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O CEGO DE NASCENÇA – PAGOLA

terça-feira, março 21st, 2017

O CEGO DE NASCENÇA – Jo 9,1-41

JOSÉ ANTONIO PAGOLA

                                      4º Domingo da Quaresma – ANO A

26 de Março de 2017 (Tradução da CNBB)

Evangelho – Jo 9,1-41
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 9,1-41
Naquele tempo:
1   Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.
2   Os discípulos perguntaram a Jesus:
‘Mestre, quem pecou para que nascesse cego:
ele ou os seus pais?’
3   Jesus respondeu: ‘Nem ele nem seus pais pecaram,
mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele.
4   É necessário que nós realizemos
as obras daquele que me enviou, enquanto é dia.
Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar.
5   Enquanto estou no mudo, eu sou a luz do mundo.’
6   Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva
e colocou-a sobre os olhos do cego.
7   E disse-lhe: ‘Vai lavar-te na piscina de Siloé’
(que quer dizer: Enviado).
O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
8   Os vizinhos e os que costumavam ver o cego
- pois ele era mendigo – diziam:
‘Não é aquele que ficava pedindo esmola?’
9   Uns diziam: ‘Sim, é ele!’
Outros afirmavam:
‘Não é ele, mas alguém parecido com ele.’
Ele, porém, dizia: ‘Sou eu mesmo!’
10 Então lhe perguntaram:
‘Como é que se abriram os teus olhos?’
11 Ele respondeu:
‘Aquele homem chamado Jesus fez lama,
colocou-a nos meus olhos e disse-me:
‘Vai a Siloé e lava-te’.
Então fui, lavei-me e comecei a ver.’
12 Perguntaram-lhe: ‘Onde está ele?’
Respondeu: ‘Não sei.’
13 Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego.
14 Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama
e aberto os olhos do cego.
15 Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus
como tinha recuperado a vista.
Respondeu-lhes: ‘Colocou lama sobre meus olhos,
fui lavar-me e agora vejo!’
16 Disseram, então, alguns dos fariseus:
‘Esse homem não vem de Deus,
pois não guarda o sábado.’
Mas outros diziam:
‘Como pode um pecador fazer tais sinais?’
17 E havia divergência entre eles.
Perguntaram outra vez ao cego:
‘E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?’
Respondeu: ‘É um profeta.’
18 Então, os judeus não acreditaram
que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista.
Chamaram os pais dele
19 e perguntaram-lhes:
‘Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego?
Como é que ele agora está enxergando?’
20 Os seus pais disseram:
‘Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego.
21 Como agora está enxergando, isso não sabemos.
E quem lhe abriu os olhos também não sabemos.
Interrogai-o, ele é maior de idade,
ele pode falar por si mesmo.’
22 Os seus pais disseram isso,
porque tinham medo das autoridades judaicas.
De fato, os judeus já tinham combinado
expulsar da comunidade
quem declarasse que Jesus era o Messias.
23 Foi por isso que seus pais disseram:
‘É maior de idade. Interrogai-o a ele.’
24 Então, os judeus chamaram de novo
o homem que tinha sido cego.
Disseram-lhe: ‘Dá glória a Deus!
Nós sabemos que esse homem é um pecador.’
25 Então ele respondeu:
‘Se ele é pecador, não sei.
Só sei que eu era cego e agora vejo.’
26 Perguntaram-lhe então:
‘Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?’
27 Respondeu ele:
‘Eu já vos disse, e não escutastes.
Por que quereis ouvir de novo?
Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?’
28 Então insultaram-no, dizendo:
‘Tu, sim, és discípulo dele!
Nós somos discípulos de Moisés.
29 Nós sabemos que Deus falou a Moisés,
mas esse, não sabemos de onde é.’
30 Respondeu-lhes o homem: ‘Espantoso!
Vós não sabeis de onde ele é?
No entanto, ele abriu-me os olhos!
31 Sabemos que Deus não escuta os pecadores,
mas escuta aquele que é piedoso
e que faz a sua vontade.
32 Jamais se ouviu dizer
que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.
33 Se este homem não viesse de Deus,
não poderia fazer nada’.
34 Os fariseus disseram-lhe:
‘Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?’
E expulsaram-no da comunidade.
35 Jesus soube que o tinham expulsado.
Encontrando-o, perguntou-lhe:
‘Acreditas no Filho do Homem?’
36 Respondeu ele:
‘Quem é, Senhor, para que eu creia nele?’
37 Jesus disse:
‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.’
Exclamou ele:
38 ‘Eu creio, Senhor’!
E prostrou-se diante de Jesus.
39 Então, Jesus disse:
‘Eu vim a este mundo para exercer um julgamento,
a fim de que os que não vêem, vejam,
e os que vêem se tornem cegos.’
40 Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto
e lhe disseram:
‘Porventura, também nós somos cegos?’
41 Respondeu-lhes Jesus:
‘Se fôsseis cegos, não teríeis culpa;
mas como dizeis:
‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece.’
Palavra da Salvação.

HOMILIA – José Antonio Pagola – 26-03-2017

PARA OS EXCLUÍDOS

O homem é cego desde o nascimento. Nem ele nem seus pais têm culpa, mas seu destino será marcado para sempre. As pessoas olham para ele como um pecador castigado por Deus. Os discípulos de Jesus perguntam-lhe se o pecado é do cego ou de seus pais.

Jesus vê isso em uma luz diferente. Pelo que ele viu, ele só pensa em resgatá-lo daquela vida vergonhosa de mendigar, desprezado por todos como um pecador. Jesus sente-se chamado por Deus para defender, acolher e curar precisamente aqueles que vivem excluídos e humilhados.

