QUARESMA

VEJA A SEMANA SANTA

 5º Domingo da Quaresma – Ano B

** 5º DOMINGO DA QUARESMA – Ano B - Dehonianos

** 5º DOMINGO DA QUARESMA – Ano B -  Revista Pastoral - Luiz Alexandre Solano Rossi

** APROXIMAR-NOS À LUZ - José Antonio Pagola

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Texto – Pe Antônio Geraldo dalla Costa

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Vídeos no YouTube –  Pe Antôn Geraldo dalla Costa

** A HORA DA NOVA ALIANÇA - Franciscanos - Pe Johan Konings sj

** A LÓGICA INEXPLICÁVEL DO AMOR: “É MORRENDO QUE SE VIVE…” - Pe. Adroaldo Palaoro sj

** O GRÃO DE TRIGO QUE MORRE E DÁ FRUTO - Enzo Bianchi

** SE O GRÃO DE TRIGO NÃO MORRER - Ana Maria Casarotti

** SOMOS FEIXES DE TRIGO INSERIDOS NO MUNDO – Marcelo Barros

** REFLEXÃO PARA O V DOMINGO DA QUARESMA – JOÃO 12,20-33 (ANO B) -  

** COMENTÁRIO DO EVANGELHO – IHU-ADITAL

 

** VEJA MATERIAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE – 2018

** VEJA MATERIAL SOBRE O EVANGELHO DE MARCOS

** EVANGELHO-DE-MARCOS-para leitura - BAIXE ESTE ARQUIVO NO SEU SMARTFONE

** PÁSCOA ou PÁSCOAS JUDAICAS - Gilvan Leite de Araujo – PDF

 

 

 

4º Domingo da Quaresma – Ano B

** VEJA MATERIAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE – 2018

** VEJA MATERIAL SOBRE O EVANGELHO DE MARCOS

** EVANGELHO-DE-MARCOS-para leitura - BAIXE ESTE ARQUIVO NO SEU SMARTFONE

** Veja como funcionava o TEMPLO na época de  JESUS

** Veja O TEXTO de como funcionava o TEMPLO NA ÉPOCA DE JESUS (imprimir em formato livrinho)

3º Domingo da Quaresma – Ano B

 EVANGELHO – Jo 2, 13-25

O CORPO DE JESUS É O NOVO TEMPLO

2,13 A Páscoa dos judeus estava próxima, e Jesus subiu para Jerusalém

14 No Templo, Jesus encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados.

15 Então fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo junto com as ovelhas e os bois; esparramou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas.

16 E disse aos que vendiam pombas: “Tirem isso daqui! Não transformem a casa de meu Pai num mercado.”

17 Seus discípulos se lembraram do que diz a Escritura: “O  zelo pela tua casa me consome.”

18 Então os dirigentes dos judeus perguntaram a Jesus:   “Que sinal nos mostras para agires assim?”

19 Jesus respondeu: “Destruam esse Templo, e em três dias eu o  levantarei.”

20 Os dirigentes dos judeus disseram: “A construção desse Templo  demorou quarenta e seis anos, e tu o levantarás em três dias?”

21 Mas o Templo de que Jesus falava era o seu corpo.

22 Quando ele ressuscitou, os discípulos se lembraram do que Jesus tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra de Jesus.

JESUS CONHECE O HOMEM POR DENTRO

2,23 Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa.

     Vendo os sinais que ele fazia,

      muitos acreditaram no seu NOME.

24 Mas Jesus não confiava neles, pois conhecia a todos.

25 Ele não precisava de informações a respeito de ninguém,  porque conhecia o homem por dentro.

 

** 3º DOMINGO DA QUARESMA – Ano B - Dehonianos

** 3º DOMINGO DA QUARESMA – Ano B -  Revista Pastoral - Luiz Alexandre Solano Rossi

** O CULTO AO DINHEIRO - José Antonio Pagola

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Texto – Pe Antônio Geraldo dalla Costa

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Vídeos no YouTube –  Pe Antôn Geraldo dalla Costa

** O CORPO DE JESUS É O NOVO TEMPLO - Franciscanos - Pe Johan Konings sj

** RELIGIÃO SEM TEMPLOS - Pe. Adroaldo Palaoro sj

** JESUS, LUGAR DEFINITIVO DO ENCONTRO COM DEUS - Enzo Bianchi

** UM TEMPLO RENOVADO - Ana Maria Casarotti

** COM JESUS SUBIR AO TEMPLO – Marcelo Barros

** REFLEXÃO PARA O III DOMINGO DA QUARESMA – JOÃO 02,13 -25 (ANO B) -  

** COMENTÁRIO DO EVANGELHO – IHU-ADITAL

 

 

 

 

 

 

 

** VEJA MATERIAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE – 2018

** VEJA MATERIAL SOBRE O EVANGELHO DE MARCOS

** EVANGELHO-DE-MARCOS-para leitura - BAIXE ESTE ARQUIVO NO SEU SMARTFONE

** Veja como funcionava o TEMPLO NO TEMPO DE JESUS

https://www.youtube.com/watch?v=TRWtBoAq-GE

2º Domingo da Quaresma – Ano B

 EVANGELHO – Mc 9,2-10

TRANSFIGURACAO

A TRANSFIGURAÇÃO

9,2 Seis dias depois, JESUS tomou consigo Pedro, Tiago e seu irmão João,  e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles.

3 Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas, como nenhuma lavadeira na terra as poderia alvejar.

4 Apareceram-lhes Elias e Moisés, que conversavam com JESUS.

5 Então Pedro  disse a JESUS: “RABI (=mestre), é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.”

6 Pedro não sabia o que dizer, pois eles estavam com muito medo.

7 Então desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu FILHO AMADOOUVI-O!”

8 E, de repente, eles olharam ao redor e não viram mais ninguém, a não ser somente JESUS com eles.

9 Ao descerem da montanha, Jesus recomendou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o FILHO DO HOMEM tivesse ressuscitado dos mortos.

10 Eles guardaram a recomendação e se perguntavam o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.

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** 2º DOMINGO DA QUARESMA – Ano B - Dehonianos

** 2º DOMINGO DA QUARESMA – Ano B -  Revista Pastoral - Luiz Alexandre Solano Rossi

** NÃO CONFUNDEM JESUS COM NINGUÉM - José Antonio Pagola

** A GRANDE PROVA -Mercel Domergue

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Texto – Pe Antônio Geraldo dalla Costa

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Vídeos no YouTube –  Pe Antôn Geraldo dalla Costa

** DEUS DÁ SEU FILHO POR NÓS - Franciscanos - Pe Johan Konings sj

** TRANS-FIGURAÇÃO: EXPANDIR A LUZ INTERIOR - Pe. Adroaldo Palaoro sj

** ESCUTAR O FILHO AMADO - Enzo Bianchi

** UMA EXPERIÊNCIA ANTECIPADA DA RESSURREIÇÃO - Ana Maria Casarotti

** NOSSAS TRANSFIGURAÇÕES DE CADA DIA – Marcelo Barros

** REFLEXÃO PARA O II DOMINGO DA QUARESMA – MARCOS 9,02-10 (ANO B) -  

** COMENTÁRIO DO EVANGELHO – IHU-ADITAL

 

1º Domingo da Quaresma – Ano B

 EVANGELHO – Mc 1,12-15

1,12 E logo o ESPÍRITO impeliu Jesus para o deserto. 13 E Jesus ficou no deserto durante quarenta dias, e aí Jesus era tentado por satanás, e estava entre as bestas  e os anjos serviam Jesus.  14 Depois  que João Batista foi preso, JESUS voltou para a GALILEIApregando o EVANGELHO de  DEUS: 15 “O tempo (=kairós) já se cumpriu, e o REINO DE DEUS está próximo. Convertam-se e creiam no EVANGELHO.”

