir do momento em que os discípulos, pela boca de Pedro porta-voz deles, afirmam sua fé em Jesus como o Messias (Mc 8,27-30; Mt 16,13-16; Lc 9,18-21), este «começa» a explicar àqueles homens em que consistia seu messianismo e como iria se realizar.
Tal messianismo não seria uma carreira de êxitos, de triunfos, de poder e de fama. Totalmente o contrário. O messianismo que poderia trazer salvação e solução ao mundo, seria (tinha que ser) e se realizaria em uma vida que iria terminar no enfrentamento mortal com os poderes religiosos e políticos, até ver-se marginalizado, excluído e condenado por tais poderes.
Este fato, tal como historicamente aconteceu, pareceu intolerável a Pedro. Por isso, «repreendeu» Jesus. O que foi motivo de um enfrentamento duríssimo. Porque Jesus chegou a qualificar Pedro de «Satanás». Por que esse enfrentamento chegou a tal extremo? Estava em jogo o mais decisivo. Por quê?
O Messias, segundo o Antigo Testamento, era o «ungido». E ungidos eram o «sumo sacerdote» e o «rei». O messianismo estava associado, para qualquer judeu, ao mais digno, ao poder e à grandeza. A ideia de Messias estava, portanto, vinculada ao sobre-humano, ao governo glorioso do rei Davi (Is 9,1-6; 11,1ss; Mq 5,1-5). Talvez, na ideia do Messias estrasse, também, o conceito do «sagrado». Porém, é indubitável que a ideia judaica do messianismo estava vinculada à realeza, com o poder e dignidade que lhe corresponde, na qual encarna o papel e a grandeza da salvação do povo eleito.
Uma vez posto isso, e sendo essa a mentalidade do judaísmo proveniente do Antigo Testamento, compreende-se que Jesus, ao explicar seu messianismo (tal como de fato se consumou), teve de lançar mão de uma fórmula forte e direta: «o Messias tem de ir a Jerusalém e padecer muito lá». O texto utiliza o vocábulo grego «deï», que não tem equivalente semítico e que designa uma necessidade absoluta, inquestionável.
Porém, na história da interpretação bíblica, esta necessidade expôs um problema no qual a teologia ficou presa:
* Jesus «tinha que» padecer e morrer rejeitado pelas autoridades religiosas, porque assim Deus havia decidido?
Ou:
* Porque o próprio Jesus viveu de modo que aquela vida não poderia acabar senão em fracasso, em sofrimento e na morte de um subversivo?
Aqui está o problema capital para entender Jesus, para compreender o que significa o cristianismo, e para viver a fé cristã com coerência e segundo seu razoável significado.
O que isso quer dizer?
A afirmação forte, que faz Jesus, segundo a qual o Messias «tem que padecer muito» (grego: deï pollá pathein), associa o sofrimento e a morte de Cristo com «uma necessidade absoluta». O problema está em que o vocábulo «deï» («é necessário», «tem que») se associa no Novo Testamento com decretos divinos. Isto é que deu pé para se dizer que foi Deus quem decretou o sofrimento e a morte de Jesus.
Porém, se chegamos a esta conclusão, no fundo, o que estamos afirmando é que Deus necessitou de sofrimento e morte, nada menos do que a morte de seu Filho. O que equivale fazer de Deus um monstro de maldade e sadismo. Semelhante afirmação teológica é absolutamente intolerável e inaceitável. Em um Deus assim, não é possível crer.
Para pôr as coisas em seu lugar, é necessário saber:
1) No Novo Testamento se relaciona o vocábulo «deï» com normas de Deus para a ética e a piedade (At 5,29; 1Ts 4,1; Rm 8,26; 1Cor 8,2; 1Tm 3,2.7.15; Lc 13,14.16).
2) Nunca se relaciona com sofrimentos que Deus manda ou com decisões divinas relativas à morte de alguém.
3) E, claro, jamais se vincula a sofrimentos, violência e morte cuja origem esteja nas autoridades religiosas.
Deve-se dizer, portanto, o que dizem os evangelhos quando põem na boca de Jesus os anúncios da paixão: foram os sumos sacerdotes, os doutores da Lei e os senadores aqueles que decidiram torturar, humilhar e assassinar Jesus. Nesse sentido, pode-se afirmar que não foi Deus, mas que foi a Religião (por meio de seus representantes oficiais) que matou Jesus. O projeto de matar Jesus brotou dos observantes religiosos, os fariseus (Mc 3,6). E o consumou o Sinédrio das autoridades religiosas de Jerusalém (Jo 11,47-53).
Porém o que ocorreu, no cristianismo primitivo, é que os evangelhos foram redigidos e se difundiram (em sua redação definitiva) depois do ano 70, datação que está geralmente aceita e comprovada. Contudo, muito antes, entre os anos 41 e 51-52, as primeiras «igrejas», fundadas quase todas pelo apóstolo Paulo, receberam uma mensagem distinta àquela dos evangelhos. Foi a mensagem segundo a qual Cristo morreu crucificado, como «sacrifício» e «expiação» por nossos pecados. O que, a juízo de Paulo, foi um ato de generosidade de Deus. Foi o Pai quem entregou seu Filho para a nossa «justificação» e «redenção» (2Cor 5,21; Rm 3,24-26).
Estas duas interpretações da morte de Jesus, a dos evangelhos e a de Paulo, não se integraram devidamente na teologia cristã. Porém o fato histórico nos diz que Jesus morreu como um fracasso subversivo, por solidariedade para com todos os que sofrem neste mundo. Isto é o capital. E deveria ser o determinante para a Igreja.
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diário – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 312-314.

17º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 13,44-52
José María Castillo
Teólogo espanhol
O QUE PREENCHE O SER HUMANO
A primeira dessas parábolas compara a oferta de Jesus, o reinado de Deus, com um tesouro. Um tesouro tão valioso e que seduz tanto e produz tanta alegria, que aquele que o encontra, esquece-se de tudo o que tem, abandona tudo e vê nesse tesouro a única coisa que vale a pena neste mundo.
Como é lógico, isto quer dizer que quem encontra Jesus e sua mensagem, por esse motivo, muda radicalmente de vida. Uma novidade assim, não pode ser nem a prática religiosa, nem, muito menos, as obrigações que impõe a religião. Nem sequer, as promessas de felicidade para a outra vida. Nada disso é – para a grande maioria das pessoas – um tesouro que muda a forma de viver. A crença em uma esperança (incerta? insegura?) de futuro, normalmente, não modifica o presente visível, tangível.
O mesmo se deve dizer da pérola. No fundo, é a mesma comparação formulada com outras palavras. O que podem expressar o «tesouro» e a «pérola»?
Somente o que mais preenche os seres humanos:
um ambiente humano de respeitotolerânciaestimacarinho e segurança,
no qual damos felicidade e recebemos felicidade,
com a convicção de que isso é (e será) para sempre.
Somente isso pode significar o que, tal como são os humanos, Jesus oferece e afirma.
A comparação da rede e a separação última e definitiva dos peixes abre o horizonte das promessas de Jesus de tal maneira, que transcende todas as limitações inerentes à condição humana. A intenção de Mateus, ao colocar aqui esta comparação, é pôr uma «sentinela no horizonte» (Paul Ricoeur) último de todo o meramente humano, para superá-lo e transcendê-lo além de quanto nos atrevemos a imaginar ou suspeitar os mortais.
Em suma, a garantia mais segura de que o Evangelho está presente na vida é que essa nossa vida progrida e funcione impregnada de alegria pelo fato de ter conhecido e encontrado Jesus e seu Evangelho.
Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fontes:- CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al Evangelio diário 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 266-267.

16º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mt 13,24-43

José María Castillo
Teólogo espanhol
NINGUÉM É JUIZ DE NINGUÉM
O ensinamento desta parábola [do joio e do trigo] está claro: a juízo de Jesus, ninguém tem nesta vida o direito de erigir-se em juiz do bem e do mal. Ninguém tem, portanto, o direito de decidir onde está o bem (o trigo) e onde está o mal (o joio). E menos ainda, ninguém tem o direito de considerar-se com poder para pretender extirpar o mal pela raiz (arrancar o joio). Porque pode, muito bem, acontecer que, pensando que se arranca o joio, na realidade o que está se arrancando é o trigo.
Portanto, ninguém pode constituir-se em juiz dos demais. Ninguém tem direito de fazer isso. Ninguém pode condenar ninguém, rejeitar ninguém, reprovar a quem seja. Porque corre o perigo de equivocar-se. De modo que, pensando que faz uma boa coisa, na realidade o que leva a cabo é um dano.
Jesus condena, assim, o puritanismo e a intolerância. Todos corremos o perigo de incorrer nesse tipo de conduta. E nós sabemos, muito bem, até que ponto as pessoas andam por aí condenandorejeitandoofendendo, insultando… Porém, esse perigo aumenta, na medida em que, uma pessoa se faz mais religiosa, sobretudo, se sua religião é de caráter fundamentalista. Então, a intolerância supera todos os limites e chega a criar ambientes nos quais não se pode nem respirar.
Este mundo está repleto de fanáticos, que se consideram com o direito e o dever de obrigar que os outros mudem, até pensar e viver como pensa e vive o fanático intolerante. As pessoas «muito religiosas» dão medo! E tornam a vida insuportável e a convivência amarga.
No fundo, o problema está em que, no final das contas, o bem e o mal são categorias que dependem dos que tem poder para defini-lasFriedrich Nietzsche (filósofo alemão: 1844-1900) disse muito bem: «foram os bons mesmos, isto é, os nobres, os poderosos, os homens de posição superior… quem se sentiram e valorizaram a si mesmos e à sua obra como bons, ou seja, como algo de primeiro escalão, em contraposição a todo o baixo, abjeto, vulgar e plebeu» (Genealogia da moral I, 2).
E é, assim, que vamos limpar o campo do Senhor do suposto joio?
No final das contas, a essência do fanatismo consiste no desejo (e até no empenho) de «obrigar os outros a mudarem» (Amos Oz – escritor israelense: 1939-2018). Neste ponto coincidem todos os fanáticos do mundo, os quais, com frequência, degeneram para a violência e o terror.
Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fontes: Religión Digital – CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al Evangelio diário 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 257-258.

 

 

15º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 13,1-23

 José María Castillo
Teólogo espanhol
A FORÇA DO REINO ESTÁ ENTRE NÓS
Para entender esta parábola, a primeira coisa que se deve levar em conta, é que a «palavra» (em grego: logos; em hebraico: dâbâr), nas cultura do Oriente Antigo, não era meramente um «signo» que transmite uma «ideia», mas era uma «força» que transmitia uma «realidade». A realidade que expressava a palavra.
Nesta parábola, o que Jesus explica é porque muitas vezes a palavra 
não é força, mas se frustra e, por isso,
resulta ineficaz ou sua eficácia é diminuída, limitada.
Como isso é mencionado na Bíblia, a «palavra de Deus», não se associa ao sacerdote (Zacarias, o pai do Batista, ficou sem palavra, mudo: Lc 1,20), enquanto que a palavra veio sobre João, não no Templo, mas no deserto (Lc 3,2). E é que a palavra era o meio pelo qual os profetas comunicam sua força ao povo (Am 1,6).
Porém, com Jesus, o tema da palavra dá um passo adiante que se torna decisivo: a palavra de Deus é a palavra de Jesus: «Porém, eu vos digo» (Mt 5,22. 28…). A palavra de Jesus tem tal força, que:
* faz milagres (Mt 8,8.16; Jo 4,50-53),
* perdoa pecados (Mt 9,1-7 paralelos),
* transmite seu poder pessoal (Mt 18,18; Jo 20,23),
* perpetua sua presença (Mt 26,26-29 paralelos).
Pois bem, levando em consideração tudo aquilo que foi exposto, a pergunta que temos de afrontar é forte: Por que, com tanta frequência, a palavra do clero, dos catequistas, dos professores de religião, não é semente para nada?
Por que essa palavra torna-se tão inexpressiva,
tão pesada, tão incômoda, tão rotineira?
Não seria porque, no lugar de «profetas» da palavra, temos «funcionários» do templo? Isso tudo não indicará que nos apegamos a uma religião rotineira e cômoda, enquanto nos afastamos do Evangelho de Jesus?
Porém, se vamos até o fundo do que contém todo esse assunto, o que fica claro é que a Palavra, que disse Deus ao mundo, é o próprio Jesus e somente Jesus.
Porque a encarnação da Palavra não alude a Jesus como um enviado escatológico em quem Deus atua hoje, mas afirma a presença d0 próprio Deus na carne. Em outras palavras: a encarnação da Palavra significa a presença de Deus na pessoa de Jesus. Isto é, em Jesus, em sua VIDA, seus ATOS e suas PALAVRAS, é onde aprendemos:
* quem é Deus,
* como é Deus,
* o que temos de fazer para nos relacionarmos com Deus.

 

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Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

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ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA

sexta-feira, maio 15th, 2020

SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A

04 de Outubro de 2020

27º Domingo do Tempo Comum
Dia: 04 de outubro de 2020
Primeira Leitura: Is 5,1-7
Salmo: Sl 79, 9.12.13-14.15-16.19-20 (R. Is 5,7a)
Segunda Leitura: Fl 4,6-9
Evangelho: Mt 21,33-43

 

O evangelho deste 27º domingo encontra-se na primeira seção destes capítulos 21–22. Neles, a autoridade de Jesus é questionada pelos líderes judaicos. É para eles que Jesus conta três parábolas jurídicas: a parábola sobre os dois filhos, a parábola do banquete rejeitado e a parábola dos vinhateiros homicidas (21,33-43).

Antes de prosseguir, convém explicar o que é uma parábola jurídica. É uma parábola inserida em um relato um pouco maior: um profeta conta uma história e pede a quem escuta sua opinião sobre o acontecimento narrado. Quem ouve a parábola dá um veredito. O profeta, então, diz que a história contada é uma comparação com a atitude da própria pessoa que está ouvindo e opinando. Desse modo, sem saber, a pessoa condena a si mesma.

A parábola dos vinhateiros homicidas contém algumas imagens conhecidas na tradição bíblica, pois esta parábola tem sua raiz no Cântico da vinha de Is 5,1-7, que ouvimos hoje na primeira leitura.

A chave para entender a parábola contada por Jesus está no significado das figuras simbólicas: o dono da vinha é Deus; a vinha é Israel; a plantação, o cultivo e os cuidados do dono mostram a solicitude e o amor de Deus pelo povo eleito; os agricultores, encarregados da vinha para fazê-la produzir, são os dirigentes (políticos e religiosos); os frutos, segundo Is 5,7, são o direito e a justiça, expressos no amor ao próximo; os servos enviados por Deus representam os profetas; o fato de enviá-los repetidamente indica que Deus deseja com ansiedade a conversão do povo; o Filho e herdeiro é Jesus, o Messias.

O v. 33 descreve o carinho com que o Senhor trata sua vinha. Esse cuidado é apresentado enfaticamente com quatro ações: plantou, cercou-a, escavou, construiu.
Os vv. 35-36.38-39 descrevem, de modo até repetitivo, a ação dos vinhateiros. Em flagrante contraste com as ações do Senhor, os responsáveis pela vinha agem de modo agressivo: açoitaram, mataram, apedrejaram, agarraram, jogaram fora e novamente mataram.

Por meio da parábola, Jesus revela a hipocrisia dos chefes, não só os de Israel daquele tempo, mas também os nossos e de hoje. Eles deveriam compreender que a autoridade vem de Deus para cuidar do povo; no entanto, ao invés de cumprir a missão recebida, exercem o poder em beneficio próprio, impedindo o povo de ser feliz e ter vida.
Os servos enviados pelo dono da vinha nos vv. 34 e 36, são os profetas. O fato de serem de o dono da vinha enviar dois grupos pode ser interpretado como uma síntese de toda a ação profética do Antigo Testamento.

A grande novidade do relato de Mateus é que o próprio Filho do Dono da vinha veio e está no meio de nós para pedir conta dos frutos.

Um aspecto interessante do v. 38 é que os agricultores reconhecem de imediato o Filho: Este é o herdeiro. O crime deles não acontece por engano, pois eles têm plena consciência de suas ações. Não é um delito culposo, mas doloso: eles têm intenção de fazer o mal, eles querem ocupar o lugar do Senhor da vinha e se tornar os únicos donos do povo de Deus. E embora a parábola se refira aos dirigentes, indiretamente ela se aplica também a todo o povo, que se deixa levar e participa da infidelidade de suas autoridades.

A afirmação do v. 39: E apoderando-se dele, jogaram-no para fora da vinha e o mataram, é uma alusão ao que os líderes judaicos em breve farão com Jesus, será condenado, levado para fora dos muros de Jerusalém e ali crucificado.

Antes de concluir a parábola, Jesus cita dois versículos do Sl 118: vv. 23-23. A pedra angular pode ser a pedra mais importante de um alicerce, normalmente a que está na base de uma coluna ou parede, ou também a pedra no alto de um arco de uma porta ou janela. Em ambos os casos, é a pedra que sustenta toda a parede ou até mesmo toda a construção. Na releitura cristã deste salmo, a pedra principal é Jesus, o Messias Filho de Deus, vencedor do pecado e morte: ele é a pedra angular para vida do mundo, a casa comum, como nos recorda o Papa Francisco.

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF
Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló
Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL ANO A

Dia: 27/09/2020

26° Domingo do Tempo Comum
Evangelho: Mt 21m18-32
Primeira Leitura: Ez 18,25-28
Segunda Leitura: Fl 2,1-11
Salmo: 24,4bc-5.6-7.8-9 (R 6a)

Evangelho
Todo o AT tem como meta fazer a vontade de Deus. As leis eram a expressão clara deste desejo. Por isto mesmo, da parte das elites religiosas, não observar as leis era visto como estar longe da vontade de Deus. Assim, quem não estava em dia com as leis, era visto como maldito (Jo 7,49). Os verdadeiros filhos eram os que cumpriam todas as prescrições (Lc 18,9ss). Os pecadores públicos e as prostitutas nem sequer eram vistos como filhos de Deus. E, na opinião das elites religiosas, estariam excluídas do Reino de Deus.
A justiça do Reino, trazida por Jesus entra em conflito com justiça da religião petrificada das autoridades. Para começo de história, nesta parábola exclusiva de Mateus, os dois são filhos do pai, tanto os “bons observantes da Lei”, como também os pecadores que eram considerados malditos. O mesmo apelo é dirigido a ambos. Depende agora da resposta dada por cada um.
Ter como herança toda história de Israel, desde Abrão, Moisés, os profetas pode ser um solene “Sim” verbal a Deus. No entanto, não aceitar o Filho enviado pelo Pai (Mt 3,16s), é dar um solene “Não” na prática, pois a vontade do Pai se realiza no Filho. Ninguém vai ao Pai se não for por Jesus (Jo 14,6). Não se está realizando a vontade do Pai só observando a Lei do AT e rejeitando o seu Filho. Ele é a plenitude da revelação. Fechando-se a Jesus, o plano do Pai não se realiza.
Muitos daqueles que não estavam em dia com a velha Lei, talvez por opção própria, ou até, por serem ignorantes, ou não terem condições de cumpri-la, ao encontrar Jesus, perceberam nele um apelo do amor de Deus aos pequeninos, coisa que as elites religiosas, empedernidas nas leis, não perceberam. Por isto mesmo, muitos pecadores impuros, em contato com o Filho, sentindo-se amados por Deus, abraçaram a Boa Nova e se comprometeram com ela. No amor de Deus, manifestado em Jesus, encontraram o caminho do Reino.
Este relato ilustra bem a comunidade de Mateus, dos anos 80. Muitas pessoas que não se enquadravam na observância da antiga Lei, como queriam os escribas e fariseus, formavam os fiéis discípulos de Jesus. O próprio Mateus que, como cobrador de impostos era considerado pecador público, em Cristo encontrou seu caminho, deixando para trás um tipo de vida desonesta, comprometendo-se com uma nova realidade. Na comunidade cristã, tinha lugar para todos, desde que se abrissem à graça trazida pelo mestre (cf. Ef 2,11ss).
Entrar no Reino (v.31) não é sinônimo de ir para o céu. Reino é uma realidade que já começa aqui na terra, ou seja, a nova realidade onde as pessoas se comprometem com o amor e a justiça, realidade esta que certamente culmina no céu, mas entrar ou não entrar é algo daqui da terra. Em outras palavras, pecadores públicos e prostitutas, abrindo-se aos apelos de Jesus entenderam a novidade do amor que acolhe a todos, por isto entraram na lógica do Reino, enquanto os autossuficientes observantes do AT, que se fecharam a Jesus, não puderam entrar nesta nova comunidade de verdadeiros irmãos onde se acolhe o próximo no amor e na justiça de Deus. Logo, não é Deus quem impede a estes entrar no Reino, mas a sua cegueira diante do enviado do Pai.
Relacionando com os outros textos
No Exílio da Babilônia, os exilados estão culpando a Deus pelos seus infortúnios. “Nossos pais pecaram e nós pagamos a conta”. O profeta discorda desta visão e mostra que Deus não está punindo os pais nos filhos. Cada um é responsável. Mesmo aqueles que erraram, encontram em Deus a remissão.
Continuando a lógica do Reino refletida no evangelho, pode-se também perceber no profeta que, um dia ter dado um sim a Deus e depois se fechar, não leva a nada. Mas aqueles que só despertaram mais tarde para o amor de Deus, sempre encontram nele a graça do perdão. Assim aconteceu com Paulo, com Agostinho e como muitos outros. Eles encontraram em Jesus o caminho que conduz ao Pai, mesmo que no passado tivessem feito muito mal.

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
Dia:11 outubro 2020
28º Domingo do Tempo Comum
Evangelho: Mt 22,1-14
Primeira Leitura: Is 25, 6-10a
Segunda Leitura: Fl 4,12-14.19-20
Salmo: 22,1-6 (R.6cd)

Evangelho
No texto que lemos hoje percebemos uma estrutura bipartida: a) o juízo sobre Israel que refuta os missionários do Messias (v. 2-7); b) o juízo interno na Igreja, reunida na sala do banquete (v. 8-13).
O caráter fortemente nupcial de toda a cena (gamos, núpcias v. 2.3.4.8.9.10.11.12) evoca o grito do Apocalipse: “estão para realizar-se as núpcias do Cordeiro” (Ap 19,7).
Nesta parábola, Mateus triplica o envio de servos: v. 3: “enviou seus servos”; v. 4 “tornou a enviar”; v. 9: “ide às encruzilhadas”. A dinâmica é explícita: o convite conduz sempre a um juízo. O destino de Israel e da Igreja estão postos em paralelo diante do juízo.
Os maus tratos aos servos (v. 6) são um reflexo da sorte trágica dessa missão. O texto paralelo de Lc 14, 16-24 é diferente ao mostrar os convidados somente desculpando-se por não poder vir.
O v. 7 alude aos eventos dos anos 70 d.C.: a destruição de Jerusalém e a destruição do templo são interpretadas por Mt como um castigo divino pelo repúdio de Israel aos missionários cristãos. A ameaça profética de Mt 21, 41 se cumpre historicamente.
A indignidade (“os convidados não eram dignos”, v. 8) não é outra coisa senão a atitude de repúdio. Tenha-se presente que repudiar o/a discípulo/a é repudiar seu Senhor. A “dignidade” é uma categoria fundamental no discurso missionário (10, 11ss). A recusa de Israel é inexplicável e desconcertante (v. 3: “não quiseram vir”; v. 5: “sem darem a menor atenção”), mas por outro lado é providencial, visto que abre caminho para a missão junto aos pagãos, ou seja, ao convite dirigido a todos, sem distinção nem discriminação (não somente àqueles que possuíam o direito de serem convidados, v. 3: kekleménoi, os convidados oficiais).
O detalhe do v. 10: “maus e bons”, não é acidental. Ele resulta da natureza da Igreja. São chamados os indignos, aqueles que não estavam de modo algum preparados (Lc detalha: pobres, estropiados, cegos, coxos). A mistura de bons e maus ao interno da Igreja é reflexo da gratuidade do convite.
Existe, no entanto, um preço a ser pago pela graça, uma adesão a ser dada ao convite: é a veste nupcial. É possível relacioná-la com a veste batismal, veste da fé e das obras correspondentes. Assim, os membros da Igreja serão julgados, como Israel, por obras dignas do Reino de Deus. O v. 14 conclui que entre a vocação gratuita e o juízo escatológico permanece a questão aberta da dignidade cristã. A relação entre “muitos” e “poucos” é típica de Mt (7, 13-14)
Relacionando com os outros textos
A primeira leitura, ao descrever a afluência de “todos os povos” a Jerusalém para uma festa, retoma e amplia concepções inclusivas de salvação. O Senhor, anfitrião do banquete, manifesta-se aos povos aniquilando a morte para que os convidados vivam eternamente com ele. Podemos relacionar tangencialmente o Salmo 22 com a primeira leitura e o evangelho pela associação da hospitalidade do Senhor com a durabilidade da “felicidade e amor”

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
Dia: 18 de outubro de 2020
29º Domingo do Tempo Comum.
Evangelho: Mateus 22,15-21.
Primeira Leitura: Isaías 45.1.4-6.
Segunda Leitura: 1 Tessalonicenses 1,1-5b.
Salmo: Sl 95,1.2a.3.4-5.7-8.9-10a.c (R. 7ab)

O princípio diferenciador entre Jesus e Cezar.
A comunidade de Mateus é testemunha dos horrores da repressão romana contra Jerusalém em 70 d.C. e da continuidade da perseguição contra as comunidades cristãs. Esta narrativa é um dos eixos que percorrem todos os Evangelho Sinóticos e que a comunidade de Mateus incorpora, mas enfatiza esta passagem como princípio de diferenciador entre o Projeto de Jesus Cristo e o sistema imperial vigente.
O texto de Mt 22,15-21 em relação a Marcos 12,13-17
A narrativa é comum ao três Evangelhos Sinóticos. No entanto, vamos nos concentrar na relação entre Mateus e Marcos (que certamente foi uma das suas fontes). Na narrativa de Mateus o texto se apresenta dentro de um conjunto que acontece num único dia. O contexto é o da última semana de Jesus em Jerusalém. Ele inicia como a narrativa da maldição da figueira (21.18s) e reune uma série de confrontos com os “anciãos do povo”, fariseus, escribas, herodianos e saduceus. Estes dois últimos grupos concentrem as críticas por terem um inserção popular maior que os outros (cf. 21,23.45;22,15.23.34.41 e todo o capítulo 23).
Ao comparar estes textos, podemos ver o sentido do resgate dado pela comunidade de Mateus. Enquanto, nos primeiros versículos a narrativa de Marcos apresenta “fariseus e herodianos” como um grupo só, a comunidade de Mateus (v.15-16) os diferencia, dizendo que os herodianos (braço político do Império Romano) foram enviados pelos “fariseus” (braço religioso do Império). Assim, seguindo a denúncia que é feita ao longo do Evangelho, destaca o mal que é feito quando a fé é usada como instrumento de opressão e repressão.
Da mesma forma, enquanto Marcos, acusa este grupo de serem “hipócritas”, Mateus assinala a sua “maldade”: “E conhecendo Jesus a maldade deles, lhe disse: por que me tentais hipócritas?” (v.18).
Relacionando com os outros textos
Na segunda parte do Livro de Isaías (Deutero-Isaías 40-55), o Imperador Ciro representa a oportunidade de retornar da Babilônia para a terra natal. Em Is 40,1 , Ciro é chamado “messias”. No entanto, embora em momento conjunturais imperadores pareçam ser “instrumentos de Deus”, no longo prazo ficou demonstrado que a fé e a Igreja, em muitas ocasiões, foram manipuladas como instrumentos de opressão. Já a 1ª Carta aos Tessalonicenses (uma das primeiras cartas do apóstolo Paulo), lembra que não devemos cair na tentação da aliança com os que dominam e oprimem, mas buscar a prática do Evangelho que tenha coerência na práxis e não apenas em palavras (cf. 1 Ts 1.5a).

