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ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA

sexta-feira, maio 15th, 2020

SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL – ANO B
Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF
Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló
Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

ESCOLA SUPERIOR DE TEOLOGIA E ESPIRITUALIDADE FRANCISCNA
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3º Domingo do Tempo Comum
Dia: 23 de janeiro de 2022
Primeira Leitura: Ne 8,2-4a.5-6.8-10
Salmo: 19/18 B, 8.9.10.15 (R. Jo 6, 63c)
Segunda Leitura: 1Cor 12,12-30
Evangelho: Lc 1,1-4; 4,14-21

 

O Evangelho

No início de seu Evangelho, Lucas oferece um prefácio extremamente denso. Apesar de ser totalmente convencional, a partir dele se pode reconhecer a importância que o autor dá para sua tarefa e sua execução. O prefácio realmente contém a teologia lucana em poucas palavras.

Lc vê muito nitidamente os perigos que ameaçam a comunidade (“o Caminho”), após o desaparecimento dos Apóstolos (cf. At 20,29). Acima de tudo a incerteza doutrinária do período apostólico tardio (dentro da igreja, a coexistência de tradições muito diferentes: a judaico-cristã-palestina e a étnico-cristã-paulina; do lado de fora, as tendências sincréticas helenismo, que tornavam a situação ainda mais delicada) leva Lc a pensar na necessidade de remédios. E, com surpreendente inteligência, ele vê qual meio pode servir: a paradosis (tradição) apostólica, que em sua totalidade alivia as tensões acima mencionadas.

Esta situação nos permite entender a intenção de Lc e seu modo de proceder. É tão óbvio que Lc e seus leitores estão interessados ​​apenas nas peplērophorēmenōn en hēmin pragmatōn (coisas plenamente consumadas entre nós), que não há necessidade de propor tematicamente o conteúdo da escrita (como acontece em At 1,1). Em vez disso, Lc aqui se expressa sobre a meta que ele se propôs (v.4) e sobre o método para alcançá-la (v.3). E apresenta a relação com relatos dos predecessores usados ​​como fonte de tradição (v.1) e, portanto, determina o valor que eles têm como fontes (v. 2). Coleta de forma mais completa possível e expõe a paradosis apostólica normativa para todos os tempos.

Lc sabe bem que a sua diégésis “narração” deve ser distinguida da pregação apostólica. Note-se que ele não chama esta sua diégésis (como Mc 1,1) euaggelion. Em vez disso, este escrito é adicionado como forma de esclarecimento ao ensino eclesial que, de acordo com v.4, apresenta o objeto da fé de forma confiável.

Após uma transição (4,14-15), Lc introduz a visita de Jesus em Nazaré (4,16-21) para enfocar imediatamente a mensagem central do texto, o anúncio da salvação em favor dos pobres e dos marginalizados.

v. 14-15: com este texto a atividade itinerante de Jesus na Galileia vai enfatizar seu ensinamento. Com o mesmo verbo usado antes da tentação (voltou = hypéstrepsen, v. 1 e 14) apresenta o estágio inicial do ministério de Jesus, que aparece sempre sob a ação do Espírito, com quem esteve no Jordão e com o qual foi levado para o deserto.

O tempo do Batista havia acabado; a pregação de Jesus marca o início de um novo tempo, caracterizado pela ação do Espírito. Enquanto João havia pregado no deserto, Jesus se coloca no ambiente próprio do judaísmo, “ensinava em suas sinagogas” (v.15), expressão que destaca sua atividade didática. Ele omite o convite urgente para a conversão, com uma marca apocalíptica, trazida por Mc (1,15). O cerne da pregação de Jesus na perspectiva lucana não era sobre o fim do mundo, mas a proclamação da salvação em favor dos pobres e marginalizados, como emerge no episódio seguinte.

v. 16: “E ele veio a Nazaré … e entrou … na sinagoga”. Apesar do aparente caráter biográfico, o acento da história recai sobre seu significado teológico. No entanto, Lc se inspira em reminiscências históricas específicas. Jesus foi criado em Nazaré e a partir do décimo terceiro ano de idade frequentou a sinagoga para a liturgia de sábado. A convite do chefe da sinagoga, qualquer homem adulto poderia falar depois de ler uma passagem das Escrituras. A função litúrgica era realizada da seguinte maneira. Começava-se com a recitação do Shemá (Dt 6,4-9; 11,13-21; Nm 15,37-41); seguia-se a oração das Dezoito Bênçãos (Shemonê Esrê). Era então lida uma passagem da Torá e uma passagem dos Profetas (Haftará), conectada com a primeira leitura. A Torá era lida de acordo com várias seções (parashá), parafraseadas em língua aramaica (targumîm) para torná-la mais compreensível. Jesus adaptou-se a essa prática para falar no contexto da liturgia sinagogal, talvez em uma manhã de sábado.

v.17-19. “E lhe foi dado o livro do profeta Isaías” O livro tinha a forma de um rolo. Jesus o abre e escolhe a passagem de Is 61,1-2a. O texto relatado por Lc corresponde à tradução da LXX e inclui um trecho de Is 58,6: “colocar em liberdade os oprimidos”. Embora em Isaías a passagem citada referira-se ao chamado do profeta pós-exílico (Terceiro Isaías) para transmitir uma mensagem de consolo a Jerusalém, em Lc, mais do que o papel profético de Jesus, é destacado sua função messiânica, como aparece na expressão “ele me ungiu” (echrisen me). De fato, na teofania do batismo (3,21-22), Jesus foi consagrado Messias (ungido pelo Espírito Santo), para anunciar boas novas aos pobres, ou seja, as boas novas da salvação, para proclamar a libertação dos presos e para libertar os oprimidos (Lc 7,18-23). Percebe-se aqui uma alusão ao ano do jubileu (prescrito a cada 50 anos em Lv 25,10), que envolvia a liberação de todos os escravos e a restituição de bens. O acento recai sobre a proclamação do “Evangelho” (Euangelisasthai), cuja eficácia é garantida pela força de Espírito.

No contexto alegre da proclamação da salvação, Lc, após a citação da frase: “ele me enviou … para proclamar um ano de graça do Senhor”, omite a expressão que segue: “um dia de vingança para o nosso Deus” (Is 61,2b). A intervenção escatológica de Deus para exterminar os ímpios, vem reinterpretada na missão histórica de Jesus, que é salvar, não condenar, ser médico dos enfermos e não juiz para punir os pecadores. Lc usa a passagem de Is para inserir no primeiro discurso de Jesus os temas que mais lhe tocam: o Espírito Santo, a unção messiânica, a libertação escatológica, a alegria, a intervenção de Deus a favor dos pobres e oprimidos, a proclamação do ano da graça. Portanto, parece que em Lc esta perícope desempenha o papel que o sermão da montanha tem na estrutura de Mt: é a magna carta, o programa essencial de seu ministério.

v.21: “Hoje esta Escritura é cumprida em vossos ouvidos”. O início da pregação de Jesus não consiste como em Mc 1,14-15 no anúncio de proximidade do reino, cuja implementação total estava conectada com o julgamento final, mas antes na proclamação do cumprimento das promessas. Sua própria presença representou o hoje da salvação, o cumprimento da Escritura. Jesus com a sua palavra não só anunciou, mas realizou a salvação divina, contida nas promessas proféticas. É por isso que ele afirma que a Escritura é cumprida “em vossos ouvidos”. Essa expressão é um semitismo que significa “para ti que escutas”. A palavra de Jesus se torna um evento salvador, vivo, atual.

O v. final mostra Jesus como o único verdadeiro hermeneuta da Escritura. Podemos relacioná-lo com Ne 8,8: “leram clara e distintamente o livro da Lei de Deus
e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender”.

 

Segundo Domingo do Tempo Comum
Dia: 16 de janeiro de 2022
Primeira Leitura: Is 62,1-5
Salmo: 96/95, 1-3.7-8a.9-10a.c
Segunda Leitura 1Cor 12,4-11
Evangelho: Jo 2,1-11

O Evangelho

O Evangelho de hoje nos apresenta o episódio conhecido como “as bodas de Caná”. Trata-se de um relato aparentemente simples e é esta visão simplista pode prejudicar a compreensão da profundidade do sinal que Jesus realiza.

O evangelho de hoje inicia com uma indicação temporal: no terceiro dia. Na Bíblia, vários acontecimentos importantes ocorrem no terceiro dia: no terceiro dia, Deus deu a Lei (Torá) ao povo (Ex 19,11); no terceiro dia, Jesus ressuscitou. Mas é necessário observar que “terceiro dia” não é um tempo cronológico, e sim um tempo “teológico”: é o momento certo da ação de Deus.

Após esta informação inicial, o evangelista continua no v.1: houve um casamento em Caná da Galileia. Por que Caná? Em hebraico, o verbo qānāh significa adquirir, comprar. Conforme a mentalidade antiga (mas vigente ainda hoje), em um casamento, o noivo adquire uma esposa. No Antigo Testamento, o casamento (as núpcias) é usado várias vezes como símbolo da Aliança entre Deus e Israel. Assim, por exemplo, na Aliança no Sinai: Javé adquiriu seu povo como sua esposa (Ex15,11).

