Mc 13, 1-4 – DESTRUIÇÃO DO TEMPLO

MARCOS CAP. 13

DESTRUIÇÃO DO TEMPLO

(Mt 24, 1-3; Lc 21, 5-7)

 

13,1 Quando saiu do Templo(6/10), um discípulo(35/42) comentou:

MESTRE(11/12), olha que pedras e que construções!”

2 Jesus(61/80) respondeu:

“Você está vendo essas grandes construções?

Não ficará pedra sobre pedra; tudo será destruído.”

3  Estava sentado no monte(o;roj) das Oliveiras,

de frente para o Templo(7/10).

Então Pedro, Tiago, João e André lhe disseram em particular:

4            “Dize-nos, quando vai acontecer isso,

e qual será o sinal de que todas essas coisas

estarão para acontecer?”

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BP:* 13,1-8: Jesus anuncia a destruição do Templo de Jerusalém, acontecida no ano 70, e as batalhas que se verificaram entre os anos 66 e 70. O Templo era o símbolo da relação de Deus com o povo escolhido. Jesus salienta que o fim de uma instituição não significa o fim do mundo e nem o fim da relação entre Deus e os homens.

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Um novo “lugar” para encontrar Deus

José María Castillo - Teólogo católico espanhol

Pode-se duvidar, razoavelmente, se Jesus anunciou a destruição do Templo ou se, antes, o que ocorreu é que, após o ano 70 (quando as legiões do imperador Tito entraram e saquearam Jerusalém e destruíram o Templo), o redator do evangelho de Lucas colocou na boca de Jesus esta profecia.
Seja o que for, é indiscutível que Jesus enfrentou de tal maneira o Templo, que, não somente disse que ele havia se convertido em covil de ladrões, mas que, além disso, a denúncia do Templo foi a acusação que fizeram a Jesus no julgamento religioso. E, por isso, zombaram de Jesus quando estava na cruz.
Tendo tantas razões, quanto eles tinham, para denunciar Jesus, os sumos sacerdotes e doutores da Lei apenas alegaram, nos momentos supremos, para humilhar e condenar Jesus, o tema do Templo. Sem dúvida, os dirigentes religiosos viram nisso o ataque mais perigoso contra a religião e contra eles mesmos.
Tudo isso é compreensível. Por que o Templo é o centro da religião. O judaísmo tinha a firme convicção de que Deus está presente no Templo. Por isso, falar da destruição do Templo é falar da destruição da religião. Era a coisa mais dura que se podia dizer a um bom israelita.
Na realidade, o que Jesus anunciou não foi a «destruição» da religião, mas a «transformação» da religião. A partir de Jesus, a «mediação» para encontrar Deus não é a boa relação com o Templo, mas a boa relação com os demais seres humanos. Uma colocação que as religiões não toleram. Porque isso seria seu final e sua liquidação.
Por isso, haverá sempre violência, perseguições e morte contra aqueles que anunciam uma mudança tão radical na religiosidade, isto é, na forma de encontrar Deus. É claro que os dirigentes religiosos elogiam sempre as boas relações com os outros, porém desde que a relação com o Templo seja o mais importante e decisivo, aquilo que se sobrepõe a todo o resto. Isto é o que Jesus não pôde tolerar.

 

