APOCALIPSE – APANHADO GERAL – RAI

APOCALIPSE DE SÃO JOÃO

1- Quando foi escrito o Apocalipse

O apocalipse foi escrito entre o ano 90 e 100. Não se sabe o ano certo. Para facilitar, vamos dizer que foi no ano 95 era uma época de perseguição. Depois da morte e ressurreição de Jesus, o evangelho espalhou-se rapidamente. Em toda parte surgiam pequenas comunidades. Em pouco tempo, a Boa Nova de Jesus atravessou as fronteiras da Palestina. Entrou pelo império romano: Ásia Menor, Grécia, Itália. Não foi uma caminhada fácil. Houve muitas dificuldades e perseguições. Mas, apesar de tudo, o sol brilhava. O vento era favorável.

Aos poucos, porém, o céu se cobria de nuvens. Uma tempestade se armava. A escola de império romano ensinava que o imperador era o senhor do mundo (13, 4.14). Os cristãos diziam o contrário: Jesus o senhor dos Senhores! (17, 14; 19, 16) e não era uma briga só de palavras! O império tinha os seus deuses (2,14) era em nome destes falsos deuses que o imperador se declarava Senhor do mundo. Todos deviam prestar culto a ele (13, 8-15). Assim, ajudado pela religião, o imperador conseguiu montar um sistema que controlava a vida do povo (13,16-17) e que explorava os pobres para aumentar o luxo dos grandes (18, 3.9.11-19).

Para os cristãos, Deus é um só. E se Deus é um só, Pai de todos, então todos são irmãos. Por isso, em nome da sua fé, os cristãos procuravam viver como irmãos. Colocavam em comum os seus bens (At 2,44-45; 4, 32.34). Diziam que todos eram iguais (GL 3,28; 1Cor 12,13; Cl 3,11). Condenavam os ricos que exploravam os trabalhadores (Tg 5, 1-6). Não queriam apoiar o sistema injusto do império romano (18,4).

Portanto, não era uma briga só de palavras, nem uma discussão sobre deuses lá no céu. Tratava-se também da organização da vida do povo aqui na terra. A nova organização iniciada e anunciada pelos cristãos ameaçava o sistema do império. Um conflito aberto não podia demorar. De fato, uns trinta anos depois da morte de Jesus, por volta do ano 64, o imperador Nero decretou a primeira grande perseguição. Foi o início dos males.

Depois de Nero, a paz voltou. Mas não era paz. Era apenas uma parada. Todos sabiam que o império não ia permitir que as comunidades crescessem e se espalhassem. As comunidades eram como cupim. Subvertiam o sistema do império por baixo. Por isso, em torno do ano 90, o imperador domiciano decretou uma nova perseguição. Desta vez, mais violenta e mais organizada. Domiciano torturava os cristãos para que abandonassem a fé!

 

Assim, com a chegada do fim do primeiro século, parecia ter chegado também o fim da caminhada das comunidades. Todas as portas estavam fechadas. Todo o poder do mundo se voltava contra os cristãos. Muitos abandonavam o Evangelho por medo e passavam para o lado do império. Na comunidade se dizia: “Jesus é o Senhor”. Mas lá fora, quem mandava mesmo como Senhor todo-poderoso era o imperado de Roma. É neste fim do primeiro século, época de perseguição, que foi escrito o livro do Apocalipse.

 

2- Para quem foi escrito o Apocalipse?

Foi dirigido às sete igrejas que estão na Ásia: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Filadélfia, Sardes, Laodicéia (1,4). São sete pequenas comunidades perdidas no mar da vida e no mundo da História, que procuram agüentar firmes, apesar do vento contrário e apesar das próprias fraquezas. É muito importante levar em conta que o Apocalipse está inserido numa carta bastante carinhosa e muito pessoal a estas sete comunidades. E é só no capítulo 4 que começa o Apocalipse propriamente dito, isto é, a releitura da História à luz da fé. Isto nos faz pensar. João faz teologia não para vender a sua sabedoria a um grande público anônimo, mas como resposta para aquele pessoal humilde e oprimido que vivia a crise da fé nas suas pequenas comunidades. Não é teologia universal e abstrata, mas concreta e encarnada.

