NATAL

 

ANO A – TEMPO DE NATAL
NATAL DO SENHOR

EVANGELHO – O NASCIMENTO DE JESUS
+ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 2,1-14
1 Naqueles dias, Cesar Augusto publicou um decreto,
ordenando o recenseamento em todo o império.
2 Esse primeiro recenseamento foi feito quando
Quirino era governador da Síria.
3 Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade natal.
4 José era da família e descendência de Davi.
Subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia,
até à cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia,
5 para registrar-se com Maria, sua mulher,
que estava grávida.
6 Enquanto la estavam,
se completaram os dias para o parto,
7 e ela deu à luz o seu filho primogênito.
Ela o enfaixou, e o colocou na manjedoura,
pois não havia lugar para eles dentro da casa.
VISITA DOS PASTORES
8 Naquela região havia pastores,
que passavam a noite nos campos,
tomando conta do rebanho.
9 Um anjo do SENHOR apareceu aos pastores;
a glória do SENHOR os envolveu em luz,
e eles ficaram tomados com grande temor.
10 Mas o anjo disse aos pastores: “Não temais!
Eu anuncio para vocês a Boa Notícia,
que será uma grande alegria para todo o povo:
11 hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o CRISTO, o SENHOR.
12 Isto lhes servirá de sinal:
vocês encontrarão um recém-nascido,
envolto em faixas e deitado na manjedoura.”
13 De repente, juntou-se ao anjo
uma grande multidão do exército celeste.
Cantavam louvores a DEUS, dizendo:
14 “Glória a DEUS no mais alto dos céus,
e paz na terra aos homens por ele amados.”
Palavra da Salvação

HOMILIA – José Antonio Pagola – 25-12-2016
UM DEUS PRÓXIMO
O Natal é muito mais que todo esse ambiente superficial e manipulado que se respira estes dias nas nossas ruas. Uma festa muito mais profunda e alegre que todos os sistemas da nossa sociedade de consumo.

Os crentes, temos que recuperar de novo o coração desta festa e descobrir detrás de tanta superficialidade e aturdimento o mistério que dá origem à nossa alegria. Temos que aprender a «celebrar» o Natal. Nem todos sabem o que é celebrar. Nem todos sabem o que é abrir o coração à alegria.

E, no entanto, não entenderemos o Natal se não sabemos fazer silêncio no nosso coração, abrir a nossa alma ao mistério de um Deus que se aproxima de nós, alegrar-nos com a vida que se nos oferece e saborear a festa da chegada de um Deus Amigo.

No meio do nosso viver diário, por vezes tão aborrecido, apagado e triste, convida-se à alegria. «Não pode haver tristeza quando nasce a vida» (Leão Magno). Não se trata de uma alegria insípida e superficial. A alegria de quem está alegre sem saber porquê. «Temos motivos para o júbilo radiante, para a alegria plena e para a festa solene: Deus fez-se homem e veio para viver entre nós» (Leonardo Boff). Há uma alegria que só se pode disfrutar por quem se abre à aproximação de Deus e se deixa atrair pela Sua ternura.

Uma alegria que nos liberta de medos, desconfianças e inibições ante Deus. Como temer um Deus que se nos aproxima como um menino? Como esquivar-se a quem se nos oferece como um pequeno frágil e indefeso? Deus não veio armado de poder para impor-se aos homens. Aproximou-se com a ternura de um menino a quem podemos acolher ou rejeitar.

Deus não pode ser já o Ser «omnipotente» e «poderoso» que nós suspeitamos, fechado na seriedade e no mistério de um mundo inacessível. Deus é este menino entregue carinhosamente à humanidade, este pequeno que procura o nosso olhar para nos alegrarmos com o Seu sorriso.
O acontecimento de que Deus se fez menino diz muito mais de como é Deus do que todas as nossas reflexões e especulações sobre o Seu mistério. Se soubéssemos deter-nos em silêncio ante este menino e acolher desde o fundo do nosso ser toda a proximidade e a ternura de Deus, talvez entendêssemos porque o coração de um crente deve estar afetado de uma alegria diferente nestes dias de Natal.
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA – José Antonio Pagola – 25-12-2011
NUMA MANJEDOURA
Segundo o relato de Lucas, é a mensagem do Anjo aos pastores o que nos oferece a chaves para ler a partir da fé o mistério que se encerra num menino nascido em estranhas circunstâncias nos arredores de Belém.

