Archive for julho, 2016

RESSUSCITADO

quarta-feira, julho 13th, 2016

RESSURREIÇÃO (7 vezes)

 

Mc 8,31;  9,9;  9,10;  9,31; 10,34; 14,28; 16,6

Assim como faz referência a crucifixão de Jesus 7 vezes, Marcos usa a palavra ressurreição 7 vezes referendo-se a ressurreição de Jesus, incluindo uma vez sendo incompreendido pelos 3 discípulos ao mencionar a “ressurreição dos mortos” após a transfiguração (9,9-10) e outra vez todos os discípulos perdidos sem compreender o que Jesus estava ensinando (9,31-32).

 

1)  Após Pedro declarar que Jesus é o Messias:

8,31 Em seguida, começou a lhes ensinar, dizendo:  “O FILHO DO HOMEM deve sofrer muito, ser rejeitado pelos ANCIÃOS, pelos CHEFES DOS SACERDOTES e DOUTORES DA LEI, deve ser morto,  e ressuscitar(1/7) depois  de três dias.”

 

2)  Após Jesus se transfigurar diante de Pedro, Tiago e João:

9,9 Ao descerem da montanha,  recomendou-lhes que não contassem  a ninguém o que tinham visto, até que o FILHO DO HOMEM tivesse ressuscitado(2/7) dos mortos.

 

3)  Após Jesus especificar a qual ressurreição se refere:

9,10 Eles guardaram a palavra e se perguntavam o que queria dizer “ressuscitar(3/7) dos mortos”.

 

4)  Ao ensinar seus discípulos:

9,30 Partindo daí atravessavam a GALILEIA. Não queria que ninguém soubesse onde ele estava,  31 porque estava ensinando  seus discípulos. E dizia-lhes: “O FILHO DO HOMEM  vai ser entregue na mão dos homens, e eles o matarão. Mas, quando estiver morto,  Depois de três dias ele ressuscitará(4/7).” 32 Mas eles não compreendiam o que estava dizendo, e tinham medo de fazer perguntas.

5) Ao pegar o caminho para Jerusalém:

10,33 “Eis que estamos subindo para Jerusalém,e o FILHO DO HOMEM vai ser entregue aos CHEFES DOS SACERDOTES  e aos DOUTORES DA LEI . Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos.  34  Vão caçoar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará(5/7).”

 

6) Após a última Ceia:

14,26 Tendo cantado o hino, saíram para o monte das Oliveiras. 27 Então JESUS lhes disse: “Vocês todos vão ficar desorientados, porque a Escritura diz: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão’. 28 Mas, depois da minha ressurreição(6/7), eu irei à frente de vocês para a GALILEIA.”

 

7) Após a morte de Jesus na cruz e seu enterro:

16,1 Quando o SÁBADO passou,  Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram perfumes para ungir o seu corpo. 2 E bem cedo no primeiro dia após o SÁBADO, ao nascer do sol, elas foram ao túmulo. 3 E diziam entre si: “Quem vai tirar para nós a pedra da porta do túmulo?” 4 Pois era muito grande. Mas, quando olharam, viram que a pedra já havia sido tirada. 5 Então entraram no túmulo  e viram um jovem sentado à direita  vestido de branco. E ficaram muito assustadas. 6 Mas o jovem lhes disse: “Não fiquem assustadas. Vocês estão procurando JESUS de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou(7/7)! Não está aqui! Vejam o lugar onde o puseram. 7 Agora vocês devem ir e dizer aos discípulos dele e a Pedro que Ele vai para a GALILEIA na frente de vocês. Lá vocês o verão, como ele mesmo disse.” 8 Então as mulheres saíram do túmulo correndo, porque estavam tremendo e assustadas. E não disseram nada a ninguém, porque tinham medo.

MÃOS

quarta-feira, julho 13th, 2016

AS MÃOS (12 vezes + 1 no apêndice)

      JESUS SEGURA AS MÃOS: Mc 1,31.41;  5,41; 8,23;  9,27

      JESUS PÕE AS MÃOS: Mc 5, 23;  6,2.5;  7,32;  8,23.25; 10,16

E no apêndice  Mc 16,18

 

Por os DEDOS

7,33 Ele se afastou com o homem para longe da MULTIDÃO ; em seguida pôs os dedos no ouvido do homem, cuspiu e com a sua saliva tocou a língua dele.

SEGUIR – SEGUIMENTO

quarta-feira, julho 13th, 2016

SEGUIR – SEGUIMENTO

RIO JORDÃO

quarta-feira, julho 13th, 2016

RIO JORDÃO

CONVERSÃO

quarta-feira, julho 13th, 2016

CONVERSÃO ou ARREPENDIMENTO

PROFETA

quarta-feira, julho 13th, 2016

PROFETA

LIVROS PROFÉTICOS

Introdução

Pela sua coragem de questionar a situação presente e vislumbrar um futuro diferente para o seu povo, os profetas sempre exerceram atração fascinante. Muitos chegam até a confundir profeta com adivinhador do futuro. Outros chegam a pensar que eles ensinavam coisas absolutamente novas. O verdadeiro profeta, no entanto, é aquele que preserva a tradição autêntica do seu povo, perdida ou deformada em meio a tantas «tradições» criadas para defender interesses, legitimar poderes e sustentar sistemas. O núcleo central da tradição autêntica é a fé exodal, ou seja, o reencontro com o verdadeiro Deus revelado a Moisés: «Eu sou Javé seu Deus, que fiz você sair da terra do Egito, da casa da escravidão» (Ex 20,2; Dt 5,6). Portanto, profeta é aquele que se inspira na ação libertadora do Deus do êxodo e, a partir daí, analisa a situação presente e mostra o projeto de Deus para o futuro do seu povo.

As atividades do profeta variam de acordo com seus ouvintes e com o momento histórico em que ele vive. Cada profeta tem o seu estilo próprio, e pronuncia anúncios e denúncias diante de situações bem determinadas. No entanto, podemos perceber duas grandes vertentes na atividade dos profetas:

Exigência de conversão, para mudar o sistema social, a fim de que o julgamento de Deus não recaia sobre o povo. Esse tema é predominante nos profetas que exerceram sua atividade antes do exílio na Babilônia.

- Anúncio de esperança, para encorajar e estimular o povo, que tinha perdido sua terra e corria o perigo de perder a própria identidade. Esse anúncio fazia retomar a caminhada da reconstrução, recuperando a fé em Javé e os valores históricos alcançados em nome dessa mesma fé.

Os livros proféticos testemunham a vida e atividade de homens que possuem fé profunda e vigorosa; homens que procuram levar o povo a um relacionamento sempre renovado e responsável com o Deus que julga e salva.

A literatura profética pode ser dividida de várias maneiras. A mais tradicional e comum é a divisão em profetas maiores e profetas menores. Não porque uns sejam mais importantes que outros, mas simplesmente pela extensão de seus escritos. Os profetas maiores são quatro: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os menores são treze: Baruc, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

 ———————

http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_PNG.HTM

****************

 

O profeta -  Raymond Gravel (1952-2014)

Um ser humano ordinário. Nas três leituras de hoje, nos damos conta rapidamente que os profetas são, antes de tudo, seres humanos bem comuns, com seus limites e fragilidades. Ezequiel, um sacerdote que viveu no tempo de Nabucodonosor e do Exílio de Babilônia (598-587 a.C), é um profeta desconcertante, de genialidade diversa e complexa. Ele é como os israelitas do seu tempo, esmagados pela derrota, desesperados e deportados para a Babilônia. É de joelhos que ele toma consciência de que Deus acompanha seu povo na angústia e que tem necessidade dele para exprimir a sua presença: “Entrou em mim um espírito que me fez ficar de pé. Então eu pude ouvir aquele que falava comigo” (Ez 2,2).

É o mesmo Paulo que escreve a sua segunda carta aos Coríntios: “Eu estava tão preocupado e aflito que até chorava” (2 Co 2,4). Paulo toma consciência de sua pequenez humana perante a grandeza da missão à qual ele se sente chamado: “Para que eu não me inchasse de soberba por causa dessas revelações extraordinárias, foi me dado um espinho na carne (em grego: skolops), um anjo de Satanás para me espancar, a fim de que eu não me encha de soberba” (2 Co 12,7). Será que é um handicap físico, uma doença crônica ou seus adversários missionários eloquentes e autoritários que, com antecedência, ele havia chamado de “servidores de Satanás” (2 Co 11,13-15)? Não sabemos nada sobre isso! Uma coisa é certa: Paulo é muito humano e ele o experimenta na sua carne, (em grego: sarkos), que designa a fragilidade da existência humana.

