ADVENTO

 ADVENTO-3 ANOS

** ADVENTO-ABC - uma reflexão

** CANTOS PARA O ADVENTO

**As canções do Advento ano A no canal MÚSICAS DA CAMINHADA número 78 em diante

 

ANO A – ADVENTO
ADVENTO
O Advento e seu significado

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O Advento é um dos tempos do Ano Litúrgico e pertence ao ciclo do Natal. A liturgia do Advento caracteriza-se como período de preparação, como pode-se deduzir da própria palavra advento que origina-se do verbo latino advenire, que quer dizer chegar. Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória.

O tempo do Advento formou-se progressivamente a partir do século IV e já era celebrado na Gália e na Espanha. Em Roma, onde surgiu a festa do Natal, passou a ser celebrado somente a partir do século VI, quando a Igreja Romana vislumbrou na festa do Natal o início do mistério pascal e era natural que se preparasse para ela como se preparava para a Páscoa. Nesse período, o tempo do Advento consistia em seis semanas que antecediam a grande festa do Natal. Foi somente com São Gregório Magno (590-604) que esse tempo foi reduzido para quatro domingos, tal como hoje celebramos.

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, silenciosamente expressa a esperança e convida à alegre vigilância. A coroa teve sua origem no século XIX, na Alemanha, nas regiões evangélicas, situadas ao norte do país. Nós, católicos, adotamos o costume da coroa do Advento no início do século XX. Na confecção da coroa eram usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno. Os ramos verdes são sinais da vida que teimosamente resiste; são sinais da esperança. Em algumas comunidades, os fiéis envolvem a coroa com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Até a figura geométrica da coroa, o círculo, tem um bonito simbolismo. Sendo uma figura sem começo e fim, representa a perfeição, a harmonia, a eternidade.

Na coroa, também são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade. Quanto às cores das quatro velas, quase em todas as partes do mundo é usada a cor vermelha. No Brasil, até pouco tempo atrás, costumava-se usar velas nas cores roxa ou lilás, e uma vela cor de rosa referente ao terceiro domingo do Advento, quando celebra-se o Domingo de Gaudete (Domingo da Alegria), cuja cor litúrgica é rosa. Porém, atualmente, tem-se propagado o costume de velas coloridas, cada uma de uma cor, visto que nosso país é marcado pelas culturas indígena e afro, onde o colorido lembra festa, dança e alegria.

Pe. Agnaldo Rogério dos Santos
Reitor dos Seminários Filosófico e Teológico
da Diocese de Piracicaba

http://www.catequisar.com.br/texto/materia/celebracoes/advento/01.htm

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1º Domingo do Advento – Ano A – Mateus

27 de Novembro de 2016
Evangelho – Mt 24,37-44
Ficai atentos e preparados!

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 24,37-44
Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos:
37 ‘A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé.
38 Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam,
casavam-se e davam-se em casamento,
até o dia em que Noé entrou na arca.
39 E eles nada perceberam
até que veio o dilúvio e arrastou a todos.
Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem.
40 Dois homens estarão trabalhando no campo:
um será levado e o outro será deixado.
41 Duas mulheres estarão moendo no moinho:
uma será levada e a outra será deixada.
42 Portanto, ficai atentos!
porque não sabeis em que dia virá o Senhor.
43 Compreendei bem isso: se o dono da casa
soubesse a que horas viria o ladrão,
certamente vigiaria e não deixaria
que a sua casa fosse arrombada.
44 Por isso, também vós ficai preparados!
Porque na hora em que menos pensais,
o Filho do Homem virá.
Palavra da Salvação.

HOMILIA – José Antonio Pagola – 27-11-2016
COM OS OLHOS ABERTOS
As primeiras comunidades cristãs viveram anos muito difíceis. Perdidos no vasto Império de Roma, no meio de conflitos e perseguições, aqueles cristãos procuravam força e alento esperando a pronta vinda de Jesus e recordando as suas palavras: «Vigiai. Vivei despertos. Tende os olhos abertos. Estai alerta».

Significarão todavia algo para nós estas chamadas de Jesus para viver despertos?

Que é hoje para os cristãos colocar a nossa esperança em Deus vivendo com os olhos abertos?

Deixaremos que se esgote definitivamente no nosso mundo secular a esperança numa última justiça de Deus para essa imensa maioria de vítimas inocentes que sofrem sem culpa alguma?