** 1º DOMINGO DA QUARESMA – Ano B - Dehonianos

** 1º DOMINGO DA QUARESMA – Ano B -  Revista Pastoral – Pe Johan Konings sj

** ENTRE CONFLITOS E TENTAÇÕES - José Antonio Pagola

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Texto – Pe Antônio Geraldo dalla Costa

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Vídeos no YouTube –  Pe Antôn Geraldo dalla Costa

** QUARESMA: REGENERAÇÃO - Franciscanos - Pe Johan Konings sj

** DESERTO: TEMPO DE DES-VELAMENTO INTERIOR - Pe. Adroaldo Palaoro sj

** JESUS NO DESERTO, CONSTANTEMENTE TENTADO - Enzo Bianchi

** CHAMADOS A SER PROFETAS HOJE - Ana Maria Casarotti

 

** NO DESERTO COM AS FERAS DE HOJE – Marcelo Barros

** REFLEXÃO PARA O I DOMINGO DA QUARESMA – MARCOS 1,12-15 (ANO B) -  

** COMENTÁRIO DO EVANGELHO – IHU-ADITAL

 

 

 

 

ANO A – Domingos da Quaresma

1º Domingo da Quaresma
Veja material e subsídios para a CF-2017

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5 de Março de 2017

Evangelho – Mt 4,1-11
Jesus jejuou durante quarenta dias e foi tentado.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 4,1-11
Naquele tempo:
1 o Espírito conduziu Jesus ao deserto,
para ser tentado pelo diabo.
2 Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites,
e, depois disso, teve fome.
3 Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus:
‘Se és Filho de Deus,
manda que estas pedras se transformem em pães!’
4 Mas Jesus respondeu: ‘Está escrito:
‘Não só de pão vive o homem,
mas de toda palavra que sai da boca de Deus’.’
5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa,
colocou-o sobre a parte mais alta do Templo,
6 e lhe disse: ‘Se és Filho de Deus,
lança-te daqui abaixo!
Porque está escrito:
‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito,
e eles te levarão nas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra’.’
7 Jesus lhe respondeu: ‘Também está escrito:
‘Não tentarás o Senhor teu Deus!”
8 Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto.
Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória,
9 e lhe disse: ‘Eu te darei tudo isso,
se te ajoelhares diante de mim, para me adorar.’
10 Jesus lhe disse: ‘Vai-te embora, Satanás,
porque está escrito:
‘Adorarás ao Senhor teu Deus
e somente a ele prestarás culto.’
11 Então o diabo o deixou.
E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.
Palavra da Salvação.

HOMILIA – José Antonio Pagola – 05-03-2017
A NOSSA GRANDE TENTAÇÃO
A cena “das tentações de Jesus” é um relato que não devemos interpretar com ligeireza. As tentações que se nos são descritas não são propriamente de natureza moral. O relato adverte-nos de que podemos arruinar a nossa vida, se nos desviamos do caminho que segue Jesus.

A primeira tentação é de importância decisiva, pois pode perverter e corromper nossa vida de base. Aparentemente, é oferecido a Jesus algo bem inocente e bom: colocar Deus ao serviço da Sua fome . “Se és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pães” .

No entanto, Jesus reagiu de forma rápida e surpreendente: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” . Não fará do seu próprio pão, um absoluto. Não colocará Deus ao serviço do seu próprio interesse, esquecendo o projeto do Pai. Sempre procurará primeiro o reino de Deus e a sua justiça. Em todos os momentos escutará a Sua Palavra.

As nossas necessidades não ficam satisfeitas apenas com assegurar o nosso pão. O ser humano necessita e aspira a muito mais. Inclusive, para resgatar da fome e da miséria a quem não tem pão, temos de escutar a Deus, o nosso Pai, e despertar na nossa consciência a fome de justiça, a compaixão e a solidariedade.

A nossa grande tentação é hoje converter tudo a pão. Reduzir cada vez mais o horizonte da nossa vida à mera satisfação dos nossos desejos; fazer da obsessão por um bem-estar, sempre maior, o do consumismo indiscriminado e sem limites o ideal quase único das nossas vidas.

Enganamo-nos se pensamos que esse é o caminho a seguir em direção ao progresso e à libertação. Será que não estamos a ver que uma sociedade que arrasta as pessoas para o consumismo sem limites e para a autossatisfação, não faz senão gerar vazio e sem sentido nas pessoas, e egoísmo, falta de solidariedade e irresponsabilidade na convivência?

Por que estremecemos que aumente de forma trágica o número de pessoas que se suicidam cada dia? Por que continuamos fechados no nosso falso bem-estar, levantando barreiras cada vez mais desumanas para que os famintos não entrem nos nossos países, não cheguem até às nossas residências nem chamem à nossa porta?

A chamada de Jesus pode-nos ajudar a tomar mais consciência de que não só de bem-estar vive o homem. O ser humano necessita também de cultivar o espírito, conhecer o amor e a amizade, desenvolver a solidariedade para com os que sofrem, escutar a sua consciência com responsabilidade, abrir-se ao Mistério último da vida com esperança.
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

 

HOMILIA – José Antonio Pagola – 13-03-2011
TENTAÇÕES
Não resultou nada fácil a Jesus manter-se fiel à missão recebida do Seu Pai, sem desviar-se da Sua vontade. Os evangelhos recordam a Sua luta interior e as provas que teve de superar, junto dos Seus discípulos, ao longo da Sua vida.

Os mestres da lei acossavam-No com perguntas capciosas para submete-Lo à ordem estabelecida, esquecendo o Espírito que o impulsionava a curar mesmo ao sábado. Os fariseus pediam-Lhe que deixasse de aliviar o sofrimento das pessoas e realizasse algo mais espectacular, “um sinal do céu”, de proporções cósmicas, com que Deus O confirmasse ante todos.

As tentações vinham inclusive dos Seus discípulos mais queridos. Tiago e João pediam-Lhe que se esquecesse dos últimos, e pensasse mais em reservar-lhes lugares de maior honra e poder. Pedro repreende-O porque coloca em risco a Sua vida e pode acabar executado.

Sofria Jesus e sofriam também os Seus discípulos. Nada era fácil nem claro. Todos tinham que procurar a vontade de Pai superando provas e tentações de diversos tipos. Poucas horas antes de ser detido pelas forças de segurança do templo Jesus diz-lhes assim: “Vós sois os que haveis perseverado comigo nas Minhas provas” (Lucas 22,28).