Jesus de Nazaré não é também um homem comum? De maneira que mesmo a sua família achava que ele era perturbado: “Os parentes de Jesus foram segurá-lo, porque eles mesmos estavam dizendo que Jesus tinha ficado louco” (Mc 3,21). E no trecho que nós temos hoje o evangelista Marcos, retomando o que as pessoas da sua cidade diziam dele, escreve: “Esse homem não é o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?” (Mc 6,3). Dizer que Jesus é o carpinteiro, o filho de Maria, pode querer dizer duas coisas: 1) que seu pai, José, faleceu; se não Marcos haveria escrito que Jesus era o filho do carpinteiro ou, 2) que se trata de uma família de reputação duvidosa, pois, na época, não se dizia nunca que alguém era filho da sua mãe. Uma coisa é certa: Jesus de Nazaré foi um homem completamente comum, de um meio bem comum, de uma cidadezinha escura que fez que o evangelista João dissesse: “Natanael disse: ‘De Nazaré pode sair coisa boa?’” (Jo 1,46).

O profeta incomoda

Um profeta leva sempre uma mensagem de esperança. Por outro lado, a sua palavra deve necessariamente incomodar. O profeta é aquele que anuncia as situações de injustiça, que questiona, que interpela e que convida à mudança, à novidade. Frequentemente nós somos reticentes às mudanças; atolamo-nos em velhos hábitos e desculpamos a nossa passividade apoiando-nos em doutrinas e regras que determinamos serem a Verdade. Porém, não há verdades totalmente acabadas, absolutas, imutáveis, inalteráveis, e para que lembremos Deus deve necessariamente passar por mulheres e por homens como nós. Daí a rejeição, a negação e a condenação dos profetas. O teólogo Michel Hubautescreve: “Se Deus tivesse desejado que o homem pegasse o caminho errado como se diz, ele não teria conseguido fugir disso…”. Pois se há uma constatação na história da revelação judeu-cristã, ela é exatamente essa propensão do homem a querer encontrar Deus nas manifestações extraordinárias, milagrosas e grandiosas. E, ainda, na linha da história, percebemos que Deus prefere as teofanias do quotidiano mais do que as teofanias do grande espetáculo”. E, como prova, seu Filho nasceu como todo mundo: uma criança; ele se tornou carpinteiro como seu pai e ele foi crucificado como um vulgar bandido. Hubaut acrescenta: “Não podemos dizer que esse Messias veio lisonjear a espera das multidões”.

Contudo, todos os profetas sabem: a Palavra, a Boa nova que eles têm a anunciar será automaticamente mal recebida. A novidade perturba, incomoda. Ela impede de ficar na monotonia. A novidade suscita perplexidade, rejeição. O profeta Ezequiel experimentou-a: “Criatura humana, vou mandar você a Israel, a esse povo rebelde, que se rebelou contra mim. Eles e seus antepassados se revoltaram contra mim até o dia de hoje. Os filhos são arrogantes e têm coração de pedra” (Ez 2,3-4). São Paulo o expressa também desta maneira: “E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Co 12,10). E o evangelho de Marcos faz dizer a Jesus este célebre ditado: “Um profeta só não é estimado em sua própria pátria, entre seus parentes e em sua família”(Mc 6,4), pois é preciso reconhecê-lo, alguns dias a humanidade de Deus nos choca. Preferiríamos um Deus autoritário, todo-poderoso, que impõe as suas recompensas e os seus castigos… Felizmente, esse Deus não existe!

Um verdadeiro profeta

Como discernir o verdadeiro do falso profeta? Temos de ser prudentes e atentos aos sinais dos tempos. Infelizmente, na Igreja atual, alguns acham que são verdadeiros profetas pela sua intransigência, pela sua severidade e pelo que eles falam. Mas, atenção! O fato de ser criticado, rejeitado ou ainda de deixar indiferentes às pessoas que me rodeiam, não fazem de mim automaticamente um profeta. A Palavra que eu levo deve ser uma Boa Nova, uma Palavra que liberta, que salva e que dá esperança. E é por isso que os verdadeiros profetas não são sempre aqueles que nós pensamos. Eles são dificilmente apoiados pelas instituições, mesmo pela Igreja… Pois a Igreja, ela também não gosta do que incomoda, não gosta de mudança, de novidade, e os profetas são frequentemente suspeitos. O teólogo francês Hyacinthe Vulliez escreve: “Quando queremos nos desfazer de um profeta é habitual tratá-lo de anormal, de atípico e mesmo de estrangeiro, o que permite distanciá-lo e mesmo fazê-lo desaparecer. Não gostamos da pessoa que tem um discurso diferente do convencional. Ele incomoda, ele faz sair da monotonia de sempre, e isso o pessoal não gosta!”

O verdadeiro profeta de hoje deve necessariamente ter a linguagem das mulheres e dos homens de hoje, caso contrário ele deixará indiferentes as pessoas mais vulneráveis da sociedade: os pobres, os pequenos, os desprezados, os feridos da vida. A sua palavra deve denunciar as injustiças que sofrem e lhes permitir de ter esperança. Pode ser que o verdadeiro profeta não seja católico, nem mesmo cristão. A sua pertença a uma confissão particular não tem nenhuma importância. O profeta é aquele que restaura a justiça, que devolve a dignidade aos excluídos e aos feridos da vida e que traz esperança num mundo melhor.

Concluindo, o versículo evangélico que diz: “E Jesus não pôde fazer milagres em Nazaré…” (Mc 6,5) corre o risco de nos surpreender. Nós temos lá a prova de que um milagre não é um passe de mágica ou um prodígio que vira as leis da natureza; o milagre é um sinal que fala da proximidade daquele que faz com quem vê. O que significa que para que o milagre, o sinal possa se realizar, é preciso uma inter-relação, uma fé, uma confiança entre quem a dá e quem a recebe, se não nem a Palavra nem o sinal poderão produzir seus frutos. Se isso foi verdadeiro no tempo de Jesus, assim também é ainda hoje.

————

http://www.ihu.unisinos.br/511219-profetas-desconcertantes

 

Veja FALSO PROFETA NO APOCALIPSE

MAIS SOBRE A BÍBLIA

** PARA ENTENDER LA BIBLIA por Alejandro von Rechnitz

** Leia alguns ARTIGOS sobre a BÍBLIA

** Leia alguns LIVROS APÓCRIFOS

** VEJA MAPAS E OUTRAS IMAGENS DO MUNDO DA BÍBLIA

** VEJA O ESTUDO DO APOCALIPSE DE SÃO JOÃO

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE MARCOS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE MATEUS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE LUCAS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE JOÃO

** VEJA O ESTUDO SOBRE PAULO APÓSTOLO

** VEJA 10 VÍDEOS DE COMO FUNCIONAVA A SOCIEDADE NO TEMPO DE JESUS E A SUA PROPOSTA

**VEJA MATERIAL SOBRE A LITURGIA

**VEJA MATERIAL SOBRE A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

** Volta à PÁGINA PRINCIPAL

 

Responsável por este trabalho

    Xavier Cutajar

            xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

 

PROFETA ISAÍAS

quarta-feira, julho 13th, 2016

PROFETA ISAÍAS

ISAÍAS

 

A SANTIDADE DE DEUS

Introdução

O livro que traz o nome de Isaías pode ser dividido em três grandes partes:

Os capítulos 1-39 contêm a mensagem do profeta chamado Isaías, cuja preocupação central é a santidade de Deus, ou seja, só Deus é absoluto. Esse é o dado principal para que a prática não se torne uma idolatria. Em meio a grandes mudanças políticas internacionais, Isaías condena a aliança com as grandes potências, mostrando que a nação só será salva se permanecer fiel a Deus e ao seu projeto, no qual a justiça é o valor supremo. Assim, uma espiritualidade baseada na santidade de Deus conduz o profeta a uma fé política, que combate os ídolos presentes na sociedade. Ele fala também do Emanuel (7,14), no qual o Novo Testamento viu Jesus Cristo, que veio ao mundo para salvar o seu povo.

