Mc 1, 35-38 – JESUS REZA E DEIXA CAFARNAUM

JESUS REZA E DEIXA CAFARNAUM

 (Lc 4,42-44)

 

1,35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto.

36    Simão e seus companheiros foram atrás dele

37    e, quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando.”

38  Jesus respondeu: “Vamos para outros lugares, às aldeias da redondeza. Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim.”

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BP:

* 35-38: O deserto é o ponto de partida para a missão. Aí Jesus encontra o Pai, que o envia para salvar os homens. Mas encontra também a tentação: Pedro sugere que Jesus aproveite a popularidade conseguida num dia. É o primeiro diálogo com os discípulos, e já se nota tensão.

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Terminada a chamada “jornada de Cafarnaum”, Jesus iniciou uma nova fase do seu ministério. Como comunicador do Reino de Deus, ele precisava nutrir sua intimidade com o Pai através da oração, como atesta o evangelista: “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto” (v. 35). Ele não se deixou levar pelo aparente sucesso do dia anterior. Sentia necessidade de comunicar-se com o Pai para permanecer fiel em sua missão. A oração capacita para o discernimento, fortalece as convicções. Muitas vezes o ativismo das comunidades deixa essa dimensão importante da vida cristã passar despercebida. Aqui o evangelista deixa um recado muito claro para a sua comunidade e para as demais.

 

Enquanto rezava, “Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando” (vv. 36-37). Os discípulos, ainda principiantes no seguimento, queriam certamente que Jesus repetisse os feitos da jornada anterior, refazendo o mesmo percurso. É a tentação do comodismo e do poder. Alimentado pela oração e, portanto, cada vez mais convicto de sua missão, “Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim” (v. 38). Aqui o aspecto dinâmico e itinerante do movimento de Jesus é evidenciado, bem como o universalismo do seu alcance é pré-anunciado. Mesmo sendo desenvolvida inicialmente na Galileia, a itinerância da missão de Jesus antecipa o universalismo que deve marcar o cristianismo de todos os tempos. Não à religião do templo, do comodismo e da conivência com os poderes instalados! Ir a outros lugares é uma necessidade de quem vive a Boa Nova e os valores do Reino. (Pe. Francisco Cornelio)

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RETIRAR-SE A ORAR

 No meio da intensa atividade de profeta itinerante, Jesus cuidou sempre da Sua comunicação com Deus no silêncio e na solidão. Os evangelhos conservaram a recordação de um costume Seu que causou profunda impressão: Jesus costumava retirar-se de noite a orar.

 O episódio que narra Marcos ajuda-nos a conhecer o que significava a oração para Jesus. A véspera tinha sido uma jornada dura. Jesus «tinha curado muitos doentes». O êxito tinha sido muito grande. Cafarnaum estava comocionada: «A população inteira aglomerava-se» em torno de Jesus. Toda gente falava dele.

 Essa mesma noite, «de madrugada», entre as três e as seis da manhã, Jesus levanta-se e, sem avisar os Seus discípulos, retira-se para um descampado. «Ali se pôs a orar». Necessitava estar a sós com o Seu Pai. Não quer deixar-se aturdir pelo êxito. Só procura a vontade do Pai: conhecer bem o caminho que tem de percorrer.

 Surpreendidos pela Sua ausência, Simão e os seus companheiros correm a procura-Lo. Não hesitam em interromper o seu diálogo com Deus. Só querem retê-Lo: «Toda gente Te procura». Mas Jesus não se deixa programar desde fora. Só pensa no projeto do Seu Pai. Nada nem ninguém o afastará do Seu caminho.

 Não tem nenhum interesse em ficar a desfrutar do Seu êxito em Cafarnaum. Não cederá ante o entusiasmo popular. Há aldeias que todavia não escutaram a Boa Nova de Deus: «Vamos… para predicar também ali».

 Um dos rasgos mais positivos no cristianismo contemporâneo é ver como se vai despertando a necessidade de cuidar mais da comunicação com Deus, o silêncio e a meditação. Os cristãos mais lúcidos e responsáveis querem arrastar a Igreja de hoje a viver de forma mais contemplativa.

 É urgente. Os cristãos, em geral, já não sabemos estar a sós com o Pai. Os teólogos, predicadores e catequistas falamos muito de Deus, mas falamos pouco com Ele. O costume de Jesus esquece-se há muito tempo. Nas paróquias fazem-se muitas reuniões de trabalho, mas não sabemos retirar-nos para descansar na presença de Deus e encher-nos da Sua paz.

 Cada vez somos menos para fazer mais coisas. O nosso risco é cair no ativismo, o desgaste e o vazio interior. No entanto, o nosso problema não é ter muitos problemas, mas ter a força espiritual necessária para os enfrentar.

 José Antonio Pagola

 

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MAPA DA PALESTINA

EVANGELHO DE MARCOS

Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

 

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