 

3 – Qual era a situação do povo que se encontra nessas comunidades?

Quando se diz  “Igrejas”, entenda-se “Comunidades”, isto é, comunidade do tipo das que hoje vivem numa situação muito semelhante: perseguidas, contestadas, sofridas, fracas, cheias de problemas e tensões internas, com gente pobre e oprimida, sem gabarito. O próprio autor, no momento de escrever o Apocalipse, estava preso por causa da sua fé (1,9). A perseguição era violenta (12, 13.17;13,7). Havia prisões (2,10), e muitos já tinham sido martirizados (2, 13; 6, 9 -11; 7,13 -14; 16,6; 17,6; 18,24; 20,4). Era muito difícil sustentar a fé (2,3-4).

O controle da polícia era total: ninguém podia escapar de sua vigilância (13,16). Quem não apoiava o regime do império, não podia vender nem comprar nada (13,17). A propaganda era enorme (13,13) e se infiltrava nas comunidades (2,14.20). O imperador era apresentado como se fosse um novo Jesus. Diziam até que ele era um ressuscitado (13,3.12,14). A terra inteira o adorava como se fosse um deus e apoiava o seu regime (13,4.12-14).

O povo das comunidades tinha ainda outras dificuldades. Havia o cansaço natural, depois de tantos anos de caminhada (2,2). Havia a diminuição do primeiro fervor (2,4). Havia os falsos líderes que se apresentavam como apóstolos e não eram (2,2). Havia as doutrinas erradas que traziam confusão (2,6.15); as perseguições por parte dos judeus (2,9; 3,9); o problema das outras religiões que se misturavam com a fé em Jesus (2,14-15.20).

Algumas comunidades estavam morrendo (3,1). Outras, bem fraquinhas, continuavam firmes na fé (3,8). em geral, era gente pobre, indigente até (2,9). As comunidades mais ricas se acomodaram, iludidas pela sua riqueza (3,16-17). Não eram frias nem quentes (3,15).

É para este povo que João escreve o seu livro. Como hoje, também naquele tempo havia os fracos e os pobres que continuavam firmes na fé e na luta. Havia os que estavam perdidos, sem enxergar o rumo. Havia os que misturavam as coisas, sem entender direito o sentido. Todos perseguidos e precisando de uma palavra de esclarecimento, de conforto e de coragem!

 

4- Quem escreveu o apocalipse?

O autor do Apocalipse não assinou o seu livro nem colocou data. Pouco sabemos da sua vida. Mas ele deixou algumas informações. Ele se apresenta assim: Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus, encontrava-me na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do Testemunho de Jesus (1,9).  O seu nome é João. Ele não apresenta nenhum título, nem de bispo, nem de padre, nem de evangelista nem de apóstolo.  O título que vale para ele é: Irmão e companheiro na tribulação (1,9). Ele mesmo é um perseguido por causa de sua fé. Sofre a mesma coisa que os outros. Conhece por dentro o drama dos companheiros. Por isso, tem condições para animá-los!

João tem consciência de ser o portador de uma profecia por parte de  Deus para o povo das comunidades (1,1-3; 22, 6-8) ele se apresenta com autoridade e pede obediência (22, 18-19).  A sua autoridade vem da palavra de Deus (1,2). Ele mesmo encarnou esta palavra na sua própria vida (10, 8-11). Por isso, tem autoridade para falar.