Os capítulos 40-55 foram escritos por profeta anônimo, na época do exílio na Babilônia, apresentando uma mensagem de esperança e consolação. Esse profeta é comumente chamado Segundo Isaías. O fim do exílio é visto como um novo êxodo e, como no primeiro, Javé será o condutor e a garantia dessa nova libertação. O povo de Deus convertido, mas oprimido, é denominado «Servo de Javé». O Novo Testamento atribui esse título a Jesus, o justo que sofreu e morreu para nos libertar. A comunidade, depois de convertida e libertada, se tornará missionária, luz para que as nações se voltem para o verdadeiro Deus.

Os capítulos 56-66 são atribuídos a Terceiro Isaías. Apresentam uma coleção de oráculos anônimos que procuram estimular a comunidade que veio do exílio e se reuniu em Jerusalém com os que estavam dispersos. Condena os abusos que começam de novo a aparecer e mostra qual é o verdadeiro jejum (58,1-12) necessário para que haja novos céus e nova terra.

 

Introdução AO PRIMEIRO ISAÍAS (Is 1-39)

Não é fácil ler Is 1-39 na ordem atual do livro, principalmente se quisermos situar os oráculos do profeta dentro do contexto histórico em que foram proclamados. Os vários redatores não obedeceram à ordem cronológica da atividade do profeta, mas agruparam seus oráculos com base em outros critérios, nem sempre fáceis de perceber. Além disso, vamos encontrar trechos elaborados no exílio ou pós-exílio e que os redatores foram inserindo, com a preocupação de atualizar a mensagem de Isaías. Para facilitar a leitura contextualizada do profeta, apresentamos uma cronologia da atividade de Isaías, tentando estabelecer quais oráculos pertencem a cada período de sua atividade.

Primeiro período: durante o reinado de Joatão (740-734 a.C.)

O fato internacional mais relevante na história do Oriente Médio, no séc. VIII, é o reaparecimento de uma grande potência: a Assíria. Subindo ao trono Teglat-Falasar III, esse império começa a perturbar a tranqüilidade dos outros países da região. Entretanto, o reino de Judá vive uma época de grande prosperidade econômica e independência política, não sendo ainda atingido pelo expansionismo da Assíria. Tudo parece estar muito bem. A «prosperidade e paz» é acompanhada por uma atividade religiosa intensa, com grandes festas e culto pomposo nos santuários. Tal situação, porém, mascara outra bem diferente na ordem social: injustiças, arbitrariedade dos juízes, corrupção das autoridades, cobiça dos grandes proprietários, opressão dos governantes. No fim do reinado de Joatão, a situação interna injusta é agravada por outra externa: a Assíria começa a pressionar Israel e Judá para serem seus vassalos.

É dentro desse contexto que podemos ler Is 1-5, menos alguns oráculos que foram acrescentados por redatores de época posterior.

Oráculos do primeiro período 1,10-20; 1,21-26; 2,6-21; 3,1-15; 3,16-4,1; 5,1-7; 5,8-25; 5,26-30. Pertence também ao fim do reinado de Joatão: 10,1-4.

Segundo período: durante o reinado de Acaz (734-727)

Para entender a atividade de Isaías nessa época, é importante conhecer algo sobre a chamada «guerra siro-efraimita». Trata-se de uma coalizão entre o reino de Aram (também chamado Síria, cuja capital é Damasco) e o reino de Israel (também denominado Efraim, com a capital em Samaria). O rei Rason de Aram e o rei de Israel, Facéia (= filho de Romelias), se unem para enfrentar o avanço da Assíria, recusando o seu domínio. Joatão, rei de Judá, convidado para participar da coalizão, mantém atitude neutra, considerada perigosa pelos outros dois. Quando morre Joatão, o seu filho Acaz sobe ao trono; mantém a mesma reserva, mas é pressionado a decidir-se, inclusive ameaçado de perder o trono e ser substituído por um aliado dos siro-efraimitas. Temeroso, Acaz está a ponto de ceder às pressões de Rason e Facéia ou pedir proteção à Assíria contra os dois. É nessa conjuntura internacional que o profeta Isaías começa de novo a sua atividade.

Oráculos do segundo período 7,1-17; 7,18-25; 8,1-4; 8,5-8; 8,9-10; 8,11-15; 8,16-20; 9,7-20; 17,1-11.

Terceiro período: durante a minoridade de Ezequias (727-715)

Quando Acaz morre, o seu filho, herdeiro do trono, tem apenas cinco anos. Um regente se encarrega do governo até que o pequeno rei atinja a maioridade. Morre também Teglat-Falasar III, rei da Assíria, e seu sucessor é Salmanasar V. A coalizão entre os reinos de Israel e Aram é destruída pelos assírios, que colocam sua força militar para conquistar a região da Palestina.

Oráculos do terceiro período 14,28-32; 18,1-7; 20,1-6; 28,1-4; 28,7-13; 28,14-22; 30,8-17.

Quarto período: durante a maioridade do rei Ezequias (714-698)

Durante vinte anos, o reino de Judá vive pagando tributo à Assíria. Em 714 a.C., aos dezoito anos, Ezequias começa a reinar efetivamente. Movido pela pressão popular, ele se arrisca a promover uma reforma religiosa e política, mesmo tendo que desagradar à Assíria. Outras potências (Egito e Babilônia) estão interessadas nessa reforma e oferecem auxílio. No entanto, a Assíria não está disposta a perder as posições conquistadas e ameaça invadir o território judaico. Ezequias continua pagando tributo até 705 a.C. Uma nova tentativa de Judá para escapar do domínio assírio leva o imperador Senaquerib a ser mais rigoroso: com o seu exército, invade o reino de Judá e conquista cidades e mais cidades, até cercar Jerusalém. A ajuda do Egito não serviu para nada e a capital só não caiu em mãos do inimigo por causa de um acontecimento que fez o exército assírio se retirar.

Oráculos do quarto período 1,4-9; 10,5-16; 10,27b-34; 14,24-27; 28,23-29; cap. 29; 30,1-7; 30,27-33; 31,1-9; 32,1-8; 32,9-14; cap. 33.

————————–

http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_PNH.HTM

 

***********************

 

MAIS SOBRE A BÍBLIA

** PARA ENTENDER LA BIBLIA por Alejandro von Rechnitz

** Leia alguns ARTIGOS sobre a BÍBLIA

** Leia alguns LIVROS APÓCRIFOS

** VEJA MAPAS E OUTRAS IMAGENS DO MUNDO DA BÍBLIA

** VEJA O ESTUDO DO APOCALIPSE DE SÃO JOÃO

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE MARCOS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE MATEUS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE LUCAS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE JOÃO

** VEJA O ESTUDO SOBRE PAULO APÓSTOLO

** VEJA 10 VÍDEOS DE COMO FUNCIONAVA A SOCIEDADE NO TEMPO DE JESUS E A SUA PROPOSTA

**VEJA MATERIAL SOBRE A LITURGIA

**VEJA MATERIAL SOBRE A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

** Volta à PÁGINA PRINCIPAL

 

Responsável por este trabalho

    Xavier Cutajar

            xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

DESERTO

quarta-feira, julho 13th, 2016

DESERTO

DESERTO NO ANTIGO TESTAMENTO

O deserto (em grego: evrh,moj – erémos)  é o lugar ideal para a relação entre Deus e o seu povo; representa uma etapa no processo de libertação, como aconteceu no primeiro êxodo; por isso, quando o povo demonstrava infidelidade, os profetas apresentavam a necessidade de retornar ao deserto para voltar a viver o ideal da aliança (cf. Os 2,14; 9,10; 13,5; Am 2,10; 5,25).

EM MARCOS

1,3     Esta é a voz daquele que grita no deserto(evrh,mw|)Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!” (Mal 3,1; Is 40,3)

1,4  E foi assim que João, o Batista apareceu no deserto(evrh,mw|)pregando um  batismo de conversão para o perdão dos pecados.

