REFLEXÕES LITÚRGICAS de Pe Gilvan

 REFLEXÕES de Pe. Gilvan  Leite  de  Araujo

 

13o Domingo do Tempo Comum

O capítulo 10 de Mateus apresenta o discurso missionário. Na liturgia, este capítulo é apresentado respectivamente na 11a, 12a e 13a semana do Tempo Comum. Portanto, estamos refletindo a terceira parte. Na primeira parte (Mt 10,1-8: 11o Domingo do TC) Jesus nomeia os 12 Apóstolos, estabelecendo vínculo entre a sua missão e a missão da Igreja após a sua ressurreição (cf. Mt 28,16-20). Na segunda parte (Mt 10,26-33: 12o Domingo do TC) Jesus alerta os discípulos para os desafios da missão e para as perseguições que enfrentaram, mas que estarão seguros nas mãos de Deus, portanto, não temer. O maior desafio se apresenta na liturgia de hoje (Mt 10,37-42: 13o Domingo do TC), ou seja, o seguimento exige opção radical, não existe meio termo. disto deriva a ideia de martírio, não como consequência (derramamento de sangue), mas como opção radical. Lógico que opção radical não significa, em hipótese alguma, fundamentalismo, mas plena entrega à missão por causa do Senhor. Tal radicalidade implica até laços de família, que exigirá difícil escolha. Mas a generosidade no optar pelo seguimento resultará na sua recompensa. Além disso, quem fizer a opção radical pelo seguimento se tornará “um homem de Deus”, motivo pelo qual, quem o receber, receberá o próprio Deus em sua casa (pôde-se ilustrar a narrativa Lucana, quando Isabel recebe Maria em sua casa). Está última parte é ilustrada pela 1a Leitura de hoje (2Rs 4,8-11.14-16a), quando um bondoso casal de Sunam recebe Eliseu em sua casa de forma bondosa e desprendida. Apenas o recebe por ser um “santo homem de Deus” e lhe oferece abrigo e proteção. No Quarto Evangelho, as narrativas dos irmãos Lázaro, Marta e Maria (Jo 11-12) possuem a mesma configuração. Os dois casos apresentam a bondade de receber despretensiosamente “um homem de Deus”, o que resultará num gesto de bondade por parte dos próprio Deus. A segunda leitura (Rm 6,3-4.8-11) descreve a essência do seguidor. Este vive a “radicalidade batismal”, no qual renuncia a tudo, para ser todo de Deus, que Paulo descreve em termos de rompimento com o Diabo e plena aceitação por Deus. Paulo, em Rm 6, apresenta um paralelismo antagônico entre a opção por Deus ou pelo Diabo, e tal opção implica em colocar o corpo/membros como instrumentos/armas para a graça ou para o pecado, cujo resultado será a vida eterna ou a morte eterna. Tal radicalidade de opção ilustra a narrativa do Evangelho, no qual aquele que deseja seguir o Cristo deverá fazer uma opção fundamental e tudo mais (família e bens) virá como acréscimo. Quem optar pelo /senhor se tornará “um santo homem de Deus” e quem o receber, como no caso do casal de Sunam, cuja riqueza era fruto de justiça colocado a serviço dos outros (façamos um quarto), receberá o próprio Deus em sua casa, junto com suas bençãos: “no próximo ano terás um filho nos braços”. (P. Gilvan) Louvado seja NSr Jesus Cristo.

 

Solenidade de Pentecostes

Evangelho: Jo 20,19-23
Primeira Leitura: At 2,1-11
Segunda Leitura: 1Cor 12,3b-7. 12-13
Salmo: 104,1ab+24ac. 29bc-30. 31+34 (R. 30)

Sobre a solenidade de hoje vamos fazer sete reflexões:
1. Por quem foi enviado?
2. Quantos modos?
3. Quando foi enviado?
4. Quantas vezes foi enviado?
5. Sobre quem foi enviado?
6. Por que foi enviado?
7. Por qual meio foi enviado?

Primeira meditação.

Sobre por quem foi enviado? O Evangelho de João nos diz, que foi enviado pelo Pai: “O Paracleto, que é o Espírito Santo, será mandato pelo Pai em meu Nome” (Jo 14). Também por Jesus: “Eu o enviarei a vocês” (Jo 16).