DÊ TESTEMUNHO - Júlio Lázaro Torma
                            ” porque eu vos darei palavras tão acertadas”
                                                                 ( Lc 21;15)
   Neste final de semana, o Espírito Santo nos convida em nossas comunidades cristãs a ouvir. O outro recado para nossa orientação Jesus Cristo vai nos dar no Evangelho de Lucas.
     Onde Jesus está em Jerusalém diante da beleza arquitetônica do Templo.Alguns dias antes de sua entrega, paixão e morte na cruz.
     Jesus usa uma linguagem apocalíptica resgatando o gênero literário usado pelo profeta Daniel e Malaquias. Gênero literário este tão presente na cultura semita no primeiro século da era cristã.
     Quando escutamos falar em apocalipse nos vem a imagem do caos, de terror, medo, mas ele pelo contrário nos transmite esperança num futuro melhor.
     Quando Lucas escreveu o seu evangelho, Jerusalém e o Templo que era sinal de referência para o Judaísmo e a incipiente comunidade cristã, já haviam desaparecido e as pessoas estavam perdidas, desnorteadas, com medo, a esperança havia cedido espaço a desesperança e a descrença.
     Os grupos judaicos que haviam se unidos na luta contra a dominação romana na grande revolta judaica ( 66-73 d.C), esmagada pelo jovem general romano Tito Flávio Vespasiano Augusto ( 39-81 d.C). As comunidades cristãs foram perseguidas pelos grupos político-religiosos judaicos por não se somarem aos grupos sediciosos na luta nacionalista israelita contra as hordas romanas.
    Diante deste quadro apavorante de perseguição e medo o evangelista imagina um cenário caótico.
     Jesus e seus discípulos acreditavam que Deus estava preparando uma intervenção decisiva na história humana. Jesus apareceria em glória para recompensar os pobres, os pacíficos, misericordiosos,os justos e punir com severidade os pecadores, os ricos e poderosos.
     Prenúncios desse julgamento aparecem no livro do Apocalipse e em algumas partes dos evangelhos que os estudiosos ” chamam de Apocalipse Sinótico” ( Mt 24;1-25; Mc 13,1-37; Lc 21,1-36).
     Cada uma dessas passagens fala das necessidades de uma comunidade específica.
      No Apocalipse, a mensagem é: ” Espere! Estou chegando em breve!”. Nas comunidades de Marcos a mensagem é ” Vigiai” ( Mc 13,37). E em Mateus e Lucas a mensagem é ” Fiqueis preparados, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora!” ( Mt 25,13).
    Eis que para preparar-se para a chegada eminente do Senhor, as comunidades, deveriam fazer alguns critérios. Para as comunidades mateanas, estava relacionados a vivencia das obras de misericórdia como alimentar os famintos, dar de beber a quem tem sede, acolher o (i) migrante, vestir os nus e visitar os doentes e encarcerados.” Em verdade eu vos digo todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequenos, foi a mim mesmo que o fizestes” ( Mt 25;40).
    Para Lucas o desafio para as comunidades é evangelizar, não ficar parado, paralisado por causa das perseguições em que virão sobre os discípulos de Jesus e de quem adere a sua missão e projeto de vida.
     Que poderá acarretar serias conseqüências á quem se poe a viver a proposta de Jesus: ” Antes porém que estas coisas acontecem, sereis perseguidos, presos, sereis entregues as sinagogas e postos nas prisões, sereis levados diante de reis e governadores por causa de meu nome” ( Lc 21,12).
    Ele usa os fenômenos que estão acontecendo como ” terremotos, fomes, pestes, guerras, revoluções, povo contra povo”, que sempre aconteceram na humanidade para anunciar o fim do mundo.Que sempre existiu estes desastres naturais e sociais na história da humanidade.
    Diante de perseguições, de violência é normal sempre nos perguntarmos;”quando o mundo vai acabar?”, ” quando este sofrimento vai acabar?” e porque ” Deus não interfere na humanidade e no seu percurso histórico?”.
    Estas eram as indagações das comunidades cristãs perseguidas. Lucas pega as palavras de Jesus para lembrar que a perseguição sofrida já foi prevista pelo Mestre.
     O evangelho mostra que as perseguições e oposição fazem parte do caminho de todos aqueles que se propõem ser fiéis discípulos de Jesus.
    De que devemos ter esperança e fé sempre, mesmo no meio da perseguição Deus vai nos dar forças e palavras para podermos enfrentar as dificuldades lançadas pelos perseguidores e que este sofrimento um dia irá passar não devemos nunca perder a esperança e a fé.
      Quando Jesus fala em fim do mundo, não ” do” mundo, mas ” de um” mundo baseado em estruturas injustas e na busca do poder. Um mundo que vai acabando á medida que construímos novas relações entre nós: relações de justiça, solidariedade, serviço e gratuidade.
     E se este mundo acabará, é fundamental seguir acreditando que o mundo novo do reinado de Deus se tornará pleno. E continuara agindo ” para que toda a humanidade se abra á esperança de um mundo novo”, como rezamos na missa.
     Estamos aqui a caminho. Um caminho de fé nos passos do Mestre, que nos da forças para fazer surgir um mundo diferente e fraterno. Fiéis a Jesus, vamos dando fim ao mundo de injustiça, vivendo já a construção de um mundo renovado, para, enfim ganhar de presente o mundo da plenitude de Deus.
                  Lc 21,5-19
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Enviado por: julholazaro torma <jltorma@yahoo.com.br>

 

 

 

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