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF
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Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A

Dia:25 de outubro de 2020
30º Domingo do Tempo de Comum
Evangelho: Mt 22,34-40
Primeira Leitura: Ex 22,20-26
Segunda Leitura: 1Ts 1,5c-10
Salmo: Sl 17,2-3a.3bc-4.47.51ab

Evangelho
Folheando o Pentateuco, principalmente o Êxodo, o Levítico e o Deuteronômio, deparamo-nos com uma infinidade de leis. Algumas parecem absurdas (Ex 21,28ss; Dt 23,10ss), outras violentas (Dt 13), algumas claramente contrárias ao Evangelho (Ex 21,23ss). Todas estas leis, no entanto, ao serem criadas, tinham um objetivo: tornar possível a vivência da fé e a convivência humana. Portanto, as leis eram meios para que os israelitas realizassem sua vocação no amor a Deus e ao próximo.
Com o passar do tempo, porém, perdeu-se o espírito da lei e começou-se a valorizar a lei pela lei, ou seja, o que era meio, virou fim, sem se importar com o objetivo destas mesmas leis, ou seja, as leis se petrificaram na compreensão dos doutores. Os rabinos, preocupados com este emaranhado de leis, fizeram uma síntese. Resultaram, então 365 proibições e 248 prescrições, formando o total de 613 leis. Eles davam a cada lei o mesmo valor. Isto se tornou um peso para o povo, principalmente para os mais pobres e analfabetos, pois lhes era impossibilitado o acesso a tal legalismo complexo (Mt 11,28-30).
Já no AT há tentativas de simplificar e tornar mais viável a vida (Is 1,10ss; 56,1ss; 58,1ss, etc.). Alguns rabinos, mais liberais, tentaram dar alguma orientação que chegasse ao âmago das leis. Hilel dizia que tudo o que não se quer para si, não se deve fazer para os outros. Isto seria o centro da lei. Tudo o mais, na versão dele, seria apenas comentário deste princípio. Este pensamento está muito afinado com Mt 7,12. O problema é que, na compreensão dos rabinos, o próximo era somente o israelita. Os estrangeiros, os ignorantes, os miseráveis não eram seu próximo (Jo 7,49).
Diante deste peso insuportável, que eram as 613 leis e da reiterada tentativa de sintetizar e chegar ao âmago de toda lei, aconteceram inúmeros debates. Aproveitando-se deste momento, um legista quer embaraçar Jesus. Este, no entanto, não olha para as leis como fins, mas dá a elas o seu devido lugar, como o verdadeiro intérprete da lei (Mt 5,17). Baseia-se em Dt 6,5: amor a Deus e em Lv 19,18: amor ao próximo. Neste duplo mandamento, que na realidade é intrinsecamente interligado, subjaz todo espírito da lei, pois deste duplo amor depende toda lei e profetas, isto é, toda Bíblia. Toda revelação bíblica foi dada à humanidade por um só amor: amor de Deus que se expressa no amor ao próximo. Tudo o mais, são maneiras concretas de viabilizar a prática deste amor. Por isto, muito mais do que se preocupar com uma lista infindável de leis e querer saber qual é mais importante, o cristão deve ter em mente: amar a Deus e ao próximo. São Paulo diz: “toda a lei encontra o seu cumprimento nesta única palavra: ‘amarás o teu próximo como a ti mesmo’” (Gl 5, 14). Este amor ao próximo é também o verdadeiro amor a Deus, pois quem ama os filhos, ama o Pai. Quando as leis, como meios, ajudam a viver este amor, elas são boas. Quando já não servem, devem ser abandonadas, como o fez Jesus que transgrediu as leis de pureza e tantas outras leis, como o sábado, alimentos etc.
Relação com Ex 22,20-26
Ainda hoje é muito comum ouvir que, na missa, deve-se falar das coisas do céu e não falar de economia, de salário, de justiça social. Isto, segundo alguns, seria política, coisa que não se trata na igreja. Percebe-se, no entanto, que, ainda no contexto da Aliança (Ex 19-24) a preocupação é bem outra. Amor a Deus deve se expressar no amor aos semelhantes. Principalmente aos mais carentes: estrangeiros, órfãos, viúvas, pobres endividados. A falta de amor a estas categorias afeta diretamente a Deus, pois ele diz: “Se ele clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso” (Ex 22, 26). O amor a Deus que se expressa no amor ao próximo, segundo a resposta de Jesus, já se encontra ilustrado na relação com as classes menos favorecidas, descritas no Êxodo.

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
Dia: 20/09/2020
25º Domingo do Tempo Comum
Primeira Leitura: Is 55,6-9.
Salmo: Sl 144,2-3.8-9.17-18 (R. 18a)
Segunda Leitura: Fl 1,20c-24.27a
Evangelho: Mt 20,1-16a

Vinha: terra, povo, tradição e poder.
A comunidade de Mateus resgata a memória de Jesus a partir do martírio de lideranças após a destruição do Templo pelo Império Romano em 70 d.C. Neste contexto, a “vinha” é uma imagem trazida do Primeiro Testamento, e ela simboliza tanto o povo de Deus quanto a terra prometida (cf. 5,1s; 27,2s). A comunidade de Mateus tem forte ligação com as profecias, sendo o sinótico que mais usa a imagem da vinha, que concentra nos capítulos 20 e 21, que focam a ida de Jesus a Jerusalém como centro da tradição judaica e do poder político e religioso estabelecido.

Jesus e os direitos da vinha

O capítulo 20 está no final da terceira parte do Evangelho que narra o caminho da Galileia a Jerusalém (14,1-20,34). Assim a simbologia da vinha é colocada como anúncio do Projeto do Reino que se opõe aos poderes que levam Jesus à morte na Cruz. Entre estas oposições está o direto que o projeto do Reino estabelece para as pessoas que trabalham na vinha.

O projeto do Reino e o pagamento justo a quem trabalha

A vinha ocorre quatro vezes, nos versículos 2,4,7 e 8. Isto é, se concentra na metade da perícope, onde se estabelece os elementos constitutivos do projeto do Reino em relação aos direitos das pessoas trabalhadoras:
* 20,1-2. Elementos narrativos que darão a base ao direito: “o homem/humano (ántropos); “dono da casa” (oikodespótes), o valor do trabalho (denário), a jornada e as pessoas trabalhadoras, mencionadas duas vezes (érgatas).
* 20,3-4. Segunda saída que enfatiza o pagamento (mistosastai; v.1), “justo” (dicaion, v.2).
* 20,5-8. Retomada dos elementos constitutivos do direito: “pagamento justo” (emistosato/dicaion; v.7), o guardião da vinha (epítropos) que, por ordem do “Senhor” (kyrios), efetuará o pagamento justo para as pessoas trabalhadoras.

Assim a primeira parte da parábola estabelece que todas as pessoas trabalhadoras – sem exceção – têm o direito ao “pagamento justo” e garantir/lutar/reivindicar este direito é missão de quem guarda da vinha (Jesus e suas comunidades).

A nova lei do Reino que estabelece a justiça para a classe trabalhadora

A segunda parte do texto retoma a questão do valor do trabalho, mencionado no versículo 1, através do conceito de denário (valor do imposto diário per-capita, cobrado pelo Império Romano), que reaparece no versículo 9. O fato de usar esta unidade para falar do valor do pagamento justo pelo trabalho, pode indicar a superação da exploração imperial. O uso de uma lógica não meritocrática para o pagamento das pessoas que trabalharam provoca uma reclamação ao “oikodespótes”, ignorando a ação obediente do guardião (Jesus e as comunidades). Para reafirmar o direito, o conceito “justo” é substituído pelo conceito “lícito” (éxesti, v.15), termo usado no mesmo Evangelho em discussões com escribas e fariseus (cf. 12,2-10). O Reino resgata o sentido da Toráh, como realização da justiça para todas as pessoas trabalhadoras, subvertendo – como vemos no versículo 16 – a ordem opressora onde sempre a elites (“primeiros/as”) prevalecem sobre as pessoas pobres (“últimos/as”).

Relacionando com os outros textos

Em Deutero-Isaías (40-55) encontramos um contexto de resistência contra o sistema opressor, durante o Exílio Babilônico, onde afirmar que os pensamentos divinos estão acima de outros pensamentos (Is 55,8), implica em uma visão de mundo capaz de transformar o que é injusto e estabelecer a verdadeira misericórdia. O apóstolo Paulo exorta a “viver dignamente segundo o Evangelho” (Fl 1,27a). Na ótica do projeto do Reino não é possível viver dignamente o Evangelho sem estabelecer relações dignas, justas, igualitárias, para todas as pessoas a começar por aquelas que, nos sistemas excludentes, são as últimas.

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
Dia:13 de setembro 2020
24º Domingo do Tempo Comum
Evangelho: Mt 18,21-35
Primeira Leitura: Eclo 27,33 – 28,9
Segunda Leitura: Rm 14,7-9
Salmo: 102,1-4.9-12 (R.8)

Evangelho
A pergunta de Pedro é crucial: “quantas vezes devo perdoar ao irmão que pecar contra mim?” Está subentendido um limite ao perdão. Jesus fará ver que o perdão devido aos outros é ilimitado. O “setenta e sete vezes” ou “setenta vezes sete” não é uma questão aritmética. É a derrubada da lógica vingativa de Lamec, que é a lógica do ressentimento humano: “Caim é vingado sete vezes, mas Lamec, setenta e sete vezes” (Gn 4,24).
O maior é aquele/a que sabe perdoar mais. Não por acaso a pergunta aparece na boca de Pedro. Ele deve saber que não existem limites ao perdão, que se trata de um padrão indicador onde ele é julgado pelo mesmo parâmetro com o qual julga os outros (7,1s), será tratado com a mesma misericórdia que usou na sua relação com outros (6,12-15).
Mais profundamente ainda, a parábola que é própria de Mt, ilumina o contraste entre a lógica gratuita de Deus e aquela dos seres humanos. E de como o perdão fraterno/sororal pode nascer unicamente da experiência do perdão que cada um de nós recebe de Deus.
A parábola apresenta três cenas: a) um primeiro diálogo entre senhor e servo, no qual fala somente o servo (v.23-27); b) um diálogo entre os servos (v.28-31); c) um segundo diálogo entre senhor e servo, no qual fala somente o senhor (32-34). Na conclusão aparece um versículo parenético (v.35).
As quantias na parábola são extraordinariamente contrastantes: cerca de trezentas e quarenta toneladas de ouro (v.24) e menos de trinta gramas de ouro (v.28). O rei não perdoa a dívida na esperança de ser ressarcido, mas somente porque “tendo-se compadecido” (v. 27: splanchnistheís, um particípio que sempre é cristológico em Mt: 9,36; 14,14; 15,32; 20,34). Portanto a esperança do servo não é conseguir pagar, mas somente a magnanimidade (makrothymía, v.26) do seu senhor.
Nos v. 25 e 30 a identidade de comportamento ressalta como o servo quisera imitar o senhor sem o sê-lo (porque não sabe ser misericordioso como ele). Os outros companheiros de serviço “ficaram penalizados” com o ocorrido (observe a ressonância com 17,23; 26,22): uma traição a Jesus está ocorrendo, uma subversão da lógica evangélica, de todo o ensinamento do Mestre.
Nos v. 32-34 o senhor (kýrios) repreende asperamente o “servo mau” pela sua incapacidade de ter compaixão: “Não devias, também tu, ter compaixão?” No texto aparece uma “necessidade” formal; se utiliza o mesmo verbo que encontramos na primeira profecia da paixão: deî, é necessário (16,21). É a necessidade evangélica de renunciar a si mesmo para seguir Jesus (16,24).
Note-se a evidente correspondência entre os dois particípios “tendo-se compadecido” (v.27: splanchnistheís) e “tendo-se irado” (v.34: orghistheís). O Senhor é compassivo e também exigente, e a sua exigência é precisamente a misericórdia.
Relacionando com os outros textos
A perícope do Eclo aparece como um comentário a Lv 19,17-18: Deus se vinga do vingativo e perdoa quem perdoa. É destacada a dimensão humana da solidariedade relacionada ao fim do ser humano e a prática dos mandamentos da aliança.

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A

Dia: 06/09/2020
23º Domingo do Tempo Comum
Evangelho: Mt 18,15-20
Primeira Leitura: Ez 33,7-9
Segunda Leitura: Rm 13,8-10
Salmo: Sl 93,1-2.6-7.8-9

Evangelho
No evangelho de Mateus, Jesus faz cinco grandes discursos. Neles, o evangelista apresenta um plano de ação pastoral. São as “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora” da Igreja de Mateus. O trecho do evangelho de hoje faz parte do quarto discurso, que tem como grande tema “A comunidade fraterna”. O evangelista mostra que a vivência em comunidade só será bem-sucedida se houver correção fraterna e o perdão.

Os versículos lidos nesta liturgia apresentam uma questão bem concreta: O que fazer quando acontecerem ofensas pessoais entre os irmãos?

O caminho que Jesus propõe não é apenas de correção, mas também de reconciliação. Por isso, são vários os passos e as estratégias pastorais.

A primeira atitude a ser tomada, descrita no v. 15, é uma conversa privada, cuja iniciativa é da pessoa ofendida: se teu irmão pecar contra ti. Neste caso, a ação de quem sofreu a ofensa é a mesma do pastor, descrita imediatamente antes, nos vv. 10-14: procurar a ovelha que se havia perdido.

A segunda atitude é apresentada no v. 16: se o encontro a sós não surtiu efeito, a parte interessada na reconciliação e na recuperação deve envolver outros irmãos no processo: se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas. O princípio legal de chamar testemunhas está formulado em Dt 19,15: Uma só testemunha não basta … A acusação só é válida quando for feita por duas ou três testemunhas.

Se também esta atitude não surtir o efeito desejado, o passo seguinte é apresentado no v.17a: Se não quiser escutá-las, dize-o à Igreja. O sentido primeiro do termo grego ekklesía é “assembleia reunida para fins políticos”. Ao apropriar-se deste termo originalmente laico, os cristãos reconhecem que a sua comunidade não é apenas uma reunião de culto e de devoção; é também um encontro em que se assumem opções com consequências na vida política, social e cultural. Em outras palavras, a Igreja não é um mundo à parte e isolado do que acontece ao seu redor.

Mas, pode acontecer de o irmão corrigido preferir continuar no erro. O último passo, apresentado no v. 17b, tem um aspecto radical: Mas, se também não quiser escutar a Igreja, será para ti como o pagão e o coletor de impostos.

Normalmente, esta palavra de Jesus é interpretada como excomunhão: Jesus estaria dizendo que é para expulsar da comunidade o irmão pecador teimoso. Mesmo que fosse isso, não se deve confundir a expulsão da comunidade com o conceito atual de excomunhão, uma punição extrema na Igreja Católica. Ocorre, porém, que o texto de Mateus não tem nada a ver com excomunhão.

“Tratar como pagão e coletor de impostos” não significa banir alguém da comunidade, mas sim considerar aquela pessoa como alguém que necessita de uma atenção redobrada, como alguém que ainda não pertence a comunidade e que exigirá dos irmãos maior atenção e paciência. Não se trata, portanto, de excomunhão, mas sim missão: os membros da Igreja são chamados a se empenhar para restaurar e formar aquele irmão.

A experiência da paternidade comum de Deus revela-se na missão de Jesus que acolhe os pecadores, eliminando as barreiras hipócritas criadas no ambiente religioso. Ele fundou, na nova comunidade, uma experiência de fraternidade que ocorre em relações de misericórdia e aceitação mútuas. O perdão inicial de Deus deve continuar e expandir-se na experiência humana e eclesial. Quando nos falta a capacidade de reproduzir essa lógica da misericórdia no relacionamento intereclesial, fechamo-nos à experiência do perdão definitivo e escatológico de Deus. A misericórdia entre irmãos torna-se, assim, um momento de verificação da experiência de fé dos discípulos que experimentaram autenticamente a paternidade de Deus.

Relacionando com os outros textos Ezequiel 33,7-9

Ezequiel foi um profeta que atuou na Babilônia, durante o tempo do exílio dos judeus naquela terra. Ezequiel era um sacerdote do templo de Jerusalém, mas foi deportado para a Babilônia em 597 a.C., quando os exércitos de Nabucodonosor invadiram Jerusalém.

Chamado para ser profeta no exílio, Ezequiel torna-se agora também a “sentinela da palavra de Deus”. O profeta quer evitar o pior, isto é, que o povo esqueça a palavra de Deus. Por isso, assume a função da sentinela: prevenir, dar o alarme, explicar o que está acontecendo. O profeta, portanto, não é um adivinho; na verdade, ele lê e interpreta os acontecimentos, a fim de anunciar a palavra do Senhor. E a tragédia nacional faz Ezequiel compreender que a palavra do Senhor para o povo exilado é uma palavra de salvação.

A imagem da “sentinela” evoca a urgência e o perigo do momento. O profeta aparece nos momentos mais difíceis mais dramáticos. Ele não faz previsões no “achismo”: ele interpreta os acontecimentos à luz da Palavra que recebeu de Deus e nesse confronto enxerga os caminhos que o povo deve seguir para ter vida e esperança.

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Dia:30/08/2020

22º Domingo do Tempo de Comum
Evangelho: Mt 16,21-27
Primeira Leitura: Jr 20,7-9
Segunda Leitura: Rm 12,1-2
Salmo: Sl 62,2-6.8-9

 

Evangelho
O texto deve ser lido como consequência da Profissão de Pedro (Mt 16,13-20), quando se completa o ensino sobre esta profissão. Cinco vezes Jesus anuncia sua paixão, morte e ressurreição (Mt 16,21ss; 17,9; 17,22s; 20,17ss; 26,45). O texto de hoje, compreende o primeiro anúncio com suas consequências e pode ser dividido em três partes: o primeiro anúncio (v.21), a reação de Pedro (vv.22-23) e as consequências para os discípulos (vv.24-27).

Provavelmente o v. 21 seja o reflexo de um único dito original dos últimos dias de Jesus em Jerusalém (cf. Mc 14,41; Mt 26,45), mas que foi retomado em ambiente pós-pascal numa perspectiva apocalíptica do conceito de Filho do Homem de Dn 7,13s.27s onde este título é símbolo do resto fiel de Israel, que sofreu as agruras de Antíoco Epífanes, mas com a certeza da vitória final. Chamando para si o conceito de Filho do Homem, Jesus assume a morte trágica, bem como a exaltação gloriosa da ressurreição.

Não era difícil, nos últimos dias em Jerusalém, prever a própria morte de cruz. Neste contexto, Jesus teria se entendido à luz de Dn 7,13ss, assumindo a tragédia da morte, confiando na vitória da ressurreição. Mais tarde, as comunidades replicaram esta autointerpretação de Jesus e a colocaram nos diversos textos dos anúncios da paixão. O v. 21 usa o título Jesus Cristo, o que não se encontra em Mc 8,31, nem em Lc 9,22. Cristo é título messiânico pós-pascal, portanto, se confirma, que este versículo, é desenvolvimento da comunidade de Mateus. No texto paralelo de Mc 8,29-31 isto se torna mais evidente. Pedro professa Jesus como o Cristo (v.29) e Jesus corrige a perspectiva de Pedro com o título de Filho do Homem sofredor (v.31).

Jesus diz que devia ir a Jerusalém ao encontro da morte. Este dever ir não é fatalidade, mas sim, o preço do confronto com o império da morte representado pelas autoridades. Trata-se do preço inevitável que Jesus pagará em sua fidelidade ao Pai diante do poder de morte que impera no mundo. Ele sofrerá a sorte dos profetas (Mt 23,34) que enfrentaram toda sorte de oposições. Em tudo isto, no entanto, está a promessa da ressurreição. O poder da morte não tem a última palavra.
O messianismo do Cristo que vai ao encontro da morte (vv.22-23) não entra na concepção de Pedro. Por isto ele, de pedra-rocha (v.17) vai para pedra de tropeço (v.23). Ele quer desviar Jesus da fidelidade ao Pai e isto é, segundo Jesus, satânico. Pedro, o iluminado por Deus (v.17), agora tem um pensamento humano. Seu conceito de Cristo é segundo a lógica humana, que é insensatez diante de Deus (1Cor 1,17ss). A esperança messiânica ilustrada com sonhos de glória triunfalista sobre os adversários era muito comum desde o AT, mas isto é sonho humano ainda nos tempos da redação dos evangelhos (cf. Mc 10,35-45 e Mt 20,20-28). Pedro, como o demônio (Mt 4,10) quer desviar Jesus de seu projeto, por isto Jesus diz: “vai para trás de mim”. Ou seja, você se colocou na minha frente, quer me ensinar. Voltar para trás, é assumir novamente o lugar de discípulo.
Os ditos dos vv.24-27 são frases aleatoriamente ajuntadas (cf. Mt 10,38s), ilustram que, o messianismo que assume a morte terá de se traduzir também na vida dos discípulos. Assim, seguir um messias sofredor é bem diferente de seguir um triunfalista. Isto se demonstra em três momentos:

  • a) renunciar a si: interesses próprios,

  • b) tomar a cruz: enfrentar as adversidades e

  • c) seguir Jesus: o caminho do Filho do Homem que vai à morte, enfrentando os poderes do antirreino.

Relação com Jr 20,7-9
O Profeta Jeremias, como mais tarde Pedro e os demais discípulos, teve de aprender que, ser fiel a Deus tem um preço: o sofrimento, o escárnio, e a perseguição. Daí resulta para todos os discípulos e discípulas que, ser fiel a Cristo hoje é, a exemplo de Jeremias e de Pedro, assumir as dores do confronto com os contra-valores que também hoje querem desviar o evangelho da fidelidade a Deus.

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21º Domingo do Tempo Comum

23/08/2020
Primeira Leitura: Is 22,19-23
Salmo: Sl 137,1-2a.2bc-3.6.8bc (R. 8bc)
Segunda Leitura: Rm 11,33-36
Evangelho: Mt 16,13-20

Do contexto para o significado
Nesta parte do Evangelho de Mateus (14,1-20,34) Jesus e sua comunidade apostólica fazem a última e derradeira viagem da Galileia até Jerusalém onde Jesus será crucificado. Para a comunidade de Mateus, formada por pessoas refugiadas e sobreviventes da destruição da cidade e do templo em 70 d.C. esta narrativa é de grande relevância.

Da memória à ressignificação

Mt 16,13-20 tem como fonte o Evangelho de Marcos (8,27-30), ou, no mínimo, um texto (logia) em comum. Não se trata, no entanto, de mera cópia. Mateus faz uma ressignificação. Isso se nota no título que Mateus acrescenta: Filho da humanidade (uion tou antropou) (Mt 16.13b). Joaquim Jeremias observa que este título nunca apareceu em nenhuma confissão de fé, aparecendo apenas quando dita pelo próprio Jesus. Provavelmente trata-se de uma expressão original dele. Em aramaico, a língua de Jesus, diz-se “bar ‘enasha”. No entanto, chama a atenção que seja apresentada sempre em terceira pessoa. A expressão tem suas origens nos escritos apocalípticos do judaísmo, como em Daniel (7,13; 8,17). Jesus – em sua identidade messiânica – comunga com a humanidade sofrida, com a comunidade perseguida e martirizada, sendo “Filho da humanidade”, projetando-a para a vitória escatológica do Reinado dos Céus.

Outra inclusão de Mateus é a menção ao profeta Jeremias. É, certamente, o mais sofrido de todos os profetas, que chega a maldizer o dia do seu nascimento (Jr 20,14). A comunidade de Mateus vê em Jesus a expressão de todas estas heranças. Na resposta definitiva a comunidade de Mateus vai além do original de Marcos, acrescentando, além de Cristo: “Filho do Deus Vivo”! Esta é uma confissão que resgata Os 2,1: “filhos do Deus vivo” (uioi Theou zontos) – na versão grega dos LXX – significando a inclusão das comunidades no novo Israel.

Jesus, na confissão de fé pronunciada por Pedro, é o Cristo que gera em si uma nova humanidade de filhas e filhos do Deus Vivo. Da mesma forma, quando Pedro é chamado bem-aventurado (makarios), ele representa todas as pessoas das bem-aventuranças (Mt 5,1-12) e quando é qualificado como a “pedra/rocha” sobre a qual a Igreja (assembleia/ecclesia) é edificada, manifesta o sentido missionário da igreja como geradora de nova humanidade para todas as pessoas, vencendo a morte/inferno/submundo.

Relacionando com os outros textos

O texto de Isaías compara um servo personalista, que buscava se autopromover, chamado Sebna (Is 22,15) que não considerava a grandeza de Deus, mas se apropriava dela, com outro Eleakim (cujo nome significa Deus se estabelecerá, Is 22,20) que, em seus atos, refletia a presença de Deus. Pedro ao declarar a divindade de Jesus, não o faz para si, mas assumindo a voz desta nova humanidade que surge em Cristo. Da mesma forma, Paulo lembra a doxologia, pronunciada na Oração Eucarística: “porque dele, por ele e para ele, são todas as coisas” (Rm 11,36a).

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Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

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20º Domingo do Tempo Comum

Dia:16 de agosto 2020
Assunção de Nossa Senhora
Evangelho: Lc 1,39-56
Primeira Leitura: Ap 11,19a;12,1.3-6a.10ab
Segunda Leitura: 1Cor 15,20-27a
Salmo: 44,10bc. 11.12ab.16 (R.10b)

 

Evangelho
Depois do anúncio a Maria, vem este texto de cumprimento e de júbilo. Isabel reconhece Maria como a “mãe do salvador” e a proclama “bem aventurada” pela sua adesão de fé a Palavra de Deus. A maternidade da Virgem vem relacionada à escuta da Palavra de Deus, da qual ela representa o modelo mais excelso na Igreja. Maria, até então taciturna, explode num hino de agradecimento, transbordante de alegria, pelas maravilhas operadas nela por Deus.

O texto se articula em duas partes: o encontro de Maria com Isabel (v. 39-45), o Magnificat (v. 46-55).

O estremecimento de João no ventre de Isabel assume o significado de um testemunho antecipado do precursor (cf. v.15). Isabel, sob a ação do Espírito Santo, grita de júbilo e evoca as aclamações diante da Arca (1Cr 15,28; 16,4-5).
No v.45 temos o primeiro macarismo (bem-aventurança) de Lucas. Maria pertence à verdadeira família de Jesus, a escatológica, porque escutou a Palavra e a guardou. Ela tornou-se a Theotókos (Mãe de Deus) em sentido físico e espiritual pelo fato biológico de gerar Jesus e pela sua adesão de fé à Palavra de Deuscântico (1,46-55) chamado Magnificat por causa da sua primeira palavra na versão latina da Bíblia, recapitula a esperança messiânica do povo eleito. Maria, primeiramente, agradece a Deus por tudo quanto operou nela (v.46-50); depois o louva pelo cumprimento das promessas (v.51-55). A primeira parte convém à situação concreta na qual se encontra Maria, depois da anunciação e o encontro com Isabel; a segunda é um hino de ação de graças e de louvor coletivo inspirado no cântico de Ana (1Sm 2,1-10).

É curioso observar que nos tempos verbais a partir do v.51, o futuro da salvação é descrito como evento presente porque começa a cumprir-se com a concepção do Messias. São surpreendentes as expressões fortes derivadas do cântico de Ana e colocadas sobre os lábios da humilde jovem de Nazaré. A celebração da ação divina através dos sete verbos revela a radical diferença da escala de valores aos olhos de Deus: “seu poder é exercido”, “dispersa os soberbos”, “derruba poderosos”, “exalta humildes”, “cumula de bens os famintos”, “despede vazios os ricos”, “socorre Israel”.
Lc apresenta Maria como mulher vigorosa, que exemplifica, como prenúncio, uma transformação na história, com repercussões concretas na situação social do mundo. Ela celebra a salvação operada por Deus em favor dos pobres e dos que vivem à margem, contra a as prepotências e opressões provocadas pelo egoísmo e pecado.
Relacionando com os outros textos
A pressa (v.39) indica o dinamismo provocado pela alegria com a vinda do Messias e também a prontidão de Maria em corresponder à vontade divina. A sua viagem evoca a história da transferência da arca da casa de Abinadab para a de Obed-Edom, onde ficou três meses; depois Davi a transferiu solenemente a Jerusalém (2Sm 6,1-15). Maria representa a arca vivente do NT.
A leitura do Apocalipse põe em relevo que a “arca da (nova) aliança” (a comunidade, Maria), é vista no céu. E uma voz proclama o “agora” da salvação, advérbio chave para interpretar a Assunção.
A Assunção é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão. A salvação é um processo dinâmico, do qual é sinal poderoso a Assunção de Maria.
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Dia: 09 de agosto de 2020

19º Domingo do Tempo de Comum
Evangelho: Mt 14,22-33
Primeira Leitura: 1Rs 19,9a.11-13a.
Segunda Leitura: Rm 9,1-5
Salmo: Sl 83,9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)

Evangelho
O Evangelho deste domingo é continuação da multiplicação dos pães, lida domingo passado. Em sua narrativa, Mateus apresenta o êxodo do Messias: o mesmo Deus que libertou o povo do Egito agora age por meio de Jesus, o novo Moisés.
Nos vv. 22-23, Jesus obriga os discípulos a entrarem no barco, enquanto ele próprio se encarrega de dispersar a multidão. Após despachar a multidão, Jesus subiu ao monte, em particular, para rezar. Esta é a primeira vez, em Mateus, que Jesus se afasta para rezar. Ele o fará apenas mais uma vez, no Getsemâni, em 26,36-39.

É necessário perguntar por que Jesus afasta os discípulos da multidão e os envia à sua frente. A resposta parece estar nas expectativas da comunidade mateana: como os primeiros discípulos, os membros daquela comunidade esperavam um grande líder que os levasse a superar as crises. No trecho de hoje, isso está figurado nas forças contrárias ao barco de Pedro: as ondas e o vento. Este barco, sem dúvida, é a Igreja (não só a comunidade de Mateus, mas também a nossa), que é convidada a se afastar do desejo de um messianismo triunfante. Não é à toa que o episódio está inserido logo após a grandiosa multiplicação dos pães: a maravilha operada por Jesus poderia levar o povo a aclamá-lo como aquele esperado líder.

O fato de Jesus obrigar os discípulos a embarcar, ir à sua frente e aguardá-lo na outra margem (v. 22) equivale a um mandato missionário: no barco, os discípulos são uma igreja em saída, que sai do lugar seguro e enfrenta as adversidades da missão. Os discípulos não podem se acomodar no lugar do triunfo, onde as multidões “viram” os sinais de Jesus: a obediência ao Mestre os obriga a assumir sempre novos desafios. Jesus não quer que seus discípulos cedam à tentação de um Messias triunfante, que manipula as massas a ponto de, com elas, formar um exército exasperado e truculento.

Mas Jesus não abandona seus discípulos: no meio da noite, Jesus foi até eles, caminhando sobre o mar (v. 25). Como era de se esperar, este ato de Jesus potencializa o desespero dos discípulos: à dificuldade em navegar em meio à turbulência agora acrescenta-se o terror. Andar sobre as águas era atributo de Deus (Jó 9,8) e, por isso, a visão de Jesus caminhando sobre o mar é interpretada como a aparição de um fantasma.

