Archive for julho, 2020

ARQUEOLOGIA BÍBLICA

segunda-feira, julho 27th, 2020

 

O QUE É ARQUEOLOGIA?

arqueologia é uma disciplina que se ocupa da investigação dos indícios, ou vestígios, de civilizações e culturas passadas. O termo é composto pelos radicais gregos Arkhé, que significa tanto “início/começo” quanto “ordem/organização”, e Logia, que significa, por sua vez, “estudo/ciência”.

As investigações arqueológicas têm por objetivo principal fornecer subsídios materiais, com datação temporal precisa, para a reconstrução do passado humano. Por isso essa ciência é tão importante para outras disciplinas, como a história e a antropologia.

VEJA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ARQUEOLOGIA NA WIKIPÉDIA

 

O QUE É ARQUEOLOGIA BÍBLICA? – WIKIPÉDIA

arqueologia bíblica é um ramo da arqueologia especializado em estudos dos restos materiais relacionados direta ou indiretamente com os relatos bíblicos e com a história das religiões judaico-cristãs. A região mais estudada pela arqueologia bíblica, na perspectiva ocidental, é a denominada Terra Santa,[1] localizada no Médio Oriente.

Os principais elementos desta ciência arqueológica são, em sua maioria, referências teológicas e religiosas, sendo considerada uma ciência em toda a sua dimensão metodológica. Assim como se dá com os registros históricos de outras civilizações, os manuscritos descobertos devem ser comparados com outras sociedades contemporâneas da EuropaMesopotâmia e África.

As técnicas científicas empregadas são as mesmas da arqueologia em geral, com escavações[2] e datação radiométrica,[3] entre outras. Em contraste, a arqueologia do antigo Médio Oriente é mais ampla e generalizada, tratando simplesmente do Antigo Oriente sem tentar estabelecer uma relação específica entre as descobertas e a Bíblia.

ARQUEOLOGIA BIBLICA – VERBO FILMES

Este material traz importantes informações sobre o mundo da arqueologia bíblica, a partir de imagens e pesquisas recentes feitas nos principais sítios (Tel) de Israel e Jordânia. Este valioso material serve de referência para professores e alunos de teologia e arqueologia e para todos aqueles que anseiam por uma visualização dos locais onde aconteceram importantes fatos do mundo bíblico.

1. HAZOR - veja no Youtube

 

 

 

22. HAZOR – parte 2 - veja no Youtube

 

2. HERODIUM - veja no Youtube

 

 

 

3. JERICÓ - veja no Youtube

 

 

 

4. LAQUIS - veja no Youtube

 

 

 

5. MAR MORTO - veja no Youtube

 

 

 

6. MASSADA - veja no Youtube

 

 

 

7. MEGUIDO - veja no Youtube

 

 

 

23. MEGUIDO – parte 2 - veja no Youtube

 

 

8. QUMRà- veja no Youtube

 

 

 

9. TEL ARAD - veja no Youtube

 

 

 

10. BER SHE VA - veja no Youtube

 

 

 

11. BET SHEAN - veja no Youtube

 

 

 

12. GUEZER - veja no Youtube

 

 

 

21. GUEZER – parte 2 - veja no Youtube

 

13. BELÉM - veja no Youtube

 

 

 

14. CAFARNAUM - veja no Youtube

 

 

 

15. GERASA - veja no Youtube

 

 

 

16. JERUSALÉM - veja no Youtube

 

 

 

19. JERUSALÉM – parte 2 - veja no Youtube

 

 

 

17. NAZARÉ - veja no Youtube

 

 

 

18. PETRA - veja no Youtube

 

 

 

20. ARAD - veja no Youtube

 

 

 

24. JEZREEL - veja no Youtube

 

 

 

25. REHOV - veja no Youtube

 

 

 

26. PELLA - veja no Youtube

 

 

 

27. Dà- veja no Youtube

 

 

 

28. ENTREVISTAS (Israel Finkelstein e Amihai Mazar) - veja no Youtube

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

 

 

 

 

Castillo, José Maria

domingo, julho 19th, 2020

 Pe CASTILLO – REFLEXÕES LITÚRGICAS

 

Sagrada Família de Jesus, Maria e José – Ano B – HOMILIA -  Evangelho: Lucas 2,22-40

 José María Castillo - Teólogo espanhol

Uma família muito diferente

A liturgia da Igreja dedica o domingo seguinte ao dia de Natal, para propor aos cristãos a recordação da família de Jesus como o modelo cabal, e o melhor exemplo do que deve ser e como deve ser uma família perfeita. O que tem a sua lógica. Porque, se estamos recordando a Virgem Maria, São José e o Menino Jesus, que família mais exemplar podemos propor aos cristãos e, em geral, a qualquer sociedade onde a instituição familiar esteja vigente? O que – se todo este assunto é pensado a partir das convicções de um crente – resulta bastante razoável.

No entanto, tudo isso traz consigo também um problema.

O problema consiste em que esta «idealização» da «Sagrada Família» é isso: uma representação ideal.

