Mc 10 46-52 – JESUS CURA O CEGO BARTIMEU

JESUS CURA(20/20) O CEGO EM JERICÓ - 3ª tentação

 (Explicação de Mc 9,47-48 – o olho = orgulho – 3ª tentação

Só quem for humilde e busca uma solução que é curado por Jesus

(Mc 10, 46-52; Mt 20,29-34; Lc 18, 35-43)

 

10,46 Chegaram a JericóJesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos (32/42) e uma grande MULTIDÃO.(31/35) Na beira do caminho (11/14) havia um cego que se chamava Bartimeu, o filho de Timeu; estava sentado, pedindo esmolas.

47 Quando ouviu falar que era JESUS Nazareno que estava passando, o cego começou a gritar: “JESUS, filho de Davi, tem piedade de mim!”

48 Muitos o repreendiam e mandaram que ficasse quieto. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!”

49 Então JESUS parou e disse: “Chamem o cego.” Eles chamaram o cego e disseram: “Coragem, levante-se, porque está chamando você.”

50 O cego largou o manto, deu um pulo e foi até JESUS.

51 Então JESUS lhe perguntou: “O que você quer que eu faça por você?” O cego respondeu: “RABBUNI, (2/4) eu quero ver de novo.”

52 JESUS disse: “Vai, a sua curou(salvou) você.” (Cf. 5,34) Logo o cego tornou a ver e seguia Jesus pelo caminho.(12/14)           (Cf.: Mt 9,35-38)

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BP:* 46-52: O último milagre de Jesus é uma cura significativa. Ele não abre apenas os olhos do cego, mas também o coração. E o cego curado reconhece Jesus como o Messias (filho de Davi). E, com mais coragem do que Pedro (8,32) e do que o homem rico (10,22), segue a Jesus no caminho para a morte. Desse modo, Bartimeu torna-se o modelo do verdadeiro discípulo.

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REFLEXÃO PARA O XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM – MARCOS 10,46-52 (ANO B)

O evangelho deste trigésimo domingo do tempo comum – Marcos 10,46-52 – apresenta a última etapa do caminho de Jesus com seus discípulos em direção à cidade de Jerusalém, onde acontecerão os eventos da sua paixão, morte e ressurreição. É sempre oportuno recordar que esse não é apenas um percurso físico-espacial mas, sobretudo, um programa catequético, teológico e espiritual, apresentado pelos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), no qual Jesus procura abrir os olhos dos discípulos a respeito da sua verdadeira identidade: ele não é um messias glorioso e forte, mas servidor e sofredor que, ao invés de restaurar o reino de Davi, propôs a instauração do Reino de Deus. Para isso, fez três anúncios explícitos da paixão, mas mesmo assim os discípulos continuavam sem compreender nem aceitar.

O episódio narrado no evangelho hoje é a cura de Bartimeu, um cego que mendigava às margens da estrada, na saída da cidade de Jericó. Esse relato se torna emblemático e decisivo para a catequese de Marcos e a vida dos discípulos e discípulas de Jesus. Mais do que uma crônica, é uma espécie de parábola, através da qual Jesus denuncia a situação dos seus discípulos, e Marcos atualiza essa denúncia para a sua comunidade: há uma cegueira generalizada entre os seguidores de Jesus quando buscam prestígio, poder, riquezas e privilégios, quando não aceitam que o Reino de Deus pertence aos pequenos, excluídos e marginalizados. Ora, durante o caminho os discípulos tinham feito proselitismo, alimentado rivalidades discutindo quem era o maior entre eles, e almejado lugares de honra, demonstrando, com isso, uma verdadeira cegueira ao que Jesus estava propondo e anunciando. Por isso, ao apresentar na reta final desse caminho, um cego gritando por ajuda, o evangelista denuncia a situação dos discípulos e da sua comunidade.

