JOÃO, O BATISTA

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JOÃO, O BATIZADOR*

José Antonio Pagola

O diagnóstico radical de João

Entre o outono do ano 27 e a primavera de 28 surge no horizonte religioso da Palestina um profeta original e independente que causa um forte impacto em todo o povo. Seu nome é João, mas as pessoas o chamam de o “Batizador”, porque pratica um rito inusitado e surpreendente nas águas do Jordão. É, sem dúvida, o homem que marcará como ninguém a trajetória de Jesus (7).

João era de família sacerdotal rural. Sua linguagem rude e as imagens que emprega refletem o ambiente camponês de uma aldeia (8). Em algum momento, João rompe com o templo e com todo o sistema de ritos de purificação e perdão a ele vinculados.

  •  Não sabemos o que o move a abandonar sua tarefa sacerdotal.
  •  Seu comportamento é o de um homem arrebatado pelo Espírito.
  •  Não se apoia em nenhum mestre.
  •  Não cita explicitamente as Escrituras sagradas.
  •  Não invoca nenhuma autoridade para legitimar sua atuação.
  •  Abandona a terra sagrada de Israel e vai ao deserto para proclamar sua mensagem.

João não só conhece a profunda crise em que se encontra o povo. Diferentemente de outros movimentos contemporâneos, que abordam diversos aspectos, ele concentra a forca de seu olhar profético na raiz de tudo: o pecado e a rebeldia de Israel. Seu diagnóstico é conciso e certeiro: a história do povo eleito chegou a seu fracasso total. O projeto de Deus ficou frustrado. A crise atual não é uma crise a mais. É o ponto final a que se chegou numa Ionga cadeia de pecados. O povo encontra-se agora diante da reação definitiva de Deus. Assim como os lenhadores deixam a descoberto as raízes de uma árvore antes de dar os golpes decisivos para derrubá-la, assim Deus está com “o machado posto a raiz das árvores e toda árvore que não der bom fruto será cortada e Iançada ao fogo”(Lc 3,9// Mt 3,10). É inútil as pessoas quererem escapar de sua “ira iminente”, como uma ninhada de víboras que fogem do incêndio que delas se aproxima (Fonte Q (Lucas 3,7//Mt 3,7): “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira iminente?”. Já não se pode recorrer aos meios tradicionais para recomeçar a história de salvação. De nada serve oferecer sacrifícios de expiação. 0 povo precipita-se para o seu fim.

De acordo com o Batista, o mal corrompe tudo. O povo inteiro está contaminado, não só os indivíduos; todo o Israel precisa confessar seu pecado e converter-se radicalmente a Deus, se não quiser perder-se irremediavelmente. O próprio templo está corrompido; já não é um lugar santo; não serve para eliminar a maldade do povo; são inúteis os sacrifícios de expiação ali oferecidos; é preciso um rito novo de purificação radical, não ligado ao culto do templo. A maldade chega inclusive até a terra em que Israel vive; também ela precisa ser purificada e habitada por um povo renovado; é preciso dirigir-se ao deserto, fora da terra prometida, para entrar novamente nela como um povo convertido e perdoado por Deus.

Ninguém deve iludir-se. A Aliança está rompida. O pecado de Israel anulou-a. É inútil apelar para a eleição por parte de Deus. De nada serve sentir-se “filhos de Abraão”      (Fonte Q (Lc 3,8// Mt 3,9): “Não andeis dizendo em vosso interior: ‘Temos Abraão por pai’, porque vos digo que Deus pode tirar destas pedras filhos de Abraão”.

Deus poderia tirar filhos de Abraão até das pedras espalhadas pelo deserto. Nada dispensa de uma conversão radical. Israel está praticamente no mesmo nível que os povos gentios. Não pode recorrer a sua historia passada com Deus. O povo precisa de uma purificação total para restabelecer a Aliança. O “batismo” que João oferece é precisamente o novo rito de conversão e perdão radical de que Israel necessita: o começo de uma eleição e de uma aliança nova para esse povo fracassado.

