COMUNIDADE QUE PARTILHA

 

COMUNIDADE QUE PARTILHA

Perspectiva econômica e ecológica

do

Evangelho de Marcos

Irmã Mercedes Lopes e Frei Carlos Mesters

 

Resumo

Apresentamos, neste artigo, algumas informações sobre o contexto histórico do Evangelho de Marcos e a condição social das primeiras comunidades cristãs, para visibilizar com maior clareza a proposta de Jesus de Nazaré. A seguir, oferecemos três chaves para a leitura deste Evangelho em uma perspectiva econômica:

a)  Partilhar até as migalhas;

b)  Carência de pão e falta de entendimento:

c)  Concentração de bens gera morte.

Neste artigo não tratamos da perspectiva ecológica, porque esta abordagem explícita é ausente no Evangelho de Marcos. Na conclusão, abordamos o tema da ecologia e encerramos com uma breve síntese.

 

Introdução

1) Não encontramos no Evangelho de Marcos uma análise crítica dos mecanismos de opressão econômica do império romano e do sistema religioso do templo de Jerusalém. Nem poderia ser de outro modo, já que naquela época não havia uma ciência da economia que oferecesse ferramentas para se fazer tal análise. O que Marcos nos mostra é um povo faminto (6,36-37; 2,23-27: 8,1b), doente (1,32-34), excluído (1,40-45; 5,1-5.33) e abandonado, que caminha continuamente em busca de Jesus (6,34), em busca de vida. Esta situação do povo deixa transparecer a opressão econômica da época. Diante desta situação, Marcos apresenta a Boa Nova de Jesus Cristo, filho de Deus, que se entrega totalmente a um projeto de vida e de libertação dos pobres.

2) A economia é uma forma de organizar os bens de maneira que a manutenção e reprodução da vida sejam garantidas. Em cada época, a forma de organizar os bens e de garantir a sobrevivência vai mudando. Cada época tem suas normas e critérios. Em cada época existem os conflitos entre os que querem tudo para si e os que querem a partilha dos bens para todos. No tempo de Marcos, as comunidades se inspiravam na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré para iluminar a situação que enfrentavam e assim encontrar formas alternativas de organização. Se retomarmos a Boa Nova de Jesus de Nazaré, tal como foi narrada por Marcos, em seu contexto, podemos iluminar nossa busca de responder aos desafios da miséria e da fome em nosso tempo.

 

1. CONTEXTO HISTÓRICO DO EVANGELHO DE MARCOS

 

1.1. Situar o evangelho de Marcos

A atraente narrativa de Marcos foi escrita dentro de um contexto de perseguição e de medo, vivenciado pelas comunidades cristãs. No ano 64 d.C., Nero desencadeia uma perseguição aos cristãos de Roma, causando a morte de muitos discípulos e discípulas de Jesus. Em 66 d.C., Tibério Alexandre, prefeito do Egito, manda massacrar milhares de judeus por terem se rebelado contra Roma. No verão deste mesmo ano, Gessio Floro manda crucificar judeus em Jerusalém, por terem se rebelado contra o saque que ele havia realizado no tesouro do templo. Estoura a guerra dos judeus contra Roma, que só termina com o cerco de Massada, em 73 d.C. Muitos cristãos eram judeus e entraram em conflito, questionando-se se deveriam ou não embarcar nessa guerra. A ameaça da perseguição se generaliza. Diante dela, houve cristãos que negaram ou traíram sua fé, muitos se dispersaram. Esta situação se  reflete na descrição das atitudes dos discípulos diante da proposta de Jesus: Pedro negou (Mc 14,71), Judas traiu (Mc 14,10.45), todos fugiram e se dispersaram(Mc 14,27.50). No tempo de Marcos, muitas comunidades que viviam na Palestina foram para a Síria, para a Transjordânia e até mesmo para lugares mais distantes como Ásia Menor, Grécia e Macedônia. O medo e a insegurança econômica tornavam a vida mais difícil, nestas novas situações. A memória de Jesus, as celebrações, a vivência comunitária da fé eram a luz que ajudava as comunidades a encontrar novos caminhos. É neste contexto que a Boa Nova de Jesus Cristo, segundo Marcos, foi escrita. Retomando a centralidade de Jesus para sua vida de fé, as comunidades recordavam seus ensinamentos e suas ações para inspirar a partilha que garantia a vida de todos, neste contexto desafiador.

