SIMBOLIZMO ANIMAL

O SIMBOLISMO ANIMAL

Maria do Socorro  Marcos  da  Silva  

 

Faz parte da natureza humana o desejo de traduzir com palavras gestos ou conceitos o meio em que vive a fim de compreendê-lo melhor e levar ao entendimento dos outros.  O que a princípio era apenas intuição foi-se aos poucos se intelectualizando e  teve seu apogeu no mundo da Grécia Antiga com o triunfo da razão. Aí o simbolismo deixa de ser ação imaginosa do mundo e passa a ser propaganda do pensamento humano com o risco de que este seja uma verdade para todos.

As primeiras compilações a este respeito atribui-se a  Felipe de Taon – Fhysiologus – clérigo latino que viveu na Inglaterra, no primeiro terço do século XII e são conhecidas com o nome de bestiários.

FHYSIOLOGUS: Têrmo usado para dizer do autor anônimo das primeiras compilações, conhecido como “o naturalista”.

BESTIÁRIOS – Obras em prosa ou verso que se serviam da descrição de certos animais (reais ou imaginários) interpretada simbolicamente, para tirarem delas ensinamentos moral ou religioso.

 

  • A tradição do bestiário teve seu apogeu na Idade Média. Lá atribuía-se a Deus ou ao Espírito Santo a composição de dois livros: a Bíblia e o Universo, do qual as criaturas tiravam ensinamentos morais e, para explicá-los, fora necessário compilar os referidos tratados de fisiologia.
  • Estas compilações seguiam a concepção Alexandrina do séc. II, portanto moralistas, latinos e romanos. Não tinham nenhum teor científico mas o fato de ter encontrado enorme sucesso no mundo cristão da Antiguidade e na Idade Média deu margem a muitas outras versões seguidas de compilações e traduções.
  • Muitos contemporâneos nossos consideram o “simbolismo animal” e os “mitos” como forma de superstição e, se o assunto os atrai, é por simples curiosidade intelectual ou moral. Neste caso podemos dizer que “nosso amigos os animais” foram secularmente traídos, uma vez que o homem sempre busca tirar proveito de tudo para satisfazer a si mesmo, esquecendo que a essência real, íntima da natureza e do mundo, só é vista se olhada com os olhos do coração e não com os de nossa cabeça orgulhosa. O segredo é revelado só àqueles e àquelas que compreendem que as portas do infinito são abertas só pela via do coração e da intuição. “Dissecar um animal não ensina sobre sua natureza real. Para isto é necessário compreendê-lo, amá-lo e identificar-se com ele”, o que certamente, não passa pela razão.

“O simbolismo animal, como todo simbolismo, é a transformação – deformação até – da natureza dos seres e das coisas”.

AS COMPARAÇÕES

 

Ainda hoje usamos comparações quando queremos descrever esta ou aquela pessoa, situação…

 

  • Se estamos insatisfeitos com a sabedoria de alguém o chamamos de jumento.
  • Se não gostamos do assanhamento de outro logo tarjamos ele(a) de galo ou galinha.
  • Mas se gostamos de uma moça ela passa a ser gata, de um rapaz gato.
  •  Se dois namorados se beijam, se acariciam, lá estão os dois pombinhos.
  • Se alguém é estúpido logo o chamamos de cavalo, se grita ou agride, cachorro.
  • Quem não se lembra da “língua de víbora”, como sendo a(o) que destila veneno sobre outra pessoa?
  • E quando os carros de propaganda enchem os nossos ouvidos com os elogios aos candidatos quantos de nós não já chamamos a alguns de raposa velha?
  • Sem contar as vezes que chamamos aos engraçadinhos(as)macacos(as).

Como vimos, da mesma forma que elogiamos, também denegrimos com as nossas comparações, conceitos e preconceitos. Isto nos leva a concluir que a presença dos animais em nossa vida tem mais importância do que admitimos; forjamos um bestiário a parte reafirmando que queiramos ou não a nossa natureza animal

 

A NATUREZA ANIMAL DO SER HUMANO

 

Desde muito tempo o ser humano amou, odiou, fantasiou, invejou, rejeitou, humilhou e exaltou o animal. Depois de procurar parecer-se com ele, encontrando filiação mítica e comum, o homem tentou colocá-lo sob o seu domínio. De domesticação levou-o a escravidão. De amigo a inimigo, coisa, joguete, atitudes estas que se estendeu à relação com a mulher; considerando-os propriedade ou mercadoria privando-os de sua liberdade de existir como ser independente.

A relação ser humano-animal, sempre dependeu principalmente da psicologia profunda do homem. O cão por exemplo pode ser o melhor amigo do homem ou seu bode expiatório. “Porque, se o animal tornar-se monstruoso no imginário humano, o único monstro é o próprio homem”. Sua inteligência levou-o a considerar-se senhor do planeta e de senhor passou a tirano, pilhando as riquezas naturais, violando a terra e a natureza, saqueando o patrimônio do qual julga-se dono. Enquanto o animal age por instinto, inteligência inata e natural, o homem que assim comportou-se no passado, hoje age a partir da celebridade orgulhosa e se esquece da inteligência do coração, ou seja, do que há de melhor nele

“O simbolismo animal reflete não os animais, mas a idéia que o homem tem deles e, talvez definitivamente, a idéia que tem de si próprio”.