Precisamente, a forma mais fácil de falsear a esperança cristã é esperar de Deus a nossa própria salvação eterna enquanto damos as costas ao sofrimento que há agora mesmo no mundo. Um dia teremos que reconhecer a nossa cegueira ante Cristo Juiz: quando te vimos com fome ou sedento, estrangeiro ou nu, doente ou na prisão, e não te assistimos? Este será o nosso diálogo final com Ele se vivemos com os olhos fechados.

Temos de despertar e abrir bem os olhos. Viver vigilantes para olhar mais para lá dos nossos pequenos interesses e preocupações. A esperança do Cristão não é uma atitude cega, pois não esquece os que sofrem. A espiritualidade cristã não consiste só num olhar para o interior, pois o seu coração está atento a quem vive abandonado à sua sorte.
Nas comunidades cristãs temos de cuidar cada vez mais que o nosso modo de viver a esperança não nos leve à indiferença e ao esquecimento dos pobres. Não podemos isolar-nos na religião para não ouvir o clamor dos que morrem diariamente de fome. Não nos está permitido alimentar a nossa ilusão de inocência para defender a nossa tranquilidade.

Uma esperança em Deus que se esquece dos que vivem nesta terra sem poder esperar nada, não poderá ser considerada como uma versão religiosa de um otimismo a todo o custo, vivido sem lucidez nem responsabilidade? Uma busca da própria salvação eterna de costas aos que sofrem, não poderá ser acusada de ser um sutil «egoísmo alargado para o mais além»?

Provavelmente, a pouca sensibilidade ao sofrimento imenso que há no mundo seja um dos sintomas mais graves do envelhecimento do cristianismo atual. Quando o Papa Francisco reclama «uma Igreja mais pobre e dos pobres», está a gritar-nos a sua mensagem mais importante e interpeladora aos cristãos dos países do bem-estar.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
HOMILIA – José Antonio Pagola – 28-11-2010
SINAL DOS TEMPOS
Os evangelhos recolheram de diversas formas a chamada insistente de Jesus para viver despertos e vigilantes, muito atentos aos sinais dos tempos. Ao princípio, os primeiros cristãos deram muita importância a esta “vigilância” para estar preparados ante a vinda eminente do Senhor. Mais tarde, tomou-se consciência de que viver com lucidez, atentos aos sinais de cada época, é imprescindível para nos mantermos fiéis a Jesus ao longo da história.

Assim recolhe o Vaticano II esta preocupação: “É dever permanente da Igreja escrutinar a fundo os sinais desta época e interpretá-los à luz do Evangelho, de forma que, acomodando-se a cada geração, possa responder às perenes interrogações da humanidade sobre o sentido da vida presente e futura…”.

Entre os sinais destes tempos, o Concilio assinala um fato doloroso: “Cresce de dia para dia o fenómeno de massas que, praticamente, se desentendem da religião”. Como estamos lendo este grave sinal? Somos conscientes do que está acontecendo? É suficiente atribuí-lo ao materialismo, a secularização ou o repúdio social a Deus? Não devemos escutar no interior da Igreja uma chamada à conversão?

A maioria foi-se afastando silenciosamente, sem fazer qualquer ruído. Sempre estiveram mudos na Igreja. Ninguém lhes perguntou nada importante. Nunca pensaram que podiam ter algo a dizer. Agora partem em silêncio. Que há no interior do seu silêncio? Quem os escuta? Sentiram-se alguma vez acolhidos, escutados e acompanhados nas nossas comunidades?

Muitos dos que se vão eram cristãos simples, habituados a cumprir por rotina os seus deveres religiosos. A religião que tinham recebido desmoronou-se. Não encontraram nela a força que necessitavam para enfrentarem os novos tempos. Que alimento receberam de nós? Onde poderão agora escutar o Evangelho? Onde poderão encontrar-se com Cristo?

Outros vão-se decepcionados. Cansados de escutar palavras que não tocam os seus corações nem respondem às suas interrogações. Abatidos ao descobrir o “escândalo permanente” da Igreja. Alguns continuam a procurar por tentativas. Quem lhes fará credível a Boa Nova de Jesus?