O evangelho, em seguida, afirma: mãe de Jesus estava lá (Jo 2,1b). No Quarto Evangelho, a mãe de Jesus é citada três vezes: Jo 2,12;6,42;19,25. Devemos observar, porém, que nunca ela é citada pelo nome. Se isso acontece, tem uma razão: o evangelista quer que seus leitores pensem na figura mãe de Jesus em dois níveis: o material e o simbólico. Obviamente, no nível material, trata-se da mulher que deu Jesus à luz; mas, para que o leitor não se reduza a este plano, a ausência do nome é proposital, para remeter ao nível simbólico: a mãe de Jesus é figura da Igreja.

O v.2 do evangelho de hoje afirma: Ora, tanto Jesus como seus discípulos foram convidados. Com isso, o evangelista ensina que Jesus, como Messias, é convidado, mas não pertence à Antiga Aliança. Ele traz uma nova proposta, que se torna mais clara à luz da afirmação do v.3: A mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. O vinho é símbolo dos dons divinos: graça, alegria, virtude, sabedoria, salvação, vida espiritual, vida com sentido. Quando acaba o vinho, acaba a festa, acabam também todos esses dons. Ao afirmar eles não têm mais vinho, a mãe de Jesus declara que a Antiga Aliança já não tem mais sentido, não é mais a portadora dos dons divinos.

É comum interpretar a frase da mãe de Jesus como uma intercessão, como se ela estivesse pedindo para Jesus realizar um prodígio. Mas isso foge à lógica do texto, como fica claro na resposta brusca que Jesus dá à sua mãe. Mais do que uma intercessão, a mãe faz uma constatação: o judaísmo tornou-se uma religião vazia, não mais dá a vida e não há nada que se possa fazer para consertar. Daí entende-se o questionamento de Jesus: Que queres de mim, mulher? (v.4). Literalmente, esta frase pode ser traduzida como: Que há entre mim e ti? ou O que nós temos a ver com isso? Por si só, esta pergunta de Jesus é dura para nossos padrões. Mas ela é completada pelo vocativo “mulher”. Não “mãe”, não “senhora”, mas “mulher”. Um filho nunca se dirige à sua mãe assim!

Para compreender por que Jesus fala desse modo, é necessário recordar Gn 2,23: o homem chama sua companheira de “mulher”. O evangelista, portanto, quer nos fazer pensar em uma nova criação, um novo começo, uma nova humanidade.

Em sua resposta, Jesus diz: minha hora ainda não chegou (v. 4). A “hora” de Jesus é o momento da manifestação da sua glória, que acontecerá na cruz. Com ainda não chegou Jesus afirma: o que vai acontecer agora não é a glória, é só antecipação, é só sinal!

É então que a mãe diz aos servidores: Fazei tudo que ele vos disser! (v.5). A frase da mãe de Jesus deve ser ligada à celebração da Aliança no Sinai. Em Ex 19,8, o povo responde a Moisés: Faremos tudo o que o Senhor disser. A ordem da mãe de Jesus aos servidores é uma referência direta à Aliança (núpcias) entre Javé e seu povo. No deserto, os hebreus expressão da disposição de entrar na Aliança e de cumprir todos os preceitos do pacto. Em Caná, é um convite da mãe, figura da Igreja, a que os leitores do evangelho façam uma Aliança com Jesus. Por isso, há uma referência à Aliança antiga, qualificada como incapaz de trazer os dons divinos: a ordem de Jesus no v.7 Enchei as talhas com água – É um modo que o evangelista tem para dizer que a Aliança e a Lei antigas estão esgotadas, elas não podem purificar nem trazer vida. Mas a nova realidade proposta por Jesus, sim. Por isso, o detalhe: encheram até a boca indica que a nova Aliança com Jesus oferece graça completa e plena.

O relato termina dizendo que Jesus manifestou a sua glória (v.11). Não totalmente, mas apenas um “aperitivo”. No Quarto Evangelho, a glória do Filho é realizar a glória do Pai, e a glória do Pai é a vida plena do ser humano. Como no Sinai, a celebração da Aliança termina com manifestação da glória (Ex 24,16).

Mas o arremate do trecho de hoje é e seus discípulos creram nele (v.11). O sinal cumpriu seu objetivo: fazer crer. Os discípulos são os que enxergam além do milagre e alcançam o significado do sinal. Este é o objetivo não só desta perícope, mas também de todo o Evangelho de João: “para que creiais/acrediteis” (Jo 20,31). Esta adesão à nova Aliança com Deus em Jesus traz à humanidade os dons divinos: alegria, vida, dignidade, saúde e educação para todos e plenamente!

 

SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS

Dia 09 de Janeiro de 2022
Batismo do Senhor
Primeira Leitura: Is 42,1-4.6-7
Segunda Leitura: At 10,34-38
Salmo: 29/28,1a.2.3ac-4.3b.9b-10
Evangelho: Lc 3,15-16.21-22

 

O Evangelho

No batismo Jesus inicia oficialmente sua missão, ou seja, sua vida pública. Ele agora entrou na caminhada dos/as discípulos/as, recebendo o batismo como as demais pessoas, isto é, caminha lado a lado com elas. Jesus ora e é confirmado pelo Espírito Santo que desce sobre ele e pelo Pai que, rasgando o céu, envia sua voz sobre Filho. Nele se realiza a plena vontade do Pai, como também se atesta na transfiguração (Lc 9,35). Ele é o pleno revelador de Deus (Lc 10,22). O povo pode confiar, pois ele tem o aval do Pai. Pode-se ver neste ato uma versão sinótica do dito de Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai, a não ser por mim” (Jo 14,6).

Em Lc 3,15-16 são confirmadas as expectativas messiânicas do povo que vai até João Batista. Lucas, valendo-se da promessa do AT, esclarece que João não é o Messias esperado, mas que ele aponta para o verdadeiro realizador da nova aliança: Jesus. Ele diz isto de forma simbólica pela figura das sandálias: Em Dt 25,5ss se narra a lei do levirato, ou lei do cunhado (ao homem que não quer assumir em casamento a viúva de seu irmão falecido, tira-se-lhe a sandália, cospe-se no rosto…). Jesus, o que está por vir, não renuncia ao direito de ser o esposo da Nova Aliança, por isso, João não precisa desamarrar a sandália dele (Dt 25,9) e deixar que outro assuma este papel. João batiza de forma precária (água) mas Jesus vai batizar com o Espírito Santo e com fogo (cf. Is 4,4; Jr 4,11-12 fogo purificador). Em outras palavras, o realizador das esperanças messiânicas, da Nova Aliança, é Jesus, não João. Ele é apenas amigo do esposo desta Nova Aliança (Jo 3,29-30). Por isto mesmo, as comunidades viram no batismo de João apenas uma preparação. O batismo de João, na realidade, ainda não é o batismo de verdade (água). O verdadeiro batismo é o de Jesus que será complementado no Espirito e no Fogo (Pentecostes – At 2,1-13). Convém aqui lembrar que em At 19,1ss, Paulo se confronta com uma comunidade batizada apenas no batismo de João. O Apóstolo diz claramente que este não era o verdadeiro batismo, mas uma preparação. Paulo batiza estas mesmas pessoas novamente.

O relato do batismo de Jesus, na versão de Lc 3,21-22 difere em alguns detalhes de Mt 3,13-17 e de Mc 1,9-11. Não se narra o diálogo de Jesus com João (cfr. Mt 3,13ss). Jesus está anônimo entre o povo. Ele se esvaziou para assumir a vida com o povo (Fl 2,6-11). O testemunho que recebe do Pai e do Espírito confirma sua missão. O Espírito em forma de pomba lembra a esperança de vida nova do fim do dilúvio (Gn 8,12) e o amor do casal apaixonado (Ct 2,10), ou seja, o Espírito e o fogo anunciado por João, em Jesus se tornou o Espírito manso, na forma de pomba.

A voz do Pai lembra o Sl 2,7, mas também, Is 63,15.19, ou seja, em Jesus, o céu se abriu e Deus voltou a falar depois de longo silêncio, agora de forma plena, como nunca antes o fizera. Em Jesus, Deus está próximo dos/as discípulos/as para sempre. Nele é Deus que fala.

Aqui convém apontar que Mc 1,11 e Mt 3,17 dizem: “Meu filho amado, em quem me comprazo”, o que se inspira em Is 42,1ss. Muitos manuscritos antigos de Lc 3,22 traduzem: “Tu és meu filho, eu hoje te gerei”, o que seria inspiração de Sl 2,7, ao invés de Is 42,1ss. Porém, em boa parte das traduções bíblicas atuais, aparece a mesma tradução de Marcos e Mateus, pois alguns antigos manuscritos harmonizaram este versículo, mas provavelmente Lucas diferia de Mateus e de Marcos. Seria uma mudança de perspectiva: Mateus e Marcos pensam Jesus como o Servo, já Lucas, o apresentaria como Rei e Messias.

Relacionando com as outras leituras

Os teólogos do NT releram a pessoa de Jesus à luz de Is 42,1ss. Ele é o Servo, o escolhido, a plena realização dos desejos do Pai, aquele que leva o direito e a justiça às nações. Assim, o que o profeta disse por volta dos anos 550 a.C. se realiza agora na pessoa de Jesus de forma inconteste. Esta missão universal de Jesus, segundo Pedro (At 10,34-38) iniciou na Galiléia, depois do batismo de João e se estendeu por toda parte realizando as obras do Pai.