 

O HOMEM E O ANIMAL

 

Entre estes dois existe uma história muito antiga, sem dúvida misturada de amor e ódio. Filhos da mesma natureza são muito parecidos e ao mesmo tempo estranhos. O animal não esquece nem renega a sua essência enquanto que o homem tenta a qualquer preço esquecer sua natureza animal, até parece ter vergonha de seus antepassados. “A visão que o homem tem dos animais e a simbologia a eles atribuídas é puramente por necessidade humana, visto que os animais têm muito a nos ensinar e nós precisamos tomar consciência dessa possibilidade”. É certo que os dois vivem em “mundos” diferentes; enquanto o animal vive o seu mundo real o homem não se cansa de fugir dele. “A harmonia perdida só será encontrada quando este último ouvir o seu coração. A esperança está neste olhar para a natureza, para o universo, em compreender-se como parte do todo, reconhecendo na mulher, que conservou sua magia natural, inata; a possibilidade do resgate”.

 

AS ORIGENS ANIMAIS DO HOMEM – MITOS E LENDAS

 

Se numerosos “mitos” nos mostram o primeiro humano moldado com argila e animado pelo sopro divino, muitas lendas associam o nascimento do homem ao animal, isto porque no que se refere a individualidade e a espécie os homens sempre atribuíram a si origens extraordinárias e fabulosas.

  • Sabemos que a cidade de Roma- Europa, está ligada à loba que amamentou Rômunlo e Remo, gêmeos abandonados na mata por sua mãe, Réia Sílvia – esposa de CRONO. Diz-se que essa loba mítica era provavelmente uma prostituta visto que algumas delas nas festas eram desnudas e cobertas com peles de lobos e colocadas em jaulas.
  • Acredita-se que LUG, deus Celta, tem o corvo como seu fetiche por ter sido este quem indicara com o seu voo a localização da cidade de Lião. E que os faraós do Egito se diziam provenientes do deus Sol, enquanto algumas famílias famosas se diziam descender da célebre fada “serpente”, Melusina.
  • Godofrido de Bouillon, chefe da primeira cruzada e duque da Baixa Lorena, acreditava que descendia de uma fada pelo lado materno. Já Beatriz senhora de Bouillon e esposa do cavaleiro do cisne, na ausência de seu marido, deu a luz a sete crianças, cada uma trazendo no pescoço uma corrente de metal precioso. Entre o conto e o mito popular a lenda diz que a intervenção da sogra ciumenta manda um eremita recolher e tirar os seus colares fazendo com que se transformem em cisnes e voem até o viveiro do rei seu pai enquanto a mãe é colocada num calabouço e salva depois pelo sétimo que havia escapado da trama. “Não esqueçamos que o mito como as novelas sempre estão voltados para um final maravilhoso, o importante aqui é forjar para si uma ascendência fabulosa.
  • Segundo tradição oral, os senhores de Nideck(Na Alsácia) descenderiam dos amores de um guerreiro e de uma loba. Pretendeu-se que de 100 em 100 anos uma criança uivasse como lobo.
  •  O terrível GêngisKhan pretendia descender de lobo azul que teria se unido a uma corça.
  • Na mitologia grega Leto tranforma-se em loba antes de dar a luz a Artemis e Apolo. Segundo uma lenda Merlin teria sido gerado por um pássaro. Depois fora batizado por um eremita Bleiz(lobo), o qual vivia na floresta em companhia de um lobo cinzento. Há quem diga que o próprio Mago as vezes se transformava em lobo.
  • Segundo uma tradição, Luca K’un-mo, rei do Wu-Suen, abandonado ao nascer, teria sido alimentado por uma loba e um corvo. Sabe-se ainda que algumas dinastias turcas e mongóis atribuíam a suas origens um lobo ou um cão. E que Mileto, herói espônio, filho de Apolo e fundador da cidade de Mileto, na Ásia Menor,  segundo as lendas teria sido alimentado por uma loba. Também Santo Ailbo teria sido aleitado por uma loba.
  • A origem mítica do povo tibetano é atribuída à união de um macaco com uma demônia das rochas. Segundo a tradição no século VII d. C., o rei Srong-btsan-sgam-po teve de dominar outra demônia para tornar habitável o solo tibetano.
  • A origem de uma família portuguesa deve-se a união de grande macaco e de uma jovem. Já os Pegúsios e os Denês da América Setentrional vêm a origem humana nos amores de uma jovem e de um cão.
  • Para os Murutos do norte de Borneo, o cão é antepassado mítico e herói civilizador; foi o primeiro filho dos amores incestuosos de um homem e sua irmã, únicos sobreviventes de um dilúvio. Fora ele quem ensinara a nova humanidade todas as técnicas, especialmente a do fogo.
  • Entre os povos da  África OcidentalAnansê, a aranha, preparou a matéria original do homem e criou o Sol, a Lua e as Estrêlas. Em seguida,Niamê, o deus do Céu, insuflou a vida no homem.
  • Os povos micronésios(ilhas Gilbert) apresentam Narô o Senhor-aranha, como o primeiro de todos os seres e como o deus criador.
  •  Para os achantis, a aranha é também divindade primordial e criadora do homem.
  • Os atennienses se dizem originados das formigas de uma floresta Ática.
  • Nos mitos dos Iungas do Peru, os heróis criadores nasceram de cinco ovos- postos na montanha- na forma de falcões, assumindo depois a forma humana. Segundo outra versão, a heroína procriou depois de sua união com o deus Falcão-Avestruz.
  • Entre os Ameríndios do Canadá, encontram-se três famílias principais. Uma pretendia descender de lebre. A segunda de uma bela e corajosa jovem, que teve por mãe uma carpa(peixe de água doce), cujo ovo fora aquecido pelos raios do sol. E a terceira se dizia procedente de um urso.
  • O urso pode ser gerador também na Europa. Assim Ulfão, chefe de família alemã muito poderosa pretendia ser filho de um urso branco e de uma jovem encontrada e raptada por ele.
  • Os reis godos também se diziam nascidos de um urso e de uma princesa sueca.

