FALSO PROFETA

FALSO PROFETA

(Página em construção….)

Na primeira carta de João:

O termo FALSO PROFETA é mencionado uma só vez, mas é usado também nos Evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e também em Atos, 2Pedro e no Apocalipse. (Veja textos em baixo)

Veja o texto em 1 Jo 4,1-6

4,1 Amados, não creem em qualquer espírito; antes, examinem se os espíritos são de Deus, pois no mundo já apareceram muitos falsos profetas. 2 Para saber se alguém é inspirado por Deus, sigam esta norma: fala da parte de Deus todo aquele que reconhece que Jesus Cristo se encarnou. 3 Todo aquele que não reconhece a Jesus, não fala da parte de Deus. Esse tal é o espírito do Anticristo; vocês ouviram dizer que ele vinha, mas ele já está no mundo. 4 Filhinhos, vocês são de Deus e já venceram os Anticristos, pois aquele que está com vocês é maior do que aquele que está com o mundo. 5 Eles pertencem ao mundo; por isso falam a linguagem do mundo e o mundo os ouve. 6 Nós, porém, somos de Deus. Por isso, quem conhece a Deus, nos ouve; e quem não é de Deus, não nos ouve. Com isso podemos distinguir o espírito da Verdade do espírito do erro.

1Jo 4,1-6: Saber discernir: Os cristãos se deparam continuamente com religiões, projetos políticos, propostas sociais, sistemas de pensamento, e todos eles se apresentam como salvadores. Como discernir o que vem de Deus e o que é tapeação que vem do mundo? Como distinguir a verdade do erro? João nos mostra que o critério está no projeto que Deus manifestou através de Jesus encarnado: ele realizou uma prática que promovia a vida e a liberdade dos homens. Todo projeto (religião, pensamento, sistema ou proposta) que não coincida com a prática de Jesus não vem de Deus.(BP)

Ver também  GNÓSTICOS

MUNDO ;   ODIAR ;  ENGANAR ;

ANTICRISTO ;  MALIGNO ; DIABO ; ÍDOLOS ; MORTE

VEJA MAIS SUBSÍDIOS DA PRIMEIRA CARTA DE JOÃO

 

 

O falso  profeta  nega  o Jesus da história,   

o Messias  encarnado   

Uma  leitura  da  primeira  carta  de  João  4,1-6

Por Shigeyuki Nakanose*

São  Oscar  Romero  (1917-1980)  foi  um  bispo  comprometido  com a  caminhada  do  povo  de  El  Salvador.  Viveu  seu  ministério  num período  de  grande  repressão  e  mortes  nesse  país.  Em  suas homilias  dominicais,  manifestava  sua  solidariedade  com  as vítimas  da  violência  política  e  socioeconômica.  Foi  assassinado durante  a  celebração  eucarística,  no  dia  24  de  março  de  1980, por  um  atirador  de  elite  do  exército  salvadorenho.  Na  véspera  de sua  morte,  fez a seguinte exortação: “Em nome de  Deus e  desse  povo sofredor, cujos lamentos  sobem ao céu  todos os dias,   eu  lhes peço, eu  lhes suplico, eu  lhes ordeno:   cessem a repressão”.

Introdução

São  Oscar  Romero,  com  sua  prática  de  vida,  testemunhou  a encarnação  em  14  de  outubro  de  2018.  Tal  testemunho  mostra seu  seguimento  cristão  radical:  embora  fosse  perseguido, caluniado,  difamado,  permaneceu  fiel  até  o  fim.  Ele  recebeu críticas,  calúnias  e  violência  até  mesmo  de  pessoas  cristãs  no seio  das  comunidades.  Eram  cristãos  que  não  seguiam  o  Jesus da  história,  o  Messias  encarnado,  e  seu  mandamento  do  amor ao  próximo.

Deus  se  encarna  em  Jesus  de  Nazaré,  e  a  partir  de  Jesus Messias  encarnado  somos  chamadas/os  a  viver  o  amor  ao próximo,  condição  para  Deus  continuar  se  encarnando  em  nosso meio.  No  entanto,  ontem  como  hoje,  houve  desentendimentos  e conflitos  nas  primeiras  comunidades  cristãs  por  causa  do  grupo chamado  de  “falsos  profetas”  ou  “anticristos”,  que  negou  Jesus feito  carne e  sua  existência humana. Esse grupo espiritualizava  o seguimento  de  Jesus  e  sua  relação  com  Deus,  o  que  ocasionava o  desprezo  ao  mandamento  do  amor  ao  próximo  e  a  indiferença diante  das injustiças e  violências do  mundo em que viviam.

1.  Os  falsos  profetas

A  segunda  carta  de  Pedro  (2Pd),  uma  das  cartas  católicas escritas  no  início  do  século  II  na  Ásia  Menor,  descreve  a presença  de falsos profetas  na comunidade:

“Houve  também  falsos  profetas  no  meio  do  povo. Assim  também  entre  vocês  vão  aparecer  falsos  mestres, introduzindo  seitas  maléficas.  Renegando  o  Senhor  que  os resgatou,  trarão  rápida  destruição  para  si  mesmos.  Muitos vão  seguir  suas  doutrinas  dissolutas,  e  por  causa  deles  o caminho  da  verdade  será  difamado.  Por  cobiça  de dinheiro,  com  discursos  enganadores,  vão  procurar  que vocês  se  tornem  objeto  de  negócios.  Mas  o  julgamento deles  já  começou  faz  tempo,  e  a  sua  destruição  não demorará”  (2Pd 2,1-3).