Olhemos com atenção para o texto: “Jesus saiu de Jericó, junto com seus discípulos e uma grande multidão. O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo, estava sentado à beira do caminho” (v. 46). Esse primeiro versículo traz muitas informações importantes; a primeira, é que Jesus se encontra a caminho, em movimento. O caminho é um lugar importante para uma comunidade itinerante como a de Jesus. Representa a exposição aos riscos e perigos, mas também é sinal de abertura ao encontro e ao diálogo com o diferente; acentua que, desde o princípio, a Igreja existe para estar sempre em saída. Um outro indicativo espacial importante presente no versículo é a cidade de Jericó. Situada a cerca de trinta quilômetros de Jerusalém, Jericó era a última parada do caminho para a cidade santa (Jerusalém), para quem partia da Galileia, como Jesus e seus discípulos. Jericó tem grande significado para a tradição bíblica; foi a primeira cidade conquistada por Josué após a entrada na terra prometida (cf. Js 6,1-14). No tempo de Jesus, essa cidade era estratégica; sendo passagem obrigatória para quem ia do norte para Jerusalém, milhares de peregrinos passavam por ela durante o ano, principalmente na época das grandes festas religiosas de Israel, como a páscoa, pentecostes e a festa das tendas; isso fomentava a economia, ao mesmo tempo em que facilitava a aglomeração de mendigos pedindo esmolas à beira da estrada, fenômeno muito comum nas proximidades dos santuários e centros de peregrinação, até os dias de hoje.

Além dos discípulos, também uma grande multidão acompanha Jesus. Além de admiradores, pessoas que tinham se encantado com Jesus ao longo do caminho, essa multidão era também, com muita probabilidade, composta por peregrinos em geral que já se dirigiam à Jerusalém para a festa da páscoa que se aproximava. Dentre tantos pedintes que, certamente, estavam à beira do caminho, o evangelista destaca um: o cego Bartimeu, filho de Timeu. Na verdade, Bartimeu é a forma hebraica de “filho de Timeu”, cujo significado é “filho da honra”. Esse é o único caso, no Evangelho segundo Marcos, em que um doente necessitado de cura é chamado pelo nome. A sua condição de cego lhe impede de ser integrado à comunidade, restando-lhe somente as margens da sociedade e a mendicância para a sobrevivência. Esse personagem se torna paradigma para o discipulado, por isso o evangelista lhe dá tanta ênfase. Era consciente de sua condição e alimentava a esperança de voltar a ver, por isso, “quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno, estava passando, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” (v. 47). A fama de Jesus já tinha chegado à Jericó e alimentava a esperança dos humildes e marginalizados, como os cegos. Porém, ele ainda não era compreendido nem reconhecido como o Filho de Deus, mas apenas como o suposto messias nacionalista, filho de Davi. A cegueira dos discípulos, sobretudo, consistia exatamente nessa compreensão equivocada da identidade de Jesus. Ora, conceber Jesus como o filho de Davi é imaginá-lo guerreando, combatendo pela força para conquistar o trono e exercer o poder como os chefes deste mundo, algo totalmente incompatível com a mensagem de Jesus e sua proposta de Reino de Deus.

Imaginando que seguiam ao messias dravídico, as pessoas que acompanhavam Jesus, principalmente os discípulos, queriam monopolizá-lo, impedindo que outras pessoas se aproximassem dele, com medo de perder prestígio e privilégio quando fosse restaurado o reino de Israel. Os discípulos já tinham repreendido as crianças para que não se aproximassem, João tinha proibido a um homem desconhecido de agir em nome de Jesus e, agora, no episódio do cego, também o repreendem por querer aproximar-se de Jesus, suplicando a sua compaixão: “Muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele gritava mais ainda: ‘Filho de Davi, tem piedade de mim!”(v. 48). A atitude dos que repreendiam o cego é, muitas vezes, a postura das religiões em geral e, sobretudo, de muitos grupos cristãos: querer controlar a pessoa de Jesus, impedindo que ele seja conhecido e experimentado por todos, principalmente pelos mais necessitados. E Jesus não se deixa controlar por nenhuma religião ou grupo religioso; pelo contrário, ele mesmo faz questão que as pessoas banidas pela religião se aproximem dele, como mostra o texto: “Então Jesus parou e disse: “Chamai-o. Eles o chamaram e disseram: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!” (v. 49). Jesus interrompe seu caminho quando vê a necessidade do próximo, o que seus discípulos não aceitavam; Ele chama e quer perto de si toda pessoa necessitada e excluída.