Porém, esse ideal corresponde à realidade ou, melhor, corresponde ao que as pessoas de mentalidade mais conservadora quiseram que fosse o real?

Nos evangelhos da infância, já se relatam coisas que, se aconteceram tal como relatadas, foram fatos que transtornaram a convivência, se é que era uma família de seres humanos. Maria ficou grávida sem que seu esposo, José, o soubesse. Este homem esteve a ponto de abandonar sua mulher. Quando o menino nasceu, imediatamente, viram-se ameaçados até o ponto de terem de sair correndo como fugitivos para um país distante, no qual ficaram não se sabe quanto tempo.

Ademais, a fuga para o Egito costumava-se fazer, na Antiguidade, de modo que aquilo era o que se chamava [em grego] de anachóresis, que era a fuga para o deserto daqueles que eram perseguidos pelas autoridades. Eram autênticos «fugitivos». E, quando já viviam em Nazaré, aconteceram coisas que não se compreendem facilmente, por exemplo, o menino ficar em Jerusalém sem dizer nada a seus pais, algo que estes não compreenderam.

E o mais grave que aconteceu nessa família ficou patente e notório quando Jesus deixou sua casa e sua família. E se pôs a dizer e fazer coisas, que as autoridades religiosas viram que eram um perigo e um assunto grave. Por isso, seus parentes diziam que Jesus estava louco (Mc 3,21) e não creram nele (Jo 7,5), de forma que até o desprezaram quando ele voltou ao seu povo, em Nazaré (Mc 6,1-6) e até os compatriotas quiseram matá-lo (Lc 4,22-30).

A família é a instituição fundamental para que nós, seres humanos, quando vimos a este mundo, nos integremos na sociedade e sejamos bons cidadãos.

A família deve satisfazer a necessidade de carinho e de educação nos valores fundamentais, sobretudo, os «Direitos Humanos».

Porém, não nos esqueçamos que a família é, em suas origens, uma «instituição econômica», que garante e sobre ela se legaliza o direito de propriedade. Daí, o perigo de que o interesse econômico se sobreponha aos demais interesses e valores.

Há de se cuidar dos valores da família. Porém esses valores se asseguram quando se cuida com esmero do carinho, do respeito, do bom trato, da bondade. Tendo em conta que estes valores não se asseguram quando a família se «politiza» até ser origem de conflitos e divisões.

 

4º Domingo do Advento – Ano B – HOMILIA

 Evangelho: Lucas 1,26-38

 José María Castillo, Teólogo espanhol

Deus se Faz Presente nos Humildes

local: aquilo que se conta aqui, tão transcendental para a humanidade, ocorre na Galileiaa região dos que, em Israel, eram considerados ignorantes, impuros, com os quais não se podia relacionar-se. O desprezo dos antigos pelos galileus era tão forte, que, no ano 362, o imperador Juliano escreveu uma carta ao governador do Eufrates, Artabio, na qual mencionava «a estupidez dos galileus». Era famoso o dito do rabino Yochanan ben Zakkai [época do Segundo Templo]: «Galileia, Galileia, tu odeias a Torá».

Pois bem, em um povoado perdido, de um tal lugar, Deus se faz presente. É o estilo de Deus que se revela em Jesus. Assim são os hábitos do Deus de Jesus.

pessoa: central no relato é Maria, uma mulher desconhecida e humilde, da qual se diz que era «virgem», uma palavra que, no judaísmo daquele tempo, designava uma menina, a partir de sua puberdade até sua primeira relação sexual. O relato de Lucas quer destacar que o fato prodigioso, que aconteceu em Maria, é muito mais importante que aquele de sua parente Isabel.

O texto não fala da virgindade biológica de Maria, mas de sua fidelidade total a Deus. O Magistério da Igreja pregou sempre a virgindade biológica de Maria. Porém, uma virgindade assim, a pode ter uma mulher a qual se fez uma inseminação artificial e, em seguida, se lhe realizou uma cesariana. Essa mulher seria «mãe» e «virgem», segundo Karl Rahner [1904-1984: teólogo jesuíta alemão, um dos mais influentes do século XX]. É evidente que a virgindade de Maria refere-se a uma qualidade superior que Deus lhe concedeu, ao ser a mãe de Jesus.

mensagem: de Maria nascerá o Messias que Israel esperava. E muito mais do que esperava. Este texto do evangelho de hoje foi escrito quando já se tinha consciência do que disse São Paulo em Rm 1,3-4: o filho de Davi foi constituído, «por sua ressurreição», Senhor e Filho de Deus. Ainda que Lucas não conhecesse este texto de Paulo, o que diz o texto era já conhecido na Igreja.

 Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 446-447.