Ao que parece, era o coordenador geral das comunidades da Ásia Menor, pois é para lá que ele manda o seu livro (1,4.11). Além disso, ele está bem por dentro da situação e dos problemas de cada uma das sete comunidades, como mostra nas sete cartas (2,1-3,22). Apesar da sua autoridade, parece ter sido uma pessoa humilde que não tinha medo nem vergonha de confessar o que não sabia (5,4; 7,13-14). João não escreve para todos indistintamente. Escreve para os irmãos e companheiros perseguidos (1,9).  À primeira vista, ele só se dirige aos irmãos perseguidos das sete comunidades que estão na Ásia (1,4.11). Mas no apocalipse, o número sete, muitas vezes, significa todos. Por isso, escrevendo para aquelas sete comunidades, João quer é esclarecer e animar todas as comunidades, inclusive as de hoje.

 

5 – O que o Apocalipse tem a dizer ao povo das comunidades?

Apocalipse é uma palavra que vem do grego.  Quer dizer revelação.  Tirar o véu que esconde. Ensina ao leitor a não se deixar enganar pelas aparências, mas a descobrir o que existe por detrás dos fatos. Por trás dos fatos trava-se a grande batalha entre o bem e o mal, entre a justiça e a injustiça, entre a liberdade e a opressão. O livro vai tirar o véu que esconde esta realidade, para que os cristãos tomem parte nesta luta e definam sua posição. A “revelação” deste segredo é envolvida em muito mistério. Ela não se faz de maneira direta, mas através de muitos intermediários. O segredo de Deus sobre as “coisas que devem acontecer muito em breve” (1,1) é comunicado primeiro a Jesus. Jesus o transmite ao seu anjo. O anjo o transmite a João. João o transmite aos servos de Deus que vivem nas sete comunidades da Ásia. As sete comunidades deverão testemunhá-lo ao mundo (1,1-4).

 

6- Qual era o assunto encoberto, do qual João vai tirar o véu para mostrá-lo ao povo?

Era a própria situação do povo das comunidades. Ninguém estava enxergando direito as coisas. Já não entendiam a perseguição. O povo estava impaciente e dizia: Até quando, Senhor? (6,10). Se Deus era o dono do mundo, como é que Ele permitia essa perseguição tão demorada? Deus parecia ter perdido o controle da situação. Quem mandava mesmo no mundo era o imperador de Roma.  Ora, o livro do Apocalipse é a resposta de Deus ao povo aflito e perseguido das comunidades. Foi escrito por ordem de Deus (1,11.19) para ser revelação, isto é, para tirar o véu e clarear a situação do povo com a luz da fé.

O livro começa com estas palavras solenes: revelação de Jesus Cristo (1,1). Por meio desta revelação de Jesus, transmitida por João, Deus vai tirar o véu e revelar ao povo o seu plano de salvação, etapa por etapa. Vai mostrar aos seus servos as coisas que devem acontecer muito em breve (1,1). Vai esclarecer o povo e desmascarar a falsa propaganda do império. As coisas que Deus realiza para o seu povo, tanto as coisas presentes como as que deverão acontecer depois destas (1,19), existem escondidas dentro dos acontecimentos da vida. Mas o povo não as enxergava. Por isso, estava impaciente e triste. Para poder enxergar a ação de Deus dentro da vida, não basta que João tire o véu. É necessário que o povo colabore, escutando e praticando a palavra de Deus que João lhes transmite. Assim, reencontrará a alegria. Feliz o que lê e os que escutam as palavras desta profecia, se praticarem o que nela está escrito, pois o tempo está próximo (1,3).

Esta é a Boa Nova que o Apocalipse quer revelar ao povo das comunidades: O tempo está próximo (1,3). Dentro do tempo da história, marcado pelas perseguições, existe o tempo de Deus, a hora de Deus, o plano de Deus. Este plano entrou na sua fase final. Esgotou-se o prazo. Deus está para chegar. Ele vai mudar a situação e libertar o seu povo.

 

2- Símbolos e imagens

 

1.         Elementos da natureza e do universo

 

1. Cores: Em todos os povos, de acordo com a sua cultura, as cores têm um significado simbólico. No Antigo Egito, por exemplo, preto era a cor da esperança. Em outros povos, branco é a cor do luto. Para nós, verde simboliza a esperança. No Apocalipse as cores têm um significado.