Diante do convite, “o cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus” (v. 50). A atitude do cego evidencia o entusiasmo e alegria de quem tem reacesa a esperança. O primeiro gesto, jogar o manto, significa abrir mão de tudo, é o “renunciar a si mesmo”, uma das exigências de Jesus para o seu seguimento. Jogando o manto, o cego renunciou a tudo. Além de ser o único sinal de dignidade que ainda lhe restava, era no manto que guardava as esmolas que ganhava; o encontro autêntico com Jesus depende da capacidade de renunciar a tudo o que pode causar impedimento, como o apego aos bens. A renúncia ao manto, tornou o cego uma pessoa livre, por isso, ele “deu um pulou”; além da alegria, esse gesto significa também a liberdade reconquistada. Com isso, o evangelista recorda e denuncia, implicitamente, com o gesto do cego, os dois contra-exemplos anteriores na narrativa: o homem rico que não foi capaz de deixar o que possuía para herdar a vida eterna (cf. Mc 10,17-30; evangelho do 28º domingo), e a ambição dos discípulos por lugares de honra (cf. Mc 10,35-41; evangelho do 29º domingo). O pulo do cego é um salto qualitativo na sua vida, marco do encontro transformador com Jesus, salto esse que os discípulos da primeira chamada ainda tinham dificuldade de fazer.

Mesmo conhecendo as necessidades do cego, “Jesus lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” (v. 51). A pergunta de Jesus visa evidenciar o itinerário do discipulado: a passagem da cegueira à visão. Inclusive, é a mesma pergunta feita aos dois filhos de Zebedeu (cf. Mc 10,36). Demonstra o interesse de Jesus pelo próximo. Ver era a necessidade de todos os que acompanhavam Jesus, mas somente o cego Bartimeu foi capaz de assumir. Ao invés da visão, os filhos de Zebedeu pediram privilégio e honra (cf. Mc 10,37). Bartimeu, pelo contrário, assume sua condição de pequenino do Reino, por isso é o verdadeiro “filho da honra”; no encontro pessoal com Jesus, falando face a face, deixa de lado a ideologia nacionalista e começa a reconhecer a verdadeira identidade de Jesus, por isso, já não o chama mais de “filho de Davi”, mas de “Mestre”; esse é mais um sinal da sua transformação pessoal, passagem das trevas à luz e, consequentemente, ao discipulado: “Jesus disse: ‘Vai, a tua fé te curou’. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho” (v. 52). De acordo com Jesus, o cego foi curado pela própria fé; não foram necessários sinais ou gestos extraordinários; bastou um encontro sincero. O encontro transformador gerou um novo discípulo para Jesus. A vista recuperada do cego, nesse relato, significa uma verdadeira exigência e o último apelo de Jesus aos discípulos, por isso, esse foi o último milagre narrado no Evangelho segundo Marcos.

Mais do que demonstração de força e poder, os milagres narrados nos evangelhos tem a função de mostrar a necessidade de transformação e mudança de mentalidade pelas quais todo ser humano deve passar para aderir à mensagem de Jesus. Para isso, é necessário, acima de tudo, abrir os olhos. É essa a necessidade principal das comunidades cristãs em todos os tempos: abrir os olhos para ver como Jesus e reconhecer sua presença nos mais necessitados e humildades, e discernir quais projetos, de fato, estão em sintonia com o Evangelho.

Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

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http://porcausadeumcertoreino.blogspot.com/2018/10/reflexao-para-o-xxx-domingo-do-tempo.html

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AMBIENTE – Dehonianos

O Evangelho deste domingo propõe-nos a última etapa desse caminho (geográfico, mas também espiritual) que Jesus iniciou com os discípulos na Galileia e que irá levá- 1’0 a Jerusalém, ao encontro da paixão, morte e ressurreição. É a última cena de um percurso que não tem sido fácil e no qual os discípulos, como cegos, se aferram às suas ideias e projectos próprios, recusando-se a entender e a aceitar que o caminho do Reino deva passar pela cruz e pelo dom da vida.
O episódio que hoje nos é proposto situa-nos à saída da cidade de Jericó. Jericó, a “cidade das Palmeiras”, é um oásis situado na margem do rio Jordão, a norte do Mar Morto, e que dista cerca de 30 quilómetros de Jerusalém. Na época de Jesus, era uma cidade relativamente importante, onde Herodes, o Grande, tinha edificado um luxuoso palácio de Inverno.
Além de Jesus, Marcos coloca no centro da cena um mendigo cego com o nome de Bartimeu (“filho de Timeu”). Este nome, meio aramaico (“bar”) e meio grego (“timaios”), é um nome perfeitamente inusual no ambiente hebraico-palestinense onde a história é situada (nunca aparece entre os cerca de 2.000 nomes próprios que ocorrem no Antigo Testamento); aos leitores romanos de Marcos, contudo, o nome devia evocar o “Timeo”, um dos mais conhecidos “diálogos” de Platão. Alguns autores pensam que, mais do que um personagem histórico, o cego Bartimeu seria uma figura simbólica.