1,12 E logo o Espírito O impeliu  para o deserto(e;rhmon)

1,13 E  ficou no deserto(evrh,mw|) durante quarenta dias,

 

1,35 De madrugada, quando ainda estava escuro, se levantou e foi orar num lugar deserto(e;rhmon) (ermo).  

 

1, 45 Mas o homem foi embora e começou a pregar muito e a espalhar a notícia (a palavra). Por isso, não podia mais entrar publicamente numa cidade: ele ficava fora, em lugares desertos(evrh,moij) (ermos). E de toda parte as pessoas iam procurá-lo.

 

6,31 Havia aí tanta gente que chegava e saía, a tal ponto que não tinham tempooportuno nem para comer. Então disse para eles:  “Vamos sozinhos para algum lugar deserto(e;rhmon) (ermo), para que vocês descansem um pouco.” 

6,32 Então foram sozinhos, de barca, para um lugar deserto(e;rhmon) (ermo).

6,35 Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto e disseram: “Este lugar é deserto(e;rhmo,j) e já é tarde.

8,4 Os discípulos disseram:  “Onde alguém poderia saciar essa gente de pão,  aqui no deserto(evrhmi,aj)?”  

 

 Mc 1,3-4: Ora, o deserto (em grego: evrh,moj – erémos)  é o lugar ideal para a relação entre Deus e o seu povo; representa uma etapa no processo de libertação, como aconteceu no primeiro êxodo; por isso, quando o povo demonstrava infidelidade, os profetas apresentavam a necessidade de retornar ao deserto para voltar a viver o ideal da aliança (cf. Os 2,14; 9,10; 13,5; Am 2,10; 5,25). Assim, a presença de João no deserto é um convite para Israel romper com as estruturas vigentes e retornar às suas origens. (Pe. Francisco Cornelio Freire Rodrigues)

 

O novo começo

João Batista não pretende mergulhar o povo no desespero. Pelo contrário, sente-se chamado a convidar todos a dirigir-se ao deserto para viver uma conversão radical, ser purificados nas águas do Jordão e, uma vez recebido o perdão, poder ingressar novamente na terra prometida para acolher a iminente chegada de Deus.

Dando exemplo a todos, foi o primeiro a ir para o deserto. Deixa sua pequena aldeia e dirige-se a uma região desabitada da bacia oriental do Jordao. O lugar fica na região da Pereia, as portas da terra prometida, mas fora dela. (12)

Ao que parece, João havia escolhido cuidadosamente o lugar. Por um lado, encontrava-se junto ao rio Jordão, onde havia água abundante para realizar o rito do “batismo”. De resto, por aquela região passava uma importante via comercial que ia de Jerusalém em direção as regiões situadas a leste do Jordão e por onde transitava muita gente a quem João podia proclamar sua mensagem. Mas existe outra razão mais profunda. O Batista podia ter encontrado água mais abundante as margens do lago de Genesaré. Podia ter-se posto em contato com mais pessoas na cidade de Jericó ou na própria Jerusalém, onde havia pequenos tanques ou miqwaot, tanto públicos como privados, para realizar comodamente o rito batismal Mas o “deserto” escolhido encontrava-se diante de Jericó, no lugar preciso em que, segundo a tradição, o povo conduzido por Josué havia cruzado o rio Jordão para entrar na terra prometida (Js 4,13-19). A escolha era intencional.

João começa a viver ali como um “homem do deserto”. Traz como vestimenta um manto de pelo de camelo com um cinturão de couro e alimenta-se de gafanhotos e mel silvestre (Mc 1,6). Esta maneira elementar de vestir-se e alimentar-se não se deve somente a seu desejo de levar uma vida ascética e penitente. Aponta, pelo contrário, para o estilo de vida de um homem que habita no deserto e se alimenta dos produtos espontâneos de uma terra não cultivada. João quer recordar ao povo a vida de Israel no deserto, antes de sua entrada na terra que Deus ia dar-lhes em herança. (15)

João coloca novamente o povo “no deserto” às portas da terra prometida, mas fora dela. A nova libertação de Israel precisa começar ali onde havia começado. O Batista chama as pessoas a situar-se simbolicamente no ponto de partida, antes de cruzar o rio. Assim como aconteceu com a “primeira geração do deserto”, também agora o povo deve escutar a Deus, purificar-se nas águas do Jordão e entrar renovado no país da paz e da salvação.

Neste cenário evocador, João aparece como o profeta que chama a conversão e oferece o batismo para o perdão dos pecados. Os evangelistas recorrem a dois textos da tradição bíblica para apresentar sua figura (16).  João é a “voz que grita no deserto: ‘Preparai o caminho para o Senhor, aplainai suas veredas (Este conhecido texto de Isaías 40,3 e citado por todos os evangelistas para falar de João: Mc 1,3; a fonte Q (Lc 3,4//Mt 3,3) e João 1,23). Esta e sua tarefa: ajudar o povo a preparar o caminho para Deus, que já esta chegando. Dito em outras palavras, ele e “o mensageiro” que novamente guia Israel pelo deserto e volta a introduzi-lo na terra prometida. (Pe José Antonio Pagola)

 

DESERTO NO APOCALIPSE

JOÃO, O BATISTA

quarta-feira, julho 13th, 2016

JOÃO, O BATISTA

JOAO BATISTA – PAGOLA - PDF – imprima em formato livrinho

POR QUE MATARAM JOÃO BATISTA? - Capuchinos

VEJA MAIS SOBRE A Fortaleza de Herodes em Maqueronte

JOÃO, O BATIZADOR*

José Antonio Pagola

O diagnóstico radical de João

Entre o outono do ano 27 e a primavera de 28 surge no horizonte religioso da Palestina um profeta original e independente que causa um forte impacto em todo o povo. Seu nome é João, mas as pessoas o chamam de o “Batizador”, porque pratica um rito inusitado e surpreendente nas águas do Jordão. É, sem dúvida, o homem que marcará como ninguém a trajetória de Jesus (7).

João era de família sacerdotal rural. Sua linguagem rude e as imagens que emprega refletem o ambiente camponês de uma aldeia (8). Em algum momento, João rompe com o templo e com todo o sistema de ritos de purificação e perdão a ele vinculados.

  •  Não sabemos o que o move a abandonar sua tarefa sacerdotal.
  •  Seu comportamento é o de um homem arrebatado pelo Espírito.
  •  Não se apoia em nenhum mestre.
  •  Não cita explicitamente as Escrituras sagradas.
  •  Não invoca nenhuma autoridade para legitimar sua atuação.
  •  Abandona a terra sagrada de Israel e vai ao deserto para proclamar sua mensagem.

João não só conhece a profunda crise em que se encontra o povo. Diferentemente de outros movimentos contemporâneos, que abordam diversos aspectos, ele concentra a forca de seu olhar profético na raiz de tudo: o pecado e a rebeldia de Israel. Seu diagnóstico é conciso e certeiro: a história do povo eleito chegou a seu fracasso total. O projeto de Deus ficou frustrado. A crise atual não é uma crise a mais. É o ponto final a que se chegou numa Ionga cadeia de pecados. O povo encontra-se agora diante da reação definitiva de Deus. Assim como os lenhadores deixam a descoberto as raízes de uma árvore antes de dar os golpes decisivos para derrubá-la, assim Deus está com “o machado posto a raiz das árvores e toda árvore que não der bom fruto será cortada e Iançada ao fogo”(Lc 3,9// Mt 3,10). É inútil as pessoas quererem escapar de sua “ira iminente”, como uma ninhada de víboras que fogem do incêndio que delas se aproxima (Fonte Q (Lucas 3,7//Mt 3,7): “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira iminente?”. Já não se pode recorrer aos meios tradicionais para recomeçar a história de salvação. De nada serve oferecer sacrifícios de expiação. 0 povo precipita-se para o seu fim.

De acordo com o Batista, o mal corrompe tudo. O povo inteiro está contaminado, não só os indivíduos; todo o Israel precisa confessar seu pecado e converter-se radicalmente a Deus, se não quiser perder-se irremediavelmente. O próprio templo está corrompido; já não é um lugar santo; não serve para eliminar a maldade do povo; são inúteis os sacrifícios de expiação ali oferecidos; é preciso um rito novo de purificação radical, não ligado ao culto do templo. A maldade chega inclusive até a terra em que Israel vive; também ela precisa ser purificada e habitada por um povo renovado; é preciso dirigir-se ao deserto, fora da terra prometida, para entrar novamente nela como um povo convertido e perdoado por Deus.