 

 

 

4º Domingo do Tempo Comum

Dia 30 de Janeiro de 2022

Evangelho: Lc 4,21-30

Primeira Leitura: Jr 1,4-5.17-19

Segunda Leitura: 1Cor 12,31-13,13

Salmo: 70,1-2.3-4a.5-6ab.15ab.17

 

O Evangelho

O Evangelho segundo Lucas é dedicado a uma pessoa física ou simbólica, chamada “Teófilo” (“quem ama Deus”; cf. Lc 1.1-4). A intencionalidade explÍcita deste Evangelho deixa evidente que foi organizado – respeitando a redação daqueles já escritos (Marcos e Mateus) – buscando evidenciar o que poderíamos chamar de “projeto de Deus em Cristo”. A partir de 4,16 o cenário é a Sinagoga Nazaré (onde Jesus cresceu, cf. 4,22). Ali Lucas abordará assuntos importantes para as pessoas cristãs que não eram provenientes do judaísmo (gentias ou gregas): quais as semelhanças e diferenças entre a Sinagoga – do tempo de Jesus – e o projeto de Deus? Quais os preconceitos e ódios que devem ser superados?

O texto em si

Esta passagem do Evangelho pode ser chamada de “sermão inaugural em Nazaré (4,16-30; 4,31-6,19) ”. A perícope se estende do versículo 16 até o 30. Veremos primeiro o conjunto (4,16-30) e, depois, os detalhes do trecho destacado pelo lecionário (4,21-30).

4,16-21 – A chegada na Sinagoga de Nazaré (v.16a) e o posicionamento litúrgico para “ler” (v.16b-17). A leitura em si (Is 61,1-3). O fechamento e entrega do livro (v.20) e o título do sermão, “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabam de ouvir” (v.21).

4,22-30 – A partir daqui Lucas começa a responder as perguntas feitas acima apontando para uma série de preconceitos a serem superados:

No v.22 – Preconceito de classe – Apesar de “todos” dar “testemunho” (emartúroun) e ficar “maravilhados” (ethaumazon) com as Palavras da Graça (logois tes caristos) que saiam da sua boca, explicitam o “preconceito de classe” sofrido por Jesus em Nazaré, presente nos outros Evangelhos Sinóticos (cf. Mc 6,3; Mt 13,54-56). Lucas, no entanto, não menciona a profissão de “carpinteiro”, menciona apenas “José”(o que já era sinal de exclusão na sociedade do Império Romano).

No v.23-24 – Preconceito de poder – Jesus começa citando uma frase “médico cura-te a ti mesmo”, usada para desqualificar sua ação político-terapêutica (cf. Mc 15,30; Mt 27,42a). Este tipo de preconceito tende a ver apenas o milagre (as curas feitas por Jesus) e não o sinal (que mostra o sentido do Projeto de Deus em Jesus; cf. Mc 8,11-12). Finalmente denuncia a perseguição contra os profetas que ameaçavam o poder político, o sistema econômico ou a hegemonia religiosa (cf. Mt 5, 11-12 e 13,57).

Nos vs. 25-28– Preconceito de étnico e religioso – A boa nova para as pessoas pobres, com que iniciava a leitura de Isaias (Lc 4,18a; cf. Is 61,1a) é ilustrada em relação a pessoas discriminadas por sua origem étnico-religiosa (Viúva de Serepta e Sírio Naamã). Estas pessoas foram, nas narrativas fundantes da profecia bíblica, exemplos de fé para o povo de Israel. Mas, a reação xenofóbica – ou racista, se transportada para nossa realidade – é imediata! E aqui está o centro desta parte do texto! A resposta a semelhança e diferença entre o Projeto de Deus em Cristo e a religião preconceituosa que exclui.

Nos v. 29 – O ódio e a exclusão dos preconceitos – A jornada que iniciou com Jesus tomando um lugar de destaque na Sinagoga (4,16), termina com Jesus expulso da sua cidade e linchado por seus irmãos de fé, tomados pelo ódio do preconceito.

No v.30 – A superação dos preconceitos – A frase simples “E passando por meio deles se foi”, é muito enfática no grego, com o uso consecutivo de “dia” (dielton/dia), dando ideia não apenas de “passar”, mas de “superar”, como uma páscoa, onde a preconceito e o ódio ficaram para trás. Agora o caminho está aberto para acolhes Teófilos e Teófilas.

Relacionando com as outras leituras

A vocação profética de Jeremias, mostra que é necessário enfrentar as injustiças e preconceitos sem medo. Quem assume a profecia que supera preconceitos (Jr 1,17-19). O belíssimo cântico ao amor de 1 Coríntios 13, nos mostra que a verdadeira religião, a fé do Projeto de Deus em Cristo, não pode negar o amor, nem deixar ninguém que ama Deus fora deste projeto. O amor se contrapõe diretamente a qualquer forma de ódio e preconceito.

 

Epifania do Senhor

Primeira Leitura: Is 60,1-6
Salmo: 71,1-2.7-8.10-13
Segunda Leitura: Ef 3,2-3a.5-6
Evangelho: Mt 2,1-12

O Evangelho

O seguinte relato apresenta dois destaques nítidos. No primeiro, resplandece a inteligência de Jesus (v. 46s.). O templo é trazido de volta à sua natureza como um lugar de ensino e da revelação. O que já havia sido evocado no v. 40 aqui fica bastante evidente: enquanto João no deserto aguarda a anadeixis, manifestação (Lc 1,80), Jesus antes mesmo sua aparição pública é plēroumenos sophia, pleno de sabedoria. Mas a culminação é constituída pela manifestação da obediência de Jesus como Filho. A partir daqui a luz é refratada sobre todos os predicados anteriores da obediência de Jesus – em última análise inadequados – encontrados na história da infância, que agora começam a brilhar com uma nova luz; especialmente o título “Filho” de 1,32-35 adquire nova e mais profunda luminosidade.

Nesta passagem aparece o significado de toda a história da infância de Lc 1–2, porque nela a filiação divina de Jesus é manifestada. A perícope quer deixar evidente quem é aquele de quem notícias seriam dadas querigmaticamente no resto da história: o “Filho” do Pai. Lc 2,41-52 torna-se assim um vigoroso “final” de todo o prelúdio constituído por Lc 1–2.

A narrativa é dividida em três partes: introdução (v. 41-45) seguida pela parte principal (v. 46-51), enquanto v. 52 fecha a história.

Esta história da infância de Jesus não tem paralelo nos evangelhos canônicos. Esta breve vinheta permite que Lc faça uma transição menos abrupta desde o nascimento de Jesus ao seu ministério. Em 1,80 Lc dedicou uma única linha para resumir a vida de João no deserto à espera do ministério de Jesus. Neste episódio, Lc oferece ao leitor/a uma visão muito mais ampla do tipo de “crescimento” de Jesus.

Do ponto de vista puramente literário, a perícope mostra todo o domínio narrativo de Lc: a perda de um filho durante uma festa com o consequente aperto no coração de seus pais; a busca frenética; a fala do adolescente que quer estabelecer distâncias; a incapacidade dos pais em compreender um mandado que para o jovem é uma coisa natural – todos esses elementos são esboçados com economia de palavras e com uma penetração psicológica incomum. Quais são os/as leitores/as que não sentem como seus a surpresa, angústia e confusão dos pais, ou a tensão experimentada pelo adolescente entre dois sentimentos opostos, entre os pais dedicados e cuidadosos e o impulso para uma vocação superior?

v.41: Eles iam todos os anos: o imperfeito indica uma ação habitualmente repetida. O “de acordo com o costume” do versículo seguinte reforça este senso de prática habitual.

v.42: Quando ele tinha doze anos: a indicação da idade provavelmente quer marcar a época em que Jesus assumiu as responsabilidades religiosas dos adultos. De acordo com a tradição judaica a criança de treze anos estava pronta para guardar os mandamentos, e o menino de doze anos tornava-se responsável pelos votos pronunciados.

v.44: na caravana: O termo synodia sugere uma peregrinação coletiva que consiste em um grupo de parentes e conhecidos da mesma região.

v.46: ​​Após três dias: Podemos ver uma alusão à ressurreição, embora Lucas nas previsões da paixão use a expressão tritē hēmera (9,22; 18,33) em vez daquela usada aqui.

v.47: “ficaram estupefatos”: o termo existēmi é frequentemente usado por Lucas para descrever várias reações emocionais particularmente intensas, como em 8,56; 24,12.

v. 48: “ficaram perplexos”: como existēmi, mas talvez ainda mais forte, o termo ekpléssó expressa uma forte reação emocional (cf 4,32; 9,43). O termo quer expressar a surpresa e admiração contidas na pergunta de Maria, a qual, no entanto, Jesus não leva em consideração em sua resposta.

“Angustiados”: Lucas usa o verbo odynaomai para o sofrimento físico e moral (16,24-25). Nesse caso, o termo dá a ideia de uma ansiedade profunda. Embora seja tentador ver na expressão um cumprimento imediato da profecia feita a Maria em 2,35, este episódio afeta ambos os pais.

“Estávamos procurando por você”: o conteúdo desse diálogo se assemelha ao do túmulo vazio em Lc 24,5.

De acordo com Lc Jesus menciona seu Pai na primeira (2,49) e na última palavra (23.46).

v.50: e eles não entenderam: A incapacidade de compreensão por ocasião da primeira visitação messiânica é um elemento temático em Lc (8,10; 9,45; 18,34).

v.51: “e estava submetido a eles”. Note-se a força contínua do imperfeito en. A leitura de Eclo 3,7: “Quem teme ao Senhor honra seus pais”, oferece uma boa janela veterotestamentária para a compreensão do relacionamento familiar.

