ZELOTAS

ZELOTAS ou ZELOTES

III. Grupos político-religiosos

Na sociedade do tempo de Jesus podemos distinguir vários grupos, que se diferenciam no modo de se relacionar com a política, economia e religião, e que têm grande importância no quadro social da época.

 4. Zelotas

Os zelotas se constituíram a partir dos fariseus. Provêm especialmente da classe dos pequenos camponeses e das camadas mais pobres da sociedade, massacrados por um sistema fiscal impiedoso. São muito religiosos e nacionalistas. Desejam expulsar os dominadores pagãos (romanos), e também são contrários ao governo de Herodes na Galiléia. Querem restaurar um Estado onde Deus é o único rei, representado por um descendente de Davi (messianismo). Nesse sentido, os zelotas são reformistas, isto é, pretendem restabelecer uma situação passada.

Enquanto os fariseus se mantêm numa atitude de resistência passiva, os zelotas partem para a luta armada. Por isso, as autoridades os consideram criminosos e terroristas, e são perseguidos pelo poder romano.

Entre os apóstolos de Jesus, provavelmente dois eram zelotas: Simão (Mc 3,19) e Judas Iscariotes. Simão Pedro parece adotar certos métodos dos zelotas.

http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_PV5.HTM

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JESUS E OS ZELOTES.

EDUARDO HOORNAERT – DEZEMBRO 1996

Uma questão que tem prejudicado muito a discussão acerca do caráter “terceiromundista” da figura de Jesus é a pretensa relação entre o movimento de Jesus e os dos assim chamados zelotes. Nos anos ‘60-’80 criou-se, nos estudos acerca das origens do cristianismo, uma forte polarização em torno da questão da violência e da não-violência.

Como na época os movimentos marxistas efetivamente estavam com o poder em diversos estados (Rússia, China, Cuba), e o tinham conquistado através da luta armada, houve assimilação entre movimentos populares e violência. Daí a ânsia em se apresentar um Jesus não-violento em oposição com movimentos camponeses “violentos, e especificamente em provocar um contraste entre Jesus e os assim chamados zelotes que teriam sido violentos típicos da época.

Ora, a questão dos zelotes é mal colocada desta forma, como já ressaltamos no nosso estudo “O Movimento de Jesus” (Vozes, 1994), e por um motivo muito simples: “Os zelotes, tais quais comumente aparecem nos estudos recentes, são uma elaboração acadêmica recente…Simplesmente não há provas de um movimento organizado que tivesse defendido a revolta armada contra Roma entre 6 e 66 d.C.”(Horsley, 1995, 9 e 10).

Para falar claramente: Jesus nunca lidou com zelotes pelo simples fato que o movimento não existia na época de sua vida ou pelo menos não aparece no nível dos textos. tudo indica que só emergiu no inverno de 67-68 d.C., ou seja no início da guerra judaica contra Roma que terminou tão dramaticamente com a destruição do Templo de Jerusalém pelos exércitos do Imperador Tito (ibidem, 18). E com isso podemos considerar essa discussão por encerrada e passar adiante, com a permissão do benevolente leitor.

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http://www.igrejanova.org.br/hispor.htm

FORMAÇÃO DO CRISTIANISMO VIII

Professor (e ex-padre) Eduardo Hoornaert,  desvenda a ideologia por trás da questões dos zelotas.

ZELOTES !

         Nos tempos do Novo Testamento, os Zelotes era uma seita judia que representava o extremo do fanatismo nacional.

O nome vem do tempo em que os Macabeus desde o lº e 2º século a.C. até à queda da fortaleza de Masada na primavera de 73 foram impelidos por um fanatismo nacional.

Considerando-se a si mesmos os enviados de Deus para libertarem a sua nação da opressão exterior, sob o lema de “Não o governador mas a Lei”, “Não o rei mas Deus”, tornaram-se cada vez mais violentos na resistência contra as forças ocupantes de Roma e do seu povo que simpatizava com o Helenismo.

A sua crença no messianismo do Antigo Testamento estava inteiramente limitada à recuperação da independência judaica; eles acreditavam no culto só a Javé e estavam convencidos de que a aceitação de um domínio governamental exterior e o pagamento dos impostos a um governador de fora do país, era uma blasfémia contra Javé.

Seguindo o exemplo da resistência dos Macabeus contra os esforços do rei Selêucida, Antíoco IV Epífanes, para obrigar que os Gregos e os Judeus fossem um só povo, Judas, o galileu de Gamala, chefiou uma revolta considerável de protesto contra a introdução do censo Romano na incorporação da Judeia no ano 6.

Teudas chefiou uma outra rebelião em 42.

Portanto, o movimento desta seita ou partido teve origem numa revolta contra o recenseamento levado a efeito no tempo de Quirino para fins de pagamento de impostos.