Jesus fica seduzido e impactado por esta visão grandiosa. Este homem põe Deus no centro e no horizonte de toda busca de salvação. O templo, os sacrifícios, as interpretações da Lei, a própria pertença ao povo eleito: tudo fica relativizado. Só uma coisa é decisiva e urgente: converter-se a Deus e acolher seu perdão.

O novo começo

João não pretende mergulhar o povo no desespero. Pelo contrário, sente-se chamado a convidar todos a dirigir-se ao deserto para viver uma conversão radical, ser purificados nas águas do Jordão e, uma vez recebido o perdão, poder ingressar novamente na terra prometida para acolher a iminente chegada de Deus.

Dando exemplo a todos, foi o primeiro a ir para o deserto. Deixa sua pequena aldeia e dirige-se a uma região desabitada da bacia oriental do Jordão. O lugar fica na região da Pereia, às portas da terra prometida, mas fora dela. (12)

Ao que parece, João havia escolhido cuidadosamente o lugar. Por um lado, encontrava-se junto ao rio Jordão, onde havia água abundante para realizar o rito do “batismo”. De resto, por aquela região passava uma importante via comercial que ia de Jerusalém em direção às regiões situadas a leste do Jordão e por onde transitava muita gente a quem João podia proclamar sua mensagem. Mas existe outra razão mais profunda. O Batista podia ter encontrado água mais abundante às margens do lago de Genesaré. Podia ter-se posto em contato com mais pessoas na cidade de Jericó ou na própria Jerusalém, onde havia pequenos tanques ou miqwaot, tanto públicos como privados, para realizar comodamente o rito batismal. Mas o “deserto” escolhido encontrava-se diante de Jericó, no lugar preciso em que, segundo a tradição, o povo conduzido por Josué havia cruzado o rio Jordão para entrar na terra prometida (Cf. Josué Cap. 3-4).

06b-MAPA - Joao Batista

A escolha era intencional.

João começa a viver ali como um “homem do deserto”. Traz como vestimenta um manto de pelo de camelo com um cinturão de couro e alimenta-se de gafanhotos e mel silvestre (Mc 1,6). Esta maneira elementar de vestir-se e alimentar-se não se deve somente a seu desejo de levar uma vida ascética e penitente. Aponta, pelo contrário, para o estilo de vida de um homem que habita no deserto e se alimenta dos produtos espontâneos de uma terra não cultivada. João quer recordar ao povo a vida de Israel no deserto, antes de sua entrada na terra que Deus ia dar-lhes em herança. (15)

João coloca novamente o povo “no deserto” às portas da terra prometida, mas fora dela. A nova libertação de Israel precisa começar ali onde havia começado. O Batista chama as pessoas a situar-se simbolicamente no ponto de partida, antes de cruzar o rio. Assim como aconteceu com a “primeira geração do deserto”, também agora o povo deve escutar a Deus, purificar-se nas águas do Jordão e entrar renovado no país da paz e da salvação.

Neste cenário evocador, João aparece como o profeta que chama à conversão e oferece o batismo para o perdão dos pecados. Os evangelistas recorrem a dois textos da tradição bíblica para apresentar sua figura (16).  João é a “voz que grita no deserto: ‘Preparai o caminho para o Senhor, aplainai suas veredas (Este conhecido texto de Isaías 40,3 e citado por todos os evangelistas para falar de João: Mc 1,3; a fonte Q (Lc 3,4//Mt 3,3) e João 1,23). Esta e sua tarefa: ajudar o povo a preparar o caminho para Deus, que já está chegando. Dito em outras palavras, ele é “o mensageiro” que novamente guia Israel pelo deserto e volta a introduzi-lo na terra prometida

O batismo de João

Quando João chega à região desértica do Jordão, estão muito difundidos por todo o Oriente os banhos sagrados e as purificações com água. Muitos povos atribuíram à água um significado simbólico de caráter sagrado, porque a água lava, purifica, refresca e dá vida. Também o povo judeu recorria às abluções e aos banhos para obter a purificação diante de Deus. Era um dos meios mais expressivos de renovação religiosa. Quando mais afundados se encontravam em seu pecado e em sua desgraça, mais suspiravam por uma purificação que os limpasse de toda maldade. Ainda se recordava a comovedora promessa feita por Deus ao profeta Ezequiel, por volta de 587 a.C.: “Eu vos recolherei de todos os países e vos levarei para a vossa terra. Derramarei sobre vós água pura e ficareis purificados; de todas as vossas impurezas e sujeiras eu vos purificarei. E vos darei um coração novo, infundirei em vós um espírito novo (Ez 36,24-26).