Renegar  o  Senhor,  difamar  o  caminho  da  verdade,  cobiçar dinheiro…  Os  falsos  profetas  não  seguem  o  ensinamento  de Jesus  Cristo  e  até  renegam  sua  autoridade  como  Salvador, criando  divisões  e  conflitos  nas  comunidades.  Eis  aqui  seus principais  ensinamentos  e  práticas,  conforme  a  segunda  carta  de Pedro:

1.1  Renegar  o  Senhor:

“Portanto,  se  pelo  conhecimento  de  nosso  Senhor  e Salvador  Jesus  Cristo  alguém  se  afastou  das  imundícies  do mundo, e  novamente  se  deixa  seduzir  e se rende  a  elas, seu último estado  torna-se pior  que o  primeiro”  (2Pd  2,20);

“Especialmente  os  que  se  entregam  ao  próprio  instinto  e seus imundos apetites  e desprezam a autoridade do Senhor” (2Pd  2,10a).

Diante  da  demora  da  vinda  do  Senhor, os  falsos  mestres,  tendo  experimentado  o  poder  salvífico  de Jesus  Cristo,  agora  voltam  às  imundícies  do  mundo  e  rejeitam  o ensinamento  e  os  atos  de  Jesus  feito  carne,  transmitidos  pelos apóstolos  (cf.  2Pd  3,2).  Renegam  o  Salvador  Jesus  Cristo,  sua vida  terrestre,  morte,  ressurreição  e  a  promessa  da  sua  volta gloriosa  (parusia).

1.2  Não  haverá  a  vinda  do  Senhor:

“Antes  de  tudo,  vocês  precisam  saber  que  no  fim  dos tempos  vão  aparecer  cínicos  e  zombadores,  entregues  a  seus próprios  desejos.  Eles  dirão:  ‘O  que  aconteceu  com  a  vinda  dele que  estava  prometida?  Desde  que  morreram  nossos  pais,  tudo continua  o  mesmo desde o início  do  mundo’”  (2Pd  3,3-4).   Diante  da  demora  da  vinda  do  Senhor,  os  falsos  mestres ridicularizam  e  rejeitam  o  anúncio  profético  do  “poder  e  da  vinda de  nosso  Senhor  Jesus  Cristo”  (2Pd  1,16).  Para  eles,  não  haverá segunda vinda  nem julgamento final  do Senhor.

1.3  Libertinagem,  corrupção  e  imundícies:

“Sua  ideia  de  prazer  é  a  orgia  em  pleno  dia.  Sujos  e nojentos,  deliciam-se  nos  próprios  enganos  quando  fazem banquete  com  vocês.  Têm  os  olhos  cheios  de  adultérios  e  nunca se  cansam  de  pecar.  Seduzem  quem  está  inseguro,  e  a  mente deles está treinada para  a ambição”  (2Pd 2,13-14).

Como,  a  seu  ver,  não  haverá  parusia  nem  julgamento,  é permitido  realizar todos os desejos.

Os  grupos  chamados  de  “falsos  profetas”  e  de  “anticristos” provavelmente  eram  do  cristianismo  gnóstico,  que  se desenvolveu  mais  fortemente  no  século  II.  Para  alguns  deles,  a salvação  estava  no  conhecimento,  ou  gnosis,  em  grego.  Bastava ter  um  esclarecimento  espiritual  para  estar  em  comunhão  com Deus.  O  gnosticismo  cristão  substituía  a  prática  concreta  do amor  –  a  essência  do  seguimento  de  Jesus  –  por  rituais  e conhecimentos  espirituais  desligados  da  vida  prática.  Por  terem tais  conhecimentos  e  participarem  dos  rituais  do  grupo,  achavam que  estavam  em união  com  Deus  e  assim  não havia pecado  nem o  julgamento  de  Deus  para  eles.  Por  isso  não  buscavam  viver  de modo  coerente  com  o  evangelho  na  vida  diária,  entregando-se  à libertinagem  e  despreocupando-se  com  a  justiça  e  com  a  defesa da  dignidade  humana.

Na  segunda  carta  de  Pedro,  o  autor  reage  energicamente ao  movimento  gnóstico  cristão,  declarando  que  o  conhecimen- to  não  é  simplesmente  a  percepção  intelectual  e  participação  em rituais  esotéricos:  antes,  é  uma  experiência  concreta  de  Jesus, Deus  encarnado,  que  resulta  no  seguimento  do  evangelho  e  na transformação  moral:  “Com  seu  poder  divino,  Deus  nos  deu  tudo o  que  leva  à  vida  e  à  piedade,  por  meio  do  conhecimento  de Jesus,  o  qual  nos  chamou  por  sua  própria  glória  e  mérito”  (2Pd 1,3).

A  presença  de  falsos  profetas  ou  mestres  gnósticos  não  é um  problema  totalmente  novo  na  vida  das  comunidades  cristãs. A  carta  de  Judas,  outra  carta  católica,  escrita  um  pouco  antes da  segunda  carta  de  Pedro,  já  apresenta  o  conflito  e  a  divisão por causa do pensamento e da prática  dos falsos profetas:

a)  Falsos  mestres:

“Nos  últimos  tempos  aparecerão  homens  cínicos,  que seguirão  suas  paixões  ímpias.  São  eles  que  provocam  divisões, são  psíquicos  e não  possuem  o Espírito”  (Jd 18-19).

b)  Renegar  o  Senhor  Jesus  Cristo:

“Porque  se  infiltraram  entre  vocês  alguns  indivíduos  há tempo  marcados  para  esta  sentença:  homens  sem  piedade,  que transformam  a  graça  de  nosso  Deus  em  pretexto  para  a indecência  e  renegam  o  único  mestre  e  Senhor  Jesus  Cristo”  (Jd 4).

c)  Conhecimento  irracional:   “Esses  indivíduos,  ao  contrário,  blasfemam  tudo  o  que  não conhecem,  e as coisas que  conhecem  fisicamente,  como animais irracionais, os levam  à  perdição”  (Jd 10).

d)  Libertinagem: “São  uns  murmuradores,  revoltados  contra  o  destino,  que se  deixam  levar  pelas  próprias  paixões.  Sua  boca  profere palavras  arrogantes  e,  se  louvam  as  pessoas,  é  por  interesse” (Jd 16).

e)  Contaminar  a  refeição  fraterna:   “São  eles  que  contaminam  as  refeições  fraternas  de  vocês, regalando-se  com  irreverência  e  apascentando  a  si  mesmos”  (Jd 12a).