 

1.2. Alguns dados da história do tempo de Jesus

 

Na Galiléia

Herodes Antipas (4 a.C. a 39 d.C.), filho de Herodes, o grande, governou a Galiléia e a Peréia durante todo o tempo da vida de Jesus. Seu governo se caracterizava pela prepotência, falta de ética e poder absoluto. Ele construiu a nova capital em Tiberíades, já que Séforis, a antiga capital, tinha sido destruída pelos romanos em represália contra um levante popular. Isto aconteceu quando Jesus tinha em torno de sete anos de idade. Tiberíades, a nova capital, toda ela construída conforme o padrão das cidades da cultura helenista, foi inaugurada treze anos mais tarde, quando Jesus tinha seus 20 anos. Era chamada assim para agradar a Tibério, o imperador de Roma. Tiberíades era um quisto estranho na Galiléia. Era lá que viviam o rei, “os magnatas, os generais e os grandes da Galiléia” (Mc 6,21). Lá moravam os donos das terras, os soldados, a polícia, os juizes muitas vezes insensíveis ao sofrimento do povo (Lc 18,1-4). Para lá eram levados os impostos e o produto do trabalho das famílias. Era lá que Herodes fazia suas orgias de morte (Mc 6, 21-29). Tiberíades era a cidade dos palácios do Rei, onde vivia o pessoal de roupa fina (cf. Mt 11,8). Não consta nos evangelhos que Jesus tenha entrado nessa cidade.

Durante o governo de Herodes, cresceu o latifúndio em prejuízo das propriedades comunitárias. Uma das causas para a concentração de terras eram os impostos, pois reduziam a renda das pequenas propriedades rurais. Esta situação transparece no 1º livro de Henoque (séc. II a.C.- I d.C.), que denuncia os poderosos donos das terras e expressa a esperança dos peque­nos: “então, os poderosos e os grandes já não serão mais os donos da terra!” (Hen 38,4). Este apócrifo resgata o ideal dos tempos antigos: “Cada um debai­xo da sua vinha e da sua figueira, sem que haja quem lhes cause medo” (1 Mac 14,12; Miq 4,4; Zac 3,10). Mas a política do governo de Herodes tornava impos­sí­vel a realização deste ideal.

Os privilegiados pelo governo de Herodes Antipas eram os funcionários fieis ao projeto do rei: escribas, comerciantes, donos de terras, fiscais do mercado, publicanos ou coletores de impostos, militares, policiais, juizes, promotores, chefes locais. A maior parte deste pessoal morava na capital, gozando dos privilégios que Herodes oferecia, por exemplo, a isenção de impostos. Outra parte vivia nas aldeias. Em cada aldeia ou cidade havia um grupo de pessoas que apoiavam o governo. Vários escribas e fariseus estavam ligados ao sistema e à política do governo. No evangelho de Marcos, os fariseus aparecem junto com os herodianos (Mc 3,6; 8,15; 12,13), o que reflete a aliança que existia entre o poder religioso e o poder civil.

 

Na Judéia

Arquelau, Filho de Herodes o grande, governou a Judéia, a Iduméia e a Samaria, tendo sido destituído e enviado para o exílio na Gália, depois de pouco mais de 10 anos de governo, por sua violenta administração dos conflitos. Desde então, os romanos decidiram administrar a Judéia por meio de um procurador romano. A inserção da Judéia como província procuratorial dentro da unidade administrativa da província da Síria, possibilitava certa autonomia, garantindo a prática dos costumes da cultura judaica e a atuação legal do sinédrio.

O templo de Jerusalém funcionava como o banco central dessa época. Ele tinha muita importância econômica, sobretudo para os moradores de Jerusalém, que viviam do comércio de animais para o sacrifício, do câmbio de moedas para os judeus que vinham da diáspora, das hospedarias e da confecção de objetos, através do artesanato. A população de Jerusalém vivia do templo. Muitas pessoas trabalhavam nas reformas, feitas desde Herodes o grande, que recuperou o segundo templo em um novo e amplo estilo e mandou circundá-lo com pórticos. Também foi construída uma imensa muralha de circunvalação. Mais tarde (41-44), Agripa começou a construção da “terceira muralha” ao norte da cidade. No início dos anos 50, o controle do templo de Jerusalém foi entregue por Roma ao filho de Agripa (50-68).

 

A Pax Romana

A pax romana, garantida pelas tropas militares, oferecia uma base de sustentação ideológica para o comércio internacional e a concentração econômica, evitando o levantamento rebelde dos pobres e massacrando os revoltosos. O poder religioso contribuiu para a formação de uma ideologia que favorecia o ordenamento econômico segundo os interesses do império. Para a religião do império, eram os deuses que garantiam esta paz. Para o sistema do templo, a riqueza e a prosperidade eram sinais da bênção de Deus. É esta ideologia que mantinha a exploração econômica da Palestina. Ela cresceu ainda mais com a administração de Géssio Floro (64-66), que usa da violência para realizar a extorsão econômica do povo e para massacrar a resistência. Mas, somente quando Géssio Floro tocou no tesouro do templo é que estourou a guerra dos judeus (66-73), apesar da forte ideologia imperial.