O desejo de purificação provocou entre os judeus do século I uma difusão surpreendente da prática de ritos purificatórios (19) e o aparecimento de diversos movimentos batistas. A consciência de viver longe de Deus, a necessidade de conversão e a esperança de salvar-se no “dia final” levava não poucos a buscar sua purificação no deserto. João não era o único. A menos de 20km do lugar onde ele batizava erguia-se o “mosteiro” de Qumran, onde uma numerosa comunidade de “monges” vestidos de branco e obcecados pela pureza ritual praticavam ao longo do dia banhos e ritos de purificação em pequenas piscinas dispostas especialmente para isso. A atração do deserto como lugar de conversão e purificação deve ter sido muito intensa. Flávio Josefo nos informa que “um tal Banus”, que vivia no deserto, trazia uma veste feita de folhas, comia alimentos silvestres e se lavava várias vezes de dia e de noite com água fria para purificar-se” (20).

No entanto, o batismo de João e, sobretudo, seu significado eram absolutamente novos e originais. Não é um rito praticado de qualquer maneira. Para começar, ele não o realiza em tanques ou piscinas, como se faz no “mosteiro” de Qumran ou nos arredores do templo, mas em plena corrente do rio Jordão. Isso não é algo casual. João quer purificar o povo da impureza radical causada por sua maldade e sabe que, quando se trata de impurezas muito graves e contaminantes, a tradição judaica exige empregar não água estancada ou “água morta”, mas “água viva”, uma água que flui e corre.

Os que aceitam seu batismo, João os mergulha nas águas do Jordão. Seu batismo é um banho completo do corpo, não uma aspersão com água nem uma lavagem parcial das mãos ou dos pés, como se costumava fazer em outras práticas purificatórias da época. Seu novo batismo aponta para uma purificação total. Por isso mesmo é realizado uma só vez, como um novo começo da vida, e não como as imersões praticadas pelos “monges” de Qumran várias vezes ao dia para recuperar a pureza ritual perdida ao longo da jornada.

Mas há algo mais original. Ate ao aparecimento de João não existia entre os judeus o costume de batizar outras pessoas. Conhecia-se grande número de ritos de purificação e imersões, mas os que procuravam purificar-se sempre se lavavam a si mesmos. João é o primeiro a atribuir-se a autoridade de batizar outras pessoas. Justamente por isso começaram a chamá-lo de “batizador” ou “submergidor”. Isto dá a seu batismo um caráter singular. Por um lado, cria um vínculo estreito entre os batizados e João. As abluções praticadas entre os judeus eram coisa de cada um, ritos privados repetidos sempre que se considerava necessário. O batismo no Jordão é diferente. As pessoas falam do “batismo de João”. Ser submergidos pelo Batista nas àguas vivas do Jordão significa acolher seu chamado e incorporar-se à renovação de Israel. Por outro lado, ao ser realizado por João e não por cada um, o batismo aparece como um dom de Deus. É Deus mesmo quem concede a purificação a Israel. João é apenas seu mediador (21).

O batismo de João transforma-se assim em sinal e compromisso de uma conversão radical a Deus. O gesto expressa solenemente o abandono do pecado em que o povo está submerso e o retorno à Aliança com Deus. Esta conversão deve realizar-se no mais profundo da pessoa, mas precisa traduzir-se num comportamento digno de um povo fiel a Deus: o Batista pede “frutos dignos de conversão” (Fonte Q: Lc 3,8//Mt 3,8). Esta “conversão” é absolutamente necessária e nenhum rito religioso pode substituí-la, nem sequer o batismo (23).

No entanto, este mesmo rito cria o clima apropriado para despertar o desejo de uma conversão radical. Homens e mulheres, pertencentes ou não à categoria de “pecadores”, considerados puros ou impuros, são batizados por João no rio Jordão enquanto confessam em voz alta seus pecados. (Assim se descreve o rito em Marcos 1,5: “Eram batizados por ele no rio Jordão, confessando seus pecados”).