Depois de uma cura laboriosa na qual o cego também tem de colaborar com Jesus, descobre a luz pela primeira vez. O encontro com Jesus mudou sua vida. Finalmente, ele pode desfrutar de uma vida de dignidade, sem medo de ser um embaraço para ninguém.

Ele está errado. Os líderes religiosos sentem-se obrigados a controlar a pureza de sua religião. Eles sabem quem não é um pecador e quem é. Eles decidirão se ele pode ser recebido na comunidade religiosa. É por isso que o expulsam.

O mendigo curado confessa abertamente que Jesus foi o que veio a ele e o curou, mas os fariseus rejeitam irritadamente que: “Sabemos que esse homem é um pecador”. O homem persiste na defesa de Jesus: ele é um profeta, enviado por Deus. Os fariseus não podem suportar isso: “Você está tentando nos ensinar, você que é um pecador desde que você nasceu?”.

O escritor do Evangelho diz que “quando Jesus ouviu que o tinham expulsado, foi em busca dele”. O intercâmbio é breve. Quando Jesus lhe pergunta se acredita no Messias, o homem expulsado diz: “Senhor, me diga quem é, para que eu creia nele”. Jesus responde-lhe das profundezas do seu coração: ‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.’ O mendigo diz a ele: «Senhor, eu creio».

É assim que Jesus é. Ele sempre vem para encontrar aqueles que não são oficialmente bem-vindos em uma religião. Ele não abandona os que o buscam e amam, embora sejam excluídos das comunidades e instituições religiosas. Aqueles que não se encaixam em nossas igrejas, têm um lugar privilegiado no coração de Jesus.

Quem trará a mensagem de Jesus hoje aos grupos

  • que a qualquer momento ouvem a injusta condenação pública dos líderes religiosos cegos;
  • Que vêm às celebrações cristãs com medo de serem reconhecidos;
  • Que não podem receber comunhão em paz em nossas Missas;
  • Que vêem-se obrigados a viver sua fé em Jesus no silêncio de seus corações, quase secreta e clandestinamente?

Meus irmãos e irmãs desconhecidos, nunca se esqueçam: quando os cristãos o rejeitam, Jesus vos recebe.

HOMILIA – José Antonio Pagola – 03-04-2011
CAMINHOS PARA A FÉ

 

O relato é inesquecível. Chama-se tradicionalmente “A cura do cego de nascença”, mas é muito mais, pois o evangelista descreve o percurso interior que vai fazendo um homem perdido nas trevas até encontrar-se com Jesus, «Luz do mundo».

Não conhecemos o seu nome. Apenas sabemos que é um mendigo, cego de nascimento, que pede esmola nas redondezas do templo. Não conhece a luz. Nunca a viu. Não pode caminhar nem orientar-se por si mesmo. A sua vida decorre nas trevas. Nunca poderá conhecer uma vida digna.

Um dia Jesus passa pela sua vida. O cego tem tanta necessidade que deixa que lhe trabalhe os seus olhos. Não sabe quem é, mas confia na Sua força curadora. Seguindo as Suas indicações, limpa a sua vista na piscina de Siloé e, pela primeira vez, começa a ver. O encontro com Jesus vai mudar a sua vida.

Os vizinhos vêem-no transformado. É o mesmo mas parece-lhes outro. O homem explica-lhes a sua experiencia: «um homem que se chama Jesus curou-me.»  Não sabe mais. Ignora quem é e onde está, mas abriu-lhe os olhos. Jesus faz o bem mesmo àqueles que só o conhecem como homem.

Os fariseus, entendidos em religião, pedem-lhe todo tipo de explicações sobre Jesus. Ele fala-lhes da sua experiência: «só sei uma coisa: que era cego e agora vejo». Perguntam-lhe que pensa de Jesus e ele diz-lhes o que sente: «que é um profeta». O que recebeu Dele é tão bom que esse homem tem que vir de Deus. Assim vive muita gente simples a sua fé em Jesus. Não sabem teologia, mas sentem que esse homem vem de Deus.

Pouco a pouco, o mendigo vai ficando só. Os seus pais não o defendem. Os dirigentes religiosos expulsam-no da sinagoga. Mas Jesus não abandona a quem o ama e o procura. «Quando ouviu que o tinham expulso, foi procura-lo». Jesus tem os Seus caminhos para encontrar-se com quem o procura. Ninguém O pode impedir.

Quando Jesus se encontra com aquele homem a quem ninguém parece entender, apenas lhe faz uma pergunta: «Acreditas no Filho do Homem?» Acreditas no Homem Novo, o Homem plenamente humano precisamente por ser expressão e encarnação do mistério insondável de Deus? O mendigo está disposto a acreditar, mas encontra-se mais cego do que nunca: «E quem és, Senhor, para que acredite Nele?»

Jesus diz-lhe: ‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo.’  Ao cego abrem-se os olhos da alma. Prostra-se ante Jesus e diz-Lhe: «Creio, Senhor». Só escutando Jesus e deixando-nos conduzir interiormente por Ele, vamos caminhando para uma fé mais plena e também mais humilde.

José Antonio Pagola Tradutor: Antonio Manuel Álvarez Perez

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https://docs.google.com/document/d/1XVD18HN8sR50AwIPrFOHgYEbmOVXQ2GPgGhkDKt5z2g/mobilebasic

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Obs: A cena completa do cego de nascença termina em 10,42 incluindo o Bom Pastor. Jo 9,1-10,42

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