O episódio conhecido como “as tentações de Jesus” é um relato em que se reagrupam e resumem as tentações que teve de superar Jesus ao longo de toda a Sua vida. Apesar de viver movido pelo Espírito recebido no Jordão, nada O dispensa de sentir-se atraído por formas falsas de messianismo.

- Há-de pensar no Seu próprio interesse ou escutar a vontade do Pai?
- Há-de impor o Seu poder de Messias, ou colocar-se ao serviço de quem O necessita?
- Há-de procurar a Sua própria glória, ou manifestar a compaixão de Deus para com os que sofrem?
- Há-de evitar riscos e evitar a crucificação, ou entregar-se à Sua missão confiando no Pai?

O relato das tentações de Jesus foi recolhido nos evangelhos para alertar os Seus seguidores. Temos de ser lúcidos. O Espírito de Jesus está vivo na Sua Igreja, mas os cristãos não estamos livres de falsear uma e outra vez a nossa identidade caindo em múltiplas tentações.

Identificar hoje as tentações da Igreja e da hierarquia, dos cristãos e das suas comunidades; sermos conscientes de delas como Jesus; e enfrenta-las como o fez Ele, é o primeiro para segui-Lo com fidelidade. Uma Igreja que não é consciente das suas tentações, rapidamente falseará a sua identidade e a sua missão. Não nos está a suceder algo disso? Não necessitamos mais lucidez e vigilância para não cair na infidelidade?
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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https://docs.google.com/document/d/1LHdr2A1RRYSbGoGNYqdg_WTMuQNUcIRQwizF2xmgCFk/mobilebasic

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Se quiser aprofundar o tema O REINO DE DEUS E AS TENTAÇÕES, baixe estes dois arquivos em pdf.

http://xacute1.com/wp-content/uploads/2015/11/07-O-REINO-DE-DEUS-E-AS-TENTACOES.pdf

http://xacute1.com/wp-content/uploads/2015/11/08-O-REINO-DE-DEUS-E-AS-TENTACOES-EXPLICADAS.pdf

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2º Domingo da Quaresma
12 de Março de 2017

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Evangelho – Mt 17,1-9
O seu rosto brilhou como o sol.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 17,1-9
Naquele tempo:
1 Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão,
e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha.
2 E foi transfigurado diante deles;
o seu rosto brilhou como o sol
e as suas roupas ficaram brancas como a luz.
3 Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias,
conversando com Jesus.
4 Então Pedro tomou a palavra e disse:
‘Senhor, é bom ficarmos aqui.
Se queres, vou fazer aqui três tendas:
uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.’
5 Pedro ainda estava falando,
quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra.
E da nuvem uma voz dizia:
‘Este é o meu Filho amado,
no qual eu pus todo meu agrado.
Escutai-o!’
6 Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito
assustados e caíram com o rosto em terra.
7 Jesus se aproximou, tocou neles e disse:
‘Levantai-vos, e não tenhais medo.’
8 Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais
ninguém, a não ser somente Jesus.
9 Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes:
‘Não conteis a ninguém esta visão até que o
Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.’
Palavra da Salvação.
HOMILIA – José Antonio Pagola – 12-03-2017
ESCUTAR JESUS
O centro desse relato complexo, chamado tradicionalmente a «transfiguração de Jesus», é ocupado por uma voz que vem de uma estranha «nuvem luminosa», símbolo que se utiliza na Bíblia para falar da presença sempre misteriosa de Deus, que se nos manifesta e, ao mesmo tempo, se nos oculta.

A voz diz estas palavras: «Este é o Meu Filho, em quem coloquei o meu agrado. Escutai-O» . Os discípulos não devem confundir Jesus com ninguém, nem sequer com Moisés ou Elias, representantes e testemunhas do Antigo Testamento. Só Jesus é o Filho querido de Deus, o que tem o Seu rosto «resplandecente como o sol» .

Mas a voz acrescenta algo mais: «Escutai-O» . Noutros tempos, Deus tinha revelado a Sua vontade por meio dos «dez mandamentos» da Lei. Agora a vontade de Deus resume-se e concretiza-se num só mandato: «Escutai Jesus». O escutar estabelece a verdadeira relação entre os seguidores e Jesus.

Ao ouvir isto, os discípulos caem pelo chão «aterrorizados de medo». Estão atemorizados por aquela experiência tão próxima de Deus, mas também assustados pelo que ouviram: poderão viver escutando apenas Jesus, reconhecendo só nele a presença misteriosa de Deus?
Então Jesus «aproxima-se, toca-lhe e diz: “Levantai-vos. Não tenhais medo”». Sabe que necessitam experimentar a Sua proximidade humana: o contato da Sua mão, não apenas o resplandor divino do Seu rosto. Sempre que escutamos Jesus no silêncio do nosso ser, as suas primeiras palavras dizem-nos: «Levanta-te, não tenhais medo».

Muitas pessoas só conhecem Jesus de ouvir falar. O Seu nome resulta-lhes familiar, mas o que sabem Dele não vai mais longe do que algumas recordações e impressões de infância. Inclusive, apesar de se chamarem cristãos, vivem sem escutar no seu interior Jesus. E sem essa experiência não é possível conhecer a Sua paz inconfundível nem a Sua força alentar e sustentar a vida.
Quando um crente se detém para escutar em silêncio Jesus, no interior da Sua consciência escuta sempre algo como isto:
«Não tenhas medo.
Abandona-te com toda a simplicidade no mistério de Deus.
A tua pouca fé basta.
Não te inquietes.
Se me escutas, descobrirás que o amor de Deus consiste em estar sempre a perdoar-te.
E, se acreditas nisto, a tua vida mudará.
Conhecerás a paz do coração».

No livro do Apocalipse pode-se ler assim: «Olha, estou à porta e bato; se alguem ouve a minha voz e me abre a porta, entrarei em sua casa» . Jesus bate à porta de cristãos e não cristãos. Podemos abrir-lhe a porta ou rejeitá-lo. Mas não é o mesmo viver com Jesus que sem Ele.
José Antonio Pagola Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
HOMILIA – José Antonio Pagola – 20-03-2011
MEDO A JESUS
O episódio conhecido como “a transfiguração de Jesus” conclui-se de uma forma inesperada. Uma voz vinda do alto surpreende os discípulos: «Este é o Meu Filho amado»: o que tem o rosto transfigurado. «Escutai-O». Não a Moisés, o legislador. Não a Elias, o profeta. Escutai a Jesus. Só a Ele.

«Ao ouvir isto, os discípulos caem de bruços, cheios de espanto». Aterrorizam-se da presença próxima do mistério de Deus, mas também o medo de viver daí em diante escutando apenas a Jesus. O episódio é insólito: os discípulos preferidos de Jesus caídos por terra, cheios de medo, sem atrever-se a reagirem ante a voz de Deus.