Bento XVI vem insistindo que o maior perigo para a Igreja não vem de fora, mas que está dentro dela mesma, no seu pecado e infidelidade. É o momento de reagir. A conversão da Igreja é possível, mas começa pela nossa conversão, a de cada um.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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2º Domingo do Advento – Ano A
Veja em baixo a NOTA DA CNBB EM DEFESA DA VIDA

4 de Dezembro de 2016
Evangelho – Mt 3, 1-12
Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 3, 1-12
1 Naqueles dias, apareceu João Batista,
pregando no deserto da Judéia:
2 ‘Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo.’
3 João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse:
‘Esta é a voz daquele que grita no deserto:
preparai o caminho do Senhor,
endireitai suas veredas!’
4 João usava uma roupa feita de pêlos de camelo
e um cinturão de couro em torno dos rins;
comia gafanhotos e mel do campo.
5 Os moradores de Jerusalém, de toda a Judéia
e de todos os lugares em volta do rio Jordão
vinham ao encontro de João.
6 Confessavam os seus pecados
e João os batizava no rio Jordão.
7 Quando viu muitos fariseus e saduceus
vindo para o batismo, João disse-lhes:
‘Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou
a fugir da ira que vai chegar?
8 Produzi frutos que provem a vossa conversão.
9 Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’,
porque eu vos digo: até mesmo destas pedras
Deus pode fazer nascer filhos de Abraão.
10 O machado já está na raiz das árvores,
e toda árvore que não der bom fruto
será cortada e jogada no fogo.
11 Eu vos batizo com água para a conversão,
mas aquele que vem depois de mim
é mais forte do que eu.
Eu nem sou digno de carregar suas sandálias.
Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
12 Ele está com a pá na mão;
ele vai limpar sua eira
e recolher seu trigo no celeiro;
mas a palha ele a queimará
num fogo que não se apaga.’
Palavra da Salvação.
HOMILIA – José Antonio Pagola – 04-12-2016
2 Advento – A – Mateus 3,1-12
PERCORRER CAMINHOS NOVOS
Pelos anos 27 ou 28 apareceu no deserto próximo do Jordão um profeta original e independente que provocou um forte impacto no povo judeu: as primeiras gerações cristãs viram-no sempre como o homem que preparou o caminho a Jesus.

Toda a sua mensagem se pode concentrar num grito: «Preparai o caminho do Senhor, aplanai os Seus caminhos» . Depois de vinte séculos, o Papa Francisco grita-nos a mesma mensagem aos cristãos: abri caminhos a Deus, voltai a Jesus, acolhei o Evangelho.
O seu propósito é claro: «Procuremos ser uma Igreja que encontra caminhos novos». Não será fácil. Temos vivido estes últimos anos paralisados pelo medo. O Papa não se surpreende: «A novidade dá-nos sempre um pouco de medo porque nos sentimos mais seguros se temos tudo debaixo de controle, se somos nós os que construímos, programamos e planejamos nossa vida». E faz-nos uma pregunta a que temos de responder: «Estamos decididos a percorrer os caminhos novos que a novidade de Deus nos apresenta ou nos entrincheiramos em estruturas caducas que perderam a capacidade de resposta?».

Alguns setores da Igreja pedem ao papa que implemente quanto antes diferentes reformas que consideram urgentes. No entanto, Francisco manifestou a sua postura de forma clara: «Alguns esperam e pedem-me reformas na Igreja, e deve ocorrer. Mas antes é necessário uma alteração de atitudes».

Parece-me admirável a clarividência evangélica do papa. O prioritário não é assinar decretos reformistas. Antes é necessário colocar as comunidades cristãs em estado de conversão e recuperar no interior da Igreja as atitudes evangélicas mais básicas. Só nesse clima será possível concretizar de forma eficaz e com espírito evangélico as reformas que necessita urgentemente a Igreja.
O próprio Francisco indica-nos todos os dias as mudanças de atitude que necessitamos. Assinalarei algumas de grande importância.

Colocar Jesus no centro da Igreja: «Uma Igreja que não leva a Jesus é uma Igreja morta».

Não viver numa Igreja fechada e autorreferencial: «Uma Igreja que se fecha no passado atraiçoa a sua própria identidade».

Atuar sempre movido pela misericórdia de Deus para com todos os seus filhos: não cultivar «um cristianismo restauracionista e legalista que quer tudo claro e seguro, e não encontra nada».