O censo dos habitantes e de seus bens, realizado por Quirino, cerca de 8-6 a.C., tinha como objetivo principal a concretização de uma reforma tributária, responsabilizando as administrações locais pela arrecadação dos impostos. Este censo causou muitos protestos entre a população, liderada por Teudas e por Judas, o Galileu (At 5,37). A vida do povo nas aldeias da Galiléia, Samaria e Judéia era muito controlada, tanto pelo governo local como pela religião. Um controle que abrangia as diferentes situações da vida diária e a economia do povo judeu.

 

1.3. A condição social das primeiras comunidades cristãs

O movimento de Jesus resgata a esperança dos pobres do interior da Palestina e, posteriormente, se expande entre as pessoas carentes das principais cidades do império romano. Na primeira carta aos coríntios, Paulo se refere à condição social dos membros daquela comunidade: “Vejam bem quem vocês são: entre vocês não há muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos da alta sociedade” (1Cor 1,26).

Com outras palavras, a comunidade de Corinto não era formada por gente rica nem poderosa nem estudada. Possivelmente havia alguns mais ricos ou remediados, em cujas casas a comunidade se reunia. Mas, a maioria eram pessoas da periferia pobre de Corinto. Os muitos conselhos relacionados com escravos deixam transparecer que uma grande parte dos primeiros cristãos era escravo (1Cor 12,13; Ef 6,5; Cl 3,22; 1Tm 6,1). Na carta a Filêmon, Paulo intercede por um escravo convertido, Onésimo (Fm 10). Na carta de Tiago é clara a alusão aos muitos pobres que havia na comunidade (Tg 2,2-9; 5, 1-5). O mesmo vale para as recomendações de Paulo em torno da Ceia do Senhor, onde havia gente que tinha muito para comer e outros que nada tinham e passavam fome (1 Cor 11,20-22). E na primeira carta de Pedro se percebe que grande parte da comunidade era de migrantes e estrangeiros (1 Pd 1,1; 2,11). O mesmo contraste transparece no Apocalipse: a comunidade de Esmirna é pobre, a de Laodicéia é muito rica e prepotente.

 

2. TRÊS CHAVES DE LEITURA

 

2.1.  1ª Chave: Partilhar o pão

A fome do povo e as duas multiplicações de pães

No evangelho de Marcos, a multiplicação de pães aparece duas vezes (Mc 6,35-44; 8,1-10), em diferentes contextos. Na primeira multiplicação (Mc 6,35-44), Jesus está em um lugar deserto da Galiléia. Os doze cestos de sobras de pão nos remetem ao povo judeu. Na segunda (Mc 8,1-10), Jesus está fora da Galiléia. Os sete cestos de pedaços de pão que sobraram lembram os sete diáconos das comunidades helenistas. Estes detalhes relacionam a multiplicação do pão à forma de organização das comunidades cristãs, tanto entre judeus, como entre gentios.

Na segunda narrativa da multiplicação, uma frase inicial chama a atenção para o contexto humano e social dessas comunidades: “existindo grande multidão e não tendo eles o que comer” (Mc 8,1b). Esta era, certamente, a situação da maioria das pessoas no século 1 d.C. O povo vive uma situação de carência, de abandono e de fraqueza que preocupa Jesus: “Se eu os mandar em jejum para casa, desfalecerão pelo caminho” (Mc 8,3b). O evangelho de Marcos lembra às comunidades que Jesus se compadeceu da multidão dispersa e abandonada, “como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). Uma frase que nos remete novamente para a ausência de lideranças que promovam a vida junto dos pobres.

O problema da fome transparece na repetição de palavras como “comer” e “pão”. Na primeira narração (Mc 6,35-44), o verbo “comer” aparece seis vezes e a palavra “pão”, cinco. Na segunda (Mc 8,1-10), o verbo “comer” aparece três vezes, a palavra “pão” três. Mas, há outra palavra também bastante repetida. É a palavra “distribuir”, que aparece três vezes na segunda narrativa de multiplicação de pães. Estes detalhes nos levam a perceber que há um contexto de fome e também de falta de distribuição, de falta de partilha de pão. As comunidades cristãs estão sendo convidadas a se confrontarem com esta realidade.

 

A multiplicação de pães na Galiléia

Em Mc 6,35-44, Jesus convida seus discípulos para ir ao deserto descansar e fazer uma revisão. Este convite já desperta a memória dos ouvintes para a lembrança da caminhada de Moisés com o povo, no êxodo (Ex 16). No deserto, a multidão faminta comove Jesus (Mc 6,34). Começa a escurecer. Os discípulos ficam preocupados e pedem a Jesus para despedir o povo. Acham que lá no deserto não é possível conseguir comida para tanta gente. Jesus diz: “Dêem vocês de comer ao povo!” Eles levam susto: “Vamos comprar 200 denários de pão para dar-lhes de comer?” (i.é, vamos precisar de uma soma correspondente ao salário de 200 dias!) Eles procuram a solução fora do povo e para o povo. Jesus não busca solução fora, mas dentro do povo e a partir do povo, pois ele pergunta: “Quantos pães vocês têm? Vão verificar!” A resposta é: “Cinco pães e dois peixes!” É pouco para tanta gente! Mas, Jesus manda os discípulos organizarem o povo em grupos e distribuir os pães e os peixes. Sentados, todos comem à vontade!