A atuação de Jesus é comovedora: «Aproxima-se» para que sintam a Sua presença amistosa. «Toca-lhes» para infundir-lhes força e confiança. E diz-lhes umas palavras inesquecíveis: «Levantai-vos. Não temais». Ponham-se de pé e segui-me. Não tenhais medo a viver escutando-Me.
É difícil ocultá-lo. Na Igreja temos medo de escutar Jesus. Um medo soterrado que nos está a paralisar até nos impedir de viver hoje com paz, confiança e audácia atrás dos passos de Jesus, Nosso único Senhor.

Temos medo à inovação, mas não ao imobilismo que nos está afastando cada vez mais dos homens e mulheres de hoje. Diria-se que o único que temos de fazer nestes tempos de profundas mudanças é conservar e repetir o passado. Que há por detrás deste medo? Fidelidade a Jesus ou medo de pôr em “odres novos” o “vinho novo” do Evangelho?

Temos medo de umas celebrações mais vivas, criativas e expressivas da fé dos crentes de hoje, mas preocupa-nos menos o tédio generalizado de tantos cristãos bons que não podem sintonizar nem vibrar com o que ali se está celebrando. Somos mais fiéis a Jesus urgindo minuciosamente as normas litúrgicas, ou nos dá medo “fazer memória” d’Ele celebrando a nossa fé com mais verdade e criatividade?

Temos medo da liberdade dos crentes. Inquieta-nos que o povo de Deus recupere a palavra e diga em voz alta as suas aspirações, ou que os leigos assumam a sua responsabilidade escutando a voz da sua consciência. Em alguns cresce o receio ante religiosos e religiosas que procuram ser fiéis ao carisma profético que receberam de Deus. Temos medo de escutar o que o Espírito pode estar a dizer às nossas igrejas? Não tememos apagar o Espírito no povo de Deus?

No meio da sua Igreja Jesus continua vivo, mas necessitamos sentir com mais fé a sua presença e escutar com menos medo as suas palavras: «Levantai-vos. Não tenhais medo».
José Antonio Pagola
Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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https://docs.google.com/document/d/198dN7glFsTwoKVsAgDsecvjUPXZhre1TeJ1SzzqjIYU/mobilebasic

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Veja este artigo interessante sobre a importância e o efeito dos biomas.
**Cf 2017 – Uma nova concepção de fraternidade – Nicolau João Bakker, SVD (em PDF – imprimir em formato livrinho)

http://xacute1.com/wp-content/uploads/2017/02/Uma-nova-concepcao.pdf

 

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3º Domingo da Quaresma
Veja material e subsídios para a CF-2017

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Veja: Jesus e a Samaritana de
Dr. Pe. Gilvan Leite de Araujo

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19 de Março de 2017

Evangelho – Jo 4,5-42
Uma fonte de água que jorra para a vida eterna.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 4,5-42
Naquele tempo:
5 Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar,
perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José.
6 Era aí que ficava o poço de Jacó.
Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço.
Era por volta do meio-dia.
7 Chegou uma mulher da Samaria para tirar água.
Jesus lhe disse: ‘Dá-me de beber’.
8 Os discípulos tinham ido à cidade
para comprar alimentos.
9 A mulher samaritana disse então a Jesus:
‘Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber
a mim, que sou uma mulher samaritana?’
De fato, os judeus não se dão com os samaritanos.
10 Respondeu-lhe Jesus:
‘Se tu conhecesses o dom de Deus
e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber`,
tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.’
11 A mulher disse a Jesus:
‘Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo.
De onde vais tirar a água viva?
12 Por acaso, és maior que nosso pai Jacó,
que nos deu o poço e que dele bebeu,
como também seus filhos e seus animais?’
13 Respondeu Jesus:
‘Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo.
14 Mas quem beber da água que eu lhe darei,
esse nunca mais terá sede.
E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de
água que jorra para a vida eterna.’
15 A mulher disse a Jesus:
‘Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais
sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la.’
16 Disse-lhe Jesus:
‘Vai chamar teu marido e volta aqui’.
17 A mulher respondeu: ‘Eu não tenho marido’.
Jesus disse:
‘Disseste bem, que não tens marido,
18 pois tiveste cinco maridos,
e o que tens agora não é o teu marido.
Nisso falaste a verdade.’
19 A mulher disse a Jesus:
‘Senhor, vejo que és um profeta!
20 Os nossos pais adoraram neste monte
mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar’.
21 Disse-lhe Jesus: ‘Acredita-me, mulher:
está chegando a hora em que nem neste monte,
nem em Jerusalém adorareis o Pai.
22 Vós adorais o que não conheceis.
Nós adoramos o que conhecemos,
pois a salvação vem dos judeus.
23 Mas está chegando a hora, e é agora,
em que os verdadeiros adoradores
adorarão o Pai em espírito e verdade.
De fato, estes são os adoradores que o Pai procura.
24 Deus é espírito e aqueles que o adoram
devem adorá-lo em espírito e verdade.’
25 A mulher disse a Jesus:
‘Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar.
Quando ele vier,
vai nos fazer conhecer todas as coisas’.
26 Disse-lhe Jesus:
‘Sou eu, que estou falando contigo’.
27 Nesse momento, chegaram os discípulos e ficaram
admirados de ver Jesus falando com a mulher.
Mas ninguém perguntou: ‘Que desejas?’
ou: ‘Por que falas com ela?’
28 Então a mulher deixou o seu cântaro
e foi à cidade, dizendo ao povo:
29 ‘Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz.
Será que ele não é o Cristo?’
30 O povo saiu da cidade e foi ao encontro de Jesus.
31 Enquanto isso, os discípulos insistiam
com Jesus, dizendo: ‘Mestre, come’.
32 Jesus, porém disse-lhes:
‘Eu tenho um alimento para comer que vós não
conheceis’.
33 Os discípulos comentavam entre si:
‘Será que alguém trouxe alguma coisa para ele comer?’
34 Disse-lhes Jesus:
‘O meu alimento é fazer a vontade daquele
que me enviou e realizar a sua obra.
35 Não dizeis vós:
`Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!`
Pois eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos:
eles estão dourados para a colheita!
36 O ceifeiro já está recebendo o salário,
e recolhe fruto para a vida eterna.
Assim, o que semeia se alegra junto com o que colhe.
37 Pois é verdade o provérbio que diz:
`Um é o que semeia e outro o que colhe`.
38 Eu vos enviei para colher aquilo que não trabalhastes.
Outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles.’
39 Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em
Jesus, por causa da palavra da mulher que testemunhava:
`Ele me disse tudo o que eu fiz.`
40 Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus
e pediram que permanecesse com eles.
Jesus permaneceu aí dois dias.
41 E muitos outros creram por causa da sua palavra.
42 E disseram à mulher:
‘Já não cremos por causa das tuas palavras,
pois nós mesmos ouvimos e sabemos,
que este é verdadeiramente o salvador do mundo.’
Palavra da Salvação.

HOMILIA – José Antonio Pagola – 19-03-2017
À VONTADE COM DEUS
A cena é cativante. Cansado do caminho, Jesus senta-se junto ao manancial de Jacob. De imediato chega uma mulher para tirar água. Pertence a uma povoação semipagão, desprezado pelos judeus. Com toda a espontaneidade, Jesus inicia o diálogo com ela. Não sabe olhar para ninguém com desprezo, mas sim com grande ternura. «Mulher, dá-me de beber» .