Àqueles homens apavorados, Jesus dirige uma palavra de confiança: “Coragem! Sou eu!” (v. 27). Jesus utiliza a mesma fórmula com a qual Deus havia se revelado a Moisés, em Ex 3,14: a visão não traz a destruição, mas a esperança e a salvação.

O primeiro a reagir é Pedro: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro sobre as águas” (v. 28). Normalmente, o pedido de Pedro é interpretado como piedade e submissão. Mas pode haver outra explicação: Pedro cede ao desejo de se igualar a Jesus e partilhar o seu poder. A tentativa, porém, é frustrada. Pedro percebe que continua sendo o mesmo de sempre: um simples ser humano, repleto de limitações e de medo. Por isso a censura: “Homem de fé pequena, por que duvidaste?”

Em geral, o termo grego <oligópistos> é traduzido como “homem de pouca fé” ou “homem de fé pequena”. Mas há nele uma nuança pejorativa: homem de fezinha, de fé mesquinha; homem que tem uma fé baseada nos próprios interesses, e não no compromisso. É natural que uma fé deste tipo, na primeira dificuldade, esmoreça. Neste sentido, a fala de Jesus é uma questão retórica que quer fazer Pedro refletir: “Você tem uma fé mesquinha e interesseira. Entendeu por que, diante da dificuldade, você duvidou?”

Relacionando com os outros textos
1ª leitura 1Rs 19,9a.11-13a.
A primeira leitura mostra o Elias perseguido pela rainha Jezabel. Na fuga, ele se abriga numa gruta no monte Horeb. Há um claro paralelo com o evangelho de hoje: após um acontecimento milagroso, o profeta enfrenta perigosa oposição, tal como os discípulos, que foram forçados a navegar para a outra margem.

De fato, a primeira leitura apresenta três fenômenos cósmicos típicos das teofanias: vento, terremoto e fogo. Surpreendentemente, porém, o autor de 1Reis apresenta um quarto elemento – a brisa leve – e é nele que o profeta experimenta a presença de Javé. Convém lembrar que Elias foi um grande crítico ao culto a Baal, que era não somente o deus da chuva e da tempestade, mas também o deus da guerra. Ao afirmar que Javé não está no furacão, no terremoto e no fogo, o autor de 1Reis faz uma crítica aos profetas que, em nome de uma missão supostamente recebida da divindade, conduzem o povo à destruição e à morte.

Isso fica reforçado no fato de Elias encontrar força e consolo não nas manifestações violentas da natureza, e sim na brisa suave: somente a paz interior pode trazer esperança e vida para a pessoa e para a sociedade.

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Dia: 02/08/2020

18º Domingo do Tempo Comum
Evangelho: Mt 14,13-21
Primeira Leitura: Is 55,1-3
Segunda Leitura: Rm 8,35.37-39
Salmo: Sl 144,8-9.15-16.17-18

Evangelho
Nos tempos do Novo Testamento esperava-se o Messias que realizaria tudo o que foi prometido no AT. Este, como Moisés, reconduziria o povo ao deserto para uma nova e definitiva versão do que no passado se realizou de forma precária. A teologia de Mateus mostra que tudo isto acontece na pessoa de Jesus.

Há, nos quatro evangelhos, seis relatos da multiplicação dos pães

        • Mt 14,13-21; e 15,32-39;

        • Mc 6,30-44; e 8,1-10;

        • Lc 9,10-17;

        • Jo 6,1-16.

Provavelmente seja um único fato recontado e reinterpretado em diversas ocasiões, principalmente nas celebrações eucarísticas das comunidades primitivas, quando se evocava esta multiplicação.

Depois do assassinato de João Batista (Mt 14,3-12) que fecha o AT, o novo povo segue Jesus, como outrora o povo no deserto, alimentado pelo maná (Ex 16), havia seguido Moisés. Além do maná, o relato tem por base o profeta Eliseu (2Rs 4,42-44) que, com vinte pães de cevada alimentou cem pessoas e ainda sobrou comida. Desta forma, Jesus superou o profeta, pois os pães eram apenas cinco, os comensais eram cinco mil, sem contar mulheres e crianças – maneira judaica de contar, detalhe só mencionado por Mateus. Jesus, como o novo Moisés, alimenta seu povo no deserto (Sl 78,19).

O texto tem como pano de fundo o AT, mas também reflete a ceia de Jesus. O gesto de tomar o pão, erguer os olhos, dar graças a Deus e repartir o pão, é uma referência à ceia eucarística (Mt 16,20). Os doze são os encarregados de distribuir o pão entre o povo. Eles são os que, na comunidade, celebram a eucaristia e alimentam o povo com a palavra e com a eucaristia. No sentido cristológico pode-se destacar Jesus como o realizador do banquete da salvação como em Is 25,6-12. O povo, pela eucaristia, alimenta-se do corpo de Cristo através das mãos dos apóstolos que agem em nome de Jesus. Assim, originalmente, este relato apontava para Jesus como o realizador definitivo dos sinais realizados pelo maná (Ex 16) e por Eliseu (2Rs 4,42-44), ainda ilustrados por Is 25,6ss, bem como 55,1-3. Mais tarde, porém, este interesse cristológico foi enriquecido pela celebração eucarística administrada pelos apóstolos nas comunidades.

Como outrora, por meio de Moisés, Deus alimentou seu povo no deserto rumo à terra prometida, dando-lhe o maná, agora Jesus, no deserto, alimenta o novo povo, comunidade messiânica, rumo à nova terra prometida, o Reino de Deus.
Nesta nova etapa, Jesus sente profunda compaixão do povo faminto. Esta compaixão, já demonstrada por Deus no AT, agora é o fio condutor da ação de Jesus. Nesta compaixão, mais do que milagre, está uma nova maneira de encarar o problema da forme: a responsabilização dos discípulos diante da fome. Ele pede o que a comunidade tem: cinco pães e dois peixes (5+2 = 7). Sete é o número da totalidade. Logo, a comunidade que coloca tudo em comum, resolve o problema de todos e ainda sobra. Os cinco mil alimentados são o símbolo de Israel, os primeiros saciados. E os doze cestos que sobraram são o povo da nova aliança, representados pelos doze apóstolos. A Igreja agora, continua na história, ao celebrar a eucaristia, a missão de multiplicar o pão para todos, não como um milagre, mas como o compromisso dos seguidores de Jesus que põem tudo a serviço de todos.
Relação com Is 55,1-3
O povo estava no Exílio e explorado. Isaías quer reanimá-lo, anunciando a volta a sua pátria. Quando o profeta fala de comer e beber com fartura quer dizer mais do que ter alimentos abundantes. Entende a realização plena das necessidades do ser humano. Aqueles que voltaram do Exílio para Israel, porém, não viram se realizar estas promessas de forma mágica. Antes, encontraram um ambiente desolador, resultado da destruição. Isto só se realiza, cinco séculos mais tarde na nova aliança, —pela ação de Jesus e de seus seguidores, quando estes se comprometem a viver a prática de Jesus.

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17º Dom. T. Comum
26/07/2020
Primeira Leitura: 1Rs 3,5. 7-12
Salmo: Sl 119,57+72. 76-77. 127-128. 129-130 (R.97a)
Segunda Leitura: Rm 8,28-30
Evangelho: Mt 13,44-52

A comunidade refugiada e o horizonte do Reino.

Antes de comentar o texto é bom lembrar que deve ser feito sob a ótica de uma comunidade de pessoas refugiadas que sobrevivem ao massacre, e destruição do Templo do ano 70 d.C. O gênero das parábolas é comum aos Evangelhos Sinóticos e foi usado como método pedagógico-sapiencial usado por Jesus para ensinar sobre o “Evangelho do Reino”. As parábolas que estão em 13,24-30.44-50 lhe são exclusivas desta comunidade. Assim, partindo da audição da tradição de Jesus em Marcos, faz sua própria reflexão.

O lugar da pedagogia parabólica neste Evangelho
Mt 13,44-52, segundo Kümmel, está dentro da “Proclamação do Reino de Deus na Galileia” (4,17-16,20; cf. Introdução ao Novo Testamento, p.123). As parábolas focam ali o sentido político-existencial do Reino num conjunto, não casual, de sete parábolas; inspiradas na Parábola do Semeador; 13,1-9, comum aos três Evangelhos sinóticos. Fazem o resgate de Mc 4 (incluindo a parábola do Grão de Mostarda e excluindo as parábolas da Lâmpada e da Semente; cf. Mt 13,10-23.31-32.34-35 e Mc 4.10-20.30-32.33-34) e acrescentam o material próprio nas parábolas do joio (13.31-32), do fermento (13,33, depois citada em Lucas) e nas três parábolas de Mt 13,44-50. Desta forma apresentam a perspectiva da comunidade, mostrando que a brutalidade da repressão não é compatível com a estratégica política do Reino (o corte antecipado do joio sempre cobra o preço de vidas inocentes), e a necessidade de paciência histórica da fermentação e transformação da realidade.

O Reino como opção político-existencial

G. Hendriksen, diz que à respeito da parábola do tesouro que “o quadro corresponde à vida (…) devido às guerras e incursões inimigas (…) às vezes se recorria ao método de sepultar suas posses mais valiosas (…)” (El Evangelio según San Mateo, p. 602). O projeto do Reino e tudo o que “sobrou” para a comunidade que busca condições de sobreviver à repressão e migração forçada. À experiência masculina se soma a sabedoria feminina! Uma marca inclusiva desta comunidade. A parábola da pérola, que segundo Hendriksen, pode se referir à esposa do Imperador Calígula, Lolia Paulina (famosa pelo seu uso), reforça a opção político-existencial de desprezar os “bens” do império em favor dos “valores” do Reino. A parábola da rede, segundo este mesmo autor, é uma adaptação da parábola do joio, no contexto da pesca na Galileia. Reforça a experiência histórica de que mesmo num mundo dominado pelo império, através do critério político-existencial do Reino, é possível discernir o horizonte final – dos anjos – onde a justiça alcança sua plenitude.
Nos últimos versículos (13,51-52), a expressão “entendeste/suneimi”, etimologicamente composta de “com/sun” e “enviar/heimi”, pergunta: “seguiremos juntas/os?”. A resposta, a partir dos elementos sapienciais-político-existenciais apresentados, é um rotundo: “Sim!”. Agora como família, reunida no espaço seguro do Pai, é possível discernir o novo e o velho (cf. Mt 9,16-17).

Relacionando com os outros textos
A oração de Salomão (1 Rs 3,7-12) que logo adiante ele não a seguiu (1 Rs 10,14-11,13), reforça a ideia da falsidade (fetiche) das riquezas dos impérios, que prometem o bem-estar de todas as pessoas; mas acabam beneficiando poucas, empobrecendo muitas e destruindo tudo. Descoberta que a comunidade de Mateus faz ao ver a morte e destruição provada pela repressão romana em 70 d.C. Romanos 8,28-30 apresenta a “mal interpretada” doutrina da “predestinação”, fazendo crer que pessoas nascessem para ser boas ou ruins. Para a comunidade de Mateus “predestinação” é a capacidade de se reconhecer como participante de um projeto divino de vida e transformação.

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO A

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Evangelho: Mt 13,24-43
Primeira Leitura: Sb 12,13.16-19
Sl 86,5-6.9-10.15-16a (R. 5a)
Segunda Leitura: Rm 8,26-27

Evangelho
Os textos proclamados neste final de semana formam um paralelo com a parábola do semeador. Trata-se ainda do destino da semente (= a palavra de Jesus), cujo crescimento é condicionado por vários impedimentos.

Enquanto na parábola do semeador boa parte dos grãos não produz fruto devido a fatores externos, aqui, na parábola do trigo e do joio, o obstáculo é constituído pela ação mal intencionada do inimigo que semeia o joio no meio do trigo. Para não danificar a boa semente, o joio não era extirpado antes da colheita. Ali, então, era possível separar o grão são do joio.

A parábola do joio e do trigo não encontra paralelos nos sinóticos.

Podemos condensar em três grupos as questões levantadas pelo texto:

  1. De onde vêm e por que não são arrancadas as plantas que não portam fruto? São as duas perguntas postas explicitamente na parábola do joio em meio ao trigo: donde provém o joio? Por que não extirpá-lo do meio do trigo?

  2. Por que é necessário suportar tribulações e perseguições por causa da Palavra? Este é um “mistério do Reino”: para dar fruto, é necessário que o grão morra debaixo da terra (parábolas do grão de mostarda e do fermento escondido na massa).

  3. Quando se manifestarão aqueles que terão dado todo o fruto possível, ou seja, os “filhos do Reino”? No “fim do mundo” (v.40), isto é, no juízo final (explicação da parábola do joio).

Segundo a disposição do relato que faz Mateus, os v. 24-33 relatam ditos de Jesus em público, sem precisar o lugar e a circunstância. Nos v. 36-43 todos estão num ambiente privado, “na casa”. O fato de deixar a multidão e reentrar em casa mostra uma intenção organizativa do evangelista. A atividade de Jesus em relação à multidão se limitará, mais e mais, às curas (cf. 14,14). Mateus conhecia a observação de Mc 4,34 sobre Jesus que “em particular, explicava tudo a seus discípulos”. Nada melhor que dar um exemplo dessa instrução privada através da pergunta dos discípulos: “explica-nos a parábola do joio no campo” (13,36).

Naturalmente, uma parábola não explica tudo, e pode suscitar ainda mais questões. Quem é o “dono da casa”, o proprietário que semeou a boa semente? É o mesmo semeador da parábola precedente, isto é, Jesus, ou Deus Pai? Quem é o “inimigo” que no meio da noite semeou o joio entre o trigo?

Mateus notou que estas perguntas eram graves e não podiam ser evitadas, por isso ele se reservou o direito de escrever uma explicação (v.36-43), que desloca o acento sobre o juízo final.

A resposta que segue (v.37-39) é um pequeno léxico alegórico dos sete termos principais da parábola:

  1. o semeador,

  2. o campo,

  3. a semente,

  4. o joio,

  5. o inimigo,

  6. a colheita e

  7. os ceifadores.

Estes textos, lidos em referência aos pecadores e aos heréticos no âmbito eclesial, ensinam paciência e misericórdia. Esta dilatação do Juízo não acontece porque seja árduo distinguir os justos dos pecadores. A cizânia se reconhece logo, basta ver seus caules. O tempo da maturação, antes da colheita, é concedido a todos para poder fazer penitência. Não se deve ceder à tentação de antecipar o juízo, pois seria uma presunção que arriscaria de corromper também os justos: colher a cizânia implica erradicar também o grão que é bom.
Deste modo Jesus, no Evangelho segundo Mateus quer explicar como é possível que nem o mundo, nem a própria Igreja sejam compostos somente por justos, e como se deve aprender a aceitar pacientemente este fato.
Toda a perícope destaca o contraste entre a pequenez do início e o esplendor do fim. Pode-se tirar uma lição bastante evidente desses textos: a perspectiva da fé reconhece mediante os austeros inícios de Jesus, a grandiosidade do fim.

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Este texto pode ser compartilhado e reproduzido com a devida indicação dos autores.

 

SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL ANO A

Dia:12/07/2020
15º Domingo do Tempo de Comum
Evangelho: Mt 13,1-23
Primeira Leitura: Is 55,10-11
Segunda Leitura: Rm 8,18-23
Salmo: Sl 66,10-14

Evangelho
Em Mt 13 encontram-se sete parábolas do Reino:

      1. o semeador (1-23),

      2. o joio e o trigo (24-30),

      3. o grão de mostarda (31-32),

      4. o fermento (33),

      5. o tesouro (44),

      6. a pérola preciosa (45-46) e

      7. a rede (47-50).

Todas estas parábolas querem revelar a realidade escondida do Reino. Ou seja, dizendo-a em parábolas, a mensagem do Reino penetra no coração e nas mentes de forma simbólica, mas viva.

A parábola do semeador se divide em três partes:

  • a) a parábola (vv.1-9), provavelmente vinda de Jesus,

  • b) a função da parábola (vv.10-17), em parte de Jesus, em parte teologia pós-pascal, ou trabalho redacional,

  • c) a explicação (vv.18-23), acréscimo posterior, ou explicação da comunidade. Nela a comunidade mudou a perspectiva da parábola.

  • a) A parábola (1-9): havia uma grande expectativa a respeito de Jesus, o Messias (Mt 16,16). Ele iria instaurar o Reino, porém, aos poucos, estas esperanças foram se frustrando, pois ele não realizou nada daquilo que dele se esperava. Parecia um fracassado. Ele encontrou muita rejeição (Mt 11,20-24). Os discípulos entravam em desânimo e a credibilidade do mestre teve queda. Muitos o abandonaram (Jo 6,66). Jesus quer fortalecer os desanimados, mostrando que as sementes do evangelho produzirão frutos, mesmo que algumas se tenham perdidas. Três tentativas foram nulas. Mas uma tentativa deu frutos muito acima do esperado. Em Israel se dizia que a colheita de trigo normalmente dava sete por um. Na melhor das hipóteses, dez por um. Mas na parábola se fala de cem, sessenta e trinta por um, o que é estupendo. Com isto, Jesus corrige o messianismo vigente. Ele não passa pelos sucessos, pelos triunfos costumeiros. Ele enfrenta derrotas e fracassos, mas os discípulos precisam mudar de mentalidade e crer na vitória que virá. Eles precisam semear, pois a semente da palavra, mesmo que muitas vezes não dá em nada, encontrará terra boa e frutificará. Os discípulos não podem se abater diante dos obstáculos, devem crer que, apesar dos fracassos, a vitória virá.

  • b) A função da parábola (10-17): quem se abriu a Jesus e o aceitou, facilmente entende que ele é a realização do projeto de Deus, ou seja, vê em sua ação Deus agindo na história. Quem não aceitou Jesus perde o senso de Deus revelado desde o AT. Como já em Is 6,9-10 os indiferentes se fizeram cegos e surdos, também agora esta indiferença torna impossível receber sua mensagem. Portanto, as parábolas: ou iluminam, ou cegam. Quem se abre ao mestre, cresce na compreensão e terá sempre mais. Quem se fecha, perde até o pouco que tinha. Os discípulos são felizes, pois superam até os profetas que não conheceram a Jesus, uma vez que ele é a chave de compreensão de todo AT (2Cor 3,14b). Pode ser uma resposta ao rabinato farisaico que mais tarde se revela em Jâmnia. Parece que os vv.11-12 e 16-17 sejam de Jesus, porém não estavam ligados a esta parábola, mas a Mt 11,25, já os vv. 13-15 supostamente seriam redacionais.

  • c) A explicação (18-23): as comunidades primitivas tinham problemas completamente diferentes de Jesus. Elas aplicaram sua palavra ao seu contexto concreto, com isto mudaram definitivamente o ensino original. Agora, o sucesso não depende da semente, como em 1-9, mas dos ouvintes, a qualidade da terra. Cabe o ouvinte se questionar, qual é sua terra (coração). Em 1-9 a adversidade era externa: rejeição a Jesus. Agora ela é interna: a disposição do ouvinte em acolher a palavra. É um apelo para os ouvintes se questionarem. Jesus queria incutir esperança nos discípulos diante das dificuldades (1-9). A Igreja quer incutir boa disposição nos ouvintes da palavra.

Relação com Is 55,10-11
O povo está no Exílio da Babilônia. Havia muitas promessas no AT de que Deus sempre estaria com seu povo. Em meio ao sofrimento, os exilados se questionam: teria Deus falhado em sua palavra? O profeta, como mais tarde a parábola de Mt 13,1-9) mostra que, mesmo em meio aos fracassos, deve-se confiar na palavra de Deus. Ela não falha nunca.
Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF
Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló
Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL ANO A

Dia:05/07/2020
14º Domingo do tempo comum
Evangelho: Mt 11,25-30
Primeira Leitura: Zc 9,9-10
Segunda Leitura: Rm 8,9.11-13
Salmo: Sl 144,,1-2.8-9.10-11.13-14 (R.1)

Evangelho
No esquema teológico do evangelho de Mateus, o capítulo 10 apresenta a missão dos discípulos (isto é, de toda a Igreja). Logo em seguida, 11, 2-30 mostra a gradativa rejeição que Jesus enfrenta.
O capítulo 11 pode ser dividido em cinco partes:

  1. vv. 2-6: João Batista manifesta uma dúvida em relação à ação messiânica de Jesus;

  2. vv. 7-15: Jesus testemunha em favor João Batista;

  3. vv. 16-19: Jesus é recusado pelas autoridades, que se comportam como crianças;

  4. vv. 20-24: Jesus é rejeitado pelas cidades da Galileia;

  5. vv. 25-30: um cântico de louvor e um ensinamento sapiencial. Estes últimos versículos constituem o evangelho da liturgia hoje.

Como podemos observar, o capítulo 11 enfatiza a rejeição: ela é forte e não se limita a Jesus, mas se estende também aos discípulos e a toda a Igreja. Por que, então, a descrição desta sempre maior rejeição termina com um cântico de louvor? Para responder a esta pergunta, é necessário ver mais profundamente o texto.
No cântico de louvor, vv. 25-27, Jesus quase se assusta ao descobrir que o anúncio do Reino foi recusado pelos chefes, mas acolhido pelo povo simples.

Na fala de Jesus, há uma fusão entre “revelar” e “aceitar”: o Pai não revelou aos “sábios e inteligentes”, isto é, aos que acham que não precisam aprender nada. A revelação não é excludente por natureza, mas ela é graça; alguns, porém, estão fechados na sua autossuficiência e só aceitam o que podem apresentar como uma conquista ou um mérito. Em outras palavras, não valorizam o que é “graça”, isto é, recebido “grátis”. Os simples, ao contrário, estão abertos ao dom (graça) de Deus. Por isso, o cântico de louvor ao Pai é o resultado desta descoberta espantosa: os sábios não sabem, os simples (isto é, os ignorantes) sabem!
O v. 27 é uma afirmação teológica: aquilo que o Filho sabe, ele não o guarda só para si mesmo; ao contrário, ele o divulga a todos os que estão abertos para ouvir. O Filho torna o Pai conhecido. Este conhecimento não é aquele dos sábio e entendidos, não é aquele dos mestres da Lei, que pensam que conhecem a Deus porque dominam regras e proibições. O verdadeiro conhecimento do Pai é fazer a experiência do amor, que só é possível alcançar trilhando o caminho de Jesus na prática do acolhimento, da misericórdia, da justiça e da paz.
Os vv. 28-30 são afirmações em estilo sapiencial: Jesus se coloca como o verdadeiro mestre da sabedoria que convida a todos os que estão cansados e oprimidos para a sua escola. Jesus quer que todos sejam instruídos na verdadeira Lei, que não é pesada como o jugo dos fariseus (cf. Mt 23,4). De fato, a tradição farisaica tinha estipulado tantos mandamentos, preceitos e advertências, que era impossível alguém que não sabia ler e escrever conhecê-los e praticá-los. Era mesmo um fardo pesado, um “jugo”, algo quase insuportável para cumprir à risca e até impossível de jamais transgredir.
O convite final – Aprendei de mim, que sou manso e humilde coração – é típico do mestre sapiencial que contrapõe sua proposta de vida ao que outros líderes apresentam como comportamento a ser seguido. A mansidão e a humildade estão presentes também na primeira leitura, tirada do profeta Zacarias.

Primeira Leitura: Zc 9,9-10

Nesta leitura o profeta anuncia a entrada triunfante do verdadeiro Messias. O profeta faz um breve elenco das qualidades que comprovam que aquela pessoa não é um farsante, que usurpou o título messiânico, mas, ao contrário, exerce com autoridade recebida de Deus. As qualidades são: o verdadeiro Messias é justo e vitorioso, mas, ao mesmo tempo, humilde.
O profeta ainda diz que ele vem montado num jumentinho. Pode parecer depreciativo, mas não é. O verdadeiro Messias não vem montado num cavalo, desfilando diante de um povo que busca o enfrentamento e a violência. Ao contrário, ele vem montado em um jumentinho bem novo, que é a montaria para os tempos de paz, não para os tempos de guerra e truculência. Em outras palavras, o profeta acrescenta ainda uma característica ao personagem: ele propõe a paz, ele deseja a paz, ele é o Messias da paz. Por isso, seu projeto político-social é o desarmamento da população: transformar as armas em ferramentas para trazer vida e prosperidade a todos, começando pelos mais pobres.
Este projeto político-social tem a aceitação de Deus, que confirma o domínio desse governante: de uma extremidade à outra da terra.
Ainda aguardamos a chegada desse Messias da paz. Por isso, é necessário ter os olhos abertos e o coração firme, para ninguém nos engane nem nos desanime. Ao contrário, que nossa esperança seja renovada a cada dia.

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Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
Dia:
13º Domingo do Tempo Comum
Evangelho: Mt 16,13-19
Primeira Leitura: At 12,1-11
Segunda Leitura: 2Tm 4,6-8.17-18
Salmo: 34,2-9 (R.5
Do contexto para a escuta.

O Evangelho segundo a comunidade de Mateus tem como contexto a destruição de Jerusalém em 70 d.C. As pessoas judaico-cristãs que formavam esta comunidade tinham um carinho muito grande por Jerusalém. Lucas nos conta que estas comunidades frequentavam o Templo (At 2,46). Nesta parte do Evangelho (14,1-20,34) Jesus e sua comunidade apostólica vão por última vez – antes da crucifixão – para a Galileia e empreendem a viagem definitiva para Jerusalém. É uma parte do Evangelho carregada de sentimentos e de fé, porque a comunidade embarca junto com Jesus para sua última jornada, a jornada. Na lembrança destas comunidades há de muitas outras pessoas, inclusive Pedro, que já tinham sido mártires da fé quando a narrativa foi escrita.
Da escuta para a reflexão.
Mt 16,13-19 possivelmente usou como fonte o Evangelho segundo a comunidade de Marcos (8,27-30), ou um texto (logia) em comum. Não apenas copiou, mas o carregou de emoção e propósito missionário! Vejamos as diferenças.
A comunidade de Mateus acrescenta, já na pergunta de Jesus, o primeiro título: “uion tou antropou” (Mt 16.13b). Joaquim Jeremias observa que esta denominação nunca apareceu em nenhuma confissão de fé. Apenas aparece dita pelo próprio Jesus, por isso, deve ter sido uma expressão original dele, em aramaico, “bar ‘enasha”. No entanto, é apresentada em terceira pessoa. A expressão tem suas origens nos escritos apocalípticos do judaísmo, como em Daniel (7,13;8,17). Jesus – em sua identidade messiânica – comunga com a humanidade sofrida, com a comunidade perseguida e martirizada, sendo Filho da Humanidade, projetando-a para a vitória escatológica do Reinado dos Céus.
Na resposta da comunidade está a inclusão do profeta Jeremias, que é certamente, o mais sofrido de todos os profetas. Ele chega a maldizer o dia do seu nascimento (Jr 20,14), sem deixar de anunciar a vontade divina (Jr 4,19). Jesus, era portador da herança de todos eles. Mas a resposta definitiva é “o Cristo”. Também aqui a comunidade de Mateus vai além do original de Marcos colocando: “Filho do Deus Vivo”! Tata-se de uma confissão própria da comunidade de Mateus, que regata, Os 2,1: “filhos do Deus vivo” (uioi Theou zontos) – na versão grega dos LXX – como proclamação do novo Israel. O Jesus apresentado na confissão de fé pronunciada por Pedro é o Cristo que gera em si uma nova humanidade, de filhas e filhos do Deus Vivo. Da mesma forma, quando Pedro é chamado bem-aventurado (makarios) representa todas as pessoas das bem-aventuranças (Mt 5,1-12) e quando é qualificado como a “pedra/rocha” sobre a qual a Igreja (assembleia/eclesia) é edificada, manifesta o sentido missionário da igreja como geradora de nova humanidade para todas as pessoas, que vence a morte/inferno/submundo.
Relacionando com os outros textos
Pedro, que é portador desta nova visão de Jesus junto com a Igreja, também aparece em Atos 12,1-12 testemunhando que nenhum governante repressor (Herodes Antipas) poderá impedir a ação do Deus Libertador. Depois de libertado vai em busca da comunidade reunida e ali celebra a vitória sobre o poder da violência e da morte (At 12,9-12). Isso vale para o resumo do labor missionário do apóstolo Paulo em 2 Tm 4,6-8.17-18, onde reconhece que ele não o portador desta graça, mas instrumento, para que a presença de Deus seja reconhecida por todo povo.
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO A

12º. DOM. TEMPO COMUM
Evangelho: Mt 10,26-33
Primeira Leitura: Jr 20,10-13
Sl 69,8-10.14.17.33-35 (R.14c)
Segunda Leitura: Rm 5,12-15