É importante notar como Marcos descreve o gesto de Jesus. Ele diz: “Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu, abençoou os pães e os partiu e deu aos seus discípulos, para que os distribuíssem”. Esta maneira de falar faz as comunidades pensarem na eucaristia. Assim, Marcos sugere que a eucaristia deve levar à partilha. Ela é o pão da vida que dá coragem e leva a enfrentar os problemas do povo de maneira diferente, não a partir de fora, mas a partir de dentro do povo.

A vontade de Deus é que haja pão para todos. Por ordem de Javé, Moisés deu de comer ao povo faminto no deserto (cf. Ex 16,1-36). A organização do povo em grupos de 50 e 100 lembra o recenseamento realizado no deserto, depois da saída do Egito (cf. Nm, 1-4).  A partilha precisa ser organizada. A comida conjunta é sinal do Reino de Deus. Não se pode separar a celebração da ceia do Senhor da realidade cotidiana, onde a situação de fome exige partilha.

 

Multiplicação de pães fora da Galiléia

Na segunda multiplicação (Mc 8,1-10), Jesus se encontra novamente no deserto, porém fora da Galiléia. O número sete nos remete ao ambiente das comunidades helenistas. Sete são os pães que os discípulos tinham (v.5) e sete cestos de pedaços de pão foram recolhidos, depois que todos ficaram saciados (v.8). O gesto de Jesus de “tomar os pães, partir, dar graças e dar” aos discípulos para que distribuíssem ao povo, lembra de novo a eucaristia. Aparece claramente uma relação entre a celebração eucarística e a partilha do pão. O texto aponta também para uma necessidade de concretizar e organizar a solidariedade, possibilitando a participação de todos na resposta ao problema da fome. Pois, uma multidão que perambula dispersa, como ovelhas sem pastor, não encontra solução para seus problemas. No tempo de Moisés, a comida no deserto (Ex 16,1-36) fortalece o povo para continuar a caminho em direção à sua liberdade e autonomia. No tempo de Jesus, a comida comunitária e abundante no deserto  torna-se uma alternativa pedagógica para ensinar ao povo o novo caminho para a libertação integral. Um caminho com Jesus, em comunidade de fé e de partilha de vida.

Entre as duas multiplicações de pães (Mc 6,35-44; 8,1-10), Marcos coloca o episódio da mulher sírio-fenícia (Mc 7,24-30) em seguida de uma controvérsia entre Jesus e os fariseus (Mc 7,1-23). Eles criticam Jesus porque seus discípulos comem os pães sem lavar as mãos. A frase “os discípulos comiam os pães com mãos impuras” está literalmente repetida em Mc 7,2 e 5, formando uma inclusão para toda a crítica feita a Jesus pelos fariseus que vieram de Jerusalém (7,2-5). Vários costumes da tradição judaica sobre a comida são exigidos aos discípulos de Jesus por estes fariseus e escribas. Em sua longa defesa, Jesus conclui que nenhum alimento pode tornar o ser humano impuro. Para Jesus, as posturas contrárias às novas relações do Reino é que tornam a pessoa impura (Mc 7,21). Neste texto, aparece cinco vezes a repetição do verbo “comer” (Mc,7,2.3.4.5). Portanto, estamos ainda dentro da preocupação com alimento, comida. Uma preocupação que transparece também no episódio da mulher siro-fenícia.

 

Partilhar até as migalhas

É interessante observar, no evangelho de Marcos, os detalhes do diálogo entre Jesus e a mulher siro-fenícia (Mc 7,26). Em Mateus, ela é apresentada como “uma mulher Cananéia, daquela região” (Mt 15,22). Parece importante ressaltar que ela era uma mulher estrangeira, pobre, pagã e sozinha (o texto deixa entender que era ela quem se sentia responsável pela filha doente e que não tinha um homem com ela). Como uma pessoa com tantas marcas de exclusão tem coragem de levantar a cabeça, sair do seu mundo de dor e ir buscar libertação para sua filha? De onde vem a força para esta mulher? Ela tinha ouvido falar de Jesus. Ouviu dizer que dele saia uma força de vida que curava a todos. O desejo de saúde, de libertação para sua filha, lhe dá forças (Mc 5,27-28; 6,56).