 

* Branco (Ap 2,17): vitória, glória, alegria, pureza.

* Vermelho (Ap 6,4): sangue, fogo, guerra, perseguição.

* Preto (Ap 6,5): fome.

* Amarelo-esverdeado ou baio (Ap 6,7): cor de cadáver que se decompõe, morte.

* Púrpura e escarlate, vermelho vivo (Ap 17,4): luxo e dignidade real.

 

2. Números: Entre nós, alguns números têm um significado simbólico. Por exemplo, sete é a conta do mentiroso. Treze é número de azar. No ambiente apocalíptico, os números também têm um significado simbólico:

 

  • 3 – Três vezes é o superlativo hebraico: plenitude (Ap 21,13) e santidade (Ap 4,8): 3 x Santo.
  • 4 – Número cósmico: os quatro cantos da terra, toda a terra (Ap 4,6; 7,1; 20,8); os quatro elementos do universo: terra, fogo, água, ar. Quadrangular (Ap 21,16): sinal de plenitude e de perfeição.
  • 7 -  É a composição de 3 + 4. Indica plenitude, perfeição, totalidade (Ap 1,4). Metade de 7 é 3,5 (Ap 11,9). Às vezes se diz “um tempo, dois tempos, meio tempo” (Ap 12,14; Dn 7,25), isto é, três anos e meio. É a duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus.
  • 10 – “Dez dias de provação” (Ap 2,10) (cf. Dn 1,12.14), tempo de curta duração.
  • 12 – É uma composição de 3 x 4. Número de perfeição e de totalidade (Ap 21,12-14).
  • 24 – É uma composição de 2 x 12. Os 24 anciãos (Ap 4,4), isto é, representantes do povo do AT (12 tribos) e do povo do NT (12 apóstolos), ou seja, a totalidade do povo de Deus.
  • 42 – Quarenta e dois meses (Ap 11,2) é igual a três anos e meio, é igual a 1.260 dias (cf. Ap 12,6), isto é, a metade de sete anos. Indica o tempo limitado por Deus.
  • 144 – É uma composição de 12 x 12 (Ap 21,17). Sinal de grande perfeição e totalidade.
  • 666 – É o número da besta (Ap 13,18). Em grego e em hebraico cada letra tinha um valor numérico. O número de um nome era o total do valor numérico de suas letras. O número 666 é do nome César-Neron conforme o valor das letras hebraicas ou César-Deus conforme o valor das letras gregas. É também o número de maior imperfeição: seis não alcança sete, é só a metade de doze, e isto por três vezes! O número 666 é o cúmulo da imperfeição!
  • 1.000 – Designa um prazo de tempo comprido e completo. Reino de mil anos (Ap 20,2). As combinações: 7 x 1.000 = 7.000 (Ap 11,13), 12 x 1.000 = 12.000 (Ap 7,5-8), 144 x 1.000 = 144.000 (Ap 7,4)

 

3. Elementos da natureza: Entre nós, alguns elementos da natureza têm um significado simbólico. Por exemplo: “Fulana tem uma boa estrela!” “João tem saúde de ferro!” “Aquela menina é uma pérola!” Na Bíblia, os elementos da natureza têm variados significados simbólicos:

