Mc 1, 29-31 – JESUS CURA A SOGRA DE PEDRO

JESUS CURA A SOGRA DE PEDRO

 (Mt 8,14-15; Lc 4 38-39)

sogra de pedro

1,29 Saíram da sinagoga e foram logo para a casa de Simão e André, junto com Tiago e João.

30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo eles informaram Jesus.

31 Jesus foi aonde ela estava, segurou sua mão e ajudou-a a se levantar. Então a febre deixou a mulher, e ela começou a servi-los.

 

- GRUPO DE REFLEXÃO BÍBLICA SÃO JERÓNIMO:Reflexão bíblica – Quarta-Feira da 1ª Semana do Tempo Comum (12/01/22) Prof. Dr. Pe. Isidoro Mazzarolo (PUCRS)

- Curados para servir! Reflexão Bíblica: 1Samuel 3,1-10.19-20 e Marcos 1,29-39 – Por Padre Manoel José de Godoy – 12/1/2022

 

BP:* 29-31: Para os antigos, a febre era de origem demoníaca. Libertos do demônio, os homens podem levantar-se e pôr-se a serviço.

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A sogra de Pedro teve trabalho no preparo do almoço?

Tratava-se apenas de apresentar a comida já toda pronta, pois todos deviam preparar na véspera as refeições do sábado, dia de repouso absoluto que começava depois do pôr-do-sol da sexta-feira (Ex 20,8-11; 35,2-3).

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Jesus saiu da sinagoga” (v. 29a). Aqui, o evangelista emprega um verbo que recorda o êxodo: evxerkomai – ecserkomai, cujo significado mais exato é escapar, fugir ou libertar-se. Com isso, Marcos ensina que a sinagoga não é o lugar do discipulado; pelo contrário, como símbolo das estruturas de poder e dominação vigentes, a sinagoga é uma realidade da qual as pessoas devem ser libertadas. As instituições, de um modo geral, são espaços hostis para o discipulado de Jesus porque impedem a realização do ser humano em sua liberdade e dignidade plenas.

Saindo da sinagoga, “Jesus foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André”  (v. 29b). A casa (em grego: oivki,a – oikia) é a alternativa proposta por Jesus para a realização do seu projeto em sua dimensão espacial primeira. No âmbito do poder instituído, aqui representado pela sinagoga, não há espaço nem condições para a realização do Reino de Deus; é necessário buscar novas formas viáveis de organização que permitam a plena realização do ser humano. Compreender esse deslocamento da sinagoga para a casa é fundamental para a compreensão de todo o projeto de Reino proposto por Jesus. A casa é o espaço eclesial por excelência; é na casa onde Jesus fala abertamente com seus discípulos. A Igreja primitiva adotou a casa como o lugar da liturgia, da catequese, do encontro. Se é na casa onde acontece a vida, deve ser na casa o culto ao Deus da vida; um culto não ritual, mas serviçal. Do púlpito da sinagoga não era possível conhecer as necessidades reais das pessoas; isso só é possível indo ao encontro delas, ou seja, indo à casa.

Ao chegar na casa com dois dos discípulos, João e Tiago, Jesus encontra uma situação desconfortável, caótica: “A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus” (v. 30). Embora se tratasse apenas de uma febre, de acordo com o texto, essa tinha paralisado a mulher, impedindo-a de exercer suas funções. Se a mulher em pleno estado de saúde já valia muito pouco naquela sociedade, muito menos seria enquanto enferma. O ato de deixar Jesus a par da situação evidencia confiança nele; é sinal de que ele já estava sendo reconhecido como doador de vida e de sentido para a vida. É também sinal de que naquela comunidade embrionária a mulher deve ter um papel relevante e até essencial.

Estando ciente da situação, Jesus não se omite, como não se conforma com o domínio do mal na vida das pessoas. Por isso, “ele se aproximou, segurou sua mão, e ajudou-a a levantar-se” (v. 31a). O texto não menciona uma única palavra de Jesus, mas apenas gestos. Por sinal, gestos sacrílegos, considerando que era dia de sábado e, portanto, nenhuma atividade manual era permitida naquele dia. Certamente, o evangelista pensou na sua e nas comunidades cristãs de todos os tempos: os gestos de libertação falam mais que longas e muitas palavras. Sem nenhum temor Jesus se aproxima de uma pessoa com a vida ameaçada; ele não teme nem foge das situações concretas de dor e sofrimento, mesmo que tal atitude fosse proibida pela religião. Pelo contrário, ele enfrenta toda situação em que a vida se encontra ameaçada. O gesto de segurar pela mão significa o cumprimento de uma ação salvífica por excelência: é Deus doando sua força em benefício do seu povo, tirando-o da opressão, de acordo com a linguagem do Antigo Testamento (cf. Ex 13,16; Is 41,13; Sl 136,12; etc.); é prova do amor e cuidado de Deus para com a humanidade.