O enviado recebe três coisas:

  • sua condição (tal como um raio enviado pelo sol);
  • sua força (tal como a flexão disparada pelo arqueiro);
  • e sua autoridade (tal como o mensageiro enviado pelo seu superior).

O Espírito é enviado, assim, pelo Pai e pelo Filho, nos quais residem a condição, a força e a autoridade. Contudo, o próprio Espírito Santo também se deu e se enviou, como afirma Jo 16 dizendo: “Quando o Espírito da verdade tiver vindo”.

Além do mais, visto que o Espírito Santo é Deus, pode-se dizer que ele se dá a si mesmo. A este sentido Sto. Ambrósio diz: “A glória de sua divindade é manifestamente provada por quatro meios: sabe-se que ele é Deus, ou por não ter pecado, ou porque perdoa o pecado, ou porque não é uma criatura, mas sim Criador, ou, enfim, porque não adora, mas é adorado”.

Santo Agostinho diz que Deus nos deu tudo o que tem: deu seu Filho, como preço de nossa redenção, o Espírito Santo como privilégio de nossa adoção e reservou a si mesmo, por inteiro, como herança da nossa adoção.

O Filho também nos deu tudo o que possuía, conforme diz São Bernardo: “Ele é pastor, pasto e redenção. Ele nos deu sua alma como resgate, seu sangue como bebida, sua carne como alimento e sua divindade como recompensa. Da mesma forma, o Espírito Santo gratificou-nos com todos os dons e nos dá a si mesmo como Dom inefável.

Segunda meditação.

Sobre quanta maneiras o Espírito foi enviado. São Bernardo diz que ele se mostrou sob cinco formas: a) forma de pomba, como encontra-se no relato do batismo do Senhor (Lc 3); sob forma de uma nuvem luminosa, no momento da transfiguração (Mt 16); sob forma de um sopro: Jesus soprou e disse: recebei o Espírito Santo… (Jo 20); sob forma de fogo e sob a forma de língua (as duas últimas, como encontra-se em Atos 2).

O Espírito Santo enviado sob forma de pomba, evoca que esta geme em vez de cantar, ora o Espírito Santo ao penetrar em nossos corações, nos faz gemer diante dos nossos pecados como afirma Is 59: “suspiramos como pombas” e a Epístola aos Romanos, no qual o Apóstolo diz que o Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis (Rm 8). Como nuvem para nos refrescar e dar-nos água e como real presença de Deus. Além do mais, quando a água da chuva penetra o solo, faz germinar todas as plantas, o Espírito quando derrama seus dons sobre nós faz germinar coisas inefáveis de nossos corações.

Terceira Meditação.

Quanto ao momento o qual foi enviado. Sabemos que foi 50 dias após a Ressurreição do Senhor, para demonstrar que do Espírito Santo vem a perfeição da Lei, a recompensa eterna e a emissão dos pecados. Assim como a primeira Lei foi dada após 50 dias da saída do Egito, a nova Lei foi dada após o homem se tornar livre da morte e do pecado pela ressurreição de Jesus. Além do mais, está nova Lei é perfeita e eterna. A primeira Lei foi dada no monte Sinai e a segunda, no Monte Sião. A primeira Lei foi dada no pico da montanha, a segunda no cenáculo. A primeira Lei foi dada à Moisés, a segunda aos Apóstolos. A primeira Lei eram regras a serem observadas, a segunda Lei foi inscrita nos nossos corações por meio do Espírito Santo, por isso, é a Lei do amor.

Quarta Meditação.

Quantas vezes foi dada? Três vezes:

  • antes da paixão,
  • após a ressurreição e
  • depois da ascensão.
  •   A primeira vez, para permitir fazer milagres (Jo 19),
  •    a segunda vez, para remir os pecados (Jo 20) e
  •    a terceira vez para nos enviar em missão (At 2).

Quinta Meditação.

Sobre quem foi enviado? Trata-se dos discípulos que por qualidades eram ambientes puros e preparados para receber o Espírito Santo.