Não é um batismo coletivo, mas individual: cada um assume sua própria responsabilidade. No entanto, a confissão dos pecados não se limita ao âmbito do comportamento individual, mas inclui também os pecados de todo o Israel. Provavelmente assemelhava-se à confissão pública dos pecados que todo o povo fazia quando se reunia para a festa da Expiação.

O “batismo de João” é muito mais do que um sinal de conversão. Inclui o perdão de Deus. Não basta o arrependimento para fazer desaparecer os pecados acumulados por Israel e para criar o povo renovado em que pensa João. Ele proclama um batismo de conversão “para o perdão dos pecados” (Mc 1,4). Este perdão concedido por Deus na última hora àquele povo completamente perdido e provavelmente o que mais comove a muitos. Aos sacerdotes, pelo contrário, este perdão os escandaliza: o Batista está atuando a margem do templo, desprezando o único lugar onde é possível receber o perdão de Deus. A pretensão de João é inaudita: Deus oferece seu perdão ao povo, mas longe daquele templo corrompido de Jerusalém!

Quando se aproximou do Jordão, Jesus deparou-se com um espetáculo comovedor: pessoas vindas de todas as partes faziam-se batizar por João, confessando seus pecados e invocando o perdão de Deus. Não havia entre aquela multidão sacerdotes do templo nem escribas de Jerusalém. A maioria era gente das aldeias; entre eles veem-se também prostitutas, arrecadadores de impostos e pessoas de conduta suspeita. Respira-se uma atitude de “conversão”. A purificação nas águas vivas do Jordão significa a passagem do deserto da terra que Deus lhes oferece novamente para desfrutá-la de maneira mais digna e justa (26). Ali está se formando o novo povo da Aliança.

João não está pensando numa comunidade “fechada”, como a de Qumran; seu batismo não é um rito de iniciação para formar um grupo de eleitos. João o oferece a todos. No Jordão está se iniciando a “restauração” de Israel. Os batizados retomam as suas casas para viver de maneira nova, como membros de um povo renovado, preparado para acolher a chegada já iminente de Deus (27).

As expectativas do Batista

João não se considerou nunca o Messias dos últimos tempos. Ele era apenas aquele que iniciava a preparação. Sua visão era fascinante. João pensava num processo dinâmico com duas etapas bem diferenciadas. O primeiro momento seria o da preparação. Seu protagonista é o Batista e terá como cenário o deserto. Esta preparação gira em torno do batismo no Jordão: é o grande sinal que expressa a conversão a Deus e a acolhida de seu perdão. Viria em seguida uma segunda etapa que ocorreria já dentro da terra prometida. Não será protagonizada pelo Batista, mas por uma figura misteriosa que João designa como “o mais forte”. Ao batismo de água sucederá um “batismo de fogo” que transformará o povo de forma definitiva e o conduzirá a uma vida plena” (28).

Quem exatamente virá depois do Batista? João não fala com clareza. Sem dúvida é o personagem central dos últimos tempos, mas João não o chama de Messias nem lhe dá título algum. Apenas diz que é “aquele que há de vir”, aquele que é “mais forte” do que eu (29). Estará pensando em Deus? Na tradição bíblica é muito comum chamar a Deus “o forte”; além disso, Deus é o Juiz de Israel, o único que pode julgar seu povo ou infundir seu Espírito sobre ele. No entanto, resulta estranho ouvi-lo dizer que Deus é “mais forte” do que ele ou que ele não é digno de “desatar as correias de suas sandálias” (Mc 1,7: “Depois de mim vem aquele que é mais forte do que eu; e eu não sou digno de prostrar-me diante dele para desatar-lhe a correia das sandálias”. Provavelmente João esperava um personagem ainda por chegar, por meio do qual Deus realizaria seu último desígnio. Não tinha uma ideia clara de quem haveria de ser, mas esperava-o como o mediador definitivo. Já não virá “preparar” o caminho para Deus, como João. Chegará para tornar realidade seu juízo e sua salvação. Ele levará a sua conclusão o processo iniciado pelo Batista, conduzindo todos ao destino escolhido por uns e outros com sua reação perante o batismo de João: o juízo ou a restauração.