Procurar uma Igreja pobre e dos pobres. Ancorar a nossa vida na esperança, não «nas nossas regras, nos nossos comportamentos eclesiásticos, nos nossos clericalismos».
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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http://iglesiadesopelana3m.blogspot.in/2016/11/12-04-2016-2nd-advent-a.html?m=1

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3º Domingo do Advento
11 de Dezembro de 2016
Evangelho – Mt 11,2-11
És tu aquele que há de vir
ou devemos esperar um outro?
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 11,2-11
Naquele tempo:
2 João estava na prisão.
Quando ouviu falar das obras de Cristo,
enviou-lhe alguns discípulos,
3 para lhe perguntarem:
‘És tu, aquele que há de vir,
ou devemos esperar um outro?’
4 Jesus respondeu-lhes:
‘Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo:
5 os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam,
os leprosos são curados, os surdos ouvem,
os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados.
6 Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!’
7 Os discípulos de João partiram,
e Jesus começou a falar às multidões, sobre João:
‘O que fostes ver no deserto?
Um caniço agitado pelo vento?
8 O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas?
Mas os que vestem roupas finas
estão nos palácios dos reis.
9 Então, o que fostes ver? Um profeta?
Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta.
10 É dele que está escrito:
‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente;
ele vai preparar o teu caminho diante de ti’.
11 Em verdade vos digo, de todos os homens que já
nasceram, nenhum é maior do que João Batista.
No entanto, o menor no Reino dos Céus
é maior do que ele.
Palavra da Salvação.
HOMILIA – José Antonio Pagola – 11-12-2016
CURAR FERIDAS
A atuação de Jesus deixou desconcertado o Batista. Ele esperava um Messias que extirparia do mundo o pecado impondo o julgamento rigoroso de Deus, não um Messias dedicado a curar feridas e a aliviar sofrimentos. A partir da prisão de Maqueronte envia uma mensagem a Jesus: «És Tu o que tinha de vir ou temos de esperar por outro?».
Jesus responde-lhe com a Sua vida de profeta curador: «Ide contar a João o que estais vendo e ouvindo: os cegos vêem, os coxos andam; os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se a boa nova» . Este é o verdadeiro Messias: O que vem para aliviar o sofrimento, curar a vida e abrir um horizonte de esperança aos pobres.

Jesus sente-se enviado por um Pai misericordioso que quer para todos um mundo mais digno e ditoso. Por isso entrega-se a curar feridas, curar doenças e libertar a vida. E por isso pede a todos: «Sede compassivos como o vosso Pai é compassivo».

Jesus não se sente enviado por um Juiz rigoroso para julgar os pecadores e condenar o mundo. Por isso não atemoriza ninguém com gestos justiceiros, pelo contrário oferece a pecadores e prostitutas a Sua amizade e o Seu perdão. E por isso pede a todos: «Não julgueis e não sereis julgados».

Jesus não cura nunca de forma arbitrária ou por puro sensacionalismo. Cura movido pela compaixão, procurando restaurar a vida dessas pessoas doentes, abatidas e quebradas. São as primeiras que hão-de experimentar que Deus é amigo de uma vida digna e sã.
Jesus não insistiu nunca no carácter prodigioso das Suas curas nem pensou nelas como receita fácil para suprimir o sofrimento no mundo. Apresentou a Sua atividade de cura como sinal para mostrar aos Seus seguidores em que direção temos de atuar para abrir caminhos a esse projeto humanizador do Pai que Ele chamava «reino de Deus».

O papa Francisco afirma que «curar feridas» é uma tarefa urgente: «Vejo com claridade que o que a Igreja necessita hoje é capacidade de curar feridas». Fala logo de «nos responsabilizarmos pelas pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano, que lava, limpa e consola». Fala também de «caminhar com as pessoas na noite, saber dialogar e inclusive descer à sua noite e obscuridade sem nos perdermos».

Ao confiara Sua missão aos discípulos, Jesus não os imagina como doutores, hierarcas, liturgistas ou teólogos, mas como quem cura. Sempre lhes confia uma dupla tarefa: curar doentes e anunciar que o reino de Deus está próximo.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA – José Antonio Pagola -12-12-2010
MAIS PRÓXIMO DOS QUE SOFREM
Preso na fortaleza de Maqueronte, o Batista vive desejando a chegada do juízo terrível de Deus que extirpará de raiz o pecado do povo. Por isso, as notícias que lhe chegam até à sua prisão a propósito de Jesus deixam-no desconcertado: Quando vai passar à ação? Quando vai mostrar a Sua força justiceira?

Antes de ser executado, João consegue enviar até Jesus alguns discípulos para que lhe respondam à pergunta que o atormenta por dentro: «És tu o que há-de vir ou temos que esperar a outro» É Jesus o verdadeiro Messias ou há que esperar a alguém mais poderoso e violento?