Mas Jesus lhe respondeu a partir daquilo que aprendeu desde pequeno: “deixa que primeiro os filhos se saciem porque não é bom tirar o pão dos filhos e atirá-lo aos cachorrinhos”. Por um lado, Jesus parece estar convencido de que sua missão é junto ao povo judeu. Por outro, parece que a preocupação com a comida é muito importante para ele, neste momento. Está comovido pela fome e desorientação daquela multidão de pobres que o procuram. Mas a mulher abre seus olhos para uma imensa multidão de mulheres pobres, excluídas também por sua raça. Sua reclamação é coletiva. Ela mostra a Jesus que todas as pessoas têm o direito ao dom de Deus: “É verdade, Jesus! Mas os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa das crianças!” O que ela está dizendo é o seguinte: “Se para o senhor sou uma cachorrinha, então me dê as migalhas a que tenho direito!” E na “casa de Jesus”, isto é, na comunidade cristã, a multiplicação do pão para os filhos foi tão abundante que estavam sobrando doze cestos de migalhas para os “cachorrinhos”, isto é, para os pagãos!

Na resposta de Jesus aparece uma postura nova. Ele se dá conta de que a fala daquela mulher é palavra de Deus para ele: “por causa da tua palavra vai: o demônio saiu da sua filha” (Mc 7,29). A atitude da mulher abriu um novo horizonte na vida de Jesus. Através dela, ele descobriu melhor que o projeto do Pai é para todos os que buscam a vida e procuram libertá-la das cadeias que aprisionam a sua energia. Também mostra a importância da partilha, pois ela gera abundância que pode beneficiar aos que nada têm. As “migalhas” debaixo da mesa sugerem uma saída alternativa para a situação de carência e fome. Não importa a quantidade, quando se partilha tudo, até as migalhas, gera-se a abundância necessária para saciar a fome do mundo. O Evangelho de Marcos está mostrando que, enquanto a partilha pode saciar a fome de milhares de pessoas no deserto, a concentração pode gerar a fome em toda parte.

 

2.2. 2ª Chave: Carência de pão e falta de entendimento dos discípulos

A forma como os poderosos organizavam a economia gerou a carência de pão, a miséria e a fome do povo. Jesus critica esta situação, causando assim um doloroso conflito não só entre ele e as autoridades, mas também entre ele e os discípulos. Pois também os discípulos tiveram dificuldade de entender a proposta de Jesus.

Quando receberam o chamado, eles largaram tudo e o seguiram pensando ser ele o Messias do jeito que eles esperavam. Mas foi na convivência que perceberam que Jesus era um messias diferente do modelo que eles tinham na cabeça. Esta divergência foi crescendo e os discípulos chegaram num ponto em que já não se diferenciavam dos inimigos de Jesus. Anteriormente, Jesus tinha ficado triste com a “dureza de coração” dos fariseus e dos herodianos (Mc 3,5). Agora, os próprios discípulos têm o “coração endurecido” (Mc 8,17). Anteriormente, “os de fora” (Mc 4,11) não entendiam as parábolas, porque “tinham olhos e não enxergavam, ouvidos e não escutavam” (Mc 4,12). Agora, os próprios discípulos já não entendem mais nada, porque “tem olhos e não enxergam, ouvidos e não escutam” (Mc 8,18).

A causa deste não foi a má vontade deles. Os discípulos não eram como os adversários de Jesus. Estes também não entendiam o ensinamento do Reino, mas neles havia malícia e má vontade. Eles usavam a religião para criticar e condenar Jesus (Mc 2,7.16.18.24; 3,5.22-30). Os discípulos e as discípulas, porém, não tinham má vontade. Mesmo sendo vítimas do “fermento dos fariseus e dos herodianos”, não estavam interessados em defender o sistema dos fariseus e dos herodianos contra Jesus.

A causa do desencontro crescente entre Jesus e os discípulos tinha a ver com a esperança messiânica. Havia entre os judeus uma grande variedade de expectativas messiânicas. De acordo com as diferentes interpretações das profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (cf. 15,9.32). Outros, um Messias Santo ou Sacerdote (cf. 1,24). Outros, um Messias Guerrilheiro subversivo (cf Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8). Outros, um Messias Doutor (cf. Jo 4,25; Mc 1,22.27). Outros, um Messias Juiz (cf. Lc 3,5-9; Mc 1,8). Outros, um Messias Profeta (6,4; 14,65). Ao que parece, ninguém esperava o Messias Servidor, anunciado pelo profeta Isaías (Is 42,1; 49,3; 52,13). Eles não se lembraram de valorizar a esperança messiânica como serviço do povo de Deus à humanidade, concretamente, da comunidade ao povo do bairro. Cada um, conforme os seus próprios interesses e conforme a sua classe social, aguardava o Messias, querendo encaixá-lo na sua própria esperança. Por isso, o título Messias, dependendo da pessoa ou da posição social, podia significar coisas bem diferentes. Havia muita confusão de idéias!

Era a sua atitude como Servidor que levava Jesus a doar a sua vida em resgate para muitos (Mc 10,45). Por isso criticava a situação que gerava a falta de pão para os pobres e excluídos. Aqui está a causa para entender o conflito com os discípulos. Um messias assim era estranho para eles.