No  fim  do  século  I  ou  início  do  século  II,  a  segunda  carta de  Pedro  e  a  carta  de  Judas  mostram  urgência  em  seus propósitos:  advertir  as  comunidades  cristãs  contra  os  falsos profetas  ou  mestres,  que  podem  ser  os  precursores  do movimento  gnóstico.  Tais  cartas  repreendem  e  rejeitam  os pensamentos  e  as  práticas  deles,  que  atuam  nas  comunidades buscando  destruir  a  fé  alimentada  pela  prática  do  evangelho  de Jesus Cristo, transmitido  pelos apóstolos (cf.  Jd 3).

NA CARTA DE JOÃO

Como  as  duas  cartas  católicas  de  Judas  e  2Pedro,  a primeira  carta  de  João,  uma  carta  católica  do  fim  do  século  I  ou começo  do  século  II,  enfrenta  o  problema  e  assume  o  objetivo  de advertir  as  comunidades  contra  os  falsos  profetas  ou  anticristos, que brotam do  seio das comunidades:

a)  Surgiram  do  seio  da  comunidade:   “Eles  saíram  do  meio  de  nós,  mas  não  eram  dos  nossos.  Se tivessem  sido  dos  nossos,  teriam  permanecido  conosco.  Mas eles  nos  deixaram,  para  que  ficasse  claro  que  nem  todos  eram dos nossos”  (1Jo 2,19).

b)  Mundo  e  libertinagem:   “Não  amem  o  mundo  nem  o  que  há  no  mundo.  Se  alguém ama  o  mundo,  o  amor  do  Pai  não  está  nele.  Pois  tudo  o  que  há no  mundo  –  os  maus  desejos  vindos  da  carne  e  dos  olhos,  a arrogância  provocada  pelo  dinheiro  –  são  coisas  que  não  vêm  do Pai, mas do  mundo”  (1Jo  2,15-16).

c)  Renegar  Jesus  como  o  Messias:   “Quem  é  o  mentiroso,  senão  quem  nega  que  Jesus  é  o Messias? Esse  tal  é o Anticristo,  aquele  que  nega o  Pai  e o  Filho. Todo  aquele  que  nega  o  Filho  também  não  tem  o  Pai.  Quem reconhece o  Filho  também  tem  o Pai”  (1Jo  2,22-23).

d)  Conhecer  a  Deus: “É  assim  que  sabemos  se  conhecemos  a  Deus:  se guardamos  seus  mandamentos.  Quem  diz  que  conhece  a  Deus, mas  não  trata  de  guardar  os  mandamentos  dele,  é  mentiroso; nesse não  está  a verdade”  (1Jo 2,3-4).

Alguns  membros  se  afastam  da  comunidade  porque pretendem  viver  a  vida  que  vem  do  mundo  do  Maligno  (cf.  1Jo 2,14-15):  são  dominados  pelos  desejos  de  riqueza  e  de  prazer, por  isso  rejeitam  Jesus  como  Cristo  Messias  e  não  praticam  os mandamentos  do  amor  ao  próximo.  No  entanto,  dizem  ter  o conhecimento  (gnosis)  de  Deus  e,  por  isso,  creem  estar  em comunhão  com  ele  e  isentos  de  pecado  e  julgamento.  Com  seus pensamentos  e  prática,  eles  provocam  conflito  e  divisão  na comunidade.

A  terceira  carta  de  João,  por  exemplo,  lembra  a  presença do  grupo,  que  não  assume  a  prática  da  hospedagem,  deixando de  acolher os irmãos na  comunidade. Diante  do  conflito  desordenado  com  os  inimigos  ou  rivais,  o autor  da  primeira  carta  de  João  reage  energicamente, condenando-os  e  identificando-os  como  “anticristos”  que  têm aparecido  na  comunidade  (cf.  1Jo  2,18).  Alerta  a  comunidade para  que  fique  atenta  e  saiba  discernir  quem  são  os  anticristos ou  os  falsos  profetas.  Em  1Jo  4,1-6,  o  autor  aprofunda  e  resume o critério  de discernimento.

2Preservar-se  dos  falsos  profetas  (1Jo  4,1-6)

Sempre  houve  aqueles  que  tentavam  seduzir  o  povo  e desviá-lo  do  caminho  do  Deus  da  vida,  sejam  eles  profetas  da corte  de  Judá  (cf.  Mq  3,9-12),  falsos  profetas  ou  ainda  mestres no  meio das comunidades cristãs (cf.  Mt  7,15-17).

Homens  e  mulheres  do  Deus  da  vida  não  deixam  de discernir  e  combater  os  pensamentos  e  as  práticas  dos  falsos profetas  e  advertir  a  comunidade  para  que  não  se  envolva  com tais  pessoas.  Esse  também  foi  o  trabalho  do  autor  e  seu  grupo da  comunidade  cristã  da  primeira  carta  de  João  diante  de  seus adversários, chamados de anticristos ou  falsos profetas. Um  dos  pontos  mais  importantes  de  discernimento  é  saber: quem  vem  de  Deus  e  quem  vem  do  mundo  do  Maligno?