É a noite. Uma claridade desconhecida ilumina as trevas que cobrem Belém. A luz não desce sobre o lugar onde se encontra o menino, mas que envolve os pastores que escutam a mensagem. O menino fica oculto na escuridão, num lugar desconhecido. É necessário fazer um esforço para o descobrir.

Estas são as primeiras palavras que temos de escutar: «Não tenhais medo. Trago-vos a Boa Nova: a alegria grande para todo o povo». É algo muito grande o que sucedeu. Todos temos motivo para nos alegrarmos. Esse menino não é de Maria e José. Nasceu para todos. Não é só de uns privilegiados. É para toda as pessoas.

Os cristãos, não temos de nos juntar a estas festas. Jesus é de quem o segue com fé e de quem o esqueceu, de quem confia em Deus e dos que duvidam de tudo. Ninguém está só frente aos seus medos. Ninguém está só na sua solidão. Há Alguém que pensa em nós.

Assim o proclama o mensageiro: «Hoje nasceu o Salvador: o Messias, o Senhor». Não é o filho do imperador Augusto, dominador do mundo, celebrado como salvador e portador da ‘paz’ graças ao poder das suas legiões. O nascimento de um poderoso não é uma boa notícia num mundo onde os débeis são vítimas de todo o tipo de abusos.

Este menino nasce num povo submetido ao Império. Não tem cidadania romana. Ninguém espera em Roma o Seu nascimento. Mas é o Salvador que necessitamos. Não estará ao serviço de nenhum César. Não trabalhará para nenhum império. Só procurará o reino de Deus e a Sua justiça. Viverá para fazer a vida mais humana. Nele encontrará este mundo injusto, a salvação de Deus.
Onde está este menino? Como o podemos reconhecer? Assim diz o mensageiro: «Aqui tendes o sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura ». O menino nasceu como um excluído. Os seus pais não puderam encontrar um lugar acolhedor. A sua mãe deu à luz sem a ajuda de ninguém. Ela mesma se valeu, como pode, para envolve-lo em panos e deitá-lo na manjedoura.

Nesta manjedoura começa Deus a Sua aventura entre os homens. Não o encontraremos nos poderosos mas sim nos fracos. Não está no grande e espetacular mas no pobre e pequeno. Temos de escutar a mensagem: vamos a Belém; voltemos às raízes da nossa fé. Procuremos Deus onde encarnou.
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria do Natal
1 de Janeiro de 2017 – Feliz Ano Novo
Veja em baixo a Mensagem do Papa Francisco
para 50º Dia Mundial da Paz (1º de janeiro de 2017)

Evangelho – Lc 2,16-21
Encontraram Maria e José e o recém-nascido.
E, oito dias depois, deram-lhe o nome de Jesus.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 2,16-21
Naquele tempo:
16 Os pastores foram às pressas a Belém
e encontraram Maria e José,
e o recém-nascido, deitado na manjedoura.
17 Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito
sobre o menino.
18 E todos os que ouviram os pastores
ficaram maravilhados com aquilo que contavam.
19 Quanto a Maria, guardava todos estes fatos
e meditava sobre eles em seu coração.
20 Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus
por tudo que tinham visto e ouvido,
conforme lhes tinha sido dito.
21 Quando se completaram os oito dias
para a circuncisão do menino,
deram-lhe o nome de Jesus,
como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido.
Palavra da Salvação.
HOMILIA – José Antonio Pagola – 01-01-2017
A MÃE
A muitos lhes pode estranhar que a Igreja faça coincidir o primeiro dia do novo ano civil com a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. E, no entanto, é significativo que, desde o século IV, a Igreja, depois de celebrar solenemente o nascimento do Salvador deseje iniciar o ano novo sob a proteção maternal de Maria, Mãe do Salvador e Mãe nossa.

Os cristãos de hoje, temos que nos preguntar que temos feito de Maria estes últimos anos, pois provavelmente temos empobrecido a nossa fé eliminando-a de forma inconsciente da nossa vida.

Movidos, sem dúvida, por uma vontade sincera de purificar a nossa vivência religiosa e encontrar uma fé mais sólida, temos abandonado excessos piadosos, devoções exageradas, costumes superficiais e perdidos. Temos tratado de superar uma falsa mariolatria em que talvez substituíamos Cristo por Maria e vimos nela a salvação, o perdão e a redenção, que, na realidade, temos de acolher do Seu Filho.