Evangelho
Os versículos anteriores (24-25) estabeleceram uma identidade entre o discípulo e o mestre, entre o enviado e aquele que envia. Isto para dizer que o discípulo deve compartilhar o mesmo destino de sofrimentos do seu mestre: o discípulo não pode iludir-se pensando que vai subtrair-se.
Jesus prepara os seus apóstolos a não sucumbir diante das dificuldades que encontrarão pelo caminho.
A primeira consequência que deriva da igualdade entre o discípulo e o mestre é que se deve ter a coragem de pregar o evangelho com franqueza, sem deixa-se atemorizar com as ameaças dos opositores. O verdadeiro ensinamento de Jesus não deve incentivar a timidez no testemunho dado pelos discípulos (“dizei-o à luz do dia… proclamai-o sobre os telhados”). Somente o Senhor é para ser temido, não as pessoas.
Os vários ditos de Jesus são articulados em torno da expressão “não tenhais medo”. O discípulo deve professar a própria fé com coragem.
Na perícope destacam-se quatro temáticas: proclamação pública do Evangelho (v. 26-27); disponibilidade para enfrentar o martírio, sacrificando a vida física para obter a vida eterna (v.28); motivos de confiança na Providência (v.29-31); profissão corajosa da fé messiânica (v.32-33).
A distinção entre alma e corpo (“os que matam o corpo, mas não podem matar a alma”) é surpreendente em Mt, que normalmente raciocina com categorias hebraicas, onde esta distinção não subsiste. É ainda mais curioso, porque o próprio Lc 12,4 evita esse tipo de dicotomia. Mas um autor de língua grega, ainda que de matriz semita, não podia não ser influenciado pelas categorias helenísticas muito comuns, que são muito sutis e se prestam à reflexão sobre o estado depois da morte. Para um semita era inconcebível a vida sem o corpo. O dito se refere à totalidade da vida do ser humano, conservada por Deus também depois da morte.
Nos v. 29-31 se retorna a um modo de ver muito bíblico: a providência do Pai com os passarinhos, e inclusive com os cabelos de nossa cabeça! O raciocínio é “valeis mais do que muitos pássaros”, que equivale a “de todos os pássaros”.
O verbo homologhéo equivale a “confessar” (3,6), “louvar” (11,25), mas também “declarar-se publicamente em favor alguém”, e é o caso do nosso texto (en emoí por mim: v.32).
Note-se a distinção entre “vosso Pai” (v.29) e “meu Pai” (v. 32.33). A menção insistente do Pai evoca o motivo da paternidade divina num sentido afetivo bem familiar, que está expressa no Pai-Nosso como novidade central do Evangelho.
Em Mc 8,38 e Lc 12,8 se cria certa tensão entre o “reconhecer” Jesus e “ser reconhecido” pelo Filho do homem. Mateus resolve a aparente a aparente aporia. O contrário de “reconhecer” é “renegar” (arnéomai), um verbo que retornará na paixão (26,70), e que quer dizer “desconfessar” Jesus, não reconhecer-se mais n’Ele. Jesus dirá: “Eu não vos conheço”, aos que o renegam; conquanto tenha perdoado a Pedro (Jo 21,15-19).
A perícope inteira nos convida a levar em consideração “o silêncio de Deus”, que não liberta os seus filhos e filhas de todos os sofrimentos e tribulações, às vezes submetidos inclusive ao martírio.
Para a vivência da fé, tudo se encaixa no desígnio de salvação.
Não obstante a soberania de Deus sobre o mundo, Ele não se opõe ao curso normal da natureza, que se renova fazendo da morte florescer nova vida.
Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da
Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
Dia: 14 de junho de 2020
11° Domingo do Tempo Comum
Evangelho: Mt 9,36-10,8
Primeira Leitura: Ex 19,2-6a
Segunda Leitura: Rm 5,6-11
Salmo: 100

Mt 9,36-10,8
Situando o Texto
O presente texto é estratégico, como um elo de ligação entre Mt 8-9 que mostram os sinais do Reino (milagres) e Mt 10 que trata da missão.
A compaixão que Jesus (Mt 9,36) já se constata antes, ao fazer curas (Mt 8-9) e traduz a compaixão de Deus pelo povo (Is 45,15). Mas agora ela é expressa em palavras diante da omissão dos líderes de seu tempo, como também já atestado no AT (Lv 27,27; 1Rs 22,17). No AT os líderes não cuidavam do povo, preocupados, apenas com seus interesses (Ez 34; Zc 10,2). Já então, Deus é visto como o pastor do povo (Sl 23). Agora, Jesus assume esta perspectiva da compaixão de Deus. A compaixão de Jesus pelo povo sofrido, continua na ação de seus seguidores. Aos Doze, o novo povo de Deus, ele confere os mesmos poderes de realizar as suas obras: curas, exorcismos, ressuscitar mortos. Tudo isto, com os critérios de então, significa lutar contra o mal, contra as situações de morte. A palavra vem acompanhada da ação. Jesus instaura o Reino pela sua ação e pregação. Agora cabe aos discípulos continuar esta missão, que brota da compaixão para com os sofredores: leprosos, paralíticos, possessos, etc. que são as situações concretas vividas pelo povo, e que seus seguidores devem continuar. A compaixão de Deus, se realiza em Jesus e agora se expressa na missão dos discípulos, que assumem o lugar dos guias do povo, que falharam. Assim na pessoa de Jesus e dos seus seguidores, realiza-se o verdadeiro projeto de Deus revelado ainda no AT.
Doze é número simbólico, lembram as doze tribos de Israel, portanto, são o novo povo de Deus (cf. Mt 19,28) e por isto mesmo, assim como as doze tribos eram todo Israel, aqui também, os “Doze” não se refere apenas a um pequeno grupo, mas a todos os membros do novo povo de Deus. Nem tampouco se quer dizer que os Doze receberam poderes extraordinários de cura, simplesmente que eles, isto é, todos, devem lutar contra as situações de morte e sofrimento que afligem o povo, como vem sonhado para os tempos messiânicos (Is 42,18). Como “Doze” é totalidade, significa que todo discípulo e discípula têm esta missão. Entre eles há pescadores, cobrador de imposto, zelote e até um traidor. Classes impossíveis de conviver no antigo povo. No novo povo tudo isto é possível. Doze quer dizer todos, bons e maus. O novo povo de Deus não é formado por perfeitos.
Pedir ao Senhor da Messe o envio de operários não é sinônimo de despertar vocações sacerdotais ou religiosas. Nem é convencer Deus da necessidade de mandar operários. Mas é convencer todas as pessoas a assumir a missão de Jesus. Para isto, sim, precisa de oração.
Tem algo estranho no texto: a proibição de ir à Samaria. Seria isto um sinal de racismo? Não. Trata-se de ir aos pobres, abandonados e sem pastor, conforme se lê em Nm 27,27; ou seja, eram os que estavam sem pastor (Ez 34). Por isto, a missão começa pelos últimos, onde mais precisa. Reflete também a comunidade de Mateus, que inicialmente só evangelizava judeus (10,5s; 15,23s), mas que depois se abre a todos os povos (Mt 28,19). Na caneta de Mateus, o procedimento de sua comunidade já foi praticado por Jesus. Quem se sentiu agraciado e despertou para a missão, de graça se põe a caminho.
Resumindo:
Mt 9,36-38: tudo brota da compaixão (Ex 3,7; Ez 34; Zc 10,2).
Mt 10,1.8a: chama os Doze e lhes dá poder contra o mal. A comunidade cristã recebe o poder de dar continuidade à obra de Jesus.
Mt 2-6: todos, bons e maus são destinados ao povo sem pastor, devido aos maus líderes de Israel.
Mt 7.8b: o anúncio e a ação acompanhado de sinais são gratuitos.
Relação com Ex 19,2-6a
Deus, pela sua misericórdia, ouviu o clamor do povo no Egito (Ex 3,7). Agora, já livre, preparando-se para a Terra Prometida, Deus o consagra como um reino de sacerdotes (v.6). Está aqui o chamado, que mais tarde Jesus fará aos Doze, para continuar a compaixão de Deus na história.
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A

Dia:07/06/2020
Domingo: Festa da Santíssima Trindade
Evangelho: Jo 3,16-18
Primeira Leitura: Ex 34,4b-6. 8-9
Segunda Leitura: 2Cor 13,11-13
Salmo: Dn 3,52. 53. 54. 55. 56 (R.52b)

Evangelho
Neste domingo, lemos um trecho do diálogo de Jesus com Nicodemos, no terceiro capítulo do evangelho de João. Nicodemos é um fariseu que veio conversar com Jesus durante a noite (Jo 3,2). O horário da conversa pode ser simbólico: ele está nas trevas e vem procurar a luz.
Os fariseus eram um partido político-religioso que se opunham a Jesus. Embora Nicodemos pertencesse a este grupo, sua atitude não é hostil, mas de interesse e de busca pela verdade. Só isso já nos questiona: diante de quem discorda de nós, temos uma atitude de fechamento e de preconceito, ou estamos abertos a dialogar e a aprender?
O diálogo de Jesus com Nicodemos tem vários momentos, mas o tema é um só: a fé em Jesus como filho de Deus e como salvador. Podemos dividir o diálogo em duas grandes partes: vv. 3-10: a necessidade de nascer de novo; vv. 11-21: a salvação trazida pelo Filho de Deus. Estas duas partes estão interligadas e se completam mutuamente.
Os versículos lidos na liturgia de hoje são tirados da segunda parte e têm como ideia que se repete a fé no Filho como fonte da vida. A missão do Filho é realizar o projeto do Pai; e o projeto do Pai é a salvação da humanidade. Este é o objetivo último da encarnação (Jo 1,14) e da morte-ressurreição (Jo 19-20) de Jesus. Significa que toda a vida de Jesus está marcada pelo desejo do Pai de dar a vida eterna aos seres humanos. Quem decide se este desejo do Pai se realizará ou não é a própria pessoa, que pode aceitar ou não este desejo em sua vida. É o que Jesus diz no v. 16: “Pois Deus amou de tal maneira o mundo, que deu seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Esta ideia continua nos versículos seguintes. No v. 17, Jesus afirma: “Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele”. O Filho não foi enviado para julgar, isto é, condenar o mundo: o Filho foi enviado para salvar.
Esta afirmação de Jesus no faz perguntar: Então a salvação é para todos indistintamente? Jesus responde que sim, mas há uma condição, apresentada no v. 18: “Quem nele crê não é julgado; mas quem não crê já está julgado, porque não crê no nome do Unigênito Filho de Deus”. Com isso, Jesus afirma que a salvação não é o privilégio de um grupo, de uma igreja ou de um único povo: a salvação é destinada a toda a humanidade.
No evangelho de João, é muito importante o verbo pisteuo: “crer, acreditar”. Crer em Jesus não significa somente saber que ele existe e respeitá-lo; significa aderir ao seu projeto salvífico. Aderir não somente para receber a salvação; mas também para fazer a salvação acontecer hoje, por meio da prática do amor (Jo 15,12).
Portanto, “crer no Filho” não é sentimentalismo, mas um comportamento concreto: ajudar o Filho a realizar o projeto salvífico do Pai. E com isso, entramos no acontecimento que celebramos hoje: a Santíssima Trindade.
Costumamos dizer que “a Santíssima Trindade é um mistério”. A palavra mistério vem do grego mystérion, que usada para designar não um segredo qualquer, mas aquele segredo que deve ser revelado aos poucos, porque é grande demais para entendermos tudo de uma vez. Ou seja, o “mistério” é algo que sempre escapa à nossa capacidade de compreender plenamente, ele sempre reserva uma surpresa, sempre tem uma novidade guardada. O mistério pode e deve ser entendido pela nossa inteligência, só que quanto mais nós o compreendemos, tanto mais descobrimos que não cabe tudo na nossa cabeça: sempre haverá algo novo a aprender e que nunca poderemos dizer que o assunto está esgotado.
Assim é a Santíssima Trindade: ela sempre escapa aos nossos esquemas teológicos e mentais. Deus não se resume àquilo que nós pensamos sobre ele. Nicodemos estava disposto a aceitar isso: o projeto do Pai não se encaixava na doutrina dos fariseus e, por isso, Nicodemos entrou em crise e foi procurar Jesus para aprender.
E Jesus responde que só pode minimamente compreender Deus quem participa da dinâmica da vida de Deus, que é o amor. O amor das três pessoas – Pai, Filho e Espírito Santo – os torna tão unidos que são um só. A Trindade é a melhor sociedade. Nós somos convidados a repetir entre nós o mesmo princípio do amor, que tornará nossa sociedade humana mais semelhante à sociedade trinitária, “para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo 10,10).

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL - ANO A

Dia: 31 de Maio de 2020

PENTECOSTES

Evangelho: Jo 20,19-23
Primeira Leitura: At 2,1-11
Segunda Leitura: 1Cor 12,3b-7. 12-13
Salmo: 104,1ab+24ac. 29bc-30. 31+34 (R. 30)

O Evangelho está dentro do chamado “Livro da Hora” (Jo 13-20). Esta parte apresenta o gênero literário “dos testamentos do judaísmo”. Este tipo de redação apresenta o discurso de despedida que um chefe de grande prestígio pronuncia em seu leito de morte, tendo como exemplos bíblicos (Gn 47,29-49,33 de Jacó; Dt 31-33 de Moisés; Js 23-24, de Josué; 1 Sm 12, de Samuel, e nos textos deuterocanônicos, em Tobias 14). Alguns elementos comuns são listados: “a evocação do próximo fim do herói”, “o futuro dos descendentes” e “providências”. No caso, o capítulo 20 deste Evangelho, estaria mais relacionado às “providências” a serem tomadas. Inicia com o relato de “quatro episódios passados em Jerusalém no primeiro dia da semana”, sendo eles: a ida de Maria de Magdala ao túmulo (20,1-10), o diálogo com Maria de Magdala (20,11-18), o envio para a Missão no mundo com o dom do Espírito Santo (20,19-23) e a dúvida de Tomé (20,24-29). O capítulo 20 e o Livro da Hora finalizam com uma conclusão sobre os sinais em 20.30-31.
Missão como ação do Espírito Santo (Jo 20,19-23)
Vejamos como se apresenta o texto:
A. Ação – Chegada do Ressuscitado no Primeiro Dia da Semana, trancados por “medo dos judeus” e primeiro anúncio da Paz (20,19).
B. Corporeidade – Mostra as mãos e o lado, provoca alegria (20,20).
C. Envio, segundo anúncio da Paz (20,21).
B’. Corporeidade – Sopro do Espírito sobre a comunidade apostólica (20,22).
A’. Ação – Saída – Perdoar ou reter os pecados (20,23).
A ação do Ressuscitado envolve, capacita e compromete. A Ressurreição não é um fato abstrato ou uma ideia. Jesus a demonstra em seu corpo! A Paz que vence o medo envolverá a comunidade apostólica que se torna portadora do Espírito que sai do Corpo de Jesus. O Espírito Santo é o Espírito da Palavra/Verbo Encarnado, Crucificado, Ressuscitado (parte A e A’).
No centro está o Projeto Missionário (v. 21). Embora em português as versões usem duas vezes o mesmo verbo: “Assim como o Pai em enviou, eu também lhes envio”; no grego não acontece assim. Para falar do envio do Pai, usa-se o verbo “apostélo” (mandar embora, enviar para um lugar, deixar a pessoa ir, dirigir-se para fora) e para nomear o “envio” de Jesus se usa o verbo “pempo” (entregar algo a ser carregado, ou enviar algo a outra pessoa). Então o sentido deste projeto é: assim como o Pai me deixou vir até aqui, eu lhes dou aquilo que meu Pai me entregou para que o levem a outras pessoas. Sentido que fecha com a teologia joanina de que Jesus é a imagem do Pai, e que a Missão de Jesus é a Missão do Pai (Jo 14,10-11; 17,21).
O Espírito Santo, não é, portanto, um outro “ser”, mas a expressão do ser do Pai no ser do Filho, pois vem de dentro do Filho. Não pode assim haver contradição entre a ação do Espírito e a ação de Jesus Encarnado/Crucificado/Ressuscitado.
O medo é provocado pela religião dominante, que é repressora e legalista (“judeus”, cf. 20,21). Do outro lado, em consequência da ação do Espírito Santo, a comunidade é empoderada! (B e B’). Agora a comunidade pode, ou não, perdoar os pecados. O empoderamento do Espírito de Jesus permite que a comunidade possa discernir, através da ação trinitária do Pai, no Filho através do Espírito, a sua atitude profética perante o “pecado”, perdoando, ou não (20,23).
Relacionando com os outros textos
Em Atos vemos o Espírito Santo que age empoderando a comunidade apostólica que pode se comunicar com pessoas de todas a etnias. A ação do Espírito derruba barreiras, mas não elimina a diversidade, pois cada pessoa ouvia em sua própria língua. Em 1 Coríntios 12 novamente o Espírito age empoderando através de diversidades de dons, mas tornando todas as pessoas um só Corpo (1 Cor 12,6.12). Quer dizer que a ação do Espírito Santo supera a religião do medo, integra a diversidade humana em uma comunhão transformadora, e leva ao mundo a ação amorosa do Pai no Filho através de comunidades apostólicas e missionárias.

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Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

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7º Domingo do Tempo Pascal – Ascensão do Senhor

SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO A
Evangelho: Mt 28,16-20
Primeira Leitura: At 1,1-11
Sl 47,2-3.6-7.8-9 (R.6)
Segunda Leitura: Ef 1,17-23

Mt 28, 16-20
Mateus desenvolve o tema da aparição na Galileia em termos teológicos muito pessoais como verdadeiro epílogo não só das aparições pós-pascais, mas de todo o seu evangelho.
O Jesus que aparece sobre a montanha aos seus onze discípulos é antes de tudo o Kýrios. O termo não é explícito, mas resulta da adoração dos discípulos que se prostram diante dele (proskynéo: cf. 14,33). É o “Senhor” da Igreja, aquele que é objeto de adoração e de oração da parte dos seus discípulos. Estes formam um grupo variado (trigo e joio, peixes bons e que não prestam): “alguns, porém, duvidaram” mesmo diante do Ressuscitado. Pouca fé das pessoas de fé (cf. 14,31 onde ocorre o mesmo verbo, distázo).
Em segundo lugar, é Filho do homem investido por Deus com “toda a autoridade no céu e na terra” (cf. Dn 7,14). É o juiz escatológico, “sentado à direita do Todo-poderoso” (26,64). Mateus não cancela do seu horizonte a parusia, o retorno glorioso do Messias no fim dos tempos. Mas desde agora, isto é, da morte e ressurreição, consideradas como evento único e dotado de uma força verdadeiramente última, final, decisiva, Jesus é tal qual aparecerá ao final dos tempos.
Aparece no texto uma tarefa que antecipa o fim dos tempos: é a evangelização de “todas as nações” (28,19 → 24,14). Pánta tà éthne é uma designação standard das nações pagãs, e é claro que, para Mt, o campo missionário dos cristãos é o mundo inteiro (13,38).
Dilatação da parusia e percepção do mandato missionário universal são duas realidades corelatas.
Mas a abertura aos pagãos não ocorre conjuntamente a um fechamento da Igreja em relação ao povo hebreu (25,32).
As modalidades da missão ad gentes, do grande mandato missionário que conclui o Evangelho de Mateus, são duas: o batismo e a didaqué apostólica. Trata-se de “fazer discípulos” (matheteúo) todas as nações, batizando-as e ensinando a elas, todas as coisas ordenadas por Jesus, ou seja, evangelizando-as.
A forma trinitária do batismo é surpreendente, inusual em Mateus. O que se diz literalmente é batizar “para o nome” (eis tò ônoma) do Pai etc. É sabido que a primitiva fórmula batismal era “em nome de Jesus Cristo” (At 2,38). O batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” se encontra também na Didaqué (VII, 1) e indubitavelmente confere à conclusão de Mt um andamento particularmente solene e teologicamente sintético.
Quanto à evangelização, Mt sublinha seu aspecto legal, normativo. Menciona a “observância”, o “mandato”. Não se trata somente do anúncio festivo, mas também de uma exigência pela qual não somente a Torá continua em vigor (5,17), mas o próprio ensinamento rabínico (28,20 → 23,3 onde recorre ao mesmo verbo teréo, observar).
Ao final (v. 20) aparece uma grande promessa, que é verdadeiramente a última palavra de Jesus: “Eu estou convosco”. Não somente: “Venho muito em breve” (AP 22,20). Mas “Eu já estou convosco”. Todos esses dias que vivemos na expectativa são já preenchidos por uma presença. A linguagem usada aqui por Mt é aquela da aliança do “Deus conosco” que inaugura o relato desde a anunciação (1,23) e vem retomada numa síntese maior ao final do Evangelho.
Se relacionarmos início e fim do Evangelho de Mateus percebemos que vida inteira de Jesus é uma profecia da nova aliança e da permanente presença de Deus na história humana, que se atualiza com a ressurreição de Jesus e se exprime na promessa do Ressuscitado à sua Igreja, com a qual conclui o Evangelho: “Eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.
Esta grande inclusão entre o início (1,23: meth’ hemôn, conosco) e o final do Evangelho (28,20: meth’ hymôn, convosco) é eloquente. A ressurreição de Jesus universaliza (todas as nações) e eterniza (por todos os dias) até o fim da história a experiência de comunhão vivida por ele, “Deus conosco”, junto aos seus discípulos.
A experiência do Ressuscitado que Mateus nos transmite não se trata de uma aparição, ou uma ocasional cristofania, nem tampouco se relaciona com a parusia. Trata-se de uma presença discreta e silenciosa que nos acompanha por todos os dias de nossa vida. Jesus ressuscitado e sentado à direita do Pai é presença de Deus na história do mundo.
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6º Domingo da Páscoa - 17/05/2020

SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL - ANO A
Evangelho: Jo 14,15-21
Primeira Leitura: At 8,5-8.14-17
Segunda Leitura: 1Pd 3,15-18
Salmo: 66,1-7.16.20

Evangelho: Jo 14,15-17
1 – Situando o texto
A perícope tem duas partes: a) vv. 15-17; b) vv.18-21.
a) vv.17-17: É clima de despedida física de Jesus. A obra iniciada por ele continua nos discípulos que amam. Eles receberão do Pai, o “outro Paráclito” que pode ser traduzido por ajudante, assistente, sustentador, protetor, advogado, procurador, animador, iluminador. Este Espírito da verdade torna a comunidade viva e a torna atual na história. Desta forma, os que guardam os mandamentos de Jesus, pelo Espírito permanecem nele que permanece no Pai. Em outras palavras, naqueles que guardam os mandamentos, a obra de Jesus estará presente de forma renovada, através do Paráclito. Não é menos real estar na comunidade de fé pós-pascal, do que estar fisicamente com Jesus, como estiveram seus discípulos.
Amar a Jesus e guardar seus mandamentos é a nova versão do que se lê em Ex 20,6; Dt 5,10 e principalmente em Dt 6,4ss. e Dt 7,9, onde sempre se une o amor a Deus com a observância dos seus mandamentos.
Quando Jesus diz: “um outro Paráclito” entende que o primeiro Paráclito é o próprio Jesus (cf. 1Jo 2,1). Quando este se retirar de forma física, o outro o trará de volta junto com o Pai para fazer morada nos que observam seus mandamentos, o que lembra Ez 36,26s. Ele vem em lugar de Jesus, mandado pelo Pai, para auxiliar a comunidade de fé.
b) vv18,21: A nova vinda de Jesus (v.18) não se reporta a vinda escatológica, no fim dos tempos como em Mc13,26, mas já na história. Ou seja, a Igreja animada pelo Espírito terá sempre a presença de Cristo, mas não de forma física. Assim como o ressuscitado se manifestou à comunidade reunida (Jo 20,19.26), ele estará sempre com os seus, como também atesta Mt 28,20: “eu estou convosco todos os dias até o fim dos tempos”. Nesta vinda, no período pós-pascal, o mundo não o verá, pois sem o amor e a observância, a ausência física significa o fim. O amor e a observância dos mandamentos pelos discípulos, no entanto, tornam Jesus novamente presente. Assim, pela fé, depois da páscoa, os discípulos participarão da vida de Jesus e nele viverão. O mundo não o verá, pois só pelo amor e pela observância isto será real. Naquele dia (v.20), depois da páscoa, reconhecerão que Jesus está no Pai, nos discípulos e estes em Jesus. Como consequência do amor a Jesus, o discípulo será amado pelo Filho e pelo Pai e receberá a manifestação dele.
Resumindo: Jesus legou à sua comunidade o mandamento do amor. Para permanecer fiéis neste mandamento, ele foi o apoio da comunidade em sua vida terrena. Agora, porém, na sua ausência física, um outro Paráclito ajudará a comunidade a vivenciar estes ensinos de Jesus. O Pai, atendendo ao pedido do Filho, enviará este Espírito da verdade para continuar o que ele iniciou. Este Espírito não é conhecido pelo mundo, apenas pelos discípulos, pois permanecem em Jesus.
A comunidade não ficará órfã, pois o ressuscitado virá de uma nova maneira de estar com os seus que só se pode conhecer pela fé. Pela fé se participa desta vida nova, já aqui e agora. Assim, no ressuscitado a escatologia já se realiza na história, uma vez que os discípulos saberão que Jesus está no Pai, os fiéis estarão em Jesus e Jesus neles. A verdadeira experiência da ressurreição antecipa a experiência da Trindade na história e é uma antessala da escatologia. Quem pratica os mandamentos de Jesus e o ama, se reencontra com Cristo vivo no tempo pós-pascal, mesmo antes do fim dos tempos.
2 – Relação At 8,5-8.14-17
A comunidade cristã original era formada somente por judeus. Aos poucos a Igreja se expande e ultrapassa as fronteiras, chegando à Samaria e outras nações (cf. At 1,6-8). Isto é obra do Espírito Santo, como visto no evangelho. Também na Samaria e nas demais nações, o Ressuscitado se torna presente pelo testemunho dos discípulos e do Espírito Santo, ou seja, a Igreja se torna real onde for levado o anúncio, onde as pessoas se convertem ao amor, aos mandamentos pela ação do Espírito.