 

3º Domingo do Advento – Ano B – HOMILIA

  Evangelho: João 1,6-8.19-28

 José María Castillo, Teólogo espanhol

Autoridade da Vida e do Exemplo

Aqui fica claro que o ensinamento e o testemunho de João não coincidiam com o que ensinavam e queriam os dirigentes religiosos. Leve-se em conta que, no evangelho de João, a expressão “os judeus” designa (menos em 4,9.22 e 18,33.35.39; cf. 19,3.19.21) os homens que se identificavam totalmente com a religião, sobretudo os seus dirigentes religiosos (2,18; 5,10.16.18; 9,22; 11,47; 19,7.12) e especialmente as autoridades supremas do Templo (8,31; 11,19; 12,11).

Por isso, João dispara o alarme nos “judeus”, os quais mandam sacerdotes, levitas e fariseus para interrogar o Batista. Queriam saber quem era aquele estranho pregador que anunciava uma nova luz, na outra margem do rio Jordão, fora da cidade santa, o território da religião oficial, que não tolera que se anuncie uma luz à margem da instituição.

O que interessava aos dirigentes religiosos é qual título ou qual cargo tinha João para pregar e batizar. Os títulos e os cargos denotam poder. O poder é o que provoca obsessão nos sacerdotes. Porém, João não aceitou nem título nem cargos. João era um “joão-ninguém”. Sua autoridade era sua vida, seu exemplo, sua liberdade de tudo e em tudo. É somente uma voz que grita no deserto. Não se trata de humildade.

A chave está em que somente a partir do despojamento de toda pretensão pode alguém ser testemunha autorizada da Luz, que é o Senhor.

 João foi uma voz, ouvida e acolhida por alguns, “os publicanos e as prostitutas” (Mt 21,32), e rejeitada por outros, os “sacerdotes e anciãos do povo” (Mt 21,23). Os “zé-ninguém” escutam e acolhem a voz do Senhor. Os “titulados” a rejeitam.

O Evangelho transtorna as nossas seguranças. Jesus foi tão audaz que chegou a dizer aos supremos dirigentes religiosos que os publicanos e as prostitutas entram antes deles no Reino de Deus [cf. Mt 21,31].

Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 438-439.

1º Domingo do Advento – Ano B – HOMILIA

 Evangelho: Marcos 13,33-37

José María Castillo, Teólogo espanhol

Como nos Preparamos para a Vinda de Jesus

O Advento é o tempo de quatro semanas que dedicamos a preparar o Natal, o dia em que se recorda que Deus, em Jesus, fez-se presente na história. Preparar o Natal é, antes de tudo esperar a vinda de Jesus para acolhê-lo em nossas vidas. O Natal se reproduz e se repete todos os dias. Porque todos os dias Jesus se faz presente em nossa história, na vida de cada um de nós, no que fazemos e no que deixamos de fazer.

Jesus se faz presente na bondade, na amizade, na sinceridade, na honradez, no bem que fazemos e na felicidade que transmitimos àqueles que se sentem mal, tristes e necessitados.

Assim entra Jesus na história de cada pessoa, e na história da sociedade e da Igreja.

Porém, este evangelho nos diz algo muito mais forte. O chamado à vigilância, que aqui nos recorda Jesus, é a conclusão do discurso que, segundo Marcos, Jesus pronunciou antes de sua morte.  Neste discurso, Jesus anunciou duas coisas:

1ª) A destruição total do Templo (Mc 13,1-2).

2ª) A queda do sol, da lua e das estrelas (Mc 13,24-25) que indicam, segundo os profetas (Is 13,34; Jr 4,20-23; Ez 32,7 etc.), a ruína dos grandes impérios, os poderes opressores da humanidade.

Assim, o que o Evangelho nos diz é que a bondade, a honradez, a humanidade e a humildade, tudo isso tem tanta força que pode mais que a religião e a política. Queixamo-nos de quão mal está indo a Igreja, e quanto mal os políticos fazem.

Nossa bondade sem limites é a força que pode acabar com toda essa podridão.

O importante é que nos convençamos disto.

Preparar o Natal é, antes de tudo, reforçar nossa honradez, nossa humanidade, nossa integridade e a sensibilidade perante o sofrimento alheio. Porém, para isso, precisamos orarir a Jesus sem jamais nos cansarmos. Somente assim, estaremos vigilantes esperando a incessante entrada de Jesus na história de nossas vidas e das vidas de todos.

Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 421-422.

 

 

 

 

34º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – HOMILIA

 Evangelho: Mateus 25,31-46

 José María Castillo

Teólogo espanhol

O Principal é Uma Vida de Bondade

No último domingo do ano litúrgico, a Igreja recorda aos cristãos que o Reinado de Deus alcança sua plenitude na recordação perigosa e na realização desconcertante do que foi a vida de Jesus. O evangelho de Mateus resumiu o aspecto central daquela vida no chamado «juízo final» ou «juízo das nações».

Este texto, como sabemos, foi objeto de incontáveis discussões e teorias. Discutiu-se se é uma profecia, uma parábola, o relato de um acontecimento que concluirá a história humana etc. Este não é o lugar nem o momento de explicar estas diversas teorias. E, menos ainda, podemos pretender esclarecer o que cada uma dessas teorias tem de verdadeiro e de falso.