Via  de regra,  os  falsos  profetas  se  consideram  mais  religiosos  e  mais perto  de  Deus.  Alegam  proclamar  sob  a  inspiração  do  Espírito  de Deus  todo-poderoso.  Na  verdade,  contudo,  há  vários  espíritos, como  alerta  o  autor  de 1Jo: “Amados,  não  acreditem  em  todos os que  dizem  ter  o  Espírito.  Ao  contrário,  examinem  os  espíritos, para  ver  se  vêm  de  Deus,  porque  muitos  falsos  profetas  têm saído pelo  mundo afora”  (1Jo  4,1).

Na  comunidade  de  1Jo,  são  muitos  os  anticristos  que  têm aparecido  no  meio  dos  seguidores  de  Jesus,  alegando  falar  com o Espírito  de Deus (cf.  1Jo  2,18). O  autor,  porém,  exalta  o  fato de que  os  membros  da  comunidade  possuem  “a  unção  que  vem  do Santo  e têm  a  sabedoria” para discernir entre  o que vem de Deus e  o  que  vem  do  mundo  (cf.  1Jo  2,20).  Ou  seja,  com  a  unção  do Espírito  Santo  (batismo  –  crisma),  os  membros  cristãos conhecem  e  experimentam  a  presença  de  Deus,  sua  Palavra, verdade  e vida,  em Jesus Cristo (cf.  1Jo  2,27).

Segundo  a  comunidade  joanina,  a  ação  do  Espírito (paráclito,  advogado,  Espírito  da  verdade,  Espírito  Santo)  é recordar,  ensinar  e  completar  o  ensinamento  de  Jesus  Cristo:  “O Advogado,  o  Espírito  Santo,  que  o  Pai  vai  enviar  em  meu  nome, ele  ensinará  a  vocês  todas  as  coisas  e  lembrará  a  vocês  tudo  o que eu lhes tenho dito”  (Jo 14,26).

Não  se  trata,  contudo,  de  qualquer  Jesus  Cristo.  A  fé alimentada  e  transmitida  pelos  evangelhos  professa  Jesus  Cristo como  Deus  encarnado  no  meio  da  humanidade:  “A  Palavra (Verbo)  se  fez  carne  e  armou  sua  tenda  entre  nós.  E  nós contemplamos  sua  glória,  glória  que  ela  tem  como  Filho  único  do Pai, cheio de graça  e verdade” (Jo 1,14).

Jesus  Cristo  é  verdadeiro  ser  humano  (carne),  manifestado, visto  e  tocado:    (1Jo  1,1);  não  um  Jesus  Cristo  de  simples  espírito, “conhecido”  e  pregado  pelos  anticristos  gnósticos,  mas  Jesus,  o Messias  encarnado,  que  viveu,  caminhou  e  trabalhou  com  seu povo  sofrido  para  promover  a  justiça,  a  liberdade  e  a  vida.  É Jesus  Cristo  com  sua  prática  libertadora,  prisão,  tortura,  paixão, morte e  ressurreição.

Portanto,  o  reconhecimento  de  Jesus  Cristo  como  o  Filho  de Deus  encarnado  é  ponto  crucial  na  distinção  de  quem  tem  o Espírito  de  Deus:  “É  assim  que  vocês  saberão  se  alguém  tem  o Espírito  de  Deus:  quem  reconhece  que  Jesus  Cristo  veio  na carne,  esse  vem  da  parte  de  Deus”  (1Jo  4,2).  Jesus  é  o  Cristo Salvador,  encarnação  de  Deus:  sua  total  humanidade  como  o Messias  e  sua  total  divindade  como  o  Filho  de  Deus  (cf.  Fl  2,611).

Não  é,  porém,  suficiente  discernir  e  reconhecer  Jesus  Cristo encarnado;  é  necessário  praticar  sua  Palavra  para  estar  em comunhão  com  o  Espírito  de  Deus:  “Que  acreditemos  no  nome do  seu  Filho,  Jesus  Cristo,  e  nos  amemos  uns  aos  outros, conforme  o  mandamento  que  ele  nos  deu.  Quem  guarda  os mandamentos  dele  permanece  em  Deus,  e  Deus  nele.  Nisso percebemos  que  Deus  permanece  em  nós:  pelo  Espírito  que  ele nos  deu”  (1Jo  3,23-24). Não  existe  comunhão  com  Deus  sem amor!

Os  anticristos  são  os  que  não  agem  assim;  são  os  que dizem  ter  o  Espírito  de  Deus,  mas  não  amam  seus  irmãos porque  negam  que  Jesus  Cristo  tenha  vindo  na  carne  para praticar  a  justiça  e  o  amor  e  promover  a  vida.  São  falsos  profetas que  não  falam  sob  a  inspiração  divina,  mas  sob  o  espírito  do Anticristo:  “Todo  aquele  que  não  reconhece  a  Jesus  não  vem  de Deus.  Esse  é  o  espírito  do  Anticristo.  Vocês  têm  ouvido  dizer  que o  Anticristo  está  para  vir;  no  entanto,  ele  já  está  no  mundo”  (1Jo 4,3);  “Eles  são  do  mundo  e  por  isso  falam  a  linguagem  do mundo, e o mundo os  ouve” (1Jo  4,5).

Essas  duas  frases  resumem  quem  são  os  falsos  profetas  ou os  anticristos.  Eles  foram  da  comunidade  cristã,  ungidos  pelo Espírito  Santo,  e  possuíam  a  sabedoria  de  discernir  e  ensinar quem  é  Jesus  Cristo  (cf.  1Jo  2,18-22).  Entretanto  se  afastaram da  comunidade,  porque  pretendiam  viver  à  maneira  do  mundo possuído  pelo  Maligno:  “Tudo  o  que  há  no  mundo  –  os  maus desejos  vindos  da  carne  e  dos  olhos,  a  arrogância  provocada pelo  dinheiro”  (1Jo  2,16a).  É  o  modo  de  viver  da  sociedade greco-romana:  a  busca  ilimitada  de  bens,  poder,  prazer  e  honra, com a exploração  dos  pobres e  escravos.