“Sob a influência cristã tais origens pareceram logo feder a enxofre”; via-se nelas a presença do Diabo”.

 

DIABO- O dicionário bíblico diz que este nome vem do grego e significa “acusador” “caluniador”, “tentador”, “coisa ruim”, “demônio”. Nos LXXa palavra é usada para traduzir o hebraico “SATAN” e é nesse sentido que o têrmo foi adotado no NT (satanás). Conferir:( ITm 3, 11; 2Tm 3,3; Tg 2,3).É apresentado em forma de dragão, bode, touro e outros animais todos com rabo e chifres. É aparentado com o bode, poderoso íncubo sexual e com o touro por estarem ligados aos antigos ritos da fecundidade e fertilidade, embora se acreditasse que o Diabo não consegue gerar porque seu sêmem é estéril. Ele também representa o instinto, a força genesíaca e, portanto, a natureza animal do ser humano.

 

 

NO TARÔ

 

  • A carta do Diabo nos mostra um sátiro(criatura metade homem, metade bode) dentro de uma gruta escura dançando ao som da gaita que está segurando com a mão esquerda. Na mão direita segura dois fios amarrados ao pescoço de duas pessoas, um homem e uma mulher. Estas duas pessoas também têm chifres como do sátiro e, embora tenham as mãos e os pés livres para dançar, estão presos às cadeias do medo e do fascínio pela música.
  • O bode, na mitologia está associado a libertinagem, sendo considerado um animal lascivo e indecente. Mas, ele é também o bode expiatório, sobre o qual as outras pessoas projetam o próprio interior – muitas vezes moral e indecente – para poderem se sentir limpas e decentes. Assim, PAN o Diabo, é o bode expiatório que leva a culpa por todos os problemas da nossa vida.
  • A caverna escura e sem saída indica que PAN o Diabo, habita o ponto mais inatingível do nosso inconsciente. Apenas e tão somente uma grande crise pode derrubar as paredes desse aposento.
  • As figuras que dançam na realidade, são livres se o desejarem, pois as mãos estão soltas para retirar as correntes a qualquer momento. A servidão ao Diabo, é uma questão que o consciente pode resolver.

PAN – A quem os gregos adoravam e chamavam de o “O Grande Todo”. Deus dos pastores e dos rebanhos.

 

O TEMPO, AS LENDAS CRISTÃS E A DEMONIOLOGIA

 

O tempo e os demoníacos transformaram as origens animais do homem em procriações demoníacas e as lendas cristãs se encarregaram de associar a estas, a presença do “coisa ruim”. Assim, Merlim o mago, Melusina, os bascos e os hunos foram considerados frutos do íncubo, isto é, sêmem do Demônio.

 

ÍNCUBO- Em demoniologia, são demônios masculinos que se unem a mulheres, com ou sem o seu consentimento. O feminino deste é súcubos. Diz-se ainda que estes descem sobre as pessoas adormecidas provocando-lhes pesadelos; daí porque atribui-se ao indivíduo que se deixa manobrar por outro. Originário da mitologia hebraíca o íncubo segundo o Gênesis(6, 1-4) seria capaz de gerar.

Os cabalistas sustentam que silfos e outros espíritos elementares assumiam formas animais para seduzirem as mulheres. Essa concepção provém sem dúvida da deturpação das lendas gregas, como a lenda do cisne.

 

CABALISTA- Pessoa versada em cabala(ciências ocultas).

 

SILFOS -Seres elementares do ar. Acreditava-se que cada um dos quatro elementos que compõem o universo(terra, água, ar e o fogo), ser formado por seres invisíveis, no caso do ar – os silfos. Conta-se que, seus traços verdadeiros causavam horror as mulheres, no entanto se agradavam de um cão ou de um símio, daí para aproveitar-se delas, eles tomavam aparência destes animais.

Hoje pouco nos resta dessas origens fabulosas no entanto a patronímia(estudo dos nomes das famílias), nos revela que muitos nomes advém do animal.

 

O HOMEM PERANTE O ANIMAL

 

Na zona rural a vida animal está associada a vida humana; pode-se dizer que este sempre ocupou um lugar de importância; pode ser que não se considerasse aí uma relação afetiva muito embora pudesse existir.

  • Quem não se lembra do camponês com sua cantiga para obrigar seus bois a andarem na direção certa?
  • E o barulho feito com a boca, pelas mulheres, chamando as galinhas de manhã cedo para comerem o milho?
  • Quando morria o dono da casa, por exemplo, as abelhas eram informadas e naquele dia não saíam para buscar o néctar, respeitando o luto da família.

 

OS PROCESSOS CONTRA OS ANIMAIS

 

Os animais foram tão associados ao homem que durante muito tempo também foram processados por ele; de forma que foram registrados casos deprocessos contra ratos, carunchos, gafanhotos e lagartas.

  • Em 1590, o juiz ordenou a um grupo de lagartas que se retirassem para “pequeno terreno e lá terminassem sua vida miserável”. Cinco dias antes um vigário de Valença condenaram as lagartas a deixarem a sua diocese.
  • Em 1474, um magistrado de Basiléia condenou um galo a ser queimado vivo por cometer um ato contrário a natureza, no caso, a postura de um ovo! Perde-se a conta das porcas e touros levados ao cadafalso e enforcados.
  • Em 1947 uma porca fora condenada por haver comido o queixo de uma criança da aldeia de Charone, periferia de Paris.
  • Em Moyen-Moutier, encontrou-se um porco devorando uma criança, este foi preso com o nome de “porco Claudon” seu proprietário. Depois do inquérito, levou-se o mesmo a presença dos almotacés de Nanci e ao  preboste de Saint-Dié, amarrados com uma corda e levados à forca.