A mulher fica surpreendida. Como se atreve a entrar em contato com uma samaritana? Como se rebaixa a falar com uma mulher desconhecida? As palavras de Jesus surpreendem-na todavia mais: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te pede de beber, sem dúvida tu mesma me pedirias a mim, e Eu te daria água viva» .
São muitas as pessoas que, ao longo destes anos, se têm afastado de Deus sem dar atenção ao que realmente estava a ocorrer no seu interior. Hoje Deus é-lhes um «ser estranho». Tudo o que está relacionado com Ele parece-lhes vazio e sem sentido: um mundo infantil cada vez mais longínquo.

Entendo-os. Sei o que podem sentir. Também eu, fui afastando pouco a pouco daquele «Deus da minha infância» que despertava dentro de mim medos, desgosto e mal-estar. Provavelmente, sem Jesus nunca me teria encontrado com o Deus que hoje é para mim um Mistério de bondade: uma presença amigável e acolhedora em quem posso confiar sempre.

Nunca me atraiu a tarefa de verificar a minha fé com provas científicas: creio que é um erro tratar o mistério de Deus como se fosse um objeto de laboratório. Tampouco os dogmas religiosos me ajudaram a encontrar-me com Deus. Com simplicidade deixei-me conduzir por uma confiança em Jesus que foi crescendo com os anos.

Não saberia dizer exatamente como se sustenta a minha fé no meio de uma crise religiosa que me sacode também a mim como a todos. Apenas diria que Jesus me trouxe a viver a fé em Deus de forma simples desde o fundo do meu ser. Se eu escuto, Deus não se cala. Se eu me abro, Ele não se fecha. Se eu me confio, Ele me acolhe. Se eu me entrego, Ele me sustenta. Se eu me afundo, Ele me levanta.

Creio que a experiência primeira e mais importante é nos encontrarmos bem com Deus porque o percebemos como uma «presença salvadora». Quando uma pessoa sabe o que é viver bem com Deus, porque, apesar da nossa mediocridade, os nossos erros e egoísmos, Ele nos acolhe tal como somos, e nos impulsiona a enfrentarmos a vida com paz, dificilmente abandonará a fé. Muitas pessoas estão hoje abandonando Deus antes de o ter conhecido. Se conhecessem a experiencia de Deus que Jesus contagia, iriam procura-Lo. Se, acolhendo na sua vida Jesus, conheceriam o dom de Deus, não o abandonariam. Iriam sentir-se bem com Ele.

José Antonio Pagola Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
HOMILIA – José Antonio Pagola – 27-03-2011
A RELIGIÃO DE JESUS
Cansado do caminho, Jesus senta-se junto ao poço de Jacó, perto da aldeia de Sicar. Logo vem uma mulher samaritana para saciar a sua sede. Espontaneamente, Jesus começa a falar com ela sobre o que está em seu coração.

Em certo ponto da conversa, a mulher levanta os conflitos entre judeus e samaritanos. A peregrinação judaica de Jerusalém para adorar a Deus. A subida ao Monte Garizim samaritanos cujo ápice é visível desde o poço de Jacob. Onde posso adorar a Deus? Qual é a verdadeira religião? O que você acha que o profeta da Galiléia?

Jesus começa por esclarecer que a verdadeira adoração não depende de um determinado local, no entanto, pode ser venerado. O Pai celeste não está vinculado a qualquer lugar, não pertencentes a nenhuma religião. Não pertence a nenhum povo em particular.

Nós não esquecemos. Para encontrar Deus, não há necessidade de ir a Roma ou a peregrinação a Jerusalém. Não há necessidade de entrar em uma capela ou visitar uma catedral. Desde a prisão mais secretos, da unidade de terapia intensiva de um hospital, a partir de qualquer cozinha ou no trabalho pode elevar nossos corações a Deus.

Jesus não está falando com a samaritana “adorar a Deus.” Sua linguagem é nova. Até três vezes fala de “adorar o Pai”. Portanto, não é preciso subir uma montanha para ter um pouco de um Deus distante, alheio aos nossos problemas, indiferente aos nossos sofrimentos. A verdadeira adoração começa por reconhecer Deus como o Pai quis que nos acompanha de perto toda a nossa vida.

Jesus diz outra coisa. O Pai procura “verdadeiros adoradores”. Não é à espera de seus filhos grandes cerimônias solenes celebrações, incenso e procissões. Você só quer corações simples para adorá-Lo “em espírito e em verdade.”

“Para adorar o Pai em espírito” é seguir os passos de Jesus e ser como ele levou pelo Espírito do Pai que o enviou para o último sempre. Aprender a ser compassivo como o pai. Jesus diz claramente: “Deus é espírito, e aqueles que adoram o adorem em espírito”. Deus é amor, perdão, bondade, dá vida a respiração … e aqueles que devem adorá-lo como ele.

“Para adorar o Pai em verdade” está a viver na verdade. Retorno de novo e novamente com a verdade do Evangelho. Ser fiel à verdade de Jesus sem bloquear-nos em nossas próprias mentiras. Depois de vinte séculos de cristianismo, que aprendemos a adorar verdadeiramente a Deus? Nós somos os verdadeiros adoradores que o Pai procura?
José Antonio Pagola Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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4º Domingo da Quaresma
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Veja: mais explicações do Cego de nascença