Os “cegos” faziam parte do grupo dos excluídos da sociedade palestina de então. As deficiências físicas eram consideradas – pela teologia oficial – como resultado do pecado. Segundo a concepção da época, Deus castigava de acordo com a gravidade da culpa. A cegueira era considerada o resultado de um pecado especialmente grave: uma doença que impedisse o homem de estudar a Lei era considerada uma maldição de Deus por excelência. Pela sua condição de impureza notória, os cegos eram impedidos de servir de testemunhas no tribunal e de participar nas cerimónias religiosas no Templo.

MENSAGEM

É natural que Jesus tenha encontrado, quando saía de Jericó, um cego que mendigava junto da estrada… No entanto, parece claro que, à volta desse acontecimento fundamental, Marcos construiu uma catequese para os seus leitores. Quem é, na catequese de Marcos, este “cego” que Jesus encontra ao longo do caminho, quando se dirige para Jerusalém? Ele representa todos esses a quem a teologia oficial considerava pecadores, malditos, impuros, marginais, longe de Deus e da sua proposta de salvação.
O cego da nossa história está sentado à beira do caminho, provavelmente a pedir esmola. O estar sentado significa acomodação, instalação, conformismo. Ele está privado da luz e da liberdade e está conformado com a sua triste situação, sabendo que, por si só, é incapaz de sair dela. O pedir esmola (o texto refere explicitamente a sua condição de mendigo – verso 46) indica a situação de escravidão e de dependência em que o homem se encontra.
Contudo, a passagem de Jesus de Nazaré dá ao cego a consciência da sua situação de miséria, de dependência, de escravidão. Então, Bartimeu percebe o sem sentido da sua situação e sente a vontade de apostar numa outra experiência. A passagem de Jesus na vida de alguém é sempre um momento de tomada de consciência, de questionamento, de desafio, que leva a pôr em causa a vida velha e a sentir o imperativo de ir mais além … No entanto, Bartimeu está consciente da sua debilidade e sente que, sem a ajuda de Jesus, continuará envolvido pelas trevas da dependência, da escravidão, da instalação … Por isso, pede: “Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim” (vers. 47). O título “filho de David” é um título messiânico. Portanto, Bartimeu vê em Jesus esse Messias libertador que, segundo a mentalidade judaica, havia de vir não só para salvar Israel dos opressores, mas também para dar vida em plenitude a cada membro do Povo de Deus.
Antes de referir a intervenção de Jesus, Marcos dá conta da reacção dos que estão à volta de Jesus: repreendiam o cego e queriam fazê-lo calar (vers. 48). Quando alguém encontra Jesus e resolve deixar a vida antiga para aderir ao Reino que Jesus veio propor, encontra sempre resistências (que vêm, por vezes, dos familiares, dos amigos, dos colegas). Estes que repreendem e mandam calar o cego representam, portanto, todos aqueles que colocam obstáculos a quem quer deixar a sua situação de miséria e de escravidão para aderir à proposta libertadora que Cristo faz. No entanto, a oposição não só não desarma o cego, como o leva a gritar ainda mais forte: “filho de David, tem misericórdia de mim” … A incompreensão ou a oposição dos homens nunca fazem desistir aquele que viu Jesus passar e que viu n’Ele uma proposta de vida e de liberdade.
Jesus parou e mandou chamar o cego. A cena recorda-nos os relatos do chamamento dos discípulos (cf. Mc 1,16-20; 2,14; 3,13). Os mediadores que transmitem ao cego as palavras de Jesus dizem-lhe: “coragem, levanta-te que Ele chama-te” (vers. 49). Ou seja: deixa a tua situação de miséria, de escravidão e de dependência, porque Jesus chama-te. O chamamento é sempre, nestes casos, a tornar-se discípulo, a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida.