ALMOTACÉS – Inspetor de pesos e medidas.

PREBOSTE – Magistrados antigos.

 

Os processos eram comuns e procedia-se da mesma forma com os animais selvagens de modo especial os ursos e lobos. Na França, nomes de lugares como: Loupendu, Penloup- lobo enforcado, testemunham essas execuções.

Conta-se que na festa de São João queimava-se gatos pretos vivos enquanto outros ocupavam ritos de destaque, particularmente no que se refere à fertilidade.

Outras vezes as perseguições eram atribuídas às feitiçarias. Um animal no cio por exemplo, era considerado demônio. E em caso de bestialidade e de zoofilia condenavam-se, tanto o homem, ou a mulher culpados, quanto o animal.

 

BESTIALIDADE – Prática de ato libidinoso com animais.

ZOOFILIA – Diz-se entre outras coisas do ato sexual entre o homem ou a mulher com o animal.

 

Devido aos conflitos nas relações homem/animal chegou-se a duvidar que o homem fosse dotado de razão, até porque na maioria das vezes os animais eram usados como bens para fornecer a carne, o leite, a lã,, etc.

 

A CAÇA

 

A caça possui dois simbolismo de um lado a morte do animal o que significa a destruição  da ignorância e das tendências nefatas(que causam desgraças; de mau agouro, trágicas, funestas); e do outro lado, a procura da caça; o que significa a busca do espiritual.

  • Na China antiga, a caça, enquanto ocupação profana, era repreensível. Lao-tse, julgava mau agouro e trágico a caça como esporte e sem motivos religiosos. Estes na forma de ritual eram considerados legítimos porque forneciam animais para os sacrifícios e para as refeições comunitárias.
  • “No Egito antigo era considerada extensão da criação divina, porque consistia em impor recuo aos limites do caos, o qual, sob o aspecto de animais selvagens e ferozes permaneciam sempre nos confins do mundo organizado”.
  • No delta do Nilo a caça ao hipopótamo tinha significado mágico-religioso. Acreditava-se que este encarnava o deus mau Setz, assassino de Osires.Matá-lo era agir como o deus bom Horo, e desfazer forças do mal; assim sendo a caça guardava uma certa magia.
  • Já na África do Norte, como em muitas outras regiões, a caça era privilégio senhorial e era tida como dessacralização; ritual dos campos antes do cultivo; trata-se de afastar da terra inculta manifestações do invisível.
  • Já a deusa Artemis(Diana) dirigia sua caça simbólicamente contra os homens e os animais que se entregavam por inteiro aos seus instintos selvagens.
  • Segundo Paul Diel, o contrário da caça ritual, que é a busca do divino, a caça simplesmente é o vício de Dionísio Zagreu, o “grande caçador”.

Muitas vezes a caça era exercida não contra o animal mas, contra a bestialidade. Encontra-se uma simbólica próxima nos inúmeros matadores de dragões.“Às vezes o dragão representa as forças instintivas não dominadas, a bestialidade que dorme em cada um de nós”. Matá-lo é domar-mos a nós próprios, conforme à imagem da “Força” no Tarô, que é representada pela jovem a domar o leão com doçura, e não com brutalidade. “Para evoluir, o ser humano deve,  pois, exercer sobre si uma caçada ritual, na qual é, a um só tempo, o caçador e a caça”.

 

A CRIAÇÃO DE ANIMAIS

 

A criação de animais está muito ligada a imagem do bom pastor; àquele que cuida bem das suas ovelhas e que é capaz de deixar as 99 para ir a procura de uma perdida. E esta é uma visão evangélica que se contrapõe à imagem do caçador, até porque trata-se de uma civilização de nômades em que a figura do pastor era de mágico e até mesmo de feiticeiro. Ele conhecia os mistérios da natureza, o período bom e o difícil para o pastoreio, quando devia ou não sair e  voltar com os animais. E os que ficavam a sua espera confiavam em seus cuidados mesmo a distância; como se fosse o Deus lunar “Tamuz”e isto fazia com que ele  fosse invejado por muitos.

TAMUZ - Pastor dos rebanhos e das estrelas. Deus da vegetação que morre e ressuscita, um eterno apaixonado pela deusa Istar. Suas relações evoluíam como as fases da lua.

“O pastor simboliza também a vigília, porque sua função necessita de vigilância constante; daí porque comparado ao Sol, que tudo vê e como o nômade também não cria raízes. Vê-se pois que o simbolismo da criação de animais diz respeito primeiro ao homem, e depois ao animal”.

 

QUANDO O HOMEM SONHA COM ANIMAIS

 

O homem sempre sonhou com os animais dada a importância que este sempre ocupou em sua imaginação. E é por deter estas informações que a psicologia atual trabalha o sonhador com o animal sonhado, vendo neste último um arquétipo do instinto primitivo, até então desconhecido do indivíduo e que precisa ser reencontrado. O animal do sonho exerce função mediadora entre o EU e o SI-mesmo; portanto o animal do sonho é a parte essencialmente natural do nosso espírito.

“Pela situação na qual alguém se encontra em sonho diante do animal, seu subconsciente mostra-lhe o que está realizando com sua animalidade”.

 

O livro trás uma série de significados dos sonhos com animais, transcrevo aqui alguns:

 

  • Sonhar com “Serpente” por exemplo significa a energia primeira saída do espírito e da libido, isto é, não só a força sexual mas também a vital.