A conjugação perifrástica hypotassomenos (sempre submisso) faz ver de maneira muito eficaz a diuturna e amorosa submissão que assinala de maneira nova o episódio anterior, apenas narrado, que poderia parecer um desejo de autonomia e independência (cf., Lc 10,17.20). “A mãe guardava todas essas coisas [palavras]”. Aqui e em 2,50 usa-se o termo rhēma, com uma versatilidade que é possível significar tanto “palavra” quanto “coisas”. O verbo “guardava diligentemente” (diatērein) tem aproximadamente o mesmo sentido de “conservava” (synetērei) em 2,19.

v.52: “Jesus crescia”: o termo prokoptein tinha o significado técnico de crescimento na vida moral e intelectual. O termo hēlikia pode significar idade ou estatura; em 19,3 Lc o usa para estatura. A graça (ou favor, charis) desfrutada por Jesus perante Deus e as pessoas, pode ser relacionada com a descrição da primeira comunidade cristã em Jerusalém, que gozava da “simpatia [ou favor ou graça] de todo o povo” (At 2,47).

Em Cl 3,16 aparecerão as expressões “sabedoria” e “graça”, atualizadas na vida daqueles que seguem a Jesus.

Como o relato do nascimento de Jesus sutilmente prefigurava a sua sepultura, assim também esta história prenuncia sua ressurreição. Lembramos que Lucas identifica estar perdido com estar morto e ser encontrado com retornar à vida (15,32). Temos diversos detalhes que nos fazem pensar ao sepulcro vazio de 24,1-8. A indicação de tempo “após três dias” é um indício importante, mas não o único (2,46; 24,7). Há a busca pelo perdido (v.44-45) e a pergunta um tanto abrupta aos buscadores: “Por que vocês estavam me procurando?” (v.49) e o dirigido às mulheres: “Por que procurais entre os mortos quem está vivo?” (24,5). Semelhantes são as reações de Maria que “guardou todas estas coisas [palavras] no coração” (2,51) e das das mulheres em frente ao sepulcro que “se lembraram das suas palavras” (24,8). A história também oferece uma antecipação do aparecimento do Senhor ressuscitado aos discípulos no caminho de Emaús (24,19-34). Na presente narrativa, os que amam Jesus são tomados de angústia por sua “ausência”, de seu “estar perdido”. Na história da aparição há tristeza e angústia entre aqueles que “esperaram” em Jesus, porque agora ele “se foi”. Mas na presente história, embora Jesus seja “encontrado” por seus pais, ele já inicia o processo de desligamento deles.

 

LITURGIA DOMINICAL – ANO C

Sagrada Família Ano C
Dia 26 de dezembro de 2021
Primeira Leitura: Eclo 3,3-7.14-17a
Salmo: 128/127,1-5
Segunda Leitura: Cl 3,12-21
Evangelho: Lc 2,41-52

 

O Evangelho

O seguinte relato apresenta dois destaques nítidos. No primeiro, resplandece a inteligência de Jesus (v. 46s.). O templo é trazido de volta à sua natureza como um lugar de ensino e da revelação. O que já havia sido evocado no v. 40 aqui fica bastante evidente: enquanto João no deserto aguarda a anadeixis, manifestação (Lc 1,80), Jesus antes mesmo sua aparição pública é plēroumenos sophia, pleno de sabedoria. Mas a culminação é constituída pela manifestação da obediência de Jesus como Filho. A partir daqui a luz é refratada sobre todos os predicados anteriores da obediência de Jesus – em última análise inadequados – encontrados na história da infância, que agora começam a brilhar com uma nova luz; especialmente o título “Filho” de 1,32-35 adquire nova e mais profunda luminosidade.

Nesta passagem aparece o significado de toda a história da infância de Lc 1–2, porque nela a filiação divina de Jesus é manifestada. A perícope quer deixar evidente quem é aquele de quem notícias seriam dadas querigmaticamente no resto da história: o “Filho” do Pai. Lc 2,41-52 torna-se assim um vigoroso “final” de todo o prelúdio constituído por Lc 1–2.

A narrativa é dividida em três partes: introdução (v. 41-45) seguida pela parte principal (v. 46-51), enquanto v. 52 fecha a história.

Esta história da infância de Jesus não tem paralelo nos evangelhos canônicos. Esta breve vinheta permite que Lc faça uma transição menos abrupta desde o nascimento de Jesus ao seu ministério. Em 1,80 Lc dedicou uma única linha para resumir a vida de João no deserto à espera do ministério de Jesus. Neste episódio, Lc oferece ao leitor/a uma visão muito mais ampla do tipo de “crescimento” de Jesus.

Do ponto de vista puramente literário, a perícope mostra todo o domínio narrativo de Lc: a perda de um filho durante uma festa com o consequente aperto no coração de seus pais; a busca frenética; a fala do adolescente que quer estabelecer distâncias; a incapacidade dos pais em compreender um mandado que para o jovem é uma coisa natural – todos esses elementos são esboçados com economia de palavras e com uma penetração psicológica incomum. Quais são os/as leitores/as que não sentem como seus a surpresa, angústia e confusão dos pais, ou a tensão experimentada pelo adolescente entre dois sentimentos opostos, entre os pais dedicados e cuidadosos e o impulso para uma vocação superior?

v.41: Eles iam todos os anos: o imperfeito indica uma ação habitualmente repetida. O “de acordo com o costume” do versículo seguinte reforça este senso de prática habitual.

v.42: Quando ele tinha doze anos: a indicação da idade provavelmente quer marcar a época em que Jesus assumiu as responsabilidades religiosas dos adultos. De acordo com a tradição judaica a criança de treze anos estava pronta para guardar os mandamentos, e o menino de doze anos tornava-se responsável pelos votos pronunciados.

v.44: na caravana: O termo synodia sugere uma peregrinação coletiva que consiste em um grupo de parentes e conhecidos da mesma região.

v.46: ​​Após três dias: Podemos ver uma alusão à ressurreição, embora Lucas nas previsões da paixão use a expressão tritē hēmera (9,22; 18,33) em vez daquela usada aqui.

v.47: “ficaram estupefatos”: o termo existēmi é frequentemente usado por Lucas para descrever várias reações emocionais particularmente intensas, como em 8,56; 24,12.

v. 48: “ficaram perplexos”: como existēmi, mas talvez ainda mais forte, o termo ekpléssó expressa uma forte reação emocional (cf 4,32; 9,43). O termo quer expressar a surpresa e admiração contidas na pergunta de Maria, a qual, no entanto, Jesus não leva em consideração em sua resposta.

“Angustiados”: Lucas usa o verbo odynaomai para o sofrimento físico e moral (16,24-25). Nesse caso, o termo dá a ideia de uma ansiedade profunda. Embora seja tentador ver na expressão um cumprimento imediato da profecia feita a Maria em 2,35, este episódio afeta ambos os pais.

“Estávamos procurando por você”: o conteúdo desse diálogo se assemelha ao do túmulo vazio em Lc 24,5.

De acordo com Lc Jesus menciona seu Pai na primeira (2,49) e na última palavra (23.46).

v.50: e eles não entenderam: A incapacidade de compreensão por ocasião da primeira visitação messiânica é um elemento temático em Lc (8,10; 9,45; 18,34).

v.51: “e estava submetido a eles”. Note-se a força contínua do imperfeito en. A leitura de Eclo 3,7: “Quem teme ao Senhor honra seus pais”, oferece uma boa janela veterotestamentária para a compreensão do relacionamento familiar.

A conjugação perifrástica hypotassomenos (sempre submisso) faz ver de maneira muito eficaz a diuturna e amorosa submissão que assinala de maneira nova o episódio anterior, apenas narrado, que poderia parecer um desejo de autonomia e independência (cf., Lc 10,17.20). “A mãe guardava todas essas coisas [palavras]”. Aqui e em 2,50 usa-se o termo rhēma, com uma versatilidade que é possível significar tanto “palavra” quanto “coisas”. O verbo “guardava diligentemente” (diatērein) tem aproximadamente o mesmo sentido de “conservava” (synetērei) em 2,19.

v.52: “Jesus crescia”: o termo prokoptein tinha o significado técnico de crescimento na vida moral e intelectual. O termo hēlikia pode significar idade ou estatura; em 19,3 Lc o usa para estatura. A graça (ou favor, charis) desfrutada por Jesus perante Deus e as pessoas, pode ser relacionada com a descrição da primeira comunidade cristã em Jerusalém, que gozava da “simpatia [ou favor ou graça] de todo o povo” (At 2,47).

Em Cl 3,16 aparecerão as expressões “sabedoria” e “graça”, atualizadas na vida daqueles que seguem a Jesus.