É difícil saber com precisão como o Batista imaginava aquilo que iria acontecer. A primeira coisa nesta etapa definitiva seria, sem dúvida, um grande juízo purificador, o tempo de um “batismo de fogo”, que purificaria definitivamente o povo, eliminando a maldade e implantando a justiça. O Batista via como iam se definindo dois grandes grupos: aqueles que, como Antipas e seus cortesões, não escutavam o chamado ao arrependimento e aqueles que, vindos de todas as partes, haviam recebido o batismo, iniciando uma vida nova. O “fogo” de Deus julgaria definitivamente seu povo.

João utiliza imagens agrícolas muito próprias de um homem de origem rural. Imagens violentas que sem dúvida causavam impacto nos camponeses que o ouviam. Via Israel como a plantação de Deus que necessita de uma limpeza radical. Chega o momento de eliminar os arbustos inúteis, cortando e queimando as árvores que não dão frutos bons (Fonte Q:Lc 3,9//Mt 3,10). Só permanecerão vivas e em pé as árvores que dão fruto: a autêntica plantação de Deus, o verdadeiro Israel. João vale-se também de outra imagem. Israel é como a eira de um povoado onde há de tudo: cereais, poeira e palha. E necessária uma limpeza completa para separar o grão e armazená-lo no celeiro e recolher a palha e queimá-la no fogo. Com seu juízo, Deus eliminará tudo o que não serve e recolherá limpa sua colheita (Mt 3,12).

O grande juízo purificador desembocará numa situação nova de paz e de vida plena. Para isso não basta o “batismo do fogo”. João espera, além disso, um “batismo com Espirito Santo” (Mc 1,8; fonte Q: Lc 3,16//Mt 3,11). Israel experimentará a forca transformadora de Deus, a efusão vivificante de seu Espírito. O povo conhecerá, por fim, uma vida digna e justa numa terra transformada. Viverá uma Aliança nova com seu Deus.

NOTAS

Obs: A FONTE “Q” é definida como o material “comum” encontrado em Mateus e Lucas, mas não no Evangelho de Marcos.

7. As principais fontes sobre a atividade, pregação e morte do Batista são: Marcos 1,2-11; 6,17-29; fonte Q (Lucas 3,7-9; 3,16-17; 7,24-28; 16,16 // Mateus 3,7-10; 3,11-12; 17,7-11; 11,12-13); Flávio Josefo em Antiguidades dos judeus 18, 5,2.

8. De acordo com muitos autores (Meier, Theissen e Merz, Emst, Webb), este seria o único dado que pode ser aceito como histórico do material trazido por Lucas no relato da “infância de João” (Lc 1).

12. Os estudos mais recentes sobre o Batista (Stegemann, Meier, Webb, Vidal) o situam batizando a leste do Jordão, no território da Pereia, que estava sob a jurisdição de Herodes Antipas. Isto explica que ele pudesse encarcerá-lo e executá-lo na fortaleza de Maqueronte, ao sul da Pereia. Na Judeia governava neste momento Pôncio Pilatos.

15. Contra o que geralmente se afirma, parece que a estadia de João no deserto tinha mais o caráter simbólico de uma “vida fora da terra prometida” do que o tom ascético de um penitente (Stegemann, Gnilka, Meier, Vidal).

16. Não sabemos se o próprio João os utilizou para apresentar-se diante do povo, como faziam outros líderes proféticos de seu tempo. Em geral os autores negam.

19. Foram descobertos “tanques” e pequenas “piscinas” (miqwaot) do tempo de Jesus, que serviam para as purificações. São de uso privado ou público. Algumas estavam escavadas na rocha e contavam com sistemas de canalização para recolher a água da chuva ou de algum manancial próximo.

20. (Autobiografia 2, 11-12)

21. Alguns veem nesta atuação do Batista reminiscências de sua função sacerdotal, pois nos ritos purificatórios do templo os sacerdotes atuavam como mediadores de Deus (Stegemann, Webb, Vidal).

23. Entre os judeus conhecia-se muito bem o termo teshubá (“conversão”), que literalmente significa “retorno” ou “volta” e indica a resposta ao chamado que tantas vezes os profetas haviam feito ao povo: “Voltai para Javé”.