Ninguém deve iludir-se. A Aliança está rompida. O pecado de Israel anulou-a. É inútil apelar para a eleição por parte de Deus. De nada serve sentir-se “filhos de Abraão”      (Fonte Q (Lc 3,8// Mt 3,9): “Não andeis dizendo em vosso interior: ‘Temos Abraão por pai’, porque vos digo que Deus pode tirar destas pedras filhos de Abraão”.

Deus poderia tirar filhos de Abraão até das pedras espalhadas pelo deserto. Nada dispensa de uma conversão radical. Israel está praticamente no mesmo nível que os povos gentios. Não pode recorrer a sua historia passada com Deus. O povo precisa de uma purificação total para restabelecer a Aliança. O “batismo” que João oferece é precisamente o novo rito de conversão e perdão radical de que Israel necessita: o começo de uma eleição e de uma aliança nova para esse povo fracassado.

Jesus fica seduzido e impactado por esta visão grandiosa. Este homem põe Deus no centro e no horizonte de toda busca de salvação. O templo, os sacrifícios, as interpretações da Lei, a própria pertença ao povo eleito: tudo fica relativizado. Só uma coisa é decisiva e urgente: converter-se a Deus e acolher seu perdão.

O novo começo

João não pretende mergulhar o povo no desespero. Pelo contrário, sente-se chamado a convidar todos a dirigir-se ao deserto para viver uma conversão radical, ser purificados nas águas do Jordão e, uma vez recebido o perdão, poder ingressar novamente na terra prometida para acolher a iminente chegada de Deus.

Dando exemplo a todos, foi o primeiro a ir para o deserto. Deixa sua pequena aldeia e dirige-se a uma região desabitada da bacia oriental do Jordão. O lugar fica na região da Pereia, às portas da terra prometida, mas fora dela. (12)

Ao que parece, João havia escolhido cuidadosamente o lugar. Por um lado, encontrava-se junto ao rio Jordão, onde havia água abundante para realizar o rito do “batismo”. De resto, por aquela região passava uma importante via comercial que ia de Jerusalém em direção às regiões situadas a leste do Jordão e por onde transitava muita gente a quem João podia proclamar sua mensagem. Mas existe outra razão mais profunda. O Batista podia ter encontrado água mais abundante às margens do lago de Genesaré. Podia ter-se posto em contato com mais pessoas na cidade de Jericó ou na própria Jerusalém, onde havia pequenos tanques ou miqwaot, tanto públicos como privados, para realizar comodamente o rito batismal. Mas o “deserto” escolhido encontrava-se diante de Jericó, no lugar preciso em que, segundo a tradição, o povo conduzido por Josué havia cruzado o rio Jordão para entrar na terra prometida (Cf. Josué Cap. 3-4).

06b-MAPA - Joao Batista

A escolha era intencional.

João começa a viver ali como um “homem do deserto”. Traz como vestimenta um manto de pelo de camelo com um cinturão de couro e alimenta-se de gafanhotos e mel silvestre (Mc 1,6). Esta maneira elementar de vestir-se e alimentar-se não se deve somente a seu desejo de levar uma vida ascética e penitente. Aponta, pelo contrário, para o estilo de vida de um homem que habita no deserto e se alimenta dos produtos espontâneos de uma terra não cultivada. João quer recordar ao povo a vida de Israel no deserto, antes de sua entrada na terra que Deus ia dar-lhes em herança. (15)

João coloca novamente o povo “no deserto” às portas da terra prometida, mas fora dela. A nova libertação de Israel precisa começar ali onde havia começado. O Batista chama as pessoas a situar-se simbolicamente no ponto de partida, antes de cruzar o rio. Assim como aconteceu com a “primeira geração do deserto”, também agora o povo deve escutar a Deus, purificar-se nas águas do Jordão e entrar renovado no país da paz e da salvação.

Neste cenário evocador, João aparece como o profeta que chama à conversão e oferece o batismo para o perdão dos pecados. Os evangelistas recorrem a dois textos da tradição bíblica para apresentar sua figura (16).  João é a “voz que grita no deserto: ‘Preparai o caminho para o Senhor, aplainai suas veredas (Este conhecido texto de Isaías 40,3 e citado por todos os evangelistas para falar de João: Mc 1,3; a fonte Q (Lc 3,4//Mt 3,3) e João 1,23). Esta e sua tarefa: ajudar o povo a preparar o caminho para Deus, que já está chegando. Dito em outras palavras, ele é “o mensageiro” que novamente guia Israel pelo deserto e volta a introduzi-lo na terra prometida

O batismo de João

Quando João chega à região desértica do Jordão, estão muito difundidos por todo o Oriente os banhos sagrados e as purificações com água. Muitos povos atribuíram à água um significado simbólico de caráter sagrado, porque a água lava, purifica, refresca e dá vida. Também o povo judeu recorria às abluções e aos banhos para obter a purificação diante de Deus. Era um dos meios mais expressivos de renovação religiosa. Quando mais afundados se encontravam em seu pecado e em sua desgraça, mais suspiravam por uma purificação que os limpasse de toda maldade. Ainda se recordava a comovedora promessa feita por Deus ao profeta Ezequiel, por volta de 587 a.C.: “Eu vos recolherei de todos os países e vos levarei para a vossa terra. Derramarei sobre vós água pura e ficareis purificados; de todas as vossas impurezas e sujeiras eu vos purificarei. E vos darei um coração novo, infundirei em vós um espírito novo (Ez 36,24-26).

O desejo de purificação provocou entre os judeus do século I uma difusão surpreendente da prática de ritos purificatórios (19) e o aparecimento de diversos movimentos batistas. A consciência de viver longe de Deus, a necessidade de conversão e a esperança de salvar-se no “dia final” levava não poucos a buscar sua purificação no deserto. João não era o único. A menos de 20km do lugar onde ele batizava erguia-se o “mosteiro” de Qumran, onde uma numerosa comunidade de “monges” vestidos de branco e obcecados pela pureza ritual praticavam ao longo do dia banhos e ritos de purificação em pequenas piscinas dispostas especialmente para isso. A atração do deserto como lugar de conversão e purificação deve ter sido muito intensa. Flávio Josefo nos informa que “um tal Banus”, que vivia no deserto, trazia uma veste feita de folhas, comia alimentos silvestres e se lavava várias vezes de dia e de noite com água fria para purificar-se” (20).

No entanto, o batismo de João e, sobretudo, seu significado eram absolutamente novos e originais. Não é um rito praticado de qualquer maneira. Para começar, ele não o realiza em tanques ou piscinas, como se faz no “mosteiro” de Qumran ou nos arredores do templo, mas em plena corrente do rio Jordão. Isso não é algo casual. João quer purificar o povo da impureza radical causada por sua maldade e sabe que, quando se trata de impurezas muito graves e contaminantes, a tradição judaica exige empregar não água estancada ou “água morta”, mas “água viva”, uma água que flui e corre.

Os que aceitam seu batismo, João os mergulha nas águas do Jordão. Seu batismo é um banho completo do corpo, não uma aspersão com água nem uma lavagem parcial das mãos ou dos pés, como se costumava fazer em outras práticas purificatórias da época. Seu novo batismo aponta para uma purificação total. Por isso mesmo é realizado uma só vez, como um novo começo da vida, e não como as imersões praticadas pelos “monges” de Qumran várias vezes ao dia para recuperar a pureza ritual perdida ao longo da jornada.

Mas há algo mais original. Ate ao aparecimento de João não existia entre os judeus o costume de batizar outras pessoas. Conhecia-se grande número de ritos de purificação e imersões, mas os que procuravam purificar-se sempre se lavavam a si mesmos. João é o primeiro a atribuir-se a autoridade de batizar outras pessoas. Justamente por isso começaram a chamá-lo de “batizador” ou “submergidor”. Isto dá a seu batismo um caráter singular. Por um lado, cria um vínculo estreito entre os batizados e João. As abluções praticadas entre os judeus eram coisa de cada um, ritos privados repetidos sempre que se considerava necessário. O batismo no Jordão é diferente. As pessoas falam do “batismo de João”. Ser submergidos pelo Batista nas àguas vivas do Jordão significa acolher seu chamado e incorporar-se à renovação de Israel. Por outro lado, ao ser realizado por João e não por cada um, o batismo aparece como um dom de Deus. É Deus mesmo quem concede a purificação a Israel. João é apenas seu mediador (21).