  • sol e lua: “vestida com o sol, a lua debaixo dos pés” (Ap 12,1): criação servindo ao povo de Deus.
  • estrela (Ap 1,16): anjo ou coordenador da comunidade (Ap 1,20).
  • estrela da manhã (Ap 2,28): Jesus, fonte de esperança (Ap 22,16).arco-íris (Ap 10,1): símbolo da onipotência e da graça de Deus. Evoca a aliança de Deus com Noé (Gn 9,12-17).
  • mar (Ap 13,1): caos primitivo (Gn 1,1-2), lugar de onde sai a besta-fera, símbolo do mal.
  • abismo (Ap 9,2): lugar debaixo da terra, onde os espíritos maus ficam presos.
  • água da boca da serpente, o vômito (Ap 12,15): império romano.
  • Eufrates (Ap 9,14): região de onde costumavam vir os invasores; aqui os partos.
  • cristal (Ap 4,6; 22,1): clareza, esplendor, transparência, ausência do mal.
  • pedras preciosas (Ap 21,19-20): raridade, beleza, valor.
  • pedra branca (Ap 2,17): usada no tribunal pelo juiz para declarar alguém inocente.
  • ouro (Ap 1,13): riqueza.
  • ferro, cetro de ferro (Ap 2,27): poder.
  • barro, vasos de barro (Ap 2,27): fragilidade. Evoca Is 64,7 ou Jer 18,6.
  • palma (Ap 7,9): triunfo.
  • duas oliveiras (Ap 11,4): personagens importantes. Evocam a visão do AT (Zc 4,3-14).

 

4. Mundo animal: A convivência com os animais produz significados simbólicos. Por exemplo, o povo diz: “Não ser papagaio”, “Escutar como coruja”, “Meter o bico em tudo”, “Fulano é um cavalo!”. No Apocalipse, os bichos ou partes do bicho têm vários significados simbólicos:

  • dragão (Ap 12,3) ou “antiga serpente, diabo ou satanás” (Ap 12,9): poder do mal hostil a Deus e a seu povo.
  • 1ª besta que sobe do abismo (Ap 11,7) ou do mar (Ap 13,1): Nero ou o império romano.
  • 2ª besta que sai da terra (Ap 13,11): o falso profeta que propaga o culto ao imperador. O dragão, a 1ª besta do mar e a 2ª besta da terra são uma caricatura da Trindade. O anti-Deus, o anti-Cristo e o anti-Espírito (falso profeta).
  • pantera, leão e urso (Ap 13,2): crueldade, sem misericórdia. Evoca a visão de Danie1 (Dn 7,4-6).
  • cavalos (Ap 6,2-7): poder, exército que arrasa. Evocam a visão de Zacarias (Zc 1,8-10).
  • cordeiro (Ap 5,6): indica Jesus. Evoca o cordeiro pascal imolado no êxodo (Ex 12,1-14).
  • leão, touro, homem, águia, os “quatro seres vivos”, literalmente: “animais alados”, (Ap 4,6-7): indicam os quatro seres mais fortes que presidem o governo do mundo físico. Indicam também os quatro elementos que formam o ser humano: touro (instinto), leão (sentimento), águia (intelecto), homem (rosto). Os quatro juntos formavam o ser mitológico da Babilônia, chamado karibu ou Querubim, e a Esfinge do Antigo Egito. Evocam as visões de Isaías (Is 6,2) e sobretudo  de Ezequiel (Ez 10,14 e 1,10).
  • águia (Ap 12,14): evoca a proteção do êxodo (Ex 19,4; Dt 32,11).
  • gafanhotos (Ap 9,3): invasores estrangeiros, os partos. Evocam as pragas do Egito (Ex 10,1-20) e a visão de Joel que fala de gafanhotos com aspecto de cavalos (JI 2,4; Ap 9,7).
  • escorpião (Ap 9,3): perfídia, traição. Evoca êxodo conforme o livro da Sabedoria (Sb 16,9).
  • serpente (Ap 9,19): poder mortífero.
  • sapo (Ap 16,13): animal impuro (Lv 11,10-12); símbolo persa da divindade das trevas. Evoca a praga das rãs (Ex 7,26 a 8,11).
  • chifre (Ap 5,6): poder, particularmente o poder do rei.
  • asas (Ap 4,8): mobilidade; velocidade em executar a vontade de Deus. Evocam Ezequiel (Ez 1,6-12).

 

3- Outros símbolos e imagens

A vida e as coisas da vida com suas instituições

1. Coisas da vida

* túnica longa (Ap 1,13): símbolo de sacerdócio (EX 28,4; Zc 3,4). Roupa ou veste evoca a realidade profunda das pessoas.