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO A
QUINTO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Evangelho: Mateus 5,13-16
Primeira Leitura: Isaías 58,7-10
Segunda Leitura: 1 1Cor 2,1-5
Salmo: 111 (112)

O Evangelho
A comunidade de Mateus sistematiza este Evangelho sob o impacto da dura repressão romana contra a revolta judaica que provocou a destruição definitiva do Templo de Jerusalém e a morte de praticamente todas as outras testemunhas do ministério público de Jesus em 70 d.C..
O conjunto de Mt 5,13-16 é o chamado “Sermão do Monte ou da Montanha” (cf. Mt 5,1). Dentro dele é uma sessão introdutória do mesmo, junto com as chamadas “bem-aventuranças” (5,3-16). Segue uma releitura sobre a “Lei” (5,17- 6,18), ou “da justiça cristã”; os princípios do seguimento ou do discipulado (6,19-7,12) e um tríplice aconselhamento (7,13-27). Sendo que 5,1-2 e 7,28-29 são marcos deste resumo. No centro está o novo discipulado!
Estrutura do texto em si e seus desdobramentos hermenêuticos
O texto é formado por duas afirmativas independentes que tem a mesma estrutura, como se fossem provérbios:
a – Vocês são… (5,13a e 14a).
b – Apresentação da afirmativa pela sua negação (“se o sal perde o gosto”, 5,13b; “Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte, nem se ascende um lampião para coloca-la debaixo da mesa”, 5,14b-15).
c – Mandamento (apenas relativo à luz) em 5,16.
Questões levantadas:
O Sal é dado como certo. O simples seguimento de Jesus – sem fazer mais esforço – parece ser suficiente para outorgar sabor à terra (aqui interpretada como “país”, “espaço comum”). A Luz não é para a “terra” e sim para a “humanidade” e deve ser revelada na nova “práxis”.
Interpretação a partir do contexto da comunidade de Mateus:
Estas pessoas sentem-se perseguidas e maltratadas – que viu isso acontecer durante a dura repressão do império romano e com a traição das lideranças do próprio povo – assim como aconteceu com as pessoas que profetizaram antes de Jesus (cf. final das “bem-aventuranças”, em 5,11-12).
Estas pessoas se sentem deslocadas das tradições antigas – que levaram à violência e à morte – embora ligadas a elas pela história em comum (conforme as perícopes subsequentes, dos “ouvistes”, em 5,17-48).
Ser Sal e Luz faz resgatar a profecia e dar um novo significado à tradição. Sal é presença profética no espaço da sociedade, na vida da terra, dar sabor à criação. Luz é a nova práxis da comunidade que mostra o novo caminho para a humanidade.
Primeira leitura (Is 58,7-10) e sua conexão com o Evangelho
O contexto literário desta leitura é um dos mais belos textos do Primeiro Testamento, chamado “Trito-Isaías” (Is 56-66). Assim como no caso do Evangelho, este texto não faz parte do centro do livro, tendo um caráter introdutório. Esta obra também propõe uma nova práxis que seja capaz de gerar uma nova realidade para o povo que estava voltando do Exílio na Babilônia (entre 592 e 538 a.C.). Possivelmente esta obra escrita por gente jovem que projetava junto com Deus uma nova vida onde seriam superadas todas as mazelas do passado.
O Lecionário, corta uma perícope que inicia em 58,3b respondendo a duas perguntas feitas para Deus: “Por que jejuamos e não atendes? Porque afligimos nossas almas e não o levas em conta?”. Depois de denunciar que, estas mesmas pessoas que perguntam, promovem a violência, oprimem e exploram as pessoas que trabalham para elas, o texto apresenta o que chamaríamos do “verdadeiro jejum” (cf. 58,6 “porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as amarras da injustiça (…) livres as pessoas oprimidas e quebres o jugo?”).
O versículo 7 indica então a nova práxis, a mesma recomendada pelo Evangelho, “que repartas o teu pão com quem passa fome, que dês abrigo a quem não tem teto, que vistas quem está nú, e não te escondas de teu semelhante”).
O versículo 8 indica que só assim a luz deste povo de Deus poderá ser vista (no centro da afirmativa). Encerra, então, com a reafirmação de que a justiça para com as pessoas “famintas” (como representação de todas as pobres e excluídas das condições mais básicas) é a fonte da luz que resplandece sobre as trevas.
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL ANO A

Dia:10/05/2020
5º Domingo da Páscoa
Evangelho: Jo 14,1-12
Primeira Leitura: At 6,1-7
Segunda Leitura: 1Pd 2,4-9
Salmo: Sl 32,1-2. 4-5. 18-19 (R.22)

Evangelho
O evangelho deste domingo é uma mensagem de encorajamento: Jesus convida seus discípulos a permanecer fiéis e não temer. É um diálogo que deve ser lido frase a frase.
A afirmação inicial de Jesus é enigmática: “Credes em Deus. Crede também em mim!” (Jo 14,1). O texto grego usa o verbo pisteuete, que pode ser tanto o indicativo presente como o imperativo. Jesus pode estar dizendo: “Acreditem em Deus, acreditem em mim também”, ou “Vocês acreditam em Deus e acreditam em mim também”, ou “Vocês acreditam em Deus e, por isso, acreditem em mim também”. Normalmente, as nossas Bíblias seguem esta última interpretação: a fé em Jesus é consequência natural da fé em Deus Pai e, portanto, a comunidade é convidada a não esmorecer.
“Na casa de meu Pai há muitas moradas” (v. 2): A expressão “cada do pai” designa não só a construção, mas também a família que mora nela: o pai, a mãe, os filhos homens casados com suas esposas, as moças solteiras, os adolescentes e as crianças. A moça, quando se casava, ia morar na casa do pai do esposo. Por isso, a construção precisava ser grande suficiente para todos caberem lá dentro. E, obviamente, cada pequeno subnúcleo familiar, com suas próprias dependências, suas “moradas”.
Sobre este pano de fundo, podemos compreender a promessa que Jesus faz nos vv. 2-3: como um filho que tem autoridade na casa do Pai, Jesus vai preparar as moradas de seus discípulos, de modo que todos tenham vida e dignidade garantidas.
Jesus continua e afirma: “E para onde eu me dirijo, vós conheceis o caminho” (v. 4), mas Tomé nega ter tal conhecimento: “Não sabemos para onde te diriges. Como podemos saber o caminho?” (v. 5). Por essa pergunta e pelo episódio da aparição do ressuscitado (Jo 20,19-29), Tomé ficou com a fama de ser teimoso. Mas será mesmo? Ou Tomé é apenas o personagem que faz as mesmas perguntas que nós faríamos se estivéssemos no lugar dele?
A pergunta de Tomé é clara e natural: se você não sabe para onde alguém vai, como você pode saber também o caminho? Jesus responde a Tomé, dizendo que vai para o Pai. Não mais o espaço físico, e sim a pessoa: o Pai é o “lugar” em que Jesus está (vv. 3 e 10-11).
Se o Pai é o destino, só Jesus é o “caminho” para chegar lá: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (v. 6). A verdade designa a realidade divina enquanto se manifesta e pode ser conhecida pelas pessoas. O que percebemos desta verdade divina é o amor sem limite. Portanto este amor é a verdade de Deus. O caminho é o meio para se chegar ao objetivo: a vida. Jesus é o único caminho porque com sua vida e morte mostra a todos que ele é quem pode comunicar a vida plena. Esta afirmação de Jesus corresponde ao pedido do Sl 43,3: “Envia tua luz e verdade: elas me guiarão… até as tuas moradas”. Jesus é a luz e verdade que nos conduz (caminho) até casa do Pai, onde está preparado o nosso lugar na qualidade de filhos e filhas.
Tomé não é o único a ter dúvidas. Também Felipe, que diz: “Mostra nos o Pai e para nós é suficiente” (v. 8). Felipe parece estar pedindo uma teofania exclusiva ao seu grupo. Este tipo de desejo também é comum nos dias de hoje: muitas pessoas querem, de modo privilegiado, ver o poder de Deus.
Jesus responde questionando a lerdeza de Filipe: “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces? “(v. 9). Conhecer e reconhecer Jesus não é ação do intelecto, mas a experiência pessoal e comunitária do Cristo ressuscitado. Por isso, Jesus continua: “Quem me vê, vê o Pai.”
O último versículo que lemos nesta liturgia é uma promessa: “Em verdade, em verdade eu vos digo: quem crê em mim fará também ele as obras que eu faço e fará maiores do que essas, porque vou para junto do Pai” (v. 12). Isso significa que as ações de Jesus foram só o começo: as comunidades cristãs dão continuam, prolongam e alargam a prática de Jesus quando dão testemunho fraterno e anunciam o Reino de Deus.
A resposta de Jesus a Felipe e a promessa subsequente deveriam nos questionar: nossa prática ajuda ou atrapalha as pessoas a verem Deus? As pessoas com quem convivemos “veem Deus” nas nossas ações e em nossas atitudes? Nossas comunidades dão verdadeiro testemunho de que encontraram o caminho para a verdadeira vida?

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A

Dia: 03 de Maio de 2020
4º DOMINGO DA PÁSCOA
Evangelho: João 10,1-10
Primeira Leitura: Atos 2,1.4a. 36-41
Segunda Leitura: 1 Pedro 2,20b-25
Salmo: 23,1-3a.3b-4.5.6 (R.1)

João 10 é bem conhecido pelo peso teológico que tem a imagem do “Bom Pastor” (10,11). Mas, há outra imagem menos celebrada de Jesus dentro deste texto, a qual é a imagem central nestes primeiros dez versículos. A partir da figura do “aprisco” ou “curral”, Jesus se apresenta como “a porta”. Como veremos no comentário, esta imagem cristológica representa uma ênfase dentro da grande mensagem do novo pastorado proposto por este Quarto Evangelho
O texto dentro do Quarto Evangelho
O texto se situa no chamado de “Livro dos Sinais” (1,19-12,50). Dentro desta parte, podemos situá-lo no conjunto formado pelos capítulos 7 a 12 que é marcada por controvérsias com a teologia dos teólogos de Jerusalém, que é denunciada através da acusação aos “ladrões” e “assaltantes” (10,1.8) em oposição àquele que pastoreia e que dá vida em abundância (10,10).
Tecido do texto: a nova porta que supera a velha religião excludente.
O texto de João 1,1-10 apresenta num tecido cuidadosamente entrelaçado ao redor da imagem da porta que aparece nos versículos 1, 7 e 9. Assim podemos estruturar a parábola em três etapas:
1ª Etapa – A falta de percepção por parte da comunidade de Jesus sobre o sentido da porta que leva ao novo pastorado, distinto dos pastorado dos ladrões, assaltantes e estranhos (v. 1-6).
2ª Etapa – “Jesus, pois, lhes afirmou de novo (…) eu sou a porta” (v.7) e nova denúncia de ladrões e assaltantes (v.8).
3ª Etapa – O “Eu Sou” através da imagem da porta, traz vida em abundância e supera definitivamente o sistema “ladrão” (v. 9-10).
O que se quer afirmar é a nova proposta oferecida por Deus em Jesus (“Eu Sou”) resgatando, nesta linguagem, a apresentação de Javé a Moisés no Êxodo (3,14). A apresentação que caracteriza o Quarto Evangelho (“Eu Sou”) aqui se aplica a um conflito com “todos os que vieram antes de mim” (v.8a). Estes são os “judeus” como religião dominante que não aceita o caráter inclusivo das novas comunidades do amor onde pessoas também judias, junto a samaritanas e de outros povos. Este sistema religioso dominante é acusado de usar a fé para roubar a vida do povo. É uma apropriação sutil, porque as pessoas que seguiam Jesus, mesmo excluídas pela religião dominante, tinham dificuldade de entender o sentido da parábola (v.6). A nova “voz” do pastor acolhe cada pessoa pelo seu nome (que na antiguidade significa sua identidade completa, todas suas características) e por isso essa voz é reconhecida e seguida. Assim, o texto proclama uma nova porta de entrada para a vida a partir de Deus revelado em Jesus.
Relacionando com os outros textos
Esta nova porta de uma fé que acolhe todas as pessoas, em oposição à fé que exclui e discrimina, se manifesta publicamente, para todas as pessoas, através do Espírito Santo (Atos 2,1-4a). Jesus, o crucificado pela aliança entre a religião dominante e o poder dominante, segundo o discurso de Pedro (2,36), oferece agora uma nova porta de entrada através do batismo por, onde todas as pessoas podem entrar, e onde todas tem a mesma dignidade como filhas e filhos, portadoras e portadores do mesmo Espírito Santo. Já a Primeira Carta de Pedro, dirigida às pessoas “sem teto”, refugiadas, perseguidas, lhes anuncia que, em Cristo, o Crucificado “em nosso lugar” (1 Pe 2,21b) pode-se viver a justiça. E que, embora sofrendo a exclusão pelo poder dominante, elas são “ovelhas” deste Cristo que é “bispo e pastor” de suas vidas!

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO A
26 de abril
TERCEIRO DOMINGO DA PÁSCOA
Evangelho: Lc 24,13-35
Primeira Leitura: At 2,14.22-33
Sl 16,1-2a.5.7-8.9-10.11
Segunda Leitura: 2Pd 1,17-21

Nesta “aparição de reconhecimento” Lc recapitula os temas mais significativos do seu evangelho em uma densa síntese catequética de caráter narrativo. Ilustra como na comunidade se possa experimentar a presença do Cristo ressuscitado com a leitura das Escrituras e a Eucaristia.
As articulações principais do texto são duas: dois discípulos se afastam de Jerusalém (v.13-24); reconhecimento de Jesus ao partir o pão e regresso a Jerusalém (v. 25-35).
A conversa revela atitudes típicas de expectativas populares.
v. 13-14 Os dois não pertenciam ao grupo dos “onze” (v.33). Regressavam a Emaus. Somente Lc menciona a missão dos setenta e dois discípulos próximos a Jesus (10,1-12). Um dos discípulos é chamado Cléofas, o outro (outra?) é anônimo. Quase como se Lc quisesse convidar-nos a identificarmo-nos com este/a outro/a discípulo/a.
v. 15-17 Jesus se aproximou dos dois discípulos sem ser reconhecido. O seu corpo, ainda que real, estava espiritualizado. A tristeza dos dois discípulos exprime o fracasso das suas expectativas messiânicas. A crucificação significava para eles o fim de toda esperança.
v. 18-21 A expressão “profeta poderoso em obras e palavras” alude ao profeta equiparado a Moisés (Dt 18,15; At 3,22-23). Cléofas, com suas palavras (v.20) antecipava o primeiro elemento do kerygma apostólico (1Cor 15,3-5), mas omitia a parte mais importante, deixando de lado a ressurreição de Jesus (v.21): tudo indica que se considerava definitiva a morte.
v. 22-24 Os dois discípulos conheciam o relato da descoberta do túmulo vazio da parte de algumas mulheres, confirmado por “alguns dos nossos” referente à visita de Pedro (v.12). A descrição tipicamente lucana da “visão (optasía) de anjos a declararem que ele está vivo”, coloca em destaque a novidade da vida do Ressuscitado, bem diferente daquela de um cadáver reanimado.
v. 25-27 Lc ilustra pela boca de Jesus como experimentar-lhe a presença através das Escrituras e da Eucaristia. Jesus critica esses discípulos por serem desprovidos de “inteligência” (anóêtoi) e de rapidez “no coração” (kardía), focando assim o lado intelectual e emocional da fé.
Partindo de Moisés e dos Profetas, “interpretou-lhes” as Escrituras no que dizia respeito a ele. Temos aqui a legitimação da peculiar leitura cristã do AT, o tema implícito da Escritura judaica é Jesus.
Note-se o verbo diermêneusen (interpretou-lhes) cognato da palavra “hermenêutica”.
v. 28-30 O evangelista sugere que para entrar em comunhão com Jesus é necessário rezar. Os dois discípulos convidam Jesus com uma súplica, “Fica conosco”. Jesus se faz presente em vários modos na comunidade, com a escuta da Palavra, a acolhida aos pobres, aos forasteiros, mas, sobretudo, na eucaristia. “E ele entrou para ficar com eles”, colocando-se todos em torno à mesa. Estas expressões revelam a experiência forte do encontro com o Ressuscitado.
Dois aspectos aparecem intimamente unidos no relato. Por todo o Evangelho de Lucas, a comensalidade é vista como teste decisivo da solidariedade social. Comer juntos significa que um laço permeava profundamente todos os participantes. Nos v. 30 e 35 a linguagem lucana, ao empregar o termo técnico “fração do pão” que retomará em At 2,42, aponta sem dúvida para a eucaristia.
Com conotações eucarísticas óbvias, a refeição conduz também a um acontecimento chave de interação social, levando a concluir que o Messias ressuscitado e seus seguidores estão unidos. A conclusão retoma o ponto central da narrativa: o reconhecimento do Ressuscitado na fração do pão.
Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da
Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana:
Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló
Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
19 de abril – SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA
Evangelho: Jo 20,19-31
Primeira Leitura: At 2,42-47
Segunda Leitura: 1Pd 1,3-9
Salmo: 118,2-4.13-15.22-24

Jo 20,19-31 – Situando o texto
Pode-se dividir o texto em três partes: 1) a Igreja que faz a experiência do Ressuscitado (vv.19-23); 2) Tomé: a crise de fé (vv.24-29); epílogo (vv.30-31).
1) Experiência do ressuscitado (19-23). A comunidade se reunia domingo (1ºdia) de tarde para a celebração. Embora se tratasse de uma Igreja medrosa, pois estava com portas fechadas, é neste ambiente que o Ressuscitado se manifesta. Ele está presente, não mais na forma física, pois passa pelas portas fechadas; embora ao mostrar as chagas atesta ser o mesmo que passou pela cruz. Deseja a paz e agora que a fé está madura, começa a missão: “como Pai me enviou, eu vos envio”. Para tanto, os discípulos são batizados no Espírito (sopro que lembra a criação – Gn 2,7; Ez 37). O Espírito vem do sopro de Jesus e recria a comunidade dos apóstolos para a missão. Eles têm, no Espírito, o poder de perdoar e reter os pecados. Trata-se de pregar e denunciar, mas também de receber de volta aquelas pessoas que se afastaram de Jesus, o que na concepção joanina é o pecado por excelência.
2) Tomé e a crise de fé (24-29). Ao que parece, todos os discípulos tiveram crise de fé, não apenas Tomé. Pode-se perceber isto em Mc 16,14, quando o Ressuscitado lhes censura a incredulidade. Em Mt 28,17 se afirma que, diante do Ressuscitado, alguns tiveram dúvidas e em Lc 24,38 se esclarece que, novamente Jesus questiona o porquê da perturbação diante da ressurreição.
Em Jo 20,24-29, como também nos sinóticos, está um retrato falado das comunidades cristãs do período pós-pascal, entre fiéis que não conheceram o Jesus histórico. Muitos se questionavam: ele de fato está vivo? João centra as dúvidas das comunidades na pessoa de Tomé. Este, como tantos outros, não acreditava no testemunho da comunidade. Queria ver e tocar.
João, através do relato, mostra que a experiência do Ressuscitado é feita na comunidade que se reúne no primeiro dia da semana: domingo vv.19.26). É lá que a fé amadurece e se solidifica. Trata-se de uma Igreja reunida em eucaristia, mas medrosa, pois as portas estão fechadas. O Ressuscitado lhe traz a paz e envia seus membros para dar continuidade à sua missão. Estar em comunidade, no primeiro dia é fundamental para crer na ressurreição. Tomé não estava na comunidade, por isto teve de esperar mais oito dias, portanto, novamente o primeiro dia e estar com a comunidade, para enfim, fazer a experiência de fé que os demais já haviam feito antes.
Mais do que pensar em Tomé, convém aqui pensar nos leitores do quarto evangelho, dos anos 90. O texto quer conscientizar que é preciso crer sem ter visto, mas para isto, duas coisas são necessárias: a comunidade e a celebração no primeiro dia. É neste ambiente que os discípulos, assim como Tomé, encontrarão o Cristo Ressuscitado. É neste contexto que Tomé faz a grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Na comunidade celebrativa se professa Jesus como o Senhor e Deus. Tomé, como os cristãos das comunidades joaninas, devem passar do ver, para o crer sem ter visto.
3) Epílogo (30-31). Provavelmente a conclusão original da obra de João, antes do acréscimo do capítulo 21. Apresenta a ação de Jesus, para que a comunidade creia e receba a vida eterna.
Relação com At 2,42-47
A experiência do Ressuscitado foi a base de uma nova sociedade. Ou seja, ela transformou a vida dos fiéis. Por isto mesmo, os que acreditavam eram assíduos ao ensino dos apóstolos (palavras de Jesus, a base doutrinal), à comunhão fraterna (partilha dos bens), à fração do pão (refeição, eucaristia) e às orações.
Os que faziam a adesão ao Cristo Vivo, nas comunidades pós-pascais se transformavam em novas criaturas. Por isto mesmo, os de fora, vendo a vida exemplar, na alegria da partilha, da fé e da oração, se sentiam contagiados a também viver este modelo. Foi assim que a comunidade exercia seu zelo missionário: fé e exemplo de vida.

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A

Dia 12 de abril
Domingo de Páscoa
Evangelho: Jo 20,1-9
Primeira Leitura: At 10,34a. 37-43
Segunda Leitura: Cl 3,1-4
Salmo: 117,1-2. 16-17. 22-24

Evangelho
Os relatos joaninos da ressurreição e das primeiras aparições é composto por dois quadros. O primeiro no capítulo 20 e o segundo no capítulo 21. Cada um deles, por sua vez, é composto por várias cenas. Na liturgia de hoje temos a primeira cena: Maria Madalena e os dois discípulos no sepulcro.
O Relato inicia com Maria Madalena nos vv.1-2a, mas o foco da narrativa está voltado para os dois discípulos que correm até o sepulcro.
O primeiro dia da semana (v.1): No Quarto Evangelho, a ressurreição de Jesus é uma nova criação. A primeira criação terminou em 19,30: Está consumada. Começa agora um novo ciclo. – ainda estava escuro: Literalmente: “ainda havia trevas”. É uma escuridão cronológica (o sol ainda não tinha nascido) ou espiritual (Madalena ainda não tinha experimentado a ressurreição e tudo para ela estava escuro, triste e sem perspectivas) ou ideológica (as “trevas”, no Quarto Evangelho são as forças contrárias à verdade e à vida: as forças ideológicas da morte ainda parecem ter vencido) ou criacional: as trevas cobriam o abismo; cf. Gn 1,2)? Talvez um pouco de tudo. Podemos considerar ainda outra referência: Cântico dos Cânticos 3,1: em meu leito, pela noite, procurei o amado de minha alma. Procurei-o e não o encontrei! Pelas ruas e pelas praças… não o encontrei.
Vai a Simão Pedro e ao outro discípulo, que Jesus amava (v.2): É só no Quarto Evangelho que estes dois discípulos vão sozinhos ao sepulcro. O querigma oficial fala da aparição a Pedro, mas não que ele estava acompanhado quando foi ao sepulcro vazio.
O outro discípulo correu mais depressa (v.4): O “outro discípulo” é aquele que está na origem da tradição joanina. Notar, quem ama corre mais depressa e chega na frente. O discípulo sabe que o líder do grupo dos apóstolos é Pedro e respeita sua liderança, por isso não entrou mas esperou Pedro.
Nos vv.5-6a não precisamos exagerar em um contraste entre igreja carismática: o outro discípulo e igreja hierárquica: Pedro. Nem precisamos exagerar a posição de Pedro, vendo aqui o primado papal. O acento é: quem ama chega primeiro, mas sabe respeitar quem precisa começar a fazer a experiência com o amado.
Vê os panos de linho por terra e o sudário… enrolado em um lugar à parte (vv.6b-7): O sepulcro é descrito como um quarto nupcial: a vida e a fecundidade que anulam a morte. O fato de o lenço que cobria a cabeça estar enrolado a parte, para alguns indica que não foi obra de um ladrão. Mas é considerado também uma alusão ao véu que cobria o rosto de Moisés depois que falava com Deus (Ex 34,33). Segundo Paulo (2Cor 3,7-18), o véu que escondia a glória de Deus foi removido por Cristo: enrolado em um lugar à parte.
Viu e creu (v.8): Devemos notar a relação entre ver e crer. É uma visão apenas física ou uma descoberta espiritual? É a segunda vez que o outro discípulo vê (v.5), e Pedro também vê (v.6). Essa segunda vez é a visão da fé. Mas, como explicar o v.9?
Ainda não tinham compreendido (v.9): O texto parece dizer que “até aquele momento, ainda não tinham entendido que, segundo a Escritura, Jesus deveria ressuscitar.
Os discípulos foram de novo para casa (v.10): Mas não anunciam o que viram, nem conversam entre si sobre o acontecido. Não basta saber que Jesus está vivo, é preciso fazer a experiência dele presente.
Salmo117,1-2.16ab-17.22-24 (118)
Neste domingo, com o salmista cantamos a vitória sobre a morte. O salmo 117 (118) é uma ação de graças que a liturgia relê à luz dos acontecimentos que hoje celebramos: Jesus rejeitado e exaltado, morto e ressuscitado. Deste modo, somos convidados a renovar nossa esperança na vitória da vida sobre a morte em nosso tempo e em nosso país.
Os vv.22-24 fala da obra maravilhosa de Deus: a pedra rejeita se tornou a pedra principal, a coluna que sustenta a casa. Na releitura cristã deste salmo, a pedra principal é Jesus, o Messias Filho de Deus, vencedor do pecado e morte, que é a pedra angular para vida do mundo, a “casa comum”, como nos recorda o Papa Francisco.

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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO A
PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA
Evangelho: Mt 4,1-11
Primeira Leitura: Gn 2,7-9; 3,1-7
Sl 51,3-4.5-6a.12-13.14.17 (R.Cf.3a)
Segunda Leitura: Rm 5,12-19

Mt 4,1-11
Mateus estrutura seu relato em três partes: apresenta os atores (v.1-2), narra a tríplice tentativa de Satanás (v.3-10), e a conclusão (v.11).
Os personagens são: o Espírito, Jesus, Satanás, os anjos. O relato inicia com o Espírito conduzindo Jesus ao deserto e conclui-se com a presença dos anjos servindo-o. No centro da narrativa, Mateus apresenta as tentações de Jesus.
A mensagem teológica é percebida no significado messiânico da tentação, secundariamente na sua valência exemplar para cada cristão. Resumidamente, Jesus rechaça a submissão dos poderes espirituais aos fins terrenos; não aceita pleitear milagres divinos para se salvar; e a servir Satanás para dominar o mundo. Ou seja, a afirmação central do relato é a recusa do messianismo terreno.
Jesus, em Marcos é “impelido” ao deserto pelo Espírito, em Mateus ele é “conduzido”, “transportado”, o verbo indica um movimento em direção ao alto.
“Diabo” é uma palavra grega (diábolos) que substitui a expressão mais antiga “Satanás” (ha-satan, “o adversário”, em hebraico quase sempre com artigo). Diábolos quer dizer “aquele que divide”, ou melhor, “aquele que distrai”, que separa de Deus. É o exato contrário de sýmbolos, que designa uma realidade que une, que junta. Mateus o chama também “o tentador” (ho peirázon: v.3).
“Tentar” significa também “provar”, “examinar”. Diversos foram os tentadores de Jesus durante sua vida (16,1; 19,3; 22,18.35), a narrativa de Mt 4,1-11 fornece o escopo dessas diversas tentações. Segundo o NT emerge que Jesus tenha sido posto à dura prova durante toda a sua existência. Hb 4,15 vai resumir dizendo: “passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado”.
A narração dá a impressão de um debate bíblico entre Satanás e Jesus.
A sua retirada ao deserto é relacionada com o êxodo dos hebreus dos Egito e a permanência de Moisés no monte Sinai. O texto evangélico evoca as provas sofridas pelos descendentes de Jacó no deserto. As três citações se referem ao sinal do maná (Ex 16), da água (Ex 17) e ao dom da terra (Ex 23). Ora, enquanto os israelitas diante das duras provas do êxodo não souberam perseverar com confiança no socorro de Deus, Jesus se colocou à sua disposição, confiando firmemente na sua palavra.
Entre Jesus e o tentador a disputa é hermenêutica, tudo se joga sobre o “está escrito” (ghégraptai). Também o diabo conhece e cita ao pé da letra a Escritura, mas não para cumpri-la.
A primeira tentação é a do pão (v.3-4). Diante da sugestão diabólica Jesus, o obediente à Escritura, se reconhece “homem”, necessitado da “palavra que sai da boca de Deus”.
A segunda tentação é a do pináculo do templo (v.5-7). O diabo cita o Sl 91, omitindo algo. O texto integral diz assim: “Pois aos seus anjos dará ordens a teu respeito para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te levarão nas mãos, para que teu pé não tropece numa pedra”. É o salmo que promete a cada pessoa de fé uma proteção angélica “em todos os caminhos”, isto é, na existência diária do ser humano; não uma espécie de confiança milagreira que tudo seja possível, como Satanás deseja induzir a acreditar.
A terceira tentação (v.8-10) é aquela do monte muito alto não localizado. É importante notar que para Mateus o “monte alto” é um topos literário (cf. 5,1; 17,1). Nesta terceira tentação faltam as palavras “Se és Filho de Deus”. Os reinos do mundo efetivamente estão sob o poder de Satanás, até o momento em que seja concretizada a vitória messiânica (28,18).
Concluídas as tentações, “o diabo o deixou e anjos se aproximaram para servi-lo”. O serviço dos anjos (diakonéo) no contexto de Mt está conectado com a fome de Jesus. Ou seja, lhe oferecem comida, indicando, antes de tudo, o serviço à mesa. Também Israel durante o êxodo foi assistido pelos anjos (Ex 14,19; 32,34; 33,2).
Se associarmos as tentações de Jesus ao batismo, podemos colher uma proposta de sentido para existência cristã: cada filho e filha de Deus triunfaram do demônio.
Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA
Evangelho: Mt 17,1-9
Primeira Leitura: Gn 12,1-4
Segunda Leitura: 2 Tm 1,8b-10.
Salmo: Sl 33,4-5. 18-19. 20+22 (R.22)
O lugar do texto dentro da narrativa da comunidade de Mateus
O texto do Evangelho segundo a comunidade de Mateus para este Segundo Domingo da Quaresma está dentro da segunda parte do Evangelho que narra o caminho de Jesus para Jerusalém apresentando a predição da sua paixão. É bom lembrar que esta comunidade é formada por pessoas refugiadas, sobreviventes da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Esta comunidade resgata a figura de Jesus chorando por Jerusalém e dizendo: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”( Mt 23,37, replicada em Lc 13.34). Podemos chamar esta parte de “caminho do martírio”. Neste caminho há três anúncios da paixão que estruturam a narrativa: 16,21-13; 17,22-23; 20,17-19. Não cabe dúvida de que há uma identificação entre o sofrimento das comunidades cristãs durante a dura repressão romana contra a revolta judaica, e o caminho que leva para Cruz. O texto imediatamente anterior à perícope para este domingo adverte sobre a perseguição e morte a que estarão expostas as pessoas que seguem Jesus, e a necessidade de resistir dando a vida (16,24-28). Logo após na narrativa cura de um jovem que sofre de epilepsia se exalta o poder da fé como caminho de resistência diante das impossibilidades (20-21). Embora a narrativa da Transfiguração seja comum a todos os Evangelhos Sinóticos (cf. Mc 9,2-8 e Lc 9,28-36), aqui assume o sentido da resistência diante da repressão e a violência.
A perícope em si: questões de delimitação e estrutura
Há dificuldades na delimitação desta perícope, pois alguns comentaristas apresentam 17,1-13 como uma unidade, não subdividindo-a. A questão gira ao redor do versículo 9 que apresenta uma dificuldade particular pois é o nexo entre o que está sendo narrado nos primeiros oito versículos e o é narrado nos seguintes cinco versículos. Uma das características do grego koiné é levar adiante a narrativa usando o vocábulo kai (e, então). Encontramos este recurso no início dos versículos 1,2 e 3, depois reaparece no 5b, 6,7 e 9, 10.
Portanto, os versículos 4 a 5ª, e se tomarmos todo o texto até 13, os versículos 11 a 13, são paradas na narrativa. O versículo 4 começa com a palavra apocriteis geralmente usada com o sentido de “responder” (cf. Mt 3,15;4,4;8,8;11,4.25;12,38.39.48; 13,11.37 e muitos outros); inclusive em relação a respostas dadas por Pedro, como em 14,28;15,15; 16,16 e 19,27. Mas, aqui não temos uma pergunta a ser respondida. Seria esta a única vez em todo o Evangelho que esta palavra é usada no sentido de manifestar uma opinião e não responder uma pergunta? Ou o texto quer indicar que a visão mística da transfiguração era uma questão que exigia uma resposta? Vamos nos aventurar nesta última possibilidade, pois a situação vivida pela comunidade de Mateus, envolvendo perseguição e morte, certamente gerava muitas perguntas que só poderiam ser respondidas de forma correta, como diz o versículo 5b, se ouvida a voz do “Filho Amado”. De certa forma o versículo 8 deixa isso novamente claro quando, ao levantar a vista, encontram que contam apenas com Jesus. A descida do monte – no versículo 9 – como foi a subida, é apenas com Jesus, dando a pista de que as respostas estão na ressurreição. Ao descer, novas questões, e uma nova resposta de Jesus encerrando com mais um aviso da paixão. Isto é não ressurreição sem Cruz.
Pistas de interpretação da Transfiguração na narrativa da comunidade de Mateus
A Transfiguração é uma jornada de subida e descida. Temos diversas pistas do sentido do “monte” (em grego oros) neste Evangelho. O chamado “Sermão do Monte” que se inicia com as bem-aventuranças no capítulo 5, destaca estes lugares como espaços sagrados de encontro e revelação (“Vendo as multidões subiu ao monte”). Também é lugar de “retiro” de Jesus onde, seguindo a ideia de “novo Moisés” proposta por este Evangelho, recebe as instruções divinas e as repassa para as pessoas que lhe seguem (cf. 8,1 e 17,9). O que há de novo nesta narrativa é que a comunidade das pessoas que seguem Jesus está representada em João, Tiago e Pedro. Estes três discípulos representam a diversidade dentro da comunidade o que permite haver diversas percepções.
Moisés e Elias são figuras centrais na teologia de Jesus. Mas, ambas entendidas a partir da sensibilidade solidária! Há uma instrumentalização de Moisés é o instrumento de uma religiosidade hipócrita (cf. Mt 23.1-3). A presença de Moisés junto a Jesus mostra que o caminho do amor e da justiça, que passa pela Cruz e Ressurreição, é o pleno cumprimento do projeto divino do Êxodo plasmado na “lei”. Elias é ligado diretamente a João Batista (cf. 11,10-14; 17,13). Não é um profetismo abstrato, mas a ação concreta de um profeta mártir. Assim a comunidade pode se identificar com ambos: Moisés na vivência do projeto do Reinado Divino em Jesus, Elias na presença concreta de denúncia e anúncio dos sistemas anti-evangélicos (especialmente na superação da religiosidade opressora) e do projeto do Evangelho (já apresentado por Jesus no Sermão do Monte).
Conexões entre o Evangelho e os outros textos para este Domingo
O texto de Gn 12,1-4 abre a narrativa dos clãs familiares de pastores e pastoras seminômades que segue até o final do livro. Essas são também narrativas de resistência de pessoas que viviam à margem do Sistema de Produção Asiático Escravagista e suas monarquias. Deus acompanha a jornada de resistência e alimenta a esperança da vida com sua bênção, não apenas para uma família, mas para todas. No versículo Gn 12,3 a palavra bênção se repete três vezes, e a palavra usada para terra é a “adamáh”, isto é, a terra cultivável, a terra do povo camponês excluído pelo sistema.
As Cartas a Timóteo, embora não se descarte que contenham trechos escritos por Paulo, são consideradas “deutero-paulinas”, isto é, escritas como continuidade do labor missionário do apóstolo. Paulo, assim como a igreja dos primeiros tempos, sofre perseguição e morte por causa do Evangelho. A manifestação gloriosa de Deus em Cristo é vista na resistência que supera o poder da morte (2 Tm 1,10).
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS
PARA A LITURGIA DOMINICAL
ANO A
TERCEIRO DOMINGO DA QUARESAMA
Evangelho: Jo 4,5-42
Primeira Leitura: Ex 17,3-7
Segunda Leitura: Rm 5,1-2. 5-8
Salmo: Sl 95,1-2. 6-7. 8-9 (R.8)