26. A hipótese sugerida por alguns autores de que os batizados entravam nas águas na parte oriental do “deserto” para sair pela outra margem para a “terra prometida” é sugestiva, mas não pode ser verificada.

27. É uma questão debatida se o Batista teve alguma relação com a comunidade de Qumran ou inclusive se pertenceu a ela durante algum tempo. Sua atuação no deserto (justificada, como em Qumran, com o texto de Isaías 40,3), seu chamado radical à conversão, sua crítica ao templo, seu rito purificador, seu esquema escatológico, o aproximam muito de Qumran (Hollenbach, Paul, Barbaglio). No entanto, a singularidade de seu rito, a vinculação dos balizados à sua pessoa e mensagem, o oferecimento universal da salvação, a pregação do “mais forte” e outros aspectos o distanciam dos “monges” do mar Morto (Stegemann). Muitos autores situam João no centro de um fenômeno religioso mais amplo de movimentos e práticas batistas (Meier, Perrot, Scobie).

28. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o Batista não considerava esta segunda etapa como “o fim deste mundo”, mas como a renovação radical de Israel numa terra transformada (Webb, Stegemann, Vidal).

29. Esta linguagem do “mais forte” (Mc 1,7) ou “aquele que há de vir” (Mt 11,3) nunca é empregada nas comunidades cristas para falar de Cristo. Reflete quase com toda certeza à pregação original de João.

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*Texto transcrito do livro “JESUS: aproximação histórica” de José Antonio Pagola, Editora Vozes – 2012 – pp 88-98

 

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Mc    1,  4| E foi assim que João Batista(VIwa,nnhj Îo`Ð bapti,zwn) apareceu no deserto,

Mc    1,  6|  João(VIwa,nnhj) se vestia com uma pele de

Mc    1,  9| Galiléia, e foi batizado por João(VIwa,nnou) no rio Jordão.

Mc    1, 14|     Depois que João(VIwa,nnhn) foi preso, Jesus

 

Mc    2, 18| 18 Os discípulos de João(VIwa,nnou) e os fariseus estavam

Mc    2, 18|Por que os discípulos de João(VIwa,nnou) e os discípulos dos fariseus

 

Mc    6, 14|    Alguns diziam: «João Batista(VIwa,nnhj o` bapti,zwn) ressuscitou dos

Mc    6, 16|     Herodes disse: «Ele é João(VIwa,nnhn). Eu mandei cortar

Mc    6, 17|  Herodes tinha mandado prender João(VIwa,nnhn), amarrá-lo e colocá-lo na

Mc    6, 18| João dizia(VIwa,nnhj) a Herodes: «Não é

Mc    6, 20| Herodes tinha medo de João(VIwa,nnhn), pois sabia que ele era

Mc    6, 24|   respondeu: «A cabeça de João Batista(VIwa,nnou tou/ bapti,zontoj).»

Mc    6, 25|    num prato, a cabeça de João Batista(VIwa,nnou tou/ baptistou).»

 

Mc   8, 28|  Alguns dizem que tu és João Batista(VIwa,nnhn to.n baptisth,n); outros, que és

 

Mc   11, 30|  O batismo de João(VIwa,nnou) vinha do céu ou dos homens?

Mc   11, 32| porque todos consideravam João(VIwa,nnhn) como verdadeiro profeta.

 