A quase ruptura entre Jesus e os discípulos está descrita em Marcos 8,14-21. Marcos apresenta um desentendimento entre Jesus e os discípulos, iniciado pelo esquecimento do pão. A irritação de Jesus transparece na quantidade de perguntas que ele faz sem esperar resposta. As perguntas deixam entrever que há uma relação íntima entre compreender quem é Jesus e organizar a partilha de forma diferente da que era feita na sociedade da época. A missão de Jesus e a abundância de pão para todos, são dois lados da mesma medalha.

 

2.3.  3ª Chave: A concentração gera a morte

 

O Templo e a figueira estéril (Mc 11,12-24).

A figueira é símbolo do templo que está morto, seco, sem produzir frutos que saciem a fome de Deus que tem o povo. Marcos faz uma comparação entre a concentração de bens realizada no templo e a partilha radical feita pela viúva.

Na festa de Páscoa o povo romeiro vinha caminhando dos lugares mais distantes para encontrar-se com Deus no Templo. O Templo ficava no alto de um pequeno morro na zona norte-nordeste da cidade, que era chamada Morro de Sião ou Monte Sião. Quando vinha fazer suas romarias e devoções na capital, o povo do interior observava a beleza do Templo, a firmeza das muralhas e a grandeza das montanhas ao redor. Esse conjunto imponente fazia lembrar a proteção de Deus. Por isso rezava: “Aqueles que confiam em Javé são como o monte Sião: ele nunca se abala, está firme para sempre. Jerusalém é rodeada de montanhas, assim Javé envolve o seu povo, desde agora e para sempre”(Sl 125,1-2).

Mas em Jerusalém estavam também a sede do Governo, o palácio dos chefes e a casa dos sacerdotes e doutores. Todos estes diziam que exerciam o poder em nome de Javé. Na realidade, muitos deles exploravam o povo com tributos e impostos. Usavam a religião como instrumento para se enriquecer e para fortalecer a sua dominação sobre a consciência do povo (Mc 12,38-40). Transformaram o templo, a casa de Deus, num “covil de ladrões” (Jr 7,11; cf. Mc 11,17). Uma contradição pesava sobre o templo. De um lado, lugar de encontro e de reabastecimento da consciência e da fé. De outro lado, fonte de alienação e de exploração do povo. A expulsão dos vendedores é como uma luz que ilumina todo o resto que segue. Ajuda a compreender o motivo pelo qual os homens do poder decidiram matar Jesus. O Templo, aquela figueira bonita e frondosa, deveria dar fruto, mas não estava dando, pois uma elite de sacerdotes, anciãos e escribas tinha se apoderado dele e o tinha transformado numa fonte de lucro e num instrumento de dominação das consciências.

O comércio dos animais, destinados aos sacrifícios no Templo, era controlado pelas famílias dos Sumos Sacerdotes a um preço mais alto do que no mercado da cidade. Só na noite de páscoa, eram imolados milhares e milhares de ovelhas! Em função deste culto, havia gente atravessando o Templo, o dia inteiro, para transportar lenha, animais, incenso e água para os sacrifícios. Muita gente depositava o seu dinheiro no cofre do Templo por ser mais seguro. Ali mesmo, os cambistas trocavam as moedas para o povo poder pagar o imposto ao Templo. O Templo tinha virado um mercado, fonte de exploração. Com o lucro injusto eles faziam caridade para os pobres!

Na construção e na manutenção do Templo trabalhavam milhares de operários. Fazia poucos anos apenas que o rei Herodes tinha terminado a grandiosa restauração do mesmo. Estes operários dependiam financeiramente das autoridades. Tudo isto dava aos que controlavam o Templo um poder imenso sobre todos os aspectos da vida da cidade, concentrando os bens nas mãos de poucas famílias. Essa concentração era uma das causas do empobrecimento do povo.

O Reino anunciado por Jesus coloca um ponto final a esta exploração, simbolizada pelos vendedores, compradores e cambistas do Templo: “Ninguém jamais coma do teu fruto!” Jesus traz um novo tipo de religião, em que o acesso a Deus se faz através da fé (Mc 11,22-23), da oração (Mc 11,24), da reconciliação (Mc 11,15-26) e da partilha (Mc 12,41-44). Por isso mesmo, os chefes não gostaram da ação de Jesus e decidiram eliminá-lo.

 

Deus se revela na partilha (Mc 12,41-44)

No fim do capítulo 12 estamos chegando quase ao fim da longa instrução de Jesus aos discípulos e às discípulas. Os discípulos e as discípulas estiveram presentes aos debates e ruptura de Jesus com os comerciantes do Templo (Mc 11,14-19), com os sumos sacerdotes, anciãos e escribas (Mc 11,27 a 12,12), com os fariseus e herodianos (Mc 12,13-17), com os saduceus ( Mc 12,18-27), com os doutores da lei (Mc 12,28-40). Agora, sentado em frente ao cofre de esmolas do Templo, Jesus chama a atenção deles para o gesto de uma viúva, que nos ensina onde devemos procurar a manifestação da vontade de Deus (Mc 12,41-44).