O importante é deixar claro que se trata de ensinamento definitivo no qual o evangelho de Mateus nos condensa o essencial, o verdadeiramente central da mensagem que Jesus nos deixou como seu EVANGELHO, sua Boa Notícia.

Nessa passagem, Jesus responde a esta pergunta: o que é e em que consiste o «herdar o Reino de Deus»? A resposta:

Consiste em uma forma de viver CENTRADA NA BONDADE que contagia felicidade e alivia o sofrimento humano sempre e em todos.

Portanto:

1) O Reino de Deus não é uma religião.

2) Não consiste na aceitação doutrinal de dogmas, nem na prática de rituais sagrados, nem na submissão a preceitos ou mandamentos.

3) Tampouco, limita-se a pertencer a uma instituição que exige obediência ou submissão a uma autoridade suprema na terra.

 

O texto evangélico do juízo final não fala de nada disso! Nada disso, portanto, deve ser determinante para o juízo pelo qual cada ser humano teremos de passar, não agora perante a história, mas perante Deus. O juízo no qual cada um terá de responder sobre o que Jesus, o Senhor, representou para ele.

Nesse sentido, pode-se falar do cristianismo como religião. Porém, somente neste sentido. Jesus foi profundamente religioso. Porém, ele não centrou sua religiosidade na submissão da mente a alguns «dogmas» ou na observância de uns «ritos». Jesus centrou sua vida na BONDADE com os que sofrem. Nisso Jesus viu o Pai do Céu.

De acordo com o que se disse, duas coisas ficam patentes:

1) O central do cristianismo não é a crença em umas verdades ou a observância de uns rituais.

2) O mais perigoso para os seres humanos é o chamado «pecado de omissão». Isto é, o mais grave não é o que nós, mortais, fazemos, mas o que deixamos de fazer. Em outras palavras, o que mais prejudica no mundo não é o mal que cometemos.

A pior coisa que fazemos na vida é ignorar o mal que vemos e sentimos ao nosso redor.

Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 413-414.

32º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

  Evangelho: Mateus 25,1-13 

José María Castillo

Teólogo espanhol

 Jamais Perder a Alegria do Reino

Esta pequena história nos remete a alguma pregação de Jesus que foi recolhida por Mateus entre as parábolas do final de seus dias em Jerusalém. Pelo menos, é seguro que o redator deste evangelho viu que este era o lugar e o momento mais oportuno para recordar o significado de tal história.

Assim, mediante este relato, Jesus nos recorda que o perigo, a ameaça, o juízo, a condenação, o sofrimento e a morte, nada disso, por mais temível que possa ser, nunca deve constituir motivo para perder a alegria que sempre há de estar presente em nossa vida.

Aqui, Jesus não contou uma parábola sobre a parusia [a segunda vinda de Cristo] ou o final da História. A metáfora do «noivo» remete a Deus (Os 2,21s; Is 62,5; Jr 2,2). Tampouco, se trata de uma parábola do juízo, como fica claro na comparação com as bodas que evocam alegria  e não temor. Sem dúvida, como bem assinala Ulrich Luz [1938-2019: especialista suíço em Mateus, autor de um extenso comentário ao evangelho], a intenção última do redator foi uma advertência, na qual se queria dizer:

Aquele que não estiver preparado, pode perder o «momento» (kairós) da alegria! Por isso, deve-se estar vigilante para não o perder jamais.

Os Padres da Igreja viram no óleo, que mantém viva a nossa perseverança e esperança, a FÉ
A consequência é clara e motivadora: ser cristão e seguir Jesus é viver na alegria. Portanto, tudo quanto ameaça nossa alegria, nossa felicidade, assim como a alegria e felicidade dos outros, é algo que deve ser evitado, se é que desejamos esperar Jesus, o noivo da grande festa de bodas, que é o Reino de Deus, a alegria de Deus, a felicidade em que deve viver o cristão sempre.

E isso, ainda que haja «esquecidos» (como as virgens imprudentes) ou tenhamos conduta egoísta (como a das virgens «prudentes»). Que temos e teremos limitações e misérias, isso ninguém duvida, por mais boa vontade que tenhamos. Porém, nada disso nos deve retirar ou diminuir nossa constante alegria de vivermos na festa sem fim que é o Reino de Deus.

Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, página 396.

 

28º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

  Evangelho: Mateus 22,1-14 

 José María Castillo

 Teólogo espanhol

 O Reino é o Grande Banquete de Deus

Não é possível entender esta parábola, se não levamos em conta o que representava, nas cultura antigas o “simpósio”, o banquete festivo que se celebrava, desde o mundo judeu ao mundo romano, passando pela cultura dos gregos. Os biblistas “de ofício” costumam resistir à influência que o “simpósio” antigo teve nas origens da eucaristia. Porém, os dados históricos aí estão. E negar-se a aceitar tais dados produz a impressão de um certo “fundamentalismo bíblico”, que resiste aos fatos que viveram os primeiros cristãos.