Evangelho:
Rápidas observações exegéticas para uma melhor compreensão do texto. O episódio narrado em Jo 4 é fortemente simbólico. Aqui, apenas dois pontos importantes: os “maridos” da samaritana e o gênero literário “encontro junto ao poço”.
Os “maridos” da samaritana: Que significa “marido”? Em hebraico: baʽal: marido, senhor, divindade. Porém, para entender o texto, é necessário ler e compreender 2Rs 17,29-33: a Assíria invadiu o reino do Norte e promoveu uma troca de populações, com pessoas de outros povos conquistados, para destruir a identidade cultural e religiosa.
Portanto, o relato de 2Rs 17,29-33 serve de apoio para entender que a mulher não é uma adúltera nem uma prostituta: ela é a personificação da Samaria, a capital do antigo reino do Norte. Os cinco maridos não são seres humanos do sexo masculino, e sim cinco divindades cultuadas pelos povos que foram transplantados para a Samaria durante a dominação assíria.
Encontro junto ao poço: Gênero literário comum a vários relatos bíblicos, que têm o mesmo esquema: um homem chega ao poço e senta (ou deita), chega a mulher, eles conversam, ele oferece água para ela, ela volta para casa e conta sobre o encontro, ele é convidado para uma refeição, os dois se casam. Portanto, Jo 4 usa o gênero do encontro junto ao poço para descrever a acolhida do evangelho pelos samaritanos, isto é, como a Samaria “se casou” com Jesus.
Mais alguns detalhes: Além dessas observações, alguns detalhes ajudam a entender melhor a perícope.
O v. 6: “Ali se encontrava a fonte de Jacó. Jesus, cansado da caminhada ficou sentado junto à fonte…” O primeiro interesse do narrador não é pela cidade, e sim pelo poço/fonte de Jacó. Aliás, ele prefere o termo “fonte”, que tem uma forte tradição na Bíblia: o doador de um poço no deserto é o próprio Deus, e a água deste poço é fonte que sobe. Estes dois aspectos, dom e fonte, explicam perfeitamente a temática da narrativa: Jesus dirá à samaritana “Se conhecesses o dom de Deus” (v. 10) e falará de uma “fonte que jorra” (v. 14).
Jesus ficou sentado a beira do poço/fonte: ele veio ocupar seu lugar, ele é o verdadeiro manancial. Isso também sugere uma continuidade entre o presente e a experiência passada de Israel: é junto do poço patriarcal que a mulher/Samaria vai descobrir a fonte que aplaca toda sede, isto é, o Cristo.
Em tempos de misoginia e de intolerâncias religiosas, torna-se importante destacar que o diálogo de Jesus com a samaritana rompe todas as barreiras culturais daquela época. Os mestres da Lei, por exemplo, proibiam conversar com uma mulher em público, mesmo que fosse sua esposa: “Todo aquele que conversa excessivamente com uma mulher prejudica a si próprio, negligencia o estudo da Torá e por fim herdará o inferno”. Jesus conversa não apenas com uma mulher, mas com uma samaritana, população que os judeus consideravam impuros e de quem era necessário se afastar. Só pelo fato de conversar com ela, Jesus rompe as barreiras da separação religiosa e étnica.
Vv. 20-24: A expressão “em espírito e verdade” não se refere a um culto interior e individualista. O significado de “verdade” é fidelidade/lealdade; mas a palavra “verdade” é usada para dar ênfase ao primeiro substantivo: “espírito/pneuma”, que é força vital. Portanto, em espírito e verdade designa a realidade divina que se manifesta e pode ser conhecida pela humanidade. O que a humanidade percebe dela é o amor sem fim: “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho” (Jo 3,16). O amor é a verdade de Deus, e Deus é Espírito, isto é, força ativa do amor.
1ª leitura:
A primeira leitura reflete os eventos do século XIII a.C., no Egito; todavia, é um texto escrito nos séculos VI-V a.C., isto é, na chamada era pós-exílica, época na qual todo o Pentateuco foi escrito e finalizado. A redação final é obra da escola sacerdotal que coloca em um passado remoto o povo exilado na Babilônia e o retorno à terra prometida como em um novo êxodo. Na Babilônia, o povo judeu não era escravo, eram deportados; mesmo assim, muitos enriqueceram e, por isso, quando foi dada a autorização para voltarem a Jerusalém, muitos preferiram ficar na Mesopotâmia do que retornar à terra devastada.
Neste contexto, vários textos do Pentateuco são um convite ao povo para que volte o olhar para Deus e restaure o Templo e o país. Um deles é o trecho da primeira leitura de hoje: o povo exige água e ataca Moisés. É um povo vulnerável e disposto a trocar a liberdade pelas necessidades básicas: melhor ser escravo no Egito (= deportado na Babilônia) e ter água, do que ser livre (= voltar à terra de Israel) e enfrentar a seca.
A vulnerabilidade política, econômica e religiosa leva o povo a não acreditar na ação de Iahweh: “ele não tem capacidade para providenciar água no deserto”. Mas também leva o povo a não acreditar em si mesmo e na sua força, e a preferir soluções rápidas e fáceis: melhor voltar para o Egito do que lutar pela liberdade e pela vida.
Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF
Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló
Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA
Rua Tomas Edson, 212 – Bairro Santo Antônio – Porto Alegre RS
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO A

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA
Evangelho: Jo 9,1-41
Primeira Leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a
Segunda Leitura: Ef 5,8-14
Salmo: 23,1-6

O Evangelho
Já no prólogo do quarto evangelho, Jesus é apresentado como luz do mundo (Jo 1,4-9). Agora este tema é ilustrado de forma concreta. Mais do que pensar em cegueira biológica, deve-se ver no relato o confronto entre a luz (Jesus) e as trevas (adversários de Jesus: autoridades religiosas). No primeiro dia da criação, Deus criou a luz (Gn 1,3s). Mas esta luz foi ofuscada pelo pecado. A própria religião do AT era uma petrificação casuísta da Lei, da Profecia e da Sabedoria. Tudo isto deixava as pessoas na cegueira. Jesus, o logos de Deus é a luz definitiva que agora plenifica a luz iniciada no primeiro dia da criação. Em Jesus toda obra de Deus chega a sua realização total.
De acordo com Ex 20,2ss Deus castigava os pais nos filhos e netos. Os discípulos veem a deficiência física do cego como castigo de pecados, talvez praticados por antepassados deste homem. Esta visão, no entanto, é falsa. Jesus, a verdadeira luz, vem iluminar esta situação. A prática de Jesus se choca com a visão do AT. Ou seja, a Lei e a Sabedoria eram vistas como a luz dos israelitas. Mas no relato de hoje, a Lei (sábado) e a sabedoria (interpretação como castigo) são justamente o empecilho da verdade. Na realidade, são trevas e opressão. Jesus assume o lugar da Lei e da Sabedoria com sua luz e muda o cenário. Agora os representantes do AT entram em conflito com Jesus. A verdadeira luz ilumina os que a aceitam (Jo 1,11-12). A luta travada pelos representantes da Lei (sábado) com Jesus mostra a caducidade da compreensão empedernida de uma prática religiosa que já não pode iluminar as pessoas. Isto só acontece na pessoa e na prática de Jesus.
A liturgia do quarto domingo da quaresma coloca este relato, não para realçar um milagre no estrito sentido do termo, mas para preparar os catecúmenos que iriam ingressar na comunidade de fé. Todo candidato ao batismo deveria ver no relato a sua própria história. Antes da conversão era um cego condicionado por uma teologia ultrapassada (Ex 20,2ss – um Deus que castiga pais nos filhos), mas agora, mediante a palavra de Jesus, simbolizada na saliva, era recriado. A saliva de Jesus fez barro (cf. Gn 2,7), cria o homem novo e através da água do batismo (piscina de Siloé) leva o batizado a enxergar a verdade de Deus. Os novos membros da Igreja eram iluminados. Já não podiam mais estar nas trevas como antes do batismo. O evangelho os transformava em novas criaturas.
Mas agora inicia um novo capítulo: o iluminado já não é mais reconhecido e entra em choque com os valores tradicionais (sábado). Os batizados viviam novas maneiras que deixavam os de fora perplexos. Prova de que a evangelização e o batismo transformavam as pessoas. Agora, vivendo na luz de Cristo, a incompreensão se torna evidente. Os cristãos vivem na contracorrente da história. Os representantes do sábado (religião petrificada, mantenedora da cegueira) não suportam a vida nova em Cristo e perseguem os convertidos.
Relação com 1Sm 16,1b.6-7.10-13a
A lógica de Deus não é a lógica humana. Samuel tinha a missão de ungir um rei para Israel. Pensou no primogênito de Jessé, o mais forte, o mais astuto, o mais belo. Mas o escolhido foi o último, um adolescente, quase uma criança. A cegueira humana vê as aparências, julga a partir de critérios diferentes de Deus. Pedro pensava as coisas dos homens e não de Deus (Mc 8,32-33), os coríntios pensavam em milagres e belos discursos (1Cor 1,18ss), mas em todos estes acontecimentos, entra em cena a lógica de Deus que escolheu a humilde serva, menina virgem, como mãe de seu filho (Lc 1,26ss). Quem recebeu a luz de Cristo, como Samuel, como Pedro, como Paulo deve enxergar o mundo com outra luz. As pessoas verdadeiramente evangelizadas se baseiam em valores que a lógica meramente humana não consegue abarcar. Fica um apelo: o olhar cristão, iluminado pelo evangelho, pode se conformar com os valores que norteiam as relações comerciais e ideológicas deste mundo?
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO A
QUINTO DOMINGO DA QUARESMA
Evangelho: Jo 11,1-45
Primeira Leitura: Ez 37,12-14
Sl 130,1-2.3-4ab.5-6.7-8 (R.7)
Segunda Leitura: Rm 8,8-11

Jo 11,1-45
Curiosamente o sinal mais extraordinário realizado por Jesus é relatado somente por João. Surpreende o silêncio dos sinóticos sobre esse fato estrepitoso. João redige uma página estupenda de cristologia. O evangelista subordina a precisão factual da revivificação de Lázaro ao seu valor simbólico: Jesus se destaca em todo o relato; Lázaro não diz nenhuma palavra.
A estrutura do episódio: ambientação e personagens (v.1-6); encontro com Marta e Maria (v.17-27. 28-37); relato do sinal/milagre (38-44).
O centro conceitual da perícope está focalizado sobre a solene autorrevelação de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida” (v.25). Jesus se proclama a ressurreição personificada. O retorno de Lázaro à vida física assume um valor prenhe de significado: preludiava ao evento pascal e à ressurreição dos mortos, pela possessão da vida eterna. Este sinal representa o coroamento das “obras” de Jesus, Senhor da vida e da morte.
v. 3: “aquele que amas está doente”; v.36: “Como ele o amava”. O discípulo amado e Lázaro seriam a mesma pessoa?
v. 11: “Lázaro dorme”. No grego e no hebraico adormecer é um eufemismo para morrer. Mencionando sono, quando na realidade Lázaro está morto, Jo acentua o mal-entendido. Pode-se ver aqui uma sugestão de que Jesus oferece uma nova compreensão a respeito da morte.
Os v. 23-27 constituem o ponto central do relato. Jesus se apresenta como dispensador da vida escatológica comunicada desde agora aos que creem na sua palavra.
Note-se a passagem do futuro “viverá” (v.25) ao presente “vive” (v.26). No v.25 com as palavras “ainda que morra”, Jesus se refere à morte física de Lázaro, enquanto no v.26 fala da morte escatológica. Marta indica entender o verbo anastésetai (v.23) no sentido da escatologia judaica: na morte a pessoa desce ao Xeol, mas ressuscitará no último dia. Jesus ressignifica essa ideia para uma escatologia já realizada: ele mesmo é a ressurreição, anástasis (v.25). Quem nele crê já passou da morte à vida. A morte física é um fato secundário e transitório, o que importa é a vida eterna, que somente Jesus pode comunicar.
A revivificação de Lázaro constitui um sinal do poder de Jesus de doar a verdadeira vida a quantos creem no seu nome, contexto que deve ser relacionado com a realidade do fim dos tempos, quando os mortos escutarão a voz do Filho de Deus (5,25.28).
A ressurreição e a vida eterna são dons eminentemente escatológicos; no entanto são parcialmente antecipados aos que creem em Jesus. Quem está unido a ele através da fé, já participa à vida divina, que lhe consentirá de fugir da morte eterna. A resposta de Marta (v.27) representa uma profissão de fé cristológica.
O diálogo entre Marta e Jesus antes do sinal/milagre oferece a chave para avaliar a importância dos milagres: Marta confessa que Jesus é o Filho de Deus que devia vir ao mundo, antes ainda que Jesus cumpra o milagre. Por isso representa o ideal da pessoa de fé que acredita sem ter visto (1,34 e 20,29). Outros creem somente depois do milagre. A importância do sinal/milagre é confirmada por uma forte tensão literária que se exprime nas atitudes de todos aqueles que fazem parte dela: os sentimentos das duas irmãs, a comoção de Jesus, a admiração dos presentes…
Pode-se comparar, ainda, Jo 11,27 com Mt 16,16-17. Em Mateus, a profissão de fé está na boca de Pedro. Em João, a confissão de fé está na boca de Marta.
v. 28-37 A descrição do encontro de Jesus com Maria, segue em forma reduzida aquele com Marta. O verbo “consternou-se” (enebrimésato, v.33) indica a sua cólera contra os poderes da morte; “perturbado” (etáraxen heautón v.33) exprime a agitação no seu espírito e a profunda comoção diante da tumba de Lázaro. O pranto de Jesus é assinalado por Jo somente aqui e por Lc 19,41 quando chora sobre a cidade de Jerusalém.
v. 38 A tumba de Lázaro consistia numa gruta natural, fechada por uma pedra. Não existiam cemitérios públicos.
V. 41-42 A descrição do sinal é extremamente sóbria. Jo quer concentrar a atenção do leitor/ouvinte sobre seu significado cristológico. Jesus “ergueu os olhos para o alto”, um gesto habitual em Jesus (cf. 17,1; Mc 6,41) para indicar a fonte da onde provinha seu poder taumatúrgico: da comunhão de vida e unidade de ação com o Pai. Ele não o invoca para obter o milagre, mas para agradecê-lo, havendo a certeza de ser atendido: “Pai dou-te graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves” (v.41).
v. 43-44 Jesus com um comando solene (gritou) restaurou a vida física a Lázaro, como sinal do seu poder de dar a vida eterna a quem nele crê. O verbo “gritar” kraugázein, que só aparece uma vez em Mt 12,19 e uma vez em Lc 4,41, é usado seis vezes por João. Quatro dessas seis ocorrências descrevem os gritos da multidão que quer crucificar Jesus. Que contraste entre o grito da multidão que pede a morte de Jesus e o grito de Jesus que restitui a vida a Lázaro! É desconcertante a veracidade com a qual é descrita a decomposição do cadáver (v.39) e a saída de Lázaro do sepulcro, envolto em faixas e panos.
A revivificação de Lázaro evidencia a filiação divina de Jesus. A realização deste sinal constitui o ponto de partida dos vários acontecimentos que conduzirão à morte de Jesus (11,45-54), ou seja, sua glorificação na cruz. O relato no evangelho de João manifesta que a todos os que creem será oferecida a possibilidade de partilhar da sua ressurreição, visto que, pela cruz se efetivará a manifestação da glória escatológica.
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL ANO A - DOMINGO DE RAMOS
Evangelho: Mt 21,1-11; 26,14-27,66.
Primeira Leitura: Is 50,4-7
Segunda Leitura: Fl 2,6-11
Salmos: 22,8-9.17-18.19-20.23-24 (R 2a).

A narrativa da Entrada em Jerusalém (Mt 21,1-11)
Esta narrativa é uma ponte entre o bloco de perícopes que marca o caminho para Jerusalém com seus anúncios da paixão (sendo que o terceiro e último está em 20,17-19) e o confronto entre o projeto de Jesus e os poderes de morte, este evidente nas duas perícopes seguintes (21,12-17 e 18 a 22). Embora haja um clima festivo, na narrativa se desenha o conflito, ou se abre a questão: que (rei) é este? (cf. 21.10; também presente no diálogo final entre Pilatos e Jesus, cf. 27,11). A referência direta ao “rei pobre” da profecia de Deutero-Zacarias (9,9-10), marca a tensão entre o poder representado por Jesus e os poderes presentes em Jerusalém (Sinédrio/Templo, Pilatos e Herodes Antipas/ Império).
21,1-7 – Jesus planeja a estratégia de chegada em Jerusalém e, portanto, quer intencionalmente ser esse “rei” pobre de quem fala a profecia, enquanto os discípulos são agentes da missão (muito claro no uso do mesmo vocábulo “ide” (poreuthentes) que em 28,19.
21,8-9 – Apresenta a atitude da “maior parte da multidão” (ho de pleistos oxlos), que celebra e se manifesta, mostrando que não havia uma “unanimidade”.
21,10-11 – A entrada em si, passa a sinalizar “toda a cidade” (passa polis) que questiona a mobilização popular perguntando: “quem é este?” (21,10) enquanto, do outro lado, as multidões o aclamavam como profeta (21,11).
No centro (21,8-9) está a festa e mobilização da esperança do povo gritando “hosana”! Um grito popular que expressa as dores e todos os desejos do povo oprimido. A palavra em si é uma corruptela da expressão presente no Salmo 117/118,25 em hebraico, hoshia’h na’: “Salva-nos! Liberta-nos!”. O povo pobre, o povo que busca justiça na porta da cidade, o povo peregrino, vendo a profecia sendo cumprida grita por libertação e salvação. Este é o mesmo clamor do Êxodo (Êx 2,23;3,7.9).
A primeira parte (21,1-7) mostra que Jesus tem um projeto que envolve as pessoas que o seguem como sujeitos históricos e que vai ao encontro da esperança e do clamor popular. A última parte (21,10-11) mostra que, embora os poderes dominantes (toda a cidade) questionem a legitimidade da intervenção histórico-profética de Jesus, o povo que o ocupa a cidade com ele sabe quem ele é e o que representa. O que não impede que o povo também seja manipulado durante o julgamento público (27,20).
Narrativa da Paixão e Sepultamento (26,14-27,66)
Em geral 26,14 até 27,56 é considerado um conjunto. Já os últimos dez versículos (27,57-66) seria uma narrativa a parte.
Tudo gira ao redor da forma injusta e traiçoeira como agem os poderes de morte, não apenas com Jesus, mas com todas as pessoas compradas e manipuladas. Desde esse momento a paixão de Jesus é a paixão da Igreja Profética perseguida pela causa do Evangelho.
Os últimos dez versículos 27,57-66, apresentam uma ênfase diferente. O amor e a solidariedade voltam a cena em contraste com a tortura e a violência. Na figura de um rico, religioso, convertido se mostra um novo mundo possível. Mas, o que une ambos os relatos é a presença das mulheres! Elas são o fio condutor! Elas são as grandes testemunhas e sinal da resistência (cf. 27,55-56.61 e 28,1).
Conexão com as outras leituras do Domingo
A leitura de Deutero-Isaías 50,4-7 (segunda parte do Livro do Profeta Isaías escrito no final do Exílio Babilônico; Is 40-55) é um dos Cânticos do Servo Sofredor. Esta figura foi o instrumento simbólico para articular a resistência contra os opressores babilônicos e preparar um novo tempo de consolação e vida após o exílio. O Cântico dá sentido ao sofrimento, que deixa de ser passivo para ser ativo e fermentador de uma nova realidade. São “palavras para quem sofre o cansaço” da opressão e da violência (50,4). A leitura de Filipenses é outro cântico da igreja dos primeiros tempos resgatado nesta carta paulina. Ali Jesus se esvazia de pode (kenosis) para gerar um novo povo de resistência contra a morte. Mostra como os cânticos são instrumentos poderosos de unidade e resistência, assim foi que Jesus e as pessoas que celebraram com ele a Eucaristia, saíram para enfrentar a morte! (Mt 26,30).
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SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS  PARA A LITURGIA DOMINICAL ANO A

QUARTO DOMINGO DO ADVENTO

Evangelho:  Mt 1,18-24 Primeira Leitura: Is 7,10-14 Segunda  Leitura: Rm 1,1-7 Salmo: 23,1-6

Mt 1,18-24 está no Prólogo deste Evangelho. Embora existam diferentes interpretações da extensão deste prólogo (incluindo apenas os primeiros dois capítulos ou indo até 4,16), não cabe dúvida de que Mt 1-2 é uma unidade. O texto é uma inclusão da comunidade de Mateus que, se acredita, venha da memória ou tradição oral, isto é, da preservação da memória comunitária que proclamou a identidade de Jesus como “Cristo” (Mt 1,1 e 1,18). Outro paralelo importante entre a perícope deste domingo e a genealogia com que abre o Evangelho (1,1-17) está no uso do substantivo genesis (origem), autorizando a interpretar um texto à luz do outro. Este texto mostra como a comunidade de Mateus – formada por sobreviventes da repressão romana contra a revolta judaica de 70 d.C, em Jerusalém -  preocupa-se em afirmar que Jesus cumpre as profecias do Primeiro Testamento e que dá um novo sentido à lei (Toráh), o que alguns comentaristas qualificam como um “novo Moisés”.  O texto apresenta uma estrutura em que estas dimensões estão bem evidentes, colocando Maria e sua gravidez como centro, a partir do que tudo é transformado:

* 1,18 – Título e contexto existencial e legal em que se apresenta a gravidez de Maria e sua relação com José.

**1,19-20a – Apresenta de José – apontando para sua descendência davídica que é importante no sentido do cumprimento da profecia – e o qualifica como “homem justo”, demonstrado isto na forma digna com que pretendia resolver o problema.

1,20b-21 – Apresentação da situação de Maria em sonho, aludindo ao espírito profético transcendental – isto é, além do mero cumprimento da lei – que envolve sua gravidez e o futuro nascimento de Jesus, pela ação do Espírito Santo.

**1,22-23 – O cumprimento da profecia, seguindo a fórmula “como disse o profeta” (tou profetou legontos) igual que como o faz em 2,15.17;   3,3;4,14;8,17;12,17;13,35;21,4;27,9.

*1,24-25 – Novo contexto marcado pelo cumprimento da profecia de Jesus.

A estrutura tem como centro 1,20b-21. A ação divina tem por finalidade vencer o medo, usando a fórmula “não temas” (cf. Mt 10,26, “portanto, não tenhais medo deles”). A mudança de atitude, da situação de exclusão para o acolhimento de Maria, é o movimento pelo qual o povo pecador será salvo.  A Primeira leitura: Is 7,10-14 Este é um texto do chamado “Isaías Histórico”, cujo legado profético está fixado dentro do conjunto formado pelos primeiros 39 capítulos do livro. Isaías, que atua nos anos que antecedem ao cerco do Império Assírio a Jerusalém (701 a.C.) é uma pessoa próxima à corte e ao Templo, muito provavelmente um sacerdote e conselheiro do rei, que se pronuncia durante a reforma de centralização religiosa promovida pelo rei Ezequias (cf. 2 Rs 19,20-34). Ele é contemporâneo de Miquéias tendo, inclusive, um texto em comum (Mq 4,1-4 e Is 2,1-4). A vocação de Isaías acontece dentro do Templo (Is 6,1-6), mas anuncia o fim da violência dos impérios e da subserviência dos governantes de Israel. Neste texto o alvo é o sucessor de Ezequias, o rei Acaz, que insiste em seguir o caminho que balança entre subserviência e violência. A paz se anuncia através de uma virgem (em hebraico pode ser “moça”, alemah) que conceberá “Emanuel” (Deus-conosco). A mulher, e especialmente mulher jovem, que era vista como uma mercadoria (cf, Ct 8,8-9), ou como ameaça sedutora (Pr 30.19), aqui aparece como protagonista do caminho da Paz. A mulher jovem, geradora desta criança/promessa, é sujeito de um novo tempo de esperança.

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana: Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló Edição: Dr. Vanildo Luiz Zugno Disponível em: www.tuaradio.com/noticias/religiao/liturgia

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1º DOMINGO DO NATAL – FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA Evangelho: Mt 2,13-15.19-23 Primeira Leitura: Sir (Eclo) 3,3-7.14-17a Segunda Leitura: Cl 3,12-21 Salmo: 128,1-2.3.4-5  Mt 2,13-15.19-23 1 – Situando o texto: O texto está teologicamente construído sobre o pano de fundo do Antigo Testamento. Um novo Êxodo inicia. Em Jesus as Escrituras se realizam (vv.15.17.23): a perseguição e a fuga para o Egito lembram o nascimento de Moisés (Ex 2,1ss). A matança dos meninos lembra Ex 1,15ss. Como nesta ocasião, diante da morte dos recém-nascidos, Moisés conseguiu ser salvo, também Jesus não é trucidado por Herodes. A fuga para o Egito também tem por base a fuga de Moisés diante da ameaça de faraó (Ex 2,14-15) e sua volta, depois da morte do mesmo (Ex 4,19ss). A volta do Egito lembra também Os 11,1 (Jesus é filho de Deus e ao mesmo tempo, personificação do povo de Deus). Há controvérsias sobre o v. 23, o nazireu/nazoreu. Para alguns biblistas, seria uma referência ao juiz Sansão, que em Jz 13,5-7 é chamado de nazireu, que significa separado, ou consagrado (cf. Nm 6,2), ou ainda no rebento de Is 11,1 (nazir). Pode, também ter algo a ver com a residência, agora, em Nazaré, daí nazireu, talvez corruptela de nazareno.  A morte de Herodes, pelos conhecimentos atuais, é fixada para o ano 4 a.C. Isto aponta para o fato de Jesus supostamente ter nascido uns 6 ou 7 anos antes da data hoje celebrada. A figura de José liga o menino com a dinastia de Davi para se realizar a promessa de Deus à descendência deste rei (2Sm 7,11ss). Jesus, Maria e José, como outrora a família de Jacó migrou para o Egito (Gn 46,1ss), também migram para esta terra. Ao retornar para Israel, a sagrada família lembra o retorno dos israelitas à Terra Prometida, depois da estadia no Egito (Js 2,1ss). Assim, o início da vida de Jesus é ilustrado com as cores do início do povo de Israel. O que no antigo povo foi pré-anunciado, vai se realizar plenamente na pessoa de Jesus. Jesus é visto como o novo Moisés que trará a nova lei e formará o novo povo de Deus (Mt 5-7). É  também  o  descendente  de  Davi,  o  primeiro  grande  rei  que  unificou  Israel.  Assim Israel  que  refaz  a  história  do  antigo  povo  de  Deus e  a  leva  à  plenitude mas plan tada  sobre  a  história do povo de  Israel. Levando em  conta todos  estes dados, deve. Jesus  é  a  total  novidade, se  afirmar: muito mais do que  uma crônica  histórica  do nascimento  de  Jesus,  que  nos  tempos  de  Mateus  certamente  não  era  conhecida,  está  aqui  um tratado  teológico,  ou  cristoló gico  da  novidade  trazida  por  Jesus,  desde  sua  origem.  Como,  outrora, o povo de  Israel, perseguido, oprimido, com Deus  faz  o caminho de  libertação, agora  Jesus que irá formar  o  novo  povo  de  Deus,  passará  por  situações  iguais,  e  no  germe  desta  nova  realidade caminho  da  libertação,  da  escravidão,  do  pecado  e  da  morte.  Podetem  o se  então  afirmar,  o  que  se experimentou  na  história  do  povo  de  Israel  de  forma  incipiente,  desde  a  origem,  vai  se  realizar com  plenitude  na  pessoa  de  Jesus  e  do  novo  povo  que  ele  forma rá:  a  Nova  e  Eterna  Aliança.  Ou seja,  velho  povo  dará  lugar  ao  novo  povo  (Mt  21,4143).  Segundo  a  cristologia  de  Mateus,  este menino é  o messias, pois nele  se realizam plenamente as profecias do AT. 2 Relacionando com  Sir 3,3 Deus,  ao  se  encarna7.14,17: r  na  história  humana,  realizando  os  desígnios  já  antevistos  no  AT,  quis precisar  de  um  homem  e  uma  mulher.  Em  outras  palavras,  tudo  isto  se  realizou  numa  família.  Nos planos  de  Deus,  para  as  novas  gerações,  que  devem,  hoje  e  no  futuro  realizar  o  reino  inst aurado por  Jesus,  a  família  tem  um  papel  fundamental.  Como  no  passado,  Deus  quis  contar  com  a participação  de  homens  e  mulheres  para  realizar  seus  desígnios  eternos,  agora,  na  pessoa  de  Jesus, novamente  um  homem  e  uma  mulher  são  escolhidos  para  levar  a  efe ito  o  que  Deus  quer  realizar em  Jesus.  A  sagrada  família,  é  por  excelência,  o  lugar  da  realização  do  início  da  nova  história  do povo  de  Deus.  Por  isto  mesmo,  na  liturgia  da  Igreja,  José  e  Maria,  com  Jesus,  têm  um  papel  de destaque.  Se,  por  um  lado,  toda  es ta  novidade  se  realiza  na  pessoa  de  Jesus,  por  outro  lado,  José  e Maria, formam com ele  a  família  onde  Jesus pode realizar os desígnios do Pai.

