Archive for janeiro, 2017

MATEUS – INTRODUÇÃO DA BÍBLIA DOS CAPUCHINOS

segunda-feira, janeiro 16th, 2017

INTRODUÇÃO

AO

EVANGELHO DE SÃO MATEUS

BÍBLIA DOS CAPUCHINOS

 

Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a língua falada por Jesus. O texto atual reflete tradições hebraicas, mas ao mesmo tempo testemunha uma redação grega. O vocabulário e as tradições fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, não se pode afirmar, sem mais, a sua origem palestinense. Geralmente pensa-se que foi escrito na Síria, talvez em Antioquia ou na Fenícia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma polémica declarada contra o judaísmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o atual texto pode datar-se dos anos 80-90, ou seja, algum tempo após a destruição de Jerusalém.

 

AUTOR

Do seu autor, este livro nada diz; mas a mais antiga tradição eclesiástica atribui-o ao apóstolo Mateus, um dos Doze, identificado com Levi, cobrador de impostos (9,9-13; 10,3).

  • Pelo conhecimento que mostra das Escrituras e das tradições judaicas,
  • pela força interpelativa da mensagem sobre os chefes religiosos do seu povo,
  • pelo perfil de Jesus apresentado como Mestre,

o autor deste Evangelho era, com certeza,

  • um letrado judeu tornado cristão,
  • um mestre na arte de ensinar e de fazer compreender o mistério do Reino do Céu, o tesouro da Boa-Nova anunciada por Jesus, o Messias, Filho de Deus.

 

COMPOSIÇÃO LITERÁRIA

Mateus recorre a fontes comuns a Mc e Lc, mas apresenta uma narração muito diferente, quer pela amplitude dos elementos próprios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos próprios de escrever de Mateus são de grande importância para a compreensão do livro atual:

a) compilação de palavras e de fatos, de “discursos” e de milagres;

b) recurso a certos números (7, 3, 2);

c)  paralelismo sinonímico e antitético;

d) estilo hierático e catequético;

e) citações da Escritura, etc..

 

DIVISÃO E CONTEÚDO

Apesar dos característicos agrupamentos de narrações, não é fácil determinar o plano ou estabelecer as grandes divisões do livro. Dos tipos de distribuição propostos pelos críticos, podemos referir três:

1. Segundo o plano geográfico:

a) o ministério de Jesus na Galileia (4,12b-13,58),

b) a sua atividade nas regiões limítrofes da Galileia e a caminho de Jerusalém (14,1-20,34),

c)  ensinamentos, Paixão, Morte e Ressurreição em Jerusalém (21,1-28,20).

2. Segundo os cinco “discursos”, subordinando a estes as outras narrações: resulta daí um destaque para a dimensão doutrinal e histórica da existência cristã.

3. Segundo o objectivo de referir o drama da existência de Jesus: Mateus apresenta o Messias

a) em quem o povo judeu recusa acreditar (3,1-13,58) e

b) que, percorrendo o caminho da cruz, chega à glória da Ressurreição (14-28).

Aqui, limitamo-nos a destacar:

I. Evangelho da Infância de Jesus (1,1-2,23);

II. Anúncio do Reino do Céu (3,1-25,46);

III. Paixão e Ressurreição de Jesus (26,1-28,20).

 

TEOLOGIA

Escrevendo entre judeus e para judeus, Mateus procura mostrar como na pessoa e na obra de Jesus se cumpriram as Escrituras, que falavam profeticamente da vinda do Messias. A partir do exemplo do Senhor, reflete a praxe eclesial de explicar o mistério messiânico mediante o recurso aos textos da Escritura e de interpretar a Escritura à luz de Cristo. Esta característica marcante contribui para compreender o significado do cumprimento da Lei e dos Profetas: Cristo realiza as Escrituras, não só cumprindo o que elas anunciam, mas aperfeiçoando o que elas significam (5,17-20). Assim, os textos da Escritura neste Evangelho confirmam a fidelidade aos desígnios divinos e, simultaneamente, a novidade da Aliança em Cristo.

Nele ressaltam cinco blocos de palavras ou “discursos” de Jesus:

  1. 5,1-7,28;
  2. 8,1-10,42;
  3. 11,1-13,52;
  4. 13,53-18,35;
  5. 19,1-25,46.

Ocupam um importante lugar na trama do livro, tendo a encerrá-los as mesmas palavras (7,28), e apresentam sucessivamente:

  1. “a justiça do Reino” (5-7),
  2. os arautos do Reino (10),
  3. os mistérios do Reino (13),
  4. os filhos do Reino (18) e
  5. a necessária vigilância na expectativa da manifestação última do Reino (24-25).

Desde o séc. II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o “Evangelho da Igreja”, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia.

O Reino proclamado por Jesus como juízo iminente é, antes de mais, presença misteriosa de salvação já atuante no mundo. Na sua condição de peregrina, a Igreja é “o verdadeiro Israel” onde o discípulo é convidado à conversão e à missão, lugar de tensão ética e penitente, mas também realidade sacramental e presença de salvação. Não identificando a Igreja com o Reino do Céu, Mateus continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma instituição necessária e uma comunidade provisória, na perspectiva do Reino de Deus.

Como os outros Evangelhos, o de Mateus refere a vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo próprio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazaré cumprem-se as profecias;

  • Ele é o Salvador esperado,
  • o Emanuel,
  • o «Deus conosco» (1,23) até à consumação da História (28,20);
  • é o Mestre por excelência que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do Céu (= Reino de Deus);
  • é o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos discípulos a Igreja do seu poder salvífico.

Assim, no coração deste Evangelho o discípulo descobre Cristo ressuscitado, identificado com Jesus de Nazaré, o Filho de Davi e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.

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SENHOR EM MATEUS

segunda-feira, janeiro 16th, 2017

QUEM É O SENHOR EM MATEUS?

 

(EM CONSTRUÇÃO)

VEJA SENHOR NA BÍBLIA

QUEM FOI MATEUS

sábado, janeiro 14th, 2017

QUEM FOI MATEUS

Pe Mario Zuchetto

Mateus ou Matanias, como Teodoro, Deodoro, Deodato, Deusdédit, significa “presente de Deus“.

Antes de seguir Jesus, chamava-se Levi, filho de Alfeu (cf. Mc 2,14; Lc 5,27). Não obstante ser considerado publicano, isto é, pecador público, por ser coletor de impostos em Cafarnaum, Jesus o chamou como apóstolo (cf. Mt 9,9).

Mateus escreveu o Evangelho entre os anos 42 e 70, em aramaico, dialeto do hebraico, destinando-o aos seus compatriotas judeu-cristãos.

Para sua obra, Mateus serviu-se do texto de Marcos.

O original foi perdido depois de ter sido traduzido para o grego.

Mateus não apresenta uma narração histórica da vida de Jesus, mas doutrinal. Seu fim é demonstrar a messianidade e divindade de Jesus, filho de Davi, anunciado pelos profetas e esperado por todo Israel. Daí suas freqüentes citações do Antigo Testamento, provando que as profecias se realizaram plenamente na pessoa de Jesus.

Foi este o Evangelho mais usado nos cultos das primeiras gerações cristãs.