* linho puro (Ap 15,6): a conduta justa dos cristãos (Ap 19,8).

* alfa e ômega (Ap 1,8): primeiro e último, princípio e fim (Ap 21,6; 22,13).

* chave (Ap 3,7): poder.

* livro (Ap 5,1): o plano de Deus para a história humana.

* livro da vida (Ap 3,5; 20,12): contém os nomes dos que vão viver sempre.

* selo (Ap 5,1): segredo.

* ladrão (Ap 3,3): Deus vem como ladrão, isto é, de maneira inesperada, imprevisível.

* foice (Ap 14,14): imagem de julgamento divino.

* trombeta (Ap 8,2): voz sobre-humana que anuncia os acontecimentos do fim dos tempos.

* carimbo, sinal, marca (Ap 7,2; 13,16-17): marca de propriedade e proteção.

 sinal: assinalados – os que pertencem a Deus

 marca: marcados – os que pertencem a besta

* balança (Ap 6,5): escassez de comida, custo de vida.

 

2. Corpo e vida humana

* cabelos brancos (Ap 1,14): símbolo de eternidade.

* olhos brilhantes (Ap 1,14): símbolo de ciência divina universal.

* pés de bronze (Ap 1,15): firmeza invencível.

* nome (Ap 3,5.8; 19;13): indica a própria pessoa.

* mão direita (Ap 1,16): símbolo de poder. Evoca a ação de Deus no êxodo.

* mulher (Ap 12,1): povo santo dos tempos messiânicos; as comunidades em luta.

* filho da mulher (Ap 12,4): messias, chefe do Novo Israel. Evoca Gn 3,15.

* prostituição (Ap 2,14): a infidelidade da idolatria.

* virgem (Ap 14,4): pessoa que rejeita a idolatria.

* noiva, esposa (Ap 19,7): igreja, povo de Deus (cf. Ap 21,2; 21,9-10).

* casamento do Cordeiro com a Noiva (Ap 19,7; 21,2): estabelecimento do Reino (Is 62,5).

 

3. Jerusalém e seu templo

* candelabros de ouro (Ap 1,12): o povo de Deus, as comunidades.

* incenso (Ap 5,8): oração dos santos que sobe até Deus (Ap 8,4).

* coluna (Ap 3,12): firmeza e lugar de honra. Evoca a coluna do templo (1Rs 7,15-22).

* templo (Ap 3,12): coração de Jerusalém, cidade santa, representa o povo de Deus.

* Monte Sião (Ap 14,1): lugar do templo; trono de Deus.

* Nova Jerusalém (Ap 3,12; 21,2): o povo de Deus, finalmente reconciliado.

 

4. O império romano

* trono (Ap 1,4): majestade, domínio. Evoca o julgamento, anunciado no AT (Dn 7,9-14).

* trono de Satanás (Ap 2,13): altar do templo de Zeus no alto da montanha em Pérgamo.

* espada (Ap 6,3): instrumento usado para destruir e matar

* espada afiada de 2 gumes (Ap 1,16): palavra de Deus que julga e castiga (Ap 19,15). Evoca a imagem usada por Isaías (Is 49,2) e, sobretudo, pelo livro da Sabedoria (Sb 18,15).

* arco (Ap 6,2): arma característica dos partos; terror.

* cinto de ouro (Ap 1,13): símbolo de realeza.

* Coroa (Ap 4,4): poder de rei

* Rei dos reis, senhor dos senhores (Ap 19,16; 1,5) título do imperador romano dado a Jesus

 

4- AS SETE CARTAS

São cartas bem pequenas, simples e pessoais para as comunidades de Éfeso (2,1-7), Esmirna (2,8-11), Pérgamo (2,12-17), Tiatira (2,18-29), Sardes (3,1-6), Filadélfia (3,7-13) e Laodicéia (3,14-22). Não vamos explicar cada carta. Damos apenas algumas informações gerais para todas as cartas. As sete divisões de cada carta. Todas as sete cartas têm a mesma forma, o mesmo jeito. Têm as mesmas sete partes:

 

1) Todas elas são dirigidas ao “anjo da comunidade” que é, provavelmente, o coordenador ou coordenadora. (2,1.8.12.18;3,1.7.14).

