MATEUS – CONCLUSÕES

EVANGELHO DE MATEUS

CONCLUSÕES

Xavier Cutajar

1. Desde o séc. II, o Evangelho de Mateus foi considerado como o “Evangelho da Igreja”, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. Assim a ordem entre os sinóticos foi estabelecida como Mateus, Marcos e Lucas.  Por causa disso temos lido o Evangelho de Marcos a partir de Mateus. Isso tem dificultado a compreensão melhor do Evangelho de Marcos.

2. MATEUS, de fato, não é o PRIMEIRO EVANGELHO escrito. O primeiro Evangelho escrito é Marcos e para entender melhor Mateus temos que lê-lo a partir de Marcos. Mateus pega os temas de Marcos  e os amplia, além de acrescentar outro material de outras fontes.

3. MATEUS segue, a grosso modo, o plano de Marcos. Ao ler o Evangelho em sequência consegue desvendar este plano.

  • Jesus na periferia, fora da Capital Jerusalém, longe do TEMPLO, longe do poder (Mt 4-20).
  • Jesus na Capital Jerusalém, onde está o TEMPLO, bem no centro do poder (Mt 21-28).

5. Como em Marcos,  em Mateus, todas as curas que  Jesus realiza acontecem fora de Jerusalém, exceto uma única vez em 21,14 quando diz: “Os cegos e aleijados chegaram perto de Jesus no Templo, e ele os curou.”

7. A palavra hebraica MESSIAS que significa ‘ungido’, portanto ‘escolhido’ foi traduzida para o grego pelo palavra CRISTO.

Percebo, nas traduções feitas para o português, uma diferença sutil entre MESSIAS e CRISTO compreendido dentro do contexto.

  • O uso da tradução MESSIAS ainda guarda o significado da expectativa do povo de Israel de um MESSIAS que seria o esperado, o salvador, o libertador do povo ou o Rei de Israel, e só de Israel.
  • Diferente do significado quando se usa a tradução CRISTO que, então, tem já uma conotação mais universal. CRISTO, neste caso, significa todo um projeto, significa o NOME, “em meu NOME” ou “em memória de mim”.  É este sentido que foi levado para frente por Paulo.

7. Mateus, como Marcos não faz alusão nenhuma à atividade de Jesus na Samaria ou com os Samaritanos.  Ele até orienta os Doze, ao enviá-los, para não tomarem o caminho dos samaritanos. (Cf. Mt 10,5)

8.  Mateus modifica o relato de algumas curas que Jesus realiza em Marcos.

  • Veja, por exemplo, a cura do endemoninhado de Gerasa (ou Gadara, em Mateus). Mateus fala de dois endemoninhados e não faz referência nenhuma ao nome ‘Legião’ mencionado duas vezes em Marcos. (Cf. Mc 5, 1-20 // Mt 8,28-34) (Lucas segue Marcos: Lc 8,26-39).
  • Veja também a cura do cego Bartimeu. Mateus coloca 2 cegos. Mas são colocados como apenas cegos e não como pessoas que já enxergavam antes e agora querem voltar a ver. (Mc 10,46-52; // Mt 21,1-11 (Lucas também segue Marcos mas deixa Bartimeu no anonimato: Lc 19,28-40)

Leave a Reply