  • Primeira qualidade: tinham paz de espírito. Profeta Isaías diz: “sobre quem repousará meu espírito. Sobre os humildes e pacíficos” (Is 32,15-18; 57,15).
  • Segunda qualidade: eram unidos nos laços do amor.
  • Terceira Qualidade: estavam em lugar a parte, reservado, como diz profeta Oseias: “eu o conduzirei na solidão e lhe falarei ao coração” (Os 2).
  • Quarta qualidade. Eram assíduos a oração. Para receber o Espírito Santo é necessário estar em oração, como diz o livro da Sabedoria: Invoquei e o espírito da sabedoria veio sobre mim” (Sb 7) e Jesus: “Pedirei ao meu Pai que vos envie outro Paracleto” (Jo 14).
  • Quinta qualidade. Eram dotados de humildade: “meu espírito repousará sobre os humildes”.
  • Sexta qualidade. Estavam em paz. Quando Jesus ressuscita, saúda os apóstolos dizendo: “a paz esteja convosco e em seguida soprou sobre dizendo: recebei o Espírito Santo” (Jo 20).
  • Sétima qualidade. Eram elevados em contemplação pelo fato de terem recebidos o Espírito Santo.

Sexta Meditação.

Por que foi enviado? Sobre isto existem seis causas:

  1.  Foi enviado para consolar;
  2.  Para ressuscitar dos mortos;
  3.  Para santificar;
  4.  Para consolidar no amor;
  5.  Para salvar os justos;
  6.  Para instruir os corações.

Sétima meditação.

Por qual meio foi enviado? Por três meios:

  1. Por meio da oração;
  2. Por meio da escuta da palavra do Senhor;
  3. Por meio da caridade. Os apóstolos eram unânimes na oração, na escuta da palavra e na caridade.

O Espírito Santo foi enviado como línguas de fogo, porque o fogo está sempre em movimento (assim quem está repleto do Espírito Santo está sempre em ação para fazer o bem); o fogo é o que menos pertence à matéria e está sempre mudando de forma; o fogo abate o que eleva, tende a se elevar, reúne e congrega fluidos. O fogo manifesta assim a força do amor, como diz Dionísio: ele tem uma força inclinadora, uma elevadora é uma coordenadora. A inclinadora traz as coisas superiores ao plano inferior; a elevadora eleva as coisas inferiores às superiores, a coordenadora coloca no mesmo plano as coisas semelhantes.

Louvado seja N.Sr. Jesus Cristo!

 

Solenidade da Ascensão do Senhor

24/05/2020

Evangelho: Mt 28,16-20
Primeira Leitura: At 1,1-11
Sl 47,2-3.6-7.8-9 (R.6)
Segunda Leitura: Ef 1,17-23

A Solenidade da Ascensão do Senhor, desde o princípio da Igreja celebrada como a “Quadragésima”, entra para o calendário litúrgico por volta do séc. IV d.C. A ideia da Solenidade da Quadragésima está vinculada à 1a Leitura de hoje: “foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois da sua paixão… durante quarenta dias…” (At 1,3). A Quadragésima criava o vínculo com a “Quinquagésima” (= Pentecostes) na qual a Igreja celebra a Descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. A partir deste contexto se deve levar em consideração que a liturgia cristã estabelece uma ponte entre Domingo de Páscoa e Domingo de Pentecostes (=início e conclusão do tempo Pascal). Contudo, no Evangelho de hoje, Jesus estabelece uma condição: é preciso que o Ressuscitado “ascenda” aos céus para que o Espírito “desça”. Este movimento fica marcado pela Ascensão de Jesus e Domingo de Pentecostes.

Liturgicamente a solenidade de hoje sempre foi acompanhada pelos Salmos 46 e 47 que proclamam a realeza divina e sua ascensão ao toque de trombetas.

A particularidade da solenidade é sobre o local da ascensão através das discrepâncias das narrativas: na narrativa lucana, a ascensão ocorre na cidade de Betânia, nas proximidades de Jerusalém (Lc 24,50), enquanto na narrativa mateana, a ascensão ocorre na região da Galileia.

Independente do local da ascensão, as narrativas são concordes sobre a missão de anuncio, seguido de batismo em nome da Trindade que se deve propagar sobre toda a terra. Tal missão será guiada pela assistência do Espírito Santo a ser enviado após a sua ascensão.

Outra ideia que acompanha a solenidade de hoje é sobre o retorno do Senhor e a manifestação da sua Glória, o qual fica reservado única e exclusivamente ao Pai o “tempo” e a “hora”. Deste modo a Igreja jamais pode se prender sobre especulações apocalípticas de fim de mundo, mas estar atenta ao tempo presente com sua problemáticas e seus desafios, além de evitar qualquer tipo de angelismo abstrato. De fato, a missão e a preocupação da Igreja (Carta aos Hebreus) é com a pessoa humana (At 1,10: “homens da Galiléia, por que ficais aqui parados…”).