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26 de Março de 2017
Evangelho – Jo 9,1-41
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 9,1-41
Naquele tempo:
1 Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.
2 Os discípulos perguntaram a Jesus:
‘Mestre, quem pecou para que nascesse cego:
ele ou os seus pais?’
3 Jesus respondeu: ‘Nem ele nem seus pais pecaram,
mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele.
4 É necessário que nós realizemos
as obras daquele que me enviou, enquanto é dia.
Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar.
5 Enquanto estou no mudo, eu sou a luz do mundo.’
6 Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva
e colocou-a sobre os olhos do cego.
7 E disse-lhe: ‘Vai lavar-te na piscina de Siloé’
(que quer dizer: Enviado).
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
8 Os vizinhos e os que costumavam ver o cego
- pois ele era mendigo – diziam:
‘Não é aquele que ficava pedindo esmola?’
9 Uns diziam: ‘Sim, é ele!’
Outros afirmavam:
‘Não é ele, mas alguém parecido com ele.’
Ele, porém, dizia: ‘Sou eu mesmo!’
10 Então lhe perguntaram:
‘Como é que se abriram os teus olhos?’
11 Ele respondeu:
‘Aquele homem chamado Jesus fez lama,
colocou-a nos meus olhos e disse-me:
‘Vai a Siloé e lava-te’.
Então fui, lavei-me e comecei a ver.’
12 Perguntaram-lhe: ‘Onde está ele?’
Respondeu: ‘Não sei.’
13 Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego.
14 Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama
e aberto os olhos do cego.
15 Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus
como tinha recuperado a vista.
Respondeu-lhes: ‘Colocou lama sobre meus olhos,
fui lavar-me e agora vejo!’
16 Disseram, então, alguns dos fariseus:
‘Esse homem não vem de Deus,
pois não guarda o sábado.’
Mas outros diziam:
‘Como pode um pecador fazer tais sinais?’
17 E havia divergência entre eles.
Perguntaram outra vez ao cego:
‘E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?’
Respondeu: ‘É um profeta.’
18 Então, os judeus não acreditaram
que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista.
Chamaram os pais dele
19 e perguntaram-lhes:
‘Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego?
Como é que ele agora está enxergando?’
20 Os seus pais disseram:
‘Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego.
21 Como agora está enxergando, isso não sabemos.
E quem lhe abriu os olhos também não sabemos.
Interrogai-o, ele é maior de idade,
ele pode falar por si mesmo.’
22 Os seus pais disseram isso,
porque tinham medo das autoridades judaicas.
De fato, os judeus já tinham combinado
expulsar da comunidade
quem declarasse que Jesus era o Messias.
23 Foi por isso que seus pais disseram:
‘É maior de idade. Interrogai-o a ele.’
24 Então, os judeus chamaram de novo
o homem que tinha sido cego.
Disseram-lhe: ‘Dá glória a Deus!
Nós sabemos que esse homem é um pecador.’
25 Então ele respondeu:
‘Se ele é pecador, não sei.
Só sei que eu era cego e agora vejo.’
26 Perguntaram-lhe então:
‘Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?’
27 Respondeu ele:
‘Eu já vos disse, e não escutastes.
Por que quereis ouvir de novo?
Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?’
28 Então insultaram-no, dizendo:
‘Tu, sim, és discípulo dele!
Nós somos discípulos de Moisés.
29 Nós sabemos que Deus falou a Moisés,
mas esse, não sabemos de onde é.’
30 Respondeu-lhes o homem: ‘Espantoso!
Vós não sabeis de onde ele é?
No entanto, ele abriu-me os olhos!
31 Sabemos que Deus não escuta os pecadores,
mas escuta aquele que é piedoso
e que faz a sua vontade.
32 Jamais se ouviu dizer
que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
33 Se este homem não viesse de Deus,
não poderia fazer nada’.
34 Os fariseus disseram-lhe:
‘Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?’
E expulsaram-no da comunidade.
35 Jesus soube que o tinham expulsado.
Encontrando-o, perguntou-lhe:
‘Acreditas no Filho do Homem?’
36 Respondeu ele:
‘Quem é, Senhor, para que eu creia nele?’
37 Jesus disse:
‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.’
Exclamou ele:
38 ‘Eu creio, Senhor’!
E prostrou-se diante de Jesus.
39 Então, Jesus disse:
‘Eu vim a este mundo para exercer um julgamento,
a fim de que os que não vêem, vejam,
e os que vêem se tornem cegos.’
40 Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto
e lhe disseram:
‘Porventura, também nós somos cegos?’
41 Respondeu-lhes Jesus:
‘Se fôsseis cegos, não teríeis culpa;
mas como dizeis:
‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece.’
Palavra da Salvação.
HOMILIA – José Antonio Pagola – 26-03-2017

PARA OS EXCLUÍDOS
O homem é cego desde o nascimento. Nem ele nem seus pais têm culpa, mas seu destino será marcado para sempre. As pessoas olham para ele como um pecador castigado por Deus. Os discípulos de Jesus perguntam-lhe se o pecado é do cego ou de seus pais.

Jesus vê isso em uma luz diferente. Pelo que ele viu, ele só pensa em resgatá-lo daquela vida vergonhosa de mendigar, desprezado por todos como um pecador. Jesus sente-se chamado por Deus para defender, acolher e curar precisamente aqueles que vivem excluídos e humilhados.

Depois de uma cura laboriosa na qual o cego também tem de colaborar com Jesus, descobre a luz pela primeira vez. O encontro com Jesus mudou sua vida. Finalmente, ele pode desfrutar de uma vida de dignidade, sem medo de ser um embaraço para ninguém.

Ele está errado. Os líderes religiosos sentem-se obrigados a controlar a pureza de sua religião. Eles sabem quem não é um pecador e quem é. Eles decidirão se ele pode ser recebido na comunidade religiosa. É por isso que o expulsam.

O mendigo curado confessa abertamente que Jesus foi o que veio a ele e o curou, mas os fariseus rejeitam irritadamente que: “Sabemos que esse homem é um pecador”. O homem persiste na defesa de Jesus: ele é um profeta, enviado por Deus. Os fariseus não podem suportar isso: “Você está tentando nos ensinar, você que é um pecador desde que você nasceu?”.

O escritor do Evangelho diz que “quando Jesus ouviu que o tinham expulsado, foi em busca dele”. O intercâmbio é breve. Quando Jesus lhe pergunta se acredita no Messias, o homem expulsado diz: “Senhor, me diga quem é, para que eu creia nele”. Jesus responde-lhe das profundezas do seu coração: ‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.’ O mendigo diz a ele: «Senhor, eu creio».

É assim que Jesus é. Ele sempre vem para encontrar aqueles que não são oficialmente bem-vindos em uma religião. Ele não abandona os que o buscam e amam, embora sejam excluídos das comunidades e instituições religiosas. Aqueles que não se encaixam em nossas igrejas, têm um lugar privilegiado no coração de Jesus.
Quem trará a mensagem de Jesus hoje aos grupos
- que a qualquer momento ouvem a injusta condenação pública dos líderes religiosos cegos;
- Que vêm às celebrações cristãs com medo de serem reconhecidos;
- Que não podem receber comunhão em paz em nossas Missas;
- Que vêem-se obrigados a viver sua fé em Jesus no silêncio de seus corações, quase secreta e clandestinamente?

Meus irmãos e irmãs desconhecidos, nunca se esqueçam: quando os cristãos o rejeitam, Jesus vos recebe.
HOMILIA – José Antonio Pagola – 03-04-2011
CAMINHOS PARA A FÉ
O relato é inesquecível. Chama-se tradicionalmente “A cura do cego de nascença”, mas é muito mais, pois o evangelista descreve o percurso interior que vai fazendo um homem perdido nas trevas até encontrar-se com Jesus, «Luz do mundo».

Não conhecemos o seu nome. Apenas sabemos que é um mendigo, cego de nascimento, que pede esmola nas redondezas do templo. Não conhece a luz. Nunca a viu. Não pode caminhar nem orientar-se por si mesmo. A sua vida decorre nas trevas. Nunca poderá conhecer uma vida digna.

Um dia Jesus passa pela sua vida. O cego tem tanta necessidade que deixa que lhe trabalhe os seus olhos. Não sabe quem é, mas confia na Sua força curadora. Seguindo as Suas indicações, limpa a sua vista na piscina de Siloé e, pela primeira vez, começa a ver. O encontro com Jesus vai mudar a sua vida.

Os vizinhos vêem-no transformado. É o mesmo mas parece-lhes outro. O homem explica-lhes a sua experiencia: «um homem que se chama Jesus curou-me.» Não sabe mais. Ignora quem é e onde está, mas abriu-lhe os olhos. Jesus faz o bem mesmo àqueles que só o conhecem como homem.