 

Serpente- No tantrismo ela é a Kundalini, enrolada na base da coluna vertebral, sobre o chakra do estado de sono; ela fecha com a sua boca o prepúcio do pênis. Ao despertar ela se estende ativando todos os chakras o que significa a subida da libido, da energia vital.

 

  • Sonhar que está pisando a “Serpente”, para este povo, é sinal de mau agouro.
  •  Uma águia voando é bom augúrio, mas se cai na cabeça do sonhador é sinal de morte.
  •  Um asno correndo é presságio de desgraça. Se é visto em repouso, atenção para os falatórios e maldades. Ouví-lo zurrar significa inquietação e fadiga.
  • Uma doninha - é sinal de que amará uma mulher má.
  •  Coruja- funerais.
  •  Corvo voando- perigo de morte.
  • Rã- indiscrição e falatório.
  • Coelho branco – sucesso. Preto reveses. E se estiver comendo carne de coelho- boa saúde, porém matar coelho significa perda e traição.
  •  Pavão- Se for homem a sonhar, terá bela mulher. Se é uma mulher terá belo marido. E se forem casados, terão belos filhos.
  •  Ratos- inimigos ocultos
  •  Rolas- Harmonia entre os casais; casamento para os celibatários.

 

CRENÇAS LIGADAS AOS ANIMAIS

 

Muitas são as crenças ligadas aos animais. Relacionarei aqui algumas delas no intuíto de satisfazer a nossa curiosidade.

  • Segundo crenças antigas, o basílisco teria nascido de um galo e de um sapo. Todos os anos este galo poria ovo do qual nasceria um crocodilo. Esse crocodilo mataria o homem com o olhar.

BASÍLISCO - Réptil, da família dos iguanídeos era considerado antigamente como o rei das serpentes.

  • O gato preto, animal de fetiche dos feiticeiros, com o sapo, tinha a fama de atrair o Diabo, como a galinha preta. Na Romênia, acreditava-se que a sua passagem sobre o corpo do defunto o transformá-lo-ia em vampiro.
  • O galo, como anunciador da luz solar com o seu canto, trazia a fama de desaparecer com os demônios e de por fim às reuniões de  feiticeiros. Na Romênia, seu canto afugentara os vampiros, mas a sua morte deixava os campo livre aos espíritos maléficos. Se fosse preto podia também ser usado pelos feiticeiros, para transformar os mortos em vampiros.
  • Na Lorena, acreditava-se que as pessoas que não sentiam fome, mas carregavam dinheiro consigo, depois de ouvirem pela primeira vez o canto do cuco, já não tinham mais preocupações nem com o dinheiro nem com o apetite. Já na finlândia e na Bretanha, seu canto era para as moças a promessa de casamento antes do inverno seguinte.
  • O olhar do sapo tinha poder de encantamento que forçava os passarinhos pousados nas árvores a se precipitar em sua boca. Segundo alguns demonólogos, as feiticeiras eram assistidas por demônios em forma de sapo cornudo. Afirmava-se também que aqueles(as) que haviam assistido três vezes o sabá traziam pequeno sapo marcado no branco do olho ou na prega da orelha; outras vezes a marca do Diabo assumia essa forma, ou de cão, de lebre, ou de morcego.
  • Segundo crença espalhada no meio rural francês, e já conhecida dos gregos e romanos, quem vê inesperadamente um lobo perde logo a voz e fica rouco. Acredita-se também que quando uma loba dá cria, nasce dela também um cão, o qual ela reconhece pela maneira de beber e que por isso o devora. E que o Diabo gosta de se transformar mais em lobo do que em qualquer outro animal, porque o lobo é um devorador e, assim, pratica mais o mal do que os outros animais, e ainda porque é inimigo do cordeiro, símbolo de Cristo. Diz-se ainda que os feiticeiros se transformavam em lobos.

 

MAGIA E FEITIÇARIA

 

  • No começo do século XV, acreditava-se que era bom conseguir as boas graças do lobo e que para encantá-lo bastava matar e cortar um carneiro em quatro partes e espalhar pelos quatro cantos do terreno; depois recitar esta oração: “Santa Maria e rei do lobo, refreai o lobo; Santa Ágata, amarrai a sua pata; são Lobo, torcei seu pescoço. Amém. Outros achavam que bastava deixar uma galinha no meio do mato.
  • No Yonne, para “encantar”a raposa, os sitiantes preparavam uma omelete de doze ovos, cortavam-na em quatro partes, traçavam o sinal-da-cruz sobre cada uma e corriam, em torno do terreno a preservar(geralmente a horta próxima do galinheiro) e atiravam um pedaço em cada canto, gritando três vezes: “Raposa, eis tua parte, toma-a e não voltes mais! Outros atavam um pedaço de toicinho numa corda e descrevia com ela um círculo em torno da fazenda enquanto repetia-se: “Raposa, não comerás mais de minhas galinhas, do que do meu toicinho”.

Estas e muitas outras práticas afirmam a antiga crença na inteligência animal, senão igual ao menos comparável à dos seres humanos. Em algumas regiões se dizia que os animais chegavam a falar, principalmente na noite de Natal.

 

O SACRIFÍCIO ANIMAL

 

Essas práticas supersticiosas e mágicas nos levam aos antigos ritos de conciliação da natureza, o próprio princípio do sacrifício. A inteligência era reconhecida aos animais individualistas, como o lobo, a raposa e o gato, porque têm uma personalidade muito diferente dos animais de criação.