Como o relato do nascimento de Jesus sutilmente prefigurava a sua sepultura, assim também esta história prenuncia sua ressurreição. Lembramos que Lucas identifica estar perdido com estar morto e ser encontrado com retornar à vida (15,32). Temos diversos detalhes que nos fazem pensar ao sepulcro vazio de 24,1-8. A indicação de tempo “após três dias” é um indício importante, mas não o único (2,46; 24,7). Há a busca pelo perdido (v.44-45) e a pergunta um tanto abrupta aos buscadores: “Por que vocês estavam me procurando?” (v.49) e o dirigido às mulheres: “Por que procurais entre os mortos quem está vivo?” (24,5). Semelhantes são as reações de Maria que “guardou todas estas coisas [palavras] no coração” (2,51) e das das mulheres em frente ao sepulcro que “se lembraram das suas palavras” (24,8). A história também oferece uma antecipação do aparecimento do Senhor ressuscitado aos discípulos no caminho de Emaús (24,19-34). Na presente narrativa, os que amam Jesus são tomados de angústia por sua “ausência”, de seu “estar perdido”. Na história da aparição há tristeza e angústia entre aqueles que “esperaram” em Jesus, porque agora ele “se foi”. Mas na presente história, embora Jesus seja “encontrado” por seus pais, ele já inicia o processo de desligamento deles.

 

4º Domingo do Advento

Dia 19 de dezembro de 2021
Primeira Leitura: Mq 5,1-4a
Salmo: 78/79, 2ac.3b.15-16.18-19
Segunda Leitura: Hb 10,5-10
Evangelho: Lc 1,39-45

 

O Evangelho

O evangelho deste domingo apresenta alguns pontos importantes da teologia de Lucas. O primeiro deles é a presença das mulheres. Ao longo do terceiro evangelho encontramos: Isabel, a profetiza; Ana, a viúva de Naim; a pecadora arrependida; as mulheres que acompanhavam Jesus desde a Galileia até a Ressurreição e, é claro, Maria. Todo o relato lucano da infância de Jesus (Lc 1–2)  está centrado na Mãe do Salvador. Mateus, ao contrário, prefere José (Mt 1,18-25).

Outro ponto importante para a teologia de Lucas é o anúncio da chegada do Reino de Deus, cujo início é marcado pela vinda de Jesus, o verdadeiro Salvador. Isso cria um clima geral de alegria (1,14.41.44.58). Até a saudação do anjo insiste nisso: 1,28: “Alegra-te, cheia de graça”! Em todo o evangelho há termos e acontecimentos de júbilo: 10,20.21; 19,6.37; 24,52. A consequência desta alegria é a paz: 2,14.29; 19,38.42; 24,36.

A alegria e a paz são os frutos da oração e da união íntima e pessoal com Cristo Salvador. Para Lucas, o presente é o tempo da Salvação, isto é, o Reino de Deus já chegou. A Lei e os Profetas foram a preparação, o cumprimento se deu em Jesus, mas é a Igreja quem prolonga este cumprimento. Por isso, na obra de Lucas (Evangelho e Atos) a história de Jesus se transforma na história da Igreja, pois o mesmo Espírito dirige não somente Jesus, mas também todos os que trilham o mesmo caminho do projeto salvífico de Deus, já desde o Antigo Testamento, até hoje: os profetas, Maria, João Batista, Jesus, os discípulos, a Igreja atual.

O episódio conhecido como “a visitação de Maria a Isabel” (1,39-48) ocorre imediatamente após a Anunciação: Maria vai correndo ajudar sua prima nos três últimos meses da gravidez. Por que a pressa? A pressa de Maria reflete sua obediência ao plano que o anjo lhe havia revelado, um projeto divino que inclui a gravidez de Isabel (1,36-37). A chegada de Maria leva alegria: como um profeta extático do Antigo Testamento, a criança estremece de alegria no ventre de Isabel. Esta, por sua vez, reconhece não apenas a grandeza de Maria (“mãe do meu Senhor”), mas também a sua fé (“tu acreditaste”).

Devemos ressaltar a atitude de Maria: após ficar sabendo que seria a mãe do Messias, ela não quer ser servida, mas parte imediatamente para servir. A viagem entre Nazaré e a cidade em que mora Isabel (Ain Karen), não é curta: são mais de 100 km de distância! No mundo antigo, ninguém empreendia uma viagem dessas sozinho; muito menos uma mulher. O habitual era agregar-se a um grupo que percorria as rotas caravaneiras. No caso de uma mulher, deveria haver algum homem da família para acompanhá-la.

Pouco tempo depois do nascimento de João, Maria empreende a viagem de volta, outra caminhada de 100 km. O que já seria difícil para uma mulher se torna ainda mais complicado e perigoso para grávida!

Estes detalhes muitas vezes nos escapam, pois imaginamos tudo de modo poético e devocional. Embora o autor do evangelho economize estes detalhes, ele não os descarta. Seus leitores devem ter todos eles na consciência para compreender mais profundamente a finalidade do relato da visitação: demonstrar que quem acolhe a Palavra de Deus coloca-se a serviço, sem levar em conta os desafios e as exigências.

As palavras de Isabel ao receber Maria foram assumidas na oração da Ave Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu útero” (v. 42). Isabel proclama que Maria foi especialmente abençoada por Deus, mas não necessariamente que ela seja a mais abençoada das mulheres com efeito. Na Bíblia, há outras mulheres que também são reconhecidas como pessoas que receberam uma graça particular. Assim Jael (Jz 5,24) e Judite (Jdt 13,18): duas mulheres que assumiram grandes riscos para realizar a vontade de Deus.

Além destas duas formas de reconhecimento de bênção, Isabel também proclama uma bem-aventurança: “Bem-aventurada a que acreditou, pois se cumprirão as coisas que lhe foram faladas pelo Senhor” (v. 45). Esta é uma das várias bem-aventuranças da Bíblia. Devemos notar que Maria é bem-aventurada, não porque está grávida, mas porque as promessas de Deus serão cumpridas. Ela aceitou assumir as dificuldades decorrentes do “sim” e ainda fez viagem longa. A bem-aventurança completa o que já estava implícito na fórmula de proclamação de bênção: Maria é bendita e bem-aventurada porque tem coragem e age com esperança.

As palavras de Isabel convidam os cristãos às mesmas atitudes de Maria, particularmente no tempo de Advento, já na preparação próxima ao Natal: que tenhamos não apenas fé “em” Maria, mas a mesma fé “de” Maria, isto é, que tenhamos a mesma fé que Maria teve, para assumirmos com disponibilidade, coragem e esperança os riscos que o nosso compromisso com Deus traz para nossa vida cotidiana.

 

3º Domingo do Advento (Domingo da Alegria)
Dia 12 de dezembro de 2021
Primeira Leitura: Sf 3,14-18a
Salmo: Is 12,2-3.4bcd.5-6
Segunda Leitura: Fl 4,4-7
Evangelho: Lc 3,10-18

 

Evangelho

O texto do Evangelho está situado no contexto da missão de João Batista (Lc 3,1-20). É o último degrau do AT (Lc 16,16). João Batista (aqui apenas João) é a culminância da Lei e dos profetas, ou seja, agora, depois dele, algo novo inicia. João é o homem da transição. Deus o chama para iniciar esta passagem que culmina na plenitude da Revelação em Jesus Cristo. Ele, por ser filho de Zacarias, na tradição do AT seria sacerdote, mas não exerce esta função. Ele vai ao deserto como faziam os profetas e lá se prepara para a missão. Mesmo sendo a culminância do AT, é ao mesmo tempo a ruptura definitiva. O povo de Deus começou no deserto (Ex 16ss), depois entrou em Israel, formalizou sua prática religiosas no templo. João faz o processo inverso: vem do templo e volta ao deserto. Pode-se ver nisto Israel voltando às suas origens.

João é apresentado à luz de Is 40,3-5, onde se requer o aplainamento dos caminhos do Senhor no deserto, ou seja, a conversão em vista da salvação de Deus (Lc 3,6). Para tanto, como outrora, nos tempos de Isaías, se requer conversão para receber o novo que está para chegar.

O texto se divide em duas partes:

a)      Os que procuram o batismo (3,10-14). Lucas fala de três categorias, a saber:

- As multidões, gente desprezada pelos fariseus e escribas, pois na sua maioria não conheciam a lei (Jo 7,49) e nem todos eram circuncidados.

- Os cobradores de impostos, ou publicanos. Também eles eram mal vistos, devido à sua desonestidade e colaboração com os romanos.

- Os soldados. Estes, além de estarem a serviço do Império Romano, o que já causava asco nas autoridades religiosas, praticavam a violência contra o povo, extorquindo seus bens.

João, como mais tarde Jesus, não exclui ninguém. Dirige a pregação a todos indistintamente. O importante de se notar é que estas três categorias, quando pedem o batismo, não recebem de João nenhuma exigência religiosa, como, frequentar o templo, rezar, observar as leis, etc., mas tão somente se lhes pede justiça: partilhar os bens, não praticar a desonestidade, nem violência. Conversão para ele, são novas relações e nova mentalidade.