Os fariseus, entendidos em religião, pedem-lhe todo tipo de explicações sobre Jesus. Ele fala-lhes da sua experiência: «só sei uma coisa: que era cego e agora vejo». Perguntam-lhe que pensa de Jesus e ele diz-lhes o que sente: «que é um profeta». O que recebeu Dele é tão bom que esse homem tem que vir de Deus. Assim vive muita gente simples a sua fé em Jesus. Não sabem teologia, mas sentem que esse homem vem de Deus.

Pouco a pouco, o mendigo vai ficando só. Os seus pais não o defendem. Os dirigentes religiosos expulsam-no da sinagoga. Mas Jesus não abandona a quem o ama e o procura. «Quando ouviu que o tinham expulso, foi procura-lo». Jesus tem os Seus caminhos para encontrar-se com quem o procura. Ninguém O pode impedir.

Quando Jesus se encontra com aquele homem a quem ninguém parece entender, apenas lhe faz uma pergunta: «Acreditas no Filho do Homem?» Acreditas no Homem Novo, o Homem plenamente humano precisamente por ser expressão e encarnação do mistério insondável de Deus? O mendigo está disposto a acreditar, mas encontra-se mais cego do que nunca: «E quem és, Senhor, para que acredite Nele?»

Jesus diz-lhe: ‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.’ Ao cego abrem-se os olhos da alma. Prostra-se ante Jesus e diz-Lhe: «Creio, Senhor». Só escutando Jesus e deixando-nos conduzir interiormente por Ele, vamos caminhando para uma fé mais plena e também mais humilde.
José Antonio Pagola Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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5º Domingo da Quaresma
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Veja: mais explicações da Ressurreição de Lázaro
Eu sou a Ressurreição e a Vida

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2 de Abril de 2017

Evangelho – Jo 11,1-45
Eu sou a ressurreição e a vida.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 11,1-45
Naquele tempo:
1 Havia um doente, Lázaro, que era de Betânia,
o povoado de Maria e de Marta, sua irmã.
2 Maria era aquela que ungira o Senhor com perfume
e enxugara os pés dele com seus cabelos.
O irmão dela, Lázaro, é que estava doente.
3 As irmãs mandaram então dizer a Jesus:
‘Senhor, aquele que amas está doente.’
4 Ouvindo isto, Jesus disse:
‘Esta doença não leva à morte;
ela serve para a glória de Deus,
para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.’
5 Jesus era muito amigo de Marta,
de sua irmã Maria e de Lázaro.
6 Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou
ainda dois dias no lugar onde se encontrava.
7 Então, disse aos discípulos:
‘Vamos de novo à Judéia.’
8 Os discípulos disseram-lhe:
Mestre, ainda há pouco os judeus queriam
apedrejar-te, e agora vais outra vez para lá?’
9 Jesus respondeu:
‘O dia não tem doze horas?
Se alguém caminha de dia, não tropeça,
porque vê a luz deste mundo.
10 Mas se alguém caminha de noite, tropeça,
porque lhe falta a luz’.
11 Depois acrescentou:
‘O nosso amigo Lázaro dorme. Mas eu vou acordá-lo.’
12 Os discípulos disseram:
‘Senhor, se ele dorme, vai ficar bom.’
13 Jesus falava da morte de Lázaro,
mas os discípulos pensaram que falasse do sono mesmo.
14 Então Jesus disse abertamente:
‘Lázaro está morto.
15 Mas por causa de vós, alegro-me por não ter estado lá,
para que creiais. Mas vamos para junto dele’.
16 Então Tomé, cujo nome significa Gêmeo,
disse aos companheiros:
‘Vamos nós também para morrermos com ele’.
17 Quando Jesus chegou,
encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias.
18 Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém.
19 Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria
para as consolar por causa do irmão.
20 Quando Marta soube que Jesus tinha chegado,
foi ao encontro dele.
Maria ficou sentada em casa.
21 Então Marta disse a Jesus:
‘Senhor, se tivesses estado aqui,
meu irmão não teria morrido.
22 Mas mesmo assim, eu sei que
o que pedires a Deus, ele te concederá.’
23 Respondeu-lhe Jesus: ‘Teu irmão ressuscitará.’
24 Disse Marta:
‘Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia.’
25 Então Jesus disse:
‘Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá.
26 E todo aquele que vive e crê em mim,
não morrerá jamais. Crês isto?’
27 Respondeu ela: ‘Sim, Senhor, eu creio firmemente
que tu és o Messias, o Filho de Deus,
que devia vir ao mundo.’
28 Depois de ter dito isto,
ela foi chamar a sua irmã, Maria, dizendo baixinho:
‘O Mestre está aí e te chama’.
29 Quando Maria ouviu isso,
levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus.
30 Jesus estava ainda fora do povoado,
no mesmo lugar onde Marta se tinha encontrado com ele.
31 Os judeus que estavam em casa consolando-a,
quando a viram levantar-se depressa e sair,
foram atrás dela,
pensando que fosse ao túmulo para ali chorar.
32 Indo para o lugar onde estava Jesus,
quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe:
‘Senhor, se tivesses estado aqui,
o meu irmão não teria morrido.’
33 Quando Jesus a viu chorar, e também os que
estavam com ela, estremeceu interiormente,
ficou profundamente comovido,
34 e perguntou: ‘Onde o colocastes?’
Responderam: ‘Vem ver, Senhor.’
35 E Jesus chorou.
36 Então os judeus disseram:
‘Vede como ele o amava!’
37 Alguns deles, porém, diziam:
‘Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também
ter feito com que Lázaro não morresse?’
38 De novo, Jesus ficou interiormente comovido.
Chegou ao túmulo.
Era uma caverna, fechada com uma pedra.
39 Disse Jesus: ‘Tirai a pedra’!
Marta, a irmã do morto, interveio:
‘Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias.’
40 Jesus lhe respondeu:
‘Não te disse que, se creres,
verás a glória de Deus?’
41 Tiraram então a pedra.
Jesus levantou os olhos para o alto e disse:
‘Pai, eu te dou graças porque me ouviste.
42 Eu sei que sempre me escutas.
Mas digo isto por causa do povo que me rodeia,
para que creia que tu me enviaste.’
43 Tendo dito isso, exclamou com voz forte:
‘Lázaro, vem para fora!’
44 O morto saiu,
atado de mãos e pés com os lençóis mortuários
e o rosto coberto com um pano.
Então Jesus lhes disse:
‘Desatai-o e deixai-o caminhar!’
45 Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria
e viram o que Jesus fizera, creram nele.
Palavra da Salvação.

HOMILIA – José Antonio Pagola – 02-04-2017
ASSIM QUERO MORRER EU
Jesus nunca oculta o Seu carinho para com os três irmãos que vivem em Betânia. Seguramente são os que o acolhem na sua casa sempre que sobe a Jerusalém. Um dia, Jesus recebe um recado: «O nosso irmão Lázaro, o teu amigo, está doente» . Ao fim de pouco tempo Jesus encaminha-se para a pequena aldeia.