O batismo de João transforma-se assim em sinal e compromisso de uma conversão radical a Deus. O gesto expressa solenemente o abandono do pecado em que o povo está submerso e o retorno à Aliança com Deus. Esta conversão deve realizar-se no mais profundo da pessoa, mas precisa traduzir-se num comportamento digno de um povo fiel a Deus: o Batista pede “frutos dignos de conversão” (Fonte Q: Lc 3,8//Mt 3,8). Esta “conversão” é absolutamente necessária e nenhum rito religioso pode substituí-la, nem sequer o batismo (23).

No entanto, este mesmo rito cria o clima apropriado para despertar o desejo de uma conversão radical. Homens e mulheres, pertencentes ou não à categoria de “pecadores”, considerados puros ou impuros, são batizados por João no rio Jordão enquanto confessam em voz alta seus pecados. (Assim se descreve o rito em Marcos 1,5: “Eram batizados por ele no rio Jordão, confessando seus pecados”).

Não é um batismo coletivo, mas individual: cada um assume sua própria responsabilidade. No entanto, a confissão dos pecados não se limita ao âmbito do comportamento individual, mas inclui também os pecados de todo o Israel. Provavelmente assemelhava-se à confissão pública dos pecados que todo o povo fazia quando se reunia para a festa da Expiação.

O “batismo de João” é muito mais do que um sinal de conversão. Inclui o perdão de Deus. Não basta o arrependimento para fazer desaparecer os pecados acumulados por Israel e para criar o povo renovado em que pensa João. Ele proclama um batismo de conversão “para o perdão dos pecados” (Mc 1,4). Este perdão concedido por Deus na última hora àquele povo completamente perdido e provavelmente o que mais comove a muitos. Aos sacerdotes, pelo contrário, este perdão os escandaliza: o Batista está atuando a margem do templo, desprezando o único lugar onde é possível receber o perdão de Deus. A pretensão de João é inaudita: Deus oferece seu perdão ao povo, mas longe daquele templo corrompido de Jerusalém!

Quando se aproximou do Jordão, Jesus deparou-se com um espetáculo comovedor: pessoas vindas de todas as partes faziam-se batizar por João, confessando seus pecados e invocando o perdão de Deus. Não havia entre aquela multidão sacerdotes do templo nem escribas de Jerusalém. A maioria era gente das aldeias; entre eles veem-se também prostitutas, arrecadadores de impostos e pessoas de conduta suspeita. Respira-se uma atitude de “conversão”. A purificação nas águas vivas do Jordão significa a passagem do deserto da terra que Deus lhes oferece novamente para desfrutá-la de maneira mais digna e justa (26). Ali está se formando o novo povo da Aliança.

João não está pensando numa comunidade “fechada”, como a de Qumran; seu batismo não é um rito de iniciação para formar um grupo de eleitos. João o oferece a todos. No Jordão está se iniciando a “restauração” de Israel. Os batizados retomam as suas casas para viver de maneira nova, como membros de um povo renovado, preparado para acolher a chegada já iminente de Deus (27).

As expectativas do Batista

João não se considerou nunca o Messias dos últimos tempos. Ele era apenas aquele que iniciava a preparação. Sua visão era fascinante. João pensava num processo dinâmico com duas etapas bem diferenciadas. O primeiro momento seria o da preparação. Seu protagonista é o Batista e terá como cenário o deserto. Esta preparação gira em torno do batismo no Jordão: é o grande sinal que expressa a conversão a Deus e a acolhida de seu perdão. Viria em seguida uma segunda etapa que ocorreria já dentro da terra prometida. Não será protagonizada pelo Batista, mas por uma figura misteriosa que João designa como “o mais forte”. Ao batismo de água sucederá um “batismo de fogo” que transformará o povo de forma definitiva e o conduzirá a uma vida plena” (28).

Quem exatamente virá depois do Batista? João não fala com clareza. Sem dúvida é o personagem central dos últimos tempos, mas João não o chama de Messias nem lhe dá título algum. Apenas diz que é “aquele que há de vir”, aquele que é “mais forte” do que eu (29). Estará pensando em Deus? Na tradição bíblica é muito comum chamar a Deus “o forte”; além disso, Deus é o Juiz de Israel, o único que pode julgar seu povo ou infundir seu Espírito sobre ele. No entanto, resulta estranho ouvi-lo dizer que Deus é “mais forte” do que ele ou que ele não é digno de “desatar as correias de suas sandálias” (Mc 1,7: “Depois de mim vem aquele que é mais forte do que eu; e eu não sou digno de prostrar-me diante dele para desatar-lhe a correia das sandálias”. Provavelmente João esperava um personagem ainda por chegar, por meio do qual Deus realizaria seu último desígnio. Não tinha uma ideia clara de quem haveria de ser, mas esperava-o como o mediador definitivo. Já não virá “preparar” o caminho para Deus, como João. Chegará para tornar realidade seu juízo e sua salvação. Ele levará a sua conclusão o processo iniciado pelo Batista, conduzindo todos ao destino escolhido por uns e outros com sua reação perante o batismo de João: o juízo ou a restauração.

É difícil saber com precisão como o Batista imaginava aquilo que iria acontecer. A primeira coisa nesta etapa definitiva seria, sem dúvida, um grande juízo purificador, o tempo de um “batismo de fogo”, que purificaria definitivamente o povo, eliminando a maldade e implantando a justiça. O Batista via como iam se definindo dois grandes grupos: aqueles que, como Antipas e seus cortesões, não escutavam o chamado ao arrependimento e aqueles que, vindos de todas as partes, haviam recebido o batismo, iniciando uma vida nova. O “fogo” de Deus julgaria definitivamente seu povo.

João utiliza imagens agrícolas muito próprias de um homem de origem rural. Imagens violentas que sem dúvida causavam impacto nos camponeses que o ouviam. Via Israel como a plantação de Deus que necessita de uma limpeza radical. Chega o momento de eliminar os arbustos inúteis, cortando e queimando as árvores que não dão frutos bons (Fonte Q:Lc 3,9//Mt 3,10). Só permanecerão vivas e em pé as árvores que dão fruto: a autêntica plantação de Deus, o verdadeiro Israel. João vale-se também de outra imagem. Israel é como a eira de um povoado onde há de tudo: cereais, poeira e palha. E necessária uma limpeza completa para separar o grão e armazená-lo no celeiro e recolher a palha e queimá-la no fogo. Com seu juízo, Deus eliminará tudo o que não serve e recolherá limpa sua colheita (Mt 3,12).

O grande juízo purificador desembocará numa situação nova de paz e de vida plena. Para isso não basta o “batismo do fogo”. João espera, além disso, um “batismo com Espirito Santo” (Mc 1,8; fonte Q: Lc 3,16//Mt 3,11). Israel experimentará a forca transformadora de Deus, a efusão vivificante de seu Espírito. O povo conhecerá, por fim, uma vida digna e justa numa terra transformada. Viverá uma Aliança nova com seu Deus.

NOTAS

Obs: A FONTE “Q” é definida como o material “comum” encontrado em Mateus e Lucas, mas não no Evangelho de Marcos.

7. As principais fontes sobre a atividade, pregação e morte do Batista são: Marcos 1,2-11; 6,17-29; fonte Q (Lucas 3,7-9; 3,16-17; 7,24-28; 16,16 // Mateus 3,7-10; 3,11-12; 17,7-11; 11,12-13); Flávio Josefo em Antiguidades dos judeus 18, 5,2.

8. De acordo com muitos autores (Meier, Theissen e Merz, Emst, Webb), este seria o único dado que pode ser aceito como histórico do material trazido por Lucas no relato da “infância de João” (Lc 1).

12. Os estudos mais recentes sobre o Batista (Stegemann, Meier, Webb, Vidal) o situam batizando a leste do Jordão, no território da Pereia, que estava sob a jurisdição de Herodes Antipas. Isto explica que ele pudesse encarcerá-lo e executá-lo na fortaleza de Maqueronte, ao sul da Pereia. Na Judeia governava neste momento Pôncio Pilatos.