Como dito acima, João é o último degrau do AT, mas é também a ruptura, pois seu método difere completamente, ao menos dos pregadores do seu tempo. Os zelotes, bem como os essênios entendiam a conversão apenas para seu grupo fechado. Estes últimos praticavam a fuga do mundo. Os fariseus primavam pela observância da Lei. João prega para as multidões, sem exclusão, nem mesmo dos cobradores e soldados. Lucas dá a entender que a novidade que se aproxima, é para todos (3,6).

b) Os que procuram o Messias (3,15-18). A esperança de um messias estava arraigada no povo desde muitos séculos (2Sm 7,11bss; Is 11,1ss; Jr 23,5; Ez 34,23). Até já apareceram falsos pretendentes deste papel, como Teudas e Judas, o Galileu (At 5,36ss). Nesta perspectiva, alguns se dirigem a João (Jo 1,19; At 19,1ss; Lc 3,15ss), mas ele não tem esta pretensão. Ele anuncia alguém mais forte, do qual nem se sente digno de ser escravo (desamarrar as sandálias era tarefa de escravos), Ele batiza apenas com água (preparação). O mais forte batizará no Espírito (impele, como impeliu Jesus) e no fogo (depurador que queima a palha), o que em Lucas é também uma referência ao Pentecostes (At 2,1ss). É oportuno lembrar que os discípulos de Cristo também batizavam com água (Jo 3,22ss; At 8,36ss; 10,47). Porém, em João ainda não está o batismo do Espírito e do fogo, que só virá com Cristo, por isto mesmo, mais tarde, Paulo rebatiza os que receberam o batismo de João (At 19,1ss).

Relação com as outras leituras

A mensagem de João, que aponta para o mais forte (Jesus) é uma alegre notícia. Esta perspectiva está em Sofonias (primeira leitura) e também em Paulo (segunda leitura). Preparar-se para a vinda de Cristo é, acima de tudo, alegrar-se, pois aquilo que se preconiza desde o AT, por Abraão, Moisés e os profetas é agora anunciado por João Batista, como realização iminente. Jesus Cristo é a alegre notícia para todos os homens e mulheres de boa vontade.

 

 

2º Domingo do Advento
Dia 05 de Dezembro de 2021
Primeira Leitura: Br 5,1-9
Segunda Leitura: Fl 1,4-6.8-11
Salmo: 126/125, 1-2ab.2cd-3.4-5.6
Evangelho: Lc 3,1-6

 

O Evangelho e seu contexto literário

O Evangelho segundo Lucas, assim como o livro de Atos, tem a particularidade de ser dedicados a uma pessoa (ou um conjunto de pessoas) denominada “Teófilo” (cf. Lc 1,3 e At 1,1). Este nome significa, literalmente, “quem ama Deus”, possivelmente representativo de todas as pessoas de origem não-judaica (gentias) que iam se somando as novas comunidades cristãs, especialmente aquelas que surgem a partir odo trabalho missionário do apóstolo Paulo (cuja trajetória resgata no livro de Atos). Estas pessoas, a maioria pobres, tinham sede de esperança, de igualdade, de dignidade.

Lucas, ao que tudo indica, tomo como base a memória preservada pela comunidade de Antioquia (onde as pessoas que seguiam Cristo foram, por primeira vez, chamados “cristãos’, cf. At 11,26). Ali teve acesso a parte dos Evangelhos já escritos (Marcos e Mateus) e outros textos soltos. Em todos João Batista é tão essencial para apresentar a revelação de Jesus como o próprio Cristo (messias/ungido/enviado) quanto a própria Maria.

João Batista faz a ligação de Jesus Cristo com toda a história da salvação protagonizada pelo Povo de Deus desde o Êxodo, passando pelo profetismo. Ele é também a imagem das pessoas pobres, vivendo à margem do sistema, e denunciando a incoerências e mentiras dos governantes.

João Batista: preparando a chegada de um poder alternativo

3.1-2: O texto inicia com a referência histórica ao momento político vivido pelo Império Romano (o mesmo que é feito quando a narrativa do nascimento; cf. 2,1-3). Tíbério César – que assume o Império em 14 d.C. no meio de violências, intrigas e forte ação militar contra insurgentes, como caracterizava a política da “pax romana”. No entanto, esta política também foi lembrada pela ação de seu representante Sejano exilando famílias judias que moravam em Roma e aplicando uma política repressiva na Palestina, através de Pôncio Pilatos (lembrado pelo próprio Lucas por promover o massacre contra os galileus; cf. 13,1). A conjuntura política local é lembrada através dos dois tetrarcas (governadores de uma quarta parte do território) e irmãos, sucessores de Herodes (o Grande que morre em 4 a.C.). Herodes Antipas será o responsável pela decapitação de João Batista, que teria buscado matar Jesus (Lc 13,31) e colabora com o assassinato político de Jesus por parte de Pilatos (cf. Lc 23,7-11). Felipe, outro governante omisso diante das atrocidades cometidas em seu território. Assim a profecia de João. Junto ao poder político violento, repressor, hipócrita e omisso, estava o poder religioso que também exercia seu poder por concessão do poder do Império Romano e seus representantes locais. Os Sumos Sacerdotes (máximas lideranças do Templo de Jerusalém) Anás e Caifás eram os que reprimiam o movimento de Jesus que denunciava sua participação no assassinato de Jesus  (At 4,6-10).

3,3: A proclamação de João Batista deve ser entendida neste contexto, que dá sentido ao batismo de metanóia (conversão) praticado por ele, e o perdão/libertação/remissão (afesis) dos pecados. Não apenas como ação pessoal, mas como opção social e política contra as forças de morte.

3,4: O sonho de um novo caminho vem da experiência do Povo de Deus que muito antes, no século 6º a.C., através da profecia fixada no Livro de Isaías, projetava a libertação do Império Babilônico e a volta à terra.

3.5: O novo caminho exige “aplainar” os obstáculos, descritos na análise inicial de conjuntura política e religiosa, algo que diz que acontecerá neste novo tempo que inicia com a presença divina na história em Jesus.

3.6: Este sonho é inclusivo, não apenas para um povo, para um gênero, para uma etnia, mas possibilitará que “toda carne” (passa sarx) veja a salvação, sem mais impérios e poderes de morte para lhes oprimir e destruir a vida.

Relacionando com os outros textos

O livro de Baruque, embora listado entre os livros proféticos, é um livro de sabedoria ou “sapiencial”, onde se busca unir setores polarizados e divididos do judaísmo durante o domínio helenista (grego) a partir de uma visão de fora (Babilônia do passado – oriente). Só é verdadeira a “Paz da Justiça” e só através dela é que será reconhecido o reinado do Deus Eterno (Br 5.2). Na Carta aos Filipenses o apóstolo Paulo prepara a comunidade para o “Dia de Cristo” (Fl 1,6.10), um caminho que é pessoal, mas também social e político, e que se percorre em amorosidade (Fl 1,9 – como ação oposta à morte e a violência) e dá o fruto da justiça (Fl 1,11).

 

 

 

1º Dom. do Advento
Dia: 28 de novembro de 2021
Primeira Leitura: Jr 33,14-16
Salmo: 25/24, 4bc-5ab.8-9.10.14
Segunda Leitura: 1Ts 3,12-4,2
Evangelho: Lc 21,25-28.34-36

 

O 1º. dom. do advento, ano C, inicia com a proclamação do evangelho segundo Lucas. Nos domingos seguintes, teremos evidenciadas através das perícope bíblicas as dimensões próprias do advento: espera ativa, oração, mudança de atitudes.

Enquanto Mc (13,24-27) conecta a destruição de Jerusalém ao fim do mundo, Lc distancia os dois eventos, distinguindo nitidamente os sinais apocalípticos que precederão o aparecimento do Filho da Humanidade como juiz dos fatos históricos concernentes à catástrofe da Cidade Santa. Ao tempo de Israel, dará prosseguimento o tempo dos pagãos, kairoi ethnōn (v.24) e, finalmente, o julgamento universal acontecerá, após uma série assustadora de convulsões cósmicas que assumirão um valor positivo para os crentes, como um prelúdio para sua próxima libertação (v.28). Na passagem anterior (vv. 20-24) Lc referia-se apenas ao fato histórico da queda de Jerusalém. Agora amplia o horizonte para todas as nações e todas as pessoas na terra habitada (oikoumenē).

Apesar das notáveis diferenças redacionais, a mensagem teológica de Lc corresponde àquela de Mc e é constituída pela vinda do Filho da Humanidade para a salvação definitiva dos fiéis. No entanto, Lc enfatiza em sentido otimista o contraste entre a angústia e o medo dos adversários pelas revoltas assustadoras que pré-anunciarão o fim, e a atitude de segurança e alegria dos que vivem a fé, porque para eles esses sinais terríveis irão apontar para a proximidade de sua libertação e salvação.

Os vv. 25-26 descrevem os fenômenos cósmicos que precederão o fim com estruturas simétricas perfeitas que manifestam sua capacidade literária, mesmo que se refira a clichês apocalípticos correntes no ambiente semita. Sinais no sol, na lua e nas estrelas: convém recordar que os oponentes de Jesus pediram um “sinal do céu” (11,16) e que os discípulos perguntaram qual era o “sinal” de que essas coisas estavam prestes a acontecer. A repetição, aqui, de sēmeion marca a passagem à parte estritamente escatológica do discurso de Jesus.