Não  obstante,  os  falsos  profetas  continuam  a  dizer  que  são cristãos  e  que  falam  sob  o  Espírito  de  Deus,  seduzindo  os  fiéis  e provocando  desentendimentos e conflitos na  comunidade.  Agora, como  eles  se  justificam,  dizendo  ser  cristãos?  Nesse  ponto  está a mudança  do ensinamento:

a) não  reconhecem  Jesus  Cristo  como  o  Messias  encarnado, ou  seja,  separam  sua  realidade  humana  da  sua  função messiânica;

b) negam  a  prática  libertadora  de  Jesus,  sua  prisão,  morte  e ressurreição;

c)  consideram  Jesus  Cristo  como  uma  imagem  ou  aparência de  Deus,  porque  a  divindade  jamais  assumiria  a  carne humana  –  uma  vez  que  a  matéria  seria  essencialmente má, segundo  a  filosofia grega;

d) pregam  o  conhecimento  racional  e  espiritual  de  Deus como  o  único  caminho  para  estar  em  comunhão  com  ele  e com Jesus Cristo “espiritual”.

Com  esse  ensinamento  ou  doutrina,  os  falsos  profetas pensam  e  afirmam  estar  em  perfeita  comunhão  com  Deus,  ainda que  sem  comunhão  com  os  irmãos  –  o  amor  ao  próximo. Separam  a  fé  e  o  ensinamento  cristão  da  prática  do  evangelho de  Jesus  Cristo,  abrindo  e  justificando  o  espaço  para  sua atuação no  mundo: eles são do mundo.

No  entanto,  foi  contra  esse  “mundo”  do  Maligno  que  o próprio  Jesus  lutou,  sofrendo,  morrendo,  sendo  ressuscitado  e vencendo:  “Neste  mundo  vocês  terão  aflições,  mas  tenham coragem:  eu  venci  o  mundo”  (Jo  16,33b). O  Espírito  de  Jesus vence  o  espírito  do  Anticristo!  O  Espírito  de  Deus  está  com  quem segue  Jesus  Cristo,  o  Messias  encarnado:  “Filhinhos,  vocês  são de  Deus  e  estão  vencendo  os  falsos  profetas,  pois  aquele  que está  em  vocês  é  maior  do  que  aquele  que  está  no  mundo”  (1Jo 4,4).

Enfim,  o  autor  não  se  cansa  de  alertar  a  comunidade  de Deus  contra  os  falsos  profetas  e  seu  “espírito  de  erro”:  “Mas  nós somos  de  Deus.  Quem  conhece  a  Deus  nos  ouve;  quem  não  é de  Deus  não  nos  ouve.  É  assim  que  podemos  separar  o  espírito da  verdade do  espírito do  erro” (1Jo 4,6).

3.  A  encarnação  do  Verbo:   o  critério  da  fé,  da  ética  e  da  missão  profética

A  primeira  carta  de  João  apresenta  a  encarnação  do  Verbo,  o Filho  de  Deus,  como  critério  fundamental  para  discernir  os anticristos e os  falsos profetas:

  “Quem  é  o  mentiroso,  senão  quem  nega  que  Jesus  é  o Messias?  Esse  tal  é  o  Anticristo,  aquele  que  nega  o  Pai  e  o Filho.  Todo  aquele  que  nega  o  Filho  também  não  tem  o  Pai. Quem reconhece o Filho também  tem  o  Pai”  (1Jo  2,22-23).

  “É  assim  que  vocês  saberão  se  alguém  tem  o  Espírito  de Deus:  quem  reconhece  que  Jesus  Cristo  veio  na  carne,  esse vem  da  parte  de  Deus.  E  todo  aquele  que  não  reconhece  a Jesus  não  vem  de  Deus.  Esse  é  o  espírito  do  Anticristo. Vocês  têm  ouvido  dizer  que  o  Anticristo  está  para  vir;  no entanto, ele já  está  no  mundo” (1Jo 4,2-3).

No  interior  da  comunidade,  surge  um  grupo  de  dissidentes, chamados  de  anticristos  e  falsos  profetas  (cf.  1Jo  2,18-19;  4,1), que  nega  o  Jesus  da  história  como  o  Cristo,  o  Filho  de  Deus. Eles  tentam  dissociar  Jesus  de  Nazaré  do  Cristo  da  fé  e  separar a  fé  cristã  da  vida  prática:  “Quem  diz  que  conhece  a  Deus,  mas não  trata  de  guardar  os  mandamentos  dele,  é  mentiroso;  nesse não  está  a  verdade”  (1Jo  2,4);  “Quem  diz  que  está  na  luz,  mas odeia  seu  irmão,  está  na  escuridão  até  agora”  (1Jo  2,9).  Os dissidentes  provocam  desentendimentos,  conflitos  e  crise, seduzindo os fiéis para o  mundo  do  Maligno  (cf.  1Jo  2,12-17). No  confronto  direto  com  esse  problema  gravíssimo,  a  primeira carta  de  João  nasce  para  dar  uma  resposta  adequada  e  assim retomar,  orientar  e  fortalecer  a  fé  cristã  e  a  exigência  ética  e pastoral:

a)  Fé  em  Jesus,  o  Messias  encarnado: “Quem  é  que  pode  vencer  o  mundo,  a  não  ser  quem  acredita que  Jesus  é  o  Filho  de  Deus?  Este  é  aquele  que  veio  através da  água  e  do  sangue:  Jesus  Cristo,  que  não  veio só  através da água,  mas  da  água  e  do  sangue.  E  o  Espírito  é  quem  dá testemunho,  pois  o  Espírito  é  a  verdade.  Porque  são  três  os que  dão  testemunho:  o  Espírito,  a  água  e  o  sangue;  e  os  três estão de acordo entre si” (1Jo  5,5-8).