Uma curiosidade: o estar sentado a direita do Pai (cf. Ef 1,20) provem da tradição da Babilônia e da Persia. O sistema de governo destes se dava através do chamado “Grande Conselho” no qual o “Grande Rei” presidia o conselho do demais reis. O estar sentado à direita indica igualdade de poder nas decisões e ações (cf. Ap 3,21; 4,2-4.10-11). Assim, a 2a Leitura de hoje descreve a majestade de Jesus à direita do Pai, ambos exercendo o domínio sobre todo o criado. Contudo, não se trata de poder de opressão, mas de cuidado.

No conjunto das leituras de hoje, a solenidade evoca a ideia de que Jesus é o “vencedor”, de onde provêm a ideia de Evangelho e Evangelizador, ou seja, anúncio de vitória. Tal vitória se estende sobre todos aqueles que abraçarem o Reino proposto por Deus, no qual Ele é o soberano Justo é Fiel. Além disso, o anúncio desta “esperança” (=vida eterna) será guiada pela Potência do Alto (= Espírito Santo).
O anúncio será da “Vitória” de Jesus e da Esperança para aqueles que abraçarem esta verdade.
Louvado seja N.Sr. Jesus Cristo!

Sexto  Domingo  da  Páscoa Ano  A

17/05/2020

1ª Leitura – At 8,5-8.14-17; 2ª Leitura – 1Pd 3,15-18; Evangelho – Jo 14,15-21

Neste domingo a Igreja se coloca em preparação da Ascensão de Jesus e da Descida do Espírito Santo, completando, assim, o Tempo Pascal.

A tônica da reflexão se encontra, ainda, na narrativa do Testamento de Jesus (Jo 13-17) e o acento recai sobre a Promessa do Espírito Santo, que virá como “Defensor” (=Paráclito). Algumas vezes descrito como consolador. Porém, não é uma tradução adequada para a perspectiva joanina. De fato, Jesus também é descrito como Paráclito (1Jo 2,1). Assim, tanto Jesus como o Espírito Santo assumem a função de “advogados de defesa” junto ao Pai, segundo as prerrogativas da Lei Judaica, enquanto o diabo assume a função de “advogado de acusação” (Cf. Ap 12,10). Em todo caso, Jesus e o Espírito Santo assumem a missão de defensores. Além disso, temos garantia, porque ambos são “verdade”, portanto a nossa causa está garantida por Jesus que é “Caminho, Verdade e Vida” (= Plenitude da Lei) e do Espírito que também é apresentado como verdade (= Plenitude da Lei).

Para entrar neste “mistério” a condição é a vivencia da “Lei Régia”, ou seja, “Amar à Deus e ao Próximo”,

Como fieis observadores da Lei Régia, estamos “prontos para dar razão da nossa esperança” (cf. 1Pd 3,15-18) porque o nosso testemunho se pauta pela retidão.
Mas qual é a razão da nossa esperança? A resposta é objetiva: “Cristo Ressuscitou e nós somos testemunhas… e se Ele Ressuscitou, também nós ressuscitaremos”. Este é o centro e a razão da nossa esperança.

Outra particularidade da liturgia de hoje é a descida do Espírito Santo, ou seja, algumas narrativas do Atos do Apóstolos apresentam o Espírito Santo que desce antes do batismo (cf. At 15) outras vezes após o batismo, como na narrativa da 1a Leitura de hoje (At 8). A partir disto podemos compreender a configuração de dois sacramentos da Igreja: do batismo e do crisma.

Em todo caso, a vivencia destes dois sacramentos permite ao mundo criar esperança, aonde ela não existe e contemplar a “grande alegria naquela cidade” (At 8,8)
Louvado seja N.S. Jesus Cristo!

Quinto  Domingo  da  Páscoa Ano  A

10/05/2020

I leitura: At 6,1-7; II leitura: 1Pd 2,4-9; Evangelho: Jo 14,1-12

A liturgia deste quinto domingo da Páscoa nos apresenta os primeiros desafios pastorais encontrados pelas comunidades cristãs como fruto da sua atividade missionária.