Quando se apresenta, Lázaro já morreu. Ao vê-lo chegar, Maria, a irmã mais jovem, poe-se a chorar. Ninguém a pode consolar. Ao ver chorar a sua amiga e também aos judeus que a acompanham, Jesus não pode conter-se. Também Ele «se poe a chorar» junto deles. As pessoas comentam: «Como o queria!».

Jesus não chora só pela morte de um amigo muito querido. Quebra-se a alma ao sentir a impotência de todos ante a morte. Todos levamos no mais íntimo do nosso ser um desejo insaciável de viver. Porque temos de morrer? Porque a vida não é mais ditosa, mais longa, mais segura, mais vida?

O homem de hoje, como o de todas as épocas, leva cravada no seu coração a pregunta mais inquietante e mais difícil de responder: que vai ser de todos e cada um de nós? É inútil tratar de nos enganarmos. Que podemos fazer ante a morte? Revoltar-nos? Deprimir-nos?

Sem dúvida, a reação mais generalizada é esquecer-nos e «seguir em frente». Mas, não está o ser humano chamado a viver a sua vida e a viver-se a si mesmo com lucidez e responsabilidade? Só próximo do nosso fim, havemos de nos acercar de forma inconsciente e irresponsável, sem tomar qualquer posição?

Ante o mistério último da morte não é possível apelar a dogmas científicos nem religiosos. Não nos podemos guiar mais para lá desta vida. Mais honrada parece a postura do escultor Eduardo Chillida, a quem em certa ocasião lhe escutei dizer: «Da morte, a razão diz-me que é definitiva. Da razão, a razão diz-me que é limitada».

Os cristãos não sabemos da outra vida mais que os outros. Também nós devemos aproximar-nos com humildade ao acontecimento obscuro da nossa morte. Mas fazemos com uma confiança radical na bondade do Mistério de Deus que vislumbramos em Jesus. Esse Jesus a quem sem o termos visto, amamos e quem, sem o ver ainda, damos a nossa confiança.

Esta confiança não pode ser entendida a partir de fora. Só pode ser vivida por quem respondeu, com fé simples, às palavras de Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Acreditas nisto?» . Recentemente, Hans Küng, o teólogo católico mais crítico do século XX, próximo já do seu fim, disse que, para ele, morrer é «descansar no mistério da misericórdia de Deus». Assim quero morrer eu.
José Antonio Pagola Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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HOMILIA – José Antonio Pagola Tradutor – 10-04-2011
NOSSA ESPERANÇA
O relato da ressurreição de Lázaro é surpreendente. Por um lado, nunca nos é apresentado Jesus tão humano, frágil e profundo como neste momento em que morre um dos seus melhores amigos. Por outro lado, nunca nos convidam tão diretamente a acreditar no Seu poder salvador: «Eu sou a ressurreição e a vida: o que crer em mim, mesmo que morra, viverá… Creis nisto?»

Jesus não oculta o Seu carinho para com estes três irmãos da Betânia que, seguramente, o acolhem em sua casa sempre que vem a Jerusalém. Um dia Lázaro fica doente e as suas irmãs enviam uma mensagem a Jesus: o nosso irmão «a quem tanto queres» está doente. Quando chega Jesus à aldeia, Lázaro leva quatro dias enterrado. Já ninguém lhe poderá devolver a vida.

A família está destroçada. Quando se apresenta Jesus, Maria desata a chorar. Ninguém a pode consolar. Ao ver os soluços da Sua amiga, Jesus não pode conter-se e também Ele se põem a chorar. Parte-Lhe a alma ao sentir a impotência de todos ante a morte. Quem nos poderá consolar?

Há em nós um desejo insaciável de vida. Passamos os dias e os anos a lutar por viver. Agarramo-nos à ciência e, sobretudo, à medicina para prolongar esta vida biológica, mas sempre chega uma última doença de que ninguém nos pode curar.

Tampouco nos serviria viver esta vida para sempre. Seria horrível um mundo envelhecido, cheio de velhos e velhas, cada vez com menos espaço para os jovens, um mundo em que não se renovasse a vida. O que desejamos é uma vida diferente, sem dor nem envelhecimento, sem fome nem guerras, uma vida plenamente ditosa para todos.

Hoje vivemos numa sociedade que foi descrita como “uma sociedade de incerteza” (Z. Bauman). Nunca tinha tido o ser humano tanto poder para avançar para uma vida mais feliz. E, no entanto, nunca tal vez se tenha sentido tão impotente ante um futuro incerto e ameaçador. Em que podemos esperar?

Como os humanos de todos os tempos, também nós vivemos rodeados de trevas. Que é a vida? Que é a morte? Como há que viver? Como há que morrer? Antes de ressuscitar Lázaro, Jesus diz a Marta essas palavras que são para todos os Seus seguidores um repto decisivo: «Eu sou a ressurreição e a vida: aquele que acredita em mim, mesmo que morra viverá… Creis nisto?»

Apesar de dúvidas e obscuridades, os cristãos acreditam em Jesus, Senhor da vida e da morte. Só Nele procuramos luz e força para lutar pela vida e para enfrentarmos a morte. Só Nele encontramos uma esperança da vida para além da vida.
José Antonio Pagola Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez
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Responsável por este trabalho

    Xavier Cutajar

            xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

12,20 Entre os que tinham ido à festa para adorar a Deus,

         havia alguns gregos.  

21 Eles se aproximaram de Filipe,

     que era de Betsaida da Galileia,

     e disseram:

             “Senhor, queremos ver Jesus.”

22 Filipe falou com André; e os dois foram falar com Jesus.

23 Jesus respondeu para eles, dizendo:

           “Chegou a hora em que

            o FILHO DO HOMEM vai ser glorificado. 

24        Eu garanto a vocês:

            se o grão de trigo não cai na terra e não morre,

               fica sozinho.

            Mas se morre, produz muito fruto.  

25        Quem tem apego à sua vida(yuch.n),

               vai perdê-la;

            quem despreza a sua vida(yuch.n) neste mundo,

               vai conservá-la para a VIDA ETERNA (zwh.n aivw,nion).  

26        Se alguém quer servir a mim, que me siga.

            E onde estiver eu (eivmi. evgw.), aí também estará o meu servo.

            Se alguém serve a mim, o Pai o honrará.  

27        Agora está angustiada a minha(mou) alma(yuch).

            E o que vou dizer? Pai, livra-me desta hora?

            Mas foi precisamente para esta hora que eu vim.   

28        Pai,  glorifica o teu NOME (o;noma)!”

            Então veio uma voz do céu:

            “Eu já O glorifiquei e ainda O glorificarei.” 

29 A multidão que aí estava ouviu a voz,

     e dizia que tinha sido um trovão.

     Outros diziam:

           “Foi um anjo que falou com ele.”  

30 Jesus disse:

            “Essa voz não falou por causa de mim,

             mas por causa de vocês.  

31         Agora é o julgamento deste mundo.

             Agora o PRÍNCIPE DESTE MUNDO vai ser expulso  

32         e, quando eu for levantado da terra,

                 atrairei todos a mim.”  

33 Jesus assim falava para indicar com que morte ia morrer.

 

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