 

  • Acreditava-se que a carne de um animal ou até mesmo do ser humano comunica as suas qualidades a quem a come. Dizia-se no século XVIII( e ainda hoje em algumas regiões), que quem comesse carne de lebre seria belo(a) por sete dias. Outros diziam que para isto seria necessário comê-la sete dias seguidos. Na mesma região, dizer a uma jovem que ela havia comido carne de lebre era uma ofensa.
  • Havia ainda quem acreditasse que comer o coração sangrando de uma doninha tornar-se-ia sonâmbulo e que se o cão comesse o coração, a língua e os olhos de doninha, perderia logo a voz e o faro.

 

ANIMAIS E PRESSÁGIOS

 

  • No século XV era de bom agouro encontrar um lobo, um urso ou um cervo. Duzentos anos mais tarde, o lobo, de manhã, sempre trazia felicidade, já no século XIX; se fugisse mais rápido era sinal de felicidade futura.
  • Os animais de bom agouro eram todos grandes mamíferos, ao passo que os outros geralmente eram de pequeno porte. Entretanto, em certa época, a vista de um cervo, de um cabrito ou de um javali era sinal de desgraça.
  • Quando alguém se põe em caminho para algum lugar, e uma lebre vem ao seu encontro, é um mau sinal. Para evitar perigos, deve voltar-se três vezes ao lugar de onde veio, para depois continuar seu caminho; então, estará fora de perigo.
  • Se uma doninha cortasse caminho diante de alguém, ou uma lebre passasse da direita para a esquerda, pressagiava-lhe morte imprevista.
  • Quando se vêem muitos morcegos voando em torno da casa, é bom afastá-los, porque é grande sinal de que será posto fogo na casa.
  • Em determinados lugares “regougar” da raposa perto das casas é sinal de morte na vizinhança. Noutros, a mulher que ouve o grito do camundongo tem a certeza de ser enganada pelo marido. Há ainda quem acredite que o grito da coruja é sinal de morte, enquanto o canto do rouxinol promete alegria.
  • O vôo da gralha junto com um grito era sinal de desgraça.

 

 

A ANIMALIDADE MALDITA

 

  • Quinze séculos antes de nossa era, entre os povos da região que vai do Orontes ao Eufrates, a lei especificava que se alguém se unisse a uma cadela ou a uma vaca devia ser punido de morte. Se um homem se unisse a um touro, o animal seria morto, o homem não. Se um barrão cobrisse um homem, não nenhuma sanção. Se um homem cobrisse um burro, nenhum dos dois era morto, mas o homem já não poderia aproximar-se do rei nem tornar-se sacerdote. Segundo a tradição hebraica, freqüentemente bodes serviam de companheiros a mulheres.

Sobre isto escreveu Voltaire: “As mulheres judias, vagando pelo deserto, não podiam lavar-se nem trocar de roupa e de calçado. Não tinham camisa. Por isso, os bodes de suas regiões podiam muito bem tomá-las por cabras, por causa de seu odor, e essa conformidade talvez tenha estabelecido galanteria entre as duas espécies”.

  • Sabe-se que desde o começo dos tempos, os cabreiros e pastores preencheram sua solidão nas altas pastagens com suas companheiras quadrúpedes.
  • Na Idade Média, essas práticas eram tão correntes que, foram consideradas diabólicas e reprimidas com a pena de morte. Fala-se de alguém que fora condenado por haver se comportado mal com uma galinha.
  • Diz-se dos prazeres dos lobisomem com as lobas serem tão intensos o quanto experimentavam com as mulheres.
  • A esse respeito, o papel do cavalo é eloqüente. As palavras “cavalo,”, “porco”, “garanhão”, “égua”, e “potra” são usadas correntemente na linguagem erótica e oferecem o mesmo significado que a palavra “traseira” e o verbo “trepar”.
  • Enquanto no simbolismo europeu, o cavalo representou a força fecundante, o instinto e por sublimação o espírito, a égua encarnou às vezes o papel de Terra-mãe na hierogamia Terra-céu dos povos agrícolas. Assim Deméter de cabeça de cavalo, deusa da fertilidade, uniu-se a Jasão, um mortal, nos sulcos de um campo recém-arado.

 

  • Além do mito havia as práticas. “Conta-se que nos ritos de entronização dos reis da irlanda, no século XII, o futuro rei deveria se unir a uma égua branca, durante uma cerimônia depois a égua era sacrificada e sua carne cozida oferecida em um festim do qual só o rei não poderia participar,  mas no final mergulharia no caldo do cozido. O caldeirão representava o ventre da Terra-mãe e o caldo as águas placentárias. Considerava-se que assim o futuro rei saía renascido, tendo recebido, como em uma segunda gestação, a comunicação dos poderes mais sutis e secretos da Terra-mãe, que ele havia despertado na forma de égua; daí porque deixava a condição humana e elevava-se ao nível do sagrado, inseparável da condição real”.

 

Ainda hoje na Cornualha sobrevive o simbolismo sexual do cavalo celebrado na festa da Pele no dia primeiro de maio, considerada a celebração da fecundidade da primavera. Um habitante da aldeia disfarçado de cavalo executa passos saltitantes na direção das jovens levantando suas saias e exibindo longo bastão de madeira entre as pernas.

 

Muitos mitos por terem a simbólica sexual desenvolvida , como o bode, fora identificado como o Diabo.

 

OS ANIMAIS DO DIABO

 

Assim como muitos animais foram ligados a Cristo, outros foram associados ao Diabo e aos seus seguidores. Alguns pela sua má fama, como é o caso dos gatos pretos, dos sapos  dos morcegos e dos lobos; outros devem a avaliação de seu caráter à sua capacidade sexual como é o caso do bode, cuja forma é a preferida pelo Demônio nos seus colóquios com as feiticeiras. Animal ora sagrado, ora maldito, servia de montaria à bela Afrodite-Vênus.