Se tudo tem sido corrigir desvios e colocar Maria no lugar autêntico que lhe corresponde como Mãe de Jesus Cristo e Mãe da Igreja, teríamos que nos alegrar e reafirmar na nossa postura. Mas, foi exatamente assim? Não a teremos esquecido excessivamente? Não a teremos afastado para algum lugar obscuro da alma junto às coisas que nos parecem de pouca utilidade?

O abandono de Maria, sem profundar mais na sua missão e no lugar que há-de ocupar na nossa vida, não enriquecerá jamais a nossa vivência cristã, pelo contrário a empobrecerá. Provavelmente teremos cometido excessos de mariolatria no passado, mas agora corremos o risco de nos empobrecermos com a sua ausência quase total nas nossas vidas.

Maria é a Mãe de Jesus. Mas aquele Cristo que nasceu do seu seio estava destinado a crescer e incorporar a numerosos irmãos, homens e mulheres que viveriam um dia da Sua Palavra e do Seu Espírito. Hoje Maria não é só Mãe de Jesus. É a Mãe de Cristo total. É a Mãe de todos os crentes.

É bom que, ao começar um ano novo, o façamos elevando os nossos olhos para Maria. Ela nos acompanhará ao longo dos dias com cuidado e ternura de mãe. Ela cuidará da nossa fé e da nossa esperança. Não a esqueçamos ao longo do ano.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA – José Antonio Pagola – 01-01-2016
PREGUNTAS DE ANO NOVO
Hoje começamos um «ano novo». Como será? Que espero eu do novo ano? Que desejo de verdade? Que é que eu necessito? A que dedicarei o meu tempo mais precioso e importante? Que seria para mim algo realmente novo e bom neste ano que hoje começa?

Viverei de qualquer maneira, passando de uma ocupação a outra, sem saber exatamente o que quero nem para que vivo, ou aprenderei a distinguir o importante e essencial daquilo que é secundário? Viverei de forma rotineira e aborrecida, ou aprenderei a viver com espírito mais criativo?

Seguirei este ano afastando-me um pouco mais de Deus ou começarei a procurá-Lo com mais confiança e sinceridade? Seguirei um ano mais mudo ante Ele, sem abrir os meus lábios nem o meu coração, ou brotará por fim da minha alma maltratada uma invocação pequena, humilde mas sincera?

Viverei também este ano preocupado só com o meu bem-estar ou saberei preocupar-me alguma vez em fazer felizes os outros? De que pessoas me aproximarei? Semearei nelas alegria, ou contagiarei desalento e tristeza? Por onde eu passe, será a vida mais suave e menos dura?

Será um ano mais, dedicado a fazer coisas e mais coisas, acumulando egoísmo, tensão e nervosismo ou terei tempo para o silêncio, o descanso, a oração e o encontro com Deus? Irei fechar-me apenas com os meus problemas ou viverei procurando fazer um mundo mais humano e habitável?

Seguirei com indiferença as notícias que dia a dia me chegaram desde os países da fome? Contemplarei impassível, os corpos destroçados das pessoas da Síria ou os afogados das barcas? Continuarei a olhar com frialdade aos que veem até nós procurando trabalho e pão? Quando aprenderei a olhar os que sofrem com coração responsável e solidário?

O «novo» deste ano não nos chegará de fora. A novidade só pode brotar do nosso interior. Este ano será novo se aprendo a acreditar de forma nova e mais confiada, se encontro gestos novos e mais amáveis para conviver com os meus, se desperto no meu coração uma compaixão nova para com os que sofrem.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA – José Antonio Pagola – 01/01/2015
A MÃE ACOMPANHA-NOS
Diz-se que os cristãos de hoje, vibramos menos ante a figura de Maria do que os crentes de outras épocas. Talvez sejamos vítimas inconscientes de muitos receios e suspeitas perante deformações ocorridas na piedade mariana.

Por vezes, insistiu-se de forma excessivamente unilateral na função protetora de Maria, a Mãe que ampara os seus filhos e filhas de todos os males, sem os converter a uma vida mais evangélica.

Outras vezes, alguns tipos de devoção mariana não souberam exaltar Maria como mãe sem criar uma dependência insana de uma «mãe idealizada» e fomentar uma imaturidade e um infantilismo religioso.

Talvez, esta mesma idealização de Maria como «a mulher única» pode alimentar um certo menosprezo pela mulher real e ser mais um reforço do domínio masculino. Pelo menos, não deveríamos desatender com ligeireza estas criticas que, desde diversas frentes, são feitas aos católicos.