Isto suposto, é certo que Jesus oferecia o Reino, antes de tudo, aos marginalizados através de sua mesa de fraternidade. Trata-se disso: para muitos acadêmicos, a comensalidade com os socialmente excluídos é essencial em toda reconstrução social do Jesus histórico que pretenda ser válida. Por exemplo, John Dominic Crossan afirma enfaticamente: «Minha teoria é que a magia e a comida ou o milagre e a mesa… proporcionam o ponto crucial do programa de Jesus. Se esta teoria não for verdadeira, eu teria que reescrever todo o livro» (O Jesus Histórico, Imago Editora, 1994). Quer dizer que, se arrancarmos dos evangelhos as refeições de Jesus, tudo aquilo que neles se diz perde sentido e seu significado para nós. Os cristãos devem sê-lo precisamente compartilhando o banquete da comida compartilhada com aqueles que aceitam participar dessa mesa, que, segundo a parábola, não são os ricos, mas os excluídos socialmente.

Nos tempos difíceis que estamos vivendo, quando tantos milhões de seres humanos não têm acesso ao mais elementar que nos pede a vida, a saúde e a alimentação, e isto superando qualquer forma de exclusão na sociedade, Jesus diz aos cristãos – e o diz à Igreja – que o central do Reino de Deus é a comensalidade.

Isto é, a mesa compartilhada com aqueles que não podem compartilhar nada mais que suas carências, suas exclusões, suas inseguranças e seus medos.

Assim, somente assim, poderemos fazer algo para que este mundo torne-se mais habitável. É isso que o Cristianismo tem a trazer para a humanidade neste momento.

26º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Mt 21, 1-27 – O Importante é Fazer não Falar

Depois da entrada de Jesus em Jerusalém e a violenta expulsão dos comerciantes do Templo (Mt 21,1-27), a grande «parodia do poder», o evangelho de Mateus coloca três parábolas tremendas, todas elas dirigidas contra os dirigentes religiosos (não contra o povo de Israel):

a) a parábola dos dois filhos (Mt 21,28-32);

b) a dos vinhateiros homicidas (Mt 21,33-46);

c) a do banquete do Reino (Mt 22,1-14).

Com essas parábolas, Jesus provoca mais tensão na situação de enfrentamento com os responsáveis pela religião. E chega ao ponto de lhes dizer que eles são:

1) os que não fazem aquilo que Deus quer;

2) os que se apoderaram do poder e assassinam aqueles que lhes estorvam;

3) os que não entrarão no banquete de Deus.

Compreende-se que, ali mesmo, quiseram matar Jesus (Mt 21,46a). E não o fizeram porque o povo estava da parte de Jesus e os homens do Templo tinham medo das pessoas (Mt 21,46b. Cf. Mc 11,18.32; 12,12; Mt 14,5; 21,26.46; Lc 20,19; 22,2). Aqueles homens tão religiosos, além de traidores, eram covardes.

A parábola é imediatamente compreendida: A ética de Jesus não é a ética dos propósitos e das palavras, mas a ética dos fatos.

Para Jesus o que «se diz» não conta; o que conta é o que «se faz». Sobretudo, quando o que se diz é exatamente o contrário do que se faz. Isso é o que aconteceu com os dois irmãos [da parábola deste domingo]. E é o que ocorre, tantas vezes, com a elite religiosa:

* em suas pregações falam contra o apego ao dinheiro, aqueles que se parecem com qualquer coisa, menos a um pobre;

* falam contra o orgulho aqueles que ocupam sedes de poder e honra;

* são severos censores do sexo aqueles que ocultam e protegem a delinquentes sexuais.

Jesus acentua a sua denúncia ao afirmar que os grupos mais depreciados pela elite religiosa (publicanos e prostitutas) estão à frente dessa elite no caminho para o Reino. É de se notar que o verbo [grego] «proágousin» (Mt 21,31b) está no tempo presente, isto é, «agora» os publicanos e as prostitutas «vão à vossa frente» no caminho para o Reino.

A juízo de Jesus, os mais recuados [atrasados] no caminho para Deus são, precisamente, os que acham estar à frente dos outros e aqueles que se veem a si mesmos como o exemplo a seguir.

Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 346-347.

 