Esta seita era uma minoria e era olhada pelos outros judeus pelo menos com forte antipatia.

As suas tácticas eram como o moderno terrorismo político; prendiam e matavam com certa frequência, atacando simultaneamente estrangeiros e judeus de que eles suspeitavam e a quem chamavam “os colaboradores”.

Levaram a sua arte de assassinar até a um ponto de destreza que os Romanos lhes chamavam os sicarii (“assassinos”), pela sua prática de esconder um punhal debaixo das suas roupas para um uso disfarçado no meio das multidões.

O seu maior trabalho organizado antes de rebentar a guerra dos judeus foi um assalto de represália na Samaria contra os peregrinos, no reinado de Ventidius Cumanus (48-52).

O seu fanatismo e as suas tácticas estão ilustradas na vida de S. Paulo, ameaçada de assassínio por um grupo de homens :

- “Jurámos, sob pena de anátema, não comer nada enquanto não matarmos Paulo. Agora, de acordo com o Sinédrio, ide solicitar ao tribuno que o mande comparecer diante de vós, sob o pretexto de examinardes o seu caso mais profundamente. E nós estamos prontos a suprimi-lo durante o trajeto “. (At 23,14-15).

Um dos discípulos de Jesus, Simão, era chamado Zelote – “Zeloso”, porque, provavelmente teria antes pertencido à seita :

- Tiago, filho de Alfeu, e Simão, o Zeloso. (Lc 6,15).

Mas houve outros incidentes que mostram as atividades da seita ou partido dos Zelotes.

 

Assim :

* Lucas faz referência a alguns galileus cujo sangue Pilatos havia misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam. (cf. Lc 13,1 -2).

* Talvez Barrabás que foi solto em vez de Jesus, fosse um chefe dos Zelotes, porque segundo o messianismo, um devia sofrer por todos, em ordem à libertação nacional.

* Igualmente um dos condenados na cruz, dizia: “Não és tu o Cristo? Salva-Te a Ti mesmo e a nós”.

 

Ideia de libertação.

* Talvez Judas Iscariotes fosse um chefe Zelote, impaciente pela liberdade e a independência nacional, pelo que entregou o Mestre, e que, frustrado, se suicidou.

* Os zelotes foram responsáveis pela rebelião contra Roma no ano 66 e obrigaram os moderados a aceitar a rebelião mesmo contra a sua vontade: e nos anos seguintes controlaram obstinadamente Jerusalém pela supressão ou assassínio dos que se opusessem às suas tácticas.

* Mantiveram grupos de resistência no país até à queda de Jerusalém, e o seu movimento sobreviveu suficientemente até ao ponto de levantar nova rebelião em 132-135, no governo de Adrião.

 

A conexão entre os Zelotes e a seita de Qumran foi procurada por alguns estudiosos, mas nada ficou assente..

Recentemente F. W. Farmer examinou de novo o assunto dos Zelotes.

A fonte de informação principal para o assunto dos Zelotes é Flávio Josefo, que foi extremamente contra eles, alcunhando-os de assassinos e salteadores.

F. W. Farmer sugere que Josefo ofuscou a sua reputação indevidamente e propõe que os Zelotes eram os sucessores espirituais dos Macabeus, preservando as mesmas ideias de independência e de religião, e empregando táticas que, na hipótese de Josefo, dão uma impressão prejudicial, mas não diferem substancialmente das táticas dos Macabeus, a não ser no seu falhanço.

John Nascimento

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Em tempo: antes que alguém fale que havia um apóstolo chamado Simão, “o Zelota”, vale dizer que ele é chamado “o Cananeu” nos evangelhos escritos primeiro (Mateus 10,4 e Marcos 3,18), sendo chamado de “Zelota” só em Lucas 6,15 e em Atos 1,13, escritos após o ano 80, quando já passara a revolta dos judeus contra Roma.

18c – Mc e Mt (Mt 10,4) chamam Simão de “Cananeu” ou “o nacionalista”, enquanto Lc 6,15 o chama “zelota”? Alguém se enganou?

“Cananeu” não é originário de Caná. Vem do hebraico “quanná”, que significa arder em zelo; daí vem “zelota”, nome do partido radical nascido na Galiléia, dos que ardiam de vontade de expulsar os romanos pelas armas. Era um movimento nacionalista-religioso, para quem, aceitar a dominação e pagar imposto ao soberano estrangeiro equivalia a apostatar da fé no Deus de Israel e trair a pátria.
Considerados subversivos, adotavam táticas terroristas: assaltavam e matavam oponentes. Traziam punhal escondido sob o manto, donde também a alcunha de “sicários”, isto é, apunhaladores. Pedro comungava com as convicções deles (Mt 26,51; Mc 14,47; Lc 22,49-50; Jo 18,10).

 

 

 

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Responsável por este trabalho

    Xavier Cutajar

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