Subsídio  elaborado  pelo  grupo  de  biblistas  da Escola  Superior  de  Teologia  e  Espiritualidade  Franciscana Dr.  Bruno  Glaab Me.  Carlos  Rodrigo  Dutra Disponível  em: Dr.  Humberto  Maiztegui Me.  Rita  de  Cácia  Ló www.tuaradio.com

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE  FRANCISCNA Rua  Tomas Edson,  212 Bairro  Santo  Antônio www.estef.edu.brPorto  Alegre  RS estef@estef.edu.br Fone:  5132  17  45  67 facebook.com/estef Whats:  51991  07  26  40 Este  texto  pode ser  compartilhado  e  reproduzido  com  a  devida  indicação  dos  autores.

 

 

Segundo Domingo do Natal – Festa da Epifania do SenhorEvangelho: Mt 2,1-12 Primeira Leitura:  Is 60,1-6Segunda Leitura:  Ef 3,2-3a.5-6Salmo: 71,1-2.7-8.10-13.Mt 2,1-12O texto do evangelho que lemos hoje inicia com uma informação de lugar: Belém e de tempo: notempo do rei Herodes governou a Judeia entre 44 a 4 a.C. Herodes era um representante romano,conhecido como hábil político e por suas crueldades. A semelhança de Mateus 2 com Ex 1,8–2,10é gritante: o grande Herodes e toda Jerusalém temem o menino recém-nascido, tal como o faraó etodo o Egito, que temiam os recém-nascidos dos hebreus; Herodes trama a morte de crianças erepete a decisão assassina do Faraó.Os magos do Oriente eram membros da classe sacerdotal persa, que servia ao soberano. Issoexplica por que, ao chegarem à capital da Judeia, tenham se dirigido Herodes.Propositalmente, o texto apresenta uma série de contrastes: o Rei Herodes e o rei dos judeus; agrande Jerusalém e a pequena aldeia de Belém; os magos vindos do Oriente e os sumos sacerdotese escribas de Jerusalém; Herodes dizer querer prostra-se diante do menino, os magos efetivamentese prostram; os magos encontram o menino, Herodes não; os magos oferecem ao menino o que têmde mais precioso, Herodes oferece ao menino o que tem de pior; os tesouros dos magos são para avida, o presente de Herodes é a morte. As autoridades de Jerusalém não perceberam o que ospagãos enxergaram: o nascimento do novo rei. Isso provoca uma ironia no texto: os pagãos vêm aJerusalém anunciar o nascimento do messias salvador dos judeus. Vimos sua estrela no Oriente: A estrela alude a Nm 24,17: Surgirá uma estrela de Jacó e surgiráum cetro em Israel. Por trás, está uma crença popular no mundo antigo, segundo a qual osurgimento de uma estrela é associado ao nascimento de um grande líder (político ou religioso):esta estrela iluminaria a criança por toda a vida; quanto mais poderosa uma pessoa, mais brilhanteera sua estrela. Em Mateus, a estrela não é apenas uma metáfora do Messias. Ela guia os magos e, assim, ela setorna sinal de Deus. A manifestação da estrela não é uma visão particular: ela está à vista de todosque querem enxergar no caso os pagãos. Então, a questão é: os habitantes de Jerusalém não viram aestrela, ou não quiseram ver?Mas o curioso é que, quando os magos entram em Jerusalém, eles deixam de enxergar a estrela: elasó reaparece a eles quando saem do círculo do poder, quando abandonam seus velhos conceitos eas ideias seguras sobre onde está a verdade.

Os magos afirmam: viemos nos prostrar diante dele. O termo prostrar-se expressa, primeiramente,a fidelidade a Deus (Ex 20,5). Mas é também um termo politico: curvar-se ou prostrar-se é formacorreta de cumprimentar um soberano. Os magos não se prostraram diante de Herodes, e simdiante de Jesus: isso indica qual rei eles reconhecem como legítimo.O texto de Mateus também é rico em detalhes, e é necessário lê-lo em si mesmo, sem corrigi-locom a versão de Lucas. No texto de Mateus, Jesus não nasce numa gruta nem está numamanjedoura, não há pastores nem anjos. Significa que o nascimento de Jesus ocorre numa pequenacidade, não no campo. E, mais ainda, que José e Maria estão em sua casa, isto é, não estão emviagem por causa de um recenseamento, como em Lucas. Em Mateus, Jesus nasce numa casa e, nesta casa, os magos veem o menino e sua mãe. O texto nãofala de José. Este novo detalhe pinta a seguinte cena: o rei, em seu trono, com a rainha-mãe, à suadireita (1Rs 2,19). Em outras palavras, esses três elementos: a casa, o menino e a mãe remetem aocenário da monarquia, e os pagãos que chegam dizem explicitamente o objetivo de sua viagem:vieram prostrar-se diante do novo rei. Os dons que trazem não são presentes para um recém-nascido. O gesto de prostrar-se e o tipo de presentes ouro, incenso e mirra, citados nesta exata ordem, têm a ver com o costume dos tempos antigos no Oriente: uma vez por ano ou, quando o novo rei assume o trono, os governantes dos povos dominados deveriam apresentar-se diante o soberano e prestar um juramento de submissão efidelidade, bem como pagar tributos. Deste modo, cumpre-se a profecia da primeira leitura de hoje e do salmo responsorial.

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas daEscola Superior de Teologia e Espiritualidade FranciscanaDr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de CáciaLóEdição: Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNARua Tomas Edson, 212 – Bairro Santo Antônio – Porto Alegre RSwww.estef.edu.br     estef@estef.edu.br     facebook.com/estefFone: 51-32 17 45 67     Whats: 51-991 07 26 40Este texto pode ser compartilhado e reproduzido com a devida indicação dos autores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFLEXÕES LITÚRGICAS de Pe Gilvan

sábado, maio 9th, 2020

 REFLEXÕES de Pe. Gilvan  Leite  de  Araujo

 

13o Domingo do Tempo Comum

O capítulo 10 de Mateus apresenta o discurso missionário. Na liturgia, este capítulo é apresentado respectivamente na 11a, 12a e 13a semana do Tempo Comum. Portanto, estamos refletindo a terceira parte. Na primeira parte (Mt 10,1-8: 11o Domingo do TC) Jesus nomeia os 12 Apóstolos, estabelecendo vínculo entre a sua missão e a missão da Igreja após a sua ressurreição (cf. Mt 28,16-20). Na segunda parte (Mt 10,26-33: 12o Domingo do TC) Jesus alerta os discípulos para os desafios da missão e para as perseguições que enfrentaram, mas que estarão seguros nas mãos de Deus, portanto, não temer. O maior desafio se apresenta na liturgia de hoje (Mt 10,37-42: 13o Domingo do TC), ou seja, o seguimento exige opção radical, não existe meio termo. disto deriva a ideia de martírio, não como consequência (derramamento de sangue), mas como opção radical. Lógico que opção radical não significa, em hipótese alguma, fundamentalismo, mas plena entrega à missão por causa do Senhor. Tal radicalidade implica até laços de família, que exigirá difícil escolha. Mas a generosidade no optar pelo seguimento resultará na sua recompensa. Além disso, quem fizer a opção radical pelo seguimento se tornará “um homem de Deus”, motivo pelo qual, quem o receber, receberá o próprio Deus em sua casa (pôde-se ilustrar a narrativa Lucana, quando Isabel recebe Maria em sua casa). Está última parte é ilustrada pela 1a Leitura de hoje (2Rs 4,8-11.14-16a), quando um bondoso casal de Sunam recebe Eliseu em sua casa de forma bondosa e desprendida. Apenas o recebe por ser um “santo homem de Deus” e lhe oferece abrigo e proteção. No Quarto Evangelho, as narrativas dos irmãos Lázaro, Marta e Maria (Jo 11-12) possuem a mesma configuração. Os dois casos apresentam a bondade de receber despretensiosamente “um homem de Deus”, o que resultará num gesto de bondade por parte dos próprio Deus. A segunda leitura (Rm 6,3-4.8-11) descreve a essência do seguidor. Este vive a “radicalidade batismal”, no qual renuncia a tudo, para ser todo de Deus, que Paulo descreve em termos de rompimento com o Diabo e plena aceitação por Deus. Paulo, em Rm 6, apresenta um paralelismo antagônico entre a opção por Deus ou pelo Diabo, e tal opção implica em colocar o corpo/membros como instrumentos/armas para a graça ou para o pecado, cujo resultado será a vida eterna ou a morte eterna. Tal radicalidade de opção ilustra a narrativa do Evangelho, no qual aquele que deseja seguir o Cristo deverá fazer uma opção fundamental e tudo mais (família e bens) virá como acréscimo. Quem optar pelo /senhor se tornará “um santo homem de Deus” e quem o receber, como no caso do casal de Sunam, cuja riqueza era fruto de justiça colocado a serviço dos outros (façamos um quarto), receberá o próprio Deus em sua casa, junto com suas bençãos: “no próximo ano terás um filho nos braços”. (P. Gilvan) Louvado seja NSr Jesus Cristo.

 

Solenidade de Pentecostes

Evangelho: Jo 20,19-23
Primeira Leitura: At 2,1-11
Segunda Leitura: 1Cor 12,3b-7. 12-13
Salmo: 104,1ab+24ac. 29bc-30. 31+34 (R. 30)

Sobre a solenidade de hoje vamos fazer sete reflexões:
1. Por quem foi enviado?
2. Quantos modos?
3. Quando foi enviado?
4. Quantas vezes foi enviado?
5. Sobre quem foi enviado?
6. Por que foi enviado?
7. Por qual meio foi enviado?

Primeira meditação.

Sobre por quem foi enviado? O Evangelho de João nos diz, que foi enviado pelo Pai: “O Paracleto, que é o Espírito Santo, será mandato pelo Pai em meu Nome” (Jo 14). Também por Jesus: “Eu o enviarei a vocês” (Jo 16).

O enviado recebe três coisas:

  • sua condição (tal como um raio enviado pelo sol);
  • sua força (tal como a flexão disparada pelo arqueiro);
  • e sua autoridade (tal como o mensageiro enviado pelo seu superior).

O Espírito é enviado, assim, pelo Pai e pelo Filho, nos quais residem a condição, a força e a autoridade. Contudo, o próprio Espírito Santo também se deu e se enviou, como afirma Jo 16 dizendo: “Quando o Espírito da verdade tiver vindo”.

Além do mais, visto que o Espírito Santo é Deus, pode-se dizer que ele se dá a si mesmo. A este sentido Sto. Ambrósio diz: “A glória de sua divindade é manifestamente provada por quatro meios: sabe-se que ele é Deus, ou por não ter pecado, ou porque perdoa o pecado, ou porque não é uma criatura, mas sim Criador, ou, enfim, porque não adora, mas é adorado”.

Santo Agostinho diz que Deus nos deu tudo o que tem: deu seu Filho, como preço de nossa redenção, o Espírito Santo como privilégio de nossa adoção e reservou a si mesmo, por inteiro, como herança da nossa adoção.

O Filho também nos deu tudo o que possuía, conforme diz São Bernardo: “Ele é pastor, pasto e redenção. Ele nos deu sua alma como resgate, seu sangue como bebida, sua carne como alimento e sua divindade como recompensa. Da mesma forma, o Espírito Santo gratificou-nos com todos os dons e nos dá a si mesmo como Dom inefável.

Segunda meditação.

Sobre quanta maneiras o Espírito foi enviado. São Bernardo diz que ele se mostrou sob cinco formas: a) forma de pomba, como encontra-se no relato do batismo do Senhor (Lc 3); sob forma de uma nuvem luminosa, no momento da transfiguração (Mt 16); sob forma de um sopro: Jesus soprou e disse: recebei o Espírito Santo… (Jo 20); sob forma de fogo e sob a forma de língua (as duas últimas, como encontra-se em Atos 2).

O Espírito Santo enviado sob forma de pomba, evoca que esta geme em vez de cantar, ora o Espírito Santo ao penetrar em nossos corações, nos faz gemer diante dos nossos pecados como afirma Is 59: “suspiramos como pombas” e a Epístola aos Romanos, no qual o Apóstolo diz que o Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis (Rm 8). Como nuvem para nos refrescar e dar-nos água e como real presença de Deus. Além do mais, quando a água da chuva penetra o solo, faz germinar todas as plantas, o Espírito quando derrama seus dons sobre nós faz germinar coisas inefáveis de nossos corações.

Terceira Meditação.

Quanto ao momento o qual foi enviado. Sabemos que foi 50 dias após a Ressurreição do Senhor, para demonstrar que do Espírito Santo vem a perfeição da Lei, a recompensa eterna e a emissão dos pecados. Assim como a primeira Lei foi dada após 50 dias da saída do Egito, a nova Lei foi dada após o homem se tornar livre da morte e do pecado pela ressurreição de Jesus. Além do mais, está nova Lei é perfeita e eterna. A primeira Lei foi dada no monte Sinai e a segunda, no Monte Sião. A primeira Lei foi dada no pico da montanha, a segunda no cenáculo. A primeira Lei foi dada à Moisés, a segunda aos Apóstolos. A primeira Lei eram regras a serem observadas, a segunda Lei foi inscrita nos nossos corações por meio do Espírito Santo, por isso, é a Lei do amor.

Quarta Meditação.

Quantas vezes foi dada? Três vezes:

  • antes da paixão,
  • após a ressurreição e
  • depois da ascensão.
  •   A primeira vez, para permitir fazer milagres (Jo 19),
  •    a segunda vez, para remir os pecados (Jo 20) e
  •    a terceira vez para nos enviar em missão (At 2).

Quinta Meditação.

Sobre quem foi enviado? Trata-se dos discípulos que por qualidades eram ambientes puros e preparados para receber o Espírito Santo.

  • Primeira qualidade: tinham paz de espírito. Profeta Isaías diz: “sobre quem repousará meu espírito. Sobre os humildes e pacíficos” (Is 32,15-18; 57,15).
  • Segunda qualidade: eram unidos nos laços do amor.
  • Terceira Qualidade: estavam em lugar a parte, reservado, como diz profeta Oseias: “eu o conduzirei na solidão e lhe falarei ao coração” (Os 2).
  • Quarta qualidade. Eram assíduos a oração. Para receber o Espírito Santo é necessário estar em oração, como diz o livro da Sabedoria: Invoquei e o espírito da sabedoria veio sobre mim” (Sb 7) e Jesus: “Pedirei ao meu Pai que vos envie outro Paracleto” (Jo 14).
  • Quinta qualidade. Eram dotados de humildade: “meu espírito repousará sobre os humildes”.
  • Sexta qualidade. Estavam em paz. Quando Jesus ressuscita, saúda os apóstolos dizendo: “a paz esteja convosco e em seguida soprou sobre dizendo: recebei o Espírito Santo” (Jo 20).
  • Sétima qualidade. Eram elevados em contemplação pelo fato de terem recebidos o Espírito Santo.

Sexta Meditação.

Por que foi enviado? Sobre isto existem seis causas:

  1.  Foi enviado para consolar;
  2.  Para ressuscitar dos mortos;
  3.  Para santificar;
  4.  Para consolidar no amor;
  5.  Para salvar os justos;
  6.  Para instruir os corações.

Sétima meditação.

Por qual meio foi enviado? Por três meios:

  1. Por meio da oração;
  2. Por meio da escuta da palavra do Senhor;
  3. Por meio da caridade. Os apóstolos eram unânimes na oração, na escuta da palavra e na caridade.

O Espírito Santo foi enviado como línguas de fogo, porque o fogo está sempre em movimento (assim quem está repleto do Espírito Santo está sempre em ação para fazer o bem); o fogo é o que menos pertence à matéria e está sempre mudando de forma; o fogo abate o que eleva, tende a se elevar, reúne e congrega fluidos. O fogo manifesta assim a força do amor, como diz Dionísio: ele tem uma força inclinadora, uma elevadora é uma coordenadora. A inclinadora traz as coisas superiores ao plano inferior; a elevadora eleva as coisas inferiores às superiores, a coordenadora coloca no mesmo plano as coisas semelhantes.

Louvado seja N.Sr. Jesus Cristo!

 

Solenidade da Ascensão do Senhor

24/05/2020

Evangelho: Mt 28,16-20
Primeira Leitura: At 1,1-11
Sl 47,2-3.6-7.8-9 (R.6)
Segunda Leitura: Ef 1,17-23

A Solenidade da Ascensão do Senhor, desde o princípio da Igreja celebrada como a “Quadragésima”, entra para o calendário litúrgico por volta do séc. IV d.C. A ideia da Solenidade da Quadragésima está vinculada à 1a Leitura de hoje: “foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois da sua paixão… durante quarenta dias…” (At 1,3). A Quadragésima criava o vínculo com a “Quinquagésima” (= Pentecostes) na qual a Igreja celebra a Descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. A partir deste contexto se deve levar em consideração que a liturgia cristã estabelece uma ponte entre Domingo de Páscoa e Domingo de Pentecostes (=início e conclusão do tempo Pascal). Contudo, no Evangelho de hoje, Jesus estabelece uma condição: é preciso que o Ressuscitado “ascenda” aos céus para que o Espírito “desça”. Este movimento fica marcado pela Ascensão de Jesus e Domingo de Pentecostes.

Liturgicamente a solenidade de hoje sempre foi acompanhada pelos Salmos 46 e 47 que proclamam a realeza divina e sua ascensão ao toque de trombetas.

A particularidade da solenidade é sobre o local da ascensão através das discrepâncias das narrativas: na narrativa lucana, a ascensão ocorre na cidade de Betânia, nas proximidades de Jerusalém (Lc 24,50), enquanto na narrativa mateana, a ascensão ocorre na região da Galileia.

Independente do local da ascensão, as narrativas são concordes sobre a missão de anuncio, seguido de batismo em nome da Trindade que se deve propagar sobre toda a terra. Tal missão será guiada pela assistência do Espírito Santo a ser enviado após a sua ascensão.

Outra ideia que acompanha a solenidade de hoje é sobre o retorno do Senhor e a manifestação da sua Glória, o qual fica reservado única e exclusivamente ao Pai o “tempo” e a “hora”. Deste modo a Igreja jamais pode se prender sobre especulações apocalípticas de fim de mundo, mas estar atenta ao tempo presente com sua problemáticas e seus desafios, além de evitar qualquer tipo de angelismo abstrato. De fato, a missão e a preocupação da Igreja (Carta aos Hebreus) é com a pessoa humana (At 1,10: “homens da Galiléia, por que ficais aqui parados…”).

Uma curiosidade: o estar sentado a direita do Pai (cf. Ef 1,20) provem da tradição da Babilônia e da Persia. O sistema de governo destes se dava através do chamado “Grande Conselho” no qual o “Grande Rei” presidia o conselho do demais reis. O estar sentado à direita indica igualdade de poder nas decisões e ações (cf. Ap 3,21; 4,2-4.10-11). Assim, a 2a Leitura de hoje descreve a majestade de Jesus à direita do Pai, ambos exercendo o domínio sobre todo o criado. Contudo, não se trata de poder de opressão, mas de cuidado.

No conjunto das leituras de hoje, a solenidade evoca a ideia de que Jesus é o “vencedor”, de onde provêm a ideia de Evangelho e Evangelizador, ou seja, anúncio de vitória. Tal vitória se estende sobre todos aqueles que abraçarem o Reino proposto por Deus, no qual Ele é o soberano Justo é Fiel. Além disso, o anúncio desta “esperança” (=vida eterna) será guiada pela Potência do Alto (= Espírito Santo).
O anúncio será da “Vitória” de Jesus e da Esperança para aqueles que abraçarem esta verdade.
Louvado seja N.Sr. Jesus Cristo!

Sexto  Domingo  da  Páscoa Ano  A

17/05/2020

1ª Leitura – At 8,5-8.14-17; 2ª Leitura – 1Pd 3,15-18; Evangelho – Jo 14,15-21

Neste domingo a Igreja se coloca em preparação da Ascensão de Jesus e da Descida do Espírito Santo, completando, assim, o Tempo Pascal.

A tônica da reflexão se encontra, ainda, na narrativa do Testamento de Jesus (Jo 13-17) e o acento recai sobre a Promessa do Espírito Santo, que virá como “Defensor” (=Paráclito). Algumas vezes descrito como consolador. Porém, não é uma tradução adequada para a perspectiva joanina. De fato, Jesus também é descrito como Paráclito (1Jo 2,1). Assim, tanto Jesus como o Espírito Santo assumem a função de “advogados de defesa” junto ao Pai, segundo as prerrogativas da Lei Judaica, enquanto o diabo assume a função de “advogado de acusação” (Cf. Ap 12,10). Em todo caso, Jesus e o Espírito Santo assumem a missão de defensores. Além disso, temos garantia, porque ambos são “verdade”, portanto a nossa causa está garantida por Jesus que é “Caminho, Verdade e Vida” (= Plenitude da Lei) e do Espírito que também é apresentado como verdade (= Plenitude da Lei).

Para entrar neste “mistério” a condição é a vivencia da “Lei Régia”, ou seja, “Amar à Deus e ao Próximo”,

Como fieis observadores da Lei Régia, estamos “prontos para dar razão da nossa esperança” (cf. 1Pd 3,15-18) porque o nosso testemunho se pauta pela retidão.
Mas qual é a razão da nossa esperança? A resposta é objetiva: “Cristo Ressuscitou e nós somos testemunhas… e se Ele Ressuscitou, também nós ressuscitaremos”. Este é o centro e a razão da nossa esperança.

Outra particularidade da liturgia de hoje é a descida do Espírito Santo, ou seja, algumas narrativas do Atos do Apóstolos apresentam o Espírito Santo que desce antes do batismo (cf. At 15) outras vezes após o batismo, como na narrativa da 1a Leitura de hoje (At 8). A partir disto podemos compreender a configuração de dois sacramentos da Igreja: do batismo e do crisma.

Em todo caso, a vivencia destes dois sacramentos permite ao mundo criar esperança, aonde ela não existe e contemplar a “grande alegria naquela cidade” (At 8,8)
Louvado seja N.S. Jesus Cristo!

Quinto  Domingo  da  Páscoa Ano  A

10/05/2020

I leitura: At 6,1-7; II leitura: 1Pd 2,4-9; Evangelho: Jo 14,1-12

A liturgia deste quinto domingo da Páscoa nos apresenta os primeiros desafios pastorais encontrados pelas comunidades cristãs como fruto da sua atividade missionária.

A 1a Leitura (At 6,1-7) apresenta a Igreja Primitiva diante de um novo desafio, de cunho pastoral, ou seja, o atendimento das viúvas de origens distintas (hebraica e grega). A solução, sempre segundo o Espírito Santo, foi designar um grupo particular para tal atendimento. Esta dinâmica já havíamos encontrado no caminho do deserto, quando Deus pede a Moisés que escolha um grupo que o ajude na tarefa de organizar o povo pelo deserto. Em todo caso, na narrativa do Atos se encontra a flexibilidade pastoral da Igreja que deve se adequar ao tempo e ao lugar.

Mas de onde está surgindo esta dificuldade? A resposta se encontra na 1Pedro (2,4-9) que é um dos elementos centrais da novidade cristã. Israel sempre se considerara Povo Eleito, através do princípio de genealogia. Enquanto os demais povos e nações eram os “gentios”, os não eleito. Pedro une três características: raça, nação e povo. Não existe mais a separação, todos, enquanto filhos, são acolhidos pela fé
A novidade cristã é que o pertencer ao “novo” Povo Eleito não se dá mais pelo princípio de genealogia, mas pela Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, trata-se de uma adesão pessoal.

Novamente neste domingo outros traços cristológicos são apresentados, no caso dois:

  1. Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida;
  2. Eu e o Pai Somos UM.

No primeiro princípio cristológico, Jesus afirma que a Lei (Torá) que era princípio de unidade com Deus para o Povo da Antiga Aliança agora está na pessoa de Cristo (caminho, verdade, vida = Sl 1 e Sl 119), ou seja, Ele é a Plenitude da Lei. No segundo aspecto cristológico, Jesus expressa o Ser de Deus, ou seja, a unicidade trinitária (Deus é UM)

Finalmente a Fé em Cristo leva o discípulo para realizar obras maiores que o Mestre, ou seja, o discípulo deve superar o mestre na missão. Algo próprio do Evangelho de João ( enquanto Jesus recebe peixe pequeno, o discípulo pesca peixe grande e outros sinais).

Mas o desafio missionário é universal e a Igreja deve se adequar a este desafio com a ajuda do Espírito Santo.
Louvado seja N.S. Jesus Cristo.

Pe. Gilvan Leite de Araujo

 

Quarto  Domingo  da  Páscoa Ano  A

03/05/2020

I leitura: At 2,14a.36-41; II leitura: 1Pd 2,20b-25; Evangelho: Jo 10,1-10

Neste 4o Domingo da Páscoa o tema da Pregação continua, ligado ao tema do Testemunho, elemento vital para a eficácia missionária.

No Evangelho encontra-se a narrativa da Bom Pastor e da Porta. Os dois temas estão diretamente relacionados. A compreensão das ovelhas a serem pastoreadas se encontra em Jo 2,13-22. Na narrativa da purificação é apresentada o culto exploratório, no qual as vítimas do sacrifício não são os animais, mas o próprio povo que eram financeiramente enganados. Explico, na narrativa da purificação do Templo, quem não tem dinheiro não tem direito à Deus, ou as suas graças, e na Narrativa da Multiplicação dos Pães, quem não tem dinheiro não tem direito à vida, nas duas narrativas Jesus quebra tal sistema. As duas narrativas possuem sua plena compreensão no Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma ser a Porta e o Pastor.
Mas de onde Jesus trás a inspiração? Justamente da história da Guerra dos Macabeus. Nesta, os Sírios, liderados pela dinastia Selêucida, na figura da Antíoco IV Epífanas, ataca Judá (não entra pela porta) para explorar, distruir e discordar. O escândalo maior é que o Sumo-Sacerdote justo, Onias III será exilado e em seu lugar assumirão sucessivamente dois sacerdotes ímpios, cujo interesse tb é explorar (dinheiro e poder).