 Com um cuidado incomparável, Jesus manifesta sua opção incondicional pela vida e o bem do ser humano. O evangelista diz que ele ajudou a mulher a levantar-se empregando o verbo grego h;geirw – egheiro, o mesmo usado para falar da ressurreição do próprio Jesus (cf. 16,6). Com isso, ele quer dizer que Jesus restituiu a vida para aquela mulher. A ressurreição é, por excelência, o triunfo da vida sobre a morte e suas causas. Eis, portanto, as consequências da ação de Jesus: “Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los” (v. 31b). O mal, representado no texto pela febre, não resiste à presença amorosa e cuidadosa de Jesus. Sendo o mal banido da comunidade, as atitudes de serviço se evidenciam. O serviço é a atitude imediata de quem se encontra com o amor restaurador de Jesus e o critério para perceber se esse amor está sendo vivido na comunidade cristã. Jesus é doador de vida, e quem recebe essa vida se torna servo e serva de todos. (Pe. Francisco Cornelio)

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À PORTA DE NOSSA CASA

 Na sinagoga de Cafarnaum, Jesus libertou pela manhã um homem possuído por um espírito maligno. Agora diz-se que sai da «sinagoga» e parte para a «casa» de Simão e André. A indicação é importante, pois no evangelho de Marcos o que sucede nessa casa encerra sempre algum ensinamento para as comunidades cristãs.

 Jesus passa da sinagoga, lugar oficial da religião judia, à casa, lugar onde se vive a vida quotidiana junto aos seres mais queridos. Nessa casa vai-se formando a nova família de Jesus. Nas comunidades cristãs temos de saber que não são um lugar religioso onde se vive da Lei, mas um lar onde se aprende a viver de forma nova em torno a Jesus.

 Ao entrar na casa, os discípulos falam-lhe da sogra de Simão. Não pode sair a acolhe-los, pois está prostrada na cama com febre. Jesus não necessita de mais. De novo vai quebrar o sábado por segunda vez no mesmo dia. Para Ele, o importante é a vida sã das pessoas, não as observâncias religiosas. O relato descreve com todo o detalhe os gestos de Jesus com a mulher doente.

 «Aproximou-se». É o primeiro que faz sempre: aproximar-se dos que sofrem, olhar de perto o seu rosto e partilhar o seu sofrimento. Logo «pega-lhe pela mão»: toca a doente, não teme as regras de pureza que o proíbem; quer que a mulher sinta a Sua força de curar. Por fim «levantou-a», coloco-a de pé, devolveu-lhe a dignidade.

 Assim está sempre Jesus no meio dos seus: como uma mão estendida que nos levanta, como um amigo próximo que nos infunde vida. Jesus só sabe servir, não de ser servido. Por isso a mulher curada por Ele se põe a «servir» todos. Aprende-o com Jesus. Os seus seguidores, temos de viver acolhendo-nos e cuidando-nos uns aos outros.

 Mas seria um erro pensar que a comunidade cristã é uma família que pensa só nos seus próprios membros e vive de costas ao sofrimento dos outros. O relato diz que esse mesmo dia, «ao pôr-se o sol», quando havia terminado o sábado, levam a Jesus todo tipo de doentes e possuídos por algum mal.

 Os seguidores de Jesus, temos de gravar bem esta cena. Ao chegar a obscuridade da noite, toda a população, com os seus doentes, «acotovela-se à porta». Os olhos e as esperanças dos que sofrem procuram a porta dessa casa onde está Jesus. A Igreja só atrai de verdade quando as pessoas que sofrem podem descobrir dentro delas Jesus curando a vida e aliviando o sofrimento. À porta das nossas comunidades há muita gente a sofrer. Não o esqueçamos.

 José Antonio Pagola

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5º Domingo do Tempo Comum – Ano B

04 de Fevereiro

Mc 1, 29-31 – JESUS CURA A SOGRA DE PEDRO

Mc 1, 32-34 – JESUS CURA OUTROS ENFERMOS

Mc 1, 35-38 – JESUS REZA ANTES DA MISSÃO

Mc 1,39 – JESUS PREGA E EXPULSA DEMÔNIOS

** 5º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano B - Dehonianos

** 5º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano B -  Revista Pastoral – Pe Johan Konings sj

** À PORTA DE NOSSA CASA - José Antonio Pagola

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Texto – Pe Antônio Geraldo dalla Costa

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Vídeos no YouTube –  Pe Antôn Geraldo dalla Costa

** SER LIVRE PARA SERVIR - Franciscanos - Pe Johan Konings sj

** CASA, LUGAR DO ENCONTRO E DO SERVIÇO - Pe. Adroaldo Palaoro sj

** COMO JESUS CUIDA E CURA - Enzo Bianchi

** ORAÇÃO E MISSÃO DE JESUS - Ana Maria Casarotti

** ESPIRITUALIDADE  E CUIDADO SOCIAL E POLÍTICO – Marcelo Barros

** REFLEXÃO PARA O V DOMINGO DO TEMPO COMUM –  MARCOS 1,29-39 (ANO B)  -  

** COMENTÁRIO DO EVANGELHO – IHU-ADITAL

 