A  afirmação  fundamental  de  1Jo  é  a  fé  no  Jesus  da  história, o  Filho  de  Deus  que  veio  na  carne  e  assumiu  a  condição humana:  a  encarnação  do  Verbo.  Ao  contrário,  os  dissidentes dissociam  o  Cristo  glorioso,  manifestado  no  batismo  (água:  cf. Jo  1,29-34),  do  homem  Jesus,  morto  na  cruz  (sangue:  cf.  Jo 19,31-37)  por  causa  da  sua  prática  do  amor  ao  próximo,  até  o fim.

b)  Fé  traduzida  no  amor  ao  próximo:   “O  seu  mandamento  é  este:  que  acreditemos  no  nome  do  seu Filho,  Jesus  Cristo,  e  nos  amemos  uns  aos  outros,  conforme  o mandamento  que  ele  nos  deu.  Quem  guarda  os  mandamentos dele  permanece  em  Deus,  e  Deus  nele.  Nisso  percebemos que  Deus  permanece  em  nós:  pelo  Espírito  que  ele  nos  deu” (1Jo  3,23-24).

O  amor  aos  irmãos,  no  esforço  para  formar  fraternidade,  é fruto  da  fé  cristã  em  Deus,  que  assumiu  a  trajetória  humana  e habitou  no  meio  de  seus  “filhinhos”.  E  o  Espírito  é  aquele  que recorda  e  completa  a  trajetória  humana  e  os  ensinamentos  do Messias  encarnado,  conduzindo  os  cristãos  nos  caminhos  da verdade  e da vida (cf.  Jo 15,26).

c)  Fé  vivida  e  testemunhada:   “Se  aceitamos  o  testemunho  humano,  sabemos  que  o testemunho  de  Deus  é  maior.  E  este  é  o  testemunho  de  Deus: ele  deu  testemunho  a  respeito  do  seu  Filho.  Quem  acredita  no Filho  de  Deus  tem  o  testemunho  dentro  de  si  mesmo.  Quem não  acredita  em  Deus  faz  dele  um  mentiroso,  porque  não acredita  no  testemunho  que  ele  deu  em  relação  a  seu  Filho” (1Jo  5,9-10).

Jesus  Cristo  encarnado  é  a  grande  testemunha  do  amor  de Deus:  “Quem  não  ama  não  conhece  a  Deus,  porque  Deus  é amor.  Nisto  se  tornou  visível  o  amor  de  Deus  entre  nós:  Deus enviou  seu  Filho  único  ao  mundo,  para  podermos  viver  por meio  dele” (1Jo 4,8-9).

Quem  acredita  em  Jesus,  o  Messias  encarnado,  “tem  o testemunho  dentro  de  si  mesmo”  (cf.  Jo  15,27):  testemunha  o amor  de  Deus  e  seu  Filho  na  ação  pastoral  e  missionária  em vista  da  transformação  pessoal  e  de  toda  a  sociedade  rumo  ao Reino  da  fraternidade  e da solidariedade.

Na  recordação  da  fé,  do  amor  e  da  missão,  o  autor  da primeira  carta  de  João  ressalta  as  três  virtudes  fundamentais da  vida cristã:

  a fé no  Jesus da história,  que  há  que traduzir-se em obras,

  o amor, que implica a  partilha  concreta  com  os irmãos, e

  a  missão  profética,  que  é  a  força  nascida  do  amor  e  se projeta  para a  formação do Reino da fraternidade.

Historicamente,  o  movimento  cristão  enfrenta,  em  seu  interior, vários  grupos  gnósticos,  que  ressaltam  a  salvação  somente  por meio  da  gnosis  (conhecimento),  negando  o  Jesus  da  história,  o Messias  encarnado.  Na  década  de  50  d.C.,  Paulo  escreve  e reescreve,  em  várias  passagens,  as  três  virtudes  da  vida  cristã nos  desentendimentos  e  conflitos  com  seus  opositores,  que espiritualizavam o seguimento de Jesus:

1.  “Lembramos  a  obra  da  fé,  o  esforço  do  amor  e  a constância  da  esperança  que  vocês  têm  no  Senhor  nosso Jesus  Cristo,  diante  de Deus nosso Pai” (1Ts  1,3);

2.  “Agora  permanecem  a  fé,  a  esperança  e  o  amor,  essas três coisas. A maior delas  é o  amor” (1Cor 13,13);

3.  “Que  o  amor  seja  sem  fingimento.  Detestem  o  mal  e apeguem-se  ao  bem.  Amem-se  uns  aos  outros  com carinho  de  irmãos,  cada  um  considerando  os  outros  como mais  dignos  de  estima.  Sirvam  ao  Senhor,  incansáveis  no zelo,  fervorosos  no  espírito,  alegres  na  esperança, perseverantes  na  tribulação,  constantes  na  oração, solidários  com  as  necessidades  dos  santos,  praticando  a hospitalidade”  (Rm 12,9-13).

Pregando  Jesus  crucificado,  o  Messias  encarnado,  com  o poder  e  a  graça  de  Deus  (cf.  1Cor  1,17-31),  Paulo  fortalece  a perseverança  da  comunidade  na  fé  ativa,  no  amor  fraterno  e  na teimosa  esperança  na  missão  profética,  como  motor  na caminhada,  rumo  à  realização  do  projeto  de  Jesus  crucificado  e ressuscitado.