Jesus não responde diretamente. Não se atribui nenhum título messiânico. O caminho para reconhecer a Sua verdadeira identidade é mais vivo e concreto. Dizei a João «o que estais vendo e ouvindo». Para saber como quer Deus que seja o Seu Enviado, temos de observar bem como atua Jesus e estar muito atentos à Sua mensagem. Nenhuma confissão abstrata pode substituir este conhecimento concreto.

Toda a atuação de Jesus está orientada para curar e libertar, não para julgar nem condenar. Primeiro, têm de comunicar a João o que vêem: Jesus vive voltado para os que sofrem, dedicado a libertá-los do que os impede de viver de forma sã, digna e ditosa. Este Messias anuncia a salvação curando.

Logo, têm de dizer-lhe o que ouvem de Jesus: uma mensagem de esperança dirigida precisamente aqueles camponeses empobrecidos, vítimas de todo o tipo de abusos e injustiças. Este Messias anuncia a Boa Nova de Deus aos pobres.

Se alguém nos pergunta se somos seguidores do Messias Jesus ou se têm de esperar a outros, que obras lhes podemos mostrar? que mensagem nos podem escutar? Não temos de pensar muito para saber quais são os dois traços que não hão de faltar numa comunidade de Jesus.
Primeiro, ir caminhando para uma comunidade curadora: um pouco mais próxima dos que sofrem, mais atenta aos doentes mais sós e menos assistidos, mais acolhedora dos que necessitam ser escutados e consolados, mais presente nas desgraças das pessoas.

Segundo, não construir a comunidade de costas aos pobres: pelo contrário, conhecer mais de perto os seus problemas, atender as suas necessidades, defender os seus direitos, não deixá-los desamparados. São eles os primeiros que hão de escutar e sentir a Boa Nova de Deus.
Uma comunidade de Jesus não é só um lugar de iniciação à fé nem um espaço de celebração. Há-de ser, de muitas formas, fonte de vida mais sã, lugar de acolhimento e casa para quem necessita de um lar.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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https://docs.google.com/document/d/1UtN-UY_Y3QeYrd0kBs5tlDNwGuPKvDRBnZf8YxRLD8g/mobilebasic

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4º Domingo do Advento

18 de Dezembro de 2016

Evangelho – Mt 1,18-24
Jesus nascerá de Maria,
prometida em casamento a José, filho de Davi.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 1,18-24

18 A origem de Jesus Cristo foi assim:
Maria, sua mãe, estava prometida em casamento
a José, e, antes de viverem juntos,
ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo.
19 José, seu marido, era justo
e, não querendo denunciá-la,
resolveu abandonar Maria, em segredo.
20 Enquanto José pensava nisso,
eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho,
e lhe disse: ‘José, Filho de Davi,
não tenhas medo de receber Maria como tua esposa,
porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.
21 Ela dará à luz um filho,
e tu lhe darás o nome de Jesus,
pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados’.
22 Tudo isso aconteceu para se cumprir
o que o Senhor havia dito pelo profeta:
23 ‘Eis que a virgem conceberá
e dará à luz um filho.
Ele será chamado pelo nome de Emanuel,
que significa: Deus está conosco.’
24 Quando acordou,
José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado,
e aceitou sua esposa.
Palavra da Salvação.

HOMILIA – José Antonio Pagola – 18-12-2016
EXPERIÊNCIA INTERIOR
O evangelista Mateus tem um interesse especial em dizer aos seus leitores que Jesus há-de ser chamado também de “Emmanuel”. Sabe muito bem que pode resultar chocante e estranho. A quem se lhe pode chamar um nome que significa “Deus connosco”? No entanto, este nome contém o núcleo da fé cristã e é o centro da celebração do Natal.

Esse mistério último que nos rodeia por todas as partes e que os crentes chamamos “Deus” não é algo longínquo e distante. Está com todos e cada um de nós. Como o pode saber? É possível acreditar de forma razoável que Deus está comigo, se eu não tenha alguma experiência pessoal por pequena que seja?

Habitualmente, aos cristãos não se nos ensinou a perceber a presença do mistério de Deus no nosso interior. Por isso, muitos o imaginam em algum lugar indefinido e abstrato do Universo. Outros procuram-No adorando Cristo presente na eucaristia. Muitos tratam de escutá-Lo na Bíblia. Para outros, o melhor caminho é Jesus.