 

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MAPA DA PALESTINA

EVANGELHO DE MARCOS

Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

Se no domingo passado o evangelho iniciava com a entrada de Jesus na sinagoga, hoje inicia com a sua saída: “Jesus saiu da sinagoga” (v. 29a). Aqui, o evangelista emprega um verbo que recorda o êxodo: evxerkomai – ecserkomai, cujo significado mais exato é escapar, fugir ou libertar-se. Com isso, Marcos ensina que a sinagoga não é o lugar do discipulado; pelo contrário, como símbolo das estruturas de poder e dominação vigentes, a sinagoga é uma realidade da qual as pessoas devem ser libertadas. As instituições, de um modo geral, são espaços hostis para o discipulado de Jesus porque impedem a realização do ser humano em sua liberdade e dignidade plenas.

 

Saindo da sinagoga, “Jesus foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André”  (v. 29b). A casa (em grego: oivki,a – oikia) é a alternativa proposta por Jesus para a realização do seu projeto em sua dimensão espacial primeira. No âmbito do poder instituído, aqui representado pela sinagoga, não há espaço nem condições para a realização do Reino de Deus; é necessário buscar novas formas viáveis de organização que permitam a plena realização do ser humano. Compreender esse deslocamento da sinagoga para a casa é fundamental para a compreensão de todo o projeto de Reino proposto por Jesus. A casa é o espaço eclesial por excelência; é na casa onde Jesus fala abertamente com seus discípulos. A Igreja primitiva adotou a casa como o lugar da liturgia, da catequese, do encontro. Se é na casa onde acontece a vida, deve ser na casa o culto ao Deus da vida; um culto não ritual, mas serviçal. Do púlpito da sinagoga não era possível conhecer as necessidades reais das pessoas; isso só é possível indo ao encontro delas, ou seja, indo à casa.

 

Ao chegar na casa com dois dos discípulos, João e Tiago, Jesus encontra uma situação desconfortável, caótica: “A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus” (v. 30). Embora se tratasse apenas de uma febre, de acordo com o texto, essa tinha paralisado a mulher, impedindo-a de exercer suas funções. Se a mulher em pleno estado de saúde já valia muito pouco naquela sociedade, muito menos seria enquanto enferma. O ato de deixar Jesus a par da situação evidencia confiança nele; é sinal de que ele já estava sendo reconhecido como doador de vida e de sentido para a vida. É também sinal de que naquela comunidade embrionária a mulher deve ter um papel relevante e até essencial.

 

Estando ciente da situação, Jesus não se omite, como não se conforma com o domínio do mal na vida das pessoas. Por isso, “ele se aproximou, segurou sua mão, e ajudou-a a levantar-se” (v. 31a). O texto não menciona uma única palavra de Jesus, mas apenas gestos. Por sinal, gestos sacrílegos, considerando que era dia de sábado e, portanto, nenhuma atividade manual era permitida naquele dia. Certamente, o evangelista pensou na sua e nas comunidades cristãs de todos os tempos: os gestos de libertação falam mais que longas e muitas palavras. Sem nenhum temor Jesus se aproxima de uma pessoa com a vida ameaçada; ele não teme nem foge das situações concretas de dor e sofrimento, mesmo que tal atitude fosse proibida pela religião. Pelo contrário, ele enfrenta toda situação em que a vida se encontra ameaçada. O gesto de segurar pela mão significa o cumprimento de uma ação salvífica por excelência: é Deus doando sua força em benefício do seu povo, tirando-o da opressão, de acordo com a linguagem do Antigo Testamento (cf. Ex 13,16; Is 41,13; Sl 136,12; etc.); é prova do amor e cuidado de Deus para com a humanidade.

 

Com um cuidado incomparável, Jesus manifesta sua opção incondicional pela vida e o bem do ser humano. O evangelista diz que ele ajudou a mulher a levantar-se empregando o verbo grego h;geirw – egheiro, o mesmo usado para falar da ressurreição do próprio Jesus (cf. 16,6). Com isso, ele quer dizer que Jesus restituiu a vida para aquela mulher. A ressurreição é, por excelência, o triunfo da vida sobre a morte e suas causas. Eis, portanto, as consequências da ação de Jesus: “Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los” (v. 31b). O mal, representado no texto pela febre, não resiste à presença amorosa e cuidadosa de Jesus. Sendo o mal banido da comunidade, as atitudes de serviço se evidenciam. O serviço é a atitude imediata de quem se encontra com o amor restaurador de Jesus e o critério para perceber se esse amor está sendo vivido na comunidade cristã. Jesus é doador de vida, e quem recebe essa vida se torna servo e serva de todos.

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