A 1a Leitura (At 6,1-7) apresenta a Igreja Primitiva diante de um novo desafio, de cunho pastoral, ou seja, o atendimento das viúvas de origens distintas (hebraica e grega). A solução, sempre segundo o Espírito Santo, foi designar um grupo particular para tal atendimento. Esta dinâmica já havíamos encontrado no caminho do deserto, quando Deus pede a Moisés que escolha um grupo que o ajude na tarefa de organizar o povo pelo deserto. Em todo caso, na narrativa do Atos se encontra a flexibilidade pastoral da Igreja que deve se adequar ao tempo e ao lugar.

Mas de onde está surgindo esta dificuldade? A resposta se encontra na 1Pedro (2,4-9) que é um dos elementos centrais da novidade cristã. Israel sempre se considerara Povo Eleito, através do princípio de genealogia. Enquanto os demais povos e nações eram os “gentios”, os não eleito. Pedro une três características: raça, nação e povo. Não existe mais a separação, todos, enquanto filhos, são acolhidos pela fé
A novidade cristã é que o pertencer ao “novo” Povo Eleito não se dá mais pelo princípio de genealogia, mas pela Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, trata-se de uma adesão pessoal.

Novamente neste domingo outros traços cristológicos são apresentados, no caso dois:

  1. Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida;
  2. Eu e o Pai Somos UM.

No primeiro princípio cristológico, Jesus afirma que a Lei (Torá) que era princípio de unidade com Deus para o Povo da Antiga Aliança agora está na pessoa de Cristo (caminho, verdade, vida = Sl 1 e Sl 119), ou seja, Ele é a Plenitude da Lei. No segundo aspecto cristológico, Jesus expressa o Ser de Deus, ou seja, a unicidade trinitária (Deus é UM)

Finalmente a Fé em Cristo leva o discípulo para realizar obras maiores que o Mestre, ou seja, o discípulo deve superar o mestre na missão. Algo próprio do Evangelho de João ( enquanto Jesus recebe peixe pequeno, o discípulo pesca peixe grande e outros sinais).

Mas o desafio missionário é universal e a Igreja deve se adequar a este desafio com a ajuda do Espírito Santo.
Louvado seja N.S. Jesus Cristo.

Pe. Gilvan Leite de Araujo

 

Quarto  Domingo  da  Páscoa Ano  A

03/05/2020

I leitura: At 2,14a.36-41; II leitura: 1Pd 2,20b-25; Evangelho: Jo 10,1-10

Neste 4o Domingo da Páscoa o tema da Pregação continua, ligado ao tema do Testemunho, elemento vital para a eficácia missionária.

No Evangelho encontra-se a narrativa da Bom Pastor e da Porta. Os dois temas estão diretamente relacionados. A compreensão das ovelhas a serem pastoreadas se encontra em Jo 2,13-22. Na narrativa da purificação é apresentada o culto exploratório, no qual as vítimas do sacrifício não são os animais, mas o próprio povo que eram financeiramente enganados. Explico, na narrativa da purificação do Templo, quem não tem dinheiro não tem direito à Deus, ou as suas graças, e na Narrativa da Multiplicação dos Pães, quem não tem dinheiro não tem direito à vida, nas duas narrativas Jesus quebra tal sistema. As duas narrativas possuem sua plena compreensão no Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma ser a Porta e o Pastor.
Mas de onde Jesus trás a inspiração? Justamente da história da Guerra dos Macabeus. Nesta, os Sírios, liderados pela dinastia Selêucida, na figura da Antíoco IV Epífanas, ataca Judá (não entra pela porta) para explorar, distruir e discordar. O escândalo maior é que o Sumo-Sacerdote justo, Onias III será exilado e em seu lugar assumirão sucessivamente dois sacerdotes ímpios, cujo interesse tb é explorar (dinheiro e poder).

Isto continuará no tempo de Jesus no qual os sumos-sacerdotes adotam um sistema de exploração e exclusão, conforme citado acima. Na 1Pedro, ele narra que o seguidor de Jesus deve ser modelo, caso contrário será motivo de escândalo e condenação. Assim Pedro, em At 2, apresenta uma geração corrompida da qual aquele que segue o Senhor deve ser o modelo de retidão, assim como foi a família macabaica (1 e 2 Mc) que não se corrompeu, assim como foram os apóstolos que deixando tudo seguiram o Senhor no meio de um sociedade corrompida, na qual brilharam como luz.
Louvado seja N.S. Jesus Cristo
Pe. Gilvan Leite de Araujo