Jesus e os discípulos, sentados em frente ao cofre do Templo, observavam como todo mundo colocava aí a sua esmola. Os pobres jogavam poucos centavos, os ricos jogavam moedas de grande valor. Os cofres do Templo recebiam muito dinheiro. Todo mundo trazia alguma coisa para a manutenção do culto, para o sustento do clero e para a conservação do prédio. Parte deste dinheiro era usada para ajudar os pobres, pois naquele tempo não havia previdência social. Os pobres viviam en­tregues à caridade pública. Os pobres que mais precisavam da ajuda dos outros eram os órfãos e as viúvas. Estas não tinham nada. Dependiam em tudo da caridade dos outros. Mas mesmo sem ter nada, elas fa­ziam questão de partilhar. Assim, uma viúva bem pobre colocou sua esmola no cofre do templo. Poucos centavos, apenas!

O que vale mais: os dez centavos da viúva ou os mil reais dos ricos? Para os discípulos, os mil reais dos ricos eram muito mais úteis para fazer a caridade do que os dez centavos da viúva. Eles pensavam que o problema do povo só poderia ser resolvido com muito dinheiro. Por ocasião da multiplicação dos pães, eles tinham dito a Jesus: “O senhor quer que compremos pão por duzentos denários para dar de comer ao povo?” (Mc 6,37) De fato, para quem pensa assim, os dez centavos da viúva não servem para nada. Mas Jesus diz: “Esta viúva que é pobre lançou mais do que todos que ofereceram moedas ao Tesouro”.  Jesus tem critérios diferentes. Chamando a atenção dos discípulos para o gesto da viúva, ele ensina onde eles e nós devemos procurar a manifestação da vontade de Deus, a saber, nos pobres e na partilha.

 

Esmola, partilha, riqueza

A prática de dar esmolas era muito importante para os judeus. Era considerada uma “boa obra”, pois dizia a lei do Antigo Testamento: “Nunca deixará de haver pobres na terra; por isso, eu te ordeno: abre a mão em favor do teu irmão, do teu humilde e do teu pobre em tua terra”. (Dt 15,11). As esmolas, colocadas no cofre do templo, seja para o culto, seja para os necessitados, os órfãos ou as viúvas, eram consideradas como uma ação agradável a Deus. Dar esmola era uma maneira de se reconhecer que todos os bens e dons pertencem a Deus e que nós somos apenas administradores e administradoras desses dons, para que haja vida em abundância para todas as pessoas.

Foi a partir do Êxodo que o povo de Israel aprendeu a importância da esmola, da partilha. A caminhada de quarenta anos pelo deserto foi necessária para superar o projeto de acumulação que vinha do Faraó e que estava na cabeça do povo. É mais fácil sair do país do Faraó que deixar a mentalidade dele. Ela é sutil demais. Foi preciso experimentar a fome no deserto para aprender que os bens necessários à vida são para todos. Este é o ensinamento da história do Maná: “Nem aquele que tinha juntado mais tinha maior quantidade, nem aquele que tinha colhido menos encontrou menos” (Ex 16,18).

Mas a tendência à acumulação era e continua muito forte. Fica difícil uma pessoa livrar-se dela totalmente. Ela renasce sempre no coração humano. É com base nesta tendência que os grandes impérios da história da humanidade se formaram. Ela está no coração da ideologia destes impérios. Assim, cerca de 1200 anos depois da saída do Egito, Jesus vai mostrar a conversão necessária para a entrada no Reino. Ele disse ao jovem rico: “Vai, vende tudo o que tens, dá para os pobres” (Mc 10,21). A mesma exigência é repetida nos outros evangelhos: “Vendei vossos bens e dai esmolas. Fazei bolsas que não fiquem velhas, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não chega nem a traça rói” (Lc 12,33-34; Mt 6,9-20). E Mateus acrescenta o porquê dessa exigência: “Pois onde está o teu tesouro aí estará também o teu coração” (Mt 6,21).

A prática da partilha e da solidariedade é uma das características que o Espírito de Jesus, comunicado no dia de Pentecostes (At 2,1-13), quer realizar nas comunidades. O resultado da efusão do Espírito é este: “Não havia entre eles necessitado algum. De fato, os que possuíam terrenos ou casas, vendendo-os, traziam o resultado da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos” (At 4,34-35ª; 2,44-45). Estas esmolas recebidas pelos apóstolos não eram acumuladas, mas “distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade” (At 4,35b; 2,45).