Nos vv. 27-28, a vinda final do Filho da Humanidade, em plena posse de seus atributos divinos de poder e muita glória, marcará o triunfo daqueles que seguem Jesus: “Começando, porém, estas coisas a acontecer, olhai para cima e erguei as vossas cabeças”. Os cristãos não deverão se assustar com as convulsões cósmicas finais, mas, depois de tanto sofrimento, perseguição e pressão que os esmagou, finalmente poderão levantar-se e erguer a cabeça com confiança, sendo esse gesto o sinal da realização de sua esperança. Pode-se relacionar, aqui, o texto de Jr 33,15: “farei brotar… um broto justo, que exercerá o direito e a justiça no país”. Embora no v. 27 esteja implícito o julgamento de condenação para os inimigos, Lc, no entanto, coloca em destaque o sentido salvífico da vinda do Filho da Humanidade, dando à perícope um valor parenético de esperança confiante. O evangelista omite qualquer referência à atividade judicial do Filho da Humanidade na sua parusia (cf. Mc 13,27), para focar a atenção apenas na libertação (apolýtrōsis, redenção v. 28) daqueles que creem. Para eles, o fim do mundo não constitui motivo de angústia e medo, mas de alegria por sua redenção e pelo fim de tribulações e perseguições, como aconteceu aos hebreus a noite de Páscoa na libertação de escravidão do Egito. O termo apolýtrōsis é cognato a lýtrōsis, que é o resgate de escravidão.

Nos vv. 24-36, Lc se afasta do modelo marcano. A convicção de que o fim do mundo não está próximo o leva a acentuar a exortação à vigilância e à oração, “para ficar de pé diante do Filho da Humanidade” (v.36). O texto consiste em uma advertência para evitar relaxamento (v.34); segue-se a motivação que reafirma a certeza do fim repentino (v.35); uma exortação urgente à vigilância e oração em todos os momentos conclui todo o discurso escatológico (v.36). A oração, um tema particularmente caro a Lc, deve ser a atitude fundamental do cristão esperando o retorno do Senhor.

A frase contida no v. 34 – “Não aconteça que o vosso coração se encha”, fique embotado (barēthōsin hymōn hai kardiai) – corresponde à expressão usada para descrever o endurecimento do coração do faraó (Ex 7,14). Observe-se, entretanto, que a exortação de Jesus vincula essa frase à devassidão e à embriaguez (en kraipalē kai methē), sugerindo que o que está em vista aqui é a falta de vigilância, e não a dureza de coração. A exortação inclui uma advertência contra a embriaguez propriamente dita, mas o sentido primordial é metafórico, advertindo os discípulos e discípulas a que não sucumbam às atrações inebriantes do pecado. Note-se a relação com a 2ª. leitura: “a fim de que o vosso coração permaneça firme” (eis to stērixai hymōn tas kardias).

O segmento “como uma armadilha” (hōs pagis) finaliza a oração precedente – “[Cuidai de vós mesmos; não aconteça que] aquele dia vos surpreenda como uma armadilha” – e liga-se ao começo da oração seguinte – “[aquele dia] surpreenderá como uma armadilha sobre todos os que habitam na face da terra”. Lc formula a profecia de Jesus sobre o juízo universal, advertindo os discípulos e discípulas de que só escaparão do juízo do dia do Senhor, que recairá sobre todos os habitantes da terra, se “cuidarem” de si mesmos.

O v. 36 traz “Velai em cada estação”, que devido à polissemia de kairós, pode ser entendido como “velai em cada oportunidade, cada tempo”.

Este final do discurso escatológico em Lc difere consideravelmente daquele dos outros sinóticos. Mc insiste na vigilância para não ser encontrado dormindo quando o proprietário chega de repente; Mt conclui o discurso com a impressionante cenografia do Juízo Final, separando o bom do mau (25,31-46). Lc não menciona explicitamente o julgamento, mas exorta à oração vigilante para comparecer diante do Filho da Humanidade. O discurso escatológico assume, assim, uma característica parenética tranquilizadora, que situa a esperança cristã na salvação, e não na ameaça da condenação inapelável dos pecadores no dia do julgamento final.

 

Subsídio elaborado pelo grupo de biblistas da ESTEF

Dr. Bruno Glaab – Me. Carlos Rodrigo Dutra – Dr. Humberto Maiztegui – Me. Rita de Cácia Ló

Edição: Prof. Dr. Vanildo Luiz Zugno

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Pe Gilvan – REFLEXÕES LITÚRGICAS

sábado, maio 9th, 2020

REFLEXÕES de Pe. Gilvan  Leite  de  Araujo

2º Domingo do TC 2022

No 2º Domingo do TC continua a catequese que marca os três primeiros domingos do TC (batismo [1º TC]; teofania [2º TC]; anúncio [3º TC]). Portanto, o tema central da catequese deste domingo é a manifestação do Senhor.

No 1º Domingo Jesus é batizado. Surge a questão: quem é este Jesus? Que transitará entre o “filho do carpinteiro” e “meu Filho Amado”. Víamos, ainda, que a catequese desses três domingos é permeada pelo tema do Êxodo (Lei-Aliança). Deste modo, neste 2º DTC a narrativa das Bodas de Caná coloca Jesus em cena como o mediador da Nova Aliança, visível na fala da mãe: “fazei tudo o que vos disser”. Esta fala evoca diretamente a resposta do povo à Moisés quando indagados sobre aceitar ou não a Aliança e a Lei:

Tudo o que Iahweh disse, nós o faremos” (Aceitação da Aliança: Ex 19,8)

Nós observaremos todas as palavras ditas por Iahweh… Tudo o que Iahweh falou, nós o faremos e obedeceremos” (Aceitação da Lei: Ex 24,3.7).

Nossa Senhora, qualificada como a Mãe, por motivo teológico do Quarto Evangelho, a apresenta evocando a aceitação do Êxodo. Lógico que “fazer o que ele disser” implicará em ato de fé. No Êxodo, a aceitação livre resulta na possibilidade da Terra Prometida, no Quarto Evangelho, a livre aceitação de Jesus permitirá a vida (=ressurreição) na nova Terra Prometida.

A narrativa das Bodas de Caná descreve Nossa Senhora como mediadora “bilateral”, ou seja, enquanto intercede junto ao Filho, também, se dirige aos serventes convidando-os a escutar o Filho. Isto se torna normativo em todas as aparições marianas.

1ª Leitura: Is 62,1-5

O bloco que forma o terceiro Isaías (Is 56-66) descreve a crise dos repatriados. Enquanto no segundo Isaías (40-55) o tema central é a alegria e a esperança do retorno, o terceiro Isaías narra a crise dos repatriados diante da realidade na qual se encontram. Esperavam os repatriados retomarem as terras dos seus antepassados, o que não ocorrerá. Os que retornam não conhecem a terra dos seus pais. Assumem nova realidade a duras penas. O texto narra a realidade da fome e da nudez que caracterizará muitos destes repatriados e a frustração. O terceiro Isaías que justamente ser um alento para os repatriados: a promessa divina não falhará, Deus virá em socorro daqueles que permanecerem fiel:

Observai o direito e praticai a justiça, porque a minha salvação está prestes a chegar e a minha justiça, a manifestar-se. Bem-aventurado o homem que assim procede, o filho de homem que nisto se firma, que guarda o sábado e não o profana e que guarda sua mão de praticar o mal. Não diga o estrangeiro que se entregou a Iahweh: Naturalmente Iahweh vai excluir-me do seu povo, nem diga o eunuco: Não há dúvida, eu não passo de uma árvore seca, pois assim diz Iahweh aos eunucos que guardam os meus sábados e optam por aquilo que é a minha vontade, permanecendo fiéis à minha aliança: Hei de dar-lhes, na minha casa e dentro dos meus muros, um monumento e um nome mais preciosos do que teriam com filhos e filhas; hei de dar-lhes um, nome eterno, que não será extirpado. E quanto aos estrangeiros que se entregaram a Iahweh para servi-lo, sim, para amar o nome de Iahweh e tornarem-se servos seus, a saber, todos os que se abstêm de profanar o sábado e que se mantêm fiéis à minha aliança, trá-los-ei ao meu monte santo e os cobrirei de alegria na minha casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão bem aceitos no meu altar. Com efeito, a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. Oráculo do Senhor Iahweh, que reúne os disperses de Israel: Reunirei ainda outros àqueles que já foram reunidos (Is 56,1-8)

A novidade é a abertura universal para todos os povos, principalmente descrito nas figuras dos estrangeiros e dos eunucos. Os requisitos para permanecer na Terra Prometida são: 1) guarda do sábado; 2) estudo da Lei e 3) circuncisão. Estes três requisitos serão normativos até os tempos atuais para configurar um judeu. Leva-se em conta, que Jesus irá justamente confrontar o radicalismo imposto pelos mestres da Lei e pelos fariseus quanto a observância destes três princípios fundamentais para o judaísmo.

Não se pode negar que existia a compreensão que o exílio da Babilônia fora resultado da não observância da Lei. Assim, permanecer na terra exigia radical fidelidade à ela, mas, uma coisa é o que está na Lei outra é como passou a ser compreendida, não por menos a pergunta de Jesus ao mestre da Lei: “O que está escrito na Lei? Como lês?” (Lc 10,26).

Quando Nossa Senhora evoca a promessa do povo à Moisés, ela está justamente chamando ao tema original, ou seja, se deixar conduzir pelo Filho, evitando o rigorismo que torna a Lei não um “caminho para”, mas um punidor de contravenção.

2ª Leitura: 1Cor 12,4-11

O tema dos Dons e Carismas são apresentados por Paulo, definindo como algo pelo Espírito em favor da missão, ou seja, àquele que recebe o dom, não é para si e nem em seu favor, mas em favor da Igreja. Assim, os dons em 1Coríntios são chamados por Paulo como “dons funcionais”. Na prática, o Espírito fornece ao fiel os dons necessários para que ele possa agir em favor da Igreja.