15. Contra o que geralmente se afirma, parece que a estadia de João no deserto tinha mais o caráter simbólico de uma “vida fora da terra prometida” do que o tom ascético de um penitente (Stegemann, Gnilka, Meier, Vidal).

16. Não sabemos se o próprio João os utilizou para apresentar-se diante do povo, como faziam outros líderes proféticos de seu tempo. Em geral os autores negam.

19. Foram descobertos “tanques” e pequenas “piscinas” (miqwaot) do tempo de Jesus, que serviam para as purificações. São de uso privado ou público. Algumas estavam escavadas na rocha e contavam com sistemas de canalização para recolher a água da chuva ou de algum manancial próximo.

20. (Autobiografia 2, 11-12)

21. Alguns veem nesta atuação do Batista reminiscências de sua função sacerdotal, pois nos ritos purificatórios do templo os sacerdotes atuavam como mediadores de Deus (Stegemann, Webb, Vidal).

23. Entre os judeus conhecia-se muito bem o termo teshubá (“conversão”), que literalmente significa “retorno” ou “volta” e indica a resposta ao chamado que tantas vezes os profetas haviam feito ao povo: “Voltai para Javé”.

26. A hipótese sugerida por alguns autores de que os batizados entravam nas águas na parte oriental do “deserto” para sair pela outra margem para a “terra prometida” é sugestiva, mas não pode ser verificada.

27. É uma questão debatida se o Batista teve alguma relação com a comunidade de Qumran ou inclusive se pertenceu a ela durante algum tempo. Sua atuação no deserto (justificada, como em Qumran, com o texto de Isaías 40,3), seu chamado radical à conversão, sua crítica ao templo, seu rito purificador, seu esquema escatológico, o aproximam muito de Qumran (Hollenbach, Paul, Barbaglio). No entanto, a singularidade de seu rito, a vinculação dos balizados à sua pessoa e mensagem, o oferecimento universal da salvação, a pregação do “mais forte” e outros aspectos o distanciam dos “monges” do mar Morto (Stegemann). Muitos autores situam João no centro de um fenômeno religioso mais amplo de movimentos e práticas batistas (Meier, Perrot, Scobie).

28. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o Batista não considerava esta segunda etapa como “o fim deste mundo”, mas como a renovação radical de Israel numa terra transformada (Webb, Stegemann, Vidal).

29. Esta linguagem do “mais forte” (Mc 1,7) ou “aquele que há de vir” (Mt 11,3) nunca é empregada nas comunidades cristas para falar de Cristo. Reflete quase com toda certeza à pregação original de João.

———————————-

*Texto transcrito do livro “JESUS: aproximação histórica” de José Antonio Pagola, Editora Vozes – 2012 – pp 88-98

 

****************************

Mc    1,  4| E foi assim que João Batista(VIwa,nnhj Îo`Ð bapti,zwn) apareceu no deserto,

Mc    1,  6|  João(VIwa,nnhj) se vestia com uma pele de

Mc    1,  9| Galiléia, e foi batizado por João(VIwa,nnou) no rio Jordão.

Mc    1, 14|     Depois que João(VIwa,nnhn) foi preso, Jesus

 

Mc    2, 18| 18 Os discípulos de João(VIwa,nnou) e os fariseus estavam

Mc    2, 18|Por que os discípulos de João(VIwa,nnou) e os discípulos dos fariseus

 

Mc    6, 14|    Alguns diziam: «João Batista(VIwa,nnhj o` bapti,zwn) ressuscitou dos

Mc    6, 16|     Herodes disse: «Ele é João(VIwa,nnhn). Eu mandei cortar

Mc    6, 17|  Herodes tinha mandado prender João(VIwa,nnhn), amarrá-lo e colocá-lo na

Mc    6, 18| João dizia(VIwa,nnhj) a Herodes: «Não é

Mc    6, 20| Herodes tinha medo de João(VIwa,nnhn), pois sabia que ele era

Mc    6, 24|   respondeu: «A cabeça de João Batista(VIwa,nnou tou/ bapti,zontoj).»

Mc    6, 25|    num prato, a cabeça de João Batista(VIwa,nnou tou/ baptistou).»

 

Mc   8, 28|  Alguns dizem que tu és João Batista(VIwa,nnhn to.n baptisth,n); outros, que és

 

Mc   11, 30|  O batismo de João(VIwa,nnou) vinha do céu ou dos homens?

Mc   11, 32| porque todos consideravam João(VIwa,nnhn) como verdadeiro profeta.

 

23   Mt    3,  1|            Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto
 24   Mt    3,  3|                                  3 João foi anunciado pelo profeta
 25   Mt    3,  4|                                  4 João usava roupa feita de pêlos
 26   Mt    3,  5|         Jordão, iam ao encontro de João.
 27   Mt    3,  6| Confessavam os próprios pecados, e João os batizava no rio Jordão.~
 28   Mt    3,  7|     saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: «Raça de cobras
 29   Mt    3, 13|            fim de se encontrar com João, e ser batizado por ele.
 30   Mt    3, 14|                             14 Mas João procurava impedi-lo, dizendo: «
 31   Mt    3, 15|         cumprir toda a justiça.» E João concordou.~
 32   Mt    4, 12|                    12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus
 34   Mt    9, 14|          14 Então os discípulos de João se aproximaram de Jesus,
 36   Mt   11,  2|                                  2 João estava na prisão. Quando
 37   Mt   11,  4|      respondeu: «Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo
 38   Mt   11,  7|                 7 Os discípulos de João partiram, e Jesus começou
 39   Mt   11,  7|            multidões a respeito de João: «O que é que vocês foram
 40   Mt   11, 10|                            10 É de João que a Escritura diz: ‘Eis
 41   Mt   11, 11|    nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor
 42   Mt   11, 12|                12 Desde os dias de João Batista até agora, o Reino
 43   Mt   11, 13|           e a Lei profetizaram até João.
 44   Mt   11, 14|          vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia vir.
 45   Mt   11, 18|                            18 Veio João, que não come nem bebe,
 46   Mt   14,  2|            a seus oficiais: «Ele é João Batista, que ressuscitou
 47   Mt   14,  3|      Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na
 48   Mt   14,  4|                           4 Porque João dizia a Herodes: «Não é
 49   Mt   14,  5|             5 Herodes queria matar João, mas tinha medo da multidão,
 50   Mt   14,  5|            porque esta considerava João um profeta.~
 51   Mt   14,  8|             num prato, a cabeça de João Batista.»
 52   Mt   14, 10|          mandou cortar a cabeça de João na prisão.
 53   Mt   14, 12|                12 Os discípulos de João foram buscar o cadáver,
 54   Mt   14, 13|           Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e
 55   Mt   16, 14|   responderam: «Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias;
 57   Mt   17, 13|  compreenderam que Jesus falava de João Batista.~A força da  -*
 58   Mt   21, 25|           De onde era o batismo de João? Do céu ou dos homens?»
 59   Mt   21, 25|           vocês não acreditaram em João?’
 60   Mt   21, 26|    multidão, pois todos consideram João como um profeta.»
 61   Mt   21, 32|                          32 Porque João veio até vocês para mostrar