24º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 18,21-35
José María Castillo
Teólogo espanhol
DEUS SERÁ CONOSCO COMO SOMOS PARA OS OUTROS
Jesus disse: «tratai os outros como quereis que eles vos tratem» (Lc 6,31). O critério de Jesus, então, é que cada um seja tratado por Deus do mesmo modo que essa pessoa trata os demais em sua vida cotidiana. Quer dizer, o comportamento de cada um com os outros é a medida do comportamento que Deus tem com cada ser humano.
Portanto, o respeito, a tolerância, a estima a capacidade de perdoar que cada ser humano tem com as pessoas com as quais convive, esse será o respeito, a tolerância, a estima e o perdão que receberá de Deus.
A tolerância e o perdão do «Senhor» ou «Rei» com seu «servo»/«escravo» alcança uma dimensão incrível, segundo a parábola. A dez mil talentos [cerca de 300 toneladas de ouro!] chegava a soma que Roma, com Pompeu, obteve da recém conquistada Judeia por volta do ano 60 a.C. (segundo o historiador Flávio Josefo). Herodes Antipas obteve duzentos talentos da Galileia e Pereia. Arquelau, seiscentos talentos da venda da Idumeia, Judeia e Samaria (segundo o historiador Flávio Josefo).
Assim sendo, a figura que propõe a parábola evoca a ação de Roma e reflete noções proverbiais sobre a riqueza dos reis. Por isso, é assombrosa a generosidade do «senhor/rei».  Como é assombrosa a ruindade e miséria do servo que, por pouco, chega a desejar matar a um desgraçado que lhe devia uma quantia miserável.
Tudo nesta parábola é exagerado, quase incrível. Como exagerada e surpreendente é a ruindade e a miséria de espírito que estamos vendo e vivendo na duríssima situação de crise atual. Jamais se viu tanta cobiça nos ricos e tanta incapacidade para perdoar «o dinheiro que me devem». A cobiça pelo dinheiro é a causa do que estamos sofrendo.
E, enquanto a Igreja não começar a tomar decisões exemplares, que seja capazes de comover o mundo, esta situação não muda. Especialmente nos países do sul da Europa, que são precisamente os países mais católicos. O mais urgente não é que se modifiquem as decisões econômicas, mas que se convertam os corações ambiciosos e a cobiça insaciável dos ricos, daqueles que manejam o poder político, daqueles que controlam o capital financeiro.
A chave não está na «economia», mas na «ética».
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús. Comentario al evangelio diário – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 330-331.

 

22º Domingo do Tempo Comum – Homilia

Evangelho: Mateus 16,21-27
José María Castillo
Teólogo espanhol
JESUS, UM MESSIAS INESPERADO
A partir do momento em que os discípulos, pela boca de Pedro porta-voz deles, afirmam sua fé em Jesus como o Messias (Mc 8,27-30; Mt 16,13-16; Lc 9,18-21), este «começa» a explicar àqueles homens em que consistia seu messianismo e como iria se realizar.
Tal messianismo não seria uma carreira de êxitos, de triunfos, de poder e de fama. Totalmente o contrário. O messianismo que poderia trazer salvação e solução ao mundo, seria (tinha que ser) e se realizaria em uma vida que iria terminar no enfrentamento mortal com os poderes religiosos e políticos, até ver-se marginalizado, excluído e condenado por tais poderes.
Este fato, tal como historicamente aconteceu, pareceu intolerável a Pedro. Por isso, «repreendeu» Jesus. O que foi motivo de um enfrentamento duríssimo. Porque Jesus chegou a qualificar Pedro de «Satanás». Por que esse enfrentamento chegou a tal extremo? Estava em jogo o mais decisivo. Por quê?
O Messias, segundo o Antigo Testamento, era o «ungido». E ungidos eram o «sumo sacerdote» e o «rei». O messianismo estava associado, para qualquer judeu, ao mais digno, ao poder e à grandeza. A ideia de Messias estava, portanto, vinculada ao sobre-humano, ao governo glorioso do rei Davi (Is 9,1-6; 11,1ss; Mq 5,1-5). Talvez, na ideia do Messias estrasse, também, o conceito do «sagrado». Porém, é indubitável que a ideia judaica do messianismo estava vinculada à realeza, com o poder e dignidade que lhe corresponde, na qual encarna o papel e a grandeza da salvação do povo eleito.
Uma vez posto isso, e sendo essa a mentalidade do judaísmo proveniente do Antigo Testamento, compreende-se que Jesus, ao explicar seu messianismo (tal como de fato se consumou), teve de lançar mão de uma fórmula forte e direta: «o Messias tem de ir a Jerusalém e padecer muito lá». O texto utiliza o vocábulo grego «deï», que não tem equivalente semítico e que designa uma necessidade absoluta, inquestionável.
Porém, na história da interpretação bíblica, esta necessidade expôs um problema no qual a teologia ficou presa:
* Jesus «tinha que» padecer e morrer rejeitado pelas autoridades religiosas, porque assim Deus havia decidido?
Ou:
* Porque o próprio Jesus viveu de modo que aquela vida não poderia acabar senão em fracasso, em sofrimento e na morte de um subversivo?
Aqui está o problema capital para entender Jesus, para compreender o que significa o cristianismo, e para viver a fé cristã com coerência e segundo seu razoável significado.
O que isso quer dizer?
A afirmação forte, que faz Jesus, segundo a qual o Messias «tem que padecer muito» (grego: deï pollá pathein), associa o sofrimento e a morte de Cristo com «uma necessidade absoluta». O problema está em que o vocábulo «deï» («é necessário», «tem que») se associa no Novo Testamento com decretos divinos. Isto é que deu pé para se dizer que foi Deus quem decretou o sofrimento e a morte de Jesus.
Porém, se chegamos a esta conclusão, no fundo, o que estamos afirmando é que Deus necessitou de sofrimento e morte, nada menos do que a morte de seu Filho. O que equivale fazer de Deus um monstro de maldade e sadismo. Semelhante afirmação teológica é absolutamente intolerável e inaceitável. Em um Deus assim, não é possível crer.
Para pôr as coisas em seu lugar, é necessário saber:
1) No Novo Testamento se relaciona o vocábulo «deï» com normas de Deus para a ética e a piedade (At 5,29; 1Ts 4,1; Rm 8,26; 1Cor 8,2; 1Tm 3,2.7.15; Lc 13,14.16).
2) Nunca se relaciona com sofrimentos que Deus manda ou com decisões divinas relativas à morte de alguém.
3) E, claro, jamais se vincula a sofrimentos, violência e morte cuja origem esteja nas autoridades religiosas.
Deve-se dizer, portanto, o que dizem os evangelhos quando põem na boca de Jesus os anúncios da paixão: foram os sumos sacerdotes, os doutores da Lei e os senadores aqueles que decidiram torturar, humilhar e assassinar Jesus. Nesse sentido, pode-se afirmar que não foi Deus, mas que foi a Religião (por meio de seus representantes oficiais) que matou Jesus. O projeto de matar Jesus brotou dos observantes religiosos, os fariseus (Mc 3,6). E o consumou o Sinédrio das autoridades religiosas de Jerusalém (Jo 11,47-53).
Porém o que ocorreu, no cristianismo primitivo, é que os evangelhos foram redigidos e se difundiram (em sua redação definitiva) depois do ano 70, datação que está geralmente aceita e comprovada. Contudo, muito antes, entre os anos 41 e 51-52, as primeiras «igrejas», fundadas quase todas pelo apóstolo Paulo, receberam uma mensagem distinta àquela dos evangelhos. Foi a mensagem segundo a qual Cristo morreu crucificado, como «sacrifício» e «expiação» por nossos pecados. O que, a juízo de Paulo, foi um ato de generosidade de Deus. Foi o Pai quem entregou seu Filho para a nossa «justificação» e «redenção» (2Cor 5,21; Rm 3,24-26).
Estas duas interpretações da morte de Jesus, a dos evangelhos e a de Paulo, não se integraram devidamente na teologia cristã. Porém o fato histórico nos diz que Jesus morreu como um fracasso subversivo, por solidariedade para com todos os que sofrem neste mundo. Isto é o capital. E deveria ser o determinante para a Igreja.
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diário – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 312-314.