Síntese

Na 1ª Leitura, Isaías anuncia que as dificuldades do tempo presente serão superadas graças à fidelidade da Palavra e da fidelidade os repatriados à Palavra. Ser judeu no pós-exílio era justamente observar a Lei e pô-la em prática.

No Evangelho, Nossa Senhora, aponta para à fidelidade ao seu Filho, que veio revelar o Pai através de suas obras. O Filho age em consonância e na linha do Pai, levando a obra do Pai à plenitude. Àqueles que crerem no Filho se tornaram filhos de Deus e herdarão a vida eterna.

Na 2ª Leitura, Paulo exorta os cristãos de Corinto que o Espírito capacita os fieis com dons espirituais, tornando-os aptos de agirem em favor da Igreja, afim de que a Boa-Nova seja anunciada a todos os povos.

Em todo caso, o tema central do 2º Domingo do TC é a manifestação de Jesus Cristo ao mundo. O filho de Maria e José é, na realidade, o Filho de Deus. O filho do carpinteiro, é o Filho do Deus Libertador e Criador, que veio levar à plenitude à obra do Pai.

 

1º, 2º e 3º Domingo do Tempo Comum Ano C 2022

Pe. Gilvan Leite de Araujo

           Começamos com o Advento o novo ano litúrgico sob a inspiração do Evangelho segundo Lucas. Tendo concluído o período natalino, temos o início do Tempo Comum do Ano C (=Lucas). As três primeiras semanas possuem catequese própria: 1º Domingo com o tema do Batismo do Senhor; o 2º com o tema da teofania do Senhor e o 3º Domingo com o tema do início da Pregação de Jesus na Galileia.

Partindo dos pressupostos acima, o 1º Domingo do TC apresenta o tema do Batismo de Jesus por João Batista. A relação entre João Batista é pertinente por vários motivos: a) o movimento Batista era expressivo no 1º séc. da era cristã; b) tanto a missão de Jesus como de João se desenvolveu em ambiente galileu e no mesmo período; c) os dois são vistos pelos seus seguidores como messias. Lógico que isto suscita uma primeira questão: como que o movimento de Jesus acabou se destacando? Deixando esta questão para reflexão posterior, deve-se permanecer no tema do batismo. Assim, por que Jesus se faz batizar por João? João é filho de sacerdote (=Zacarias) e, portanto, ele mesmo sacerdote. Além disso, ele é apresentado como um consagrado permanente através do voto de Nazireato (cf. Nm 6). João faz o caminho do deserto e prega um batismo único de conversão. Esta última informação é importante. Na realidade, João propõe o retorno às origens de Israel, quando o povo, libertado da escravidão do Egito, atravessa o Mar de Junco (ou vermelho) e caminha no deserto, sob a proteção de Deus, rumo à Terra Prometida.

O João Batista pressupõe retornar às origens de Israel. Deste modo, quando Jesus se faz batizar por João, ele assume a missão do Pai de conduzir o Povo de Deus para a libertação, para a vida nova. Portanto, quem é Jesus? É aquele que levará a cumprimento a obra de seu Pai.

O 2º Domingo do TC apresenta o tema da teofania de Jesus. Este “homem” que surge no cenário da Galileia é na verdade “o Filho de Deus”. Neste ano, a divindade de Jesus será descrita a partir da narrativa das Bodas de Caná (Jo 2,1-12). O tema das Bodas de Caná se insere no tema do 1º Domingo do TC, ou seja, o retorno às origens de Israel. Tal contato se manifesta através da expressão da “mãe de Jesus” “fazei tudo o que ele vos disser” que evoca diretamente o tema da Aliança e da Lei do Sinai, quando todo o povo responde à Moisés “faremos e cumpriremos tudo o que o Senhor disse” (cf. Ex 19 e 24). Além disso, Nossa Senhora não é descrita pelo nome, mas pela sua missão. No Quarto Evangelho, Jesus veio apresentar o seu Pai e a promessa de que todos se tornem filhos de Deus por meio da fé. Nossa Senhora é a primeira a crer. Ela, enquanto modelo de fé, é a primeira a se tornar filha, e na cruz é dada como mãe daqueles que creem. Assim, na cruz, Nossa Senhora se torna mãe daqueles que creem em Deus, tendo em vista que na cruz e ressurreição do Filho uma nova e eterna Aliança foi estabelecida.

O 3º Domingo do TC, portanto, conclui este primeiro núcleo o ano litúrgico, com o tema do anúncio da Boa Nova por parte de Jesus. A Boa Nova se apresenta através da realização do Profeta Isaías proclamada na Sinagoga de Cafarnaum. O oráculo profético proclama o tema da libertação e, neste sentido, continua em sintonia com o tema da libertação do Êxodo.

Como se pode observar na catequese dos três primeiros domingos do TC, o tema do Êxodo é o eixo fundamental, agora, atualizado na pessoa e na missão de Jesus Cristo. Assim, como outrora Deus libertou o seu povo da escravidão, agora, Jesus, O Filho Amado, continua a obra do Pai libertando todos os que creem dos grilhões da escravidão e da morte.

 

 

Advento Ano C 2021

A Palavra de Deus durante o Advento

Durante a primeira parte do Advento (até o dia 16/12), na liturgia ferial, é lido, de maneira progressiva e contínua, o profeta Isaías na 1ª Leitura, naquilo que se refere aos temas messiânicos e escatológicos. Vinculados a esta leituras, estão os Evangelhos que demonstram o cumprimento das profecias. A partir do dia 17 de dezembro, a liturgia assume os oráculos messiânicos do Antigo Testamento e os Evangelhos assume os temas das narrativas de infância de Jesus segundo Mateus ou Lucas.

Liturgia Dominical

Em linhas gerais, se propõe uma harmonização das leituras dos quatro domingos do Advento nos respectivos ciclos (Ano A, B ou C). A 1ª leitura é sempre profética. A 2ª leitura, habitualmente, pertence ao epistolário paulino, com os temas da vigilância e vida digna; também, se encontrará leituras de Tiago e Hebreus.

Os Evangelhos dos primeiros domingos (ciclos A, B e C), são escatológicos. Os segundos e terceiros domingos focam o tema do Precursor e, dos quartos domingos, preparam a vinda do Senhor.

Esquema Litúrgico da Liturgia do Advento – Ano C

Ano C – Lucas

1ª Leitura

2ª Leitura

Evangelho

1º Domingo

Espera

Jr 33,14-16

Rebento de Davi

1Ts 3,12-4,2

Retorno do Senhor

Lc 21,25-28

Expectativa da libertação

2º Domingo

Conversão

Br 5,1-9

Erga-se Jerusalém!

Fl 1,4-6.8-11

Puros para o dia do Senhor

Lc 3,1-6

Todos verão a Salvação

3º Domingo

Acolhida

Sf 3,14-18a

Alegra-te Filha de Sião

Fl 4,4-7

Estais alegres no Senhor

Lc 3,10-18

Batizará com o Espírito Santo

4º Domingo

Anúncio

Mq 5,1-4a

Belém, cidade do Messias

Hb 10,5-10

Jesus entra no mundo

Lc 1,39-45

Maria visita Isabel

 

Catequese do 1º Domingo

O 1º domingo propõe o tema “Da Espera”. Jeremias profere o oráculo do Rebento do Davi, enquanto, no Evangelho, Jesus anuncia o seu retorno. Paulo exorta a comunidade cristã a levar uma vida íntegra, para que o Senhor os encontre preparados, quando retornar.

O contexto geral, é que o tempo da espera não é inútil. Os profetas pós-exílicos exortavam o povo eleito. De fato, existia um conceito perigoso: “de que adiante esperar, até o tempo presente nada mudou, portanto, vamos aproveitar a vida de modo desenfreado”. Isaías concebe tal atitude, que se popularizava, como um grande perigo, até para a própria sociedade, que rumava para a libertinagem, para a falta de princípios morais e éticos; muito do que se escuta nos tempos atuais, que, em nome da liberdade, se estabelece o princípio da libertinagem, bem como um falso direito pessoal se sobrepõe ao comunitário. Diante disto, Jeremias anuncia a vinda do rebento de Davi, como aquele que estabelecerá a justiça sobre Israel.

No Evangelho, Jesus, através de uma narrativa Apocalíptica, anuncia a vinda do Filho do Homem em meio aos abalos sísmicos, que expressam a soberania do Senhor. O tema do Filho do Homem, proveniente de Daniel, possui um contexto de justiça sobre um mundo corrupto, no qual prevalecerá a soberania divina e a queda de todo poder corrompido. Por outro lado, o oráculo, possui um contexto de esperança para aqueles que depositaram sua confiança de Deus e constituíram uma vida justa. Para estes os tempos finais será um tempo de paz e de alegria.

Paulo, na 2ª leitura, evoca a perspectiva do Evangelho, exortando a comunidade cristã a viver a vida numa santidade perfeita, se tornando modelo para o mundo e permanecendo pronta e apta para o Dia do Senhor.

No geral, a liturgia do 1º Domingo do Advento, Ano C, é um convite a esperar com alegria a vinda do Senhor, estando apto, e se configurando como uma boa testemunha para o mundo. Assim, o modelo de vida cristã deveria ser uma alegre esperança para o mundo e referência para um mundo justo, permitindo que o mundo possa retornar para o Senhor a partir do nosso testemunho.

 

 

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