Em resposta, o cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus (vers. 50). A capa podia estar colocada debaixo do cego, como almofada, ou nos seus joelhos, para recolher as moedas que lhe atiravam; em qualquer caso, a capa é tudo o que um mendigo possui, a única coisa de que ele pode separar-se (outros deixaram o barco, as redes ou a banca onde recolhiam impostos). O deitar fora a capa significa, portanto, o deixar tudo o que se possui para ir ao encontro de Jesus. É um corte radical com o passado, com a vida velha, com a anterior situação, com tudo aquilo em que se apostou anteriormente, a fim de começar uma vida nova ao lado de Jesus.
Jesus perguntou ao cego: “que queres que te faça?”. É a mesma pergunta que, pouco antes, Jesus fizera a João e Tiago (cf. Mc 10,36). A identidade da pergunta acentua, contudo, a diferença da resposta … Os dois irmãos queriam sentar-se ao lado de Jesus e ver concretizados os seus sonhos de grandeza e de poder; o cego Bartimeu, ao contrário, cansado de estar sentado numa vida de escravidão e de cegueira, quer encontrar a luz para seguir Jesus (vers. 51).
Jesus responde a Bartimeu: “vai, a tua fé te salvou” (vers. 52). A fé não é a simples adesão a determinadas verdades abstractas, que o crente aceita acriticamente; mas, no contexto neo-testamentário, a fé é a adesão a Jesus e à sua proposta de salvação. Por isso, Marcos termina a sua história dizendo que o cego recuperou a vista e seguiu Jesus – isto é, fez-se discípulo de Jesus. Ao aderir a Jesus e à sua proposta de salvação, ao aceitar seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida (Jesus prepara-Se para entrar em Jerusalém, onde vai fazer dom da sua vida em favor dos homens), Bartimeu encontrou a salvação: deixou a vida da escuridão, da escravidão, da dependência em que estava e nasceu para essa vida verdadeira e eterna que, através de Jesus, Deus oferece aos homens.
O cego Bartimeu que encontráramos a mendigar, sentado à beira do caminho, à saída de Jericó representava, inicialmente, os pecadores que viviam longe de Deus e à margem da salvação. Depois de encontrar Jesus, Bartimeu transforma-se e torna-se o protótipo do verdadeiro discípulo … Destinatário privilegiado da proposta de salvação que Jesus traz, ele proclama sem hesitações a sua fé, invoca a ajuda e a misericórdia de Jesus, acolhe sem hesitações o chamamento que lhe é feito, liberta-se da vida velha e, com alegria, decisão e entusiasmo, aceita, sem condições, seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida. É com Bartimeu que os discípulos de Jesus são convidados a identificar-se.