Mas seria lamentável que empobrecêssemos a nossa vida religiosa esquecendo a oferenda que Maria pode significar para os crentes.

Uma piedade mariana bem entendida não fecha ninguém no infantilismo, mas que assegura na nossa vida de fé a presença enriquecedora do feminino. O mesmo Deus quis encarnar-se no seio de uma mulher. Desde então, podemos dizer que «o feminino é o caminho até Deus e de Deus» (L. Boff).

A humanidade necessita sempre dessa riqueza que associamos ao feminino porque, mesmo também se dando ao homem, se condensa de forma especial na mulher: intimidade, acolhimento, solicitude, carinho, ternura, entrega ao mistério, gestação, doação de vida.
Sempre que marginalizamos Maria da nossa vida, empobrecemos a nossa fé. E sempre que desprezamos o feminino, fechamo-nos a possíveis canais de aproximação a esse Deus que se nos ofereceu nos braços de uma mãe.
Começamos o ano celebrando a festa de Santa Maria Mãe de Deus. A sua fidelidade e entrega à palavra de Deus, a sua identificação com os pequenos, a sua adesão às opções do seu Filho Jesus, a sua presença servidora na Igreja nascente e, antes que mais nada, o seu serviço de Mãe do Salvador fazem dela a Mãe da nossa fé e da nossa esperança.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA – José Antonio Pagola – 01/01/2012
HOJE
Lucas conclui o seu relato do nascimento de Jesus indicando aos leitores que «Maria guardava todas estas coisas meditando-as no seu coração». Não conserva os acontecimentos como uma recordação do passado, mas como uma experiência que atualizará e reviverá ao longo da sua vida.

Não é uma observação inútil. Maria é modelo de fé. Segundo este evangelista, acreditar em Jesus Salvador não é recordar acontecimentos de outros tempos, mas experimentar hoje a Sua força salvadora, capaz de fazer mais humana a nossa vida.

Por isso, Lucas utiliza um recurso literário muito original. Jesus não pertence ao passado. Intencionadamente vai repetindo que a salvação de Jesus ressuscitado nos é oferecida “HOJE”, agora mesmo, sempre que nos encontramos com Ele. Vejamos alguns exemplos.
Assim nos anunciam o nascimento de Jesus: “Nasceu-vos hoje na cidade de David, um Salvador”. Hoje pode nascer Jesus para nós. Hoje pode entrar na nossa vida e transforma-la para sempre. Com Ele podemos nascer para uma existência nova.

Numa aldeia da Galileia trazem perante Jesus um paralítico. Jesus comove-se ao vê-lo bloqueado pelo seu pecado e cura-o oferecendo-lhe o perdão: “Os teus pecados ficam perdoados”. As pessoas reagem exaltando a Deus: “Hoje vimos coisas admiráveis”. Também nós podemos experimentar hoje o perdão, a paz de Deus e a alegria interior se nos deixamos curar por Jesus.

Na cidade de Jericó, Jesus aloja-se em casa de Zaqueu, rico e poderoso cobrador de impostos. O encontro com Jesus transforma-o: devolverá o que roubou a tanta gente e partilhará os seus bens com os pobres. Jesus diz-lhe: “Hoje chegou a salvação a esta casa”. Se deixamos entrar Jesus na nossa vida, hoje mesmo podemos começar uma vida mais digna, fraterna e solidária.

Jesus está agonizando na cruz no meio dos malfeitores. Um deles confia-se a Jesus: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no Teu reino”. Jesus reage imediatamente: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Também no dia da nossa morte será um dia de salvação. Por fim escutaremos de Jesus essas palavras tão esperadas: descansa, confia em mim, hoje estarás comigo para sempre.

Hoje começamos um ano novo. Mas, que pode ser para nós algo realmente novo e bom? Quem fará nascer em nós uma alegria nova? Que psicólogo nos ensinará a ser mais humanos? De pouco servem os bons desejos. O decisivo é estar mais atentos ao melhor que se desperta em nós. A salvação é-nos oferecida cada dia. Não há que esperar a ninguém. Hoje mesmo pode ser para mim um dia de salvação.
José Antonio Pagola
Tradução: Antonio Manuel Álvarez Pérez
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https://docs.google.com/document/d/1HUUGXK9elMz1lbQNwc49U7D3ulsy7ad6kIEuEHPhJkM/mobilebasic