17º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 13,44-52
José María Castillo
Teólogo espanhol
O QUE PREENCHE O SER HUMANO
A primeira dessas parábolas compara a oferta de Jesus, o reinado de Deus, com um tesouro. Um tesouro tão valioso e que seduz tanto e produz tanta alegria, que aquele que o encontra, esquece-se de tudo o que tem, abandona tudo e vê nesse tesouro a única coisa que vale a pena neste mundo.
Como é lógico, isto quer dizer que quem encontra Jesus e sua mensagem, por esse motivo, muda radicalmente de vida. Uma novidade assim, não pode ser nem a prática religiosa, nem, muito menos, as obrigações que impõe a religião. Nem sequer, as promessas de felicidade para a outra vida. Nada disso é – para a grande maioria das pessoas – um tesouro que muda a forma de viver. A crença em uma esperança (incerta? insegura?) de futuro, normalmente, não modifica o presente visível, tangível.
O mesmo se deve dizer da pérola. No fundo, é a mesma comparação formulada com outras palavras. O que podem expressar o «tesouro» e a «pérola»?
Somente o que mais preenche os seres humanos:
um ambiente humano de respeitotolerânciaestimacarinho e segurança,
no qual damos felicidade e recebemos felicidade,
com a convicção de que isso é (e será) para sempre.
Somente isso pode significar o que, tal como são os humanos, Jesus oferece e afirma.
A comparação da rede e a separação última e definitiva dos peixes abre o horizonte das promessas de Jesus de tal maneira, que transcende todas as limitações inerentes à condição humana. A intenção de Mateus, ao colocar aqui esta comparação, é pôr uma «sentinela no horizonte» (Paul Ricoeur) último de todo o meramente humano, para superá-lo e transcendê-lo além de quanto nos atrevemos a imaginar ou suspeitar os mortais.
Em suma, a garantia mais segura de que o Evangelho está presente na vida é que essa nossa vida progrida e funcione impregnada de alegria pelo fato de ter conhecido e encontrado Jesus e seu Evangelho.
Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fontes:- CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al Evangelio diário 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 266-267.