 

Bem antes  que as inúmeras fogueiras da Inquisição abraçassem o céu da Europa, o Diabo surgira na forma de animal aos padres anacoretas.

 

ANACORETAS- Religioso ou penitente que vive na solidão; afastado do convívio social.

 

  • Pedro, o Venerável, dizia tê-lo encontrado na abadia Cluni sob as formas de abutre e de urso, que se satisfazia na cópula anal com as noviças.
  • Metade- homem e metade-réptil o Diabo teria habitado durante longos anos o castelo de Vauvert até 1259, quando são Luis o deu aos cartusianos, a fim de que o exorcizassem.
  • Na forma de cão mostrou-se ao doutor Fausto seguiu Cornélio Agripa e acasalou-se com Françoise Secrétain.
  • O demonólogo Bodin disse que um de seus cães, sob a ordem do Diabo infiltrou-se no convento, onde levantava o hábito das religiosas e tentava violentá-las. Conta-se ainda que o cão de Carlos Quinto era um demônio disfarçado.
  • O cão do Diabo, geralmente é preto, como o gato, mas, as vezes é amarelo ou branco. Em alguns lugares os cães pretos eram usados para procurar tesouros ocultos. No fim de um ano pertenciam ao Diabo e só seriam libertados mediante de um cavalo a ele.
  • O próprio cavalo, fiel corcel dos matadores de dragões-demônios(especialmente são Jorge e São Miguel) pode ser censurado, principalmente se for preto.

Em outros lugares pretende-se que o Diabo, ferindo a terra com o pé, faça sair dela um cavalo preto muito rápido.

  • Segundo outra crença, a cabeça do gato pertence ao Diabo, ao passo que o resto do seu corpo é de Deus.
  • A serpente e a coruja, também estão entre as vítimas da  demoniologia como representação do Diabo, bem como o morcego antes de ser associado aos vampiros e porque não dizer das toupeiras que também o tiveram como pai.
  • O Diabo se mostra sob aparências variadas de animais: grande carneiro provido de chifres, bode mal cheiroso e escorregadio, cão preto.
  • A outra forma mais usada pelo Diabo é a de lobo, que segundo são Mateus, simboliza os falsos profetas e ainda, conta uma lenda popular européia que, quando Deus criou o homem e o Diabo querendo imitá-lo criou o macaco. O sapo era também um dos sinais do Diabo.

 

OS ANIMAIS NOS RITUAIS E NAS RECEITAS MÁGICAS

Nos rituais atribuía-se aos animais uma correspondência planetária exemplo:

 

  • Saturno = sapo, toupeira.
  • Júpiter =águia, cervo, golfinho.
  • Marte = abutre,lobo.
  • Sol = cisne, leão.
  • Vênus = pomba, bode, foca.
  • Mercúrio = cegonha, macaco.
  • Lua = Caburé(espécie de coruja), gato, rã.

 

Eles também entravam na confecção de “receitas mágicas”. Vejamos:

 

  • O excremento do bode e a farinha de trigo, secados e aquecidos com óleo formava um ungüento que assegurava a fidelidade absoluta da mulher, desde que durante o coito esta substancia fosse esfregada sobre o prepúcio.
  • O sangue da poupa(pássaro semelhante a pega) friccionado no rosto de alguém que está dormindo fa-lo-á ver o Diabo.
  • O vaga-lume engolido por um homem torná-lo-ia impotente.
  • Quem encontrasse uma certa pedra no ninho da poupa tornar-se-ia invisível.
  • Um rato aplicado sobre a picada de um escorpião curá-la-ia.
  • O excremento novo da vaca, frito com flores de camomila e de roseira, curaria inflamações dos testículos.
  • O fel de vaca misturado com cascas de ovos de galinha, dissolvidas em vinagre, faria desaparecer as manchas de sardas…

 

LENDA POPULAR DE CRIAÇÃO DUALISTA

 

Criações de Deus     Criações do Diabo
  • Carneiro
  • Lebre
  • Cavalo
  • Vaca
  • Touro
  • Galinha
  • Pombo
  • Cisne
  • Águia
  • Rola
  • Tentilhão e Rouxinol
  • Andorinha
  • Melro
  • Cotovia
  • Bacalhau
  • Cavala
  • Congro
  • Peixe-roncador
  • Linguado
  • Enguia
  • Peixes
  • abelha
  • Borboleta
  • Homar
  • Lagosta
  • Olmo
  • Patela
  • Lobo
  • Coelho ou furão
  • Asno
  • Cabra
  • Bode
  • Corvo
  • Pega
  • Ganso
  • Coruja
  • Gaio
  • Pardal
  • Morcego
  • Tordo(tipo de pássaro)
  • Gavião
  • Cação
  • Cario
  • Aleli(planta ornamental)
  • Peixe-pescador
  • Arraia
  • Cobra
  • Serpentes da água
  • Vespa ou mosca
  • Besouro
  • Carangueijo
  • Peixe-aranha
  • Ostra
  • Mexilhão

 

Considerando a crença de que os demônios tomam a forma de animais eis aqui alguns:

 

