DESERTO

DESERTO

DESERTO NO ANTIGO TESTAMENTO

O deserto (em grego: evrh,moj – erémos)  é o lugar ideal para a relação entre Deus e o seu povo; representa uma etapa no processo de libertação, como aconteceu no primeiro êxodo; por isso, quando o povo demonstrava infidelidade, os profetas apresentavam a necessidade de retornar ao deserto para voltar a viver o ideal da aliança (cf. Os 2,14; 9,10; 13,5; Am 2,10; 5,25).

EM MARCOS

1,3     Esta é a voz daquele que grita no deserto(evrh,mw|)Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas!” (Mal 3,1; Is 40,3)

1,4  E foi assim que João, o Batista apareceu no deserto(evrh,mw|)pregando um  batismo de conversão para o perdão dos pecados.

1,12 E logo o Espírito O impeliu  para o deserto(e;rhmon)

1,13 E  ficou no deserto(evrh,mw|) durante quarenta dias,

 

1,35 De madrugada, quando ainda estava escuro, se levantou e foi orar num lugar deserto(e;rhmon) (ermo).  

 

1, 45 Mas o homem foi embora e começou a pregar muito e a espalhar a notícia (a palavra). Por isso, não podia mais entrar publicamente numa cidade: ele ficava fora, em lugares desertos(evrh,moij) (ermos). E de toda parte as pessoas iam procurá-lo.

 

6,31 Havia aí tanta gente que chegava e saía, a tal ponto que não tinham tempooportuno nem para comer. Então disse para eles:  “Vamos sozinhos para algum lugar deserto(e;rhmon) (ermo), para que vocês descansem um pouco.” 

6,32 Então foram sozinhos, de barca, para um lugar deserto(e;rhmon) (ermo).

6,35 Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto e disseram: “Este lugar é deserto(e;rhmo,j) e já é tarde.

8,4 Os discípulos disseram:  “Onde alguém poderia saciar essa gente de pão,  aqui no deserto(evrhmi,aj)?”  

 

 Mc 1,3-4: Ora, o deserto (em grego: evrh,moj – erémos)  é o lugar ideal para a relação entre Deus e o seu povo; representa uma etapa no processo de libertação, como aconteceu no primeiro êxodo; por isso, quando o povo demonstrava infidelidade, os profetas apresentavam a necessidade de retornar ao deserto para voltar a viver o ideal da aliança (cf. Os 2,14; 9,10; 13,5; Am 2,10; 5,25). Assim, a presença de João no deserto é um convite para Israel romper com as estruturas vigentes e retornar às suas origens. (Pe. Francisco Cornelio Freire Rodrigues)

 

O novo começo

João Batista não pretende mergulhar o povo no desespero. Pelo contrário, sente-se chamado a convidar todos a dirigir-se ao deserto para viver uma conversão radical, ser purificados nas águas do Jordão e, uma vez recebido o perdão, poder ingressar novamente na terra prometida para acolher a iminente chegada de Deus.

Dando exemplo a todos, foi o primeiro a ir para o deserto. Deixa sua pequena aldeia e dirige-se a uma região desabitada da bacia oriental do Jordao. O lugar fica na região da Pereia, as portas da terra prometida, mas fora dela. (12)

Ao que parece, João havia escolhido cuidadosamente o lugar. Por um lado, encontrava-se junto ao rio Jordão, onde havia água abundante para realizar o rito do “batismo”. De resto, por aquela região passava uma importante via comercial que ia de Jerusalém em direção as regiões situadas a leste do Jordão e por onde transitava muita gente a quem João podia proclamar sua mensagem. Mas existe outra razão mais profunda. O Batista podia ter encontrado água mais abundante as margens do lago de Genesaré. Podia ter-se posto em contato com mais pessoas na cidade de Jericó ou na própria Jerusalém, onde havia pequenos tanques ou miqwaot, tanto públicos como privados, para realizar comodamente o rito batismal Mas o “deserto” escolhido encontrava-se diante de Jericó, no lugar preciso em que, segundo a tradição, o povo conduzido por Josué havia cruzado o rio Jordão para entrar na terra prometida (Js 4,13-19). A escolha era intencional.

João começa a viver ali como um “homem do deserto”. Traz como vestimenta um manto de pelo de camelo com um cinturão de couro e alimenta-se de gafanhotos e mel silvestre (Mc 1,6). Esta maneira elementar de vestir-se e alimentar-se não se deve somente a seu desejo de levar uma vida ascética e penitente. Aponta, pelo contrário, para o estilo de vida de um homem que habita no deserto e se alimenta dos produtos espontâneos de uma terra não cultivada. João quer recordar ao povo a vida de Israel no deserto, antes de sua entrada na terra que Deus ia dar-lhes em herança. (15)

João coloca novamente o povo “no deserto” às portas da terra prometida, mas fora dela. A nova libertação de Israel precisa começar ali onde havia começado. O Batista chama as pessoas a situar-se simbolicamente no ponto de partida, antes de cruzar o rio. Assim como aconteceu com a “primeira geração do deserto”, também agora o povo deve escutar a Deus, purificar-se nas águas do Jordão e entrar renovado no país da paz e da salvação.

Neste cenário evocador, João aparece como o profeta que chama a conversão e oferece o batismo para o perdão dos pecados. Os evangelistas recorrem a dois textos da tradição bíblica para apresentar sua figura (16).  João é a “voz que grita no deserto: ‘Preparai o caminho para o Senhor, aplainai suas veredas (Este conhecido texto de Isaías 40,3 e citado por todos os evangelistas para falar de João: Mc 1,3; a fonte Q (Lc 3,4//Mt 3,3) e João 1,23). Esta e sua tarefa: ajudar o povo a preparar o caminho para Deus, que já esta chegando. Dito em outras palavras, ele e “o mensageiro” que novamente guia Israel pelo deserto e volta a introduzi-lo na terra prometida. (Pe José Antonio Pagola)

 

DESERTO NO APOCALIPSE

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