O mistério de Deus tem, sem dúvida, os seus caminhos para fazer-se presente em cada vida. Mas pode-se dizer que, na cultura atual, se não o experimentamos de alguma forma dentro de nós, dificilmente o encontraremos fora. Pelo contrário, se percebemos a Sua presença no nosso interior, será mais fácil rastrear o Seu mistério à nossa volta.

É possível? O segredo consiste, sobre tudo, em saber estar com os olhos fechados e em silêncio aprazível, acolhendo com um coração simples essa presença misteriosa que nos dá coragem e nos sustenta. Não se trata de pensar nisso, mas de estar “acolhendo” a paz, a vida, o amor, o perdão… que nos chega desde o mais íntimo do nosso ser.

É normal que, ao aprofundarmos no nosso próprio mistério, nos encontremos com os nossos medos e preocupações, as nossas feridas e tristezas, a nossa mediocridade e o nosso pecado. Não temos de inquietar-nos, mas de permanecer no silêncio. A presença amistosa que está no fundo mais íntimo de nós nos irá apaziguando, libertando e sarando.

Karl Rahner, um dos teólogos mais importantes do século vinte, afirma que, no meio da sociedade secular dos nossos dias, “esta experiência do coração é a única com a que se pode compreender a mensagem de fé do Natal: Deus fez-se homem”. O mistério último da vida é um mistério de bondade, de perdão e salvação, que está connosco: dentro de todos e cada um de nós. Se o acolhemos em silêncio, conheceremos a alegria do Natal.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA
22-12-2013
EXPERIÊNCIA INTERIOR

HOMILIA – José Antonio Pagola – 19-12-2010
ESTÁ CONNOSCO
Antes que nasça Jesus em Belém, Mateus declara que levará o nome de «Emanuel», que significa «Deus-connosco». A sua indicação não deixa de ser surpreendente, pois não é o nome com que Jesus foi conhecido, e o evangelista sabe-o muito bem.

Na realidade, Mateus está a oferecer aos seus leitores a chave para nos aproximarmos do relato que nos vai oferecer de Jesus, vendo na Sua pessoa, nos Seus gestos, na Sua mensagem e na totalidade da Sua vida o mistério de Deus compartilhando a nossa vida. Esta fé anima e sustenta a quem segue Jesus.

Deus está connosco. Não pertence a uma religião ou outra. Não é propriedade dos cristãos. Tampouco dos bons. É todos os seus filhos e filhas. Está com os que o invocam e com os que o ignoram, pois habita em todo o coração humano, acompanhando a cada um nas suas alegrias e tristezas. Ninguém vive sem a sua bênção.
Deus está connosco. Não escutamos a Sua voz. Não vemos o Seu rosto. A Sua presença humilde e discreta, próxima e íntima, podem-nos passar inadvertida. Se não aprofundamos no nosso coração, parecer-nos-á que caminhamos sós pela vida.

Deus está connosco. Não grita. Não força ninguém. Respeita sempre. É o nosso melhor amigo. Atrai-nos para o bom, o bonito, o justo. Nele podemos encontrar luz humilde e força vigorosa para enfrentarmos a dureza da vida e o mistério da morte.

Deus está conosco. Quando ninguém nos compreende, Ele acolhe-nos. Em momentos de dor e depressão, consola-nos. Na debilidade e a impotência sustenta-nos. Sempre nos convida a amar a vida, a cuidá-la e faze-la sempre melhor.

Deus está connosco. Está nos oprimidos defendendo a Sua dignidade, e nos que lutam contra a opressão alentando o seu esforço. E em todos chama-nos a construir uma vida mais justa e fraterna, mais digna para todos, começando com os últimos.

Deus está connosco. Desperta a nossa responsabilidade e coloca de pé a nossa dignidade. Fortalece o nosso espírito para não sermos escravos de qualquer ídolo. Está connosco salvando o que nós podemos *deitar a perder.

Deus está connosco. Está na vida e estará na morte. Acompanha-nos cada dia e nos acolherá na hora final. Também então estará abraçando cada filho ou filha, resgatando-nos para a vida eterna.

Deus está connosco. Isto é o que celebramos os cristãos nas festas de Natal: crentes, menos crentes, maus crentes e quase descrentes. Esta fé sustenta a nossa esperança e coloca alegria nas nossas vidas.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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https://docs.google.com/document/d/11f43T5WFD1s1fg_0D7DD1ee1ArmSiOHkvJMDsx4deNY/mobilebasic

 

 

 

 

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Responsável por este trabalho

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