Em  torno  do  ano  100  d.C.,  a  comunidade  de  João  ressalta  a fé  na  encarnação  do  Filho  de  Deus,  com  toda  a  força  da  palavra: “A  Palavra  se  fez  carne  e  armou  sua  tenda  entre  nós”  (Jo  1,14).

Num  dos  momentos  importantes  da  comunidade,  o  mistério  da encarnação  é  proclamado e  vivenciado: “Eu  sou  o  pão  vivo  que  desceu  do  céu.  Quem  comer  deste pão  viverá  para  sempre.  E  o  pão  que  eu  vou  dar  é  a  minha carne,  para  que  o  mundo  tenha  a  vida.  Eu  lhes  garanto:  se  vocês não  comem  a  carne  do  Filho  do  homem  e  não  bebem  o  seu sangue,  não têm  a vida  em  vocês” (Jo 6,51.53).

Na  refeição  comunitária,  a  comunidade  joanina  reitera  a encarnação  de  Jesus  Cristo  como  o  critério  da  fé,  da  ética  e  da missão  profética:  carne  (encarnação  e  vida/prática)  e  sangue (cruz/morte)  equivalem  à  totalidade  da  vida  do  Jesus  da  história, o  Messias  encarnado.  Ao  comer  a  carne  (corpo,  em  1Cor  11,24) e  beber  o  sangue  de  Jesus  Cristo,  os  cristãos  renovam  seu compromisso  com  a  vida  em  plenitude  para  o  mundo  todo:  a obra da fé, o esforço  do  amor e  a constância  da  missão  profética.

Hoje,  como  ontem,  há  uma  variedade  de  movimentos religiosos,  dentro  e  fora  da  comunidade  cristã,  que  ressalta  a salvação  somente  por  meio  da  gnosis  (conhecimento),  do exercício  espiritual,  ou  da  simples  participação  nos  rituais  e sacramentos,  sem  a  prática  coerente  do  amor  ao  próximo  na vida  diária  e  nas  opções  políticas  mais  amplas.

Há  também, contudo,  o  forte  movimento  cristão  que  caminha  com  a  fé  ativa em  Jesus  Cristo  feito  carne,  com  o  amor  fraterno,  com  a  missão profética  sem  fronteiras  e  com  a  esperança  teimosa  para assegurar  a  construção  do  Reino  da  vida.  Nesse  movimento, algumas  comunidades  católicas  cantam  e  expressam  a  fé  ativa, o amor fraterno e  a esperança teimosa  de  maneira  singular:

  “Tomai,  comei,  tomai,  bebei  meu  corpo  e  sangue  que  vos dou.  O  pão  da  vida  sou  eu  mesmo  em  refeição.  Pai  de bondade,  Deus  de  amor  e  do  universo,  sustentai  os  que  se doam por um mundo irmão”;

  “Muito  tempo  não  dura  a  verdade,  nestas  margens  estreitas demais.  Deus  criou  o  infinito  pra  vida  ser  sempre  mais.  É Jesus  este  pão  de  igualdade,  viemos  pra  comungar  com  a vida  sofrida  do  povo  que  quer  ter  voz,  ter  vez,  lugar. Comungar  é  tornar-se  um  perigo,  viemos  pra  incomodar. Com a fé e  a união, nossos passos um dia vão chegar”.

A  fé  ativa  em  Jesus  de  Nazaré  como  a  encarnação  do  Verbo de  Deus  é  o  caminho  no  qual  os  cristãos  experimentam  o  mais profundo  que  se  pode  conhecer  de  Deus  e  experimentar  dele. Porque aí está a vida: “Deus é  amor” (1Jo 4,8)!

Uma palavra  final

Reconhecer  que  Jesus  Cristo  veio  na  carne  é  assumir  o projeto  de  Deus,  que  nos  convida  a  continuar  a  mesma  missão profética  de  Jesus:  comprometer-se  com  a  justiça  e  a solidariedade,  em  contraposição  às  realidades  que  negam  a  vidado  ser  humano.  Um  dos  homens  do  nosso  tempo  que denunciaram  a  injustiça  e  carregaram  a  cruz  junto  com  o  povo sofrido  foi  dom  Oscar  Romero,  que  nos  deixou  sua  mensagem profética:

“Há  um  critério  para  saber  se  Deus  está  perto  de  nós  ou  se  está longe:  todo  aquele  que  se  preocupa  com  o  faminto,  com  o maltrapilho  e  o  pobre,  o  desaparecido,  o  torturado,  o  prisioneiro, com  todos  esses  corpos  que  sofrem,  está  perto  de  Deus. “Chamarás  o  Senhor  e  ele  te  escutará.”  A  religião  não  consiste em  rezar  muito.  A  religião  consiste  nessa  garantia  de  ter  meu Deus  perto  de  mim  porque  faço  o  bem  aos  meus  irmãos.  A garantia  de  minha  oração  não  está  em  dizer  muitas  palavras;  a garantia  de  minha  prece  é  muito  fácil  de  conhecer:  como  me comporto  com  o pobre?  Porque  ali está  Deus (5/2/1978).

É  uma  profecia  que  alerta,  que  denuncia  a  realidade  injusta  e,  ao mesmo  tempo,  orienta  nossa  missão  cristã.  De  modo  especial,  o “corpo”  do  empobrecido  e  injustiçado  é  o  “critério”  para  seguir  o Jesus  da  história,  o  Messias  encarnado,  e  seu  mandamento  do amor  ao  próximo:  “Deus  enviou  seu  Filho  único  ao  mundo,  para podermos  viver  por  meio  dele.  É  nisto  que  está  o  amor” (1Jo  4,9b-10a).