  • Abraxás: demônio coroado, com cabeça de galo, ventre estufado e cauda amarrada, portando chicote e escudo
  • Adramelec: grande chanceler dos Infernos, presidente do Alto Conselho dos demônios, intendente do guarda-roupa de Belzebu. Mostra-se na forma de mulo, com torso humano e cauda de pavão.
  • Agore: Grão-duque da região oriental dos Infernos, mostra-se sob o aspecto de um senhor a cavalo em um crocodilo, com um gavião no punho.
  • Asmodeu: demônio destruidor, superintendente das casas de jogo infernais. Possui três cabeças: uma de touro, uma de homem de hálito inflamado, e uma de carneiro. Mostra-se a cavalo em um dragão, tem cauda de serpente e pés com a forma de patas de ganso
  • Aipero: príncipe infernal que comanda trinta e seis legiões. Mostra-se na forma de abutre ereto.
  • Belzebu: príncipe dos demônios, segundo as Escrituras, chefe supremo do império infernal. Seu nome significa Senhor das moscas; mostra-se às vezes sob o aspecto de grande mosca, de serpente ou em forma humana com grandes asas de morcego, pés de pato e cauda de leão.
  • Caim: grande presidente dos Infernos, aparece sob os traços de homem, com cabeça e asas de melro.
  • Dagon: padeiro infernal, grande dispenseiro da casa dos príncipes infernais. originariamente, era deus adorado pelos filisteus, na forma de homem com cauda de peixe.
  • Haborim: duque infernal, comanda vinte e seis legiões. Cavalga uma víbora e possui três cabeças: uma de gato, uma de homem e uma de serpente.
  • Naberus: marquês do mundo infernal, é o Necromante Maldito. Aparece na forma de corvo.
  • Orias: grande marquês do império infernal, demônio dos astrólogos e dos adivinho. Mostra-se sob o aspecto de leão furioso, sentado em um cavalo com cauda de serpente. Traz uma víbora em cada mão.
  • Orobas: grande presidente dos Infernos, comanda vinte legiões. Mostra-se sob aparência de belo cavalo.
  • Oze: grande presidente dos Infernos, seu reino dura apenas uma hora por dia. Aparece na forma de leopardo ou de homem.
  • Subnac: grande marquês infernal, comanda quarenta legiões. Demônio das fortificações, mostra-se sob o aspecto de guerreiro armado, com cabeça de leão, montado em um cavalo horrível.
  • Stolas: grande príncipe dos Infernos, comanda vinte e seis legiões. Aparece na forma de caburé coroado,  com três longas patas.
  • Sitri: grande príncipe dos Infernos, aparece sob o aspecto de leopardo com asas de grigo. Comanda setenta legiões.
  • Valafar: duque do império infernal, comanda trinta e seis legiões. Mostra-se como leão, com cabeça e patas de ganso e cauda de lebre.

“Os demônios se formam subitamente no que lhes agrada; muitas vezes são vistos na forma de serpentes, sapos, bufos, corvos, bodes, jumentos,cães, gatos, lobos, touros; eles se mudam em homens e também em anjos de luz…(Ambroise Paré).

 

CONCLUSÃO

 

A finalidade desta pesquisa foi de  única e exclusivamente nos situar no contexto do mundo animal para assim melhor entendermos o simbolismo a ele atribuído pelo ser humano;  o porque e as razões pelas quais esta simbologia é tão bem usada no livro do apocalipse.

A conclusão que cheguei é de estamos diante de  um universo muito vasto, belo e incompreendido pelo homem, que na ânsia de dominar, esqueceu de cuidar dos animais, assim como do seu habitar natural; “o universo.

Também me dei conta de que, todos(as) nós temos uma história para contar a partir do nosso imaginário e da nossa relação com os animais no decorrer de nossas vidas, principalmente se a nossa infância teve como cenário um sítio, uma fazenda, ou até mesmo uma pequena cidade, no interior deste mundo. Eu posso recordar aqui uma de minha infância, lá pelas terras da Paraíba num sítio de nome “Pelo Sinal” que pertencia ao meu avô, onde fui criada junto com os meus primos(as) e irmãos(as).

“O boi de carroça que papai tinha atendia pelo nome de ‘Muleque’. Tinha as patas dianteiras brancas e o resto do corpo todo preto. Quando saíamos no nosso automóvel(carroça) puxado por ele, desviava dos buracos, parava ao darmos o grito de ordem e se ouvisse algo diferente, como choro ou histeria das crianças também parava e só saía se déssemos a ordem. Quando papai teve que vendê-lo foram dias de tristeza para todos nós, inclusive para o boi, que mugiu a noite inteira, como se estivesse chorando. E assim como ‘Muleque’ era o motor da carroça, tinha outro que puxava o arado e o cavalo que era o carro de passeio de papai; além dos gatos e cachorros que faziam parte da família, no que se refere aos cuidados com alimentação, saúde e moradia”.

A grande dificuldade em entendermos a linguagem a que me refiro está relacionada com a distância na qual nos encontramos dos “nossos irmãos” os animais.

 

BIBLIOGRAFIA

HOLLLANDA, Aurélio Buarque. Pequeno Dicionário da Língua Portuguêsa – Companhia Editora Nacional: São Paulo, 11ª edição, 1969.

BAUER, Johannes B. Dicionário de Teologia Bíblica. São Paulo: Loyola, 1973.

SHARMAN, Burke, Juliete e GREENE, Liz. O Tarô MitológicoUma nova abordagem para a leitura do Tarô. Tradução: DALLE NUCHE, Ana Maria. São Paulo: Siciliano, 1988, p. 66-68.

RUSSELL, Jeffrey Burton. O DiaboAs percepções do Mal da Antiguidade ao Cristianismo Primitivo. Série Somma. Rio de Janeiro: Campus, 1991.

RONECKER, Jean-Paul. O Simbolismo Animal. Mitos, crenças, lendas, arquétipos, folclore, imaginário… Tradução: LEMOS, Benoni. São Paulo: Paulus, 1997.

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ÍNDICE GERAL DO APOCALIPSE

Responsável por este trabalho:

Xavier Cutajar

xacute@uol.com.br       http://xacute1.com

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