ACTUALIZAÇÃO

• A situação inicial do cego Bartimeu (que jaz na escuridão, dependente, acomodado, conformado) evoca uma realidade que conhecemos bem … Evoca a condição do homem escravo, prisioneiro do egoísmo, do orgulho, dos bens materiais, da preguiça, da vaidade, do êxito; evoca a condição daquele que está acomodado na sua situação de miséria, instalado nos seus preconceitos e projectos pessoais, conformado com uma vida de horizontes limitados; evoca a condição daquele que se sente refém dos seus vícios, hábitos e paixões e que sente a sua incapacidade em romper, por si só, as cadeias que o impedem de ser livre… Esta situação será uma situação insuperável, a que o homem está condenado de forma permanente?
• A Palavra de Deus que nos é proposta garante-nos que a situação do homem cego, prisioneiro da escuridão, não é uma situação incontornável, obrigatória, sem remédio … Jesus veio ao mundo, enviado pelo Pai, com uma proposta de libertação destinada a todos aqueles que procuram a luz e a vida verdadeira. Esse Jesus de Nazaré que Se cruzou com o cego à saída de Jericó continua a cruzar-Se hoje, de forma continuada, com cada homem e com cada mulher nos caminhos da vida e oferece-lhes, sem cessar, a proposta libertadora de Deus … É preciso, no entanto, que não nos fechemos no nosso egoísmo e na nossa auto-suficiência, surdos e cegos aos apelos de Deus; é preciso que as nossas preocupações com os valores efémeros não nos distraiam do essencial; é preciso que aprendamos a reconhecer os desafios de Deus nesses acontecimentos banais com que, tantas vezes, Deus nos interpela e questiona …
• O que é que implica aceitar a proposta que Jesus faz? Fundamentalmente implica – como aconteceu com Bartimeu – tornar-se discípulo … Ser discípulo de Jesus é aderir à sua pessoa, acolher os seus valores, viver na obediência aos projectos do Pai, fazer da vida um dom de amor aos irmãos; é solidarizar-se com os pequenos, com os pobres, com os perseguidos, com os marginalizados e lutar por um mundo onde todos sejam acolhidos como filhos de Deus, iguais em direitos e em dignidade; é lutar contra as estruturas que geram injustiça, opressão e morte; é ser testemunha, com palavras e com gestos, da verdade, da justiça, da paz, da reconciliação. Quem aceita seguir o caminho do discípulo escolhe viver na luz e está a contribuir para a construção de um mundo novo.
• Quando reconhecemos o “chamamento” de Deus, qual deve ser a nossa resposta?
Bartimeu, logo que ouviu dizer que Jesus o chamava, atirou fora a sua capa e correu ao encontro de Jesus. O gesto de Bartimeu representa, aqui, a renúncia imediata à vida antiga, ao egoísmo, ao comodismo, à escravidão, aos comportamentos incompatíveis com a adesão a Cristo e a esse caminho novo que Jesus o convida a percorrer. É isso, também, que é pedido a todos aqueles a quem Jesus chama à vida nova …
• Na história do encontro de Bartimeu com Cristo, aparecem outros personagens, com papéis vários. Uns constituem obstáculos à adesão de Bartimeu a Cristo; outros apresentam-se como intermediários entre Cristo e Bartimeu e transmitem ao cego as palavras de Jesus… Este facto serve para nos tornar conscientes do papel daqueles que nos rodeiam no nosso caminho da fé … Ao longo da nossa caminhada, encontraremos sempre pessoas que nos ajudam a ir ao encontro de Cristo e pessoas que (muitas vezes com óptimas intenções) tentam impedir-nos de encontrar Cristo. Precisamos de aprender a discernir entre as várias opiniões que nos são propostas e a dar a devida importância a quem nos ajuda a descobrir o caminho para a verdadeira vida.
• Quem encontra Cristo e aceita o desafio para viver como discípulo tem, a partir daí, um caminho fácil? De forma nenhuma. Tem de abandonar a vida cómoda e instalada em que vivia e enfrentar uma nova realidade, num desafio permanente, num questionamento constante; tem de aprender a enfrentar as críticas, as incompreensões, os confrontos com aqueles que não compreendem a sua opção; tem de percorrer, dia a dia, o difícil caminho do amor, do serviço, da entrega, do dom da vida … É preciso, no entanto, que o discípulo esteja consciente de que o caminho de Jesus não é um caminho que leva à morte, mas é um caminho que leva à ressurreição, à vida verdadeira e eterna.

http://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=2270

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30º Domingo do Tempo Comum – Ano B

EVANGELHO – Marcos 10,46-52

NO PROJETO DE JESUS, O HUMILDE É QUE SE SALVA

** 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – Ano B - Dehonianos

** 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Revista Pastoral – Rita Maria Gomes, nj

** COM OLHOS NOVOS - José Antonio Pagola

** JESUS ABRE OS OLHOS A QUEM PROCURA VER - Franciscanos – Pe Johan Konings sj

** BUSCANDO NOVAS ÁGUAS - Pe Antônio Geraldo dalla Costa

** BUSCANDO NOVAS AGUAS - Vídeos no YouTube –  Pe Antôn Geraldo dalla Costa

** TECENDO OLHARES - Pe. Adroaldo Palaoro sj

** REFLEXÃO PARA O XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM – MARCOS 10,46-52 (ANO B) -  

** UM OLHAR DE FÉ - Marcel Domergue

** CORAGEM! LEVANTE-TE, JESUS TE CHAMA - Ana Maria Casarotti

** CAMINHAR COM OS OLHOS ABERTOS - Raimond Gravel

** O REINO DE DEUS E AS TENTACOES-EXPLICADAS - em PDF

** O REINO DE DEUS E AS TENTACOES-gráfico

 

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