Isto continuará no tempo de Jesus no qual os sumos-sacerdotes adotam um sistema de exploração e exclusão, conforme citado acima. Na 1Pedro, ele narra que o seguidor de Jesus deve ser modelo, caso contrário será motivo de escândalo e condenação. Assim Pedro, em At 2, apresenta uma geração corrompida da qual aquele que segue o Senhor deve ser o modelo de retidão, assim como foi a família macabaica (1 e 2 Mc) que não se corrompeu, assim como foram os apóstolos que deixando tudo seguiram o Senhor no meio de um sociedade corrompida, na qual brilharam como luz.
Louvado seja N.S. Jesus Cristo
Pe. Gilvan Leite de Araujo

Segundo  Domingo  da  Páscoa Ano  A

19/04/2020

I leitura: At 2,42-47; II leitura: 1Pd 1,3-9; Evangelho: Jo 10,1-10

Queridas  e santas  famílias,

* Celebramos  neste  domingo  a  oitava  da  Páscoa  e  continuamos  com a  ideia  do  primeiro  dia  da  semana. Enquanto  primeiro  dia,  evoca  o  início  da  criação  e  o  início  da  nova criação  em  Cristo  Jesus. A  catequese  do  Tempo  Pascal  é  norteada  por  três  princípios  fundamentais  que compõem  a  vida  cristã:

  1. Anúncio
  2. Oração
  3. Diaconia

Na  primeira  leitura  (At  2,42-47)  estes  elementos  são  apresentados diretamente  e  serão  desenvolvidos  no  restante  do  tempo  Pascal.  De fato,  a  leitura  do  Livro  dos  Atos  dos  Apóstolos  nos  apresenta  o  fruto  do anúncio,  ou  seja,  a  conversão.  Mas  tal  eficácia  se  dá  justamente  por causa  dos  outros  dois  elementos  que  moderam  a  vida  cristã:

  • a  vida orante  (se  reunem  diariamente  no  Templo  e  nas  casas),  é  uma comunidade  que  vive em  intensa  vida  orante,  mesmo  diante  das provações,  como  nos  apresenta  a  segunda  leitura  (1Pd  1,39);
  • e  a  vida diaconal,  ou  seja,  é uma  comunidade  que vive intensamente  a  caridade sem  quadrar  a  quem.

Nestes  três  aspectos,  portanto,  se  moldam  a  vida  cristã,  que  será direcionada  pelas  virtudes  cristãs:  fé, esperança  e caridade  (1Cor  13). Mas  quem é o objeto  desta transformação e  do anúncio cristão? Os Evangelhos  (Jo  20,1931) nos  apresenta,  ou  seja : A pessoa  de  Cristo.

No  Quarto  Evangelho, diferente  dos  Sinóticos,  a  fé  se  dá  tanto  pelo anúncio  (escuta)  como  pelo  testemunho  direto  (ver),  ou  seja,  os apóstolos  e  primeiros  discípulos  e  discípulas  são  aqueles  que  viram  e ouviram  e, portanto, testemunham. No  Evangelho  de  hoje  nos  apresenta  a  dimensão  de  uma  Igreja orante,  reunião  dominical  e  Jesus  que  se  põe  junto  à  eles.  Tomé,  apesar da  sua  incredulidade  inicial  é  aquele que fará  a  maior  profissão  de  fé  do Novo  Testamento:

  • Meu Senhor  = meu  Iahweh  (Adonai)
  • Meu Deus  =meu  Elohim

Ou  seja, Tomé  identifica  Jesus  com  o  Deus  do  Antigo  Testamento,  ele  é Iahweh,  ele é  Elohim.

Após  a  profissão  de  fé  de  Tomé,  o  Quarto  Evangelho  faz  uma inversão: os  Apostólos foram  aqueles  que  chegaram  a  fé  por  meio  da visão,  estes,  agora,  serão  as  testemunhas  que  farão  outros  chegaram  a fé,  não  mais  por  meio  da  visão,  mas  pelo  anúncio  e  pelo  testemunho, que nos  remete ao  início  desta  reflexão.

Estamos  vivendo,  neste  momento,  a  mesma  experiência  dos Apóstolos,  estamos  às  portas  fechadas  por  causa  do  medo,  mas  o Senhor  se  faz  presente  e  nos  concede  o  Espírito  Santo, humanidade  e nos  aproximar  do  seu  Pai.

Louvado  seja  Nosso  Senhor  Jesus  Cristo

——–

Pe. Gilvan  Leite  de  Araujo :para curar  a Pós  Doutorado  em  Teologia  Bíblica  pela  Pontifícia Universidade  Gregoriana  de  Roma  (2017);  Mestrado  (2002)  e  Doutorado  (2007)  em Teologia  Bíblica  pela  Pontificia  Universidade  S.Tommaso  D’Aquino Coordenador  do Programa de Estud os  PósGraduados em Teologia da PUCRoma. SP.  Líder do  Grupo  de  Pesquisa  em  Literatura  Joanina LIJO.  Diretor  do  Instituto  Superior  em Filosofia  Sede  da  Sabedoria  da  Diocese  de  Osasco IFISS.

ECONOMIA DO PAPA FRANCISCO

segunda-feira, fevereiro 17th, 2020

 

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BASILICA DE SAO FRANCISCO EM ASSIS onde vai ser o encontro

☆☆ “Economia de Francisco” adiado para 21 de novembro de 2020

☆☆ A economia de Francisco: construir novos caminhos

☆☆ Mais de 2 mil jovens já inscritos para “A Economia de Francisco” – Vatican News” - 01/2020

☆☆ A economia de Francisco - Artigo de Frei Betto - 14 de agosto de 2019

☆☆  Papa Francisco propõe um sistema econômico mais justo e sustentável – Carta Capital – 9 de Dezembro de 2019

☆☆ Reunião mundial debate proposta do Papa Francisco por ‘economia que dá vida e não mata’ – RDB - 12 de Dezembro de 2019

☆☆ VIDEO – Reunião mundial debate proposta do Papa Francisco por ‘economia que dá vida e não mata’. Assista ao vídeo do Papa Francisco.

☆☆ Jovens economistas atendem ao apelo do Papa Francisco de uma nova economia – Canção Nova -14 de Fevereiro de 2020

 

☆☆ Reunião liderada pelo Papa Francisco propõe uma nova economia global – Rede Vida – 17 de Dezembro de 2019

 

☆☆ Economia de Francisco – MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O EVENTO – IHU – 13 de Maio de 2019

☆☆ PAPA LANÇA UM PACTO GLOBAL PARA MUDAR O MODELO DA ECONOMIA – IHU – 13 de Maio de 2019

☆☆ Economia de Francisco: Uma proposta do Papa para «pôr as pessoas no centro de tudo» - 16 de Fevereiro de 2020

☆ VÍDEO – Economia de Francisco: Uma proposta do Papa para «pôr as pessoas no centro de tudo»

 

☆☆ PAPA FRANCISCO SALVARA A ECONOMIA E O PLANETA?

☆☆ A ECONOMIA DE FRANCISCO: CONSTRUIR NOVOS CAMINHOS

 

☆☆Vamos ouvir este papo dos jovens da Americalatina que já estão participando da “ECONOMIA DE FRANCISCO E CLARA” Nesta conversa com Leonardo Boff e toda inspiração do Papa Francisco. Tire um tempo para escutar e beber nesta fonte franciscana que escuta os povos da terra – MÃE TERRA

 

 

 

 

 

MANGUEIRA

sábado, fevereiro 8th, 2020

☆☆ ASSISTA AO DESFILE DA MANGUEIRA

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☆☆ CONFIRA TODA A EVOLUÇÃO DA COMISSÃO DE FRENTE QUE A GLOBO NÃO MOSTRA.E OS APLAUSOS.

 

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☆☆ Mangueira desmascara os “messias” e profetas da intolerância e do ódio no Portal Vermelho

☆☆ Jesus da gente: ‘Só ame!’ – Profecia da Mangueira no Carnaval de 2020 – Frei Gilvander no Dom Total

☆☆ “Jesus da Gente”: uma oportunidade de revisão da vida – Magali Cunha na Carta Capital

☆☆ “Esse foi o Jesus dos evangelhos e dos excluídos”, diz monge beneditino Marcelo Barros no Brasil De Fato

☆☆ Mangueira levou para a avenida o “Jesus da Gente”, não o do ódio fundamentalista. Por Joaquim de Carvalho no DCM

☆☆ “E se Jesus fosse mulher? Seu coração aceita? Seus olhos enxergam? Seu amor te limita?”, indaga a rainha de bateria da Mangueira – Evelyn Bastos na revista FORUM

☆☆ Samba-enredo da Mangueira mostra que Jesus não estaria ao lado da intolerância - Vencedora do Carnaval do Rio de 2019, escola de samba reforça a história de luta de Cristo contra o estado opressor por Nara Lacerda no Brasil de Fato

☆☆ A festa religiosa do Carnaval: a resistência alegre dos povos periféricos contra o conservadorismo elitista. Apesar do preconceito de parte da população, Festa de Momo continua sendo ferramenta política de combate à injustiça social. Entrevista especial com Aydano André Motta NA IHU

☆☆ CURSO DE HISTÓRIA: JESUS DA HISTÓRIA A PARTIR DO SAMBA ENREDO DA MANGUEIRA – do Canal PAZ E BEM DO CANAL 247 COM Pedro Lima Vasconcellos

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☆☆ ASSISTA AO VIDEO DO SAMBA ENREDO DA MANGUEIRA

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☆☆ VEJA A LETRA DO SAMBA-ENREDO DA MANGUEIRA 2020

O samba da Mangueira é uma ORAÇÃO. Um salmo atualizado:

Mangueira – Samba-Enredo 2020: “A Verdade Vos Fará Livre”

Compositores:-  Manu da Cuíca e Luis Carlos Máximo

Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade

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☆☆ Análise da letra do Samba Enredo da Mangueira de 2020

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☆☆ Papo Mangueira : entrevista com o carnavalesco Leandro Vieira

 

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☆☆ DESTRINCHANDO O SAMBA – MANGUEIRA – 2020 - Explicação pelos próprios autores do Samba- Enredo

 

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☆☆ Pastor Henrique Vieira comenta o enredo da Estação Primeira de Mangueira que fala sobre Jesus

 

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☆☆ CAIO FÁBIO DIZ “AMÉM” AO SAMBA-ENREDO DA MANGUEIRA

 

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☆☆ CONVERSA DE COMENTARISTA – MANGUEIRA 2020

 

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☆☆ ENTENDA O SAMBA-ENREDO DA MANGUEIRA - Mangueira ameaçada por enredo sobre Jesus – por Renata Arruda

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☆☆ A MANGUEIRA É AMEAÇADA POR ENREDO SOBRE JESUS. - Blog da Cidadania

 

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☆☆ “Jesus é índio, negro, mulher também. Jesus para a gente não tem gênero”  - O carnavalesco Leandro Vieira, da Mangueira, dá detalhes do desfile político (e polêmico) que a escola levará para a Sapucaí em 2020 - da CARTA CAPITAL

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☆☆ Reflexão do CEBI sobre o samba enredo da Mangueira

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☆☆ LEONARDO BOFF :- O enredo da Escola de Samba da Mangueira: os ultra-conservadores representam os que tramaram a condenação de Jesus

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☆☆ Boff: Brasil não aceita Jesus retratado pela Mangueira, que andava com pobres

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☆☆ O CARNAVAL DA MANGUEIRA 2020 E OS “CATOLIBÃS” (O PERIGO ATUAL DAS MENTES TERRIVELMENTE CATÓLICAS) - “Deixa a Mangueira passar!” Por: Padre Gegê

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☆☆ Testemunho de Dom Celso, Bispo emérito da Igreja Anglicana no Rio de Janeiro sobre o Samba-enredo da Mangueira.

Sobre o samba da Mangueira “A Verdade Vos Fará Livre”, que interpreta Jesus neste Carnaval – “Não existe ‘Messias’ de arma na mão”.
O comentário de Dom Celso Franco de Oliveira, Bispo Emérito da Igreja Episcopal Anglicana no Rio de Janeiro. Diante dos que distorcem a imagem de Jesus fazendo do Homem de Nazaré um objeto de ouro…pregando um Cristo dissociado da vida, arrogante e de mãos dados com o desastre ético e cultural que que está tomando conta do nosso País: “Se estes se calarem as pedras falarão. O Evangelho vem agora sendo proclamado na contramão dos que se dizem seguidores de Jesus. Vem da Mangueira, Vem de fora, não vem de teólogos..vem de poetas do povo (Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo) da Mangueira que de forma sábia anunciam o Jesus dos pobres, .. dos que não são incluídos. ….Viva a Estação Primeira da Mangueira. Quando as cercas caírem no chão, eu vou sambar. Viva o Evangelho libertador que rompe com os grilhões da intolerância e da violência. Quero sambar com vocês no Bloco da Vida e da Esperança. Somos todos irmãos e filhos do mesmo Pai. Amém”.

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☆☆ A jornalista Denise Assis, a teóloga e pastora luterana Lusmarina Campos Garcia conta detalhes sobre o grupo de 20 lideranças religiosas que abrirá o carnaval da Mangueira. “Eles estarão dizendo ao público que Cristo é um só. Qualquer que seja a crença”, diz Assis

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**A verdade vos fará livres’: o samba-enredo da esperançaÉ preciso fazer como Cristo, se quisermos ser cristãos: colocarmo-nos ao lado dos crucificados e lutar com eles  – Eduardo César no DOM TOTAL

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** A Verdade vos fará livre: sobre o samba-enredo da Mangueira – Tratar a pessoa humana como descarte é blasfemar contra Deus.- Élio Gasda no DOM TOTAL

 

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☆☆ Sobre o Samba enredo da Mangueira - Do Pe Geraldo Natalino (Gegê)*

“Sou padre há 25 anos (jubileu) na diocese do Rio de Janeiro, mestre em teologia sistemático-pastoral pela PUC-RJ e doutor em ciência da religião pela PUC-SP. Como religioso católico, acolho a notícia do samba enredo da Mangueiira para o carnaval de 2020 como uma provocação às igrejas cristãs amordaçadas neste momento dramático e trágico na história do Brasil. Provocar (“provocare”) é “chamar para a briga”, incitar, desafiar… Desse modo, o enredo da Mangueira de 2020 “A VERDADE VOS FARÁ LIVRES” pode constituir um desafio aos que se dizem cristãos!

Certa feita, num livro antigo de Leonardo Boff, conheci o termo “profecia externa”. Para o teólogo, a expressão se referia a possibilidade de a sociedade, de diversificada forma, exercer a profecia, isso é, falar em nome de Deus na defesa da vida. Dizendo de outro modo, pessoas e grupos, como, por exemplo, movimentos sociais, em princípio, não religiosos, podem, as vezes com mais coragem do que os que se dizem seguidores ou seguidoras de Jesus, viver e lutar por um mundo de amor, justiça, igualdade, democracia e paz.

Nesse horizonte, recebo o enredo da Mangueira como “profecia externa”. O último pleito eleitoral revelou setores cristãos (católicos e evangélicos) despudoradamente aliados à grupos políticos promotores da violência e da matança dos pobres e indefesos. De forma explícita e velada grupos cristãos se apresentaram como coniventes dos esquadrões da morte. E todos esses grupos tem hoje nas mãos o sangue dos Wajãpi e responderão no juízo final por suas vidas brutalmente ceifadas. Muitos cristãos, sobretudo da hierarquia religiosa, jamais seriam capazes de assassinar, mas isso não os impede de amolar a faca para que outros o façam.

Em resumo, a capacidade de o cristianismo ser aliado dos vitimizados da história foi mais uma vez, terrivelmente, posta em cheque. De que lado estão os cristãos: do lado das vítimas ou dos carrascos? A Bíblia está repleta da denúncia acerca de profetas que se venderam e se calaram diante das atrocidades da história . O próprio Jesus aventou a possibilidade de, em face do silenciamento dos profetas, as pedras se pronunciarem na defesa da vida (“as pedras gritarão”). Então, é na contramão da apresentação, por parte de muitos cristãos, de um Jesus Cristo “açucarado”, conivente e insensível ante a dor dos pobres e segregados de toda sorte (indígenas, negros, mulheres, gays, terreiros etc..), que a Estacão Primeira de Mangueira, a meu juízo, profeticamente, pode estar mais próxima do Jesus dos Evangelhos do que muitos que não tiram a Bíblia debaixo dos braços e sabem citar de cor quaisquer capítulos ou versículos. Terá a narrativa da Mangueira mais pertinência e relevância que a dos doutos (e quase sempre arrolhados e encastelados) biblistas?

A propósito, o termo “Evangelho” quer dizer notícia feliz, interessante, oportuna e significante… De certo, é razoável pensar que o que interessa às vítimas seja diametralmente oposto ao que interessa aos verdugos; a notícia oportuna a senzala não é a mesma desejada pela casa grande. Considerando que Jesus não é propriedade privada de nenhuma igreja e que o Espirito Santo é livre e, por isso, fala onde quer e como quer, é possível pensar num Deus falando na Sapucaí, infelizmente, as vezes de forma mais potente do que nas igrejas.

Ler o Evangelho é também um ato político, uma interpretação que nasce de um “lugar de fala”, nos termos de Djamila Ribeiro. E não existe leitura – inclusive, bíblica – neutra! Praza Deus, o discurso da Mangueira, como diz Conceição Evaristo, consiga, na potência evangélica do samba, acordar a casa grande de seus sonos injustos! A Verdade que liberta o oprimido, ao mesmo tempo, desnuda e denuncia as mentiras do opressor!

Desejo, pois, que as igrejas cristãs se convertam do olhar colonialista , preconceituoso e racista para com o carnaval e tantas outras expressões culturais e religiosas afro-brasileiras. É hora de passarmos de uma política vincadamente policialesca para uma política do diálogo e da troca positiva. Ademais, o samba também evangeliza, inclusive aos que se dizem cristãos! Se as “pedras” podem profetizar, por que o samba não pode? Vale repetir: o Espírito Santo é livre e sopra onde quer! As vezes fala onde menos se espera… Deus é desconcertante! Da minha parte, como pesquisador das religiosidades das populações subalternizadas, estou, pessoal e visceralmente, ansioso e esperançoso para ver/ouvir a exegese bíblica do Samba, a versão, a hermenêutica decolonial de Leandro Vieira – o Evangelho de Jesus segundo a Estacão Primeira de Mangueira!”

*Padre Geraldo Natalino – mestre em teologia e doutor em ciência da religião – é conhecido popularmente no Complexo de Manguinhos como Padre “Gegê”.

 

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☆☆ Samba-enredo da Mangueira – Posicionamento da IECLB

 

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☆☆ ESCUTA O SAMBA ENREDO DA MANGUEIRA 2020

 

 

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☆☆ CONHEÇA A ESTAÇÃO PRIMEIRA DA MANGUEIRA pela Wikipidia

 

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** Carnaval e encarnação da profecia – A profecia saiu do ambiente religioso e se fez valer do carnaval por Felipe Magalhães Francisco do DOM TOTAL

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** Alegria, alegria! – Carnaval, fé e política são eixos da nossa humanidade que, somente pelo amor e pela tolerância, é capaz de se tornar semelhante à humanidade de Cristo por Daniel Couto do DOM TOTAL

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** Vozes proféticas nos extramuros da Igreja – Em tempos sombrios, é preciso assumir a subjetividade profética contida em todo homem e toda mulher por Rodrigo Ferreira da Costa do DOM TOTAL

 

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☆☆ DOM HÉLDER CÂMARA E O CARNAVAL

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☆☆ DOM HÉLDER CÂMARA RECEBE O BLOCO DA SAUDADE

 

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Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

 

 

 

CARLOS MESTERS e BÍBLIA

quinta-feira, janeiro 23rd, 2020

BÍBLIA – VÍDEOS – CARLOS MESTERS

☆☆ Frei Carlos Mesters, junto com Frei Geraldo D’Abadia comparando o Povo no Cativeiro Bíblico com nossa situação hoje frente a Conona virus.

 

☆☆ Frei Carlos Mesters fala sobre o Livro do Deuteronômio em entrevista a frei Gilvander – 15/01/2020

 

☆☆ VIDEO: A VIVÊNCIA DA SABEDORIA NOS CONDUZ A DEUS. FREI CARLOS MESTERS, DO CEBI, EM ENTREVISTA A FREI GILVANDER: MÊS DA BÍBLIA. 19/8/2018.

https://youtu.be/O0qkX-bC2co

 

☆☆ A LEITURA POPULAR DA BÍBLIA. VÍDEO DE FREI CARLOS MESTERS.

☆☆ FREI CARLOS MESTERS: Comunidade-02

 

☆☆  PALAVRA ‘ÉTICA’ COM CARLOS MESTERS

 

 

 

☆☆ Frei Carlos Mesters fala sobre o Mês da Bíblia e sobre o Evangelho de Marcos. 24/09/2012

 

 

☆☆ PESSOAS QUE RECEBERAM VOCAÇÃO NA BÍBLIA

 

 

☆☆ A12 entrevista com o biblista Frei Carlos Mesters

 

☆☆ A VIVÊNCIA DA SABEDORIA NOS CONDUZ À DEUS

 

☆☆ Frei CARLOS MESTERS NO SERTÃO VIVO 17/05/2015

 

☆☆ Frei Carlos Mesters no VII Encontro Mineiro de CEBs, Unaí, de 18 a 20 09 15: Jesus e as CEBs

 

☆☆ Frei Carlos Mesters sobre SAGRADAS FAMÍLIAS DA BÍBLIA, do Gênesis ao Apocalipse. CEBI/12/12/15

 

☆☆ Frei Carlos Mesters (2a parte): SAGRADAS FAMÍLIAS DA BÍBLIA, do Gênesis ao Apocalipse. CEBI/12/12/15

 

☆☆ SEMINÁRIO SOBRE O EVANGELHO DE JOÃO – SINAL NAO É MILAGRE

 

☆☆ SEMINÁRIO SOBRE O EVANGELHO DE JOÃO – JESUS É O CORDEIRO

 

☆☆ XIII Intereclesial das CEBs/Juazeiro do Norte/CE: Carlos Mesters-CEBs e Jesus de Nazaré. 10/01/2014

 

☆☆ Como nasceu o CEBI – Por frei Carlos Mesters – 19/8/2018.

 

☆☆ FORMAÇÃO BÍBLICA CARLOS MESTERS: APOCALIPSE DE JOÃO

 

☆☆ Frei Carlos Mesters e Francisco Orofino sobre a família

 

 

☆☆ Livro “Levitas”, Frei Carlos Mesters

 

☆☆ CEBI-PR: Leitura da Bíblia na ótica da mulher e do/da idoso(a). Carlos Mesters, Tea e Wânia. 19/8/18

 

☆☆ PENTECOSTES: Frei Carlos Mesters

 

 

☆☆ Bíblia: Deus Vivo – Parte 1 – Pastor Milton Schwantes

☆☆ Bíblia: Deus Vivo – Parte 2 – Frei Carlos Mesters

 

OUTROS VIDEOS SOBRE A BIBLIA SAGRADA

** OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO – Dr Edson de Faria Francisco

 

SÉRIE INTRODUÇÃO À BÍBLIA

01. Diferença entre a Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã Dom Paulo Jackson, bispo de Garanhuns

 

02. Bíblia Católica,  Ortodoxa e Protestante – Dom Paulo Jackson, bispo de Garanhuns

 

03. MANUSCRITOS DA Bíblia – Dom Paulo Jackson, bispo de Garanhuns

 

04. GEOGRAFIA BÍBLICA – Dom Paulo Jackson, bispo de Garanhuns

 

05. GALILEIA NO TEMPO DE JESUS – Dom Paulo Jackson, BISPO DE Garanhuns

 

06. COMO FAZER UMA CITAÇÃO BÍBLICA – Dom Paulo Jackson, BISPO DE Garanhuns

 

 

07. A BÍBLIA E A HISTÓRIA DE ISRAEL – Dom Paulo Jackson, BISPO DE Garanhuns

 

 

 

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EVIDÊNCIAS  NT

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BV BOOKS Editora

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CRÍTICA TEXTUAL DA BÍBLIA HEBRAICA – Edson de Farias Francisco

https://youtu.be/A2OVGeJTPpU

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** Teologia e Capitalismo como Religião – Debates com o teólogo Jung Mo SunG no YOUTUBE

** Teologia e Capitalismo como Religião – Debates com o teólogo Jung Mo Sung no FACEBOOK

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Xavier Cutajar

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CAMPANHA DA FRATERNIDADE

sexta-feira, janeiro 17th, 2020

CAMPANHA DA FRATERNIDADE

HISTÓRICO

2020 - CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

TEMA: FRATERNIDADE E VIDA: DOM E COMPROMISSO

LEMA: “VIU, SENTIU COMPAIXÃO E CUIDOU DELE” Lc 10,33-34

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2019 - CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2019

TEMA:FRATERNIDADE E POLÍTICAS PÚBLICAS

LEMA: SERÁS LIBERTO PELO DIREITO E PELA JUSTIÇA Is 1,27

 

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2018 - CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

TEMA: FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

LEMA: VÓS SOIS TODOS IRMÃOS Mt 23,8

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2017 - CAMPANHA DA FRATERNIDADE – 2017

FRATERNIDADE: BIOMAS BRASILEIROS E DEFESA DA VIDA

LEMA: CULTIVAR E GUARDAR A CRIAÇÃO  Gn 2,15

 

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2016 – Tema: Casa comum, nossa responsabilidade

Lema: Quero ver o direito brotar

 

 

 TODOS OS TEMAS DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE DESDE 1964

1964 - Tema: Igreja em Renovação
            Lema: Lembre-se: você também é Igreja
1965 - Tema: Paróquia em Renovação
            Lema: Faça de sua paróquia uma Comunidade de fé, culto e amor
1966 - Tema: Fraternidade
            Lema: Somos responsáveis uns pelos outros.
1967 - Tema: Co-responsabilidade
            Lema: Somos todos iguais, somos todos irmãos.
1968 - Tema: Doação
            Lema: Crer com as mãos.
1969 - Tema: Descoberta
            Lema: Para o outro, o próximo é você.
1970 - Tema: Participação
            Lema: Participar.
1971 - Tema: Reconciliação
            Lema: Reconciliar.
1972 - Tema: Serviço e Vocação
            Lema: Descubra a felicidade de servir.
1973 - Tema: Fraternidade e Libertação
            Lema: O egoísmo escraviza, o amor liberta
1974 - Tema: Reconstruir a Vida
            Lema: Onde está teu irmão?
1975 - Tema: Fraternidade é Repartir
            Lema: Repartir o Pão
1976 - Tema: Fraternidade e Comunidade
            Lema: Caminhar juntos
1977 - Tema: Fraternidade na Família
            Lema: Comece em sua casa
1978 - Tema: Fraternidade no Mundo do Trabalho
            Lema: Trabalho e justiça para todos
1979 - Tema: Por um mundo mais humano
            Lema: Preserve o que é de todos
1980 - Tema: Fraternidade no mundo das Migrações Exigência da Eucaristia
            Lema: Para onde vais?
1981 - Tema: Saúde e Fraternidade
            Lema: Saúde para todos
1982 - Tema: Educação e Fraternidade
            Lema: A verdade vos libertará
1983 - Tema: Fraternidade e Violência
            Lema: Fraternidade sim, violência não
1984 - Tema: Fraternidade e Vida
            Lema: Para que todos tenham Vida
1985 - Tema: Fraternidade e fome
            Lema: Pão para quem tem fome
1986 - Tema: Fraternidade e terra
            Lema: Terra de Deus, terra de irmãos
1987 - Tema: A Fraternidade e o Menor
            Lema: Quem acolhe o menor, a Mim acolhe
1988 - Tema: A Fraternidade e o Negro
            Lema: Ouvi o clamor deste povo!
1989 - Tema: A Fraternidade e a Comunicação
            Lema: Comunicação para a verdade e a paz
1990 - Tema: A Fraternidade e a Mulher
            Lema: Mulher e homem: imagem de Deus
1991 - Tema: A Fraternidade e o Mundo do Trabalho
            Lema: Solidários na dignidade do trabalho
1992 - Tema: Fraternidade e Juventude
            Lema: Juventude – caminho aberto
1993 - Tema: Fraternidade e Moradia
            Lema: Onde moras?
1994 - Tema: A Fraternidade e a Família
            Lema: A família, como vai?
1995 - Tema: A Fraternidade e os Excluídos
            Lema: Eras tu, Senhor?
1996 - Tema: A Fraternidade e a Política
            Lema: Justiça e paz se abraçarão!
1997 - Tema: A Fraternidade e os Encarcerados
            Lema: Cristo liberta de todas as prisões.
1998 - Tema: Fraternidade e educação
            Lema: A serviço da vida e da esperança
1999 - Tema: Fraternidade e os desempregados
            Lema: Sem trabalho… Por quê?
2000 - Tema: Dignidade humana e paz
            Lema: Novo milênio sem exclusões
2001 - Tema e Lema: Vida sim, drogas não!
2002 - Tema: Fraternidade e povos indígenas
            Lema: Por uma terra sem males!
2003 - Tema: A fraternidade e as pessoas idosas
            Lema: Vida, dignidade e esperança.
2004 - Tema: A fraternidade e a água
            Lema: Água, fonte de vida.
2005 - Tema: Campanha da fraternidade ecumênica
            Lema: Felizes os que promovem a paz!
2006 - Tema: Fraternidade e pessoas com deficiência
            Lema: Levanta- te e vem para o meio!
2007 - Tema: Fraternidade e Amazônia
            Lema: Vida e missão neste chão.
2008 - Tema: Fraternidade e Defesa da Vida
            Lema: Escolhe, pois, a Vida .
2009 - Tema: Fraternidade e segurança pública
            Lema: A paz é fruto da justiça
2010 - Tema: Economia e vida
            Lema: Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.
2011-  Tema: Fraternidade e vida no planeta
            Lema: A criação geme em dores de parto
2012 - Tema: Fraternidade e saúde pública
            Lema: Que a saúde se difunda sobre a terra
2013 – Tema: Fraternidade e Juventude
Lema: “Eis-me aqui, envia-me”
2014 – Tema: Fraternidade e tráfico humano
Lema: É para a liberdade que Cristo nos libertou
2015 – Tema: Fraternidade, igreja e sociedade
Lema: Eu vim para servir
2016 – Tema: Casa comum, nossa responsabilidade
Lema: Quero ver o direito brotar

 

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Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

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