A entrada de ricos na comunidade cristã, por um lado, possibilitou uma expansão do cristianismo, dando melhores condições para o movimento missionário. Mas, por outro lado, a acumulação dos bens bloqueava o movimento da solidariedade e da partilha provocado pela força do Espírito em Pentecostes. Tiago quer ajudar estas pessoas a perceberem o caminho equivocado no qual estão metidas: “Pois bem, agora vós, ricos, chorai por causa das desgraças que estão a sobrevir. A vossa riqueza apodreceu e as vossas vestes estão carcomidas pelas traças.” (Tg 5,1-3). Para aprender o caminho do Reino, todos precisam tornar-se alunos daquela viúva pobre, que partilhou tudo o que tinha, o necessário para viver (Mc 12,41-44).

 

3. CONCLUSÃO: PERSPECTIVA ECOLÓGICA

As três chaves de leitura que acabamos de oferecer ajudam a fazer uma leitura do Evangelho de Marcos em perspectiva econômica. Porém, não abordamos diretamente a perspectiva ecológica, anunciada no título deste artigo, embora haja um consenso popular sobre a estreita relação entre economia e ecologia. Uma das grandes contribuições da ecologia é ajudar a perceber o drama sócio-ambiental, a pobreza, a exploração dos seres humanos como resultados da desmedida ganância dos poderosos. A economia está diretamente ligada à perspectiva ecológica, porque ambas se referem à vida do planeta, a “casa comum” onde habitamos. Sabemos que os sistemas ecológicos possuem um fluxo permanente de vida, interconectados entre si. Quando um destes sistemas é afetado, a sobrevivência e a saúde humanas correm perigo. A extrema exploração de um povo afeta diretamente a vida da terra.

Conforme Oséias 4,1-3, são os grupos que estão assentados no poder estão destruindo a vida na terra, com arrogância e inconsciência. O povo fica desorientado. Já não conhece Javé e não segue seus caminhos. A morte e a destruição do meio ambiente vêm como conseqüência da falta de conhecimento de Deus. Oséias denuncia a morte de pessoas, animais selvagens, aves dos céus e peixes do mar, ampliando as conseqüências da infidelidade de Israel.

Embora esta denúncia não esteja evidente no evangelho de Marcos, no contexto das comunidades há opressão e acumulação de bens, gerando miséria, fome, doenças. Diante deste contexto, resgatando a memória de Jesus, as comunidades cristãs incentivam a organização do povo para a partilha e a distribuição dos bens, resgatando desta maneira a esperança dos pobres. Na espiritualidade que sustenta as primeiras comunidades cristãs, há uma relação clara entre celebração da eucaristia e partilha do pão para garantir a vida. É através da solidariedade cotidiana que as comunidades vencem a ganância que acumula e que violenta o meio ambiente, colocando a vida em perigo.

Hoje também a ambição desmedida e sem princípios éticos de uma minoria faz pesar sobre toda a humanidade a grave ameaça da guerra, da fome, da miséria, em um planeta enfermo e desequilibrado em seus micro sistemas. O desperdício de água, de alimentos, de bens preciosos para a vida de todos, mostra o nível de inconsciência da sociedade de consumo. Olhando no espelho oferecido pelo Evangelho de Marcos podemos perceber a importância da partilha não apenas como meio de sobrevivência diária, mas como uma proposta de vida simples, cuidadosa, solidária, esperançosa e comprometida. Para incentivar, organizar e articular a partilha de bens e dons, hoje, necessitamos resgatar a mística que levou Jesus a entregar-se totalmente em um projeto de vida para todos.

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Mercedes Lopes

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Bibliografia

 

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MESTERS, Carlos e LOPES, Mercedes, Caminhando com Jesus – Círculos bíblicos do Evangelho de Marcos, São Leopoldo: CEBI e São Paulo: Paulus, 2003, 273p.

BONINO, José Míguez, “Economia e hermenêutica bíblica”, Revista de interpretação bíblica latino-americana/RIBLA nº 30, Petrópolis: Vozes e São Leopoldo: Sinodal, 1998, p. 18-27.

Seguir Jesus: os Evangelhos, Rio de Janeiro/São Paulo: Publicações CRB/Edições Loyola, 1994, (Coleção: Tua Palavra é Vida nº 5).

Reconstruir relações num mundo ferido – uma leitura de Marcos em perspectiva de relações novas, Rio de Janeiro: Publicações CRB, 2006.

BOHN, Ildo, As comunidades cristãs a partir da segunda geração, São Leopoldo/São Paulo: CEBI/Paulus, 2005, (Coleção: Uma introdução à Bíblia, nº 8).

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K.H. RENGSTORF. “Maqhtes,” in Grande Lessico del Nuovo Testamento, Vol VI, Paidéia, Brescia,  colunas 1121 a 1235.

 

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  Responsável por este trabalho

    Xavier Cutajar

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