23   Mt    3,  1|            Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto
 24   Mt    3,  3|                                  3 João foi anunciado pelo profeta
 25   Mt    3,  4|                                  4 João usava roupa feita de pêlos
 26   Mt    3,  5|         Jordão, iam ao encontro de João.
 27   Mt    3,  6| Confessavam os próprios pecados, e João os batizava no rio Jordão.~
 28   Mt    3,  7|     saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: «Raça de cobras
 29   Mt    3, 13|            fim de se encontrar com João, e ser batizado por ele.
 30   Mt    3, 14|                             14 Mas João procurava impedi-lo, dizendo: «
 31   Mt    3, 15|         cumprir toda a justiça.» E João concordou.~
 32   Mt    4, 12|                    12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus
 34   Mt    9, 14|          14 Então os discípulos de João se aproximaram de Jesus,
 36   Mt   11,  2|                                  2 João estava na prisão. Quando
 37   Mt   11,  4|      respondeu: «Voltem e contem a João o que vocês estão ouvindo
 38   Mt   11,  7|                 7 Os discípulos de João partiram, e Jesus começou
 39   Mt   11,  7|            multidões a respeito de João: «O que é que vocês foram
 40   Mt   11, 10|                            10 É de João que a Escritura diz: ‘Eis
 41   Mt   11, 11|    nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor
 42   Mt   11, 12|                12 Desde os dias de João Batista até agora, o Reino
 43   Mt   11, 13|           e a Lei profetizaram até João.
 44   Mt   11, 14|          vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia vir.
 45   Mt   11, 18|                            18 Veio João, que não come nem bebe,
 46   Mt   14,  2|            a seus oficiais: «Ele é João Batista, que ressuscitou
 47   Mt   14,  3|      Herodes tinha mandado prender João, amarrá-lo e colocá-lo na
 48   Mt   14,  4|                           4 Porque João dizia a Herodes: «Não é
 49   Mt   14,  5|             5 Herodes queria matar João, mas tinha medo da multidão,
 50   Mt   14,  5|            porque esta considerava João um profeta.~
 51   Mt   14,  8|             num prato, a cabeça de João Batista.»
 52   Mt   14, 10|          mandou cortar a cabeça de João na prisão.
 53   Mt   14, 12|                12 Os discípulos de João foram buscar o cadáver,
 54   Mt   14, 13|           Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu, e
 55   Mt   16, 14|   responderam: «Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias;
 57   Mt   17, 13|  compreenderam que Jesus falava de João Batista.~A força da  -*
 58   Mt   21, 25|           De onde era o batismo de João? Do céu ou dos homens?»
 59   Mt   21, 25|           vocês não acreditaram em João?’
 60   Mt   21, 26|    multidão, pois todos consideram João como um profeta.»
 61   Mt   21, 32|                          32 Porque João veio até vocês para mostrar