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* Shigeyuki Nakanose, svd, é assessor do Centro Bíblico Verbo e professor no Instituto São Paulo de Estudos Superiores – Itesp. Juntamente com o Centro Bíblico Verbo, tem publicado todos os anos pela Paulus um subsídio para reflexão e círculos bíblicos para o mês da Bíblia. O do ano de 2019 é:  Jesus Cristo veio na carne é de Deus (1Jo 4,2): entendendo a primeira carta de João.

E-mail: shigenakanose@ig.com.br

Publicado na revista VIDA PASTORAL em Setembro-Outubro de 2019 – ano 60 – número 329 – Pág. 15-24 

https://www.vidapastoral.com.br/artigos/etica-crista/o-falso-profeta-nega-o-jesus-da-historia-o-messias-encarnado-uma-leitura-da-primeira-carta-de-joao-41-6/

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** QUEM É O ANTICRISTO = O FALSO PROFETA? O falso profeta nega o Jesus da historia – Shigeyuki Nakanose  – (em PDF)

 

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Veja FALSOS PROFETAS NOS EVANGELHOS

Mc 13,21 Se alguém disser a vocês: ‘Aqui está o CRISTO‘,  ou: ‘Ele está ali’, não creiam.  22 Porque vão aparecer falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e prodígios para enganar,  (Cf. Ap 13,11-18) se possível, até mesmo os eleitos. 23 Prestem atenção! Eu estou falando tudo isso para vocês, antes que aconteça.”

 

Mt 7,15 «Cuidado com os falsos profetas: eles vêm a vocês vestidos com peles de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. 16 Vocês os conhecerão pelos frutos deles: por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de urtigas? 17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz maus frutos. 18 Uma árvore boa não pode dar frutos maus, e uma árvore má não pode dar bons frutos. 19 Toda árvore que não der bons frutos, será cortada e jogada no fogo. 20 Pelos frutos deles é que vocês os conhecerão.»

Lc 6, 26 Ai de vocês, se todos os elogiam, porque era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas

FALSOS PROFETAS nos Atos e em Pedro

At 13, 6 Atravessaram toda a ilha até Pafos e aí encontraram um judeu, mago e falso profeta, que se chamava Bar-Jesus. 7 Este se encontrava na casa do procônsul Sérgio Paulo, homem de bom critério, que mandou chamar Barnabé e Saulo, pois desejava escutar a Palavra de Deus. 8 Porém, o mago Elimas – assim se traduz o seu nome – se opôs, procurando afastar da fé o procônsul. 9 Então Saulo, também chamado Paulo, cheio de Espírito Santo, fixou os olhos em Elimas, 10 e disse: «Filho do diabo, cheio de falsidade e malícia, inimigo de toda justiça, quando é que você vai parar de torcer os caminhos do Senhor, que são retos? 11 Eis que a mão do Senhor vai cair agora sobre você. Você ficará cego e, por algum tempo, não verá mais o sol.» No mesmo instante escuridão e trevas envolveram Elimas, e ele começou a andar às cegas, procurando alguém que lhe desse a mão. 12 Ao ver o que acontecera, o procônsul abraçou a fé, pois ficara impressionado com a doutrina do Senhor.

2Pd 2,1: 1 Houve falsos profetas no povo de Israel, e entre vocês também irão aparecer falsos mestres que trarão heresias perniciosas; negarão o Senhor que os resgatou e atrairão sobre si repentina destruição. 2 Muitos seguirão suas doutrinas dissolutas e, por causa deles, o caminho da verdade cairá em descrédito. 3 Levados pelo amor ao dinheiro, procurarão, com palavras enganosas, fazer de vocês objeto de negócios. Mas o julgamento contra eles há muito já começou, e a sua destruição não vai tardar.

Veja FALSO PROFETA NO APOCALIPSE

No Apocalipse O FALSO PROFETA é mencionado 3 vezes (Cf. Ap 16,13; 19,20; 20,10) é conhecido também como 2ª BESTA. São sinônimos.

O PROFETA FALSO é PARÓDIA do ESPÍRITO SANTO

Ap 2,20 Mas, há uma coisa que eu reprovo: você nem sequer se incomoda com Jezabel, essa mulher que se diz profetisa. Ela ensina e engana meus servos a se prostituírem, comendo carne oferecida aos ídolos.  21 Já dei um prazo para ela se converter. Mas ela não quer largar a sua prostituição. 22 Vou lançá-la num leito de doença, e aos que cometem adultério com ela vou lançá-los numa grande tribulação, a menos que se convertam de sua conduta.  23 Farei também com que os filhos dela morram, para que as igrejas fiquem sabendo quem eu sou: conheço bem dentro de cada um, os rins e o coração; vou retribuir de acordo com a conduta de cada um.  24 Sei que muitos de vocês em Tiatira não seguem essa doutrina, não conhecem as ‘profundezas de Satanás’, como dizem eles. Sobre vocês eu não coloco outro peso. 25 Mas fiquem firmes naquilo que já têm, até que eu venha.

Ap 16,13. E da boca do Dragão, e da boca da BESTA, e da boca do FALSO-PROFETA, vi saírem três espíritos imundos, semelhantes a rãs.

Ap 19,20. E a BESTA foi presa, e com ela o FALSO-PROFETA que fizera diante dela os sinais com que ENGANOU os que receberam a MARCA da BESTA  e os que adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.

Ap 20,10. e o Diabo, que os ENGANAVA, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a BESTA e o FALSO-PROFETA; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos.

 

CONHEÇA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A 1ª BESTA.

VEJA A PROFECIA NO APOCALIPSE

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ÍNDICE GERAL DO APOCALIPSE

Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

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