 

2) Todas se apresentam como palavra de Jesus: Assim diz… (2,1.8.12.18;3,1.7.14).

 

3) Em cada carta, Jesus recebe um título (2,1.8.12.18;3,1.7.14). Quase todos os títulos vêm da visão que João teve de Jesus (1,12-20).

 

4) Em todas as cartas, Jesus começa dizendo: Conheço… e descreve as qualidades positivas da comunidade (2,2-3.9.13.19;3,8). A comunidade de Laodicéia não tem nada de positivo. Ela não é fria nem quente (3,15-).

 

5) Jesus descreve o que cada comunidade tem de negativo e dá advertências (2,4-6.14-16.20-25;3,2- 3.15-19). Duas comunidades não têm nada de negativo: Esmirna e Filadélfia. A estas Jesus dá conselhos de perseverança (2,10;3,11). Na comunidade de Sardes, o negativo é mais forte do que o positivo (3,4). Por isso, lá se inverte a ordem.

 

6) Todas elas têm o aviso final: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às comunidades!” (2,7. 11.17.29;3,6.13.22).

 

7) Todas elas terminam com uma promessa ao vencedor (2, 7.11.17.26-28;3,5.12.21).

 

2. SETE SUGESTÕES PARA A LEITURA E…

  1. Conhecer a situação das comunidades: O que cada comunidade tem de positivo e de negativo? Qual o ponto em que cada uma deve esforçar-se mais? Quais os perigos que a ameaçam? Comparar com hoje.

 

  1. Enfrentar a situação: Como João pede que elas enfrentem a situação? Quais os recursos de que cada comunidade dispõe para vencer os seus problemas? Como hoje enfrentamos os problemas?

 

  1. Alimentar-se do Antigo Testamento: Quais os trechos e acontecimentos do Antigo Testamento que são citados ou lembrados em cada carta? Quais as forças do passado que João quer acordar assim no povo? Como fazemos hoje para recuperar a memória e fazer acordar no povo a força do seu passado?

 

  1. Aprofundar a fé em Jesus: Quais os títulos que Jesus recebe em cada carta? Qual o sentido e a força de cada título para a vida do povo? Comparar com os títulos que Jesus recebe hoje.

 

  1. Saborear as imagens e comparações?
  • Quais as comparações ou imagens usadas em cada carta?
  • De onde foram tiradas: do Antigo Testamento, da vida, da natureza ou da cultura do povo?
  • Qual o sentido e a força de cada imagem para a vida? Só na “promessa ao vencedor”,  as sete cartas usam as seguintes imagens: — árvore da vida (2,7),

- paraíso de Deus (2,7),

- segunda morte (2,11),

- maná escondido (2,17),

- pedra branca (2,17),

- nome novo (2,17;3,12),

- cetro de ferro (2,27),

- vaso de barro (2,27),

- estrela da manhã (2,28),

- veste branca (3,5),

- livro da vida (3,5),

- coluna no templo de Deus (3,12),

- nova Jerusalém (3, 12),

- sentar com Jesus no trono do Pai (3,21).

Esta amostra dá uma idéia da riqueza contida nas sete cartas.

 

Animar-se com a promessa ao vencedor! Qual a promessa que cada carta oferece ao vencedor? Como esta promessa ajuda a continuar na luta e a agüentar a perseguição? Qual a promessa que hoje anima o povo na caminhada?

Imitar o exemplo de João: Informar-se sobre a situação concreta das comunidades de hoje que vocês conhecem. De vez em quando, reúnam a sua comunidade e escrevam uma cartinha para uma comunidade que está precisando de um reforço na caminhada.

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