Segundo  Domingo  da  Páscoa Ano  A

19/04/2020

I leitura: At 2,42-47; II leitura: 1Pd 1,3-9; Evangelho: Jo 10,1-10

Queridas  e santas  famílias,

* Celebramos  neste  domingo  a  oitava  da  Páscoa  e  continuamos  com a  ideia  do  primeiro  dia  da  semana. Enquanto  primeiro  dia,  evoca  o  início  da  criação  e  o  início  da  nova criação  em  Cristo  Jesus. A  catequese  do  Tempo  Pascal  é  norteada  por  três  princípios  fundamentais  que compõem  a  vida  cristã:

  1. Anúncio
  2. Oração
  3. Diaconia

Na  primeira  leitura  (At  2,42-47)  estes  elementos  são  apresentados diretamente  e  serão  desenvolvidos  no  restante  do  tempo  Pascal.  De fato,  a  leitura  do  Livro  dos  Atos  dos  Apóstolos  nos  apresenta  o  fruto  do anúncio,  ou  seja,  a  conversão.  Mas  tal  eficácia  se  dá  justamente  por causa  dos  outros  dois  elementos  que  moderam  a  vida  cristã:

  • a  vida orante  (se  reunem  diariamente  no  Templo  e  nas  casas),  é  uma comunidade  que  vive em  intensa  vida  orante,  mesmo  diante  das provações,  como  nos  apresenta  a  segunda  leitura  (1Pd  1,39);
  • e  a  vida diaconal,  ou  seja,  é uma  comunidade  que vive intensamente  a  caridade sem  quadrar  a  quem.

Nestes  três  aspectos,  portanto,  se  moldam  a  vida  cristã,  que  será direcionada  pelas  virtudes  cristãs:  fé, esperança  e caridade  (1Cor  13). Mas  quem é o objeto  desta transformação e  do anúncio cristão? Os Evangelhos  (Jo  20,1931) nos  apresenta,  ou  seja : A pessoa  de  Cristo.

No  Quarto  Evangelho, diferente  dos  Sinóticos,  a  fé  se  dá  tanto  pelo anúncio  (escuta)  como  pelo  testemunho  direto  (ver),  ou  seja,  os apóstolos  e  primeiros  discípulos  e  discípulas  são  aqueles  que  viram  e ouviram  e, portanto, testemunham. No  Evangelho  de  hoje  nos  apresenta  a  dimensão  de  uma  Igreja orante,  reunião  dominical  e  Jesus  que  se  põe  junto  à  eles.  Tomé,  apesar da  sua  incredulidade  inicial  é  aquele que fará  a  maior  profissão  de  fé  do Novo  Testamento:

  • Meu Senhor  = meu  Iahweh  (Adonai)
  • Meu Deus  =meu  Elohim

Ou  seja, Tomé  identifica  Jesus  com  o  Deus  do  Antigo  Testamento,  ele  é Iahweh,  ele é  Elohim.

Após  a  profissão  de  fé  de  Tomé,  o  Quarto  Evangelho  faz  uma inversão: os  Apostólos foram  aqueles  que  chegaram  a  fé  por  meio  da visão,  estes,  agora,  serão  as  testemunhas  que  farão  outros  chegaram  a fé,  não  mais  por  meio  da  visão,  mas  pelo  anúncio  e  pelo  testemunho, que nos  remete ao  início  desta  reflexão.

Estamos  vivendo,  neste  momento,  a  mesma  experiência  dos Apóstolos,  estamos  às  portas  fechadas  por  causa  do  medo,  mas  o Senhor  se  faz  presente  e  nos  concede  o  Espírito  Santo, humanidade  e nos  aproximar  do  seu  Pai.

Louvado  seja  Nosso  Senhor  Jesus  Cristo

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Pe. Gilvan  Leite  de  Araujo :para curar  a Pós  Doutorado  em  Teologia  Bíblica  pela  Pontifícia Universidade  Gregoriana  de  Roma  (2017);  Mestrado  (2002)  e  Doutorado  (2007)  em Teologia  Bíblica  pela  Pontificia  Universidade  S.Tommaso  D’Aquino Coordenador  do Programa de Estud os  PósGraduados em Teologia da PUCRoma. SP.  Líder do  Grupo  de  Pesquisa  em  Literatura  Joanina LIJO.  Diretor  do  Instituto  Superior  em Filosofia  Sede  da  Sabedoria  da  Diocese  de  Osasco IFISS.

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