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Epifania do Senhor

Epifania do Senhor
Veja a homilia do Papa:

http://br.radiovaticana.va/news/2017/01/06/íntegra_reflexão_do_papa_na_epifania_senhor/1283915

8 de Janeiro de 2017
Evangelho – Mt 2,1-12
Viemos do Oriente adorar o Rei.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,1-12
1 Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia,
no tempo do rei Herodes,
eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém,
2 perguntando:
‘Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.’
3 Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado
assim como toda a cidade de Jerusalém.
4 Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei,
perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer.
5 Eles responderam: ‘Em Belém, na Judéia,
pois assim foi escrito pelo profeta:
6 E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum
és a menor entre as principais cidades de Judá,
porque de ti sairá um chefe
que vai ser o pastor de Israel, o meu povo.’
7 Então Herodes chamou em segredo os magos
e procurou saber deles cuidadosamente
quando a estrela tinha aparecido.
8 Depois os enviou a Belém, dizendo: ‘Ide e procurai
obter informações exatas sobre o menino.
E, quando o encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-lo.’
9 Depois que ouviram o rei, eles partiram.
E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante
deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino.
10 Ao verem de novo a estrela,
os magos sentiram uma alegria muito grande.
11 Quando entraram na casa,
viram o menino com Maria, sua mãe.
Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram.
Depois abriram seus cofres
e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.
12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes,
retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.
Palavra da Salvação.
HOMILIA – José Antonio Pagola – 06-01-2017
RESPONDER À LUZ
Segundo o grande teólogo Paul Tillich, a grande tragédia do homem moderno é ter perdido a dimensão de profundidade. Já não é capaz de preguntar de onde vem e para onde vai. Não sabe interrogar-se pelo que faz ou deve fazer de si mesmo neste breve lapso de tempo entre o seu nascimento e a sua morte.

Estas preguntas não encontram já resposta alguma em muitos homens e mulheres de hoje. Mais ainda, nem sequer são colocadas quando se perdeu essa «dimensão de profundidade». As gerações atuais não têm já a coragem de colocar-se estas questões com a seriedade e a profundidade com que o fizeram as gerações passadas. Preferem continuar a caminhar nas trevas.

Por isso, nestes tempos temos de voltar a recordar que ser crente é, antes de mais nada, preguntar apaixonadamente pelo sentido da nossa vida e estar abertos a uma resposta, mesmo quando não a vejamos de forma clara e precisa.

O relato dos magos foi visto pelos Padres da Igreja como exemplo de uns homens que, ainda que vivendo nas trevas do paganismo, foram capazes de responder fielmente à luz que os chamava à fé. São homens que, com a sua atuação, nos convidam a escutar toda a chamada que nos urge a caminhar de maneira fiel para Cristo.

A nossa vida decorre com frequência na crosta da existência. Trabalhos, contatos, problemas, encontros, ocupações diversas, levam-nos e trazem-nos, e a vida passa-nos enchendo cada instante com algo que temos de fazer, dizer, ver ou planear.

Corremos assim o risco de perder a nossa própria identidade, converter-nos numa coisa mais entre outras e viver sem saber já em que direção caminhar. Há uma luz capaz de orientar a nossa existência? Há uma resposta aos nossos anseios e aspirações mais profundas? Desde a fé cristã, essa resposta existe. Essa luz brilha já nesse Menino nascido em Belém.

O importante é tomar consciência de que vivemos nas trevas, de que perdemos o sentido fundamental da vida. Quem reconhece isto não se encontra longe de iniciar a busca do caminho acertado.

Oxalá no meio do nosso viver diário não percamos nunca a capacidade de estar abertos a toda a luz que possa iluminar a nossa existência, a toda a chamada que possa dar profundidade à nossa vida.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA – José Antonio Pagola – 06-01-2016
RELATO DESCONCERTANTE
Ante Jesus se pode-se adotar atitudes muito diferentes. O relato dos magos fala-nos da reação de três grupos de pessoas.
- Uns pagãos que o procuram,
guiados pela pequena luz de uma estrela.
- Os representantes da religião do Templo,
que permanecem indiferentes.
- O poderoso rei Herodes que só vê Nele um perigo.

Os magos não pertencem ao povo eleito. Não conhecem o Deus vivo de Israel. Nada sabemos da sua religião nem do seu povo de origem, só que vivem atentos ao mistério que se encerra no cosmos. O seu coração procura verdade.
Em algum momento acreditam ver uma pequena luz que aponta para um Salvador. Necessitam saber quem é e onde está. Rapidamente se põem a caminho. Não conhecem o itinerário exato que têm de seguir, mas no seu interior arde a esperança de encontrar uma Luz para o mundo.