16º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mt 13,24-43

José María Castillo
Teólogo espanhol
NINGUÉM É JUIZ DE NINGUÉM
O ensinamento desta parábola [do joio e do trigo] está claro: a juízo de Jesus, ninguém tem nesta vida o direito de erigir-se em juiz do bem e do mal. Ninguém tem, portanto, o direito de decidir onde está o bem (o trigo) e onde está o mal (o joio). E menos ainda, ninguém tem o direito de considerar-se com poder para pretender extirpar o mal pela raiz (arrancar o joio). Porque pode, muito bem, acontecer que, pensando que se arranca o joio, na realidade o que está se arrancando é o trigo.
Portanto, ninguém pode constituir-se em juiz dos demais. Ninguém tem direito de fazer isso. Ninguém pode condenar ninguém, rejeitar ninguém, reprovar a quem seja. Porque corre o perigo de equivocar-se. De modo que, pensando que faz uma boa coisa, na realidade o que leva a cabo é um dano.
Jesus condena, assim, o puritanismo e a intolerância. Todos corremos o perigo de incorrer nesse tipo de conduta. E nós sabemos, muito bem, até que ponto as pessoas andam por aí condenandorejeitandoofendendo, insultando… Porém, esse perigo aumenta, na medida em que, uma pessoa se faz mais religiosa, sobretudo, se sua religião é de caráter fundamentalista. Então, a intolerância supera todos os limites e chega a criar ambientes nos quais não se pode nem respirar.
Este mundo está repleto de fanáticos, que se consideram com o direito e o dever de obrigar que os outros mudem, até pensar e viver como pensa e vive o fanático intolerante. As pessoas «muito religiosas» dão medo! E tornam a vida insuportável e a convivência amarga.
No fundo, o problema está em que, no final das contas, o bem e o mal são categorias que dependem dos que tem poder para defini-lasFriedrich Nietzsche (filósofo alemão: 1844-1900) disse muito bem: «foram os bons mesmos, isto é, os nobres, os poderosos, os homens de posição superior… quem se sentiram e valorizaram a si mesmos e à sua obra como bons, ou seja, como algo de primeiro escalão, em contraposição a todo o baixo, abjeto, vulgar e plebeu» (Genealogia da moral I, 2).
E é, assim, que vamos limpar o campo do Senhor do suposto joio?
No final das contas, a essência do fanatismo consiste no desejo (e até no empenho) de «obrigar os outros a mudarem» (Amos Oz – escritor israelense: 1939-2018). Neste ponto coincidem todos os fanáticos do mundo, os quais, com frequência, degeneram para a violência e o terror.
Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fontes: Religión Digital – CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al Evangelio diário 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 257-258.

 

 

15º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 13,1-23

 José María Castillo
Teólogo espanhol
A FORÇA DO REINO ESTÁ ENTRE NÓS
Para entender esta parábola, a primeira coisa que se deve levar em conta, é que a «palavra» (em grego: logos; em hebraico: dâbâr), nas cultura do Oriente Antigo, não era meramente um «signo» que transmite uma «ideia», mas era uma «força» que transmitia uma «realidade». A realidade que expressava a palavra.
Nesta parábola, o que Jesus explica é porque muitas vezes a palavra 
não é força, mas se frustra e, por isso,
resulta ineficaz ou sua eficácia é diminuída, limitada.
Como isso é mencionado na Bíblia, a «palavra de Deus», não se associa ao sacerdote (Zacarias, o pai do Batista, ficou sem palavra, mudo: Lc 1,20), enquanto que a palavra veio sobre João, não no Templo, mas no deserto (Lc 3,2). E é que a palavra era o meio pelo qual os profetas comunicam sua força ao povo (Am 1,6).
Porém, com Jesus, o tema da palavra dá um passo adiante que se torna decisivo: a palavra de Deus é a palavra de Jesus: «Porém, eu vos digo» (Mt 5,22. 28…). A palavra de Jesus tem tal força, que:
* faz milagres (Mt 8,8.16; Jo 4,50-53),
* perdoa pecados (Mt 9,1-7 paralelos),
* transmite seu poder pessoal (Mt 18,18; Jo 20,23),
* perpetua sua presença (Mt 26,26-29 paralelos).
Pois bem, levando em consideração tudo aquilo que foi exposto, a pergunta que temos de afrontar é forte: Por que, com tanta frequência, a palavra do clero, dos catequistas, dos professores de religião, não é semente para nada?
Por que essa palavra torna-se tão inexpressiva,
tão pesada, tão incômoda, tão rotineira?
Não seria porque, no lugar de «profetas» da palavra, temos «funcionários» do templo? Isso tudo não indicará que nos apegamos a uma religião rotineira e cômoda, enquanto nos afastamos do Evangelho de Jesus?
Porém, se vamos até o fundo do que contém todo esse assunto, o que fica claro é que a Palavra, que disse Deus ao mundo, é o próprio Jesus e somente Jesus.
Porque a encarnação da Palavra não alude a Jesus como um enviado escatológico em quem Deus atua hoje, mas afirma a presença d0 próprio Deus na carne. Em outras palavras: a encarnação da Palavra significa a presença de Deus na pessoa de Jesus. Isto é, em Jesus, em sua VIDA, seus ATOS e suas PALAVRAS, é onde aprendemos:
* quem é Deus,
* como é Deus,
* o que temos de fazer para nos relacionarmos com Deus.

 

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Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

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