 96   Lc    1, 13|            você lhe dará o nome de João.
 97   Lc    1, 60|             Não! Ele vai se chamar João.»
 98   Lc    1, 63|           escreveu: «O nome dele é João.» E todos ficaram admirados.
 99   Lc    1, 80|         ficando forte de espírito. João viveu no deserto, até o
100   Lc    3,  2|        Deus enviou a sua palavra a João, filho de Zacarias, no deserto.
101   Lc    3,  3|                                3 E João percorria toda a região
102   Lc    3,  7|                                  7 João Batista dizia às multidões
103   Lc    3, 10|            multidões perguntavam a João: «O que é que devemos fazer?»
104   Lc    3, 13|                                 13 João respondeu: «Não cobrem nada
105   Lc    3, 15|         perguntavam a si mesmos se João não seria o Messias.
106   Lc    3, 16|                       16 Por isso, João declarou a todos: «Eu batizo
107   Lc    3, 18|                                 18 João anunciava a Boa Notícia
108   Lc    3, 19|                                 19 João repreendeu o governador
109   Lc    3, 20|         fez o pior: mandou prender João.~O tempo do Espírito -*
110   Lc    5, 10|                         10 Tiago e João, filhos de Zebedeu, que
111   Lc    5, 33|           Jesus: «Os discípulos de João, e também os discípulos
112   Lc    6, 14|           seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;
113   Lc    7, 18|                18 Os discípulos de João o puseram a par de todas
114   Lc    7, 18|          todas essas coisas. Então João chamou dois de seus discípulos,
115   Lc    7, 20|        foram a Jesus, e disseram: «João Batista nos mandou a ti
116   Lc    7, 22|     respondeu: «Voltem, e contem a João o que vocês viram e ouviram:
117   Lc    7, 24|       Depois que os mensageiros de João partiram, Jesus começou
118   Lc    7, 24|        Jesus começou a falar sobre João às multidões: «O que vocês
119   Lc    7, 27|                            27 É de João que a Escritura afirma: ‘
120   Lc    7, 28|      mulher ninguém é maior do que João. No entanto, o menor no
121   Lc    7, 29|        deram ouvidos à pregação de João. Reconheceram a justiça
122   Lc    7, 29|           e receberam o batismo de João.
123   Lc    7, 30|            rejeitando o batismo de João, tornaram inútil para si
124   Lc    7, 33|                       33 Pois veio João Batista, que não comia nem
125   Lc    8, 51|          com ele, a não ser Pedro, João e Tiago, junto com o pai
126   Lc    9,  7|           porque alguns diziam que João Batista tinha ressuscitado
127   Lc    9,  9|          disse: «Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre
128   Lc    9, 19|             Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és
129   Lc    9, 28|         Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha
130   Lc    9, 49|                                 49 João disse a Jesus: «Mestre,
131   Lc    9, 54|        isso, os discípulos Tiago e João disseram: «Senhor, queres
132   Lc   11,  1|           nos a rezar, como também João ensinou os discípulos dele.»
133   Lc   16, 16|           os profetas chegaram até João; daí para a frente o Reino
134   Lc   20,  4|                     4 o batismo de João vinha do céu ou dos homens?»
135   Lc   20,  5|           vocês não acreditaram em João?’
136   Lc   20,  6|      porque está convencido de que João era um profeta.»
137   Lc   22,  8|             8 Jesus mandou Pedro e João, dizendo: «Vão, e preparem
138  Joa    1,  6|           por Deus, que se chamava João.
139  Joa    1, 15|                                 15 João dava testemunho dele, proclamando: «
140  Joa    1, 19|                 19 O testemunho de João foi assim. As autoridades
141  Joa    1, 19|         levitas para perguntarem a João: «Quem é você?»
142  Joa    1, 20|                                 20 João confessou e não negou. Ele
143  Joa    1, 21|        Então, quem é você? EliasJoão disse: «Não sou.» Eles perguntaram: «
144  Joa    1, 23|                                 23 João declarou: «Eu sou uma voz
145  Joa    1, 26|                                 26 João respondeu: «Eu batizo com
146  Joa    1, 28|       outra margem do Jordão, onde João estava batizando. ~A testemunha
147  Joa    1, 29|                29 No dia seguinte, João viu Jesus, que se aproximava
148  Joa    1, 32|                               32 E João testemunhou: «Eu vi o Espírito
149  Joa    1, 35|                35 No dia seguinte, Joãoestava de novo, com dois
150  Joa    1, 40|         que ouviram as palavras de João e seguiram a Jesus.
151  Joa    1, 42|           Você é Simão, o filho de João. Você vai se chamar Cefas (
152  Joa    3, 23|                                 23 João também estava batizando
153  Joa    3, 24|                                 24 João ainda não tinha sido preso.~
154  Joa    3, 25|   discussão entre os discípulos de João e um judeu sobre a purificação.
155  Joa    3, 26|                    26 Eles foram a João e disseram: «Rabi, aquele
156  Joa    3, 27|                               27 E João respondeu: «Ninguém pode
157  Joa    4,  1|  discípulos e batizava mais do que João.
158  Joa    5, 33|       Vocês mandaram mensageiros a João, e ele deu testemunho da
159  Joa    5, 35|                                 35 João era uma lâmpada que estava
160  Joa    5, 36|          testemunho maior que o de João: são as obras que o Pai
161  Joa   10, 40|            para o lugar onde antes João ficava batizando. E aí ficou.
162  Joa   10, 41|           seu encontro. E diziam: «João não realizou nenhum sinal,

166   At    1,  5|                                 5 ‘João batizou com água; vocês,
168   At    1, 22|              22 desde o batismo de João até o dia em que foi levado
188   At   10, 37|      depois do batismo pregado por João.
189   At   11, 16|          que o Senhor havia dito: ‘João batizou com água, mas vocês
195   At   13, 24|                               24 E João, o precursor, havia preparado
196   At   13, 25|        para terminar a sua missão, João declarou: ‘Não sou aquele
198   At   18, 25|            conhecesse o batismo de João.
199   At   19,  3|         responderam: «O batismo de João200   At   19,  4|           4 Então Paulo explicou: «João batizava como sinal de arrependimento

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MAPA DA PALESTINA

EVANGELHO DE MARCOS

Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

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