A sua chegada â cidade santa de Jerusalém provoca o sobressalto geral. Convocado por Herodes, reúne-se o grande Conselho “dos sumos-sacerdotes e dos escribas do povo”. A sua atuação é decepcionante. São os guardiães da verdadeira religião, mas não procuram a verdade. Representam o Deus do Templo, mas vivem surdos à sua chamada.

A sua segurança religiosa cega-os. Sabem onde há-se nascer o Messias, mas nenhum deles se aproximará de Belém. Dedicam-se a dar culto a Deus, mas não suspeitam que o Seu mistério é maior que todas as religiões, e tem os Seus caminhos para encontrar-se com todos os Seus filhos e filhas. Nunca reconhecerão Jesus.

O rei Herodes, poderoso e brutal, só vê em Jesus uma ameaça para o seu poder e a sua crueldade. Fará todo o possível para eliminá-lo. A partir do poder opressor só se pode “crucificar” a quem trás a libertação.

Entretanto, os magos prosseguem a sua busca. Não caem de joelhos ante Herodes: não encontram nele, nada digno de adoração. Não entram no Templo grandioso de Jerusalém: têm proibido o acesso: A pequena luz da estrela atrai-os para a pequena terra de Belém, longe de todo o centro de poder.

Ao chegar, o único que veem é o “menino com Maria, sua mãe”. Nada mais. Um menino sem esplendor nem poder algum. Uma vida frágil que necessita do cuidado de uma mãe. É suficiente para despertar nos magos a adoração.
O relato é desconcertante. A este Deus, escondido na fragilidade humana, não o encontram os que vivem instalados no poder ou encerrados na segurança religiosa. Revela-se a quem, guiados por pequenas luzes, procuram incansavelmente uma esperança para o ser humano na ternura e na pobreza da vida.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA – José Antonio Pagola – 06/01/2015
A QUEM ADORAMOS?
Os magos vêm do «Oriente», um lugar que evoca nos judeus a pátria da astrologia e de outras ciências estranhas. São pagãos. Não conhecem as Escrituras Sagradas de Israel, mas sim a linguagem das estrelas. Procuram a verdade e colocam-se em marcha para descobri-la. Deixam-se guiar pelo mistério, sentem necessidade de «adorar».

A sua presença provoca um sobressalto em toda a Jerusalém. Os magos viram brilhar uma estrela nova que lhes faz pensar que já nasceu «o rei dos judeus» e vêm a «adorá-Lo». Este rei não é Augusto. Tampouco Herodes. Onde está? Esta é a sua pregunta.

Herodes «sobressalta-se». A notícia não lhe produz alegria alguma. Ele é que foi designado por Roma «rei dos judeus». Há que acabar com o recém nascido: onde está esse rival estranho? Os «sumos-sacerdotes e letrados» conhecem as Escrituras e sabem que há-de nascer em Belém, mas não se interessam pelo menino nem se põem em marcha para O adorar.

Isto é o que encontrará Jesus ao longo da Sua vida: hostilidade e repúdio nos representantes do poder político; indiferença e resistência nos dirigentes religiosos. Só quem procura o reino de Deus e a Sua justiça será acolhido.

Os magos prosseguem a sua longa procura. Às vezes, a estrela que os guia desaparece deixando-os na incerteza. Outras vezes, brilha de novo enchendo-os de «imensa alegria». Por fim encontram-se com o Menino, e «caem de joelhos, adoram-no». Depois, colocam ao Seu serviço as riquezas que têm e os tesouros mais valiosos que possuem. Este Menino pode contar com eles pois reconhecem-no como o seu Rei e Senhor.

Na sua aparente ingenuidade, este relato coloca-nos preguntas decisivas: Ante quem nos ajoelhamos? Como se chama o «Deus» que adoramos no fundo do nosso ser? Dizemo-nos cristãos, mas vivemos adorando o Menino de Belém? Colocamos aos Seu pés as nossas riquezas e o nosso bem-estar? Estamos dispostos a escutar a Sua chamada para entrar no reino de Deus e da Sua justiça?
Nas nossas vidas sempre há alguma estrela que nos guía para Belém.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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https://docs.google.com/document/d/1AauQIWNrovHT7LkNZOOkqkxBhkU5QcZq4ltOBETZpC0/mobilebasic

 

 

 

 

 

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