 96   Lc    1, 13|            você lhe dará o nome de João.
 97   Lc    1, 60|             Não! Ele vai se chamar João.»
 98   Lc    1, 63|           escreveu: «O nome dele é João.» E todos ficaram admirados.
 99   Lc    1, 80|         ficando forte de espírito. João viveu no deserto, até o
100   Lc    3,  2|        Deus enviou a sua palavra a João, filho de Zacarias, no deserto.
101   Lc    3,  3|                                3 E João percorria toda a região
102   Lc    3,  7|                                  7 João Batista dizia às multidões
103   Lc    3, 10|            multidões perguntavam a João: «O que é que devemos fazer?»
104   Lc    3, 13|                                 13 João respondeu: «Não cobrem nada
105   Lc    3, 15|         perguntavam a si mesmos se João não seria o Messias.
106   Lc    3, 16|                       16 Por isso, João declarou a todos: «Eu batizo
107   Lc    3, 18|                                 18 João anunciava a Boa Notícia
108   Lc    3, 19|                                 19 João repreendeu o governador
109   Lc    3, 20|         fez o pior: mandou prender João.~O tempo do Espírito -*
110   Lc    5, 10|                         10 Tiago e João, filhos de Zebedeu, que
111   Lc    5, 33|           Jesus: «Os discípulos de João, e também os discípulos
112   Lc    6, 14|           seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;
113   Lc    7, 18|                18 Os discípulos de João o puseram a par de todas
114   Lc    7, 18|          todas essas coisas. Então João chamou dois de seus discípulos,
115   Lc    7, 20|        foram a Jesus, e disseram: «João Batista nos mandou a ti
116   Lc    7, 22|     respondeu: «Voltem, e contem a João o que vocês viram e ouviram:
117   Lc    7, 24|       Depois que os mensageiros de João partiram, Jesus começou
118   Lc    7, 24|        Jesus começou a falar sobre João às multidões: «O que vocês
119   Lc    7, 27|                            27 É de João que a Escritura afirma: ‘
120   Lc    7, 28|      mulher ninguém é maior do que João. No entanto, o menor no
121   Lc    7, 29|        deram ouvidos à pregação de João. Reconheceram a justiça
122   Lc    7, 29|           e receberam o batismo de João.
123   Lc    7, 30|            rejeitando o batismo de João, tornaram inútil para si
124   Lc    7, 33|                       33 Pois veio João Batista, que não comia nem
125   Lc    8, 51|          com ele, a não ser Pedro, João e Tiago, junto com o pai
126   Lc    9,  7|           porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado
127   Lc    9,  9|          disse: «Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre
128   Lc    9, 19|             Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és
129   Lc    9, 28|         Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha
130   Lc    9, 49|                                 49 João disse a Jesus: «Mestre,
131   Lc    9, 54|        isso, os discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres
132   Lc   11,  1|           nos a rezar, como também João ensinou os discípulos dele.»
133   Lc   16, 16|           os profetas chegaram até João; daí para a frente o Reino
134   Lc   20,  4|                     4 o batismo de João vinha do céu ou dos homens?»
135   Lc   20,  5|           vocês não acreditaram em João?’
136   Lc   20,  6|      porque está convencido de que João era um profeta.»
137   Lc   22,  8|             8 Jesus mandou Pedro e João, dizendo: «Vão, e preparem
138  Joa    1,  6|           por Deus, que se chamava João.
139  Joa    1, 15|                                 15 João dava testemunho dele, proclamando: «
140  Joa    1, 19|                 19 O testemunho de João foi assim. As autoridades
141  Joa    1, 19|         levitas para perguntarem a João: «Quem é você?»
142  Joa    1, 20|                                 20 João confessou e não negou. Ele
143  Joa    1, 21|        Então, quem é você? EliasJoão disse: «Não sou.» Eles perguntaram: «
144  Joa    1, 23|                                 23 João declarou: «Eu sou uma voz
145  Joa    1, 26|                                 26 João respondeu: «Eu batizo com
146  Joa    1, 28|       outra margem do Jordão, onde João estava batizando. ~A testemunha
147  Joa    1, 29|                29 No dia seguinte, João viu Jesus, que se aproximava
148  Joa    1, 32|                               32 E João testemunhou: «Eu vi o Espírito
149  Joa    1, 35|                35 No dia seguinte, Joãoestava de novo, com dois
150  Joa    1, 40|         que ouviram as palavras de João e seguiram a Jesus.
151  Joa    1, 42|           Você é Simão, o filho de João. Você vai se chamar Cefas (
152  Joa    3, 23|                                 23 João também estava batizando
153  Joa    3, 24|                                 24 João ainda não tinha sido preso.~
154  Joa    3, 25|   discussão entre os discípulos de João e um judeu sobre a purificação.
155  Joa    3, 26|                    26 Eles foram a João e disseram: «Rabi, aquele
156  Joa    3, 27|                               27 E João respondeu: «Ninguém pode
157  Joa    4,  1|  discípulos e batizava mais do que João.
158  Joa    5, 33|       Vocês mandaram mensageiros a João, e ele deu testemunho da
159  Joa    5, 35|                                 35 João era uma lâmpada que estava
160  Joa    5, 36|          testemunho maior que o de João: são as obras que o Pai
161  Joa   10, 40|            para o lugar onde antes João ficava batizando. E aí ficou.
162  Joa   10, 41|           seu encontro. E diziam: «João não realizou nenhum sinal,

166   At    1,  5|                                 5 ‘João batizou com água; vocês,
168   At    1, 22|              22 desde o batismo de João até o dia em que foi levado
188   At   10, 37|      depois do batismo pregado por João.
189   At   11, 16|          que o Senhor havia dito: ‘João batizou com água, mas vocês
195   At   13, 24|                               24 E João, o precursor, havia preparado
196   At   13, 25|        para terminar a sua missão, João declarou: ‘Não sou aquele
198   At   18, 25|            conhecesse o batismo de João.
199   At   19,  3|         responderam: «O batismo de João200   At   19,  4|           4 Então Paulo explicou: «João batizava como sinal de arrependimento

***********************

MAPA DA PALESTINA

EVANGELHO DE MARCOS

Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

ESSÊNIOS

quarta-feira, julho 13th, 2016

ESSÊNIOS

III. Grupos político-religiosos

Na sociedade do tempo de Jesus podemos distinguir vários grupos, que se diferenciam no modo de se relacionar com a política, economia e religião, e que têm grande importância no quadro social da época.

 6. Essênios

Os essênios se tornaram mais conhecidos a partir da descoberta de documentos em grutas perto do mar Morto, em 1947. O grupo é resultado de fusão entre sacerdotes dissidentes do clero de Jerusalém e de leigos exilados. Na época de Jesus, vivem em comunidades com estilo de vida bastante severo, caracterizado pelo sacerdócio e hierarquia, legalismo rigoroso, espiritualidade apocalíptica e a pretensão de ser o verdadeiro povo de Deus. Em muitos pontos assemelham-se aos fariseus, mas estão em ruptura radical com o judaísmo oficial. Tendo deixado Jerusalém, dirigem-se para regiões de grutas, para aí viverem ideal «monástico». Levam vida em comum, onde os bens são divididos entre todos, há obrigação de trabalhar com as próprias mãos, o comércio é proibido, assim como o derramamento de sangue, mesmo em forma de sacrifícios. A organização da comunidade lembra muito a das ordens religiosas cristãs: condições severas para a admissão, tempo de noviciado, governo hierárquico, disciplina severa, rituais de purificação, ceias sagradas comunitárias. Esperam um messias chamado Mestre da Justiça, que organizará a guerra santa para exterminar os ímpios e estabelecer o reino eterno dos justos.

 

****************** 

** A HISTÓRIA DOS ESSÊNIOS – HISTÓRIA JUDAICA – Prof. Jonathan Matthies

*****************

** Os essênios: a racionalização da solidariedade - Os manuscritos do mar morto

***************

** Veja os vários grupos no tempo de Jesus – A RELIGIÃO: RAIZ DE DISCRIMINAÇÃO

***********

** AS SEITAS JUDAICAS DA ÉPOCA DE JESUS – DAVAR: OPINIÃO E RELIGIÃO

***********

 

 

MAIS SOBRE A BÍBLIA

** PARA ENTENDER LA BIBLIA por Alejandro von Rechnitz

** Leia alguns ARTIGOS sobre a BÍBLIA

** Leia alguns LIVROS APÓCRIFOS

** VEJA MAPAS E OUTRAS IMAGENS DO MUNDO DA BÍBLIA

** VEJA O ESTUDO DO APOCALIPSE DE SÃO JOÃO

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE MARCOS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE MATEUS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE LUCAS

** VEJA O ESTUDO DO EVANGELHO DE JOÃO

** VEJA O ESTUDO SOBRE PAULO APÓSTOLO

** VEJA 10 VÍDEOS DE COMO FUNCIONAVA A SOCIEDADE NO TEMPO DE JESUS E A SUA PROPOSTA

**VEJA MATERIAL SOBRE A LITURGIA

**VEJA MATERIAL SOBRE A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

** Volta à PÁGINA PRINCIPAL

 

Responsável por este trabalho

    Xavier Cutajar

            xacute@uol.com.br       http://xacute1.com